quinta-feira, 29 de setembro de 2016

"Levanta-te e anda"...*

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Apanhei a notícia de raspão, e fiquei por isso com a ideia de que tenha sido dada mesmo assim: de raspão, como se a notícia fugisse da notícia. Fui ver.


E vi que a notícia de um homem preso a uma cadeira de rodas há 43 anos, que de repente se levantou e começou a andar, era isso mesmo: uma notícia.


Mais: uma notícia bem dada. Rufino Borrego, um alentejano do Alandroal, de 61 anos, estivera durante a maior parte da sua vida agarrado a uma cadeira de rodas por um erro de diagnóstico médico há umas décadas atrás. Em 2010 alguém levantou dúvidas sobre o diagnóstico velho de quatro décadas. Prescreveu exames, um estudo genético e … voilá: o novo diagnóstico iria dar a uma doença com sintomas muito parecidos com os da anteriormente diagnosticada mas, ao contrário dessa, curável. Facilmente curável, com um medicamento corriqueiro para quem tem asma ou outros problemas respiratórios: o Ventilan.


Há uns anos, se calhar nem tantos quantos o Sr Rufino passou na cadeira de rodas, a notícia bem poderia ter sido diferente. Há uns anos, quiçá numa outra zona do país, em vez de ouvirmos falar em Ventilan bem poderíamos ouvir falar de uma voz, eventualmente distante, a sussurrar: “levanta-te e anda”…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Kristalina

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O processo designação - chamemos-lhe assim - do próximo secretário geral da ONU mostra bem o estado de completa falência a que chegou a União Europeia. É incrível como tudo serve para tornar evidente que o projecto europeu ruiu de vez...


Com a Alemanha - sempre a Alemanha - no centro do furacão. E sempre com a direita europeia agrupada no PPE... Sempre tudo muito cristalino... E sempre com um português no meio... Do PSD, e ligado a Durão Barroso, de preferência. 


 


 


 


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Correu mal. Mal de mais!

 Marek Hamsík abriu o marcador frente ao Benfica


 Foto: EPA/CIRO FUSCO


Que dizer?


Que há dias - noites - assim? Que o futebol tem destas coisas?


É verdade que há noites assim, como esta de Nápoles, em que (quase) tudo corre mal. E também é verdade que o futebol tem destas coisas, uma equipa entra personalizada, está por cima, cria oportunidades, mas não marca. E de repente sofre um golo. De bola parada, mais uma vez, daqueles que deixam toda a gente a perguntar: como é possível? Depois, quando reentra, volta a mostrar-se confiante, troca a bola com à vontade e com segurança. E de novo de repente, em pouco mais de 5 minutos sofre três golos: um desastre!


Mas é capaz de ser curto. É bem capaz de haver outras coisas para dizer. 


Rui Vitória não operou uma revolução, mas fez alterações para este jogo do S. Paolo, que não correram bem. À parte a rotação dos guarda-redes, com a alteração, aqui já prevista, do critério de alternância, introduziu Carrillo e André Almeida, retirando Salvio e Gonçalo Guedes. E com essa alteração deixou Mitroglou sozinho na frente, que não correu bem. Como Carrillo não correu bem. E começa a ser preocupante... Como as coisas não correram bem a Júlio César, nem a alternância correu bem.


Valha que correram bem as substituições. Sálvio e Gonçalo Guedes marcaram e o resultado acabou por ser  um bocadinho amenizado, e não acabou tão desastroso quanto ameaçou. Pelo menos não deixará sequelas tão pesadas quanto se chegou a temer. 


Com tudo a correr mal, acabou por ser o resultado do outro jogo a única coisa a correr bem. O empate entre o Besiktas e o Dínamo Kiev foi a única boa notícia para o Benfica nesta quarta feira europeia. A noite da primeira derrota da época... 


 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Shimon Peres (1923-2016)

 


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Uns servem a causa. Outros servem-se da causa...


Shimon Peres pertenceu aos primeiros. E desses, foi um dos maiores. Dos mais nobres e dignos...  

Essa é que é essa!

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Sem grandes novidades, o primeiro debate televisivo entre os candidatos às eleições presidenciais americanas de Novembro: Hillary Clinton - formal, institucional e conhecedora; Trump - mentiroso, arruaceiro e ignorante.


Nenhuma surpresa. A não ser que continuam empatados... Essa é que é essa!

Uma autoridade

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José Sócrates, de volta  às lides públicas, manifestou-se com a veemência de sempre contra a intenção - ao que se prevê frustrada - de o governo pôr o fisco a bisbolhetar as contas bancárias do pessoal. Ninguém tem mais autoridade na matéria: não é por ele, que nada tem a esconder. Nem a mostrar... É pelos amigos! 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

De pernas para o ar

 


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Qualquer pessoa de cabeça aberta, e de sapato desimpedido de pedras, percebe que o tema do imposto sobre o património imobiliário que Passos Coelho anunciou, criou e não cobrou, se transformou numa certa trapalhada quando este governo lhe tocou. Fosse porque foi a Mariana Mortágua a mandar-se de cabeça, fosse porque não estava consistemente estruturado para vir ao mundo, ou fosse até para ser mesmo assim, para ver no que dava, a verdade é que não correu lá muito bem. 


Disso aproveitou o exército da opinião publicada ao serviço dos interesses e da ideia dita neo-liberal para ir bem mais longe e virar tudo de pernas para o ar. 


Marques Mendes disse ontem do seu púlpito na SIC - e sabe-se como é importante o que diz, dito sempre sem qualquer obstáculo contraditório - que este caso está para António Costa como a TSU esteve para Pedro Passos Coelho, há precisamente quatro anos. Não está, nem pode estar, por muitas e variadas razões. A primeira das quais é que os interesses atingidos são diametralmente opostos...


Não sendo verdade é, no entanto, a cereja no topo do bolo do argumentário da barreira que foi erguida para impedir este novo (velho) imposto. Comparar a reactivação deste imposto sobre o património, que incide sobre uns poucos milhares dos cidadãos mais abastados, com a transferência da contribuição para a TSU da entidade patronal para os trabalhadores, que atingia todos os trabalhadores por conta de outrem,  é o toque final na campanha de manipulação da opinião pública montada para o matar à nascença. Súbtil, em nome da eficácia! 

sábado, 24 de setembro de 2016

"Duas partes distintas!

 



 


Afigurava-se muito difícil este jogo que opunha, em Chaves, as únicas duas equipas ainda invictas na prova.


A primeira parte confirmou em absoluto essas dificuldades, e mostrou um jogo com muito Benfica (dois terços de posse de bola) mas pouco bem, e pouco Chaves, mas muito bem. Que não precisava de ter muita bola para jogar bem e, em dois ou três passes, colocar jogadores na cara do guarda-redes Ederson, regressado à baliza nos jogos do campeonato (a sugerir que Rui Vitória vai provocar a alternância com Júlio César em jogos, que não em competições).


Muito bem posicionada e com um meio campo muito pressionante, a equipa do Chaves recuperava a bola em zonas adiantadas do campo, e por isso não precisava de muito para a colocar em zona de remate. O Benfica revelava dificuldades de posicionamento em André Horta, e até em Fejsa, sistematicamente abafados pela pressão dos jogadores adversários.


Deste jogo resultaram dois golos anulados por fora de jogo – bem, o anulado ao Chaves, mal – erradamente – o anulado ao Benfica, e duas grandes oportunidades de golo – uma para cada lado. Falta de sorte para o Chaves, com a bola a bater duas vezes no poste e, à terceira, a sair ao lado. Grande defesa do guarda-redes flaviense, na grande oportunidade do Benfica.


Na segunda parte o jogo foi outro. Porque o Benfica, mantendo embora os mesmos jogadores, rectificou posições (especialmente André Horta, que subiu mais). Mas também porque o jogo que o Chaves fizera precisa muito de pernas e de pulmão. E a equipa já não tinha nem pernas nem pulmão para tanto. Nem havia vídeo motivacional que os trouxesse de volta... 


E começou a perceber-se que o Benfica iria ganhar o jogo, mesmo que Rui Vitória continuasse a insistir no sub-rendimento de Salvio. Que penaliza duplamente a equipa: pelo seu próprio défice de rendimento e porque obriga a atirar Pizzi – jogador fundamental neste futebol do campeão – para a esquerda, onde rende também menos. E a verdade é que o primeiro golo só chegou (Mitroglu, aos 69 minutos) depois de Salvio ter deixado o campo, aos sessenta.


Antes, ainda mais um golo anulado ao grego. Desta vez bem.


Com vinte minutos para jogar, com o jogo da primeira parte ainda fresco na memória, e com a propensão da equipa para sofrer sempre o seu golito, ansiava-se pelo segundo, para matar o jogo. Que chegou, por Pizzi, um quarto de hora depois. E mais duas ou três oportunidades para aumentar o score


Sempre sem que o Chaves sequer assustasse.


No fim, vitória clara e mais fácil do que as dificuldades da primeira parte fariam supor. Num jogo com duas partes distintas - como se diz em futebolês - onde, ao contrário do que é normal por este país fora, o Benfica não jogou em casa

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Generosidades*

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De repente, um livro – desculpem-me se exagero na designação – que teria pela frente todo um longo caminho comercial até chegar a best seller, alarga o passo e, de uma só vez, sem investir um tostão em marketing e publicidade, salta para as estantes com uma campanha promocional nunca vista, com as portas das vendas completamente escancaradas.


Mérito do editor, profundo conhecedor dos segredos do negócio?


Mérito do autor, ilustre escritor, distinto Nobel, ou emérito investigador e pensador?


Nada disso. O editor é de primeira linha, mas sem investimento não faz milagres. E o autor … Bom, já lá vai o tempo em que garantia que um dia haveria de chegar a Nobel… 


O mérito é todo – todinho – de Pedro Passos Coelho. Aceitou o convite para apresentar uma coisa que toda a gente tinha por verdadeiramente pornográfica. Intelectualmente pornográfica. E ao que se diz – porque não a li, nem tenciono fazê-lo porque tenho mais que fazer – também de facto muito próxima da pornografia. E ao aceitar fazê-lo acendeu nas redes sociais, e na comunicação social em geral, uma gigantesca campanha que não mais se apagou, com reacções que, se não chegaram para rasgar vestes, deram pelo menos para rasgar cartões do partido.


Três dias depois de reafirmar a sua intenção de assegurar essa apresentação, porque admirava o autor e não era homem de voltar com a palavra atrás, deu o dito por não dito. E pediu ao autor que o desobrigasse do compromisso…


Não lhe vale de muito, esta inflexão. Não lhe acrescenta nada, antes pelo contrário. Mas vale muito, e acrescenta ainda mais, à campanha que generosamente ofereceu à obra do seu amigo… Que já nem de apresentação precisa. O livro, a coisa, está já à venda. A todo o vapor, como seria inevitável num país como o este…  


 


 * Da minha crónica de hoje na Cister FM


 

Outono

 


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Acabou de chegar. Eram 15 horas. E vai por cá estar até 21 de Dezembro, uns dias melhor, outros pior. Nuns dias, com cores únicas, que mais ninguém tem. De cortar a respiração. Noutros, numa única cor. Naquele cinzento bem carregado, que nos deixa carrancudos. Quase de mal com a vida. 

Habilidade e destreza

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Durão Barroso referiu-se pela primeira vez, por viva voz e em francês, à reacção da Comissão Europeia à sua contratação pelo Goldman Sachs. E disse, em bom francês que eu bem ouvi, que não tinha feito nada de irregular, e que não compreendia tanto barulho à volta do seu nome, quando Mario Draghi, que foi vice-presidente executivo do mesmo Goldman Sachs, preside ao Banco Central Europeu sem qualquer problema.


Sempre habilidoso, este Durão Barroso... Veja-se bem a destreza com que maneja a ventoínha ...


 


 


 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Aqui não há cão. Nem gato...

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Três dias depois de garantir "que não era pessoa de voltar com a palavra atrás em de dar o dito por não dito", Passos Coelho desdiz-se mais uma vez e diz que não vai, afinal, apresentar aquela coisa do Saraiva. Que, generoso mas surpreendido. compreende e acaba mesmo por suspender a apresentação.


Esta inflexão do antigo primeiro-ministro não lhe vale de muito. Nem lhe acrescenta nada que não o grau de todos os defeitos que fazem dele um dos mais rascas subprodutos da política portuguesa. Com a absurda leviandade de, preso a uma fidelidade canina, ter aceitado associar-se a um livro deplorável, Passos confirmou ausência de princípios, em especial dos da ética e da responsabilidade, que têm de nortear quem já foi, e aspira voltar a ser, primeiro-ministro. 


Não precisava disto para negar a sua categória afirmação de três dias antes. Quando a proferiu já ninguém tinha dúvidas da sua facilidade em dar o dito por não dito. Não, não é este um caso de "preso por ter cão e preso por não ter cão". Aqui não há cão. Nem gato... Nem vergonha. Nem nada...


 


 


 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Só para lembrar os mais distraídos

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Numa altura em que em Portugal parece que anda tudo doido, não é mau ouvir o discurso de Obama, ontem nas Nações Unidas: "Um mundo em que um por cento da economia controla os outros 99 por cento nunca será um mundo estável..."


Só para lembrar. Às vezes quer-se distrair as pessoas. E as pessoas querem ser distraídas...

Excessos de entusiasmo

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Foi o anúncio do dito imposto sobre o património. Depois, os aplausos dos socialistas em Coimbra... No meio disto tudo uma pessoa entusiasma-se... Mariana Mortágua entusiasmou-se e agora aí está, exposta, na rua, a levar pancada sem dó nem piedade.


A jovem deputada que tanta gente tem entusiasmado é agora vítima do seu entusiasmo. E do entusiasmo de tantos que entusiasmou.


Dizer que "do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro", é uma coisa. Soa um bocado a venezuelano, que não é neste momento o melhor dos atributos, mas ...enfim, ainda passa. Lançar ao PS o desafio de "constituir uma alternativa global ao sistema capitalista" é que não. Isso é desaforo. Só por cima do cadáver do Sérgio Sousa Pinto...  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"Não há campeões à quinta jornada"


 


Não foi fácil, como já se sabia, este jogo que levou o Benfica ao topo da classifcação. Foi antes de mais um grande jogo, entre duas excelentes equipas de futebol, com uma primeira parte ao nível do melhor que por cá se pode ver. 


Foi então um jogo aberto, intenso e muito bem jogado por ambas as equipas, com sucessivas jogadas de golo, que ambos os guarda-redes iam negando: Júlio César por três vezes, e Marafona por quatro ou cinco. O intervalo chegaria com a vantagem do Benfica, ditada pelo golo de Mitroglou - a importância de ter um ponta de lança de volta - ia essa primeira parte a meio.


Foi diferente, a segunda metade do jogo. O Braga passou a dividir ainda mais o jogo, aqui e ali um pouco mais arrastado, e sem que o Benfica o tivesse exactamente controlado. Estávamos nisto quando apareceu o segundo golo, convertido por Pizzi, em posição de fora de jogo. Mas só a posição lá estava, o impedimento não: a bola vinha de um adversário, condição que, como se sabe, coloca em jogo o jogador que a receba.


Com esse golo os jogadores do Braga perderam a concentração, fosse porque o tivessem sentido em demasia, fosse por não terem imediatamente percebido a sua legalidade. E então sim, o Benfica passou não só a dominar mas também a controlar o jogo em absoluto, chegando ao terceiro e deixando mais uns tantos por marcar, sempre por força da exibição de Marafona.


Estávamos nisto - um outro isto - com o jogo controlado, os minutos a passar, belas jogadas de futebol a sucederem-se no rectângulo, e todos à espera do golo do miúdo (José Gomes) quando, não se sabe como - ninguém percebeu como foi possível - o inevitável aconteceu. O inevitável não era o golo do Braga que, sejamos justos, até o merecia. Inevitável é o Benfica sofrer um golo. Pelo menos está a sê-lo, e é mau que seja assim. Vá lá rapazes: é tempo de fazer um intervalo. Agora que já lá estamos em cima, façam lá um esforçozinho para manter a baliza inviolável. Pelo menos num jogo!


Até porque, como bem diz o treinador, não há campeões à quinta jornada. Por enquanto é bom estar lá em cima. Óptimo seria de lá não sair mais...


 


 

Mas qual é a surpresa?

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Acho extraordinária a surpresa, que não a indignação, da generalidade dos "supporters" de Passos Coelho por se ter prestado a apresentar um livro que, ao que se diz, não passa de umas miseráveis folhas de papel envergonhadas pelo que nelas está escrito. 


Compreendo a indignação de todos eles, gente que escreve e se faz ouvir todos os dias em hossanas que não se cansam de cantar a seriredade, a integridade e os princípios do ex-primeiro-mimistro. Acham esta atitude de Passos Coelho um acto de traição insuportável.


Não compreendo a surpreza, e muito menos a desculpabilização que muitos estão a montar em cima de expressões como amadorismo, simplicidade e ingenuidade. Há até quem ache que foi uma casca de banana de que Passos Coelho se não conseguiu desviar.


Não há razão para nenhuma surpresa em ver Passos Coelho associar-se à publicação de um livro que toda a gente diz ser miserável, ao nível do esgoto.


Desde logo porque, se o autor o convida, é porque encontra nele um conjunto de afinidades que faz as coisas baterem certo. E é correspondido: um dos argumentos que o líder do PSD utiliza para justificar a sua conivência é a "admiração pessoal pelo autor". De resto, o único em que podemos acreditar. O outro, de que "não é homem para voltar com a palavra atrás", é de falsidade mais que provada.


Mas para além da afinidade pessoal outras há que matam qualquer surpresa que pudesse haver na ligação do ex-primeiro ministro a esta coisa que todos vivamente repudiam. A primeira, e a mãe de todas, está no vazio. No vazio de ideias que hoje caracteriza o PSD à imagem e semelhança de Passos Coelho e da sua entourage. E no vazio de valores, sem qualquer respeito pela coerência, pela verdade e pela dignidade, que só pode abrir uma via verde para a decadência.


A leviandade de quem diz uma coisa e o seu contrário, as inutilidades que se ouvem nas chamadas Universidades de Verão, ou o voyeurismo de um líder da jota num dos mais decadentes reality shows da tv portuguesa, são apenas evidentes pontos de contacto entre as obras de Saraiva e de Passos.


Percebo que os spin doctors não gostem muito que estas evidências venham ao de cima. Mas não venham com surpresas. É que é possível esconder muita coisa durante muito tempo, mas não é possível esconder tudo, sempre. Nalgum momento a realidade vem espreitar ... e mostra-se!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Limites e obsessões*

Resultado de imagem para boina dos comandos portugueses


A morte de dois jovens militares em exercícios de treino dos Comandos não gerou apenas ondas de consternação pelo país fora. Lançou também uma vaga de discussão, mais uma, à volta das tropas especiais, e dos comandos em particular.


E já se sabe como é: a esquerda tem umas contas velhas a ajustar com os comandos, e não perde uma oportunidade para sacar do lápis e do papel; a direita … pelo contrário. E já se sabe que não gosta nada de nada que mexa com os equilíbrios da estrutura militar. O conservadorismo é também isso…


Como é fácil de perceber, rapidamente o debate passou a dividir-se entre os que defendiam a simples erradicação das tropas especiais e os que as entendem intocáveis e indispensáveis ao país. As causas que estão na origem da disparatada e inaceitável perda de vidas jovens, em circunstâncias que dificilmente poderão ser consideradas acidentais, é que não geraram discussão.


Não sei se o país precisa de forças especiais, ou de elite, nas forças armadas e em particular no exército. Não tenho dúvidas que são imprescindíveis na Polícia ou na GNR, mas, no exacto contexto da Defesa em Portugal, não tenho idêntica certeza no que se refere ao exército. Tenho porém uma convicção: é que se o debate se justificar, terá que se justificar por outras razões que não a morte destes dois jovens.


O debate que estas mortes têm de suscitar é em torno das condições de treino que são impostas aos jovens que têm por opção, e diria até por sonho, virem a ser comandos. Para prevenir que mais jovens voltem a perder a vida nestas condições, talvez o debate deva ter por objectivo evitar que instruendos obcecados por uma boina, sem respeito pelos seus próprios limites, se cruzem com instrutores obcecados em negar limites, que tudo o que respeitam é uma boina.   


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Vistas curtas, depois das rasgadas

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Depois de andar ás voltas com o IMI, com séria exposição ao ridículo, o governo volta à propiedade imobiliária à cata de mais dinheiro.


Não bastaram o sol e as vistas rasgadas. É preciso vistas curtas... Vistas curtas para atacar com impostos o sector que a crise mais destruiu e que é, ao mesmo tempo, o mais central da economia portuguesa.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mínimos da decência

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Suspenda-se ou expulse-se a Hungria da União Europeia. Faça-se qualquer coisa, assim é que não pode continuar - são mais ou menos estas as palavras do ministro dos negócios estrangeiros do Luxemburgo, Jean Asselborn.


Finalmente alguém convoca a União Europeia para os mínimos da decência. 

A coisa e tal(isca)...

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Desta vez não houve como iludir a hecatombe de  lesões que se abateu sobre o Benfica. Champions é outra coisa, e não se compadece com ondas como esta que a equipa está a tentar surfar.


Na primeira parte o Benfica conseguiu imitar o que fizera em Arouca, e superiorizou-se claramente ao Besiktas, mesmo sem ter atingido o nível de há quatro dias. Até porque perdera também por lesão o seu maior protagonista de então: Rafa, pois claro.


Na segunda não foi nada assim. Com a entrada de Talisca a equipa turca melhorou muito, e o Benfica passou a encontrar as dificuldades que não conhecera. Chegou a conseguir inverter a tendência desfavorável do jogo, e podia até ter resolvido definitivamente as coisas quando, a dez minutos do fim, Gonçalo Guedes, sozinho à frente do guarda redes adversário e com tempo e espaço para tudo, permitiu a defesa ao antagonista.


Não resolveu, e quando parecia que seria Ederson - em boa hora regressado à baliza - a resolver tudo, e já no último minuto, Celis - que em má hora, a cinco minutos do fim, substituira Fejsa (lesionado?) - mete os pés pelas mãos e acaba a tocar na bola com o que não devia, ali mesmo à entrada da área. E o Talisca fez aquilo que tantas vezes fizera no lado certo da camisola.


Claro que um golo no último minuto é sempre sorte para quem marca e azar para quem sofre. Mas o Benfica na segunda parte pôs-se a jeito para isso do azar...


Rui Vitória não esteve no banco, por castigo que vinha do jogo com o Bayern, da época passada. Não sei - nem ninguém sabe - se alguma coisa teria sido diferente. O que se sabe é que não foi só a coisa e tal do Guedes e do Celis a ditar um resultado comprometedor. 

Fantasmas e ingenuidade

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Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e financeira do país estariam a abrir as portas a um novo resgate, foi peremptória a demarcar-se da resposta armadilhada: "não colocaria a questão nesses termos".   


Em entrevista á CNBC, questionado directamente sobre a hipótese de um novo resgate, Mário Centeno respondeu "fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgaste". E para que não restassem dúvidas, completou assertivamente: "É a minha principal tarefa" ...


Mais que a  ingenuidade política de Mário Centeno, que explica por que é que Costa lhe dá tão pouca importãncia e não raras vezes o deixa mesmo em situações embaraçosas, o que salta à vista é a pressão á volta do Orçamento de Estado para opróximo ano.


Sabe-se que era aí, no Orçamento, que todos apostavam. Passados que foram os primeiros meses do governo, ultrapassado o fogo do Orçamento (tardio, como sabemos) para este ano, logos as baterias apontaram para o do próximo ano. No próximo é que seria. A geringonça não resistiria aos contornos incontornáveis do próximo orçamento. Em Setembro ou Outubro a coisa sucumbiria de morte natural. E se não fosse assim lá estaria a Europa pronta a deitar tudo a baixo, o que iria dar no mesmo.


Setembro ainda nem a meio vai, mas as indicações que vai dando não apontam para nada disso. A geringonça, mesmo revelando aqui e ali a eventual falta de uma pontinha de óleo, vai-se aguentando bem. Da Europa já se dá conta até de convergência, e aquela reunião dos países do Sul, no final da passada semana, altera por completo o cenário da ameaça europeia.


Perante tudo isso é preciso inventar novos fantasmas, e nada melhor que o fantasma de um novo resgate. Daí a pressa em trazer o tema para a actualidade. E daí razões acrescidas para António Costa ficar zangado com Centeno. Mas zangado a sério, mesmo que - e bem - não o mostre!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Humilhação na forma agravada

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“Ao assumir o emprego, o Sr. Barroso será recebido na Comissão não como um antigo presidente mas como um representante (dos interesses do banco) e será submetido às mesmas regras de outros representantes”.


Foram estas as palavras que o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, escolheu para responder às reservas levantadas pela Provedora de Justiça da UE, Emily O'Reilly, sobre o emprego de Durão Barros no Goldman Sachs. Podem ser ineficazes, e não valer de nada. Por falta de valor intríseco ou até porque Juncker não seja a pessoas mais indicada para lhe acrescentar valor facial. Mas são a humilhação pública de Durão Barroso!


Maior ainda que o número de assinaturas já recolhidas na petição pública, lançada por trabalhadores da União Europeia, que exige a devolução da generosa pensão de reforma, acusando-o de comportamento "irresponsável" e "moralmente repreensível".


 


 

domingo, 11 de setembro de 2016

11 de Setembro

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Imagem relacionadaHá datas assim: que nos arrepiam. Que marcam acontecimentos que nunca esqueceremos. Hoje lembramos este dia de 2011, em Nova Iorque, o dia que tudo mudou. Mas também este dia de 1973, em Santiago do Chile, o dia que pôs fim a um sonho que poderia ter mudado tudo.


Em comum, apenas a tragédia. E milhares de vidas inocentes perdidas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sempre a centímetros do golo apoteótico


(Foto do Record)


 


Era grande a curiosidade sobre a equipa que Rui Vitória escalonaria para este jogo com o Arouca. Em primeiríssima análise pela forma como constituiria a dupla mais avançada, por força de se encontrarem lesionados todos os quatro pontas de lança do plantel principal. Mas também, e exactamente ao contrário, com os quatro centrais pela primeira vez disponíveis, para saber quais os titulares e, mais, qual deles nem no banco teria lugar. Calhou ao Lindelof, surpreendentemente.


A expectativa criada em torno da dupla acabaria por marcar o jogo. Pela enormidade que Gonçalo Guedes e Rafa jogaram, a parecer que jogavam juntos há muito tempo. Porque o último recruta do Benfica, para além de confirmar todo o seu talento, parecia um tri-campeão; ninguém diria que tinha chegado à equipa de véspera. Porque foi obrigado a sair, lesionado – mais um –, aos 60 minutos, e o jogo não foi mais o mesmo. Mas também porque isso, a ausência dos pontas de lança do Benfica, terá levado o Lito Vidigal a montar uma estratégia que, perante a qualidade dos jogadores do Benfica, e em particular da dupla que Rui Vitória lançou, se viria a revelar suicidária.


O treinador do Arouca, perante um adversário sem pontas de lança, estacionou a equipa à entrada da sua área, no pressuposto que, sem jogadores de área, o Benfica não saberia o que fazer quando lá chegasse. Para, depois, sair em lançamentos longos para o contra ataque, abdicando do jogo no meio campo e do tratamento da bola. A coisa não podia ter corrido pior, e o jogo só não ficou resolvido na primeira meia hora porque o Benfica se ficou pelo golo do Nelson, desperdiçando sucessivas oportunidades, ao ritmo de quase uma por minuto. Tanto desperdício, e meia dúzia de grandes intervenções do seu guarda-redes, evitaram o KO de um Arouca que nunca saiu das cordas. E assim chegou ao intervalo com um resultado que deixava aberto um jogo que deveria estar mais que fechado.


Percebeu-se logo no reinício que o Lito Vidigal emendara a mão. Que o meio campo já entrava na estratégia para a segunda parte. Só que para o Benfica ia dar no mesmo. Continuava a jogar bem e sem dar hipóteses. O segundo golo chegou cedo, mesmo assim antes e depois de mais uma série de novas oportunidades, e o jogo parecia finalmente arrumado. Estávamos nisto quando o árbitro não assinala o penalti sobre o Rafa, e na sequência o Arouca chega lá abaixo e marca. No mesmo minuto o resultado passa de um possível 3-0 para 2-1. E dois ou três minutos depois, Rafa, que mantinha a defesa adversária em estado de pânico permanente, saiu lesionado. E o Arouca galvanizou-se.


Mas só isso. Nada mais do que empertigado, e nem mesmo nos poucos minutos, até à entrada de Samaris, em que o Benfica deixou que o jogo partisse, o Arouca criou qualquer oportunidade para marcar. Ao contrário, o Benfica prosseguia a sua série de despedício.


E volto ao princípio: à expectativa sobre a dupla de pontas de lança. Que envolvia mais um miúdo: José Gomes. Pois, entrou já nos descontos e estreou-se, aos 17 anos, na equipa principal do Benfica. E foi dele a penúltima oportunidade de golo do jogo. Ficou a menos de cinco centímetros do golo apoteótico. Como Rafa, por quatro vezes!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Um mundo perdido por muros*

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Há pouco mais de um quarto de século a Europa festejou o derrube do muro que chamava da vergonha. Pensava-se então que caíra o último muro que a dividia e com ele o medo. O medo das perseguições, o medo de fugir, o medo da guerra sempre eminente… O medo de novos muros…


Sabemos hoje que, com o muro, caíram muitas coisas. Mas que também se levantaram muitas outras, algumas delas tão ou mais assustadoras do que as que caíram. Estaríamos porém longe de admitir que, depois de caírem fronteiras, seria possível voltar a levantar muros.


Mas eles aí estão, grandes e altos. Intransponíveis. E para ficar…


Primeiro foi a Hungria a anunciar a construção do seu muro, tapando-a da Sérvia. Não ligamos muito, era apenas mais uma extravagância de Viktor Orban, o xenófobo fascista a quem a Europa tudo admite e tudo tolera.


Mas a Áustria, em processo de crescente radicalização extremista onde a xenofobia medra todos os dias, não quis ficar atrás. E anunciou também o seu muro, precisamente na fronteira com a Hungria, de Orban.


Agora é o Reino Unido, que depois de se decidir pelo abandono da União Europeia, acaba de anunciar a construção do seu muro, a fechar a sua única porta de entrada e de saída para o continente, em Calais. A "Grande Muralha de Calais", como já lhe chama a comunicação social britânica vai começar a ser construído ainda este mês e visa impedir o acesso pelo Canal da Mancha.


Depois de se levantarem muros onde antes se derrubaram fronteiras, talvez fizesse mais sentido fecharem o túnel da Mancha. Mas não faz: os ingleses não querem fechar as portas aos seus camiões para a Europa. Querem apenas fechá-las è emigração. E isso faz-se com muros como, do outro lado do Atlântico, proclama Donald Trump, outro produto dos ventos dominantes no tempo que faz. Que faz deste um mundo perdido. Completamente perdido. Por muros. No meio de muros...


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

A entrevista do Presidente

Capa do O JogoCapa do RecordCapa do A Bola


 


Uma entrevista do Presidente do Benfica é sempre notícia. Uma entrevista do presidente com mais longevidade no Benfica, em directo na televisão, é notícia incontornável. Tão incontornável que "O Jogo" teve de encher a primeira página com Pinto da Costa, sem que ninguém percebesse por quê.


Pelo que já vi, a nação benfiquista apreciou do desempenho televisivo de Luís Filipe Vieira. E aplaudiu.


A entrevista é cirúrgica, a um mês das eleições. E isso deixa-me logo de pé atrás. Depois, parece-me que Vieira falou de mais do que não devia e de menos do que devia: falou de mais de Jorge Jesus (até em função dos processos judiciais em curso, se deles for para tirar alguma coisa) e de menos das relações com o Real Madrid. E nada das relações com o Atlético de Madrid. 


De resto foi igual a ele próprio, cada vez mais solto e cada vez a dominar melhor a comunicação, mesmo quando não evita algumas contradições, como aconteceu no mal explicado negócio dos direitos televisivos com a NOS. Se, como referiu, há "questões claras para clarificar", o que será das que não são claras? Como, por exemplo, se ainda está por agendar a reunião com a NOS que anunciou (para Janeiro, já lá vão 8 meses) logo que foi conhecido o contrato que o mesmo operador negociou com o Sporting.


E quando o painel de benfiquistas - o ex-jogador Diamantino, o Domingos Amaral e o Pedro Ribeiro - colocou, especialmente o Domingos, questões mais incómodas, sentiu-se acossado e não teve dúvidas em responder-lhe como a um adversário. Como se estivesse a responder à oposição, que que não tem, e não às interrogações de um adepto benfiquista.


Confesso que gostaria de ter gostado um bocadinho mais. Mas isso sou eu, que sou assim...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Fantasmas do cavaquismo

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O antigo assessor de Belém, Fernando Lima, para sempre imortalizado no famoso episódio das escutas, decidiu lavar roupa suja em forma de livro. O resultado não podia ser outro: quando o cavaquismo nos mostra o cavaquismo, o cavaquismo é ainda mais deprimente. E cheio de fantasmas!

Apenas coisas bonitas

Seleção Nacional (Lusa)


 


O Éder é todo ele uma história bonita. A gratidão é um sentimento também bonito. A estrelinha de Fernando Santos pode não se ter apagado, mas não brilhou. Se calhar isto até ajuda a explicar a primeira derrota do seleccionador nacional. 


A equipa nacional até entrou bem, e durante a primeira metade da primeira parte até mostrou que era a campeã europeia que ali estava. E foi justamente nesse período que se notou que uma história bonita, e um sentimento bonito, são apenas coisas bonitas.


Depois, os jogadores, provavelmente deslumbrados com a superioridade exibida, esqueceram-se daquilo que deles tinha feito campeões da Europa. E lá voltou a habitual e fatal desconcentração. E de repente a Suiça apanhou-se a ganhar por dois a zero...


E já não houve volta a dar. Nem ao resultado nem ao jogo. Os remates - vinte e sete (contra oito) - eram só para a estatística. Como os cantos: 11 contra 1. Mas a estatística nunca ganha jogos.


Não é o fim do mundo. Nem sequer do apuramento para o mundial da Rússia. Mas podia e devia ter sido melhor, até porque a Suiça é o principal adversário neste percurso que vai levar a selecção ao Campeonato do Mundo de 2018. Para já, está em vantagem. E com uma boa vantagem!

O segredo está no destino

 


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As subvenções vitalícias dadas aos titulares de cargos políticos, a que até Sócrates teve recentemente de recorrer, quando descobriu que afinal era pobre, indignam toda a gente. E quando se fala em indignados não se pode deixar de fora a malta do PC. Que, como não podia deixar de ser, é frontalmente contra esta mordomia com que os políticos se auto-presentearam.


Por isso, quando se soube que o Jerónimo de Sousa é um dos 75 políticos que passou a receber essa pensão antes dos 50 anos, o PC veio logo esclarecer que não era bem assim. E explicou muito direitinho que em 1993, "quando deixou funções de deputado na Assembleia da República, tendo direito à subvenção, passou a decidir do destino dessa verba". 


Jerónimo de Sousa não passou a receber a subvenção. Passou simplesmente a decidir do destino a dar-lhe. Exactamente o mesmo do dos vencimentos do Parlamento nacional ou do europeu, o destino colectivo do partido.


Por isso têm legitimidade para contestar a subvenção, que não recebem. Dão-lhe apenas destino. Por isso não fazem parte dessa malandragem...


O segredo está no destino!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Rigor científico

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Dois investigadores da minha escola, Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista, analisaram o desempenho do sector bancário português desde a adesão ao Euro e chegaram àquelas conclusões que nos parece que os estudos académicos sempre chegam: ao óbvio. Àquilo que todos tínhamos percepcionado, assumido e integrado no nosso paper de ideias feitas. 


É sempre assim, os estudos servem muito mais vezes para sustentar aquilo que empiricamente estava instalado no senso comum do que para fazer grandes revelações. Por isso se discute tanto a sua importância, se bem que, também por isso, sejam pouco discutíveis.


A revelação que porventura mais salientada será no Estudo é ela própria a que melhor ilustra o que acabo de escrever: a da "proximidade" entre o sector e os políticos que o tutelam. E que deveriam supervisionar. O corropio de vai e vem entre a banca e os governos, entre reguladores e regulados, fazem da independência e da efectiva supervisão uma simples figura de retórica.


Estamos, todos, tão conscientes dessa "proximidade" que até lhe chamamos promiscuidade. Nem o exemplo que o estudo toma por mais flagrante dessa entropia deixa de ser o que mais escandalizou o país. E pelos vistos também os próprios funcionários da Comissão Europeia: Durão Barroso, evidentemente. 


Nada de novo, na realidade. Mas é sempre bom saber que tudo isto tem já sustentação científica. Nada como chamar os bois pelos nomes com rigor científico.


 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Violência e circunstâncias*

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Assistimos nos últimos dias a uma onda de violência e morte envolvendo jovens muito novos, entre os 14 e os 17 anos.


A série iniciou-se em Ponte de Sor, o primeiro mas também o mais mediático desta trágica sequência de acontecimentos, pelo envolvimento de dois filhos do embaixador iraquiano em Portugal, de 17 anos, numa selvática agressão que deixou outro miúdo, de 15 anos, em coma, de que felizmente acaba agora de sair. E com acesa discussão pública à volta da imunidade diplomática. E da impunidade. E da desigualdade de tratamento e de acesso à comunicação.


Prosseguiu poucos dias depois, em Gondomar, com um rapaz de 16 anos a deixar outro, de 14, às portas da morte, que infelizmente se abriram pouco depois, no Hospital. Logo de seguida, e curiosamente ainda em Gondomar, outro miúdo, também de 16 anos, foi igualmente morto. Desta vez pelas balas da polícia, na sequência de um assalto, seguido de abalroamento da viatura policial.


As circunstâncias variam em cada um dos casos. Mas, à excepção do último, que resulta directamente da prática de um crime, já á partida em modo de delinquência, as diferentes circunstâncias decorrem de evidentes comportamentos impróprios para as suas idades – a hora dos acontecimentos, madrugada alta, o consumo de álcool, e outros porventura mais discutíveis – a suscitarem questões de enquadramento social, distúrbios funcionais, ambientes familiares desestruturados, e ausência de regras e valores no processo educativo.


São problemas transversais a praticamente todas as sociedades actuais, que não são naturalmente fáceis de resolver, e que inevitavelmente produzem ocorrências desta gravidade. O que têm de raro – e felizmente que o é – é a concentração temporal. É terem-se sucedido em tão poucos dias. E o que têm de ainda mais perigoso é, por essa sucessão e pelo impacto mediático, poderem desencadear fenómenos de mimetismo. É poderem funcionar como detonador de novas ocorrências de violência extrema e descontrolada. Campo fértil para isso é o que não falta quando a delinquência se cruza com a juventude com demasiada facilidade.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

A aprenderem a ser primeiros ministros

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Todos os anos, pelo final de Agosto, reunem-se em Castelo de Vide uns patuscos jotinhas laranjas naquilo a que chamam Universidade de Verão do PSD. Por lá desfilam as mais patuscas figuras de proa do partido, este ano também as mais azedas, a que normalmente se junta, depois, um ou outro patusco vindo de fora. Mas pouco... Este ano calhou a Jaime Gama!


É um espaço onde se ouve de tudo, até se ouvem jotinhas dizer que estão a aprender para virem a ser primeiros ministros. E não é o maior disparate que por lá se ouve. Por exemplo, Poiares Maduro passou por lá para dizer que o actual governo português é um dos quatros governos populistas da União Europeia, colocando no mesmo saco o governo português e o grego, e o governo xenófobo, racista e estremista do fascista assumido Viktor Orbán na Hungria, e o bem próximo governo polaco. Ambos de partidos irmãos do PSD no Partido Popular Europeu...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...