
Sem poder contar com Mourinho no banco - mais uma provocação dos donos desta farsa a que chamam futebol português, no castigo e na recusa do recurso (todos são aceites, e alguns até acabaram na história da farsa, como o dos amarelos do Palhinha) - o Benfica apresentou-se em Arouca com uma revolução no onze.
Otamendi e Enzo Barrenechea, lesionados, deram os lugares a António Silva e Leandro Barreiro, e Dedic e Prestianni, no banco, foram substituídos por Alexander Bah e Lukebakio. No banco, para além destes dois, muitos miúdos, ente eles o Anísio e, pela primeira vez, o Miguel Figueiredo, e o Ivanovic e o Sudakov. De Sidny Lopes Cabral, depois de ter pedido a camisola ao outro do Real Madrid, deixamos de ter notícias. Sintomático!
Nas nomeações dos árbitros os donos desta farsa na facilitam. Dirão que não têm culpa nenhuma que só haja árbitros do Sporting e do Porto. Mas têm. Ou porque os escolhem, ou porque os fizeram assim. Desta vez mais um árbitro do Porto, José Bessa, novinho mas já com farta folha de serviços. Como o VAR, Pedro Ferreira, que ainda há poucas semanas, no jogo em Vila do Conde, não viu o que toda a gente viu (o jogador do Rio Ave com as mãos em cima da bola), e convenceu disso o árbitro, para reverter o penálti. Nem viu o penálti sobre o Barreiro, que o árbitro, Cláudio Pereira, já nem assinalou, porventura sabendo que ele lhe anularia a decisão.
Mas afinal ele vê penáltis. E tratou de o provar logo que o jogo começou. Tem uma condição, percebeu-se: tem que ser contra o Benfica. O Arouca ainda não tinha tido qualquer penálti a favor nesta época, estava reservado para quando jogasse com o Benfica. Estavam reunidas as duas condições para o Pedro Ferreira mostrar que vê penáltis. Mais, que até sonha com eles.
Por isso nada melhor que resolver desde logo a coisa. Não havia tempo a perder, só era preciso que o Bessa apitasse para o início do jogo. Apito inicial e penálti. Daqueles que só são marcados contra o Benfica, e nunca a seu favor. Daqueles que são mesmo para gozar.
E o Benfica começava o jogo já a perder - vamos lá a ver se isto não faz jurisprudência - e teve de começar a correr atrás do prejuízo. O Arouca, sem saber como, já só tinha que defender aquele golo.
Deve dizer-se que o Arouca fez melhor o que tinha a fazer que o Benfica. Que correu, mas pouco e mal. Apenas Schjelderup, lá pela esquerda, ia fazendo o que tinha de ser feito. Mas não chegava, e ele não conseguia fazer tudo.
O Benfica não jogava bem, mas jogava o suficiente para criar condições para controlar, dominar e ganhar o jogo. Faltava aos jogadores acertarem nas decisões, e rematarem à baliza que, sem isso, não há golos. Só que, para rematarem, parecia que Pavlidis (um caso sério de falta de forma e de confiança), Rafa, Lukebakio, ou Rios precisavam de meter um requerimento e esperar que ele viesse assinado.
Tivessem todos podido tanto como Schjelderup, e querido tanto como Bah, e a reacção do Benfica teria sido perfeita. Assim, deu em muitos cantos, muita bola, mas muito poucas reais oportunidades para marcar. Duas, na primeira parte. Afinal tantas quantas as do adversário, contando com a do golo que o Bessa e o Ferreira lhe tinham oferecido. O árbitro ia dando uma ajuda, virando um ou outro canto para pontapé de baliza, virando do avesso as faltas aos do Arouca, e tolerando-lhe tudo. O Rafa jogou - está a jogar - muito pouco, mas também não lhe é permitido jogar muito mais. Cada vez que pega na bola é de imediato ceifado, sem que se passe nada.
Estranhamente a segunda parte começou com os mesmos onze jogadores. Parecia que alguém estava a achar que as coisas estavam a correr bem. Não estavam, e pior poderiam ter ficado se o Arouca tem marcado o segundo golo, que esteve bem à vista logo no arranque.
Valeu que, de imediato, numa das suas poucas intervenções relevantes de todo o jogo, Lukebakio fugiu à defesa adversária e rematou para enorme defesa de Arruabarrena. Na sequência do canto, o 1ª da segunda parte, e 10.º do jogo, Schjelderup bateu para Richard Ríos, solto de marcação e sem tirar os pés do chão, marcar finalmente o golo do empate. Que não festejou, o que também deve querer dizer alguma coisa.
A partir daí o Benfica, e durante 10 a 15 minutos, encurralou o adversário na sua área, e criou, então sim, uns bons pares de grandes oportunidades de golo. Tendo saído vivo do sufoco, e com o Vasco Seabra a refrescar a equipa, o Arouca passou a conseguir subir no campo, e a pressionar bem mais à frente. Se o Benfica não conseguira virar o resultado naquela pressão danada, parecia mais difícil consegui-lo nestas novas condições do jogo.
Foi já praticamente à entrada do último quarto de hora que o João Tralhão mexeu na equipa. E logo com outra revolução. Prestianni, Sudakov, Ivanovic e Dedic foram lançados para os lugares de Lukebakio, Rafa Silva, António Silva e Alexander Bah. Parecia tarde.Tudo aconselhava que devesse ter começado muito mais cedo, e de forma mais gradual.
Não foi assim e, sem que que tenha melhorado a sua qualidade de jogo, o Benfica ganhou coração. Mais ainda quando, já aos 85 minutos, com Anísio Cabral a substituir o esgotadíssimo Schjelderup, no último assalto, passou a jogar com três pontas de lança.
Faltavam, com os descontos, mais de 10 minutos. No último, aos 90+6 - alguma vez também teria de ser - Leandro Barreiro soltou para Prestianni que, depois de um grande trabalho na esquerda, cruzou ao segundo poste, para o golo de Ivanovic. Que festejou, claro!
Como todos, em todo o lado. Pouco habituados a que as coisas nos sorriam desta forma.