terça-feira, 31 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 


O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.


O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 


Como se não bastasse este caldo que chumbou o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.


Bonito. Apetece aplaudir... 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Depois de há poucas semanas ter garantido a renovação da liderança do partido por números norte-coreanos, Pedro Passos Coelho chega às vésperas do Congresso em adiantado estado de isolamento, cada vez mais entregue a si próprio. Aquele aplauso espontâneo e demorado do restrito núcleo dos apoiantes/dependentes feito deputados, ontem, no Parlamento, é prova disso mesmo. De decadência, de que o fim da linha está próximo, a lembrar Marcelo Caetano em Alvalade, a poucos dias do 25 de Abril, faz hoje precisamente 42 anos.


Não é apenas Paulo Rangel, que pode não ter princípios, mas não é estúpido, a perceber isso. Nem Rui Rio, que também não. Nem estúpido, nem modesto: "Se eu lá fosse, ainda me arriscava a ser um elemento central do congresso ...eu não quero perturbar"!

Congresso do PS

José Luís Carneiro rodeado de membros da Mesa do 25.º Congresso Nacional do PS, no encerramento da reunião magna do partido.


No congresso deste fim de semana, em Viseu, o PS não encontrou nem o divã - e não havia melhor escolha para o armar  - para a catarse do desastre que o atingiu, nem o chão que lhe vem fugindo. Sem exorcizar todos os demónios, e sem chão firme para pisar, por mais animadoras que sejam as sondagens, e por mais sedutora que seja a boleia de Seguro, o deserto é longo e agreste.


Diz-se por aí que o Congresso não entusiasmou. Que foi morno. Não é disso que as televisões gostam. Gostariam de ver o sofá num corrupio, numa espécie de casa dos segredos (que não sei bem o que é, mas imagino o que seja). Pela primeira vez, em muitos anos, um congresso do PS não abriu os telejornais.


Hoje o PS já não tempo, nem talvez ganhe muito com isso, para discutir o passado. Pela primeira vez descartável no processo da decisão política, e sem saber bem com que PSD terá que lidar, o PS está perante a sempre difícil tarefa de enfrentar o desconhecido. O que, não sendo confortável para ninguém, é extraordinariamente incómodo para os partidos. E em especial para um partido velho!


Por isso, dificilmente este XXV Congresso do PS poderia ser muito diferente do que realmente foi.


 


 

domingo, 29 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


As declarações prestadas ontem por Jorge Tomé - repito o que aqui já afirmei: um homem profundamente sério e um profissional altamente competente - na  Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banif não podem cair em saco roto. Têm que ter consequências. Não sei quais, mas sei que não são simples declarações de oportunidade numa entrevista qualquer: são declarações numa Comissão Parlamentar de Inquérito, que tem de servir para muito mais que aquilo que outras têm servido: responsabilizar, desresponsabilizando.


A notícia da TVI, que deu a machadada final na liquidez do banco, (in)directamente ligada ao Santander, accionistas da também espanhola Prisa, dona da Media Capital, não pode ser deixada em paz. A alegada campanha do Santander na ilhas para que desviar depósitos do Banif, alegando o encerramento do banco, associada às conhecidas imposições da UE, serve para confirmar que, no Banif, há Santander a mais. Como, e ao contrário do que se quer fazer crer, há também governo (de Passos) a mais. Há governo a mais quando Jorge Tomé afirma que o Banco de Portugal tirou o tapete ao Banif logo a seguir às eleições de 4 de Outubro. Mas há muito governo a mais em tudo o que quis que parecesse governo a menos... 


 


 

sábado, 28 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Hoje, piratas do ar ainda por identificar apossaram-se de um avião da Egyptair, desviando-o dos céus egípcios para terra cipriota. Ao que consta estão a libertar os passageiros, o que é uma boa notícia.


Ontem, a Justiça do regime angolano condenou Luaty Beirão (cinco anos e meio) e os seus restantes (16) colegas a penas entre os dois e os oito anos de prisão, esta para Domingos Cruz. Por escrever o livro que, em último recurso, acabou por justificar todas as condenações: a um porque o escreveu, e aos outros porque o leram. Todos porque, juntos, formam um bando de malfeitores. Coisa que nem sequer constava acusação. E ainda há quem não se envergonhe desta Justiça...


Vergonha tem o BCP, da cotação das suas acções (4 cêntimos, pouco mais), e por isso propõe-se a fundi-las, a juntar 193 acções numa só. Já dá nalguma coisa de mais respeitável para contrapor a outras talvez menos respeitáveis. Porque isto anda tudo ligado, como alguém diz. 


Ontem, também ontem, o presidente Marcelo promolgou o Orçamento, como já se sabia. E falou ao país, como antes falava com o país. Sem tirar nem pôr: não fosse a presença da bandeira nacional a compôr o cenário e podería parecer Marcelo de regresso ao comentário político. Disse de sua justiça - não tem nada a ver com a angolana - e explicou porque só tinha que promulgar. Com uma bicada: não havia nada de inconstitucional no Orçamento. E mais outra, ao chamar a atenção para a sua execução, para que não fossem necessários orçamentos rectificativos, como sempre aconteceu nos últimos anos...


Um Presidente em claro desvio da rota anterior. Mas sem piratas do ar... As notícias são, por hoje, bem melhores por cá que lá por fora!

As crianças á volta ... da televisão

Israel vai bloquear emissões televisivas estrangeiras que sejam "um  prejuízo real para a segurança do Estado" - Expresso


Sabemos, há muito, o que tem sido a política de Netanyhau de ocupação de colonatos, e a forma brutal que tem assumido. Vamos sabendo como, ao longo deste longo mandato de Netanyhau, vem sendo difícil, para todos os que não sejam judeus, ou mesmo judeus ultra-ortodoxos, viver em Israel. Vamos tendo relatos de perseguições a cristãos, vítimas às mãos de judeus extremistas de todo o tipo de vandalismo, da agressão pessoal e individual ao incêndio e destruição dos seus bens e propriedades.


Sabemos que Netanyhau é um criminoso comum que precisa da guerra e do activismo do extremismo religioso para manter a Justiça afastada. É também um criminoso de guerra, mas aí é safo pela hipocrisia internacional. 


Ainda assim mantínhamos uma ideia de um país com alguma ordem democrática, e de uma sociedade com algum recato, decência e tolerância. Ontem percebi como era errada essa ideia. Como, hoje, em Israel, não há qualquer vestígio de democracia, decência, e tolerância.


Estava a passar na CNN uma reportagem de rua, em Telaviv. Viam-se nas imagens polícias, bombeiros, e até gatos. Mas não era isso que mais chamava a atenção. O que chamava a atenção, e perturbava insistentemente o trabalho de reportagem, era a movimentação de crianças à frente das câmaras e em redor do repórter.


À primeira vista poderia parecer uma brincadeira de crianças, excitadas com a presença das câmaras. Nada disso, esclareceu o repórter. As crianças estão ali mesmo para sabotar o trabalho das televisões, e evitar que de lá saiam imagens e notícias para o mundo. De todas as televisões que não o Channel 14, a estação do governo, ao serviço da agenda de Netanyahu.


Na verdade, para impedir a transmissão das televisões internacionais. Porque, das radicadas em Israel, apenas restam a "sua" Channel 14 e a "Kan", a Corporação de Radiodifusão Pública, que está em vias de fechar, ou privatizar. 


Mas há quem continue a querer impingir-nos que Israel é um Estado Democrático!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Recuperar e reclassificar áreas industriais e parques empresariais praticamente abandonados como a Margueira (Almada), a Siderurgia (Seixal) ou a Quimiparque (Barreiro), é certamente uma boa ideia.


Sem capital - em Portugal não há dinheiro para mandar cantar um cego (que me perdoem os mais sensíveis a estas coisas, mas não encontro melhor expressão para a realidade da nossa economia que esta que a velha ordem popular institucionalizou) - vender a margem sul é mesmo a única saída para essa requalificação. E quando se trata de vender, o Marketing é quem mais ordena. Quase sempre com razões que a razão desconhece. Às vezes nem isso, nem razões há...


Lisbon South Bay lembra Allgarve, vem na mesma linha. Estranha-se, e não se entranha, que o road show arranque em português. Que tudo vá começar por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro... Talvez o Cristo Rei tenha alguma coisa a ver com isso.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Mais 65 pessoas morreram em mais um acto terrorista. Dos mesmos, da mesma maneira. Perto de 300 feridos... Mas foi em Lahore, no longínquo Paquistão. Não é no Ocidente, nem os mortos e feridos são ocidentais. Ou pelo menos ninguém faz ideia que possam ser... Não há directos das televisões, nem é notícia para abrir os telejornais... Ninguém é paquistanês... Nem ninguém conhece as cores da bandeira paquistanesa...


 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não sei bem por quê, mas sei que cada vez vejo mais semelhanças entre as mortes de dezenas de emigrantes portugueses nas estradas de França e Espanha e as de centenas de migrantes no Mediterrâneo. Tudo parece tão igual... Estradas tão iguais a mar, carrinhas superlotadas tão iguais a barcos de borracha superlotados... E, por trás, máfias se calhar tão pouco diferentes... E a miséria de que se alimentam. Miséria humana. Miséria que arrasta mais miséria...


Pelo que se vê por esta tragédia que ensombrou a Páscoa de dezenas de famílias portuguesas, por cá acha-se que o mal está nas estradas. As televisões não pouparam em enviados especiais e não nos poupam a reportagens no local. Mas nada vêm para além da estrada. E chamam-lhe da morte. Invariavelmente! 


 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


Morreu Johan Cruyff!


Mais que uma lenda do futebol, foi quem provavelmente mais contribui para o que é hoje este grande espectáculo, que não do negócio, do qual - curiosamente - se demarcou como poucos. Primeiro, como jogador único, dos poucos com lugar reservado no Olimpo. Do restrito número dos três ou quatro que poderão ser apontados como os melhores de sempre. Depois, como mestre do futebol. Cruiff não foi um treinador, embora tenha sido como treinador que inventou o actual Barcelona. O seu Barcelona. Foi um mestre que pintou futebol e que espalhou a sua arte pelo mundo!


Mas foi ainImagem relacionadada um mestre que, mais que saber, acrescentou mundo ao futebol, rompendo com todos os estereotipos que o apequenavam. Sempre irreverente. Sempre altivo. Sempre vertical, a nada se dobrando. 


E nisto não há quatro, nem três, nem dois que se lhe equiparem. Nisto, Cruyff foi único. É único!


Recusou-se a jogar o Mundial de 1978, na Argentina, para denunciar a sanguinária e terrorista ditadura militar, e dizer bem alto não à farsa da FIFA ao serviço da propaganda dos generais da Junta Militar, como sempre se recusou a curvar perante os interesses. Fossem eles quais fossem!

terça-feira, 24 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A ideia que fica é que o presidente Marcelo, ao contrário do seu antecessor e sem grande surpresa, não fará nada para evitar expor a irrelevância política de Passos Coelho. Ao subscrever a intervenção do primeiro-ministro com vista a garantir alguns equilíbrios no capital estrangeiro do sistema financeiro nacional, Marcelo disse ao país que Passos não sabe do que fala. Ao acrescentar que o desejável seria mesmo que essa intervenção fosse consensual, o presidente não está apenas a puxar as orelhas ao primeiro-ministro no exílio. Está a condená-lo à irrelevância!

Isto sim, é assim ...

Alguém sabia o que Trump ia anunciar sobre o Irão e fez uma fortuna – ECO


Com o anúncio de Trump, ontem, de tréguas de cinco dias na guerra com o Irão - acompanhado da informação de que estariam a decorrer negociações, a correr muito bem, que as autoridades iranianas negaram e desmentiram - as cotações do petróleo, caíram 14% de imediato.


Quinze minutos antes foram vendidos 6.200 contratos futuros de petróleo. A operação de venda aconteceu às 6:49, hora de Nova Iorque, e o anúncio de Trump às 7:04.


Em 15 minutos alguém ganhou muito dinheiro. 580 milhões de dólares, diz--se.


Alguns poderão dizer que ... é assim. Há sempre alguém a ganhar e a perder dinheiro a cada 15 minutos do dia. Mas também há quem acredite no Pai Natal.


Era segunda-feira, bem cedo em Nova Iorque. Não havia dados importantes para divulgar, não havia expectativas de qualquer espécie, nem ninguém do FED tinha o que quer que fosse para dizer. Apenas Donald Trump, sempre com a faca e o queijo na mão!


Tudo - guerra, sofrimento, vida, morte, fome, miséria - lhe serve para faca, e para queijo. E, isto sim. É que é assim! 


 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nada, nunca e em circunstância alguma desculpa, e muito menos justifica, a barbárie. Não há desculpa possível, e muito menos perdão, para quem rapta, viola, estropia, destrói e mata. Selvaticamente, ao arrepio da decência, em choque frontal com o progresso e no brutal atropelo dos direitos e da diginidade humana.


É exactamente por isso que nada explicará Bruxelas, como nada explicou Paris, Madrid e Londres, como nada explica Ancara ou todos os outros actos terroristas ainda mais sangrentos mas que, por mais distantes, nem sequer as mais remotas explicações nos reclamam. 


Mas é também exactamente por isso que nestas ocasiões não nos podemos limitar, mais ou menos resignados, ao "je suis...", a acender velas e às palavras de circunstância. É também por isso que devemos questionar sem medos tudo o que há a questionar, desde uma simples declaração falhada do mais elementar bom senso - como, por exemplo e segundo consta, a do responsável pelo interrogatório ao terrorista detido na passada sexta-feira, que referia estar tudo a correr bem, com o inquirido a colaborar - à imunidade do topo da pirâmide que dirige toda a organização criminosa que suporta o terrorismo islâmico.


Não adianta muito, agora, "bater" em Bush, Blair, Asnar e Barroso, por muito que se lhes deva lembrar que não fazem parte dos comuns mortais que têm direito a dormir tranquílos. Mas há que perguntar por que, conhecendo-as, se não age sobre as fontes de financiamento do terrorismo. Sobre quem lhes compra petróleo - e tantas outras coisas mais - e lhes vende armas. E quem os financia directamente, com dinheiro feito nas principais praças financeiras por gente que pisa passadeiras vermelhas estendidas pelo Ocidente. 

domingo, 22 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Pode dizer-se que era inevitável, embora "inevitável" seja precisamente o menos adequado dos adjectivos. Era inevitável que o terrorismo islâmico fizesse com mais morte - 23 mortos, por enquanto - esta prova de vida que acaba de fazer em Bruxelas, com sucessivas explosões no aeroporto e em duas estações de metro. No coração da capital da Europa, nas barbas do centro do poder europeu...


Não que fosse inevitável em razão da retaliação terrorista pela captura, há apenas quatro dias, justamente em Bruxelas, do dito cérebro dos ataques de 13 de Novembro, em Paris. De resto, nessa lógica, ouviu-se já hoje, em diversas circunstâncias, que "as autoridades estavam a contar " com este acontecimento. Quando se diz que "as autoridades estavam a contar " está a querer dizer-se que era inevitável que acontecesse. Mas a verdade é que, dizer-se que "as autoridades estavam a contar" que acontecesse, deveria ter por consequência evitar justamente que acontecesse. Estar a contar que aconteça, e deixar acontecer, é que não. É inacção!


Pode até acontecer que os ataques terroristas de hoje em Bruxelas não tenham nada a ver com uma Europa paralizada, encurralada num beco sem saída, sem capacidade de resposta para coisa nenhuma. Podem até ter apenas a ver com a realidade belga, com múltiplas fronteiras, bairros de emigrantes muito fechados, guetizados, de onde saem muitos jovens para as fileiras do daesh - a Bélgica é, percentualmente, o país com mais cidadãos nacionais alistados no autodenominado Estado Islâmico - e um débil sistema policial e de contra-terrorismo, que como sistema simpelsmente não funciona. Mas a imagem que fica dos ataques terroristas de hoje é a de um império que já nem a sua capital consegue defender.

sábado, 21 de março de 2026

Benfica 3 - Vitória SC 0

Benfica derrota Vitória de Guimarães com trio de golos - SIC Notícias


Mais de 60 mil na Luz, como é já habitual, para um jogo - da 27ª jornada do campeonato, com o Vitória, de Guimarães - estranho. Que começou - depois do minuto de silêncio, cortado por aplausos, à portuguesa, em memória do Silvino Louro, falecido esta semana - com o Benfica a tomar conta da bola. 


No apito, Luís Godinho. No VAR, Manuel Mota. Godinho & Mota bem podia ser uma firma comercial qualquer, mas é apenas uma sociedade de malfeitores que se dedica a perseguir o Benfica por todos os campos onde se cruzem. Hoje, provavelmente no jogo mais fácil de arbitrar de todos os que já foram disputados no campeonato, não tiveram grandes oportunidades para brilhar na sua actividade. Ainda assim, por três vezes, Pavlidis sentiu o dedo do Godinho para o negócio. Samu também. Conseguiu distribuir a fruta que quis e escapar até a um simples cartão amarelo.


No banco, Mourinho. De regresso, antecipado pela validação do recurso ao TAD, a que, à segunda, o Benfica recorreu. Mas também Otamendi, Rafa e ... Sidny. Para além dos habituais.


No onze, com o António e o Dedic castigados, e Otamendi lesionado, a novidade era a adaptação de Enzo Barrenechea, a central, ao lado do Tomás. Bah era a solução natural para o lado direito da defesa. O meio do campo ficou entregue a Barreiro, a seis, e a Rios, a oito. Nas alas, Lukebakio regressou ao banco, e Prestianni ao onze inicial. Schjelderup está de pedra e cal, como Dahl. E como Pavlidis, hoje com Sudakov por perto.


Comecei por adiantar que foi um jogo de estranho. E foi. Tão estranho que nos primeiros quinze minutos os de Guimarães não tocaram na bola. O Benfica era o dono da bola, os adversários apenas tomavam contacto com a bola por escassíssimos segundos, numa intercepção, ou num toque fortuito, que logo acabava com a bola de volta aos pés dos jogadores benfiquistas. E no entanto só aos 12 minutos o Benfica conseguiu o primeiro remate. 


Ao segundo remate, três minutos depois, numa recuperação de bola de  Richard Ríos, sobre o Samu, em zona central, já no do último terço, Prestianni, de primeira, marcou o golo que materializava toda aquela superioridade.


Só a partir daqui o Vitória passou a ter acesso à bola. É evidente que alguma vez isso teria de acontecer, o estranho era o que se tinha passado até aí. Mas não deixou de ser estranho que em pouco tempo se tenha passado do 8 ao 80. De tal forma que, literalmente sem bola no primeiro terço da primeira parte, ao intervalo os rapazes do jovem Gil Lameiras, o novo treinador que veio da equipa B para substituir o também jovem Luís Pinto, que deixou a Taça da Liga em Guimarães, eram já os donos da bola.


 Tinham a bola, mas tinham também dificuldade em saber o que fazer com ela. Na verdade criaram apenas um lance de golo, de resto um belo lance futebol, desperdiçado pelo Nelson Oliveira, à entrada do último quarto de hora. Ainda assim era o Benfica quem entrava mais facilmente na área adversária, e quem criava mais situações de perigo. 


O intervalo não mudou o jogo em nada. O Vitória SC continuava com a bola, mas voltava mais agressivo. Os seus jogadores pareciam então mais velozes, mais fortes e mais espertos. E aqueles 10 minutos iniciais assustaram as bancadas da Luz.


Valeu então Trubin a negar o empate, com o pé, por instinto. E valeu um novo erro da defesa vimaranense, mesmo ao fechar desses 10 minutos, novamente com Richard Ríos eficaz na pressão, a roubar a bola ao Beni, e a oferecer o golo desta vez a Pavlidis, que tão necessitado andava dele. 


Foi este golo que decidiu o jogo. Não que o Vitória se tenha encolhido, e o Benfica crescido a partir dele. Nada disso. O jogo manteve a mesma toada - minhotos com bola, mas sem saberem o que fazer dela; e encarnados confortáveis, e mais assertivos quando a conquistavam.


Naquela toada o jogo pedia ao Benfica especialistas em transições rápidas, ao jeito de Rafa, Lukebaquio e Ivanovic. Mas as substituições tardaram. Só chegaram já depois do terceiro golo, já às portas da entrada para o último quarto de hora, num auto-golo do infeliz Beni, que encaminhou para dentro da baliza o desvio de Pavlidis ao cruzamento de Bah que sairia ao lado. E quando chegaram não resultaram. 


Mesmo que o croata tenha mexido com o jogo, a justificar maior utilização, nem Rafa, nem depois, Sidny - de regresso, depois de ter cumprido o castigo de balneário pela infantilidade de Madrid (pedir naquela altura a camisola o Vinícius não lembrava ao diabo!) - e Lukebaquio souberam explorar o espaço que a equipa de Guimarães deixava nas costas. Perdeu-se, assim, a última oportunidade de acabar com um jogo estranho, transformando-o num normal jogo de futebol onde a melhor equipa, com os melhores jogadores, acaba por impor a lei do mais forte.


É verdade que os nossos principais rivais já ganharam muitos jogos assim. Dominados durante a maior parte do jogo, com menos bola, menos remates e menos cantos. Mas isso não é estranho. Estranho é quando isso acontece ao Benfica!


 


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Está a fazer-se História em Cuba, com a visita de Obama - diz-se. Poderá ser que sim, mas também poderá ser que não. Depende de muitos "ses", como sempre aconteceu com a História destes dois tão desiguais vizinhos. Se não tivesse sido o embargo americano... Se a estratégia não tivesse sido sempre a do golpe a seguir a cada golpe... Se não fosse a guerra fria... Se kennedy .... Se kissinger... E se tudo isto não tivesse afinal servido para reforçar e fechar ainda mais o regime cubano.


Esta é mais uma marca de Obama. Mas poderá não ser muito mais que exactamente isso: um símbolo, como muitos outros que deixou. Mas que se arriscam a nem como símbolos ficarem na História.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não é inédito, é mesmo muito frequente: alguém a chegar, a querer entrar, mas com o lugar ocupado por alguém instalado, que não quer sair e se recusa a ceder o lugar. Aí temos a nossa bela prima comum, a Primavera, às ordens do calendário, a querer entrar mas a esbarrar no velho e resmungão Inverno. Que não se vai embora por nada...


Nada que equinócio não acabe por resolver: mesmo com todo este cinzento, e com esta chuva toda, aí está ele no dia que é igual à noite. Daqui para a frente é vê-los crescer, aos dias, para correr de vez com o velho Inverno e deixar instalar a Prima. A Vera.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Loucura

Como Trump está usando a 'Teoria do Louco' para tentar mudar o mundo (e ...


Não é preciso ter uma bola de cristal para admitir que estamos perante uma séria possibilidade de uma grave recessão global. Na melhor das hipóteses!


Com o bloqueamento do trânsito de navios no estreito de Ormuz, a estrangular o abastecimento gás natural, de petróleo, refinados, e fertilizantes. A pôr já em causa, na Ásia, as indústrias de painéis solares, baterias e semicondutores, hoje vitais para a economia mundial. E a ameaçar as telecomunicações - 30% do tráfego global de dados de internet depende de corredores ultra-congestionados como o Mar Vermelho ou o estreito de Ormuz - sem as quais, hoje, não há economia, nem vida.


E, agora, com a destruição das fontes de produção de petróleo e gás natural - ao ataque ao campo de gás de South Pars, no Irão, seguiu-se a imediata resposta ao de Ras Laffan, o maior empreendimento de liquefação e exportação de gás natural do mundo, no Catar - ninguém precisa de especiais dotes de adivinhação para prever o que aí vem.


Há quem não goste que se chame louco a Trump. Mas eu não sei o que chamar a quem avança à toa para uma guerra - Marco Rubio: “estávamos a pensar, mas eles [Israel] disseram-nos que iam e nós fomos com eles" - transformando num casino, de roleta russa, a zona mais sensível do mundo.


Percebo que a ideia de entregar o maior poder do mundo a um louco repugne. Não percebo é que se a esconda!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Se há jogos que valem um campeonato, este de hoje, no Bessa, poderá ter sido um desses. O Benfica procurou o golo desde o primeiro minuto, mas a verdade é que só o encontrou ao nonagésimo segundo dos 95 minutos que o jogo teve. Até por isso, pelo minuto 92, fica a ideia que este há-de ser um jogo para a História deste campeonato.


Não foi bem jogado, mas foi muito disputado e muito marcado pelas circunstâncias. De um lado um Boavista moralizado, que vinha de um excelente resultado (3-0 ao Marítimo, no Funchal) que lhe permitira fugir dos lugares de despromoção, a jogar forte e feio, correndo como se não houvesse amanhã, o que lhe permitia multiplicar os jogadores em campo. Não diria que o Boavista jogava com o dobro dos jogadores do Benfica, mas lá que parecia que jogava com 15 ou 16, parecia. No ataque, o Benfica jogava sempre em um para três: cada jogador do Benfica tinha sempre três do Boavista em cima, se o primeiro não ficava com a bola os outros dois tratavam do assunto, fosse lá de que maneira fosse...


Do outro, um Benfica cheio de remendos. E desta vez bem à vista, nada disfarçados. Eram muitos os buracos a remendar, mais que de costume, mas os remendos também não eram dos melhores. Se o Samaris já nos mostrou que se safa muito bem a central, a verdade é que ocupa o lugar do miúdo, e obriga a duas mexidas: substitui o Lindelof e este é que acaba por substituir o Jardel. Depois, o Nelson Semedo ocupou o lugar do Andé Almeida que, por sua vez, ocupou o do Fejsa. E vão quatro... 


Mas o pior foi mesmo na frente. Para remendar o buraco Gaitan, Rui Vitória socorreu-se do Pizzi, tirando-o da direita para lá colocar o Salvio, que não quis deixar de fora. Não correu bem: Salvio ainda está longe (será que ainda lá chegará?) do que pode valer, e Pizzi, na esquerda, desaparece. E os dois pontas de lança nunca se entenderam, fugindo ambos da área e fugindo a maior parte das vezes para o mesmo sítio. Quer isto dizer que, na frente, para dois buracos - Gaitan e Mitroglou (espero que leve uma boa multa, para não se voltar a esquecer que não pode despir a camisola) - Rui Vitória apresentou três remendos ... Que só não valeram por quatro, porque o Jonas fez aquele golo na única oportunidade que teve. E lá se redimiu... 


Nestas circunstâncias - sete ou oito remendos, porque o miúdo na baliza é já outra coisa - o jogo teria de ser, como foi, muito difícil. E a vitória, estes três pontos que seguraram a liderança que já todos víamos a fugir entre os dedos, muito importantes. Até porque fiquei convencido que se o Boavista jogar sempre assim, como fez hoje, não tem problema nenhum com a despromoção! 


 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Observadores e analistas dão conta da protagonismo dos media no momento crítico que o Brasil atravessa. Que vão muito para além da influência, mais ou menos natural, para se transformarem em parte do conflito. E como tomam parte...


Não pode deixar de arrepiar que se fale da Globo lado a lado com forças armadas. E no entanto assim é, nesta crise a Globo aparece-nos como um player...


Salvaguardadas as distâncias, também por cá percebemos isso quando vemos, por exemplo, as notícias que dão o Orçamento de Estado como uma manta de retalhos, em vez de, por exemplo, darem notícia que é, para muitos e relevantes observadores, o melhor orçamento dos últimos anos. Ou quando as notícias se focam em centenas de alterações, metidas a martelo no orçamento, e ignoram o processo negocial de que resultaram... E as vantagens para a democracia da negociação e da procura de consensos na construção de um instrumento de governação tão importante como o orçamento. Ou na forma jocosa como certa imprensa adoptou a geringonça, usando e abusando da expressão para continuar a minar a legitimidade da governação e a diminuir o executivo.


E não deixa de ser curioso reparar como a Globo foi sempre o modelo da SIC. Salvaguardadas as distâncias, bem entendido...

terça-feira, 17 de março de 2026

Cuba - mais um capítulo

"Seria uma grande honra." Trump diz que gostaria que Corina Machado lhe ...


Depois da tomada da Venezuela, e secado o abastecimento de petróleo, Cuba entrou na agonia final.


Trump nem precisou de mexer na velha e ferrugenta torneira do bloqueio, bastou-lhe esperar sentado - enquanto a gozava o espectáculo das bombas a caírem sobre o Irão, e pedia ajuda aos aliados para o pequeno pormenor de Ormuz - para anunciar ao mundo Entretanto que pode "fazer o que quiser” em Cuba.


Será "uma honra tomar" Cuba. Sempre ouviu falar disto [tomar Cuba] e será dele a honra de o conseguir. E por isso entende que poderá fazer "o que quiser" com o país.


É só mais um capítulo ...


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


As escutas telefónicas entre Dilma e Lula, hoje reveladas, são o golpe final na sua credibilidade política, o golpe final no regime e, muito provavelmente, o golpe final na democracia no Brasil, que não irá conseguir resistir à mistura explosiva de uma crise económica sem precedentes com a maior crise institucional e de representação dos últimos 70 ou 80 anos.


Nunca o Brasil enfrentou um quadro político e económico de dimensão tão catastrófica. Nunca o Brasil sonhara  tão alto, para depois cair tão fundo, numa real tão dramática. Lula tirou o Brasil da miséria e acrescentou-lhe futuro, o futuro que parecia estar ali à mão mas que sempre fugia, cada vez mais inalcansável. Prometido, mas também sempre adiado. E agora negado...


Admitíamos que em dez anos Lula tivesse mudado o Brasil. Percebemos hoje que dez anos não chegaram para mudar o Brasil, mas que chegaram para mudar Lula. E é esse hoje o drama do Brasil, um país que não muda, mas que muda quem o quer mudar. Que mata a mudança pela raiz, para que a velha agenda nunca desapareça, e esteja sempre pronta a regressar às primeira filas...

segunda-feira, 16 de março de 2026

Trump e os "aliados"

States sue Trump over research funding cuts


Começou por ameaçar os aliados caso não aumentassem as contribuições para a aliança. Passou a destratá-los, a torto e a direito. Onde quer que fosse, e a propósito do que quer que fosse. E ameaçou até roubar-lhes território.


Por iniciativa própria, ou a mando de Netanyahu - não é irrelevante -, Trump abriu uma guerra no Irão. Com "êxito tremendo", que se resolvia no máximo em quatro semanas.


À entrada para a terceira só se sabe que não se sabe o que está para vir. Os aliados nunca foram tidos nem achados na guerra. Nem àqueles onde tinha as bases militares que utilizou passou cavaco.


À entrada para a terceira, depois do ataque à ilha de Kharg -  a ilha do petróleo iraniano, donde provêm cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irão — declarou a guerra ganha e o Irão 100% derrotado. No entanto, com a guerra ganha, já precisa dos aliados. Não lhes pede ajuda. Não contacta ninguém. Apenas começa por escrever na sua própria rede social que muitos países vão enviar navios de guerra para manter aberto o estreito de Ormuz, afirmação que depois reduz a mero desejo. O desejo que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros para lá enviem navios.


Para logo a seguir voltar a ameaçá-los, se não corresponderem ao seu desejo. Já nem sequer ao seu pedido.


Trump é isto. E isto é Trump. É Vance. É Rubio. É Hegseth. É Kushner. É Witkoff. A escória com o apocalipse na mão.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O  ministro Caldeira Cabral veio agora desculpar-se da recomendação que deixara aos portugueses para que que se abstivessem de abastecer combustível em Espanha. Não percebe a indignação - diz ele - porque não acusou ninguém de falta de patriotismo, de menos amor à pátria ou de menor fervor nacionalista. 


Mas o que afinal não percebe, e o que é grave que não perceba, é que a única coisa que indignou os portugueses foi mesmo a parvoíce da coisa. E que, com esta emenda, deixou o soneto ainda mais parvo!

domingo, 15 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A imagem que fica de Nicolau Breynar é a de um hino á vida. De um homem que viveu muito, que viveu tudo e que viveu como quis: Feliz e Contente!


Para viver tanto, terá provavelmente abdicado de muito do que o seu talento enorme lhe prometia. Ter-nos-á privado - a nós - de muito do seu talento para se não se privar - a ele - de tudo o que queria da vida. E isso não está ao alcance de todos. São poucos os que são capazes de fazer essa escolha, e são menos ainda os que, depois de a fazerem, têm ainda tanto para nos deixar...


O Nicolau Breyner viveu como quis. Não sei, mas fico com a ideia que também morreu como quis. Quem vive assim, quer morrer assim!

sábado, 14 de março de 2026

Arouca 1 - Benfica 2


Sem poder contar com Mourinho no banco - mais uma provocação dos donos desta farsa a que chamam futebol português, no castigo e na recusa do recurso (todos são aceites, e alguns até acabaram na história da farsa, como o dos amarelos do Palhinha) - o Benfica apresentou-se em Arouca com uma revolução no onze.


Otamendi e Enzo Barrenechea, lesionados, deram os lugares a António Silva e Leandro Barreiro, e Dedic e Prestianni, no banco, foram substituídos por Alexander Bah e Lukebakio. No banco, para além destes dois, muitos miúdos, ente eles o Anísio e, pela primeira vez, o Miguel  Figueiredo, e o Ivanovic e o Sudakov. De Sidny Lopes Cabral, depois de ter pedido a camisola ao outro do Real Madrid, deixamos de ter notícias. Sintomático!


Nas nomeações dos árbitros os donos desta farsa na facilitam. Dirão que não têm culpa nenhuma que só haja árbitros do Sporting e do Porto. Mas têm. Ou porque os escolhem, ou porque os fizeram assim. Desta vez mais um árbitro do Porto, José Bessa, novinho mas já com farta folha de serviços. Como o VAR, Pedro Ferreira, que ainda há poucas semanas, no jogo em Vila do Conde, não viu o que toda a gente viu (o jogador do Rio Ave com as mãos em cima da bola), e convenceu disso o árbitro, para reverter o penálti. Nem viu o penálti sobre o Barreiro, que o árbitro, Cláudio Pereira, já nem assinalou, porventura sabendo que ele lhe anularia a decisão.


Mas afinal ele vê penáltis. E tratou de o provar logo que o jogo começou. Tem uma condição, percebeu-se: tem que ser contra o Benfica. O Arouca ainda não tinha tido qualquer penálti a favor nesta época, estava reservado para quando jogasse com o Benfica. Estavam reunidas as duas condições para o Pedro Ferreira mostrar que vê penáltis. Mais, que até sonha com eles.


Por isso nada melhor que resolver desde logo a coisa. Não havia tempo a perder, só era preciso que o Bessa apitasse para o início do jogo. Apito inicial e penálti. Daqueles que só são marcados contra o Benfica, e nunca a seu favor. Daqueles que são mesmo para gozar.


E o Benfica começava o jogo já a perder - vamos lá a ver se isto não faz jurisprudência - e teve de começar a correr atrás do prejuízo. O Arouca, sem saber como, já só tinha que defender aquele golo. 


Deve dizer-se que o Arouca fez melhor o que tinha a fazer que o Benfica. Que correu, mas pouco e mal. Apenas Schjelderup, lá pela esquerda, ia fazendo o que tinha de ser feito. Mas não chegava, e ele não conseguia fazer tudo.


O Benfica não jogava bem, mas jogava o suficiente para criar condições para controlar, dominar e ganhar o jogo. Faltava aos jogadores acertarem nas decisões, e rematarem à baliza que, sem isso, não há golos. Só que, para rematarem, parecia que Pavlidis (um caso sério de falta de forma e de confiança), Rafa, Lukebakio, ou Rios precisavam de meter um requerimento e esperar que ele viesse assinado. 


Tivessem todos podido tanto como Schjelderup, e querido tanto como Bah, e a reacção do Benfica teria sido perfeita. Assim, deu em muitos cantos, muita bola, mas muito poucas reais oportunidades para marcar. Duas, na primeira parte. Afinal tantas quantas as do adversário, contando com a do golo que o Bessa e o Ferreira lhe tinham oferecido. O árbitro ia dando uma ajuda, virando um ou outro canto para pontapé de baliza, virando do avesso as faltas aos do Arouca, e tolerando-lhe tudo. O Rafa jogou - está a jogar - muito pouco, mas também não lhe é permitido jogar muito mais. Cada vez que pega na bola é de imediato ceifado, sem que se passe nada.


Estranhamente a segunda parte começou com os mesmos onze jogadores. Parecia que alguém estava a achar que as coisas estavam a correr bem. Não estavam, e pior poderiam ter ficado se o Arouca tem marcado o segundo golo, que esteve bem à vista logo no arranque. 


Valeu que, de imediato, numa das suas poucas intervenções relevantes de todo o jogo, Lukebakio fugiu à defesa adversária e rematou para enorme defesa de Arruabarrena. Na sequência do canto, o 1ª da segunda parte, e 10.º do jogo, Schjelderup bateu para Richard Ríos, solto de marcação e sem tirar os pés do chão, marcar finalmente o golo do empate. Que não festejou, o que também deve querer dizer alguma coisa.


A partir daí o Benfica, e durante  10 a 15 minutos, encurralou o adversário na sua área, e criou, então sim, uns bons pares de grandes oportunidades de golo. Tendo saído vivo do sufoco, e com o Vasco Seabra a refrescar a equipa, o  Arouca passou a conseguir subir no campo, e a pressionar bem mais à frente. Se o Benfica não conseguira virar o resultado naquela pressão danada, parecia mais difícil consegui-lo nestas novas condições do jogo.


Foi já praticamente à entrada do último quarto de hora que o João Tralhão mexeu na equipa. E logo com outra revolução. Prestianni, Sudakov, Ivanovic e Dedic foram lançados para os lugares de Lukebakio, Rafa Silva, António Silva e Alexander Bah. Parecia tarde.Tudo aconselhava que devesse ter começado muito mais cedo, e de forma mais gradual. 


Não foi assim e, sem que que tenha melhorado a sua qualidade de jogo, o Benfica ganhou coração. Mais ainda quando, já aos 85 minutos, com Anísio Cabral a substituir o esgotadíssimo Schjelderup, no último assalto, passou a jogar com três pontas de lança.


Faltavam, com os descontos, mais de 10 minutos. No último, aos 90+6 - alguma vez também teria de ser - Leandro Barreiro soltou para Prestianni que, depois de um grande trabalho na esquerda, cruzou ao segundo poste, para o golo de Ivanovic. Que festejou, claro!


Como todos, em todo o lado. Pouco habituados a que as coisas nos sorriam desta forma.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Sabia-se que este jogo com o Tondela seria complicado. Era um jogo contra o último, sempre a sugerir alguma descompressão, mais a mais logo depois de dois jogos de altíssimo desgaste.


A tudo isto acresceria, como se veria logo que o árbitro Luís Ferreira - apostado em mostrar urbi et orbi que não é benfiquista, ou que, se o é, é-o à maneira do Pedro Proença - apitou para o início do jogo, que os jogadores do Tondela estavam ali para correr muito ... e bater ainda mais. E ainda por cima carregados com aquelas pilhas que duram, duram, duram... 


O jogo foi marcado por todas estas coisas, e raramente bem jogado. Em boa parte dele foi mesmo difícil jogar futebol, com os jogadores do Tondela a mais parecerem carraças agarradas aos do Benfica. Basta dizer que a primeira parte não teve mais que uma ou duas jogadas de verdadeira qualidade, embora se tenha que reconhecer que a que deu no segundo golo do Benfica é de verdadeira enciclopédia. Valeu por si só o bilhete. Verdadeiramente espectacular, toda ao primeiro toque. E que toques, cada um melhor que o outro.


A segunda parte não foi muito diferente, embora o jogo tivesse sido mais aberto e dado a muito mais oportunidades de golo. O Benfica chegou aos quatro golos e, ao contrário da primeira parte, onde o aproveitamento fora de 100%,  podia ter feito muitos mais. E no último lance do desafio, num contra ataque nascido de uma falta sobre o Pizzi em cima da grande área adversária, naquele que seria o último erro grosseiro do árbitro, o Tondela fez o golo que acrescentou ao jogo a sua última contrariedade.


Sim, um jogo destes teria sempre de trazer algumas contrariedades. Mas eram bem evitadas. Era bem evitado que o Jardel tivesse uma branca, que depois teve que remediar com uma falta que lhe valeu o quinto amarelo - as dos rapazes do Tondela nunca davam amarelo, é verdade! - que o afasta do próximo jogo, no Bessa, voltando o Benfica a ter que se apresentar com um único central. Mais que evitável, verdadeiramente inaceitável é o também quinto amarelo a Mitroglou, por ter despido a camisola a festejar o seu golo. O quarto, o quatro a zero. Difícil de aceitar num profissional.


Imagine-se o que seria se o grego andasse entretido a disputar golos com o Cristiano Ronaldo, o Suarez, o Higuain ou o Ibrahimovic?


 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Tão fácil, não é?

José Sócrates repreendido por juíza durante primeira sessão do ...


Quatro meses depois da renúncia do segundo advogado de Sócrates, Pedro Delille - que já sucedera a João Araújo, entretanto falecido - o julgamento do Processo Marquês arrasta-se a uma velocidade inversamente proporcional às dos principais crimes a caminho da prescrição. 


Sócrates nunca teve, nem seguiu, uma estratégia de defesa. Só e apenas uma estratégia de dilação que lhe permitisse fugir ao julgamento. E, nisso, tem contado com a colaboração de todo o sistema judicial, sem excepção.


Se ao longo destes 12 anos, na investigação do Ministério Público, nas trapalhadas da Instrução, o sistema sempre facilitou, aquele seco "acabou a brincadeira" que, de copo cheio, a juíza Susana Seca dirigiu a Pedro Delille, no dia 30 de Outubro do ano passado, foi tudo o que Sócrates precisava. A tampa saltou ... mas para as mãos da estratégia de Sócrates. 


A partir daí só piorou. 


Sócrates contratou o advogado José Preto. Pediu cinco meses e meio para tomar conhecimento do processo mas, "tinha acabado a brincadeira". A juíza deu-lhe dez dias, e por isso recorreu para a Relação de Lisboa, recurso ainda em curso. Afinal parece que não "tinha acabado a brincadeira". Entretanto esteve internado no hospital, e por esse motivo requereu a suspensão do julgamento. "Tinha acabado a brincadeira", a juíza recusou, e o advogado renunciou. 


E Sócrates contratou a advogada Sara Leitão Moreira. E repetiu-se tudo. Não "tinha acabado a brincadeira". Tinha começado!


Não havia quem quisesse "defender" Sócrates, que também não queria ter quem o defendesse. Advogados, só oficiosos. E foram sendo nomeados, para logo renunciarem. Os "dez dias" para consultar o processo mantêm-se como "jurisprudência". Teimosamente, porque "palavra de juiz não volta atrás". E os advogados oficiosos são tarde - apenas recebem no final do processo - e mal pagos. 


Nunca deve ter passado pela cabeça de Sócrates que fosse tão fácil!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Lavado em lágrimas, bem à sua maneira, Portas lá entregou o CDS a Assunção Cristas, também ela à vontade no desfile nas feiras, também ela de lavoura fácil. Portas e a sua sombra pairaram sobre o Congresso no sábado. Hoje foi Cristas a tomar conta dele, a enchê-lo com a família toda e ainda o gato e o piriquito, a deixar claro que, agora, é ela quem manda na tasca. Até que Portas regresse de novo... Um dia destes, se os submarinos o permitirem...

quinta-feira, 12 de março de 2026

Mário Zambujal (1936-2026)

Montenegro diz que legado de Mário Zambujal "permanecerá na memória"


Precisamente uma semana depois de completar os 90 anos, Mário Zambujal é mais um vulto da lietratura portuguesa, e da família benfiquista, a deixar-nos.


Perdemos um homem bom. Se há pessoa para quem basta olhar para vermos gente boa, Mário Zambujal era essa pessoa. Deixa-nos em legado a arte da boa escrita, uma das mais cativantes formas de comunicar e de contar coisas, uma contangiante alegria de viver, e um humor fino e único.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


Não sei é a História que é injusta com certos homens, se são certos homens que são injustos com a História ...

quarta-feira, 11 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


São os Moscovici, os Dijsselbloem, os Juncker e os Schauble deste mundo que obrigam Draghi a gastar os trunfos todos. Está aqui, está teso... Daqui a pouco não há mais trunfos. Mas também já não há mais jogo...


Há quem destrunfe para ganhar. Mas também há quem o faça por mero desepero, já quando o jogo está perdido. Às vezes é só mesmo arrear os trunfos.

terça-feira, 10 de março de 2026

E tudo o clássico levou ...


Confesso a minha profunda desilusão com José Mourinho depois do clássico de domingo, eu que, não tendo sido nunca apologista da da sua contratação, sempre a defendi depois. 


Sempre, desde então, entendi que Mourinho tinha sido a melhor opção para o Benfica. Raramente pelo seu futebol, muito pelos seus méritos próprios, mas fundamentalmente pelo contexto. Sem uma direcção afirmativa, sem estratégia, sem uma comunicação minimamente competente, Mourinho era a única competência a que nos podíamos agarrar. Disso aqui tenho deixado muitos e diversos testemunhos.


Depois, Mourinho via o mesmo jogo que nós, cansados de Schemidt e Lage verem sempre aquilo que não víamos.  Mesmo quando, antes de os ter na mão, atacava os jogadores não o levava a mal. Não gosto, em contra-mão com o sadomasoquismo reinante em muito da nação benfiquista, de dizer mal dos nossos jogadores. Para mim, até prova em contrário, são sempre os melhores. Mas percebia que ele tinha razão, e esperava que isso os espicaçasse. Vi como funcionou com Schjelderup, e como depressa passou a defendê-los, a todos. Mesmo os que nem sempre fossem defensáveis.


Entretanto a roda girou, o futebol da equipa ia melhorando, Mourinho estava com os jogadores, e os jogadores com ele, e só as peripécias da batota de uma competição falsa, e falsificada, iam impedindo uma aproximação ainda mais afirmativa ao topo da classificação. Era aqui que estávamos no domingo passado, pelas 18 horas. Quando Mourinho destrói todo este caminho.


E não o destruiu apenas por ter levado um banho táctico de Farioli, por ter posto uma equipa em campo a complicar em metade do jogo, para correr atrás do prejuízo na outra metade. Por ter tardado nas substituições, todas há muito tempo mais que óbvias. Ou por ter armado a confusão que cortou a energia à equipa para, depois do golo do empate, partir de imediato à procura da vitória. Ou seja, por não ter ganhado o jogo que teria de ganhar.


Destruiu-o na conferência de imprensa, onde era "simply the best".


Quando acusou a dupla Rios/Enzo (depois de meses a enaltecê-los, descarta-os sumariamente, e desvaloriza-os completamente nesta altura da época), voltando nesse caminho muito atrás.


Quando exaltou a "fisicalidade tremenda" do adversário, sem nunca referir a sua relação com impunidade total que o habilidoso João Pinheiro garantiu  aos jogadores do Porto. Sem referir que o Rafa foi imolado em sacrifício pascal às mãos do Varela. Sem referir que mais de metade das onze faltas do Benfica foram assinaladas, que não cometidas, dentro da área do Porto. Que as 21 assinaladas ao Porto, metade das cometidas, foram a cortar lances prometedores de transição do Benfica, a maior parte delas a roçar a violência, e sem sanção disciplinar.


Quando disse que não viu o penálti - os penáltis, melhor dito - do último lance, sabendo nós o que, em matéria de penáltis, significa o "não vi" dos treinadores. Ou quando a entrada a joelhos do Diogo Costa sobre as costas do Pavlidis, ainda na primeira parte (o que lhe servirá de atenuante por estar ainda à procura de perceber o que estava a acontecer), não foi suficiente para lhe merecer sequer um comentário.


E quando, por último, o que mais o incomodou naquelas duas horas, foi ter sido chamado de traidor por um tal Lucho Gonzalez.


Sou completamente avesso a condenações sumárias. Mas, no domingo, e ao contrário de tudo o que era o meu pensamento, deixei de ver qualquer razão para manter Mourinho na próxima época. Rui Costa poderá continuar a precisar dele, o Benfica não!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


"Não sou benfiquista. Sou portista. Apesar de ser português, não me interessa até onde o Benfica pode chegar na Liga dos Campeões".


Pois... A mim é que não me interessa nada até onde pode chegar André Villas Boas. Parece-me que não chega longe, mas isso é problema dele... E para que não acabe num beco sem saída o melhor mesmo é ir gritando o seu portismo, mas sempre a negar o regresso... De sucesso profissional é que já começa a ficar pouco de mais para contar... E se calhar de profissionalismo também!

segunda-feira, 9 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Foi com enorme categoria que o Benfica afastou hoje os milionários russos comandados por André Villas Boas, onde pontificam alguns que souberam - e continuam a saber - honrar o manto sagrado que um dia vestiram, nos oitavos de final da Champions. Segue o Benfica, este sensacional Benfica, para os quartos de final da maior competição de futebol do mundo, incluído no restrito grupo dos oito melhores.


E fez isto tudo afastando precisamente o único representante do país que está em confronto directo com Portugal nas contas do ranking europeu, reforçando ainda mais esse quinto lugar, logo a seguir às crónicas superpotências do futebol europeu.


Mas vamos ao jogo, que arrancou como é costume: a entregar-se todo ao Benfica. Foi assim durante toda a primeira parte, sempre com o Benfica bem por cima, e sem que ninguém conseguisse perceber que a defesa tinha sido mais uma vez enxertada. Apenas nos últimos dez minutos o Zenit começou a ser capaz de equilibrar as coisas, tendo para isso que partir o jogo. Benfica reagiu com muita classe e quando o árbitro apitou para o fim da primeira parte, já tinha de novo o jogo sob controlo. Mas ficava uma dívida de golos, pelo menos um, por pagar...


A segunda parte foi lançada em bases diferentes. O Benfica recuou linhas, e o Zenit, ao contrário, subiu-as. E passou a pressionar bem alto.


O jogo pedia Raul Gimenez, e Rui Vitória fez-lhe a vontade. Só que, logo a seguir, um jogador russo - desta vez era mesmo russo: Zhirkov - abalroou o Nelson Semedo e foi por ali fora, com o lateral do Benfica inanimado no chão e toda a gente à espera do apito do árbitro. Só se percebeu que o árbitro húngaro Viktor Kassai, fizera mesmo vista grossa a uma falta do tamanho da Gazprom quando Hulk - tinha de ser - metia a bola dentro da baliza do fantástico Ederson.


Faltavam 20 minutos para os 90, e o golpe poderia ter sido fatal. Mas não foi, porque este Benfica tem muita categoria, mas também tem muita alma. E logo a seguir está muito perto do golo, que o guarda redes russo, quase por milagre, negou a Lindelof. 


Foi necessário esperar - e sofrer - mais 10 minutos para a explosão de alegrial, com o golo do empate de Gaitan. E mais outros tantos, já com os 5 de compensação, para a apoteose final do golo de Talisca, acabadinho de entrar, certamente a pensar que já nem tocaria na bola.

Adeus Presidente Marcelo. Olá Presidente Seguro!

Tomada de Posse de António José Seguro como XXI Presidente da República


 


Dez anos depois, Marcelo Rebelo de Sousa, o “presidente dos afectos”, das selfies, da informalidade, que sempre aparecia onde aparecesse um microfone estendido, ou uma câmara apontada, para dizer de tudo sobre tudo, do pequeno acidente do quotidiano aos jogos de futebol - nunca dispensou a presença nas "flash interview" da selecção -, sai de cena. 


Ou talvez não. Talvez mude apenas o cenário. Quem se alimenta de flashes e de luzes dificilmente larga a ribalta. Pelo menos foi isso que pareceu anunciar quando, com António José Seguro acabado de empossar, pousado no túmulo de Camões, nos Jerónimos, arranjou maneira de passar a pé pela zona das televisões, em frente ao Palácio de Belém.


António José Seguro, provavelmente o contrário de tudo isso - o anti-Marcelo - é, agora, de facto e de direito, o Presidente da República. O XXI Presidente da República Portuguesa! 


Como sempre, boa sorte ... e que seja(mos) feliz(es). Ao contrário do que ao longo de tantos dos últimos 10 anos seria imaginável, não é difícil fazer melhor que Marcelo! 


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


As boas vindas, Presidente Marcelo. Seja feliz... e tenha muita sorte. Precisamos que tenha muita sorte... Se,  como nos vem dizendo, conseguir levar isto com afectos já será muito bom. Porque a gente precisa disso. O senhor que acaba de sair deixou-nos muito carentes...

domingo, 8 de março de 2026

Benfica 2 - Porto 2

Andreas Schjelderup reduziu a desvantagem do Benfica na Luz - Foto: Bruno de Carvalho/KAPTA+


Há muito que se esperava por este jogo, tido por chave na decisão do título. José Mourinho dissera isso mesmo, que há muito o esperava. E que o tinha preparado bem.


Os benfiquistas esperavam o jogo, e esperavam a vitória, já com as contas todas feitas. A Luz encheu, nem podia ser de outra maneira - mais de 66 mil nas bancadas. E foi por aí, pelas bancadas - ou por parte delas - que o jogo começou.


Da caixa dos super-dragões começou com a sabotagem do minuto de silêncio em memória de António Lobo Antunes. Feio, muito feio. Do topo dos NN com mais um estúpido festival de pirotecnia, a levar à interrupção do jogo por alguns minutos. Foi tão mau que, quando o jogo foi retomado, a primeira coisa que aconteceu foi o primeiro golo do Porto.


Para a história ficará que o Porto marcou aos 10 minutos. Mas isso foi nas contas do relógio porque, nas do jogo, estavam jogados 2 ou 3 minutos. Um golo assim, tão madrugador, marca qualquer jogo. Num clássico destes, com esta carga toda, marca muito mais.


Na altura, com tão pouca coisa de jogo para apreciar, pensou-se que tinha sido um acidente. Que marcaria desde logo o jogo, mas um acidente. Afinal o jogo tinha sido muito bem preparado. 


É certo que aquele golo intranquilizava o Benfica. E, ao contrário, dava toda a estabilidade ao Porto. Nunca se saberá se foi por essa intranquilidade que o Benfica desatou a falhar passes, e a ser absolutamente inconsequente nos seu jogo atacante. Sabe-se é que foi isso que passou a acontecer, e que, a cada bola perdida, respondia o Porto em velocidade, e com o caminho livre até à baliza de Trubin.


Foi sempre assim. Fora assim no golo de Froholdt, quando o Varela aproveitou para recuperar a bola  e o lançou, com todo o meio campo do Benfica para percorrer até marcar, na recarga a uma má abordagem de Trubin ao primeiro remate. Voltou a ser assim quando o relógio marcava o minuto 40, com toda a equipa em cima da área do Diogo Costa, e 70 metros livres para o Pietuszewski, o puto polaco de 18 anos, correr pela esquerda e, depois de despachar Otamendi, marcar.


Ao intervalo o Benfica perdia por dois golos sem resposta. E o que se pode dizer é que poderia até ser bem pior. O Porto tivera mais bola, enquadrara mais remates na baliza, e poderia ter marcado por mais uma ou duas vezes. O Benfica apenas esteve perto do golo por uma ocasião, quando o remate do inconsequente Rafa foi desviado, e obrigou o Diogo Costa à defesa impossível, que Trubin nunca logrou.


Tudo isto foi assim porque o Porto joga assim. Com intensidade única, abusando do lado físico do jogo. E porque o Benfica o deixou jogar assim. Sem Aursnes e Barreiro, lesionados, com Rios e Enzo o meio campo com  não cérebro, e o Benfica fica sem quem pense o jogo. Reage, corre atrás. Mas eles, do Porto, reagem muito mais depressa e correm muito mais, para trás e para a frente.


Surpreendentemente, Mourinho não mexeu na equipa para a segunda parte. Porventura puxou pelo brio daqueles jogadores, mas pouca coisa mudou. Dedic (longe da forma em que se encontrava antes da lesão, que continua em gestão) até foi caindo de produção. Prestiani, o mais inconformado da primeira parte, mas só isso, continuava inconsequente. Rafa continuou a passar ao lado do jogo. Apenas o lado esquerdo, Dahl e especialmente Schjelderup, dava sinais de melhoria.


Foi mais por esse lado mental, da crença e da raça, que o Benfica foi começando a inverter as condições do jogo. O Porto sentiu-se confortável em recuar mas, quando deu por si encostado à sua baliza, já de lá não conseguia sair. E o Benfica deu a volta ao jogo, com muito mais bola e muitos mais remates. O Porto só fez muitas mais faltas, mesmo que o João Pinheiro tenha ignorado muitas delas. Bem como a respectiva sanção disciplinar. 


De resto, as faltas do Porto eram sistematicamente grosseiras, e duras, a para impedir jogadas de ataque ao Benfica. As do Benfica eram, na sua imensa maioria, faltas atacantes, assinaladas dentro da área adversária, quando os jogadores do Porto esticavam os pés para travar os remates dos do Benfica.  


Apenas a meia hora do fim Mourinho retirou Prestiani e Rafa, lançando  Lukebakio e Ivanovic, ambos decisivos nos dois golos. Lukebakio estava há quatro minutos em campo quando rompeu a partir da direita e rematou ao poste, para Schjelderup, na recarga, marcar o golo que abriu a esperança na Catedral.


O golo, e a entrada de Barreiros (também a ser gerido com pinças), para o lugar de Enzo (em simultâneo com a Otamendi, lesionado, por António Silva, deram o sinal de conquista de que as bancadas precisavam. O golo do empate, numa grande resposta do Barreiro ao cruzamento da direita de Ivanovic, ainda com perto de 10 minutos para jogar, fez até acreditar na reviravolta completa ao resultado.


Só que não houve mais jogo. O Sr João Pinheiro, o dito melhor árbitro nacional - sabemos no que dá esta história, desde os mais remotos tempos - expulsou o Mourinho, expulsou o Otamendi, e acho que tudo o que mexia no banco do Benfica, e não conseguiu permitir que se jogasse o tempo de compensação. Ainda assim, no último lance, João Pinheiro e o VAR, Luís Ferreira (que vem do apito dourado, e especialista a perseguir o Benfica) não quis assinalar o penálti sobre o Pavlidis. 


Que poderia dar a vitória ao Benfica, e a volta que este campeonato não pode levar!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Chegou a hora, Sr Professor Cavaco Silva. Fora de horas, mas chegou. Chegou muitas vezes a pensar-se que nunca mais chegaria, mas chegou. Porque, por muito que se atrase, acaba sempre por chegar.


Passe bem. Não se preocupe connosco... Nós ficamos bem... Certamente muito melhor sem o senhor por perto... Vá gozar a sua reforma, se para tanto derem as suas pensões... E desfrute do seu estatuto de pior Presidente da democracia portuguesa.

sábado, 7 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ainda não me tinha debruçado bem sobre o assunto, mas agora que lhe dediquei alguns segundos, estou a chegar à conclusão que os portistas têm razão: o Porto perde sempre por culpa do árbitro!


Não há já dúvidas nenhumas: perdia, mudou de treinador... e continuou a perder. Logo, a culpa não está no treinador. Como não pode estar no Papa - o dogma da infalibiliade papal não o permite - só pode estar nos árbitros. Bem visto!


Continuem. Estão carregadíssimos de razão...

sexta-feira, 6 de março de 2026

A Europa na orgia de Trump

Chanceler alemão evita embate com Trump na Casa Branca, mas pede pressão  sobre a Rússia - Estadão


 


Trump está bêbado. Embriagado de poder, acha que tudo pode, e que à sua passagem todos se curvam.


À bebedeira de poder, juntou a sua própria ignorância. À ignorância, juntou a corte de bajulação que criou. Erradicou tudo o que se lhe pudesse opor, e comprou jornais e televisões para juntar à corte, à sua bebedeira, e à sua ignorância numa orgia de poder. 


A ignorância nunca lhe permitirá perceber que está errado. Nunca perceberá que a Venezuela não tem nada a ver com o Irão. Da corte apenas sairá bajulação, nunca qualquer apelo à sensatez, nunca qualquer aviso. Sem oposição que o contrarie, nem jornais e televisões que o denunciem, nada impedirá esta orgia de poder, a mais excitante que Trump sempre quis experimentar.


É este o homem que tem o destino do mundo nas mãos. Que ninguém confronta. E perante quem a Europa se curva. É neste contexto que o papel a que Friedrich Merz, o chanceler alemão, há dois dias se prestou na Casa Branca, revela o drama que tomou conta da Europa.


 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Enguiço quebrado no derbi. Na última oportunidade, a vitória que faltava e que não podia mesmo ficar a faltar. Hoje o Benfica não podia falhar e não falhou. E não falhou porque contou com a sorte que nos outros clássicos sempre lhe faltou.


As coisas até não começaram lá muito bem no que a sorte diz respeito, com a lesão do Júlio César, a fazer que o Benfica estreasse em Alvalade um miúdo de 19 anos na baliza. Depois de todas as voltas que Rui Vitória teve que dar com as sucessivas lesões, calhou-lhe agora dar mais uma volta por cima com mais um miúdo. Agora na baliza...


E foi assim, com um miúdo na baliza, outro no centro da defesa e ainda outro no centro do campo, que o Benfica entrou em campo. E sem perder tempo desatou a jogar à bola, sob o comando do mestre Jonas (não marca nos jogos grandes, não é?). Na primeira meia hora o Benfica jogou à bola, e o Sportig limitou-se a ver jogar. Simplesmente o Sporting não existiu na primeira meia hora. O que fez foi interromper com faltas sucessivas as saídas do Benfica para o ataque, sempre com a complacência do melhor árbitro português.


Na segunda parte as coisas foram diferentes. Até porque começou logo com um amarelo a Jonas por fazer o mesmo. E o Sporting teve alguns momentos - não muitos, é certo - de bom futebol. E teve duas grandes oportunidades de golo, uma delas num falhanço incrível do Bryan. E foi assim porque o Benfica deixou que fosse assim, optando por abdicar do ataque durante quase toda a segunda parte.


E pronto, aí está o Benfica isolado no primeiro lugar pela primeira vez nesta temporada. Inimaginável há dois ou três meses atrás. Nada está ganho, mas é melhor estar à frente. E é nesta altura que as coisas se começam a decidir. 


 


PS Uma correcção: O guarda redes Ederson Moraes, sobrinho do Artur Moraes, tem 22 anos e não 19. Não é sequer o mais novo guarda redes a defender a baliza do Benfica num derbi em Alvalade. Antes já o tinham feito Moreira, com 20 anos, e Oblak, com 21. É esta a verdade, que não altera significativamente nada do ficou escrito, mas que requer o nosso pedido de  desculpas.

António Lobo Antunes (1942-2026)

Visão | "Estou aqui diante de vós, nu e desfigurado". Grande entrevista a António  Lobo Antunes para recordar aqui


Dono de uma escrita própria, de linguagem intensa, muito marcada pela experiência da guerra colonial, António Lobo Antunes, para sempre um dos maiores - e mais carismáticos - escritores da língua portuguesa, morreu hoje. Sem o Prémio Nobel tantas vezes anunciado nas estrelas, e nunca cumprido.


Benfiquista dos sete costados, é autor da mais simbólica imagem da dimensão do Benfica, nas memórias da guerra colonial que lhe marcaram a escrita: "enquanto o Benfica jogava, não havia guerra".

quarta-feira, 4 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Maria Luís no seu melhor. Igual a si própria, no vale tudo... Nada a limita, nada a impede de nada


Não é só uma deputada, que pretende continuar a ser. Não é só uma ministra que deixou o governo há três ou quatro meses, que vai trabalhar para uma multinacional do sector que tutelou, com quem no governo se relacionou, e com fortíssimos - e muitas vezes opacos - interesses no país. É mais uma alta figura do anterior governo que não faz ideia do que seja a ética. E a vergonha...


Só assim se entende o absurdo comunicado em que foi advogada e juíza. Em causa própria... Argumentou e sentenciou: not guilty!  


Está enganada. E não nos engana... É inaceitáve! Não se pode aceitar!

terça-feira, 3 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não sei se o Henrique Raposo está a ser alvo da fúria das redes sociais. Também não sei se essa tem sido mais campanha publicitária, de promoção do livro, que qualquer outra coisa. Mas sei que este é mais um episódio da luta ideológica que divide o país ao meio. Sei que que facilmente se extremam posições, que facilmente se alinham exércitos, se criam trincheiras, e se salta para a barricada. Sei que tudo serve para reacender todas as fogueiras de um país a arder. E sempre à mão de incendiários...


E sei que é nestas alturas que faz bem ler o Ferreira Fernandes... Porque, como se percebe, o livro do rapaz é já o que menos interessa.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Há uns cinco meses, impressionado com o que acabava de ver na SIC Notícias, desabafei aqui. O apreço, a consideração e o respeito que tinha pela jornalista Ana Lourenço levaram-me a omitir então o seu nome. Mas era a ela que me referia, como provavelmente a maioria dos leitores percebeu.


Pouco depois a jornalista foi afastada do ecrã e, depois, da própria empresa. Especulei então que, ou a Ana Lourenço não teria sido suficientemente convincente, ou teria chegado demasiado tarde, ou se teria sentido ela própria desconfortável no papel de agradar aos novos superiores interesses da SIC.


Não sei se, em tese, haverá mais hipóteses. Sei é que no dia em que a Ana Lourenço foi anunciada na RTP - onde irá reencontrar o João Adelino Faria, mesmo que não dê para reeditar o dueto de há uns anos atrás - a SIC brindou-nos com um longo e inaudito monólogo de Pedro Passos Coelho disfarçado de entrevista.


Achei graça à coincidência. Só isso ...

segunda-feira, 2 de março de 2026

Gil Vicente 1 - Benfica 2

O Benfica vai chegar ao clássico a sete pontos do FC Porto e a três do Sporting


À 24º jornada do campeonato, antes da recepção ao Porto, no próximo domingo, o Benfica deslocou-se a Barcelos para disputar, num campo esgotado (mais de 11 mil nas bancadas) e cheio de adeptos benfiquistas, com o excelente Gil Vicente, de César Peixoto, uma partida de elevado grau de dificuldade. Pelo que tem sido o desempenho do Gil na competição, mas também o do Benfica. Que, em vésperas do penúltimo clássico, e a sete pontos de distância do primeiro lugar, está proibido de perder mais pontos.


O jogo confirmou as dificuldades esperadas, com o Gil a a tomar a iniciativa do jogo e a superiorizar-se no primeiro quarto de hora de cada parte do jogo. No resto defendeu, como pôde.


Curiosamente o jogo acaba por se poder dividir em quartos de hora. E tem seis!


O primeiro quarto de hora foi de domínio da equipa de César Peixoto, a partir de uma forte pressão alta que entupiu o futebol de um Benfica lento, indefinido e obrigado ao lançamento longo. O Benfica até tinha mais bola, mas em posições muito recuadas do campo. Sempre que o Gil recuperava a bola saía rapidamente para o contra-ataque ... e rematava. Os quatro remates que figuravam nas estatísticas da primeira parte vêm desse primeiro quarto de hora.


À entrada do segundo quarto de hora já o Benfica se começara a libertar da teia gilista e, mais ainda que a equilibrar o jogo, a controlá-lo. E logrou, logo ao primeiro remate, já aos 18 minutos, a primeira grande oportunidade de golo do jogo, num remate de Rafa (a comemorar os 300 jogos no campeonato nacional) defendido por instinto por Lucão, o guarda-redes, com os pés.


É certo que o Gil Vicente continuava a condicionar o jogo do Benfica, que não conseguia fazer a bola chegar em condições a Rafa e Pavlidis. Mas o controlo do jogo era já claramente da equipa que hoje vestia de branco.


Quando a primeira parte entrou no último quarto de hora já o Benfica tinha passado do controlo ao domínio completo do jogo. Foi como se tivesse aberto o frasco ketchup dos remates, e das ocasiões de golo. Quando António Silva marcou - mas que também poderia ter sido Pavlidis -, aos 35 minutos, já Dahl rematara e poderia ter marcado. Já o conhecido (dois pontos em Braga, com o golo anulado) João Gonçalves (via verde para os jogadores do Gil, e sinal amarelo para os do Benfica, durante todo o jogo), o árbitro, e o conhecidíssimo Tiago Martins, o VAR, tinham deixado passar um penálti por marcar. E já um defesa do Gil tinha desviado da baliza o remate, de cabeça, de Schjelderup, provocando o canto que acabaria no golo.


O golo não interrompeu o melhor período do Benfica no jogo, que se prolongou até ao intervalo. E que só não deu outra expressão ao resultado porque Pavlidis está divorciado dos golos. Logo a seguir atirou à barra da baliza do Lucão.


Ao intervalo, o Benfica - que tinha mais bola, o dobro dos remates, e com quatro claras oportunidades de golo - justificava resultado mais amplo. E tranquilo.


O Gil Vicente - que ao intervalo também perdia com o Sporting e com o Braga - tentou recuperar  a entrada inicial para a segunda parte. Não se sabe se o conseguiria porque o Benfica, desconcentrado, ofereceu-lhe o empate praticamente de imediato.


Creio que o problema foi Mourinho não ter substituído Aursnes, preso por arames, como se percebia, ao intervalo. Logo no arranque da segunda parte, quando o adversário reagia claramente à desvantagem, o médio norueguês sentou-se no relvado. Estava a ser substituído pelo Enzo Barrenechea quando os jogadores do Gil Vicente, no lançamento lateral, repuseram rapidamente a bola em jogo, com os do Benfica a dormir. Todos, desde que a bola foi lançada até entrar devagarinho na baliza de Trubin, em posição caricata.


Inaceitável em contexto profissional. Seria lance para os apanhados, se não fosse demasiado sério e grave!


O Gil Vicente vinha programado para aquela reacção. O golo tinha sido um bónus, não havia por que não continuar. E repetiu-se o primeiro quarto de hora do jogo, só que, desta vez, com uma ou duas oportunidades que poderiam ter acabado em golo. 


Já o Benfica, mesmo voltando a pegar no jogo a partir do fim do primeiro quarto de hora, não conseguiu exactamente repetir a primeira parte. Assumiu o comando do jogo ainda antes das substituições (Barreiro, pouco influente, por Rios, e o regressado, e inconsequente Prestianni, por Lukebakio), a meio da segunda parte, e sem grande resultado. E marcou à segunda oportunidade, depois de mais um falhanço clamoroso de Pavlidis em cima da linha de golo, num golaço de Schjelderup (o melhor em campo, ele que até começou o jogo bastante mal), pouco antes de se fechar o segundo quarto de hora, e quinto do jogo.


O último quarto de hora, com mais os 4 minutos de tempo extra, foi passado com o Gil tentou a tentar voltar a chegar ao empate - tentativa esgotada no remate de ressaca, bem de fora da área, do central Konan, para uma boa defesa de Trubin -, e o Benfica a tentar segurar o resultado.


No fim, a inédita quarta vitória consecutiva no campeonato real, num triunfo complicado e sem grande brilho. Mas merecido e justo, sem penáltis fantasmas, como o que o tal Iancu Vasilica, na sexta-feira, no Dragão, deu a vitória, e mais dois "virtuais" pontos ao Porto, para o campeonato real.


 

domingo, 1 de março de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Foi altamente louvável que, na arquitectura deste governo, a Cultura regressasse a um Ministério próprio. Esteve longe de ser consensual, e perto de reprovável, que a pasta tivesse sido entregue a João Soares... 


Se isto precisasse de explicação, ela teria sido dada ontem. Mais que lamentável, o comportamento de João Soares foi indigno da Cultura que tutela. E indigno de um ministro do que quer que seja, quanto mais da Cultura... João Soares não se limitou ao enxovalho gratuito de uma figura da cultura como António Lamas. Enxovalhou-o publicamente para dar um tacho a um amigalhaço e a um correligionário maçon, tanto quanto se diz incompetente, que faz da vida uma carreira de nomeações.


Creio que é esta a primeira vez que João Soares está ministro. Mais que ser a última, deveria ter sido curta. Hoje já lá não deveria estar!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 


O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.


O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 


Como se não bastasse este caldo que chumbou que o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.


Bonito. Apetece aplaudir... 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...