domingo, 8 de março de 2026

Benfica 2 - Porto 2

Andreas Schjelderup reduziu a desvantagem do Benfica na Luz - Foto: Bruno de Carvalho/KAPTA+


Há muito que se esperava por este jogo, tido por chave na decisão do título. José Mourinho dissera isso mesmo, que há muito o esperava. E que o tinha preparado bem.


Os benfiquistas esperavam o jogo, e esperavam a vitória, já com as contas todas feitas. A Luz encheu, nem podia ser de outra maneira - mais de 66 mil nas bancadas. E foi por aí, pelas bancadas - ou por parte delas - que o jogo começou.


Da caixa dos super-dragões começou com a sabotagem do minuto de silêncio em memória de António Lobo Antunes. Feio, muito feio. Do topo dos NN com mais um estúpido festival de pirotecnia, a levar à interrupção do jogo por alguns minutos. Foi tão mau que, quando o jogo foi retomado, a primeira coisa que aconteceu foi o primeiro golo do Porto.


Para a história ficará que o Porto marcou aos 10 minutos. Mas isso foi nas contas do relógio porque, nas do jogo, estavam jogados 2 ou 3 minutos. Um golo assim, tão madrugador, marca qualquer jogo. Num clássico destes, com esta carga toda, marca muito mais.


Na altura, com tão pouca coisa de jogo para apreciar, pensou-se que tinha sido um acidente. Que marcaria desde logo o jogo, mas um acidente. Afinal o jogo tinha sido muito bem preparado. 


É certo que aquele golo intranquilizava o Benfica. E, ao contrário, dava toda a estabilidade ao Porto. Nunca se saberá se foi por essa intranquilidade que o Benfica desatou a falhar passes, e a ser absolutamente inconsequente nos seu jogo atacante. Sabe-se é que foi isso que passou a acontecer, e que, a cada bola perdida, respondia o Porto em velocidade, e com o caminho livre até à baliza de Trubin.


Foi sempre assim. Fora assim no golo de Froholdt, quando o Varela aproveitou para recuperar a bola  e o lançou, com todo o meio campo do Benfica para percorrer até marcar, na recarga a uma má abordagem de Trubin ao primeiro remate. Voltou a ser assim quando o relógio marcava o minuto 40, com toda a equipa em cima da área do Diogo Costa, e 70 metros livres para o Pietuszewski, o puto polaco de 18 anos, correr pela esquerda e, depois de despachar Otamendi, marcar.


Ao intervalo o Benfica perdia por dois golos sem resposta. E o que se pode dizer é que poderia até ser bem pior. O Porto tivera mais bola, enquadrara mais remates na baliza, e poderia ter marcado por mais uma ou duas vezes. O Benfica apenas esteve perto do golo por uma ocasião, quando o remate do inconsequente Rafa foi desviado, e obrigou o Diogo Costa à defesa impossível, que Trubin nunca logrou.


Tudo isto foi assim porque o Porto joga assim. Com intensidade única, abusando do lado físico do jogo. E porque o Benfica o deixou jogar assim. Sem Aursnes e Barreiro, lesionados, com Rios e Enzo o meio campo com  não cérebro, e o Benfica fica sem quem pense o jogo. Reage, corre atrás. Mas eles, do Porto, reagem muito mais depressa e correm muito mais, para trás e para a frente.


Surpreendentemente, Mourinho não mexeu na equipa para a segunda parte. Porventura puxou pelo brio daqueles jogadores, mas pouca coisa mudou. Dedic (longe da forma em que se encontrava antes da lesão, que continua em gestão) até foi caindo de produção. Prestiani, o mais inconformado da primeira parte, mas só isso, continuava inconsequente. Rafa continuou a passar ao lado do jogo. Apenas o lado esquerdo, Dahl e especialmente Schjelderup, dava sinais de melhoria.


Foi mais por esse lado mental, da crença e da raça, que o Benfica foi começando a inverter as condições do jogo. O Porto sentiu-se confortável em recuar mas, quando deu por si encostado à sua baliza, já de lá não conseguia sair. E o Benfica deu a volta ao jogo, com muito mais bola e muitos mais remates. O Porto só fez muitas mais faltas, mesmo que o João Pinheiro tenha ignorado muitas delas. Bem como a respectiva sanção disciplinar. 


De resto, as faltas do Porto eram sistematicamente grosseiras, e duras, a para impedir jogadas de ataque ao Benfica. As do Benfica eram, na sua imensa maioria, faltas atacantes, assinaladas dentro da área adversária, quando os jogadores do Porto esticavam os pés para travar os remates dos do Benfica.  


Apenas a meia hora do fim Mourinho retirou Prestiani e Rafa, lançando  Lukebakio e Ivanovic, ambos decisivos nos dois golos. Lukebakio estava há quatro minutos em campo quando rompeu a partir da direita e rematou ao poste, para Schjelderup, na recarga, marcar o golo que abriu a esperança na Catedral.


O golo, e a entrada de Barreiros (também a ser gerido com pinças), para o lugar de Enzo (em simultâneo com a Otamendi, lesionado, por António Silva, deram o sinal de conquista de que as bancadas precisavam. O golo do empate, numa grande resposta do Barreiro ao cruzamento da direita de Ivanovic, ainda com perto de 10 minutos para jogar, fez até acreditar na reviravolta completa ao resultado.


Só que não houve mais jogo. O Sr João Pinheiro, o dito melhor árbitro nacional - sabemos no que dá esta história, desde os mais remotos tempos - expulsou o Mourinho, expulsou o Otamendi, e acho que tudo o que mexia no banco do Benfica, e não conseguiu permitir que se jogasse o tempo de compensação. Ainda assim, no último lance, João Pinheiro e o VAR, Luís Ferreira (que vem do apito dourado, e especialista a perseguir o Benfica) não quis assinalar o penálti sobre o Pavlidis. 


Que poderia dar a vitória ao Benfica, e a volta que este campeonato não pode levar!

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