quinta-feira, 30 de abril de 2015

Interesse público e interesse do (algum) público

Por Eduardo Louro



 


Ontem a notícia era que a equipa médica do Hospital de Santa Maria tinha tomado a decisão sobre a gravidez da criança de 12 anos abusada pela besta do padrasto. E que dela não daria notícia pública... 


Aplaudimos. Toda a gente que é gente acha que ninguém tem nada a ver com o sentido da decisão. Notícia tem que ter interesse público, e não se percebe onde possa estar o interesse público no conhecimento da decisão. 


Já basta a dor da pobre criança. Já basta de dor para a criança... Agora só resta punir exemplarmente a besta e os seus cúmplices, se os houver, e tratar da menina. Tratar-lhe do corpo e da alma... Na medida do possível devolver-lhe a infância roubada e dar-lhe sentido ao futuro!


Afinal, não. Não basta nada disso... A cuscovilhice que reina no império sobrepõe-se a qualquer ideia de respeito. Ninguém resiste a espreitar pelo buraco da fechadura ... E a fazer disso modo de vida, fazendo crer que é de interesse público o que é o interesse de algum público. De gente que não é gente!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A confusão do costume

Por Eduardo Louro



 


A Polícia Judiciária está a fazer buscas na Secretaria de Estado das Finanças, de Paulo Núncio. Pouco depois da lista VIP sair das primeiras páginas, esta não é uma boa notícia. Daí que mais uma vez seja lançada a confusão... É o costume...


Daí que para o Ministério das Finanças os vistos gold acabem por não passar de um simples problema de IVA na prestação de serviços de saúde.


Como se um problema de IVA numa empresa pudesse ser motivo para buscas no gabinete de Paulo Núncio, como pretende o comunidado do Ministério das Finanças. E motivo para no mesmo comunicado garantir que "a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais está totalmente disponível para colaborar com a investigação". Como se fossemos todos parvos!


Como se as gordas das buscas no SEF do Porto tapassem as magras das buscas na Secretaria de Estado das Finanças... Que não tapam...Como se não fosse uma surpresa... dentro da normalidade

terça-feira, 28 de abril de 2015

Mais que a trivial ascensão e queda

Por Eduardo Louro


 


 


Schauble quis fazer da Grécia um exemplo, o caso prático da lição que a Alemanha quis dar à Europa e ao mundo. Por isso, como um cão raivoso, pegou e não largou mais… Não há limites para a humilhação…


Não há volta a dar. Tem sido assim, e assim vai continuar a ser até à exaustão, dê ela no que der. É nesse quadro que ocorre o sacrifício de Varoufakis. A sua cabeça foi exigida e Tsipras não resistiu... E substituiu-o por um discreto número dois do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, Euclid Tsakalotos, justamente o oposto do seu ministro das finanças. Mais ao jeito de formalismos e convenções!


A opinião publicada está a fazer passar a ideia de um Varoufakis negligente, até irresponsável e mesmo incompetente. De visão simplista e de propostas estapafúrdias... A imprensa transmite agora uma imagem de Varoufakis que não cola na outra, no seu currículo e na sua história, que transmitia há apenas dois meses atrás. O que há pouco era frescura, agora é negligência e até insolência... O que há dias era inteligência, hoje é vazio de ideias... O que ontem era óbvio, hoje é simplista...


E é demasiado limitativa e simplista a tentação de resumir tudo isto a um simples fenómeno de ascensão e queda da pop star em que Varoufakis foi transformado… E se deixou transformar!


 

Só para chatear...

Por Eduardo Louro


 


Hoje recebi uma mensagem numa rede social profissional com um convite para integrar uma comunidade, uma qualquer, não importa qual. Mas primeiro teria de chatear. E lá estava o estranho convite para chatear.


Não sei se era mesmo só para chatear. Nunca o saberei, não aceitei entrar no chat... Não me deixei chatear ... e não me chatearam mais!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ainda e sempre o pote...

Por Eduardo Louro


 


 


 


Não precisaram de muito tempo. O tempo é um bem escasso. E o tempo de mão no pote pode ainda ser mais… Há que aproveitá-lo bem, sem deixar escapar nada


Da sombra dos Relvas e dos Marco António Costa e afins, um pouco mais longe das primeiras páginas dos jornais e mais escondidos das luzes das câmaras, brotam silhuetas escuras em apressado movimento.


Falta tempo e sobram interesses por satisfazer e favores para pagar... A fé vem agora de cravo ao peito. Eleitoralista. Mais o cravo que a fé!


 


 


 

domingo, 26 de abril de 2015

É Benfica, não são "ellos". Pode ser?

Por Eduardo Louro


 


 


Foi uma correria, cansou só de ver. Cada um correu para seu lado, sempre o contrário do do outro!


O Porto entrou a correr para não deixar o Benfica jogar, descaracterizando a equipa. Percebeu-se desde logo a ideia: impedir que o Benfica pudesse pegar no jogo e fazer mossa em cima de uma convalescença bem congeminada. Que começou logo na noite do desastre, com aquela encenação no aeroporto de Pedras Rubras, continuou com aquela outra à chegada ao Altis e acabou no escalonamento da equipa inicial – incluindo a ressurreição de Helton na crucificação do Fabiano –  e na estratégia de abordagem ao jogo. Tudo bem engendrado, digno da famosa estrutura.


O que não podia acontecer era o Benfica entrar e impor o seu jogo. E para isso era necessário encher o meio campo de gente capaz correr daquela forma. E para ter gente capaz de correr daquela forma eram indispensáveis aquelas encenações, bem preparadas.  Depois, atingido esse objectivo inicial e equilibradas as coisas, trataria então de tentar gradualmente restaurar o seu figurino e procurar então ganhar o jogo.


Pelo contrário, o Benfica entrou dentro da sua estrutura habitual. Mas sem Salvio, que não recuperou, e com Talisca no seu lugar. O que faz toda a diferença!


Obrigado a correr e a lutar o Benfica viu-se impedido de jogar. Nem sequer deu para perceber se a ideia tinha alguma vez sido a de entrar forte, na tentativa de aproveitar as maleitas do adversário. Só quando na segunda parte o Porto mudou de registo, o jogo deixou de ser uma correria louca e uma sucessão de choques e faltas, para passar a ter alguma qualidade em cima da intensidade que nunca perdeu.


Nos últimos minutos passou a ser o Benfica a tomar os cuidados que, como os caldos de galinha, não fazem mal a ninguém. Não sendo bom, o empate não era mau de todo. Mau só para Lopetegui, que mais uma vez demonstrou o seu mau perder (não há ninguém que o ensine a dizer BENFICA, em vez de "ellos"?), deixando a sua assinatura em mais um momento de arruaça. Com a agravante de o ter feito por cima de uma outra, de respeito profissional e de fair play. Que acabou por deixar irreconhecível, completamente apagada!


E lá interrompeu o Benfica a notável série de 92 jogos sempre a marcar na Luz. E lá fiquei eu sem a minha prenda. Logo quando abandonei os meus na minha própria festa, com o argumento de ali estarem uns rapazes de vermelho para me dar a prenda de anos...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Há 40 anos votamos pela primeira vez!

Por Eduardo Louro



 


Há 40 anos Portugal comemorava pela primeira vez o 25 de Abril. E, também pela primeira vez, os portugueses votavam, em eleições livres e universais. Elegeram a Assembleia Constituinte, com uma participação de 92%!


Isso mesmo, 92% dos portugueses foram, em festa, votar. Esperaram horas em filas intermináveis para exercer um direito que sempre lhe tinha sido negado. Já há muito que não há festa, e hoje pouco passa dos 30% os portugueses que votam. Quando passa... Como foi possível?


Interroguem-se... Interroguemo-nos!

25 de Abril. Sempre!

 


 


Números de circo em sinais de decadência

Por Eduardo Louro



 


Como era previsível, o projecto lei para a cobertura das campanhas eleitorais pelos orgãos de comunicação social abortou. Não resistiu até ao final do dia, e os três da vida airada desataram em piruetas e outras acrobacias circences. 


Passos Coelho pegou na sua melhor pose de Estado e correu a dizer que não tinha nada a ver com aquilo. Era um problema do Parlamento, que ao Parlamento cabia resolver. O governo não interfere nem tem que interferir... Claro. E, claro, se é problema do Parlamento, lá teria de vir o seu líder parlamentar fazer também o seu número, coisa que Luís Montenegro faz com uma perna às costas: o projecto lei, já prontinho e numerado, passava a ser apenas uma proposta em discussão, onde o odioso da coisa era proposta do PS, que o PSD ainda estava a analisar. O número até era um bom número, feito só de dentes: mentir desavergonhadamente com todos os dentes!


Paulo Portas não foi tão completo. Não recorreu a pose de Estado nem precisou de Telmo de Correia. Nem de Nuno Magalhães. Foi um número a solo, bem à sua maneira: “O meu partido já fez sair uma nota sobre isso. Prezo muito a liberdade de imprensa e acho que isso diz tudo”!


 Não seria, evidentemente, António Costa a deixar-se apanhar. O seu número metia corrida, e correu por isso logo a dizer que o Partido não se revia naquilo, deixando a pobre Inês de Medeiros ainda mais sozinha e perdida, como que nua num palco vazio com os holofotes todos em cima, à procura de perceber o que lhe tinha acontecido. Por muito que o mereça, deixa pena...


É isto o regime. E isto é decadência!


 

Cócó, Ranheta e Facada

Por Eduardo Louro


Capa do Público


PSD, CDS e PS, os três da vida airada, arrogantes donos disto tudo, querem agora controlar a comunicação social na cobertura da campanha eleitoral. O cozinhado foi preparado pelos deputados Carlos Abreu Amorim, Telmo Correia e ... Inês de Medeiros e, como não podia deixar de ser, mais a mais em vésperas de 25 de Abril, fez levantar uma onda de indignação. Desde logo a partir dos próprios media, como não poderia deixar de ser, passando por todos os outros partidos e pela própria ERC, cujo presidente ameaçou demitir-se se o projecto passar a lei.


De tal forma que não há neste momento dúvida nenhuma que este assomo de censura prévia não passará. Não há qualquer possibilidade disso, e toda a gente já o percebeu. Ao ponto de já terem metido a viola no saco. Toda a gente, é um bocado exagerado: apenas o Cócó e a Ranheta. A Facada, por ser o que é (golpe de faca) e por estupidez, permitiu-se ficar sozinha com a enormidade às costas, sem sequer lhe sentir o peso.


Há deputados de que nunca ouvimos falar. Ninguém sabe o que lá andam a fazer. Mas há outros de que só ouvimos falar pelas piores razões. Só fazem merda. Inês de Medeiros é dessas. Uma enorme desilusão!


 

Na mouche!

Por Eduardo Louro



 


Se querem aumentar o rendimento disponível dos trabalhadores - e acho muito bem que sim - por que é que não lhes reduzem o IRS? Porquê a TSU? Deixem a segurança social em paz!


As palavras podem não ter sido exacatamente estas. Mas foi isto que ontem ouvi a Manuela Ferreira Leite. Nem mais. Na mouche!

Já vinham de braço dado...

 Por Eduardo Louro


 



 


... E assim se deixaram ficar... A Vechia Signora ficou com o mordomo, como se previra!


Pepe Guardiola regressa a Barcelona, para uma grande recepção... E para um jogo fabuloso, entre as duas melhores equipa do planeta... Que ficaria bem melhor na final!


Há dois anos também foi assim... E como correu mal aos da Catalunha...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Há notícias que não surpreendem...

Por Eduardo Louro



 


 


... E esta é uma delas... Infelizmente não surpreende, era  esperada. Chegou hoje, acabou de chegar!


 

Chuva de candidaturas*

Convidada: Clarisse Louro


 


Com o Presidente da República – nitidamente em contra mão e em choque frontal com os interesses do país e até com muitas das posições que recentemente defendeu, entre as quais a de que o país não pode entrar num novo ano sem o respectivo Orçamento – a manter as eleições lá para o início do Outono, era praticamente inevitável que a corrida para as presidenciais acelerasse por esta altura.


Para as candidaturas presidenciais não há Verão. Só há férias. No Verão só vai haver tempo para isso, para férias, e para as legislativas. Qualquer iniciativa seria tão condenada à efemeridade como os desenhos na areia à mercê das ondas da praia. Depois das legislativas sobrarão pouco mais de dois meses, já não há tempo…


A não ser para Marcelo Rebelo de Sousa, que arrancou há quatro anos – e já com tudo preparado há muito mais tempo – que se mantém confortável no seu cadeirão televisivo a marcar o tempo e o compasso (e ainda por cima lhe pagam por isso, e bem, ao que se diz), aos putativos adversários, enquanto vai metendo debaixo do braço a maior máquina partidária do país, que não descura por nada… Para ele há tempo para tudo, até para fazer crer que há ainda Rui Rio!


Portanto, e ao contrário do que por interesse próprio diz o próprio Marcelo, não é cedo para o surgimento das candidaturas presidenciais. É este o tempo, e não há nisso nada de surpreendente.


Como também não é verdadeiramente surpreendente a autêntica chuva de candidatos que para aí vai, mesmo num país com tão baixos níveis de participação cívica. E não é, embora também lá esteja um ou outro, gente à procura dos seus cinco minutos de fama.


Dir-se-á que as presidenciais serão sempre propícias a este fenómeno. São, antes de tudo, eminentemente pessoais. E constituem também as únicas circunstâncias em que o regime admite toda a iniciativa ao cidadão, em que o regime não empurra para trás quem dê um passo em frente…


Mas não consigo dissociar esta chuva de candidaturas – apesar de estar profundamente convencida que, nas urnas, não será batido o recorde das eleições de 1986, as únicas até hoje com segunda volta, então com oito candidatos presidenciais – do momento político e social que o país atravessa, do estado a que o país chegou e, acima de tudo, do desgaste que atingiu um regime que dá sinais de esgotamento. Vê-se contestação aos partidos do regime. Percebe-se indignação!


Leiria não escapou nem a esta chuva, nem a esta onda. E conta com o inédito de dois candidatos: Henrique Neto, o primeiro a avançar, e Cândido Ferreira, um dos últimos. Curiosamente ambos saídos do mesmo partido, o PS, cuja reacção à candidatura de Henrique Neto, mais que lamentável, foi absolutamente deplorável. Mas acrescentou-lhe notoriedade e alargou certamente o espaço de simpatia da candidatura. Até porque não ofende quem quer… E há gente no PS que tem mesmo muita dificuldade nisso…


Não sei se chegarão ambos às urnas. Gostaria que sim, evidentemente. Já quanto a votos, o meu, para já, é que tudo lhes corra bem!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Dia mundial do livro

Por Eduardo Louro



 


Hoje é a vez do livro. É, desde 1995, o dia mundial do livro, o maior amigo do homem... A seguir ao cão!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ganhou o mordomo!

Por Eduardo Louro



 


assaltante da estrada foi apanhado na sua própria lei, e foi o mordomo da rainha a fazer a festa... Mesmo à beirinha do fim, como na final da Luz!


E vai de braço dado com a Vechia Signora, - um penalti inventado há uma semana em Turim tramou o Mónaco - encontrar-se nas meias finais com a alta aristocracia de Barcelona e de Munique, que lá os esperam desde ontem. Se calhar assim, já emparceirados!


 

Um jogo de legitimação

Por Eduardo Louro



 


Quando a Segurança Social corre o perigo da insustentabilidade, ameaçada pela demografia - menos nascimentos e mortes mais tardias - pelo desemprego e pela baixa produtividade - para que cada vez menos possam garantir as pensões de cada vez mais, têm que produzir cada vez mais - dificilmente qualquer corte no seu financiamento deixará de ser atitude irresponsável.


E no entanto é isso mesmo que PS e PSD se propõem fazer. Ao fazê-lo por razões totalmente antagónicas só enfatizam ainda mais essa irresponsabilidade. 


Ao propor reduzir a TSU para os trabalhadores, António Costa está apenas a legitimar polticamente uma proposta em que o primeiro-ministro estava completamente isolado. Mas já se percebeu que esse é o traço geral das propostas de António Costa!


Percebe-se que o tratamento que a União Europeia deu ao governo grego do Syriza tenha levado Costa a esquecer-se da dívida. E do Tratado Orçamental, ou até mesmo da sua outrora tão apregoada leitura inteligente. Mas já não percebe que não haja nada para dizer sobre a reforma do Estado, ou sobre a nossa estrutura económica. Isso é deixar o jogo intacto e exactamente no mesmo tabuleiro, legitimando-lhe todas as regras.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Armar à confusão

Por Eduardo Louro



 


Minutos - poucos, menos de dez - depois de o PS ter apresentado as suas propostas, e de as ter disponibilizado num documento de 97 páginas, o vice-presidente do PSD, José Matos Correia, apareceu nas televisões a falar da folha de Excel, de Sócrates, e da lenga lenga da banca rota. Confessou que não conhecia as propostas e que não tinha lido o documento, mas que o PSD podia desde logo fazer uma "apreciação geral do documento e essa apreciação geral é negativa". E que mais uma vez o PS aumenta despesas, corta receitas e fica à espera que o PIB cresça!


Quer dizer, o PSD anda há meses a reclamar ideias e medidas ao PS. Quando são apresentadas não lhes liga nenhuma e só se preocupa com a pressa de vir dizer que nem precisa de as conhecer para as deitar abaixo. Não importa se há ideias, só importa que não haja. Não importa avaliar e discutir o que quer que seja, o que importa é aparecer o mais rapidamente possível a bater panelas por cima delas. Fazer chinfrim... Armar à confusão!


É nisto, nesta baixa política, que o regime definha. A cereja está no remate final da sua prestação:


 "Não é uma forma séria de fazer política". "Não brincamos com coisas sérias".


 

O exercício e a armadilha

Por Eduardo Louro



 


Como anunciado, o PS apresentou hoje o cenário da economia portuguesa e as medidas âncora do seu programa eleitoral. O exercício é um bom exercício - como diria o Diácono Remédios -, o diagnóstico é acertado. As previsões nem tanto...


Uma coisa é certa: contraria quem diz que o PSD e o PS são a mesma coisa. Até podem ser, mas agora não estão. António Costa e Passos Coelho estão nas antípodas um do outro. Apenas um ponto em comum: ambos querem fazer crer que tem uma receita para o crescimento económico. O diabo é que é o que têm em comum o que menos crédito merece... 


Passos Coelho diz que a economia cresce pelo lado da oferta. Dando todas as condições às empresas. António Costa, diz que a receita está na procura. Que o que é preciso é dar condições às famílias para que consumam. É curiosamente na TSU que converge o mais emblemático destas duas posições: Passos quer reduzi-la às empresas. Costa, precisamente ao contrário, quer reduzi-la aos trabalhadores!


O problema é o que ficou pelo meio. O problema é o que este governo deveria ter feito e não fez nos quatro anos do seu mandato. O problema é que o governo destruiu a economia sem ter deixado nada construído. Depois de tanta destruição não ficou, como não poderia ficar, tudo na mesma. Mas ficou na mesma tudo o que precisava de ser mudado, nenhuma mudança estrutural aconteceu. Nunca o investimento caiu tanto, e a economia não ganhou competitividade, nem mesmo com a brutal queda dos custos salariais. E o aumento da procura vai fazer disparar principalmente as importações... As exportações estão limitadas pela falta de investimento, e lá se volta ao agravamento do défice externo!


Daí a dificuldade do país em sair da rota do empobrecimento, onde Passos Coelho se sente como peixe na água. E que as inaceitáveis propostas do PSD acabem até por passar melhor...


Exactamente: este governo deixou tudo armadilhado!


 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Está tudo dito!

Por Eduardo Louro



 


Não deixa de ser curioso que a primeira notícia de uma acção em tribunal na esfera do BES e do Novo Banco seja de Manuel Pinho. Reclama 1,8 milhões de euros. Tem a ver com o direito deste cavalheiro a uma reforma antecipada do BES, e com um vencimento mensal de 39 mil euros que recebia por não fazer nada...


Está tudo dito. É o regime em todo o seu explendor!

O bloqueamento do regime

Por Eduardo Louro



 


As sondagens que se vão conhecendo - não me refiro às sondagens dessa espécie de sempre em pé chamado Marco António Costa - dão a indicação firme que, ao contrário do que sucede  pela Europa fora, a bipolarização do regime político em Portugal não revela sinais de dar de si. A governação muda-se do PS para o PSD, com o CDS, especialmente na sua versão PP (Paulo Portas), sempre atrelado, e é esta alternância que há quarenta anos alimenta o regime. E é dela que depende a sua sobrevivência: é sempre preciso que mude alguma coisa para que tudo fique na mesma. É isto o regime!


Sem outro cimento a agarrá-lo, e com os sucessivos fracassos da governação, onde a regra é que a cada mau governo sucede outro ainda pior, o regime está esgotado. Frágil, pronto a cair ao primeiro abanão.


Ao contrário do que se poderia concluir, e por paradoxal que possa parecer, o empate técnico para que apontam actualmente as sondagens pode ser bem mais que esse abanão. É o bloqueamento de um regime que viveu para o seu próprio umbigo. A maioria agora no poder já não o é; nem nunca o poderia ser. Mesmo que, por impensável que seja, ganhasse as eleições, nunca o faria em condições de governar. Ao PS, como provável vencedor, não será fácil encontrar à esquerda soluções para formar governo. E se as encontrar terão sempre grandes dificuldades em resistir aos primeiros meses de exercício governativo. É um problema de genética!


O bloco central é uma tentação. Para muita gente. Para Cavaco, indisponível para dar posse a um governo minoritário, é mais que uma tentação: é a saída que vê para o beco - que não a tem - em que deixou o país. Mas não é mais que isso: uma tentação. Que tapa a última válvula de escape do regime. A seguir implode!


 


 


 

domingo, 19 de abril de 2015

"Só se morre uma vez"!

Por Eduardo Louro



 


Foi a maior tragédia de sempre no Mediterrânio. Foram mais 700 pessoas traídas por tudo e por todos, até por aquele mar por onde pensam fugir da morte. Há dois dias tinham sido doze, atiradas ao mar pelos próprios companheiros de desdita... Só porque eram cristãs num espaço de desgraça que era islâmico. 


Porque "só se morre uma vez", como há tempos um desses desgraçados dizia numa reportagem. Somam já 25 mil, os que nos últimos 17 anos morreram a caminho de Lampedusa. Já não é um simples dano colateral de uma coisa qualquer. Há guerras que não matam tanto!  

sábado, 18 de abril de 2015

Uma questão de agenda

Por Eduardo Louro


 Jonas marca no Belenenses-Benfica


 


Mais um jogo fora, mais uma vez a confirmação de um Benfica de duas caras: uma para dentro, para apresentar na Luz, digna mais bela princesa das histórias de encantar, e outra para fora, a lembrar as bruxas más. Feias, assustadoras…


Hoje não chegou a tanto, mas durante uma hora pairou no Restelo, cheio de colinho, o fantasma da bruxa má... de Vila do Conde. Não foi tudo igual, valha a verdade, mas houve algumas semelhanças, a começar pelo golo madrugador, que até já parece mau presságio. Foi diferente – tinha mesmo de ser diferente – a atitude dos jogadores do Benfica. É verdade que não foi o caso de Olá John – estamos sempre a dizer que terá desperdiçado a última oportunidade, mas nunca é a última – mas uma andorinha não faz a Primavera. E foi muito diferente a eficácia: no primeiro remate à baliza (enquadrado com a baliza), logo no início do jogo, surgiu o primeiro golo; o segundo, já com uma hora de jogo, deu no segundo golo. Ambos de Jonas, ambos excelentes…


O segundo golo sim, desbloqueou o jogo. Não acabou com o jogo, mas levou-o para outro registo, bem mais favorável ao Benfica. É que não foi só o golo, foi também a hora de jogo que ficara para trás a deixar mossa na equipa de Belém, e a diminuir-lhe a resistência. A partir daí , na última meia hora, o resultado deixou claramente de estar em risco. Em risco só mesmo Samaris, que Jesus tardou em poupar. Por boa causa, deve dizer-se. Porque quis dar prioridade à substituição do Olá John, mesmo que lhe não sirva de lição…


Falar deste jogo é falar de tudo isto. É dizer que o Belenenses foi um adversário muito complicado, que se bateu sempre muito bem, mesmo quando as forças começaram a faltar e com boa organização táctica. Mas é também dizer que, quando durante toda a semana os media quiseram dizer que o Belenenses estaria impedido de apresentar sete ou oito jogadores com ligação ao Benfica afinal, só Rui Fonte não jogou. Dos sete ou oito apenas um - um único -, e por razões bem explicadas pelo seu treinador, não jogou!


Não houve nenhuma gastroenterite, nem ninguém se lesionou a subir para o autocarro. Não deixa de ser curioso que quem se não incomoda nada com esses desarranjos intestinais e essas lesões à entrada do autocarro tenha alimentado a novela toda a semana. Não deixa de ser notável que o anterior Presidente do Belenenses, que não tem vergonha de ter deixado o clube no estado em que deixou, nem de entregar a SAD a uma figura como Rui Pedro Soares, tenha a esse propósito vindo reclamar vergonha aos benfquistas. Nem deixa de ser confrangedor que tema dos jogadores emprestados só entre na agenda mediática quando o Benfica joga com o Belenenses.  E depois… oops… Só um, apenas um não jogou. E… oops… por opção do treinador. E muito bem explicada…


 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mariano Gago (1948-2015)

Por Eduardo Louro



 


Há pessoas que ao passar pela política lhe emprestam nobreza e lhe dão dignidade. Há pessoas que ao passar pela política a deixam mais rica. Há pessoas capazes de dar à política o que a grande maioria lhe tira... Mariano gago, o político da Ciência, era uma dessas pessoas. E não é por ter morrido!


 Não sei se foi por isso que foi o ministro que mais tempo foi ministro no pós 25 de Abril. Mas se calhar foi por isso que nem se deu por isso...


 

E o reembolso ao FMI?

Por Eduardo Louro



 


Começa a ser tempo de perguntar por que é ainda não foi feito o reembolso ao FMI, há tanto anunciado e tantas vezes evocado. Não se percebe: os "cofres estão cheios", até a taxas de juro negativas o país já tem acesso, a autorização para a liquidação antecipada há muito que está dada, e no entanto continuam a pagar-se juros ao FMI a taxas altíssimas, desperdiçando centenas de milhões de euros.


Desconfio que saiba qual é a resposta. Tanto quanto estranho que ninguém faça a pergunta. Desconfio que isso seja coisa programada lá mais para a frente, bem no centro da campanha eleitoral...


Já se percebeu que o governo deixou de estar interessado em governar, que não vê outra coisa à frente que não sejam as eleições. Tudo o que faz e o que não faz é para que as eleições não se lixem. Melhor: para que as eleições não os lixem a eles!


Às vezes até pode ficar a ideia que não é bem assim. Às vezes, Passos Coelho e Maria Luís descaem-se com uma ou outra, e foge-lhes o pé para o chinelo. Como aconteceu com a TSU, mas isso é apenas incompetência...


 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Recomendações

Por Eduardo Louro



 


Foi hoje conhecido o Relatório preliminar da Comissão Parlamentar de Inquèrito (CPI) ao BES. Para já, do que se percebeu, parece confirmar-se a ideia, que já vinha das audições, que esta CPI corta com o que é a história das comissões parlamentares, que invariavelmente produziam relatórios à medida dos interesses da maioria vigente. A história diz-nos exactamente isso, que os interesses de facção ficavam sempre à frente da verdade!


 Não quer isto dizer que esperemos a atribuição de grandes culpas ao governo. Não esperamos nem grandes, nem pequenas... Nem as que realmente tem, que já percebemos que serão diluídas nas do Banco de Portugal. Mas não tem nada a ver com a pouca vergonha a que já assistimos!


Faz algumas recomendações. Recomenda ao Banco de Portugal, e ao bom e ao mau banco, que encontrem uma solução para o papel comercial que atinge tanta gente, e que tanta agitação traz para a rua. Esperemos que o texto final, a ser conhecido lá para o final do mês, faça mais algumas. Ao Ministério Público, por exemplo... Só para evitar que se repitam filmes que já vimos,  com outros actores conhecidos como Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro...


 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quem tem ... tem medo

Por Eduardo Louro


Jovem interrompe conferência de imprensa de Mario Draghi


 


Na imagem - a imagem do dia, do mês ou até do ano - da jovem a saltar para a mesa de Draghi o que é aterrador é o medo do patrão do BCE, face á aparente tranquilidade da expressão de Vitor Constâncio. Sabendo nós do tradicional medinho do português, imagine-se o estado em que terá ficado, no italiano, aquela coisa que tem quem tem medo...


 


Nota: Imagem da SIC

O assaltante da estrada e o mordomo da rainha

Por Eduardo Louro



 


Jogou-se ontem mais um dérbi de Madrid, que os "caprichos" do sorteio aprazaram para os quartos de final da Champions, na reedição da final do ano passado, na Luz. O jogo - da primeira-mão - realizou-se no Vicente Calderon, onde o Real, nesta época - em que todos os resultados, e já lá vão sete jogos, têm sido favoráveis ao Atlético - ainda não conseguiu marcar um golo sequer.


Na primeira parte a superior classe dos jogadores de Ancelotti impôs-se sem qualquer reserva. Mas não deu em nada, no que a golos respeita. Que é, ao fim e ao cabo, o que interessa. Porque pela frente encontraram Oblak, o jovem guarda redes que o Benfica deixou que fugisse para Madrid no início desta época que, com uma exibição soberba, não só defendeu tudo o que houve para defender, como deu mostras que resolveria todos os problemas que lhe colocassem, minando sucessivamente a confiança de Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema, James e companhia... Decisivo na mudança dos dados do jogo!


De tal forma que na segunda parte o jogo passou para outra dimensão, onde o futebol deixa de ser apenas futebol, para passar a ser ainda futebol, mas também confronto físico e mental, picardia, malandrice, pressão emocional: justamente o terreno favorito de Simeone e da equipa que moldou, como ninguém, à sua imagem e semelhança. 


No fim o jogo acabou sem golos, e com a certeza de que ganhará a eliminatória quem conseguir durante mais tempo ditar as regras do jogo. A ideia que fica é que a lei do Atlético é mais fácil de impôr. Que o assaltante de estrada é bem capaz de levar a melhor sobre o mordomo da rainha, numa das imagens que o mestre Ferreira Fernandes, em homenagem a Eduardo Galeano - quem alguma vez melhor escreveu sobre futebol - brilhantemente nos dá do jogo, hoje na sua coluna habitual do Diário de Notícias.


 


 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Assustador*

Por Eduardo Louro



 


Ouvi ontem o Miguel Sousa Tavares (minuto 9) dizer que a campanha de Hillary Clinton vai custar 2,5 mil milhões de dólares e fiquei assustado. É assustador pensar que a democracia chegou a este ponto...Quando as campanhas atingem valores desta dimensão há fortes motivos para nos assustarmos!


Interrogamo-nos: que democracia é esta, envolta em tão brutais quantidades de dinheiro? E assustamo-nos. Eu assusto-me!


 


* Como se percebe não é para adjectivar o H, símbolo da campanha. Bem poderia ser, mas não é... 

Ler os outros

Por Eduardo Louro



 


Imperdível. Absolutamente imperdível esta carta do Sérgio de Almeida Correia a Marcelo, no Delito de Opinião. 

Vamos ao café!

Por Eduardo Louro



 


Chegou a vez do café.  E nestes dias os media não resistem nem poupam nos encómios, sempre à luz do que mais valorizemos. É frequentemente a auto-estima, o prazer, o sexo... Mas é ainda a saúde que acima de tudo mais prezamos, e por isso os encómios vão sempre lá ter. Direitinhos: do simples, mas demodé,  "faz bem á saúde" à mais incisiva e bem mais actual motivação pela prevenção. Sempre baseados em estudos científicos, quase sempre interesses escondidos com o rabo de fora...


Ontem foi a vez do beijo, e - lá está - "beijos na boca ajudam a combater doenças". Aqui não há rabo de fora, quanto muito... língua. Mas acabo de ouvir que hoje é dia internacional do café e, logo a seguir, que "três a quatro cafés por dia previnem Parkinson, Alzheimer, diabetes e vários tipos de cancro". E lá vem a inevitável referência aos estudos científicos, referidos pela Associação Industrial e Comercial do Café...


Pois... Vamos então ao café, antes que arrefeça...

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Chuva de candidatos

Por Eduardo Louro


 


 


Ficou hoje mais pobre a Literatura. Mas mais rica a lista de candidatos às presidenciais, com mais dois nomes novos: Paulo Freitas do Amaral, que faz política no CDS, e talvez aposte no apelido; e Cândido Ferreira (na foto), que fez política no PS, e aposta sabe-se lá em quê... Vem de Leiria. E só de Leiria já vão dois...  


Lá pelos States também a Hilary - quem sabe se impressionada com o que se está a passar em Portugal, ou até aqui, em Leiria - já anunciou ir a votos. Desta vez com Obama, e não contra... O que fará toda a diferença!

Dia mau para a Literatura

Por Eduardo Louro


 


                               


 


Morreu hoje Gunter Grass, o escritor - mas também artista plástico - alemão de 87 anos, que gostava de vir a Portugal, onde tinha casa, no Algarve. E que foi amigo de Saramago, a quem sucedeu como prémio Nobel: a Saramago, Nobel em 1998, sucedeu Grass, Nobel em 1999...


E morreu também também o escritor - jornalista, historiador e ensaísta - uruguaio Eduardo Galeano, aos 74 anos, em Montevidéu. Um enorme vulto da cultura latino-americana, para quem o mundo estava agora grávido de outro mundo, multipremiado e também ele galardoado em 1999, mas com o prêmio à Liberdade Cultural, da Lannan Foundation (Novo México, EUA). Pode ser que, desta vez, não venha ninguém gabar-lhe a sorte em morrer no mesmo dia do alemão...

Do beijo

 


Por Eduardo Louro


 



"O beijo é um segredo que se diz na boca e não ao ouvido" - Jean Rostand


        


Há segredos que nunca não se esquecem. 



E não são apenas estes...


Resultado de imagem para beijos famosos


Podem  chocar mais...



...Ou menos



Encantar...



Ou aterrorizar...


Um beijo!

sábado, 11 de abril de 2015

Emoções fortes e um autocarro à procura de estacionamento

Por Eduardo Louro


 


 


Mais um jogo de grande qualidade de um Benfica afirmativo e dominador. De um Benfica campeão, e à campeão!


Esperavam-se dificuldades da parte da Académica de José Viterbo, hiper motivada, que ainda não perdera e que era apenas a segunda defesa menos batida da segunda volta. Mas cedo, bem cedo, se viu que o Benfica não estava ali para outra coisa que não para ganhar depressa o jogo. Para não dar qualquer hipótese… E que a Académica já entrava derrotada… Porque smplesmente não encontrou espaço para estacionar o autocarro que decidira trazer para a Luz. A Académica foi isso: um autocarro à procura de estacionamento!


Ainda se não tinham atingido os 20 minutos de jogo e já o Benfica ganhava por três, fruto de uma exibição que, sem ter atingido o brilhantismo de há uma semana, era uma exibição cheia. E em cheio. Mas também fruto de um coeficiente de aproveitamento inédito: 100%.


Depois o Benfica levantou o pé. Não desligou, como tinha chegado a fazer contra o Nacional, mas deixou correr… Deixou correr o jogo, deixou correr a bola e deixou correr os jogadores da Académica atrás dela. De tal forma que estava-se já em cima do intervalo quando o Benfica perde, por Maxi, assistido de forma brilhante por Gaitan, a primeira oportunidade de golo.


A segunda parte começou como a primeira, com o golo a chegar até pela mesma altura, pelos sete ou oito minutos. O Benfica jogava ainda mais bonito, mas sem o mesmo índice de eficácia. Agora eram as oportunidades de golo que se sucediam… Sucessivamente, sem cessar. Mas sem golo…


Golo que - ameaça a tornar-se lei - acabou por sofrer no primeiro remate do adversário. Um golo festejado em lágrimas pelo seu marcador, Rafael Lopes. Não foi esse o primeiro momento de emoção. A emoção tinha já entrado em campo com Fejsa, num regresso - um ano e duas operações depois - naturalmente muito festejado. Mas, emoção e festa a sério, foi quando o mesmo Fejsa fez o quinto. O último e o mais bonito do jogo!


Foram cinco. Mas cinco golos legais. Todos dentro de toda a legalidade!


E no meio de tanta emoção até a estreia de Jonathan Rodriguez passou despercebida. Mas aconteceu!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Que descaramento!

Por Eduardo Louro



 


Deplorável e deprimente a prestação dos advogados de Sócrates na conferência de imprensa que convocaram para hoje. Dizer que Sócrates recebia dinheiro vivo em envelopes porque não confiava nos bancos é de uma lata inimaginável. Mas quase chamar estúpidos aos jornalistas por não acharem esse comportamento razoável, até normal e perfeitamente justificado à luz da instabilidade do sistema bancário, não lembraria ao diabo!


Pode até ser que a defesa formal se faça de coisas destas. Mas não há como não enterrar ainda mais quem se pretende defender com coisas deste descaramento! 


Por este andar, um dia destes ainda nos vêm dizer que o António Figueiredo - de quem também hoje houve notícias - andava a fazer de Aristides de Sousa Mendes...  

Inspirações e conspirações

Por Eduardo Louro



 


Um artigo ontem publicado no DN pretendeu atirar a primeira pedra à provável candidatura de Sampaio da Nóvoa. O texto foi replicado de forma viral nas redes sociais, e tinha por objectivo manchar o perfil do provável candidato que - é público e notório - mais incómodos está a criar, acusando-o de ter alguma coisa a ver com o ignóbil chumbo  de Saldanha Sanches nas provas de agregação, em 2007.


O seu autor, João Taborda da Gama, ex-acessor de Cavaco Silva, acusa secamente Sampaio da Nóvoa, à época reitor e por inerência presidente do júri, da responsabilidade pelo lamentável desfecho que envergonhou a Universidade, e que Saldanha Sanches então classificou de chumbo político.


Percebe-se, ao contrário do que o longo texto quer fazer crer, que a recuperação do episódio não tem nada a ver com a justa defesa de Saldanha Sanches. Que, nem que para isso tenha de remexer na memória de quem já partiu e que merece descansar em paz, pretende apenas aproveitar o momento para desferir um ataque ad hominem tão vil, se não mais, quanto o episódio que o inspira. Se não fosse assim, diria que o então reitor apenas presidia ao júri por inerência da função, sem qualquer intervenção na votação. Diria que provavelmente aquele que é o seu candidato nestas presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa, foi um dos seis membros do júri que chumbou Saldanha Sanches, como então foi público. Diria que os outros cinco, todos também da sua área política e a maioria até gente destacada do seu partido, foram Diogo Leite Campos, Jorge Braga de Macedo, Menezes Cordeiro, Fausto Quadros e Paz Ferreira... E deveria até dizer que, a favor da agregação, votaram Jorge Miranda, Teixeira de Sousa e Paulo Otero!


Mas, lá está: se o tivesse feito, se tivesse sido sério e objectivo, não teria tido tantas partilhas nas redes sociais...


 


 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A primeira medida do programa eleitoral de Passos

Por Eduardo Louro



 


Em dia de intensa actividade de campanha, Pedro Passos Coelho, contagiado pela plateia, deixou-se entusiasmar e apresentou a primeira medida do seu novo programa eleitoral. E é a primeira, como teve até o cuidado de escalrecer, porque decorre da única reforma que lhe ficou a faltar. Faz todo o sentido, tem que começar pelo que deixou por fazer no actual mandato: reduzir os custos do trabalho!


Nem mais. Passos Coelho acha que não concluiu o programa de redução de salários que levou a cabo nos últimos quatro anos. Há ainda muito por fazer... Há ainda muito por onde cortar, garantiu hoje perante uma plateia de investidores estrangeiros. Que nem assim investem!

E vão três...

Por Eduardo Louro


  


 


E vão três: Paulo Morais é, também, candidato presidencial. E vão três, todos do lado de fora dos partidos... E vão três, todos desalinhados com o sistema... 


Por enquanto é só boas notícias. As más ficam para mais tarde!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Palavrões novos. Ou nem por isso...

Por Eduardo Louro


 


 


Palavrões antes reservados a elites especializadas são hoje cada vez mais comuns. Quase todos os dias há novos palavrões a entrarem-nos pela porta dentro.


Hoje é de impostos diferidos que se fala. Qualquer coisa que ainda há pouco tempo só se conseguia ouvir da boca de gestores, auditores e contabilistas mais evoluídos, enche hoje as páginas dos jornais, como uma nova nuvem negra que ameaça os bancos. E já se sabe para quem sobram as ameaças sobre os bancos…


Impostos diferidos referem-se a tributações que no futuro deixam de se pagar em consequência de ocorrências presentes. É o que se passa quando, para efeitos de impostos sobre lucros, prejuízos de agora são abatíveis a lucros futuros. Quem, por via do prejuízo neste ano, vai pagar menos de impostos sobre os lucros nos próximos pode, de acordo com as práticas e os princípios contabilísticos, reflectir isso no seu activo.


Para os bancos, o governo decidiu o ano passado ir um pouco mais além – o que também não surpreende – e permitir-lhes que reflectissem isso nas contas de capital. Os prejuízos por que a banca tem passado comeram-lhe muito capital; com essa medida o governo “devolvia-lhe” boa parte dele, reduzindo-lhes assim as necessidades de reforço de capital para cumprir com os rácios (core tier 1) exigidos pelas normas de regulamentação bancária (Basileia III).


A União Europeia – curiosamente a medida (também utilizada nos outros países do sul) foi aprovada pelo governo em Junho passado, logo depois da saída da troika – pretende agora saber se isso configura, ou não, ajuda do Estado á banca.


Não sei se configura ajuda. Mas sei que configura chico-espertismo, e isso já não é palavrão novo. A esse já estamos habituados!


 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Hoje sabemos muito mais coisas...

Por Eduardo Louro


 


 


Fez ontem precisamente quatro anos que Sócrates anunciou ao país o que, poucas horas antes, Teixeira dos Santos, num golpe de traição, cirurgicamente comunicara à Helena Garrido, do Jornal de Negócios: Portugal ia pedir ajuda externa!


Poucos então previam o que estaria para vir. Poucos achavam que o PEC IV pudesse resolver o que quer que fosse. Como os anteriores não tinham resolvido. Achava-se simplesmente que chegara ao fim o estado de negação em que o país vivia. Que aquele era um destino há muito anunciado, há muito à vista de todos… Menos dos que insistiam em negar a realidade.


Hoje sabemos muito mais do que sabíamos então. Começamos por saber pelo que passamos… E por saber que não valeu a pena. Que nada se regenerou… Que, antes, tudo se acomodou…


Basta isso para olharmos para este dia, há quatro anos, com olhos bem diferentes dos que então o vimos…


Mas hoje sabemos que o PEC IV - em que ninguém acreditava - estava negociado com as instituições europeias e era alternativa à intervenção externa. E sabemos que falhou porque o PSD entendeu que eram horas de deitar a mão ao pote. E que a ordem veio de Belém, com Cavaco - deixado á margem da negociação desse último instrumento - a optar pela vingança, fazendo da tomada de posse para o seu último e desgraçado mandato uma declaração de guerra. Não havia espaço para mais austeridade, sentenciou!


Afinal havia. E de que maneira… E não mais o incomodou!


Mas hoje sabemos ainda muito mais coisas...

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Uma vez jotinha... sempre jotinha!

Por Eduardo Louro



 


De todas as reacções à provável candidatura de António Sampaio da Nòvoa - ou, talvez mais propriamente, ao apoio do PS a essa candiatura - a mais cáustica, mas também a mais parva, veio de Sérgio Sousa Pinto.


Um jotinha, mesmo que de barba branca, nem que pareça o Pai Natal, não deixa de ser jotinha. E um jotinha nunca consegue aceitar que alguém possa chegar a algum lado sem o cartãozinho no bolso. Ou bem mais à vista!

domingo, 5 de abril de 2015

O candidato Sampaio da Nóvoa, ou o candidato do PS?

Por Eduardo Louro



 


Andamos há não sei quanto tempo - mas muito, posso jurar - a ouvir o melhor de Sampaio da Nóvoa. Que não era Guterres, mas era até melhor. Um grande candidato, imaculado do pecado original da filiação partidária, e capaz de fazer o pleno da esquerda. E ganhador, que ganhava a toda a gente!


Bastou perceber-se que o ex-reitor se chegava à frente para deixar de ser tudo isso. Já é o folar da Páscoa de Marcelo. Já não só não une ninguém como até divide o PS... Donde chovem pedras de todos os lados...


Vá lá a gente entender isto!


Pode ser que, assim, quando a candidatura for apresentada a notícia seja que Sampaio da Nóvoa é candidato á presidência da República. E não que Sampaio da Nóvoa é o candidato do PS!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...