terça-feira, 31 de maio de 2016

Coisas do Filho...

 


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Falhado o Filho, ficou o Espírito Santo. Diz-se que o Pai já não é o que era, e que quem manda agora é o filho. Às mãos do Todo Poderoso... Que também é Jorge, mas não é Nuno. Que é Espírito Santo. Definitivamente, já não há Santíssima Trindade que valha. Nos tempos que correm, Espírito Santo, só de orelha...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Passa-se que...

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Estive fora do país por uns dias, e sem condições de acompanhar o que por cá se passava. Quando regressei percebi que não perdi muito: Francisco Assis, mesmo a dizer sempre a mesma coisa, ocupa o espaço mediático com se fizesse revelações de grande novidade; os colégios privados com interesses nos contratos de associação continuam de vento em popa na sua grande marcha da manipulação - nunca tão poucos manipularam tanto(s) -, com todos os media a seus pés, e o Expresso não tem mesmo mais nada para dizer sobre os Panama papers.


Que tenha sido resolvido o conflto no porto de Lisboa é que parece que nem aconteceu...

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Tempestades*

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Na noite do passado domingo, a Europa adormeceu sob a ameaça de uma noite agitada pelo pesadelo austríaco. A eleição de um Presidente da República de inspiração nazi-fascista era então o cenário mais provável.


Faltava apurar os votos por correspondência, e foram justamente esses votos que, por uma unha negra – por escassos 30 mil – acabaram por afastar, sabe-se lá até quando, essa tenebrosa nuvem negra dos céus desta Europa, há muito entretida a brincar com o fogo.


Não adianta muito tentar circunscrever o crescimento do populismo xenófobo de extrema-direita ao fenómeno austríaco. É certo que não é a primeira vez que por lá se vota desta maneira. É certo que a Áustria não expiou as penas do nazismo, sacudindo as responsabilidades históricas que na realidade teve na maior tragédia que se abateu sobre a Europa. Nunca fez mea culpa, e por isso foi lá que a larva encontrou as melhores condições de cultura. E por isso há muito que lá está bem instalada.  


Não dá para tapar o sol com a peneira. Já não são assim tão remotas as hipóteses de Marine Le Pen poder chegar à presidência da França. A Hungria e a Polónia estão já nas mãos de regimes xenófobos e autoritários, numa União Europeia cujo requisito básico de entrada, era a democracia. Na Holanda, na Dinamarca e na Finlândia, é a mesma extrema-direita, racista e autoritária que avança a passos largos…


Anseiam, todos, por uma Europa afastada dos caminhos da solidariedade, da tolerância e do respeito pela diferença. Mas não são estes os outros caminhos que a Europa vem promovendo nos últimos anos?


Não têm sido essa a sinalética que Bruxelas tem vindo a espalhar por toda a Europa?


Pois é. Quem semeia ventos, colhe tempestades. E se Donald Trump vier a ser eleito nos Estados Unidos, a tempestade é perfeita!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

terça-feira, 24 de maio de 2016

Bicho carpinteiro

Missão (im)possível


(Roubado daqui)


 


Que a lua de mel estava a arrefecer, já se tinha percebido nos contratos de associação dos colégios privados. Não se esperava é que as 35 horas levassem já ao anúncio da data para o divórcio... 


Está o caldo entornado. A Marcelo o que é de Marcelo. Bicho carpinteiro é assim mesmo!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um alívio que poderá não servir de muito

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A Europa estava em suspenso - ou se calhar nem estava - com a séria possibilidade de, na Áustria, ser eleito um nazi-fascista para a presidência da República. Encerradas as urnas, ontem, o candidato da extrema-direita, Norbert Hofer, era o mais votado. Faltava contar os votos por correspondência que, contados, parece que inverteram o resultado eleitoral, com o ecologista Alexander van der Bellen a ganhar com 50,01% dos votos.


Por um voto se ganha, e por um voto se perde - costuma dizer-se. Não terá sido por números muito diferentes que a Áustria escapou às garras da extrema direita que avança pela Europa fora. Ao que parece sem grande preocupação por parte da nomenklatura europeia. Longe vão os tempos em que a União Europeia ameaçava a Áustria de Heider. Ao conviver na paz dos anjos com os governos de extrema direita do leste europeu, o fundamentalismo neo-liberal europeu tudo tolera. Talvez nem estivessem assim tão preocupados com a chegada à presidência do sucessor de Heider.


Desta vez a Áustria escapou do manhoso Hofer. Por uma unha negra. Daqui a pouco está aí a França e a ainda mais manhosa Le Pen. E será bem mais complicado...

domingo, 22 de maio de 2016

Missão curta


 


Pronto. Vou pôr ponto final no assunto, já não há mais a acrescentar. Já nai cai gota, e já se pode dar por concluída - com sucesso - a missão do Expresso: acabar de vez com a discussão das offshores. Pronto: não se fala mais nisso. Missão cumprida, que não comprida. Foi até bastante curta!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

À sétima... choramos

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Depois do 35, a sétima. A sétima Taça da Liga... Em nove, no pleno das sete finais.


Foi num jogo divertido, mexido, nada arrastado, que nem parecia de fim de época, que o Benfica conquistou a sétima, depois de uma semana a festejar o tri. Ou tri(nta) e cinco...


Claro que os oito golos ajudaram. Uma final com oito golos terá sempre de ser um belo jogo. E, claro, o adversário ajudou. Com uma bela prestação, disputando o jogo como se deve disputar uma final. E não mereceria certamente um resultado tão desnivelado: 6 a 2 é um resultado muito pesado para o que o Marítimo fez.


Mesmo assim, mesmo num jogo de encher o olho, com um resultado que envaidece a vaidade de ser benfiquista, não é do jogo que quero falar.


É de Gaitan, o homem do jogo, que quero falar. Do nosso Nico, de quem já morro de saudades. Que entrou e saiu do campo a chorar, também ele já com saudades do Benfica. E de nós, como nós dele. Um benfiquista, como nós. Que há seis anos, quando chegou para ocupar o lugar do seu compatriota Di Maria, não queria ter vindo. Mas veio, e depois de todos estes anos, em que cada um seria o último, com a sua saída sempre como uma espada sobre as nossas cabeças, vai mesmo embora. E vai a chorar... 


Como a chorar ficamos nós, agarrados á memória da sua fantasia, do seu génio, da sua arte... Um artista completo e único, como fez questão de nos lembrar na despedida, naquele quarto golo. Que num único gesto conseguiu meter um quadro de Rembrandt, um poema Pessoa e uma sinfonia de Beethoven.


Que sejas feliz, Nico. Que o novo campeão europeu te saiba tratar como mereces!

Aqui há gato *


 


O debate público à volta dos contratos de associação na Educação, no centro do espectro mediático vai já para umas semanas, suscita-me alguma reflexão sobre a forma como se faz informação em Portugal.


Ou, melhor dizendo, como se manipula a informação para, em vez de informar, desinformar. Para, em vez de esclarecer, em vez de contribuir para que as pessoas possam livremente formar a sua própria opinião, impingir. Impingir a ideia dominante do interesse dominante. Ou, quando isso se torna mais difícil, quiçá mais escandaloso, fazer como se fazem cogumelos: escuridão absoluta e muita porcaria para cima.


Neste debate temos visto de tudo. Temos visto escondê-lo atrás da discussão das virtudes e dos defeitos dos dois sistemas: as virtudes sempre um exclusivo do ensino privado e os defeitos invariavelmente todos no público. Temo-lo visto empurrado para o confronto com as liberdades: da liberdade de escolha e, pasme-se, até da liberdade religiosa. E temo-lo até visto encapuçado de algoz da iniciativa privada, tudo para esconder a simples realidade das coisas atrás de interesses pouco escondidos.


Numa sociedade moderna, desenvolvida, livre e democrática, estas coisas fazem-se à vista, sem truques: ao lobbying o que é lobby, aos jornalistas e aos analistas, o que é informação. Nas sociedades menos transparentes, menos democráticas e menos recomendáveis favorece-se esta confusão, fazendo dela o autêntico berço da corrupção.


Também aqui, também neste domínio, Portugal regrediu muito nos últimos anos. Com jornalistas em situação de grande precariedade profissional, na sua maioria anos a fio a recibos verdes, com vencimentos que não conseguem descolar do salário mínimo, a “informação” fica nas mãos de despudorados manipuladores, que enchem o prime time das televisões disfarçados de comentadores, que a torcem e distorcem ao sabor dos interesses que escondem. Como se escondem os gatos, sempre com o rabo de fora…


Os interesses instalados nos contratos de associação, ao cruzarem-se como se cruzam com a clientela dos partidos do arco do poder, não passam de enormes rabos de muitos gatos escondidos.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Nem todas as vacas voam


 


O governo da dita geringonça tirou o simplex da gaveta onde o anterior governo bota de elástico o tinha enfiado, debaixo da meia dúzia de páginas em tamanho 16, que Portas fez de areia para nos atirar aos olhos. E mostrou-nos o mundo fascinante que a modernização a sério do Estado tem para nos oferecer. Falta lá o voto electrónico, mas isso é mais complicado que pôr vacas a voar... Isso já mete muitas vacas sagradas. Que têm grande dificuldade em levantar voo. 


Não voam de todo!

"Ainda o TTIP"

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A propósito deste texto, e deste tema, não posso deixar de dar o devido relevo ao comentário que um nosso leitor, que "habita actualmente numa zona onde estão a ocorrer coisas", e se assina por Aerdna, deixou na caixa de comentários. Sem mais, nem menos, transcrevo o seu interessante testemunho: 


"Este assunto preocupa-me e muito. Vejo com alguma incredulidade que na imprensa portuguesa pouco ou nada se fala acerca disto. Fala-se do assunto no resto da Europa, mas com argumentos muito mal sustentados. Os factos de que me tenho apercebido que estão a ocorrer, são:- A pressa assumida por Barack Obama em assinar este acordo antes do fim do seu mandato (Why?), e a Merkel que pouco ou nada fala publicamente sobre o assunto, mas pressiona e muito os outros países a aceitá-lo;E o trabalho no campo que já começou para facilitar a entrada do acordo:


-A privatização de tudo e mais alguma coisa nos países em crise, que agora começa a ser aplicado ao resto da Europa. Por exemplo, no caso das águas, aqui em França, o serviço é de qualidade muito duvidosa e caríssima (por falta de concorrência, também). E os franceses comentam que estão a acabar com as fontes de forma a tornarem-nos reféns desses serviços. Este é apenas um exemplo.- A retirada dos direitos laborais conquistados no último século pelos trabalhadores do sul da Europa e que garantiam alguma segurança e dignidade. E agora começaram a retirada aos do norte, também. Etc…A França está em polvorosa e estranhamente não se fala muito disso na imprensa internacional, inclusive em Portugal. O Governo, provavelmente pressionado pela Alemanha e pelos EUA por causa do TTIP, quer passar uma nova lei de trabalho, que prejudica e muito a vida de todos. Faz dois meses que a população e os sindicatos estão em luta. Os deputados pressionados pelo eleitorado começaram a dar sinais de a querer chumbar, e o Governo empezinhado, está a recorrer a artifícios legais duvidosos para a fazer passar à força. Aqui o número 49.3 tornou-se famoso, porque é o artigo em que o Governo se está a apoiar para fazer passar este texto que dá total poder às empresas e retira praticamente todos os direitos e protecções aos trabalhadores. Parece-me que a França foi o escolhido para o primeiro esforço de implantação visível do TTIP. Se passa aqui, onde o povo é activo politicamente, o resto da Europa não tem hipótese. Saiu uma notícia a dar conta de que nas linhas de produção dos aviários estadunidenses os trabalhadores usam fralda para não abandonar o posto de trabalho, e eu já vejo os fabricantes de fraldas a esfregar as mãos de contentamento porque não tarda juntam à lista de clientes os Europeus. Triste fim, para um sonho tão lindo que um dia foi a Europa. Numa década, a sede de dinheiro, o consumo excessivo, o alheamento político da maioria da população e a falta de valores, reduziram as sociedades humanas a escravos, novamente. Recordo o tempo do Rockefeller cujo Poder teve de ser travado pela política. E parece que continuamos a não aprender nada, apesar de a história estar aí a ensinar, as consequências. Os Governos existem para equilibrar as balanças de Poder, se deixar de ter esse papel, não vale a pena continuar a existir. Deixamos de que as empresas façam o seu jogo e não pagamos impostos. Um Estado que não assegura equilíbrio social, não assegura saúde, educação e justiça, não tem razão nenhuma para existir. A luta na França, Alemanha e alguns países do norte contra o texto do TTIP está nas ruas, vamos ver se é suficiente. A imprensa precisa de liberdade, nestas alturas para expor e levantar uma discussão justa. E claramente não a tem, neste assunto nota-se muito pela ausência, a influência "dos interesses" nas redacções. Um ataque terrorista e temos dias e dias do mesmo (o Governo precisa justificar o envio de tropas), manisfestações laborais importantes com muito material exposto nas redes sociais e a imprensa quase em surdina! Ai!Ai!"

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Não há sanções. Há apertos...

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Bruxelas não vai aplicar sanções por violação da meta do défice de 2015: Espanha oblige. O tal que Passos Coelho diz que é de 3%, porque varreu o Banif para baixo do tapete. O tal, que com o BES, deixaram que nos rebentassem nas mãos para não perturbarem a famosa saída limpa...


Acho que já se percebe por que é que Passos e Maria Luís, e com eles o resto da corte, vibram mais com esta notícia que o próprio governo. E por que é que escreveram e telefonaram... 


Entretanto, e como não dá ponto sem nó, a Comissão Europeia aperta o défice para este ano. Para 2,3%, com mais 700 milhões de austeridade. E lá volta o tal plano B. 


António Costa chuta para canto: Qual plano B qual carapuça, o défice que tem no orçamento é já inferior - 2,2%. Pois, o problema é executá-lo. Mas isso só se vê lá mais para a frente... Embora se note já.

Medo

 


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A decisão do governo de baixar, por via dos impostos, o preço do gasóleo para as transportadoras nos postos de abastecimento fronteiriços - deixando desde já o anúncio Imagem relacionadaque a ideia será aplicá-la à totalidade do território no espaço de um ano - poderá até ter alguma racionalidade orçamental, no plano da receita fiscal. Não tem é nenhuma racionalidade económica... E é, politicamente, um monstro. 


Sustenta-se no medo. E o medo não é apenas mau conselheiro: é o epicentro da implosão do poder!


 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Golpe. Sem dúvidas...

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Bastaram dois ou três dias para que, se dúvidas houvesse, as perdessemos. O que se passou no Brasil foi um golpe.


Um golpe desferido por quem não admite que o Brasil deixe de ser um dos países mais desiguais do mundo. Um golpe com apoios externos, como a revelação de Temer como informador da CIA permite concluir. Um golpe que traz de volta o Brasil tenebroso, obscuro e racista, dos coronéis e dos jagunços, que conhecemos do passado, e bem vivo no impressionante desfile de ignorantes e labregos a que assitimos na Câmara dos deputados há duas ou três semanas.


 


 


 


 


 

Secou!

Costa dá novos contratos para apaziguar Igreja e privados


 


Com a agitação desportiva do fim de semana até me esqueci de dizer que o conta gotas já esgotou. Se calhar não foi só o fim de semana desportivo que me fez não reparar que, à sexta semana, já não há gota que caia... É que a coisa acabou mesmo.


Secou de vez. Longe, muito longe das anunciadas centenas de pessoas... Sem chegar a jornalistas, políticos... E com muito pouca vergonha.

domingo, 15 de maio de 2016

Um campeonato irrepetível


 


 


O Benfica é o campeão. É tri-campeão. Conquistou o seu 35º campeonato...


Para os benfiquistas este é um dos mais festejados, se não mesmo o mais festejado de sempre. Ou, dito de outra forma, o que dá mais gozo...


Porque - e se assim não for, assim deveria ser - é o terceiro consecutivo, o tri, que marca objectivamente um ciclo. Que já não acontecia há praticamente 40 anos... Porque foi o campeonato conquistado com a maior performance de sempre: com 88 pontos, que nunca ninguém tinha atingido. Porque esta chegou a parecer uma época perdida, e o atraso para os da frente chegou a parecer irrecuperável. E porque foi um campeonato disputado como nenhum outro.


Basta lembrar que por altura da deslocação a Alvalade a maioria - se não a totalidade - dos observadores, e dos benfiquistas, achava que um empate seria um bom resultado para o Benfica. Porque - dizia-se - o calendário do Sporting era muito mais difícil, e ninguém admitia que não perdesse alguns pontos. Afinal o  campeonato decidiu-se mesmo nesse jogo de Alvalade: a partir daí ambos ganharam todos os jogos. Ombro a ombro, sem que nenhum cedesse...


Completamente fora do que era previsível, e provavelmente irrepetível. Por força da enorme qualidade que Benfica e Sporting apresentaram, mas também da enorme fraqueza que o Porto apresentou. E da quebra do Braga. E da final da Taça de Portugal... Tudo isto fez com que a realidade do calendário do Sporting viesse na prática a ser bem mais fácil do que parecia. Isso e a capacidade com que o Sporting chegou a esta ponta final da época, em resultado da aposta total no único cavalo: o campeonato.


Este foi pois um campeonato raro, se não único. Com os dois primeiros e grandes adversários a discuti-lo a um nível muito supeiror ao de toda a concorrência, como a própria pontuação revela. Pena que a qualidade do futebol do Sporting não tenha tido correspondência em desportivismo. Pena que a competência técnica do treinador do Sporting, que salta à vista que continua a evoluir, esteja tão desfasada do seu carácter... Seria tudo muito mais bonito se o caracter, a educação e a elegância do treinador do Sporting estivessem mais a par da sua competência.


Pena, também, que uma página do facebook que hoje fechou não tivesse fechado mais cedo. Assim só mostra para o que (não) serviu...


 

... E acaba melhor

 



TRICAMPEÃO

Começa bem...

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Começa bem, esta jornada benfiquista de domingo. Começa com o título europeu em hóquei em patins.
Depois de, ontem,  ter conseguido a proeza - muito provavelmente inédita - de, no mesmo dia, conquistar o título de bi-campeão nacional (sem jogar, apenas usufruindo do empate entre o Porto e o Valongo) e o apuramento para a final da Champions, o Benfica começou esta jornada que se espera de glória, com glória europeia numa das modalidades com mais tradições em Portugal.


Depois de, ontem, ter eliminado o Barcelona, o maior colosso europeu da modalidade, o Benfica participou hoje numa rara, se não mesmo inédita, final portuguesa. Com a Oliveirense, que ontem afastara os italianos do Forte dei Marmi. 


Pareceu que Benfica sentiu isso, da final portuguesa. Que seriam favas contadas... Não foram. Aquilo era uma final da Champions, e se era a Oliveirense que ali estava, era porque tinha mérito para tanto. Não era o terceiro classificado do campeonato, a 20 pontos do Benfica, era o finalista da Champions. Era, além disso, a equipa do Tó Neves... Raçuda, quezilenta, provocadora... 


Só na segunda parte o Benfica se apercebeu disso. Ainda a tempo de impôr a sua real superioridade, e virar o 2-3 do intervalo para o 5-3 final. Da festa da Champions, em dia que se espera de muita festa. Mas com uma lição: as vitórias não caem de lado nenhum. Conquistam-se. Até à última gota de suor, como diz o Rui Vitória.. 

sábado, 14 de maio de 2016

Surpresas ... e cheiros...

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Pronto. Está quase tudo decidio na I Liga de futebol. Quase... Falta o decidir o que de mais importante está por decidir: o campeão. Isso fica para amanhã.


Estava há muito decidido quem ia à Champions. Ficou para o último dia a decisão sobre quem acompanharia o Braga e o sensacional Arouca na Liga Europa: o Rio Ave, à  custa do Paços de Ferreira.


Teve de se esperar também pelo fim para ficar a saber quem acompanharia a Académica na descida. Há muito que parecia decidido quem seria o último, mas já há algumas semanas se ficara a perceber que a notícia da morte do Tondela era francamente exagerada. Nos últimos sete jogos, quer dizer, nas últimas sete semanas, o Tondela foi a terceira melhor equipa do campeonato: fez 17 pontos, apenas atrás de Benfica e Sporting, que fizeram o pleno.


Esta decisão cruzava-se com a da última vaga para a Liga Europa, porque já ninguém acreditava que o Tondela deixasse de ganhar o seu jogo.. Ao falhar, o Paços de Ferreira salvou o Vitória Futebol Club, o de Setúbal. A pior equipa da segunda volta. Ao garantir o seu lugar na Liga Europa, o Rio Ave empurrou o União da Madeira para fora...


A este nível a Liga Portuguesa teve dois Leicester: o Arouca, de Lito Vidigal, e o Tondela, do grande Petit. Sensacionais!


Este último - que é penúltimo - dia  acabaria em choque, com a detenção de jogadores e dirigentes da II Liga. Jogadores do Oriental, ao que se diz, por viciação de resultados para fins de apostas. Que atingiriam ainda empresários, ex-jogadores e gente dos Súperdragões. E dirigentes do Leixões, por corrupção activa, e jogadores da Oliveirense, adversário de hoje, por se deixarem corromper. A cheirar a Itália...


Mal, cheiram também as nomeações do árbitros para os jogos do título, amanhã. Com a estória que arranjou, Bruno de Carvalho conseguiu arranjar dois Hugo MIguel: um para si e outro para a Luz. Em Braga, fica com o sportinguista e parceiro de negócio Hugo Miguel. E para a Luz mandou o outro Hugo Miguel... mas com o nome de Nuno Almeida.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Mais difícil ainda...

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Passos Coelho telefonou para a Comissão Europeia, a pedir-lhe que não aplique sanções ao país por défice excessivo. Maria Luís Albuquerque escreveu-lhe uma carta... Assunção Cristas não telefonou nem escreveu. Diz que o governo tudo em mãos tudo o que necessita para levar Bruxelas a declarar que o défice é inferior a 3%...


É a popular - já passou Passos em popularidade - líder centrista a fazer aquele número de circo que anunciado sob o rufar dos tambores como "mais difícil ainda": "minhas senhoras e meus senhores, meninas e meninos, e agora, pela primeira vez, nunca antes visto, Assunção Cristas, mais difícil ainda, num arrojado e inédito número, passa a ferro de uma só vez Passos e Albuquerque..."

Ainda o TTIP

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Na minha crónica de hoje na Cister FM, que a seguir  repoduzo, retomo o TTIP.


"... Trata-se de um acordo de comércio livre, que anda a ser negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos há perto de três anos e que visa criar a maior zona de comércio livre deste lado do mundo, a que chamamos Ocidente. Com inequívocos benefícios de centenas de milhares de milhões de euros para as economias da União Europeia, dos Estados Unidos da América, e até para o resto do mundo, dizem os seus defensores.


Nada disso, diz quem se lhe opõe: este acordo tem apenas por objecto eliminar o papel do Estado, seja na prestação de serviços públicos básicos, seja na regulação. Tem por objectivo maximizar as trocas entre a União Europeia e os Estados Unidos e reduzir tudo o que lhes possa constituir obstáculo.  


Curiosamente, se procurarmos na Wikipedia, a primeira frase que encontramos para definir este acordo é esta: “O tratado visa impedir a interferência dos Estados entre os países aderentes…” Sabendo da tendência simplificadora de todas as enciclopédias, não deixa de ser curioso que esta que agora temos tão à mão, à simples distância de um clique, comece exactamente por aí: o traço de maior identidade do TTIP é justamente o da eliminação do Estado como obstáculo aos negócios.


Não menos curioso será reparar como, para os seus defensores, todos ganham. E muito. E tanto… “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia” – diz-se por cá…


O secretismo que tem envolvido as negociações do acordo é outro dos pontos de clivagem entre quem o defende e quem o denuncia. Dizem os seus defensores que é raro – praticamente impossível – haver transparência na discussão de acordos de comércio. Pelo contrário, o padrão é o sigilo. Torna-se complicado garantir os interesses específicos das partes quando todas as posições são do conhecimento público.


É verdade que sim. E é por isso que política é uma coisa, e negócios são outra. O mal está quando os negócios querem tomar conta da política, introduzindo-lhe as suas regras. O segredo poderá continuar a ser a alma do negócio, mas a da política é a transparência. Não dá para conciliar!


Negócios em áreas como a alimentação, o ambiente, a saúde, a privacidade na internet, e a regulação financeira, por exemplo, são mais que negócios: são o nosso modo de vida. E o nosso modo de vida é política. Nada é mais política do que a forma que escolhemos para viver colectivamente…


Por isso o tema está em discussão em toda a Europa. Por isso mais de três milhões de alemães subscreveram uma petição para que o Acordo não seja assinado. Por isso, depois de, na semana passada, o Green Peace ter divulgado umas dezenas de páginas secretas do Acordo, o próprio governo francês ameaçou suspender a sua participação nas negociações.


Importa discutir se o acordo favorece as grandes empresas americanas e europeias, estrangula e sufoca as pequenas, se lança no desemprego mais de 600 mil europeus, ou se vai generalizadamente empobrecer a população europeia. Mas importa ainda mais discutir se não vai acabar com o maior património do Ocidente: a democracia. A forma de governação democrática que é a essência do modo de vida ocidental.


Em Portugal a discussão vai curta. E atrasada, como sempre".

quarta-feira, 11 de maio de 2016

É assim, no Brasil...


 


A votação que destituirá Dilma, a esta hora, ainda não aconteceu. Mas já são conhecidos os resultados: os senadores, um a um, comunicaram antes o seu voto ao “A Folha de São Paulo”. Mais tarde, lá para o final da manhã, Michel Temer será notificado para formar governo. Que já formou e que já está anunciado...


É assim, no Brasil...

Um debate falso. E falseado!

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O debate da Educação chega esta tarde ao Parlamento. Só que não é de Educação que se trata, é de negócios!


Quando o anterior governo alterou o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, eliminando a obrigatoriedade de os contratos estarem dependentes da carência de oferta pública, permitindo assim que o ensino privado crescesse que nem cogumelos lado a lado com escola públicas, não estava a cuidar de Educação. Estava a cuidar de negócios. Quando Passos Coelho fala de "um produto de oferta educativa fechado” não está a falar de educação. Está a falar de negócios.


Está a falar de um negócio onde se movimenta uma grande parte da própria classe política da área do poder. O que serve para explicar como tão pouca gente - são no total 80 as escolas que recebem os oitenta e tal mil euros por turma, mas não serão muito mais de meia dúzia as empresas que as detêm - consegue fazer tanto barulho. 


Na realidade o governo não está fazer nada mais que repôr a mais simples condição higiénica do negócio, que o anterior cirurgicamente eliminou: o Estado contrata o que precisa, não pode estar obrigado a contratar o que não precisa. E não pode estar refém dos interesses particulares de quem quer que seja!  


 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Carnaval, novela, coelhos...

 


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A política no Brasil presta-se a tudo. Até à comparação com o sexo cunicular. Dilma, e os seus, devem ter atingido o climax na experiência do "é tão bom, não foi"?

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A não nomeação

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Poderia pensar-se que a categórica vitória do Benfica, ontem na Madeira, tivesse finalmente o condão de colocar algum tino nas cabeças dos sportinguistas mais desatinados. Pura ilusão. Nem assim.


Ontem, um deles, na estação pública de televisão, bem pago e normalmente mais bem bebido, não se limitou a defender a "estratégia da mala". Foi mais longe e ofereceu ele próprio, à sua conta, do seu bolso, mil euros aos jogadores do Nacional.


Hoje, na sua habitual homilia "facebookiana" diária, o líder e o mais desatinado dos desatinados, começa a semana com a denúncia da "escandalosa" pressão benfiquista para a não menos escandalosa não nomeação do árbitro Hugo Miguel. Veja-se só o escândalo: o Benfica está a movimentar todas as sua sinistras influências para que, para o seu último jogo, não seja nomeado o árbitro que Bruno de Carvalho gostaria que fosse nomeado.


Verdadeiro escândalo. Absolutamente inaceitável. Onde é que já se viu uma coisa destas?


Não faço a mínima ideia se Benfica está a mexer uma palha que seja para que o Hugo Miguel não "caia" na Luz. Não tenho dúvidas que este é ainda um árbitro da velha guarda. E não me esqueço das suas arbitragens nos dois últimos campeonatos que o Benfica perdeu. Nem da do último dia do último deles, o tal do minuto 92, naquele Paços - Porto final, quando logo no início arrancou um penalti numa falta a meio campo. Não fosse o diabo tecê-las...


Mas estou verdadeiramente escandalizado. Quem se acha esta gente do Benfica para - se for o caso, bem entendido - não acatar a legitimidade soberana de Bruno de Carvalho para escolher os árbitros para os jogos do adversário?


Sim, porque o problema já só está na escolha dos árbitros para o Benfica. Para os do Sporting já todos servem... Porque no futebol, em Portugal, o crime compensa. Continua a compensar.

Dia da Europa

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Assinala-se hoje o dia da Europa, esse sonho perdido nas brumas da memória. A "bicicleta" que tem de continuar a andar, para não cair. Mas "sem ar nos pneus", como hoje diz Shultz, o alemão presidente do Parlamento Europeu. 

domingo, 8 de maio de 2016

À campeão. Para que não haja dúvidas...

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Neste tão badalado jogo da Madeira, o Benfica fez questão de demonstrar por que vai ser, com toda a justiça, de novo campeão. Por causa das dúvidas…


Nem entrou bem no jogo. A velocidade e a intensidade com que entrou não eram suficientes para agarrar um jogo que não se podia dar ao luxo de não ganhar. Coisa temporária, que rapidamente se resolveu. Pouco a pouco o Benfica soube levar ao jogo tudo aquilo que ele pedia. À meia hora de jogo a equipa já asfixiava o Marítimo, encostado à sua baliza. Já tinha uma bola no ferro, com mais magia do Jonas, e o árbitro já tinha feito vista grossa a dois lances para penalti, um deles com o cúmulo de um amarelo - decisivo - ao Renato Sanches. Para controlar danos, o Marítimo começou a deitar mão ao antijogo que se tem visto aos adversários do Benfica, lançando jogadores para o chão, uns atrás dos outros. E contou com a preciosa ajuda do Renato Sanches. Porque a do sucessor do Olegário Benquerença já vinha de trás, do tal penalti não assinalado com cúmulo em amarelo. A expulsão do miúdo, a sete ou oito minutos do intervalo, colocava ponto final no sufoco do Benfica. Que não na imensa superioridade do Benfica. Nem na crença benfiquista!


Com dez, na segunda parte, o Benfica dominou por completo o jogo. Noutro registo, sem sufocos nem asfixias, o Benfica marcou por duas vezes, teve mais uma bola no ferro, e criou mais três ou quatro oportunidades claríssimas de golo. Numa delas o Pizzi cometeu a proeza de acertar no guarda redes deitado no chão… E o tal discípulo de Benquerença deixou ainda passar mais um penalti sobre o Mitroglou.


Isto é “à campeão”. Isto é de campeões… Com mala ou sem mala. Com dez ou com onze. Com o campo encharcado – com os jogadores a escorregarem pelo campo encharcado, ao intervalo voltaram abrir as torneiras – ou seco. Contra tudo e todos, esta sensacional equipa do Benfica esteve-se nas tintas para as contrariedades. Foi-se ao jogo e ganhou-o com toda a clareza.


E vai certamente ser campeão, tricampeão, 39 anos depois… E vai certamente festejar o 35 no próximo domingo!

sábado, 7 de maio de 2016

Caras de pau

 



 


O PSD assinalou hoje o seu 42º aniversário juntando, no Porto, mas à volta do Marão, duas das suas maiores caras de pau: Durão Barroso e, evidentemente, Pedro Passos Coelho. 


Durão Barroso virou-se para o Marão porque o governo português não só não convidou ninguém da União Europeia para a inauguração, como, ainda por cima, não lhe agradece, curvado, os 88 milhões de euros que, para a obra, de lá vieram. Passos, porque não quis por lá aparecer como ex-primeiro ministro, nem - garantiu - apareceria mesmo que fosse primeiro-ministro. Porque, jurou a pés juntos, nunca andou por aí a inaugurar nada enquanto foi chefe do governo... Tinha mais que fazer.


Barroso, com aquela cara de pau torneada por 10 anos de Comissão Europeia, não quis saber quem foi e quem não foi convidado. Achou apenas que aquilo encaixava no seu discurso e na sua dama. Passos, com aquela cara de pau que nunca cora de vergonha, esqueceu-se que, à falta de grandes obras, inaugurava a eito tudo que lhe aparecesse á frente. Até aquela escola que o presidente da Câmara  de Paredes foi descobrir para lhe dar a inaugurar. Para que pudesse continuar a fazer de conta que ainda era primeiro ministro ...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mandam os que lá estão... E os que lá estiveram?

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É hoje inaugurado o túnel do Marão, ligando finalmente em condições decentes o porto de Leixões a Vila Real, a Bragança, a Espanha...


Cai uma fronteira, deixa de fazer sentido falar em para lá do Marão. Não quer dizer que lá deixem de mandar os que lá estão. Que mandem. Que continuem a mandar, agora que certamente ficam com melhores condições para isso. Para outro mandar, aberto em vez de fechado!


António Costa leva muitos convidados à inauguração. Convidou muita gente, e naturalmente convidou os seus dois últimos antecessores: Sócrates, com quem a obra se iniciou (não faz sentido dizer "que a inicou"), e Passos Coelho, com quem teve continuidade, (não faz sentido dizer "que a continuou"), depois de alguns soluços.


Passos recusou. Só vai a inaugurações como personagem principal. Nem que seja a escolas há muito a funcionar, em tempo de resistência activa à realidade. Sócrates aceitou, sem hesitar. E lá estará, encantado, nas suas sete quintas.


Mandam os que lá estão... E os que lá estiveram? Não deixará de ser curioso: Passos recusa-se a ser ex-primeiro-ministro. Sócrates não quer que se esqueça sua condição de ex-primeiro ministro!


 


 


 


 

Stop TTIP ou "A estratégia da aranha"

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"Paciência. Criatividade. Perversidade. São inúmeras, na história da arte, ou na mitologia, as referências às características da aranha. Entre as milhares de espécies existentes, algumas dezenas têm uma picada muito perigosa para os humanos. Há quem se deixe tomar pela aracnofobia, uma rejeição extrema, não apenas da peçonha, como tudo quanto possa estar ligado à aranha. Por exemplo as teias. Como as que têm vindo a ser tecidas em segredo entre a União Europeia e os EUA da América na negociação do TIIP-Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento. Como ontem, numa citação do jornal "Guardian", titulava Joana Azevedo Viana no Expresso Diário, este é "o assunto mais aborrecido com que todos deviam estar preocupados". A aranha move-se silenciosa. Tem o tato e a visão muito desenvolvidos e a paciência bastante para provocar a intrusão na mais absoluta das discrições. O TIIP começou a ser negociado em 2013, mas ageneralidade dos europeus tem andado distraída das consequências de um tratado cuja aprovação e aplicação resultaria numa secundariação absoluta do papel do Estado nos serviços públicos, na segurança ambiental e familiar, com consequências gravosas na regulação financeira, na defesa e privacidade dos cidadãos ou nos direitos laborais, transformados numa espécie de cidadela a varrer do mapa, custe o que custar. O objetivo de reduzir os entraves regulatórios e a burocracia para potenciar ao máximo as trocas entre os EUA e a EU tem sido negociado longe de qualquer olhar. Nenhuma organização não governamental ou parlamento nacional, nem sequer os membros do parlamento europeu têm acesso aos documentos, nem estão à mesas das negociações. Os defensores do acordo, como Luísa Santos, diretora das relações exteriores da Business Europe, uma estrutura do patronato europeu, citada há dias pelo El País, sustentam que "as pessoas que protestam estão contra a globalização e o comércio internacional em geral". No Expresso Diário, Mark Dearce, pertencente à ONG War on Want, afirma que o TTIP representa "a maior tomada de poder pelas grandes empresas a que se assistiu numa geração". Ainda segundo Dearce, "através da desregulação, privatizações e do mecanismo de 'tribunais corporativos', este acordo secreto vai colocar as grandes empresas numa posição em que podem destruir as proteções sociais, ambientais e de saúde, forçar a privatização dos serviços públicos e levar governos a tribunal por causa de qualquer prática que afete os seus lucros". As aranha começam por digerir os alimentos fora do corpo. Só depois da completa captura da presa a cobrem com os seus sucos digestivos e a sugam. Nunca têm pressa. O processo é lento. Mas é implacável, a estratégia da aranha".


Este texto, da autoria do jornalista Valdemar Cruz, publicado no "Expresso Curto", é mais uma excelente contribuição para "STOP TTIP".

quinta-feira, 5 de maio de 2016

À volta de Krugman


 


Paul Krugman voltou a passar por cá. E a defender as teses da anti-austeridade, a apontar o dedo ao fundamentalismo (político) económico reinante na União Europeia e, de uma forma geral, a dar cobertura à política económica do governo.


Apontou os dois maiores riscos da economia portuguesa: o envelhecimento da população - com o que representa de encargos, e com o que dificulta a inovação e o consumo - e a emigração, a caixa da emigração jovem que se abriu nos últimos quatro anos.


Na realidade entendo que Krugman se referia às duas maiores ameaças que pairam sobre a nossa economia e a nossa sociedade: a natalidade - hoje, mais uma vez, em discussão na Assembleia da República - e a emigração. O resto são tretas, modas, ou o que lhe queiram chamar.


O problema, como se qualquer deles não fosse suficientemente grave, é que ambos convergem para o mesmo ponto: o envelhecimento da população. Se, não nascendo gente nova, a população envelhece, envelhece ainda mais quando os mais novos partem, ficando apenas os mais velhos.


Fomentar a natalidade e estancar a emigração - é um fenómeno de pura aberração que um país pobre gaste recursos a formar pessoas para depois entregar os países mais ricos - não é uma mera decisão política. Tem que ser, sem qualquer sombra de dúvida, o principal objectivo estratégico do país. Mas, aí está: sem crescimento económico não vale sequer a pena enunciá-lo. 


 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Irradiações

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Pronto: a Comissão Europeia disse. E disse que as previsões do governo estão exageradas e, como gosta de amedrontar, que a coisa pode ser grave. Que o défice será este ano de 2,7%, em vez dos 2,2% do governo. Porém, bem dentro, pois, e pela primeira vez, das regras do Tratado Orçamental... Isto não disse.


Coisa que, para Maria Luís Albuquerque, com a autoridade de quem sucessivamente falhou todas as metas, é a prova provada que são necessárias as tão reclamadas medidas adicionais. Para Assunção Cristas, é a garantia que as contas do governo não batem certo, que  "Infelizmente não há uma semana que passe que não haja alertas", e que vem aí o apocalipse. E para o presidente Marcelo, lá por terras de Moçambique, é simplesmente uma excelente notícia: não se lembra há muito tempo de um défice tão baixo em Portugal.


Irradiações. Cada um irradia o que quer. E o que pode. Já o presidente irradia o que deve irradiar. Por muito que isso custe ao Passos Coelho... E à Maria Luís. E à Assunção... 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Uma história fantástica

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O Leicester acaba de se sagrar campeão inglês. O Leicester é um clube pequeno de uma pequena cidade inglesa, que na época passada escapou à tangente da descida de divisão. 


No início desta época começou a surgir à frente dos Arsenal, dos Liverpool, dos Chelsea, dos Manhester United, dos Manchester City... Ninguém ligou muito, são comuns alguns fogachos do tipo. São os chamados primeiros milhos, que são para os pardais. Só que os meses foram passando, a equipa não desarmava e, surpresa das surpresas, de lá brotavam três ou quatro dos melhores jogadores da Liga inglesa, a de maior visibilidade mundial, porventura a de maior densidade de súper-estrelas por metro quadrado de relvado. E quando deram por isso o mundo inteiro era fox, tudo era Leicester. Até a Rainha. Até os príncipes...


Entre quaisquer David e Golias, somos invariavelmente pelos David. Quando o David enfrenta não um, mas mais de uma mão cheia deles, somos ainda mais. Deixamos todos de ser do United, do Liverpool, do Arsenal ou do Chelsea e passamos todos a ser Leicester.


Para que toda esta história seja ainda mais fantástica só faltava a fantástica história do seu treinador. Claudio Ranieri é um sexagenário treinador italiano a quem a sorte da vida nunca virou costas. Ou terá virado mesmo, provavelmente da forma mais inclemente que tem de virar as costas. Passou a vida de fracasso em fracasso, sempre com uma nova oportunidade depois de cada desaire. Numa sucessão rara de invejáveis oportunidades passou pelos maiores clubes italianos, por Espanha, por Inglaterra e por França. Sempre com os melhores jogadores à sua diposição.


Quando Abramovich comprou o Chelsea, e enceheu a equipa de craques, foi nele que pensou para chegar ao sucesso. Falhou... e seguiu-se-lhe Mourinho, com o êxito que se conhece. Um outro miionário russo quis fazer o mesmo com o Mónaco. Lembrou-se também de Ranieri. Voltou a falhar...


Fernando Santos deixou o comando da selecção grega, sempre presente nas fases finais das grandes competições, e até campeã europeia. Em 2004, por cá, como nos lembramos todos. Pois... lá chegou nova oportunidade para o italiano. E, pela primeira vez nas últimas décadas, a Grécia falhou um apuramento. E logo no mais fácil e aberto de todos, como era o do europeu que aí vem. Até com as Ilhas Faroe conseguiu perder... Novo fracasso, agora com mais estrondo ainda. Nada que impedisse um modesto clube inglês, acabadinho de se livrar da descida de divisão, de o contratar. Pedia-lhe pouca coisa: que aguentasse a equipa no principal escalão do futebol inglês.


Foi campeão. Pela primeira vez, aos 64 anos. Com jogadores que ninguém conhecia, e que hoje são titulares da selecção inglesa. E estão nas listas de compras dos Golias todos, com preços com zeros que nunca mais acabam...


E o Tom Hanks ganhou uma fortuna. Apostou 100 libras no Leicester... Há histórias fantásticas, não há?

Pela hora da morte...


 


Está pela hora da morte, o preço das vitórias do Benfica. A coisa está tão afinada que, com os outros ou com estes - o Benfica apresentou-se ao jogo de hoje com uma segunda equipa, mantendo apenas os três titulares que o regulamento obriga: o guarda-redes Ederson, e os miúdos Lindelof e Renato Sanches - nada se altera na equipa. Nem o fio de jogo, nem a dinâmica, nem o ritmo. Nem os golos de Jimenez e de Jonas, que lá teve de entrar. E, como não podia deixar de ser, nem o tal o preço alto a que andam por esta altura as vitórias do Benfica. Quase tão alto como, pelo que se vai percebendo, o preço do empate que corre aí pelo mercado...


E pronto, no dia em que o Leicester - no sofá - celebra a inédita e espectacular conquista do título inglês, e no dia do regresso do velho capitão (não; não é Mário Wilson, é mesmo o Luisão), o Benfica apurou-se para a sua sétima final da Taça da Liga, desta vez chamada CTT. Só faltou a duas!


 

STOP TTIP

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O TTIP é a prova provada que o imperialismo existe, está vivo e de boa saúde. Só não se recomenda...


O que é mesmo muito recomendável é que as pessoas não ignorem o que se está a pasar. Depois de muitos alertas,  aí está o Greenpeace com  mais um. Dois milhões de europeus já assinaram uma petição contra este chamado acordo transatlântico... É pouco. É preciso mais. Já não basta reclamar contra o secretismo que tem envolvido as negociações. Agora é preciso evitar que a União Europeia assine essa coisa!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...