quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Um dérbi com incidentes. Chamemos-lhe assim!

Sporting-Benfica a ferver: As imagens que não viu na TV


O dérbi desta noite em Alvalade fica marcado pela arbitragem de um lagarto, no campo, e de um super-dragão, no VAR. Enquanto Fábio Veríssimo ia inclinando o campo, e teve até a lata de assinalar um penálti num lance em que ninguém tocou no Edwards, e ainda por cima precedido de fora de jogo, no VAR, Fábio Melo recomendou-lhe a anulação do golo de Di Maria, que estabeleceria na altura o empate mas, mais que isso, daria completamente a volta ao jogo, como todo a gente percebeu.


Mas isto são os incidentes do jogo. Ou chamemos-lhe assim. O resto foi o jogo. O que foi, o que passou a ser, e o que não chegou a ser.


O jogo tinha em confronto duas ideias de futebol, já se sabia.


Este Sporting, de Ruben Amorim e em especial desta época, tem a sua matriz de jogo bem definida - pressão alta, para recuperar bolas perto da área adversária, alternada com períodos de bloco baixo, a chamar o adversário, para lhe abrir espaço nas costas por onde, nos melhores momentos do seu futebol, lançam alas rápidos ora em diagonais; ora em rápidas variações de flanco. No mais estereotipado basta-lhes lançar aquela espécie de "touro" de dois pés que é Gyokeres.


Este Benfica usa igualmente a pressão alta, e priveligia as transições rápidas através da capacidade de lançamento de Kokçu, da capacidade técnica de Di Maria e da velocidade de Rafa e Neres.


O Sporting faz mais passes - e posse - nas zonas mais recuadas do terreno. O Benfica mais em processo atacante. O Sporting é mais agressivo na disputa de bola. O Benfica não tem jogadores com as características de Hyulmand e Morita. 


Para impôr o seu estilo de jogo a um adversário como este Sporting, os jogadores do Benfica têm que ser perfeitos no passe e na recepção, precisamente o "alfa" e o "omega" do futebol. E hoje estiveram longe de o ser. Em especial Kokçu e Neres. 


O Sporting marcou cedo, ao nono minuto, no primeiro remate do jogo. Da cabeça do Pote, ao segundo poste sem marcação, a bola foi ao poste de daí para dentro da baliza. A ganhar desde bem cedo o Sporting ficava com o jogo a jeito, e passou gradualmente a impôr o seu futebol. O Benfica, falhando passes e recepções, perdia rapidamente a bola, permitindo ao Sporting ao domínio completo do jogo. Foi assim até ao intervalo.


A estratégia "de bola para o Gyokeres que ele resolve" só não funcionou porque António Silva ia salvando a nau, encontrando sempre forma de se opor ao ponta de lança sueco. O que o miúdo conseguiu praticamente sempre, não conseguiu Otamendi quando lhe chegou a vez de ficar na "cara do touro", e deu no 2-0, novamente com a bola a ressaltar do poste para dentro da baliza. Ao mesmo minuto 9, agora na segunda parte. 


Que começara com uma substituição estranha de Roger Schmidt, ao retirar Bah, o único lateral de raiz na equipa, para entrar Morato para a esquerda, com Aursnes a passar para a lateral direita. Nada mudava, e a ganhar já com uma vantagem confortável, o Sporting ia segurando a bola e controlando o jogo. Das bancadas saíam olés, que tiveram o condão de "acordar" dos jogadores do Benfica. 


Shmidt fez entrar Tengstedt para o lugar de Neres, o mais adormecido de todos. E os jogadores do Sporting começaram a evidenciar a quebra física que já não lhes permitia correr atrás das bolas todas (houve momentos impressionantes, e não foram poucos, em que eles partiam de mais longe da bola que os do Benfica mas chegavam lá primeiro) nem tapar todos os espaços. O jogo estava a mudar a olhos vistos e, ao minuto 68, Koçu abriu para Di Maria (esse nunca dormiu) que assistiu Aursnes para o golo. 


Três minutos depois Di Maria foi por ali dentro e, já bem dentro da grande àrea, rematou como só ele sabe. Era o empate, e o fantasma abatia-se sob as bancadas de Alvalade que pouco antes cantavam olés. Faltavam mais de 20 minutos e nunca se saberá o que iria acontecer. Sabe-se é que o super-dragão no VAR conseguiu - sem grande dificuldade, percebeu-se que era o que mais queria - convencer Veríssimo que Tengstedt, em fora de jogo posicional, tinha tido intervenção no lance.


E o jogo que poderia a partir daí ter acontecido não chegou a acontecer. O Sporting foi substituindo toda a defesa e meio campo, com muitos jogadores já de gatas. Até as pilhas falharam finalmente a Gyokeres, a demonstrar que afinal é humano, e as bancadas, que antes cantavam olés, exigiam ao seu amigo do apito que acabasse o jogo.


E assim o Benfica voltou a perder, três meses depois. Perder é sempre mau, no Benfica é péssimo. Jogar o que o Benfica jogou na primeira parte não é desejável que se repita. Mas a equipa saiu viva, e com bons sinais de saúde física. Viva para, daqui a mais de um mês, na Luz, disputar a passagem à final do Jamor, de que já temos muitas saudades. E para o jogo do próximo domingo, no Dragão!


 

Coincidências

Marcelo diz que ataques com tinta por ativistas climáticos perderam eficácia


Desde que é Presidente da República, e nessa função, seja em que eleições for, das autárquicas às legislativas, Marcelo encontra sempre maneira de cruzar algures, num evento qualquer ou por "mera casualidade", com o candidato do seu partido durante a respectiva campanha eleitoral. Ontem, na abertura da Bolsa de Turismo de Lisboa, uns imbecis atiraram uma lata de tinta a Montenegro, que teve de perder uma hora para tomar banho e tirar a tinta do cabelo - que não "a irritação na pele e na face" - fizeram gorar "a coincidência" e Marcelo já só encontrou Nuno  Melo. E teve que se limitar a um simples "está tudo a correr bem?".


Que sim, à excepção de uma lata de tinta, respondeu o líder centrista. "Já ouvi falar" - respondeu!


E pronto. Não deu para mais. Pode ser que fique para a próxima...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

O clima que para aí anda

Luís Montenegro atingido com tinta verde por ativistas


Aqueles a quem chamam activistas do clima, ou são imbecis; ou são agentes de provocação recrutados cirurgicamente para fins eleitorais. Podem ser uma coisa ou outra. Ou até ambas. O que não são, de certeza, é defensores de coisa nenhuma. Menos ainda da causa climática!

120 anos - Parabéns Benfica

Parabéns ao Sport Lisboa e Benfica pelos 120 anos : r/PrimeiraLiga


 


120 anos de glória. 120 anos a construir paixões. 120 anos a envaidecer-nos. 120 anos de um orgulho muito seu. 120 anos nos campos a vibrar!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Ora aí está. Nao é exactamente novidade. Nem este novo emprego do quarto elemento da troika, nem a confirmação de que a melhor qualificação que há em Portugal é a de ex-ministro! 


E para que a coisa parecesse mais limpa nem faltou trabalho de lavandaria...


 

Passos, Montenegro e a sueca

Depois da intervenção de Passos Coelho, António Costa terá de vir à campanha  eleitoral, até porque a situação está fácil para o PS" | CNN Fim de Tarde |  TVI Player


Passos apareceu logo no arranque da campanha, levando a malta do comentário televisivo ao êxtase: era trunfo forte de Montenegro, jogado logo no início.


Não é. Passos é hoje uma carta seca. Bem se vê que nunca jogaram à sueca. Na política, como na sueca, as cartas secas - ou furadas, é a mesma coisa - jogam-se logo no início. Os trunfos guardam-se para a melhor oportunidade. E o ás de trunfo está sempre à espreita da bisca. 


Os profissionais que trabalham na campanha de Montenegro sabem jogar à sueca. Se tinha que ser - e tinha porque, estando no baralho, tinha que estar naquela mão - então que fosse logo no início, para não atrapalhar lá mais para a frente. E para dar tempo para ser esquecido. 


 A direita do comentário político é que, pelos vistos, nem as cartas distingue. Para eles são todas do mesmo naipe!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Sem as facilidades que os números (3-0) sugerem o Benfica garantiu o apuramento para os oitavos da Liga Europa. Até porque foi sempre ficando a sensação que a equipa estava brincar com o fogo, deixando correr o jogo sem se aperceber que, assim, equipa grega ia mantendo acesa uma chama que não ateava apenas o fogo com que os jogadores do Benfica brincavam.


Não deixa de ser curioso que essa chama, que os jogadores do PAOK procuravam segurar como quem segura uma vela milagreira, tenha partido nas mãos de um jogador que o público da Luz não esquece. Katsouranis saiu sob forte aplauso da bancada, mas levou com ele essa chama, deixando que no relvado ficasse apenas a chama imensa. E com essa não se brinca, essa queima mesmo o adversário!


Na sequência da falta que lhe valeu a expulsão – indiscutível – Gaitan abriu o marcador com um golo soberbo, na marcação do respectivo livre. Depois, contra dez, vieram mais dois golos - o último mais uma obra-prima do Markovic – e poderiam ter surgido muitos mais. Que a equipa há muito devia ao jogo!


E a rotação de jogadores continua. Desta vez a equipa inicial repetiu apenas dois jogadores (Luisão e Sílvio) da equipa que iniciou o último jogo com o Guimarães. Sálvio continua o seu processo de recuperação, e hoje teve mais que minutos. Teve uma hora. Como Cardozo, que apenas hoje regressou…


A baliza continua imaculada – mesmo que o Artur quase tenha comprometido, perdoando-se-lhe a falha pela eficácia com que a remediou - e, como muito boa gente diz, os jogos começam a ganhar-se na defesa.


O Porto, algures na Alemanha, eliminou uma equipa alemã qualquer com o improvável resultado de 3-3. Os serviços mínimos, o primeiro resultado que, sem ganhar, lhe servia. Mesmo assim notável para este actual Porto que, reproduzindo e vingando o que aqueles mesmos alemães lhe haviam feito na semana passada no Dragão, ergueu-se do buraco fundo e negro onde bem cedo caíra.

Transparência

Claroscuros de la Ley General de Transparencia | Chiapasparalelo


O Expresso divulgava este fim de semana uma sondagem promovida pela Sedes (Associação para o Desenvolvimento Económico), feita pela Pitagórica. Esta divulgação é apresentada como "Perspetiva do Cidadão sobre as Propostas da Sedes” e diz resultar "da recolha de informação feita entre 16 de janeiro e 12 de fevereiro, através de entrevista telefónica". 


A Sedes é uma velha e respeitável organização de intervenção política e social bem conhecida, como conhecidos são os seus membros, pelo menos os mais destacados. É natural que se promova - e pague, ou recolha financiamento para isso - estudos de opinião sobre os temas que coloca em agenda, e defende. Não é isso que está em causa. É outra coisa, e já lá vamos.


Os dados revelados pelo estudo - repito, todos temas de propostas da Sedes - indicam que 47% dos portugueses são favoráveis ao aumento dos gastos com a defesa nacional, com igual percentagem a ser favorável ao regresso do serviço militar obrigatório; que 70% considera necessária uma revisão constitucional; que 75% acredita que é alto, ou muito alto, o nível de corrupção no país; que 67% entende que não há suficiente separação entre política e justiça; e que 60% são favoráveis à regionalização.


Até aqui nada de especial. 


Depois a coisa começa a cheirar a esturro quando, como se pode confirmar pelo link acima, começa por anunciar que ""35% confiam “pouco ou nada” na saúde pública em Portugal, apenas 26% confiam “totalmente ou muito”, enquanto 39% confiam “razoavelmente”". Olhamos, e vemos que o número que indica que 65% dos portugueses confia na saúde pública em Portugal - SNS, evidentemente - está escondido por trás dos  26% confiam “totalmente ou muito”, e dos 39% confiam “razoavelmente”. E que o que é enfatizado é o dos restantes 35% que confiam "pouco ou nada". 


Mas não se fica por aqui. Quando o tema muda para o sector privado da saúde, escreve-se que "por oposição... 33% dos inquiridos confiam “totalmente ou muito” e 15% confiam “muito pouco ou nada”. Ora, se a aritmética não é uma batata, o que o estudo diz é que apenas um terço dos portugueses confia na oferta privada de saúde, número que até bate certo com os dois terços que confiam no SNS. A aritmética bate certa, o português - "por oposição" - é que não!


Se até lá acima "nada de especial", até aqui o cheiro a esturro vem da manipulação dos números na forma como são apresentados. Mas há mais.


O estudo revela que 73% dos portugueses são favoráveis à criação de um Senado, de uma segunda câmara no Parlamento, precisamente uma das propostas da Sedes. Outra é a da criação de círculos uninominais, que 71% não sabe o que é.


Se até aqui era a aritmética que não batia certo com o português, agora já nada parece bater certo. Que 60% seja favorável à regionalização poderá ser aceitável. A regionalização está no debate público há muito tempo, e até já rejeitada em referendo. Já foi há muito tempo, e a posição dos portugueses poderá hoje ser outra, a contrária. Que 73% dos inquiridos apoie a criação de um Senado - que não me lembro de alguma vez ter andado pelo debate público, e que representaria mais uma Instituição Política (mais lugares para a classe política, quando esta não anda lá assim tão bem vista) parece pouco aceitável. E não bate mesmo nada certo com os 71% que não sabem o que são círculos uninominais, bem mais presentes no debate público. Que uma tão grande maioria conheça, e seja a favor da criação de um Senado que não faz parte do debate público, mas não faça ideia do que são círculos uninominais, tema praticamente tabu na discussão política - é certo - mas, ainda assim, trazido a debate uma vez por outra, não faz sentido. 


Em suma, temos aqui um "dois em um" muito comum neste jardim à beira-mar plantado. Estudos de opinião, sob as suas mais diferente formas, que no fundo apenas pretendem "validar" as posições de quem os encomenda; e, ainda por cima, o enviesamento da apresentação - filtragem, como agora se diz - dos seus resultados de acordo com os interesses de quem os publica. E mais um exemplo de que a falta de transparência é certamente mãe dos maiores  problemas da nossa vida colectiva!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Parece-me que o Carlo Anceloti anda a querer dizer qualquer coisa ao José Mourinho. Baixinho, sem ondas, sem se dar por nada ...


O Special One faz-se de desentendido, e lá vai dizendo que este Barcelona é o mais fraco dos últimos anos... 


Até pode ser. Mas este Real Madrid ... Caramba, isto é que é jogar à bola!


E logo quando parecia que não havia adversário para o Bayern do ano passado, quanto mais para o Bayern de Guardiola...

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Dia do quatro


Quando a instalação sonora da Luz deu a conhecer o onze do Benfica para este jogo com o Portimonense, terão sido poucos, entre os quase 60 mil nas bancadas, os que ficaram desconfiados. 


Num jogo em casa, contra um dos aflitos, que se sabia vir defender com toda a gente em cima da sua baliza, jogar sem qualquer ponta de lança, não fazia sentido. Como a embirração com Roger Schmidt é já mais que muita, soava a "invenção" - "lá está ele a inventar outra vez". Ou então a embirrar connosco, quando só nós é que podemos embirrar com ele.


Eu, que não sou de embirrar, e que acho que a motivação de um treinador profissional nunca poderá ser a de embirrar com ninguém, tentei perceber o que poderia ter passado pela cabeça do treinador do Benfica. Não tendo Tengstedt - claramente o "nove" da sua confiança para jogar da forma que é a sua - terá começado a fazer contas, pensei: somou os golos dos ponta de lança disponíveis e concluiu que, todos juntos, marcam bem menos golos que Neres, João Mário, Di Maria e Rafa. 


Na minha cabeça aquilo começou a fazer sentido. E comecei a lembrar-me que venho há muito reclamando que o lugar de Kokçu é mais adiantado, na função condizente com o número 10 que Rui Costa lhe ofereceu. Que mais recuado, como tem jogado sempre, é um desperdício. Só que nessa posição joga o Rafa, e não deve haver ninguém, em perfeito estado de saúde mental, que possa achar que deva sair para jogar o internacional turco.


Portanto jogar sem ponta de lança era a fórmula de tirar o melhor de Kokçu e manter em campo quem faz golos. Correu bem. Schmidt não inventou nada, foi racional.


A primeira parte mostrou logo que a equipa jogava bem, dentro daquilo que é a ideia de jogo de Roger Schmidt. O Portimonense comportou-se como era esperado, a defender com todos em cima da área, protegida por um muro e ocupada por uma floresta de pernas. Não era fácil passar pelo muro e, depois, ainda desviar-se das pernas todas que surgiam. Mas o Benfica tentou. Por fora e por dentro. Em tabelas e diagonais. Por vezes mais pelo meio que o desejável, nem tudo era perfeito, mas a equipa nunca desistia. Nem nunca se desorganizava quando perdia a bola, não consentindo qualquer oportunidade ao Portimonense de sair lá de trás.


Não marcou, é certo. Mas criou uma mão cheia de grandes oportunidades para isso, com o guarda-redes Nakamura a defender tudo, já a ameaçar tornar-se intransponível.


Ao intervalo, o 0-0 não contava nada. O que animava as bancadas e espalhava benfiquismo era Diogo Ribeiro, e as suas duas medalhas de ouro.


Para a segunda parte nada mudou. E na verdade não havia nada que mudar, a não ser a bola entrar. Sabe-se que muitas vezes não entra, mas também se sabe que quando é bem jogada está mais perto de entrar. E que há coisas mágicas; às vezes apenas um número. O de hoje era o 4! 


As bancadas usaram o minuto 4 para aplaudir António Silva, numa comunhão de sentimento de pesar pela perda do avô. Como guardariam o 87 para João Neves, entretanto já ambos no banco, pelas mesmas razões pela perda da mãe.   


Foi em quatro minutos que o Benfica derrubou o muro, desbaratou a floresta de pernas. E Nakamura conseguiria defender tudo, menos quatro golos. E que golos!


Aos 10 minutos "o ponta de lança" Rafa, a passe de Bah, marcou o primeiro. De trivela, a enganar Nakamura. Dois minutos volvidos foi Neres, lançado por Kokçu, a fazer tudo, concluindo com um drible ao guarda-redes. E, mais dois depois, um passe de trivela de Rafa deixou a bola para mais um grande golo, de Di Maria - pois claro. Do trio de ataque faltava ele. Três golos em 4 minutos. E sem a pressão do resultado o futebol do Benfica ia-se refinando.


O número era o 4. Por isso o quarto golo - bis de Rafa, pois claro - apenas chegou à meia hora. Por isso Nakamura continuou a defender tudo. Por isso o golo foi anulado (e bem, por fora de jogo) à quinta vez que a bola entrou, num espectacular chapéu de Tiago Gouveia (que já substituíra Neres, e entrara com Florentino), que daria um golo para emoldurar. 


Os pontas de lança entraram, sim. Mas já tudo estava mais que resolvido. Primeiro Arthur Cabral e, depois, já muito em cima dos 90, como é habitual, Marcos Leonardo. E claro, não marcaram.


No fim, fica um bom jogo, a dar ânimo às hostes. Até à próxima quinta-feira ... E fica a certeza que não temos mesmo lateral esquerdo. Que já se esgotou a experiência Morato, que o Alvaro Carreras está verde, e que nos valha Bah, que assim lá permite que Aursenes resolva mais esse problema.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A Alemanha anunciou hoje défice orçamental zero em 2013. Tecnicamente zero, porque na realidade foi um superavit de 300 milhões de euros!


Muita gente virá dizer que sim senhor, que os alemães são assim, gente de rigor, que só gasta aquilo que pode… Como deve ser… Dirão mesmo que é por isso que têm todo o direito de impor regras aos outros. Que, sendo disciplinados, têm legitimidade para impor a sua disciplina!


Pois. Mas para eles não quiseram austeridade, e por isso tiveram crescimento económico, e com ele maiores receitas. E com crescimento, e mais receitas, tiveram taxas de juros baixíssimas, quando não nulas ou negativas. Menos despesa  e menor défice…


A pescadinha de rabo na boca. Que impõem aos outros, mas às avessas, com muito menos boca e muito mais rabo… Que se lhes deixa sempre a jeito, para que dele disponham como muito bem lhes apeteça!

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Dois anos de guerra

Guerra na Ucrânia: há um “pessimismo crescente” na UE, só 10% dos europeus  acreditam na vitória dos ucranianos - Expresso


Era coisa para se resolver num fim de semana. Era coisa simples. Nada mais que pôr os pontos nos is que Putin vinha desenhando desde que sentara no trono do Kremlin. 


Não foi bem assim, e já lá vão dois anos. Cumprem-se hoje. Foi a 24 de Fevereiro de 2022 que a Rússia invadiu a Ucrânia, e o que Putin tinha por mera formalidade tornou-se numa guerra sem fim à vista.


Que não falte apoio aos ucranianos para continuarem a resistir. A nossa liberdade depende da sua resistência!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


É costume ouvir-se dizer em futebolês que um jogo teve duas partes distintas. Pois nunca vi um jogo com duas partes tão distintas como este de hoje, na Luz.


Na primeira parte foi um Benfica demolidor, de futebol ao primeiro toque que deixava os jogadores do Vitória de olhos esbugalhados, sem saber o que fazer. Uma oportunidade de golo claríssima, anulada a meias por Rodrigo - exigia-se mais força no remate – e pelo guarda-redes Douglas, logo no primeiro minuto. E outra logo de seguida, sempre com uma imaculada circulação de bola pelo meio.


A particularidade é que essa primeira parte teve apenas quatro minutos, e em vez do apito final do árbitro foi um choque de cabeças a separá-las. Um choque entre dois colegas de equipa – Enzo e Jardel – logo na madrugada do jogo!


Depois, na longa segunda parte de 86 minutos, foi outro jogo, mesmo um dos piores desta fase do Benfica. Os passes já não eram os mesmos, o jogo perdeu fluidez, e só Markovic - enormíssimo, este miúdo de apenas 19 aninhos - esteve ao alto nível do que a partida prometera na tal primeira parte. Criou oportunidades, umas atrás das outras, que os seus colegas iam sucessivamente desperdiçando. Até perceber que, para ganhar o jogo, tinha de ser ele próprio a marcar. Puxou dos galões e fez um golo fantástico, mais um.


Nos segundos 45 minutos – que não na segunda parte, essa foi maior – o jogo foi apenas perdendo qualidade, à medida que Markovic – é humano – foi perdendo fulgor. O Benfica continuou a criar oportunidades de golo, coisa que o Guimarães nunca conseguiu fazer, apesar de, à medida que o jogo se aproximava do fim, conseguir criar alguma instabilidade no jogo. Que acabaria de forma pouco condizente com o brilhantismo que o Benfica vinha apresentando!


O futebol não é certamente uma ciência oculta. Por isso percebe-se o que aconteceu. Começou por acontecer que, pelo acidente das cabeças ou não, Enzo Perez não esteve hoje em campo. Esteve lá com a camisola 35, mas não esteve lá aquele que vem sendo o jogador mais influente da equipa. E aconteceu que também o Jorge Jesus de hoje não foi o novo Jorge Jesus, e frente à sua besta negra esteve mal. Não percebeu que quando não há Enzo tem de haver Rúben Amorim, nem que aquele jogo não estava nada a jeito do actual Sálvio.


Mexeu mal e fora de tempo na equipa.


Também a arbitragem tem alguma coisa a ver com o caminho que o jogo tomou, permitindo todo o tipo de faltas aos jogadores vitorianos, chegando ao cúmulo de, para não os sancionar disciplinarmente, pura e simplesmente as ignorar.


Ficam poucas saudades deste jogo. Mas fica a magia que Markovic por lá espalhou, e o alargamento para cinco pontos da distância para o segundo classificado… E o jogo 400 de um senhor que responde pelo nome de Luisão. Parabéns, capitão!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O fim-de-semana está a chegar ao fim e o Congresso do PSD já lá chegou. Acabou a festa, acabou o espectáculo, acabaram os números de ilusão e magia... É tempo de voltar à realidade!


Amanhã é segunda-feira e tudo vai estar como deixamos na sexta. Nada mudou, mesmo que Marcelo tenha mudado alguma coisa, e Cristo volte, como Relvas. E que Seguro se tenha deixado ir a reboque de Rangel, e que Assis tenha deixado de se importar de ser a terceira ou quarta escolha ...


Não há meio desta gente se entender com a realidade!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Não foi bonito, não


Esta tarde, em Toulouse, o Benfica escapou a uma eliminação humilhante neste "play off" de apuramento para os oitavos de final da Liga Europa, mas não escapou a mais uma exibição deprimente. Salvou-se o apuramento, mas a prestação da equipa voltou a ser medíocre.


Roger Schmidt apresentou uma equipa estranha - para não lhe chamar outra coisa - para os objectivos que certamente estabelecera para este jogo. Com uma vantagem escassa, de apenas um golo pelo 2-1 da Luz, há uma semana, o objectivo não poderia ser o que, no fim, pareceu ser único - defendê-la. Teria de ser mandar no jogo, dominá-lo, marcar e ganhar. Com a evidente diferença de qualidade para o seu adversário - sim, ganhou no último jogo do campeonato no Mónaco, mas é o 13º classificado do campeonato francês - não poderia ser outro.


Por isso é que é estranha a equipa apresentada. Na defesa a novidade foi o regresso de António Silva, depois do falecimento do avô. De resto tudo normal, até porque é cada vez mais claro que ainda não foi desta que se resolveu o problema do lateral esquerdo, lá terá de estar Morato. O que não é normal é que esteja cada vez menos adaptado.


No meio campo poderia não haver João Neves, em sofrimento pela perda da mãe, no domingo, logo após o jogo. Mas quis jogar, e jogou. E foi extraordinariamente confortado pelos adeptos. Ao seu lado João Mário, como no jogo com o Vizela. Só que este era outro jogo. Pelo que jogara no domingo passado, na frente teria de haver lugar para Neres. Rafa e Di Maria têm, como João Mário, lugar cativo. O nove voltou a ser Tengstedt, e a equipa acabava por ser de quatro jogadores para defender e seis para atacar.


Poderia parecer uma equipa para atacar, dominar o jogo e ganhá-lo. Mas era apenas uma equipa partida a meio, com tudo a cair em cima de João Neves, agarrada a todos os santinhos para defender o 0-0.. 


Enquanto, na primeira parte, o Benfica conseguiu impor a superioridade técnica dos seus jogadores, e com isso ter bola, ainda foi possível disfarçar um bocadinho que as duas metades estavam escaqueiradas. Ainda deu para três boas oportunidades de golo, desperdiçadas por Rafa, Di Maria e António Silva. Os jogadores do Toulouse encolhiam-se e só davam uns "safanões" de vez em quando. Quando o faziam, usando o poder físico, e a velocidade e explorando as faixas laterais, os problemas da equipa do Benfica ficavam à mostra.


O pior foi quando, "perdidos por um perdidos por cem", à medida que o tempo avançava pela segunda parte dentro, os "safanões" passaram a ser constantes. Aí é que já não deu para disfarçar nada. As alterações de Schmidt ao intervalo não só não mudavam nada de estrutural - Morato e Tengstedt ficaram no balneário para entrarem Alvaro Carreras e Cabral - como correram mal ao nível da prestação individual. 


Aursenes (para a saída de Neres) só entrou a 20 minutos do fim, já não havia por onde colar a equipa. E Kokçu, a 5 minutos do fim, por troca com Di Maria, já só entrou para servir de "bombeiro".


Não foi bonito, não. Foi mesmo feio de mais, e valeu Trubin e mais uns santinhos quaisquer.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O mega espetáculo em que as televisões transformam a super-produção que é o Congresso do PSD contou com a participação de uma vedeta surpresa. O artista convidado, mesmo que, ao que disse, auto-convidado, fez jus ao seu estatuto de vedeta de primeira grandeza e tomou conta do espectáculo. Mas deu um jeitão!


Deu jeito ao Passos mas, como não há almoços grátis, deixou-o encostado à parede. Só falta o Congresso - que resolveu a contra gosto (Menezes desbocou, mais uma vez) o problema das europeias -  resolver também já o problema das presidenciais e decidir o apoio à candidatura da vedeta. Provavelmente não têm lata para tanto. Mas já não há volta a dar, já não há cata-vento nenhum. E, como se viu, essa coisa de ser comentador político, em vez de ameaça é oportunidade. E que oportunidade!


 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Às portas do congresso do PSD Luís Montenegro, mais um cromo da actual nomenkclatura do partido, e líder parlamentar, deu uma entrevista ao JN em que, por entre outras alarvidades, diz que os portugueses estão pior, mas que o país está melhor.


Não há dúvida que esta gente, por ignorância ou por arrogância – ou talvez mesmo por ambas – não faz sequer o mínimo esforço para se desviar dos maiores buracos da sua esburacada estrada ideológica. As pessoas não existem, existem números e um conjunto de institutos a que se chama país. Que as pessoas, que os portugueses estejam pior, não tem qualquer relevância. Não importa!


As pessoas apenas servem para atrapalhar o caminho brilhante que eles pretendem trilhar para o país. O país está melhor, dizem eles. Uma, duas, cem, mil vezes. As vezes que forem necessárias, em qualquer sítio e circunstância.


Ninguém – ou muito pouca gente - acredita. Não é isso que se percebe na cara das pessoas. A bota não joga com a perdigota, eles dizem que o país está melhor mas as pessoas sentem que estão cada vez pior.


O chefe da banda parlamentar do PSD veio agora resolver esta discrepância e pôr a bota a jogar com a perdigota. Tudo claro: afinal o país está mesmo melhor, e as pessoas estão mesmo pior. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, o país simplesmente não tem nada a ver com as pessoas!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Há bem pouco tempo tínhamos a paz como dado adquirido na Europa. A União Europeia tinha nascido para isso, para que a Europa não voltasse a ser destruída pela guerra…


Assistimos, no início da última década do século passado, na Península Balcânica, à primeira grande ameaça a essa paz dada por garantida. Aí rompeu o primeiro e o mais sangrento conflito europeu do pós guerra. E, curiosamente, aí se percebeu também pela primeira vez quão longe estava a União Europeia de ser capaz de garantir sequer a sua mais básica missão. Aí percebemos – ou percebeu quem quis, porque há sempre quem não queira perceber o que não quer perceber – que a União Europeia nunca seria uma União. Que nunca as potências europeias renunciariam aos seus interesses particulares a favor de um interesse geral e colectivo, mesmo que em causa estivesse o seu maior e principal desígnio: a paz!


O que se passa hoje na Ucrânia, mais de vinte anos depois, é uma segunda, e de novo séria, ameaça à paz na Europa.


O que se está a passar na Ucrânia passa-se no coração da Europa. Não é lá longe, no extremo leste, às portas da Rússia. É às portas da Rússia, mas também às portas de Viena, de Varsóvia ou de Berlim. O que se está a passar na Ucrânia não é tão linear quanto possa parecer, com bons (pró-europeus) de um lado e maus (pró-russos) de outro. Lá estão o poder corrupto e autoritário e a oposição híbrida e informal, vazia de liderança. Mas também o radicalismo de extrema-direita interessado na violência acima e antes de tudo. O mesmo radicalismo que os sucessivos falhanços da União Europeia fizeram renascer e crescer por toda a Europa, como ameaçadoramente se vê já na Grécia e em França…

Esclarecedor, esclarecido e esclarecimento

As cinco divergências do frente a frente entre Luís Montenegro e Pedro Nuno  Santos | Euronews


Foi maçador e pouco edificante o "debate dos debates", ontem, entre aqueles dois donde sairá o próximo primeiro-ministro. O atributo-mor que os ditos analistas atribuem a estes debates é o adjectivo esclarecedor.


Pretende-se, ou deseja-se, que sejam esclarecedores. Normalmente nunca são. No que de ontem teve de esclarecedor só se deu por um esclarecido - sem ser esclarecido, ninguém consegue ser esclarecedor.  Em apenas dois pequenos esclarecimentos, mas afinal grandes.


Pedro Nuno Santos foi esclarecido quando esclareceu que às forças de segurança compete cumprir e fazer cumprir a lei, e com isso defender a população. E que nenhum governo pode negociar sobre pressão. Voltou a ser esclarecedor quando, esclarecido, afirmou não inviabilizar a posse do governo do adversário no caso de não ganhar as eleições.


Foi pouco, mas não é pouco. Foi o suficiente para ficasse esclarecido que Montenegro não tem esclarecimento.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Em plena festança, no meio do foguetório contratado para abrilhantar as festividades que se presumiam durar até Maio, com um segundo fôlego já preparado para o próximo ano, começaram a cair alguns pingos grossos para arrefecer os ânimos. Nada a que não estejamos habituados, tanta tem sido a chuva, tanta tem sido a àgua...


Quando ontem ouvimos o ministro Pires de Lima retratar-se do seu milagre económico, reconhecendo que se excedera e que não há milagre nenhum, lembrá-mo-nos logo do soldado fiel e obediente. Afinal o chefe máximo tinha-se demarcado da expressão na sexta-feira passada, no debate quinzenal... Não nos lembramos - nem poderíamos - que o FMI tivesse reservado para hoje a divulgação do Relatório da X avaliação que viria despejar um enorme balde de água gelada na festa que por aí corre. Percebemos agora que Pires de Lima não é apenas um soldado obediente, é também um soldado informado!


Mais informado que o seu chefe de partido que ainda hoje continuava a deitar fogo de artifício com as exportações quando, com o mesmo relatório, o FMI as tinha deixado completamente enxarcadas de água bem fria. A verdade é que poderá nem ter sido por falta de informação, Paulo Portas é bem rapazinho para pensar que ninguém dará por isso. Sabemos que é bem capaz de estar convencido que consegue falar por cima da realidade, fazendo-se ouvir ao mesmo tempo que a abafa!


Uma coisa é certa. Por  muitos nomes que agora venham a chamar ao FMI, por muito que agora digam que eles não percebem nada do país, que nunca aprendem e outras coisas semelhantes, é muito difícil que a festa não fique estragada. Porque eles podem não preceber nada de receitas - e acho mesmo que não acertam uma única - mas vêm o que todos vemos, e que esta gente, para continuar a festa, não queria que ninguém visse. Vêm, e dizem-no com todas as letras - como aqui se anda a dizer há não sei quanto tempo - que o grosso das exportações vem do petróleo, que nenhuma reforma foi feita, que tudo o que o governo conseguiu foi com impostos colossais e insuportáveis e que o equilíbrio das contas externas se deve excusivamente à quebra conjuntural do consumo interno.


Já todos tínhamos percebido que a Comissão Europeia não estava para aí virada, que estava mais interessada em participar também  na festa, impeturbável. Também o BCE estava mais interessado em manobras de diversão, arranjando até uma terceira via de saída do programa. Chamou-lhe monitorização reforçada, e bem poderá ser a bissectriz entre o ar de festa estampado na cara da Comissão Europeia e o ar carregado do FMI, a reclamar mais cortes e mais liberalização nos salários, menos Tribunal Constituicional (que acaba de inviabilizar, como se esperava, o referendo à co-adopção) e mais, muito mais austeridade!

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Falsa revolução


Hoje a Luz encheu-se para assistir a dois jogos. Fala-se, em futebolês, de um jogo com duas partes distintas, mas o que se viu foi dois jogos. No primeiro, numa grande exibição do Benfica, que teve tudo o que lhe vem há muito faltando, os perto de 60 mil nas bancadas vibraram com o espectáculo a que assistiam, e com os 5-0 no resultado. No segundo, grande parte deles regressou aos assobios. Pela exibição, e pelo 1-1 no resultado.


Quem, sentado na seu lugar, e sem saber de mais nada do que rodeia o jogo - como tantas vezes me acontece - ao ouvir anunciar a constituição da equipa julgaria estar perante uma revolução. Admitiria que Shmidt revolucionara a equipa. Relativamente ao último jogo, na quinta-feira passada, mudou tudo. No quarteto defensivo apenas manteve Otamendi. No meio campo, apenas João Neves. E, no ataque, apenas Rafa.  


E na verdade, mesmo que pouco inspirado, e inspirador, no primeiro quarto de hora, o jogo confirmaria que se estava perante uma revolução do futebol do Benfica. João Mário assumiu o papel que o futebol lhe destinou, no meio, ao lado de João Neves, entregando a Tiago Gouveia o papel que, equivocadamente, Schmidt lhe tem atribuído. Neres ficou com o de Di Maria, e Tengstedt com o de ... sabe-se lá quem, tantas têm sido as alterações nessa posição 9. 


O Benfica pressionava alto, asfixiava o adversário, jogava com velocidade, chegava à linha de fundo  ... Jogava e marcava, com alto índice de concretização. Cinco golos - dois de Neres, um de Otamendi, Tiago Gouveia e Rafa. Ainda não se tinha visto nada disto nesta época, e já só se pensava que, a continuar assim, o resultado acabaria em qualquer coisa muito parecida com aquele 10-0 ao Nacional, de há cinco anos, acabados de fazer.


Conhecendo as circunstâncias, com Kokçu e Florentino impedidos de jogar por suspensão disciplinar, António Silva de luto por morte de um familiar, Alvaro Carreras, substituído pelo Morato no último jogo, com o Toulouse, ainda incapaz de convencer, e Di Maria e Aursnes sobrecarregados de jogos, começava a duvidar-se dos ideais revolucionários de Schmidt. Afinal o acto revolucionário do treinador não passaria de simples gestão das circunstâncias, e a revolução do futebol do Benfica não passava de uma "revolta" dos jogadores menos utilizados, conscientes que estavam obrigados a "mostrar serviço".


A segunda parte - o segundo jogo -  confirmou isso mesmo, que afinal não havia revolução nenhuma. Começou com o golo do Vizela, numa distracção de Trubin que, chutando a bola contra as costas de um adversário, a fez ressaltar para o goleador da equipa - Essende - a rematar (primeiro remate da equipa) para uma primeira defesa e marcar na recarga. Foi o primeiro sinal de que a desconcentração se voltava a instalar na equipa. 


Trubin ainda se redimiu, ao defender, a meio da segunda parte, um penálti cometido pela desconcentração - e aselhice - de Morato. Mas a equipa foi regressando ao passado. Os menos utilizados foram quebrando fisicamente; os mais utilizados foram regressando à equipa. Di Maria entrou logo ao intervalo, ficando Rafa nos balneários. Aursnes vinte minutos depois, para sair João Neves. E Marcos Leonardo dez minutos mais tarde, para jogar o último quarto de hora e ... marcar. O sexto, obra de Neres - o melhor em campo -, já perto do fim, mas ainda com pernas para correr o campo todo com a bola, passar por todos os adversários e oferecer, com alguma sorte no último ressalto, o golo ao compatriota. Os restantes, Alvaro Carreras e Rollheiser, como habitual, já só depois disto tudo. 


No fim, o 6-1 que fica como o melhor resultado da época, acaba aquém do prometido naquela grande primeira parte. Da revolução, sobra apenas "a revolta" de Neres, a deixar dito que conta. E que não faz de conta. Como Rafa conta: percebe-se que, com 5-.0, tenha sido poupado. Como se percebe a falta que faz!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A lavagem de Vítor Gaspar lá continua com pompa e circunstância. Procura agora afincadamente a melhor posição na fotografia de que quis sair, mesmo que tenha que dar uns empurrões e um ou outro chega para lá. Não admira. Afinal ainda em Maio passado o governo não tinha liderança, e agora não tem apenas um líder; tem um líder mais reformador que Portugal alguma vez conheceu.


Afinal nestes oito ou nove meses tudo mudou. Ele próprio, que então tinha falhado todas as metas, agora tudo acertou. A sua política, que falhara em toda a linha, é agora a mãe de todo este sucesso. A carta que então escreveu rasga-se agora! 


Enfim, tudo serve para a festa. Uma festa cheia de foguetório!

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Campeão do Mundo - outra vez!

Diogo Ribeiro campeão do Mundo também nos 100 metros mariposa!


 Foto: IMAGO/Insidefoto


Em Doha, Diogo Ribeiro voltou a ser campeão do mundo. Agora nos 100 metros mariposa. A outra, há apenas cinco dias, foi mesmo apenas só a primeira medalha de ouro. De muitas, certamente.


Parabéns miúdo!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Aí está Fernando Ulrich de regresso ao seu melhor.  


Nem em 75 houve uma política tão redistributiva”, ou “não se pode é dizer que a política não tem tido uma preocupação redistributiva enorme” são as novas preciosidades do senhor ai aguenta, aguenta!


Que a desigualdade tenha disparado em Portugal, que o número dos mais ricos tenha aumentado, e que tenham aumentado as respectivas fortunas, é outra coisa. Não tem nada a ver com política. Nem com distribuição de riqueza!


Muito traquina e muito dado à brincadeira, este senhor. Que temos de aguentar, pois claro!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Morrem todos!

Where Is Alexei Navalny Now? Vladimir Putin's Biggest Critic Goes Missing


"Morreram todos" - foi com esta expressão, que se tornou viral, que o José Rodrigues dos Santos abriu um telejornal, aqui há tempos, referindo-se àquela malograda experiência do submersível Titan. Não sei se será ele a abrir o de hoje mas, se o for, bem poderia repeti-la mudando apenas o tempo do verbo.


Morrem todos! 


Com Putin, é assim. Morrem todos os que se lhe oponham. Morrem todos, e em todas as circunstâncias. Caem de uma janela, ou de um avião. Comem ou bebem o que não devem. Morrem até na prisão, onde a única perurbação que lhe podem causar é ... estarem vivos. 


A Navalny aconteceu tudo isso, menos cair de uma janela. Aconteceu-lhe de tudo em aviões, mas nenhum caiu. No último em que viajou, o voo foi desviado para ser preso pela última vez. Hoje foi conhecida a notícia que morreu na prisão.


Não tenho a certeza que Navalny fosse exactamente dos bons, nem isso agora importa. Mas era o rosto internacional da oposição a Putin. Tenho a certeza que Prigozhin não era melhor que Putin, mas bastou enfrentá-lo para ter idêntico destino.


Morrem todos porque Putin tem medo. Mata-os por medo de estarem vivos. Não faltará muito para que tenha também medo dos mortos!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não sei o que se anda a passar na bloga, mas coisa boa não é. Assim de repente começam a desaparecer blogues como se coisa má lhes estivesse a dar. Em poucos dias foi-se o Arrastãoo nosso 2711 e, agora, o Declínio & Queda


Sabe-se como os blogues são parecidos com o mar – são de levas, de ondas. De mar e mar, de ir e voltar…


Mesmo assim, mesmo que uns caiam aqui para se levantar ali, não é bem a mesma coisa. Acabamos sempre por sentir falta dos que se ficam… Que é como quem diz, dos que partem!


 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Adversários difíceis


O Benfica fez mais um jogo fraquinho, esta noite, com o Toulouse, uma equipa que anda pelos últimos lugares do campeonato francês, e que se apresentou na Luz nessa condição, exactamente como fazem as equipas do campeonato português que lutam pela fuga ao últimos lugares.


Não deveria, até por isso, ser novidade para o Benfica. Não havia razão para qualquer tipo de surpresa, e a equipa deveria estar mais que preparada para enfrentar o tipo de dificuldades que na realidade a equipa francesa lhe colocou. 


O problema é que o Benfica já só sabe jogar de uma única forma, e sempre sem velocidade, sem intensidade, sem profundidade, sem linha de fundo. E assim todos os adversários são difíceis, como invariavelmente Schmidt declara.


Não. Este Toulouse não é um adversário difícil, o Benfica é que o tornou, como repetidamente vem fazendo, em mais um adversário difícil. 


Na primeira parte o Benfica criou apenas duas oportunidades para marcar. Primeiro num belo remate de Rafa, que terminou com a bola no ferro do ângulo superior direito da baliza do jovem (18 anos) guarda-redes francês, completamente batido. E, depois, praticamente no último lance, num remate de João Mário, a concluir a melhor jogada que construiu em todo o jogo. Pouco, muito pouco!


Esperava-se que tudo mudasse na segunda parte. Mas o que mudou foi que o Toulouse percebeu que o Benfica estava a jogar tão pouco que acreditou que dificilmente perderia este jogo. Era só deixar passar o tempo, que continuadamente foi queimando, e ir acumulando faltas, sempre com a complacência do árbitro. No Benfica nada mudou. 


Continuou sem agressividade, sem velocidade e a tentar entrar na área pela zona central, onde os jogadores da equipa francesa montavam uma autêntica muralha de pernas. Até que, finalmente num cruzamento para a área, e já com Neres (em vez de João Mário) e Bah (no lugar de Aursenes que, com a saída de Carreras, passou para a esquerda)  em campo, a darem um safanãozito no jogo, um jogador adversário saltou com a mão a uma bola. O penálti era claro. Tão claro quanto disparatado. Mas o árbitro não o viu. Não deve mesmo ter visto porque foram precisos três minutos para o VAR o convencer a ir verificá-lo nas imagens. 


Di Maria converteu-o em golo e, como habitualmente, pensou-se que o mais difícil estava feito. Que a partir daí tudo mudaria. Mas não, outra vez. Bastaram pouco mais de 5 minutos para os franceses empatarem, ao segundo remate que fizeram à baliza, na ressaca de uma bola que subiu até ao céu dentro da área de Trubin, com toda a defesa "a olhar para o balão". Caricato. Mas intolerável, para profissionais.


No quarto dos 7 minutos de compensação - só no penálti passaram mais de quatro, o resto ficou por conta das substituições, sem que nada sobrasse para compensar o tempo queimado pelos jogadores do Toulouse a cada reposição de bola, onde quer que fosse - surgiu o penálti salvador (numa pisadela a Marcos Leonardo que, em mais uma substituição estrondosamente assobiada, tinha entrado para o lugar de Arthur Cabral) que Di Maria voltou a converter. E que valeu a vitória. Justa - talvez a derrota do Toulouse seja mais justa que propriamente a vitória do Benfica - mas que não esconde a realidade que o Sr Schmidt teima em negar.


Pior que esta negação da realidade só as tochas que uns energúmenos voltaram a lançar lá do topo deles. Como pode haver quem queira tanto mal ao Benfica?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

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Já se percebeu que, mesmo que o PS venha a ganhar as europeias que estão aí à porta, Seguro já as perdeu.


As eleições de Maio para o Parlamento Europeu eram, para Seguro, uma espécie de primárias internas. Não estará em palco nas legislativas do próximo ano… Resta saber quando é que António Costa terá que se chegar à frente…


Há muito que Seguro perdera o pé. Agora afundou-se!

Certamente por acaso

Debates - Legislativas 2024 - Informação - Entrevista e Debate - RTP


Os debates lá vão seguindo, e deixando indicações. E não, não me estou a referir às "tareias" que o André Ventura vai somando - o homem já está grogue, perdido, de cabeça às voltas, ansiando que isto acabe, e que chegue depressa o dia 10, para depois dizer que as mesas de voto estavam cheias de comunistas e socialistas a pôr cruzes nos votos em branco, e rabiscos nos do seu partido, para contarem por nulos.


Estou a referir-me à discrepância de tempos entre uns debates e outros. Aos vinte e poucos minutos de uns - por acaso, certamente que por mero acaso, entre os candidatos da esquerda - e os quarenta de outros. Evidentemente que também por mero acaso, como aconteceu naquele entre Montenegro e Ventura. E à moderação dos moderadores, como João Adelino Faria, da estação pública. Que acha que tem mais a dizer que os debatentes, e que se acha dono da importância do que há a debater. 


Que acha - e nisso não é infelizmente o único - que os temas importantes se esgotam na imigração, na segurança, e na corrupção. Por acaso, certamente que por mero acaso, são os únicos que interessam a um certo protagonista. Quando por acaso, certamente que por mero acaso, os imigrantes são hoje decisivos na contribuição para a Segurança Social, o país está entre os mais seguros do mundo e é, também por isso, cada vez mais procurado por reformados provenientes dos mais ricos e desenvolvidos países do planeta. E está até abaixo da média europeia no Índice de Percepção da Corrupção


Também será certamente por mero acaso que não encontram importância alguma no escrutínio das actividades, seja como forma de vida, seja como acção política, dos candidatos do partido do mesmo certo protagonista. Nós lá vamos sabendo de algumas, mas tem de ser por outras vias. Pelas televisões é que não!


 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Vamos então por partes: o tribunal absolveu todos os dez arguídos, com o argurmento que o Estado português  “dispunha de meios de controlo” do contrato de contrapartidas assinado com um consórcio alemão pela venda dos dois submarinos a Portugal e “podia renunciar à transacção”. Quer isto dizer que não há criminosos naquela gente, que há é negligentes, se não criminosos, no Estado português. Há, portanto, que passar à parte dois, que dar o passo seguinte.


Fiquemos então à espera que tenha sido tirada a correpondente certidão!  

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Provavelmente por razões de inconseguimento, a senhora que personaliza a segunda figura do Estado tornou-se na primeira figura do ridículo. Depois de, sem pés nem cabeça, no próprio dia da sua morte, sugerir o recurso ao mecenato para trasladar os restos mortais do Eusébio para o Panteão Nacional, ei-la a recomendar idêntica receita para as comemorações do 25 de Abril.


Na ocasião da morte do Eusébio foram os próprios serviços do órgão a que preside a vir a público corrigir-lhe os números disparatados, transformando-lhe a ideia patética em mais um inconseguimento. Desta vez foram os próprios grupos parlamentares a ditar-lhe novo e traumático inconseguimento!


Foi-se o chamite, foram-se os cravos da nova coqueluche do regime, foi-se o mecenato, mas ficou o inconseguimento. Mais um. E mais uma pérola redentora na bissectriz dos afectos!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Utopia no charco


Pelo segundo ano consecutivo o Benfica deixou dois pontos em Guimarães. Na época passada, os primeiros. E, lembramo-nos bem, na primeira exibição falhada. Ontem, em dia de recordar Feher, vinte anos depois daquele seu último sorriso,  à 21ª jornada, o 11º, na enésima exibição falhada.


A exibição falhada de ontem não tem, no entanto, nada a ver com a do ano passado. Como a equipa vitoriana deste ano não tem nada a ver com a de então, quer no que joga, quer na classificação que ocupa. Esta equipa de Guimarães ganhou ao Sporting - igualando o que só o Benfica tinha conseguido - e deu um "banho de bola" ao Porto, que só ganhou esse jogo por milagres do Diogo Costa.


Da exibição falhada de ontem pode falar-se do estado do relvado que, transformado num autêntico pantanal - provavelmente com outro adversário o jogo não se teria realizado ou, pelo menos teria sido interrompido na primeira parte - tornou difícil jogar futebol. É certo que o estado do relvado era igual para ambas as equipas, mas mais igual para uma que para outra.


Do que não pode deixar de se falar é da opção de Roger Schmidt deixar três pontas de lança no banco, e de escolher jogar sem nenhum. Seria sempre estranho, mas ainda se poderia fazer um esforço de interpretação da ideia do treinador se o campo estivesse em bom estado, e permitisse sustentar uma estratégia de ataque móvel para um jogo de transições rápidas, como se sabe a ideia de jogo mais atractiva que Schmidt tem para apresentar. Naquelas condições do relvado isso era mais que utopia. Era cegueira!


O jogo rapidamente mostrou essa cegueira, com a ala esquerda (Morato, já nem sabe defender e João Mário já não dá para entender, e pior ainda naquelas condições do terreno) desastrada, e os jogadores a jogar como se pisassem o esplendor da relva. Como jogam sempre, os mesmos de sempre, da única forma que conhecem, mesmo se em vez de relva tivessem de jogar num charco. Já se tinha dado conta que nunca há plano B perante contrariedades próprias do jogo. Ontem ficamos a saber que nem perante a impraticabilidade do relvado.


E isso é ainda mais preocupante que os dois pontos ontem deixados em Guimarães.


Porque, nesta altura, ninguém saberá se foram dois pontos perdidos ou um ganho. Ganho pelo Trubin, e pelas substituições que aligeiraram os equívocos iniciais. Poderá sempre dizer-se que afinal o resultado foi o mesmo: que o Benfica empatou (1-1) a primeira parte, sem ponta de lança; exactamente como na segunda, já com dois. Mas, para ser verdadeiro, o golo de Rafa, para empatar a primeira parte, cinco minutos depois do penálti sofrido, aconteceu na única oportunidade de golo então construída. Já o de Cabral, que estabeleceu o empate final, foi consequência de qualquer coisa mais continuada. E, mesmo sem, à excepção da posse de bola, nunca se superiorizar claramente ao adversário - rematando bem menos e não tendo construído mais oportunidades de golo - ainda assim, foi pelo que fez na segunda parte, que o Benfica justificou o empate.

Campeão do Mundo


Em Doha, Diogo Ribeiro sagrou-se campeão do mundo dos 50 metros mariposa, e alcançou, aos 19 anos, a primeira medalha de ouro da natação portuguesa, feito considerado inalcansável antes do surgimento deste menino prodígio da natação, do Benfica.


Será provavelmente a primeira de muitas. Parabéns Diogo!

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

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Enquanto na Fundação Champalimaud, chefes de Estado (do nosso, do italiano e do espanhol) e ministros do governo português (curiosamente todos do CDS), no encerramento do IX Encontro da COTEC Europa, falavam de inovação e desenvolvimento, de educação e formação, e de reindustrialização e mão de obra qualificada, no Tramagal, em visita à unidade onde dantes se fabricavam as famosas Berliet - Tramagal e agora se produzem camions da Mitsubishi, Passos Coelho agradecia à troika, à União Europeia e ao FMI por term trazido o país até aqui, a este momento brilhante da vida dos portugueses: os portugueses vivem hoje mais de acordo com as possibilidades do país - rematou, diria que eufórico!


Não deixa de ser curioso que Passos Coelho, perante um grande investidor estrangeiro, tenha optado por esta que é a linha - diria que oficial - do seu discurso.  Confirma que é este o seu registo, que é neste papel salazarento que se sente mais confortável, não se importando nada de deixar para os ministros do CDS o palco e os temas da COTEC. Afinal de acordo com as suas possibilidades...


 

Há 10 anos

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Começo por dizer que só tenho motivos de congratulação. Congratulo-me pelo impedimento da realização do jogo, no domingo. Uma grande decisão, tomada exactamente na hora certa. Congratulo-me pela realização do jogo, do grande derbi do país, do grande derbi do povo, mas acima de tudo pela forma como foram superadas algumas tentações, muito alimentadas por muita gente, mesmo por quem não deveria ter nada a ver com isso. Congratulo-me pelo grande jogo a que assistimos. Por não se ter dado pela arbitragem, nem ninguém a ir buscar para ensombrar a crónica superioridade do Benfica. E, evidentemente, pela grande, clara, mas escassa vitória do Benfica!


E saliento exactamente isso. Quem tivesse chegado de Marte e tivesse visto o jogo não acreditaria que aquelas duas equipas estavam a disputar o primeiro lugar do campeonato nacional. O resultado acabou mesmo por ser a melhor coisa que aconteceu ao Sporting!


Podem dizer que o Leonardo Jardim se estendeu ao comprido, e que é até capaz de ter perdido hoje o estado de graça. Mas a verdade é que, não tivessem os jogadores do Benfica privilegiado a nota artística, e talvez tivessem atingido uma marca histórica. Que, pelo fair play manifestado hoje pelo presidente e pelo treinador do Sporting, seria quase injusto.


Para a história ficará o fantástico golo e mais uma enormíssima exibição de Enzo Perez. Não se vê em nenhuma das grandes equipas da Europa um jogador como este. Espero que continuem sem reparar nele porque, esse sim, é insubstituível!

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Será que, enquanto andávamos todos entretidos com as praxes e com os quadros de Miró, Passos e Portas não aproveitaram para vender o nosso Sol aos chineses?


Estou mesmo a ver: saiu em mala diplomática, foi leiloado em segredo em Espanha – onde, ora em castelhano ora em francês, Portas tem andado numa roda-viva – e, no fim, foram os chineses quem deu mais…

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Primeiro manda-se as pessoas embora, diz-se aos mais jovens e qualificados que emigrem. Depois despedem-se os que cá ficam. Aos que não são despedidos baixam-se-lhes os rendimentos, sejam salários ou pensões.


Depois de mandados emigrar, de cortados os salários, de despedidos e contratados por metade do salário, cortam-se as bolsas de investigação. E diz-se que isso da investigação é só para empresas…


Empobrece-se a população e despovoa-se o país para depois, com os vistos gold, o repovoar de gente rica, mesmo que má. Mais de quinhentos milhões de gente rica, já para este ano, diz Portas. Mesmo que má!


Acaba-se com a investigação nacional, com trapalhadas atrás de trapalhadas, mas depois surge a estratégia Lomba de aliciamento  de cérebros internacionais,  através de bons vencimentos e de isenções fiscais.


E ainda há por aí outro maduro que acha que compõe o ramalhete com uma Justiça para estrangeiros...


Isto tem um nome, não tem? Ajudem-me lá: como é que isto se chama?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Passos Coelho foi hoje à Maia encerrar uma conferência qualquer, ao que se anunciava em rodapé, promovida por autarcas. Por autarcas do seu partido, embora isso não constasse no rodapé informativo...


O seu palco preferido. O espaço priveligiado para quem, exactamente como o seu antecessor, vive em negação da realidade e numa narrativa sem quaisquer pontos de contacto com a verdade. Que, cantando, espalhará por toda a parte se a tanto o ajudarem o engenho e a arte!


E assim vai fazendo, espalando propaganda por plateias escolhidas a dedo, sempre disponíveis para aplaudir. Depois, as televisões fazem o resto. Como hoje, com a SIC Notícias e a RTP Informação a transmitirem em directo um discurso de não sei quantas horas (não sei porque não resisti a mais de 25 minutos). E, claro, os aplausos encomendados…


Surreal! Surreal o discurso, mais ainda o frete destas televisões. A SIC por opção – opção clara, militante - e a televisão pública por… obrigação!


E assim, em escalada, como se de uma bola de neve se tratasse, se vai impondo ao país um discurso que já chega ao limite, nas palavras dessa eminência parda que responde pelo nome de Marco António Costa, de chamar antipatriota a quem lhe não bata palmas…

O desconforto de Vizela


Ainda não foi desta que o Benfica teve um jogo tranquilo em Vizela, nem de lá sair com um resultado confortável.


O início do jogo prometia outra história para este jogo dos quartos de final da Taça, mas essas promessas acabaram por não ser cumpridas. Entrando muito bem no jogo, encostando o Vizela à sua área, o Benfica cedo começou a criar sucessivas oportunidades para marcar. Quatro, logo nos primeiros dez minutos, a que se juntou um penálti por assinalar por falta claríssima (para todos, menos para os senhores da Sport TV, como é costume) do guarda-redes do Vizela sobre Rafa.


Por falar nisso, ficou ainda outro por assinalar, mais tarde, sobre Arthur Cabral. E não é apenas por isso que a arbitragem foi apenas mais do mesmo...


Esgotado o primeiro quarto de hora o Benfica abandonou esse domínio avassalador contínuo. É certo que voltou a ter períodos em que mandou absolutamente no  jogo, mas nunca mais com a consistência, e a continuidade, do primeiro quarto de hora. No segundo quarto de hora o Vizela não equilibrou o jogo, mas libertou-se da subjugação a que tinha estado sujeito e, à entrada do terceiro, o Benfica finalmente marcou. Em transição, como é costume. E, como é costume, por obra de Rafa, mesmo que tenha sido Arthur Cabral a marcar.


O golo trouxe de volta o Benfica dominador, mas também de volta o desperdício. E o 1-0 ao intervalo era muito curto para expressar o que tinha sido a primeira parte. E mais ainda para o que é a História destes jogos em Vizela, onde o Benfica sempre ganhou - é certo - mas sempre com fases de jogo, em especial nas partes finais, complicadas e resultados apertados.


O Benfica regressou do intervalo com o mesmo onze, que rompera com as novidades do último jogo, com os regressos de Aursenes à direita, e de Kokçu e João Mário, mas acrescentava a estreia de Alvaro Carreras a titular. E a qualidade do seu jogo começou a baixar, não atingindo mais o nível da primeira parte. 


Ainda assim continuou com o jogo totalmente controlado, e chegou até ao segundo golo perto do meio da segunda parte. Desta vez em ataque continuado, com João Mário a marcar, corrigindo a tentativa falhada de Arthur Cabral responder ao cruzamento de Aursenes. 


Era o golo da tranquilidade, que acabaria com os habituais sobressaltos de Vizela. Mas não foi, porque, apenas três minutos depois, com um golo que não caiu do céu mas de uma carambola, daquelas que acontecem sempre que alguma coisa pode correr mal. E lá voltou a História a repetir-se. 


Não que o Vizela tenha criado qualquer oportunidade para chegar ao empate. Nada disso, as oportunidades que aconteceram voltaram a pertencer ao Benfica, e o guarda-redes que foi chamado a evitar golos voltou a ser o do Vizela. Mas que se voltou ao desconforto de Vizela, é inegável. 


As substituições melhoraram o Vizela, ao contrário do que aconteceu no Benfica. Marcos Leonardo  não entrou bem e nunca deu à equipa o que Arthur Cabral dera. Mesmo que, naquela altura - logo a seguir ao golo do Vizela - a entrada de Morato tenha sido justificada pelo cartão amarelo, e pelas dificuldades defensivas que Carreras já evidenciava. A entrada de Florentino, em substituição de Kokçu, foi tardia (84 minutos), já quando o Benfica perdia todos os ressaltos e "segundas bolas". E se a de Bah, em simultâneo, foi para dar descanso a Aursenes, a pensar em Guimarães, valeu-lhe de pouco. Foi curto, o descanso.


E lá está - as últimas imagens são as que ficam. E convenhamos que não foram as melhores do jogo. Agora, para as meias finais, vem o Sporting, já no final do mês. Para o Porto é que não. Logo se verá quando terá de disputar a outra meia final com o Guimarães.


Nas vésperas da deslocação ao Dragão, para o campeonato, o Benfica estará a disputar a meia final com o Sporting. Enquanto o Porto estará a jogar os 63 minutos que faltam do jogo com o Santa Clara.


 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


E lá está a Alemanha a preparar-se para dar cabo da credibilidade que Passos devolveu ao país, da confiança com que a Albuquerque e o próprio Portas inundaram os mercados e do milagre económico de Pires de Lima…


Lá se irão todos os sucessos desta governação. Todos, não. Porque o estrondoso êxito no combate ao desemprego é um valor seguro. E irreversível. Esse nem este regresso da Alemanha ao epicentro da destruição da Europa conseguirá pôr em causa. Porque os jovens não deixarão de continuar a emigrar como, ao contrário do que Pires de Lima anunciava, os que emigraram não regressarão. Nem os inactivos voltarão ao activo do desemprego, pelo contrário, cada vez mais desempregados passarão a inactivos. E grande parte dos que continuarão a ser despedidos não deixará de ser substituída por outros tantos por metade do salário…


 

Alguém viu por aí o Marcelo?

Crise política. Marcelo ausente do país nos próximos dias deixa nota  sugestiva no site da presidência


 


O Presidente Marcelo, que era omnipresente, com tudo para comentar e palpites sobre fosse o que fosse, que todos os dias nos aparecia de todo o lado, quando há tanto para dizer, e mais ainda para fazer, desapareceu.


Diria que meteu os papéis para a reforma. Não sei é se por missão comprida, se por missão cumprida!


 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

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Quando parecia que a crise do euro estaria ultrapassada, e que a União Europeia já dourava a pílula dos países do sul – já nem a própria Grécia é problema – da Alemanha sai mais um tiro no porta-aviões.


O Tribunal Constitucional alemão (sim, eles também têm Tribunal Constitucional) admitiu que aquilo que pôs ordem nos mercados e segurou o euro – o programa ilimitado de compra de dívida pelo BCE, que nem sequer foi preciso utilizar, bastou ser enunciado – poderá não estar em conformidade com os tratados europeus. Para já, remeteu o assunto para o Tribunal de Justiça da União Europeia, mas sem se esquecer de deixar claro que não aceita essa actuação do BCE. Que a acha ilegal e que excede mesmo o seu mandato…


Quer dizer, que viola a Constituição alemã!


Será que assim o euro sobrevive?

Há 10 anos

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A propósito do novo mapa judiciário ouvi hoje, na Antena 1, Elina Fraga, a nova bastonária da Ordem dos Advogados (OA), dizer que fechar tribunais é afastar os cidadãos da Justiça e convidá-los à Justiça pelas próprias mãos.


Achei essa declaração deplorável e altamente demagógica. Tão demagógica que me lembrou logo o seu antecessor, numa afinidade que me remeteu inevitavelmente para uma ideia de sucessão dinástica. Marinho Pinto abriu uma dinastia na OA a que esta senhora simplesmente dá continuidade, pensei eu, sem deixar de lhe reconhecer alguma desenvoltura no discurso.


Desenvoltura, que não originalidade. É que, afinal, o sound byte que feriu a minha sensibilidade e me fez disparar o alarme da demagogia não é sequer original. Nem novo, já tem pelo menos dois anos!


Pois, há ali mais que uma simples linha de sucessão... Não é uma dinastia, é a mesma coisa por entreposta pessoa!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Dia cheio

André Ventura - Inês Sousa Real - Debates - Legislativas 2024 - Informação  - Entrevista e Debate - RTP


Ao rescaldo das eleições regionais nos Açores, que a AD ganhou, sem condições de prescindir do Chega, mas com condições de não o ter de levar para o governo, seguiram-se os primeiros debates nas televisões com vista para 10 de Março. Foi um dia em cheio. Mas cheio de pouca coisa. E vazio de novidades.


Na sequência dos resultados eleitorais nos Açores, que deram a Luís Montenegro a melhor prenda que poderia desejar - dizer "que não, é não" é agora o às de trunfo -, a questão era se, sem a possibilidade de José Manuel Bolieiro garantir um governo com apoio de uma maioria parlamentar sem o Chega, o PS daria alguma indicação de viabilizar a governação nas ilhas das brumas para precisamente afastar a extrema direita da esfera do poder. 


E era delicada. Tanto que já se ouviam vozes antagónicas, no PS, mas mesmo dentro da "entourage" de Pedro Nuno Santos. O Chega deu uma ajuda, mas nem essa lhe valeu de muito. Depois de André Ventura ter reclamado presença no governo para apoiar Bolieiro, veio o líder regional garantir que nunca impediria uma solução governativa de direita. No PS respirou-se de alívio, mas não se terão tapado as feridas todas.


Ainda assim, Pedro Nuno Santos podia abrir os debates televisivos disfarçando esse incómodo. Mas com outros, frente a Rui Rocha, do IL. Que, por isso, ou por outras razões, não lhe correu lá muito bem. Mesmo sem que o adversário tinha sido brilhante. Nada disso.


Depois foi a vez de André Ventura e Inês Sousa Real. E foi o costume. O "patrão" do Chega falou por cima, interrompeu, fez anti-jogo, quando falou nada de acertado disse, mas ... já se sabe. Esse é o registo. E já se sabe que passa bem. 


A novidade foi ficarmos a saber que André Ventura gosta de animais?


Não. Até porque nos lembramos da falecida coelhinha Acácia... A novidade foi ficarmos a saber que as forças de segurança não colocarão em causa a realização das eleições. É tranquilizador sabê-lo. Assustador foi ouvi-lo!


 

Há 10 anos

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A perspectiva do desemprego é hoje muito melhor do que há um ano… O desemprego não desce por magia, só porque a economia está a crescer…”


Pois não. Não é por magia, mas parece. É porque a emigração sobe, mas é porque foi criada uma nova categoria de portugueses: os inactivos!


Muitos portugueses deixaram de estar desempregados. Diz o INE que 300 mil passaram a inactivos. Não faltará muito que o governo venha dizer que é gente que não quer trabalhar, e a chamar-lhes mandriões!


Já ouvimos falar em milagre económico. Em breve ouviremos falar no milagre do emprego, que o desemprego está a baixar a um ritmo nunca visto em nenhum outro país do mundo. E que há é cada vez mais mandriões!


Pode não haver milagres. Mas há muita lata...

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Na frente, sem dogmas!


Assistimos hoje, na Luz, a um belíssimo espectáculo de futebol. Começo exactamente por aí, pelo lado do espectáculo, a que nem sempre se dá o devido destaque. 


Foi um jogo aberto, em que quer o Benfica, quer o Gil Vicente, se preocuparam unicamente em jogar à bola. Deveria ser sempre assim, mas bem sabemos que não é. As equipas preocupam-se sempre mais com o resultado do que com a exibição. Mais em destruir, que em construir. Em simular faltas, e queimar tempo, que em disputar o jogo.


Bem sei que há nisto muito de romantismo, e que, hoje, o futebol não é nada disso. Mas continua a ser bonito ver um jogo de futebol em que as equipas em confronto são leais, jogam o jogo, e deixam de lado as manhas que matam o espectáculo.


Foi neste "cenário macro" que aconteceu este Benfica-Gil Vicente da vigésima jornada do campeonato. O Benfica não precisou de fazer uma exibição deslumbrante para ser parte activa, e protagonista principal, deste belo espectáculo de futebol. Entrou em campo com duas caras novas no onze titular mas, na realidade, com três alterações na equipa: Florentino e Bah, foram as caras novas; Aursenes, libertado do lado direito da defesa pela inclusão, mais de três meses depois, do regressado Bah, foi a terceira, com o regresso à ala esquerda, há muito ocupada por João Mário.


Quer dizer que, de fora, ficaram (precisamente) João Mário e Kokçu. Dois jogadores discutidos: o primeiro, pelas razões de sempre; o segundo por razões de posicionamento no campo. Dois jogadores tidos por "pendurados" nos  "dogmas" de Schmidt.  


Não sei - ninguém saberá - se os dogmas deixaram de o ser. Sabe-se - vê-se claramente - que Florentino faz melhor o que Schmidt pretende que Kokçu faça na "posição 6". Sabe-se que "o 10" é "um 10", e não "um 6". E sabe-se - melhor, imagina-se - que, para Kokçu jogar lá na frente, só o poderá fazer na vez de Rafa. Que não é um "dogma", é a realidade do melhor que a equipa tem.


Na verdade os "dogmas" dos treinadores são o que são. E, por muito bom que Kokçu seja "a 10", não há forma de prescindir de Rafa ... enquanto ele por cá estiver. Tal como, por muito que Schmidt aprecie o futebol de João Mário, preferirá sempre Aursenes para aquela função na esquerda.


A insistência em Morato no lado esquerdo da defesa é outro dos "dogmas" que este jogo de hoje desfez. É sempre mais fácil enfrentar os dogmas quando as coisas correm bem. Bastaram os pouco mais de vinte minutos em campo para Álvaro Fernandez confirmar que, finalmente, o Benfica tem um lateral esquerdo. Não é (ainda?) Grimaldo, mas deixou claro que Morato (não deve ser alvo de ingratidão) terá de ter as suas oportunidades mas no seu lugar de central.


A quebra destes "dogmas",  evidentemente que pelas opções agora disponíveis, junto com o fim das indefinições na posição 9, com a estabilização da aposta em Cabral, dão uma nova estabilidade à equipa. Tudo isto somado com a liderança, mesmo que à custa do adiamento do jogo do Sporting em Famalicão por falta (protestos) de polícia, dão um novo alento ao Benfica para atacar esta fase decisiva do campeonato.


O resto foi o jogo. Bom, como já foi referido. E que o Benfica dominou por completo, garantindo que nas bancadas da Luz se vivessem 90 minutos de festa, sem qualquer espécie de sobressaltos. Não precisou de rematar muito - foi o jogo com menos remates na Luz, apenas dez - nem de uma rara e extraordinária eficácia para construir o 3-0 final. Precisou apenas de jogar bem, e de marcar nos momentos certos: aos 15 minutos, num cabeceamento de Cabral, no canto cobrado por Di Maria; aos 35, igualmente na sequência de um canto, mas com notável trabalho do inesgotável João Neves, ao segundo poste; e de Rafa, logo no arranque da segunda parte, em mais um grande remate, a concluir uma das melhores jogadas do desafio.


E foi o minuto 29, de comovente homenagem a Feher, por acaso numa altura do jogo em que o Gil Vicente, que nunca abdicou de jogar à bola, mais procurava ameaçar a superioridade benfiquista. Mesmo que apenas a cinco minutos do fim tenha obrigado Trubin à sua única defesa. De grande qualidade, a garantir a folha limpa. 

Há 10 anos

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Vasco Graça Moura, visivelmente debilitado pela doença, foi publicamente homenageado no final da semana passada, e de novo condecorado, desta vez com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, pelo Presidente da República.


Foi uma justa homenagem. A um vulto da cultura portuguesa como Vasco Graça Moura faltarão sempre, sem que nunca sobrem, homenagens. É um dos maiores intelectuais portugueses vivos, de uma inteligência fora do comum, um virtuoso das letras, ensaísta de méritos imensos, seguramente o maior tradutor literário do país e um dos maiores do mundo. Ímpar na tradução de poesia!


Tive sempre uma enorme admiração por este intelectual. Maior mesmo só a desilusão provocada pela sua intervenção política. Muitas foram as vezes em que me interrogava como poderia um homem intelectualmente tão superior ser politicamente tão limitado.


Não estranhei por isso que Cavaco tenha ido procurar na dimensão política de Vasco Graça Moura a justificação para a homenagem e o motivo da condecoração. Que Cavaco tenha distinguido a “figura do intelectual, do cidadão empenhado, que ao longo das últimas décadas tanto contribuiu para a valorização da nossa vida democrática, que tem representado um papel da maior importância para a consolidação, entre nós, de uma sociedade que preza os valores da liberdade e da cultura”!


Porque, na verdade, de Cavaco não se esperam outras coisas. Perde-se em trocas. E com trocos. É mesmo o homem dos trocos! 

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Há 10 anos

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Não sei se os árbitros são nomeados a pedido, sei que já foram. Mas sei - já se precebe bem - que há gente a mais a pedir o Pedro Proença para o derbi. É curioso como o Sporting - onde o presidente se propõe regenerar o futebol português justamente a partir do regresso ao sorteio dos árbitros - alega que para o jogo mais importante, o melhor árbitro. E que o melhor árbitro português é, não têm dúvidas, Pedro Proença!


É ainda curioso que também os portistas estejam de acordo. Mesmo de candeias às avessas, portistas e sportinguistas acham que o árbitro que se diz benfiquista é o melhor. E o melhor também para este jogo... Pois!


Não menos engraçada é a segunda escolha: Jorge Sousa. O dito súper dragão que na Luz suscita quase tanta animosidade como o autoproclamado benfiquista. Menos um bocadinho!


Mais, muitas mais que sobre a escolha do árbitro, serão as dúvidas sobre qual será o jogador do Benfica atirado desta vez para o estaleiro, até ao final da época. Da primeira vez foi o Sálvio, que seis meses depois ainda não regressou. Da segunda foi o Rúben Amorim, que levou que contar para 4 ou 5 semanas. E o Cardozo, agora a regressar,  3 meses depois! 


Claro que gostaria de uma boa arbitragem ... e que ninguém se aleijasse. Mas já deu para perceber que não se pode ter tudo...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...