quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Presente"!

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Parece que os professores norte-americanos começaram a dizer "presente" à chamada de Trump. Um professor de Estudos Sociais - não é de Matemática, nem de Química - pegou na pistola numa sala de aulas de uma escola secundária do Estado da Geórgia e disparou. Provavelmente para confirmar que a dita funcionava, porque o seu presidente quer os professores armados mas com armas que funcionem. 


Só não se percebe é por que raio, no fim, foram prender o homem. Trump não apreciou, mas não se sabe se já avisou a polícia que isso não se faz...

Nisto dos festivais, de novo só a desistência...

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A notícia do dia é que Diogo Piçarra, o promitente sucessor do Salvador Sobral, desistiu do festival da RTP a que se candidatara com uma canção original - como é do regulamento - que a IURD plagiara a uma outra igreja evangélica americana.


Provavelmente é por isso, por se tratar de um orignal em cima de dois plágios, que o escândalo rebentou. Não terá sido por ser uma cópia tão fiel, tão igualzinha que passou despercebida ao júri, que não é obrigado a acompanhar os cultos religiosos, sejam eles quais forem. Mesmo que - acredito - todos os membros do júri saibam que muita da melhor música da América veio daí.


Não é nada de novo. De novo, mesmo, só a desistência do "autor". Se nos lembrarmos, como hoje recordava Rui Cardoso Martins na sua crónica na Antena 1, aqui há uns anos um tal Armando Gama também concorreu - e ganhou, e foi à Eurovisão - transformando uma pequena loucura de 1975 do Paul Simon ("steel crazy, after all these years") numa "linda, linda esta balada que te dou". 


Foi há 35 anos (como o tempo passa!). E não havia internet. Essa é a pequena diferença. A grande é que é, apesar de tudo, pode aceitar-se que a um júri destes possam escapar algumas coisas da música de cultos religiosos. Mas não se pode aceitar que lhe possa escapar a música do grande Paul Simon! 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Uns aprendem depressa. Outros, nem por isso!

 


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Não é uma daquelas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, mas não deixa de agitar muita coisa. E deveria  pelo menos cobrir as capas da imprensa especializada...


O multimilionário chinês LI Shufu, dono do grupo automóvel Zhejiang Geely, que comprou a Volvo à Ford em 2010, é o maior accionista da Daimler Benz, o fabricante da Mercedes. Com 7,3 mil milhões de euros ficou com praticamente 10% do capital do gigante alemão...


Mas não é esta a parte que é notícia de primeira página, mesmo que ainda seja notícia. Mesmo que já seja mais "o cão a morder o homem" do que "o homem a morder o cão". Cada vez nos vamos surpreendendo menos com a apropiação pela China do adjectivo "maior". Vai batendo recordes, e nós vamos vendo isso cada vez com mais normalidade.


O que deveria ser notícia gorda é a forma como Li Shufu financiou a operação. O que deveria ser capa, pelo menos nas publicações especializadas, é que o maior accionista da Mercedes (assim, para faciitar a capa) financiou a operação com dívida, garantida pelas próprias acções que comprava. 


Ora bolas... Também isto não deixa de ser "o cão a morder o homem". Há muito que por cá se faz disso. Não é Sr Comendador Joe Berardo?


Pronto. Talvez a notícia deva simplesmente ser que "pode correr mal". Mas isso já não seria notícia ... Seria um aviso. Um aviso a incertos porque, afinal, notícia seria ficarmos a saber quem é que deveria ter sido avisado. Assim só ficamos a saber que, uns, aprendem depressa. Outros, nem por isso!


 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Não tem comparação!

Capa do Jornal Negócios


 


É já indesmentível que o país é procurado por empresas da nova economia, que aqui procuram e encontram condições para instalar os centros de investigação e desenvolvimento que lhes sustentam o seu negócio pelo mundo fora. A Google, já se sabia, vem aí. A Devexperts, um gigante com 6 milhões de clientes, na área das plataformas digitais para o sector financeiro, acaba de anunciar que vem para o Porto. E vêm aí mais, a acreditar no trabalho da Aicep...


Não é preciso recuarmos muitos anos para vermos o país a ser procurado por outro tipo de empresas, que aqui procuravam mão de obra barata, isenções fiscais e fundos comunitários. 


A diferença é tão grande que nem tem comparação.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

É a vida...

 



 


Esta fotografia valeu ao "Região de Leiria" um prémio (a medalha de prata) da Society for News Design. Poderá chocar que das desgraças de uns saiam prémios para outros. Mas ... é a vida...


Parabéns ao fotógrafo Joaquim Dâmaso. E ao Região de Leiria!


 


 

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Alternativa à direita


 


Muito difícil, como é habitual, esta deslocação a Paços de Ferreira. Deixando-se trair pela esquerda - não, não é de política  que se está a falar - o Benfica somou dificuldades às dificuldades naturais que o Paços sempre lhe coloca.


Foi pela famosa e endiabrada ala esquerda que o Benfica se deixou apanhar. O Paços tinha a lição bem estudada (percebeu-se também pela forma como defendeu os cantos), e tratou de engasgar a máquina de futebol do Benfica secando aquela asa esquerda. Com muita gente e muita pressão.


Se a ideia era cortar o abastecimento à sua grande área e evitar o golo, a coisa correria ainda melhor rendendendo-lhe mesmo um golo. Logo no início, em resultado directo dessa estratégia, e na única vez em que chegaria à baliza do Benfica. Com a pressão, Grimaldo perdeu a bola. Depois só conseguiu correr atrás dela, até a ver entrar na baliza de Varela, também ele surpreendido.


O Benfica tardou a perceber que, se não tinha esquerda, teria que ter direita. Metade da primeira parte foi assim, e assim, os jogadores do Paços estavam confortáveis no jogo. Corriam, impunham o físico, discutiam as bolas todas e ganhavam a maior parte delas. Devo desde já dizer que gosto de jogadores assim, não gosto nada é de jogadores como foram os do Estoril na passada quarta-feria (nem eu nem o próprio treinador do Estoril, ao que disse). Mesmo que, com 10 guerrilheiros e um terrorista - o Rúben Micael é mais do género terrorista -, tenham obrigatoriamente que ultrapassar os limites da agressividade.


Quando percebeu que havia alternativa à direita o Benfica descobriu ... Rafa. Estava lá, e estava lá para dizer que estava grato por não terem desistido dele. E então sim, o futebol do Benfica foi crescendo até chegar ao patamar a que nos tem habituado, e recuperar Cervi. Os últimos cinco minutos da primeira parte foram de um sufoco terrivel mas, por maiores que fossem as oportunidades, a bola não entrava. Havia sempre mais uma perna, mais um milagre, e o intervalo soou a um gong que salvou um Paços agarrado às cordas.


A segunda parte arrancou logo com mais uma grande oportunidade, a prometer que o sufoco era para continuar. E assim foi, com um jogo de sentido único. O Paços fizera o golo e rigorosamente mais nada que defender. Defender de toda a maneira e feitio. E resistia, resistia tanto como a bola a entrar na baliza. Ou como o árbitro a marcar um penalti...


Rui Vitória ia metendo mais gente na frente. Meteu-os todos. Primeiro, ainda bem cedo, o Raul, tirando Zivkovic, provavelmente condicionado por um inacreditável amarelo, logo no início do jogo (Pizzi seria mais tarde brindado com outro, não menos inacreditável). Finalmente o golo. De Jonas, assistido pelo Raul, a cruzamento de Rafa. Faltavam 20 minutos para o fim, e Jonas correu com a bola para o centro. Em vão, porque não bastava que o treinador adversário fizesse uma substituição para retardar o recomeço. Os imbecis das tochas também trataram de fazer o mesmo!


Com isso o tempo foi passando, e o ímpeto do golo quase que também. E chegou a vez de Seferovic, quer dizer, do desespero. Que daria de pronto e finalmente no segundo, a dois minutos dos 90, embrulhado numa tabela Jonas-Raul-Seferovic-Jonas. A marcar, como só ele sabe. A festa, finalmente!


O terceiro, já dentro dos 7 minutos de compensação (deve ser por causa das coisas), não veio pôr justiça no resultado, porque para isso eram precisos mais três ou quatro. Veio pôr justiça na exibição do Rafa, com mais uma assistência do Raul. Para acabar em beleza, com o golo que tanto teimava em fugir!


Sem ganhar nada, o Benfica hoje ganhou muito. E ganhou o Rafa!


 


 


 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

União mais unida, não há!

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Logo a seguir ao congresso da união e de todas as promessas de união, ao congresso dos soldados humilde e empenhadamente ao lado do líder, ainda a tenda não estava desmontada e já, no Parlamento, os deputados do PSD declaravam a guerra civil. Com um atestado de humilhação a Fernando Negrão e a dizerem a Montenegro para se despachar.


União mais unida, não há. Nem soldados mais soldados...

Sem limites*

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Na semana passada, na Florida, perto da cosmopolita Miami, um rapaz de 19 anos entrou pela escola donde tinha sido expulso e, de semiautomática em punho, espalhou o terror e matou 17 pessoas.


Era o 18º tiroteio do ano, numa escola. Em menos de mês e meio. Nos últimos cinco anos, em escolas, foram 300, com mais de um milhar de mortos. À média de 60 por ano, 5 por mês, ou 1 por semana!


A América – os Estados Unidos, porque o Canadá, logo encostado já é outro mundo – tem a tradição do uso e porte de armas. Vem da sua curta História, como sabemos, é parte da sua fundação. Como tem outras tradições nada recomendáveis, cultivadas no que se chama a América profunda. Mas tem, acima de tudo, uma fortíssima indústria de armas, que nasceu daí, e que constitui o mais poderoso dos poderosos lóbis americanos. Que faz com que qualquer rapaz – ou rapariga, aí não há diferença de género – que não pode comprar um bilhete de lotaria, ou uma raspadinha, uma cerveja, um maço de cigarros, ou uma revista pornográfica possa comprar, na hora e sem demais, uma arma capaz de vomitar dezenas ou centenas de balas por minuto, com capacidade para matar centenas de pessoas em escassos segundos. Que faz de qualquer miúdo minimamente desequilibrado um terrorista!


O assunto – a completa desregulação da venda de armas – está permanentemente na agenda política. Mas nunca sai daí. Democratas e republicanos deixam sempre tudo na mesma. O Congresso, que acima e antes de tudo representa lóbis, não permite que se lhe toque.


Depois, há presidentes, como Obama, que mesmo sem conseguirem alterar nada, apontam o dedo. Denunciam. E há Trump. Para quem nada disso está em causa e, pelo contrário, tudo se resolve vendendo mais armas.


Foi o que o disse ao receber sobreviventes e familiares das vítimas do tiroteio da semana passada, apontando que a solução passa por armar os professores. Que “um professor armado teria disparado sobre o atirador e acabado com aquilo tudo muito depressa”. Que “para um maníaco, uma zona livre de armas é um convite ao ataque, porque sabem que ninguém vai disparar de volta”.


É isso. Quando pensamos que Trump já não nos consegue surpreender, ei-lo sempre pronto a ir mais além. Para ele, a imbecilidade não tem limites, e o mundo pode sempre recuar in saecula saeclorum...  


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

É de Trump!

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Quem pensasse o contrário estaria enganado. Trump está preocupado com os tiroteios nas escolas americanas. Bom, se calhar não são os tiroteios que o preocupam... 


Já tinha sido claro quando, na reacção ao assassínio de 17 pessoas naquela escola da Florida, na semana passada, negou o problema do acesso a armas, para enfatizar o do perfil psicológico do assassino. Agora, com a sua proposta para resolver o problema, fecha o ciclo. Isto resolve-se - aponta Trump - armando os professores.


Professores devidamente armados defendem-se a si próprios, e defendem a escola. É bom para eles. E para os alunos. E para a escola. E é acima de tudo bom  para o negócio! 


É de Trump. Sem dúvida!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Polícias e ladrões

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Volto ao tema de ontem porque, hoje, ficou a saber-se que o Ministério Público confirmou os 13 responsáveis pela insolvência culposa do BES, entre eles Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, José Maria Ricciardi e Joaquim Goes, alguns que, como se sabe, não tinham nada a ver com aquilo e até continuavam à frente de bancos. 


A ligação desta notícia ao tema de ontem surge exactamente no ponto em que são responsáveis (responsáveis sem que sejam responsabilizados, porque nada de mal lhes vai acontecer, fiquem descansados) por ter contribuído para gerar o prejuízo total de 5,9 mil milhões de euros. Ou seja, nada de muito diferente do que, em apenas três anos, aconteceu no banco bom, no Novo Banco.


Quando, como aqui sempre se fez, se aponta o dedo ao Banco de Portugal em todo o descalabro BES/Novo Banco, os (muitos) defensores de Carlos Costa vêm logo a correr dizer que se está a ignorar o ladrão e a culpar o polícia. A partir de agora é bem possível que passem a ter mais dificuldades com esse argumento. Não sabemos se o polícia roubou tanto como o ladrão, o que sabemos é que os danos são iguais!


 


 


 

Fazer contas às contas

 


 


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As contas de 2017 do Novo Banco, já vendido à Lone Star, estão com alguma dificuldade em mostrarem-se à luz do dia. Percebe-se por quê. Não é novo. Novo é o Banco!


É que assim vão-se soltando uns números, e quando elas forem finalmente conhecidas já está criada a almofada - nestas coisas há sempre uma almofada, provavelmente ainda a mesma que Cavaco apregoava nas vésperas da catástrofe que deu no nascimento do banco - que os vai aparar, para que o estrondo seja suavizado. Ontem falava-se numas centenas de milhões de euros de prejuízos, hoje já se fala em qualquer coisa entre 1,6 e 1,8 mil milhões...


Porque já se sabe - mesmo que se não soubesse - quem vai ter de cobrir aquilo tudo. E não é o dono do banco, porque Banco, por definição, é isso mesmo. É o negócio onde o dono só ganha. Quando perde, não é nada com ele!


Por isso é que temos que entender que um banco que era o "bom", que ficou apenas com o que de bom restara da vigarice Espírio Santo, sem outro passivo que não fosse o dos depósitos, e ainda com 4,9 mil milhões de euros fresquinhos que o Fundo de Resolução nem tinha, mas que nós lhe demos, em apenas três anos tenha dado cabo desse dinheiro todo e arranjasse ainda forma de lhe acrescentar outro tanto em prejuízos.


Dos gestores do banco nestes três anos, de Stock da Cunha a António Ramalho, só ouvimos dizer maravilhas. Ambos mais que excelentes. E no entanto, num "banco bom", capitalizado, e num negócio que como nenhum outro "tem a faca e o queijo na mão", o primeiro conseguiu a proeza de perder 468 milhões de euros em menos 4 meses de actividade em 2014 e 981 milhões no ano seguinte. E o segundo, 788,5 milhões em 2016 e, ao que por enquanto se vai dizendo, mais 1.800 milhões em 2017. Se não fossem tão bons, como teria sido?


Claro. O Banco de Portugal não é apenas o criador da criatura. É - tem sido - também o dono do Banco. E ... lá está. Dono do Banco não tem nada a ver com isso!

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Ideias falhadas

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Percebeu-se o esforço de tentar fazer sair do Congresso do PSD a ideia de unidade do partido. Do partido como um todo e do partido à volta do novo líder.


Santana Lopes foi o pivot desse processo. Quase que apareceu no Congresso como se tivesse sido ele a ganhar as directas. Baralhou, partiu e deu. E, claro, ficou com as melhores cartas... Nesse aspecto foi um congresso "à antiga", e sabe-se como Santana Lopes gosta disso.


Mas não resultou. NInguém ficou com a ideia que o PSD tenha saído deste congresso unido e com uma liderança forte e duradoura. Antes pelo contrário. Ficou a ideia de um saco de gatos assanhados onde tudo vai valer. Luís Montenegro puxou logo ali da faca, e não a vai voltar a pousar na baínha. E Rui Rio, com a meteórica ascensão de Elina Fraga (confessem lá: quem é que sabia que a senhora era do PSD? Não pensavam todos que era do partido do Marinho Pinto, se é que ainda existe?) não cedeu ao populismo, como diz Marques Mendes, cedeu à vingança. Foi uma facada nas costas do Passismo!


Mas, se o Congresso não conseguiu sequer deixar a ideia de um partido pacificado (quanto mais unido), também a ideia de um partido regenerado por uma liderança asséptica morre na fotografia do novo líder ladeado, à direita, pela imagem do populismo justiceiro e, à esquerda, pela do oportunismo promíscuo. Com Elina Fraga de um lado e José Luís Arnaut do outro, a ética de Rui Rio não cabe na fotografia!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A novidade num jogo sem novidades

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Grande ambiente de novo na Luz, com perto de 60 mil nas bancadas, para defrontar o Boavista, uma espécie de "bête noir" nestes últimos dois anos. Na memória de todos ainda estava aquele jogo da época passada, que ao fim de meia hora já o Benfica perdia por três a zero. Na de Varela estaria certamente aquele golo no Bessa, na primeira volta, na única derrota benfiquista, até ao momento, nesta Liga.


Deve começar por dizer-se que este jogo teve muito pouco a ver com o tal da época passada. O que de mais parecido teve foi mesmo a arbitragem que, sem ter a influência directa no resultado que teve a daquele jogo, não foi menos desastrada. A arbitragem de Tiago Martins foi má de mais, sempre em prejuízo do Benfica. E nem o VAR, mais uma vez e como vem sendo costume, lhe valeu.


O jogo teve uma novidade - Jonas. Foi novidade a sua presença na equipa, depois da lesão em Portimão, na semana passada. E foi novidade que, jogando, não tenha marcado. Não é normal Jonas ficar em branco. E ficou em branco porque, e isso já começa a ser normal, voltou a falhar um penalti. Coisa que evidentemente o marcou, a ponto de não ter conseguido estar perto de ser o jogador que é. Também não foi feliz, também não teve aquela pontinha de sorte, a ponto de até aquele terceiro golo, que bem poderia ter sido seu, ter acabado em auto-golo.


De resto, não teve grandes novidades. O mesmo futebol envolvente do Benfica, e os mesmos protagonistas: Cervi, Zivkovic, Grimaldo, André Almeida, Feja - sempre - e os centrais, Rúben e Jardel, de novo a abrirem a caixa dos golos.


O Benfica voltou a entrar bem, decidido. Passados os primeiros três minutos, que o Boavista aproveitou para pressionar onde quer que estivesse a bola, começaram a surgir as oportunidades de golo. Quando, aos 14 minutos, Cervi foi derrubado na área, e Jonas falhou o penalti que o Rúben 4 minutos depois faria esquecer, já o festival de oportunidades ia avançado. E quando o Jardel, já perto do fim da primeira parte, fez o segundo, já tinham ficado para trás dezenas de jogadas de ataque, meia dúzia de oportunidades, e um penalti (corte e atraso com a mão para o guarda-redes) por assinalar. Do lado do Boavista, nada. Nem uma imitação de remate.


A segunda parte foi diferente. É verdade. O Boavista fez três ou quatro. Um à baliza. Fraco, para as mãos do Varela.


E o Benfica passou por um pequeno período de menor acerto, ali pelos segundos 10 minutos. O resto, foi mais do mesmo. Mais uma série de belas jogadas de futebol, mais protagonismo dos mesmos, mais umas tantas oportunidades, e mais dois golos. O tal que o defesa do Boavista "roubou" ao Jonas e, já perto do fim, o quarto, do Raúl. Que já estava a jogar no lugar de Jonas para aí há um quarto de hora...


E lá está o Benfica de novo no topo. À condição, outra vez. A lembrar a asa do cântaro...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Portas

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Não surpreende que Passos Coelho tenha procurado - e pelos vistos encontrado - na(s) Universidade(s) a porta de entrada na vida profissional, agora que, pelos vistos, fecha a porta da política. Não surpreende que alguém cuja única especialidade conhecida era a de abrir portas, seja tão expedito a abri-las para si próprio. Não surpreende sequer alguém que levou vinte anos a fazer uma licenciatura, depois de passar pela chefia de um governo, fique automaticamente qualificado para professor universitário. O que verdadeiramente surpreende é o despudor da imprensa que temos.


Sem ela, sem essa imprensa, Passos não teria exponenciado a sua especialidade em portas. Foi com ela que, em muito pouco tempo, Passos transformou a  pequenina portinha de saída que o diabo lhe tinha apontado na porta grande por onde vai sair este fim de semana.


Não me admiraria muito numa parceria entre os principais players do negócio dos media e algumas universidades privadas para explorar a fileira da porta, sob a cátedra de Pedro Passos Coelho.


 


 


 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Especial espacial*

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Quando, na semana passada, foi lançado para os ares o primeiro foguetão de uma agência espacial privada, não se percebeu bem se o que mais impressionava era o gigantismo da aventura – o mais poderoso foguetão de sempre, no primeiro mega empreendimento espacial privado – se a espectacular iniciativa de enviar para o espaço um fantástico automóvel eléctrico com um boneco ao volante.


Não errarei muito se disser que o Roadster (assim se chama o modelo) da Tesla (e assim se chama a marca do automóvel) conquistou a fatia maior da atenção dispensada ao acontecimento. E se assim for – se não tiver errado muito – também voltarei a não errar em demasia se disser que, muito mais que de uma gigantesca campanha espacial, se trata de uma gigantesca campanha especial.


A Tesla e Space X – a empresa espacial privada – têm de comum o dono, o multimilionário Elon Musk que, se não for o maior, é certamente o mais arrojado dos visionários que o mundo actualmente conhece.  E não é muito difícil imaginar o que um Tesla no espaço pode fazer por uma Tesla na Terra, onde tem manifestado alguma dificuldade em colocar bem os pés. Ou as rodas…


Para tornar esta campanha ainda mais espacial – ou será especial? – acaba agora de saber-se, quando não se sabe muito bem o que é que já lhe aconteceu nem por onde anda, que o mais famoso dos famosos carros eléctricos não levava apenas um boneco ao volante. Levava ainda, secretamente – tão secretamente que já se conhece – preso no seu interior um minúsculo dispositivo de armazenamento de informações, com a gigantesca capacidade de perto de quatro centenas de terabytes de dados (nem faço ideia do que seja isso!). Desvendado o secretismo, diz-se que, do tamanho de uma moeda e com uma resistência à prova de tudo e mais alguma coisa, dura milhares de milhões de anos. Tudo isto para perpetuar e levar para outros planetas, ou até para outras galáxias, o conhecimento acumulado por estes seres que por cá se foram entretendo a dar cabo disto tudo.


Que lhes faça proveito, é o que se deseja…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Terrorismo na América

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Uma escola na Florida foi ontem palco de mais uma inexplicável chacina (17 mortos), perpetrada por um rapaz de 19 anos na posse de, pelo menos, uma espingarda semi-automática.


Estamos habituados a notícias de tiroteios em escolas nos Estados Unidos. Tanto que nem damos conta da dimensão da tragédia. Este foi o 18º tiroteio numa escola deste ano, que nem mês e meio ainda leva. Vale a pena comparar: nos últimos cinco anos registaram-se trezentos, à média de 60 por ano, de 5 por mês ou de 1 por semana!


É esta a face mais visível da miserável política americana subjugada ao lobby das armas. É este o mais tenebroso terrorismo instalado na América!


 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Dar com uma mão e tirar com a outra

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A Oxfam, a ONG britância que aqui tem sido tantas vezes referida, sempre por boas razões, e uma das maiores e mais influentes organizações mundiais ao serviço da Humanidade, está em risco de sobrevivência depois de ter sido tornado público o desvario sexual em que alguns dos seus funcionários superiores tornaram a sua intervenção no Haiti, depois do violento sismo de 2011, que matou perto de 300 mil pessoas.


A tragédia dos abusos sexuais, a que nem as diferentes missões da ONU escapam, põe seriamente em causa as missões de ajuda humanitária. Não há nem ajuda nem humanitarismo quando se tira com uma mão o que se dá com a outra. E quando o que se tira é a fatia maior, como se percebe nas palavras desta jovem da República Centro Africana: "Às vezes, quando estou sozinha com o meu bebé, penso em matá-lo. Ele lembra-me o homem que me violou". 


 


 


 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Um pequeno pedaço da herança de Mandela

 


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Infelizmente a dimensão política, cívica e humana de Mandela foi uma excepção na foma como em África se exerce o poder.


Na própria África do Sul sucederam-lhe figuras como Mbeki e Zuma, que em nada se distinguem do pior dos piores líderes africanos. Poderá dizer-se que alguma coisa fica, que nunca é em vão que os grandes homens passam por onde passam. Talvez alguma coisa de Mandela tenha ficado nas instituições sul africanas, e talvez essa alguma coisa se revele na forma como o partido do poder, o ANC - o Congresso Nacional Africano -, intervém quando os desmandos já passam todos os limites. Esta espécie muito particular, e particularmente eficaz de "impeachment", é certamente ainda um pequeno pedaço da herança de Mandela.


Foi assim em 2008, quando Thabo Mbeki acatou a ordem do Partido para abandonar o poder. Está a ser assim agora, quando Zuma se está a fazer de distraído para não a acatar.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Trunfos lusitanos

Capa do Público


Ora aí está. Nisto somos mesmo bons, melhores que no futebol, se é que isso é possível, numa altura em que tudo o que mete bola no pé é connosco. Na relva, nos pavilhões ou na praia...


Pronto. Podemos não ser melhores a criar impostos que a jogar à bola, mas lá que somos muito bons, somos. É aquela criatividade inata, aquele movimento gingão, aquele drible (ao contribuinte) fatal... É o Cristiano Ronaldo das finanças...


A comissão europeia só tem que aproveitiar este nosso dom natural para fazer impostos como quem faz rebiangas, trivelas ou cabritos.


proposta portuguesa de, para fazer crescer as receitas comunitárias, e atenuar os efeitos do brexit, ir ao bolso das plataformas digitais e das empresas poluentes não é descabida. Faz até todo o sentido. Pena é que para cá, para consumo interno, não tenham a mesma criatividade. Quando é cá para nós qualquer imposto sobre os combustíveis, imposto automóvel ou IVA serve!


 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

"À condição" na condição natural


 


O Benfica entrou bem, como é costume. Pressão alta, muitas vezes em autêntica asfixia, e a habitual qualidade dos seus movimentos, com a ala esquerda a deixar a cabeça em água à defesa portimonense. 


O golo de Cervi surgiu logo aos 6 minutos, e já então era esperado. O Portimonense não conseguia ligar uma jogada, nem sequer conseguia ter bola, logo que a recuperava voltava a perdê-la. Foi assim durante 40 minutos, mas que apenas renderam ao Benfica mais duas oportunidades claras. Mas nem tudo era perfeito, havia algumas entropias. Até porque Rafa, depois daquele brilhante movimento no primeiro golo, voltou a não fugir muito ao seu registo habitual. E porque a equipa algarvia, justamente elogiada pela  qualidade do seu futebol, perante a incapacidade de responder ao mesmo nível, começou a tentar empurrar o jogo para uma dimensão iminentemente física. Aos poucos foi o conseguindo, introduzindo cada vez mais dureza no jogo. Começou assim a quebrar o domínio avassalador do Benfica para, nos últimos minutos, conseguir então começar a jogar à bola. Como bem sabe, e anunciando uma segunda parte diferente.


E viria a ser substancialmente diferente. Logo de entrada se percebeu que o Portimonense vinha disposto a dar continuidade àqueles dois ou três minutos finais da primeira parte. No entanto, e por estranho que possa parecer, o Benfica teve então muito mais oportunidades de golo. Logo desde o início.


Quando, ao fatídico minuto 65 - lesão (que pode ser grave) de Jonas - o Portimonense chegou ao empate já o Benfica tinha desperdiçado três flagrantes oportunidades de golo, a última na jogada imediatamente anterior, num remate de Pizzi desviado por um defesa contrário, sem que o árbitro assinalasse o respectivo canto. E já o VAR tinha negado um penalti ao Benfica.


O golo do empate não fez tremer o Benfica. Num jogo mais repartido, é certo, a equipa voltou a ser melhor e criar mais três oportunidades de golo, ainda antes de Cervi bisar, numa soberba execução na cobrança de um livre. Para fechar o jogo com chave de ouro, Zivkovic fez o terceiro, já na última jogada da partida. Estamos habituados a que Jonas marque e seja o melhor em campo. Desta vez, até pela sua lesão, os melhores foram, primeiro, Cervi (um grande jogador em grande forma), e, depois, Zivkovic. Na justa medida dos golos que lhes prestam justiça.


E pronto. Se dermos agora uma espreitadela à tabela classifcativa, achamos que as coisas parecem agora normalizadas. É "à condição". Mas é uma condição natural!

Campeões da Europa!


 


 


Também no futsal. CAMPEEEEEÕES!!!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Uma questão de vida e de morte*

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É mais um dos ditos temas fracturantes, e está na ordem do dia. Nos próximos dias começam a chegar à Assembleia da República propostas e projectos para legislar sobre a eutanásia. Sim. É disso que estamos a falar, mesmo que com muitos nomes diferentes.


Há muito que o assunto vem e vai, sempre com grande turbulência. Mas nunca sem passar disso, depois de vir e de agitar as hostes, volta para o esquecimento e tudo fica na mesma.


Agora parece que não. Parece que finalmente a classe política entende que o assunto está suficientemente discutido na sociedade. Que o assunto está socialmente maduro!


Provavelmente estará, mesmo que este seja um terreno minado pelos mais radicais fundamentalismos.


Não me parece que haja assunto mais íntimo que dispor da própria vida. A intimidade é o núcleo central do “eu”, e o mais recôndito espaço de dignidade de cada um.


Em qualquer momento da sua vida, qualquer um pode decidir não querer viver mais. Mas nem em todos os momentos da sua vida tem capacidade para executar as suas decisões. Quando está desligado de tudo o que o faz sentir-se vivo, quando a vida se limita a uma prisão construída pela medicina no seu próprio corpo, ninguém consegue, por si, executar a sua decisão. Precisa de uma ajuda que, como sempre que se precisa de ajuda, não gosta que lhe seja negada.


O Estado - nós todos - temos que entender esta dimensão da vida que é escolher morrer. Que não tem nada a ver com matar!


É aqui, e só aqui, que o Estado tem que intervir. É aqui, e só aqui, que a lei faz sentido. Cabe à lei, nesta matéria, apenas assegurar que é severamente punido matar quem não quer morrer. Que, mesmo que pareça, não é nada pouco!   


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Coisas do diabo ... na Igreja

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De vez em quando a Igreja Católica sai-se com cada uma... Bom, com o actual Cardeal Patriarca não é bem de vez em quando. O Cardeal Mauel Clemente, em particular desde que veio do Porto para Lisboa para tomar conta do mais alto lugar da Igreja em Portugal, é ao contrário: de vez em quando não diz disparates. A regra tem sido, como se diz na gíria, mesmo que totalmente fora de moda, e hoje politicamente incorrecto, "cada tiro cada melro". Ou, "cada cavadela cada minhoca", que as minhocas ainda não estão ao nível dos pássaros.


Então, meu caro D. Manuel Clemente, o senhor acha mesmo que um casal, só porque recasado, não pode ter relações sexuais? Acha que isso é possível? E desejável? E aceitável? 


Eu sei que não se deve dar conselhos a tão eminentes figuras, mas aconselhava-lhe algum recato. E um bocadinho de bom senso. Para livrar a sua Igreja de coisas do diabo!

Gigantesco

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Ontem foi dia de regresso ao espaço. À hora dos telejornais em Portugal, e mais de duas horas depois do previsto, por causa do vento - não é só no Estoril que o vento faz das suas -, o Falcon Heavy, assim se chama o foguetão da Space X, a empresa que o multi-milionário Elon Musk - mais conhecido por ser o homem da Tesla -  criou para dar vida ao turismo espacial, disparou céu acima, a caminho da órbita de Marte, com um bonito Tesla vermelho cereja a bordo. Precisamente o do próprio Musk, um magnífico exempler do roadster da marca.


Diz-se - toda a gente diz, mesmo os entendidos da matéria, ou que por isso se fazem passar - que se trata de uma da maiores proezas ha história aero-espacial. Dizem tratar-se do mais poderoso foguetão de sempre - parece que não, que o Saturn V da NASA, usado na operação Apolo, que haveria de levar o homem à lua, estava uns furos (peso, altura e potência) acima - capaz de levar tudo e mais alguma coisa para o espaço, e dizem que é o início de uma nova era espacial, que nos levará de regresso à Lua e finalmente a Marte, onde dentro de pouco tempo muitos de nós estaremos a passar férias. Ou um fim-de-semana que seja. 


A mim, que não percebo nada destas coisas do espaço, parece-me mais uma gigantesca campanha publicitária, ao som de Space Oddity, de David Bowie.  Cara, muito cara, como todas as campanhas verdadeiramente gigantescas!


 


 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Uma notícia

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Passando os olhos - com os dois bem abertos, não mais - pelas notícias dos jornais, parei. Não consegui passar ao lado e seguir em frente. Dizia: "menina de 11 anos deu á luz, e o pai do bebé é o irmão de 14 anos".


Não podia ter sido em Portugal. Isso teria dado capa nos jornais todos e teria sido abertura em todos os telejornais. Onde terá acontecido, interroguei-me, sem grande vontade de procurar pormenores. No profundo terceiro mundo. Talvez na Índia, donde já nos habituamos às maiores aberrações neste domínio...


Percebi que me estava a entregar a estes pensamentos para, por repugnância, evitar entregar-me à notícia. Mas tinha de saber onde uma coisa destas poderia ter acontecido. Fui ver.


Aconteceu em Espanha. Em Múrcia. Estava tudo dito. Não precisava de saber mais. A partir daí, dizer que tinha acontecido numa família de imigrantes, era redundante.


É impressionante a faciidade de certos países desenvolvidos em recriar dentro de portas modelos infra-humanos dos mais desgraçados países do terceiro mundo. Espanha, e a região de Múrcia em particular, são disso o maior exemplo. Sabem como poucos replicar a mais indigna miséria humana, como se museus vivos do horror estivessem a criar. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A olhar para o fim-de-semana, com a devida vénia...

Resultado de imagem para ranking das escolas 2017


 


Para além do anunciado frio em todo o país, mais cortante pelo vento no Estoril ou mais amenizado pelo calor, em Lisboa, este foi um fim-de-semana de rankings, matéria muito apreciada cá pela paróquia. Não se discutiu outra coisa, nem nenhum jornal lhe passou ao lado. Por isso não resisti a trazer aqui "O romance do ranking", que o José Gabriel publicou no Aventar.


Com a devida vénia:


" “Estou muito satisfeito com as vossas notas, todos têm positiva na classificação final do ano”, dizia, aos seus alunos, o professor de Filosofia. Estes sorriam, satisfeitos.


“Então vamos todos a exame e fazer um figurão”, garantiam, felizes.
“Ah, isso é que não pode ser; o Colégio só leva a exame o Bernardo. Ele tem, de longe, a melhor nota de todos vós.”
” E- e então e nós, o que fazemos? Não é justo!”, espantavam-se os 24 alunos restantes, indignados com a situação que se desenhava.
“Vocês anulam a matrícula e vão ali à Escola Pública inscrever- se como autopropostos.”
Apesar da revolta dos alunos e, depois, dos seus pais, foi isso que aconteceu.
E foi assim que o Colégio de Sta. Miquelina obteve, mais uma vez, um dos primeiros lugares do ranking promovido pelo ME e patrocinado pela imprensa “de referência”. Há quem ache o método cruel – “canalha”, chamava-lhe um pai – mas a verdade é que o colégio não estava só. Todos os primeiros 15 classificados daquela disciplina tinham levado a exame apenas um aluno…


(Qualquer semelhança com factos reais não é pura coincidência…)"


 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Um resultado com duas caras


 


Não há como não começar pelo resultado deste Benfica-Rio Ave que abriu a jornada 21, hoje, na Luz. Bem composta, mas não cheia. Mesmo assim, num dia de chuva e frio, e no fim de uma semana não muito mobilizadora, 54 mil benfiquistas disseram "presente". Chegaram a assobiar, mas passou... Tem a ver com o resultado, por onde ia começar, e donde já estava a fugir.


O resultado, o 5-1 final, não espelha as dificuldades por que o Benfica passou no jogo. E no entanto é curto, muito curto mesmo, para o que se passou no jogo. O Benfica podia perfeitamente ter marcado o dobro dos golos. Pois é, o futebol tem destas coisas... E os resultados, às vezes, também têm duas caras.


Os campeões nacionais entraram bem no jogo. Entraram forte, pressionantes, com o seu futebol dinãmico e envolvente. Normalmente entradas destas dão em golo. Hoje não deu, e na primeira vez que o Rio Ave chegou à area encarnada, à beira dos 10 minutos de jogo, marcou. Jardel cedeu um canto desnecessariamente. Do canto resultou um ressalto, aproveitado com classe pelo Geraldes, que entrou pela atordoada defesa benfiquista e centrou bem para a cabeça de Guedes  pôr a bola dentro da baliza do Varela, que não pareceu nada que tivesse feito tudo para o evitar.


Logo a seguir o João Novais rematou ao poste direito de Varela, e o Benfica desapareceu do jogo, e só regressou à entrada para o último quarto de hora. Pelo meio, o Rio Ave controlou o jogo, com os jogadores do Benfica a teimarem em dar espaço aos dois jogadores-maravilha da equipa adversária, os já referidos Geraldes e João Novais. E o árbitro - miserável arbitragem de um árbitro (Manuel Oliveira) que normalmente aparece por "encomenda" nos jogos do Benfica -  e o VAR (que, como se sabe, tem servido apenas para deixar cair a sílaba do meio da "verdade" desportiva) deixaram de marcar um penalti a favor do Benfica.


Não foi feliz, o "regresso" do Benfica ao jogo. Coincidiu com a lesão de Salvio, mais uma. E foi então já com Rafa que a equipa partiu para cima da baliza do regressado Cássio que, como se sabe, tem história feita nos jogos com o Benfica. E com Zivkovic que, tendo entrado de início - a segunda experiência, depois do João Carvalho, para as funções que Krovinovic desempenhava com sucesso até se ter lesionanado, há duas semanas -, ainda se não tinha visto. 


Foi um sufoco, e as oportunidades de golo sucediam-se, sempre em vão. Mas nem assim o Rio Ave era um adversário submetido. Sempre a pressionar a primeira zona de construção do Benfica e, sempre que podia, lá trocava a bola com propósito e classe, pelo menos sempre que ela passava pelos pés daqueles dois.


A segunda parte arrancou no mesmo ritmo. Mas também com o esperado golo do Benfica, por Jardel. Mas de forma inesperada, num canto. O oitavo, depois dos anteriores terem sido desperantes... Depois... Bem, depois, e especialmente depois do segundo (Pizzi) foi um festival de futebol benfiquista. Deu em mais três golos (Jonas, como não podia deixar de ser, depois Rúben Dias, o seu primeiro, e de novo num canto, e finalmente Raul, que já substituira Jonas), mas podia ter dado mais quatro ou cinco. 


As oportunidades criadas e a qualidade de jogo exibido justificavam-nos. Mas o futebol do Rio Ave não os merecia!


 


 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Uma Justiça a reboque

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O Ministério Público arquivou o processo que envolvia Mário Centeno, que o DIAP confessou ter aberto por notícias vindas a público nos jornais. Os jornais - quase todos, ou todos menos o mesmo (ou os mesmos) -, hoje, dão conta da notícia, como o "desfecho óbvio de um processo que nunca devia ter existido".


A Procuradoria Geral Distrital de Lisboa escreveu na nota de arquivamento que "realizado o inquérito, recolhida a prova documental e pessoal necessária ao apuramento dos factos, o MP concluiu pela não verificação do crime de obtenção de vantagem indevida ou qualquer outro, uma vez que as circunstâncias concretas eram suscetíveis de configurar a adequação social e política própria da previsão legal". E explicou que "o MP no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa ordenou a instauração de processo-crime na sequência da publicação nos órgãos de comunicação social de notícias sobre a solicitação de bilhetes para assistência a jogo de futebol no dia 1.04.2017 em tribuna presidencial".





Ou seja, confessou que anda a reboque da comunicação social. De alguma comunicação social. Da mesma. Poderia não ter grande mal se o fizesse nas profundezas do silêncio, se andasse só atrás dela, sem que a alimentasse.


Mas não. Fizeram-se buscas no Ministério das Finanças perante câmaras de televisão, fotógrafos e repórteres. Jogou-se à lama o nome do mais prestigiado dos ministros, conspurcou-se a imagem do país e, no fim... nada se passa. Os mesmos jornais, e as mesmas televisões continuam a fazer as mesmas notícias, na maior das impunidades. E a fazer mal por simplesmente quererem fazer mal!


 




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Notícias da Justiça*

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As últimas notícias que nos chegam da Justiça, incluindo a “Operação Lex” que tomou conta do espaço mediático desta semana, dizem-nos que os ricos e poderosos já não lhe escapam pelo simples facto de o serem. Entre eles – não sei se ricos, mas sei que poderosos - os seus próprios agentes, os seus pares. A Polícia prende polícias, e o Ministério Público investiga e acusa governantes e ex-governantes, líderes empresariais e da alta finança, do país e do estrangeiro, altos dirigentes desportivos, magistrados e procuradores…


No caso que domina a semana estão envolvidos, para além um procurador, um oficial de justiça e advogados, dois juízes desembargadores, por acaso com recente relação conjugal. Ela, em vésperas de ser promovida da Relação para o Supremo Tribunal de Justiça e ele, na mesma calha, figura mediática de primeiro plano.


A presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Manuela Paupério, entrevistada no DN, defendia a classe, como lhe compete, dizendo com absoluta naturalidade que se trata de casos muito pontuais, que não podem permitir qualquer tipo de generalização, rematando com a afirmação que estava há 30 anos na magistratura e era a primeira vez que via uma coisa destas.


Poderia lá estar há muitos mais anos e afirmar a mesma coisa. Porque a questão é se estas coisas sempre aconteceram, mas só agora é que a Justiça as vê; ou se estas coisas não aconteciam de todo no passado, e se são as actuais personagens do poder que, de tanto o exacerbarem, se expõem agora mais, e às mais variadas tentações.


Não sabemos a resposta. Como também não sabemos por que é que, agora, as câmaras de uma televisão, e os jornalistas de um jornal, chegam sempre primeiro às residências e demais locais de busca, que os agentes e portadores do respectivo mandato judicial.


Evidentemente que precisamos de estar informados sobre os resultados da actuação da Justiça. Mas assistir em directo à execução de um mandato judicial, ou acedermos aos processos pelas televisões e pelas primeiras páginas dos jornais, não é isso. É outra coisa qualquer… Que nem é aceitável, nem nos deve dar maior tranquilidade.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM


 

Lembretes

Capa do Correio da Manhã


 


Vista assim, a encher a capa, parece uma notícia. Uma notícia de primeira página, e bem gorda. Mas não é. É um simples auxiliar de memória. Uma espécie lembrete.


Mas lá que é bem lembrado, é!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...