Infelizmente a dimensão política, cívica e humana de Mandela foi uma excepção na foma como em África se exerce o poder.
Na própria África do Sul sucederam-lhe figuras como Mbeki e Zuma, que em nada se distinguem do pior dos piores líderes africanos. Poderá dizer-se que alguma coisa fica, que nunca é em vão que os grandes homens passam por onde passam. Talvez alguma coisa de Mandela tenha ficado nas instituições sul africanas, e talvez essa alguma coisa se revele na forma como o partido do poder, o ANC - o Congresso Nacional Africano -, intervém quando os desmandos já passam todos os limites. Esta espécie muito particular, e particularmente eficaz de "impeachment", é certamente ainda um pequeno pedaço da herança de Mandela.
Foi assim em 2008, quando Thabo Mbeki acatou a ordem do Partido para abandonar o poder. Está a ser assim agora, quando Zuma se está a fazer de distraído para não a acatar.
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