quinta-feira, 31 de maio de 2012

MIGUEL RELVAS: NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

Por Eduardo Louro


                                                                      


É notícia de última hora: Miguel Relvas vai jantar com a selecção nacional de futebol…


Foi exactamente assim que ouvi há pouco na Antena 1!

REFORMAS ESTRUTURAIS II - SERVIÇOS SECRETOS

Por Eduardo Louro


                                                                      


Não estou em condições de quantificar os efeitos desta reforma estrutural, mas também não é grave. Os governos também não quantificam nenhuma das que apresentam e, quando o fazem não acertam!


De qualquer modo a utilidade das reformas estruturais não esgota no seu impacto financeiro. Na poupança. Se à poupança se juntar transparência, melhoria do estado de saúde da democracia, da cidadania e da preservação dos direitos fundamentais e da tranquilidade dos cidadãos, ficam poucas dúvidas sobre os méritos da reforma. Qualquer mudança – e não há reforma sem mudança -, como uma balança, tem sempre dois pratos: num pesa o que se ganha e no outro o que se perde. Se não perde nada, ou quase nada, deixa de haver qualquer razão para não a implementar.


Pois é, a reforma de que falo é a extinção completa e total dos serviços secretos!


Acabar com as secretas poupar-nos-ia dinheiro mas, mais importante, poupar-nos-ia à enormidade de dislates e de poucas vergonhas a que temos assistido.


E o que é que perderíamos?


Nada!


Porque, perdida a soberania, o que é que há para defender? Dizer que os serviços secretos são uma peça fundamental do Estado de Direito nunca foi tão ridículo. Estes serviços secretos são, como está mais que demonstrado, precisamente a negação disso.


 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PATETAS E PATETICES

Por Eduardo Louro


                                                                      


A defesa que o primeiro-ministro, a maioria e o PSD fazem do envolvimento de Miguel Relvas neste processo das secretas atinge o patético. Quando essa defesa tem Luís Filipe Meneses como protagonista, como já vi em duas circunstâncias – a última das quais há momentos na SIC Notícias – passa a tesourinho deprimente, digno da famosa e saudosa rubrica dos Gato Fedorento.


Vou deixar de lado o tesourinho deprimente para me centrar apenas no mais patético dos argumentos da defesa oficial do primeiro-ministro. Que irá conduzir a outro patético argumento do PSD.


O grande argumento que vem sendo apresentado, e que foi hoje reafirmado pelo primeiro-ministro no Parlamento, é que os pedidos feitos a Miguel Relvas através dos tais sms não tiveram consequências. Não foram atendidos e – mais - alguns dos nome sugeridos acabaram mesmo por ser demitidos das secretas. É tão patético quanto isto: se a marosca foi descoberta e divulgada pelo Expresso logo no processo de constituição do governo, a partir da nunca explicada retirada do nome de Bernardo Bairrão da lista de secretários de estado (recordo que o seu nome constava, como secretário de estado do Ministério da Administração Interna, da lista já entregue ao Presidente da República e que tinha sido anunciado por Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa dominical da TVI, fazendo uso do seu estatuto de bem informado que tanto e tão bem lhe rende), como é que o governo, sentindo-se apanhado, iria dar os seus bons ofícios aos pedidos de Silva Carvalho?


O lobo estava ali, de boca bem aberta. Então e o governo ia meter a cabeça lá dentro?


Patético!


Um dos muitos outros patéticos argumentos do PSD é que o ministro Miguel Relvas não é tido nem achado nisto pela simples razão que não era ministro à data daqueles sms. Era então um simples cidadão que, como qualquer outro, não está livre de receber sms, mesmo que indesejados. Mesmo que não os leia! O primeiro-ministro diria hoje no Parlamento que não demite ministros por receberem sms, o que não deixando de ser igualmente patético, vai contra o patético argumento.


Que não colhe pela mesmíssima razão. Porque todos bem sabemos que quando Miguel Relvas foi empossado já lá estava o lobo com a boca toda aberta. Como todos bem sabemos que Miguel Relvas era virtualmente ministro, pelo menos, desde o discurso de tomada de posse do Presidente da República!


Que usem argumentos patéticos – e são tantos outros, como, para referir apenas mais um, o de que tudo isto não passa de uma guerra entre empresas (a Impresa, de Pinto Balsemão e a On Going, de Nuno Vasconcellos) – é lá com eles. É o que faz há muitos anos este leque de políticos que permitimos que tenha nidificado no nosso país. Que continuem a tratar-nos como patetas é que me custa mais! 

OS IMPOSTOS DA SENHORA LAGARDE

Por Eduardo Louro


                                                                      


Já não bastava a forma desastrada e inaceitável como a directora do FMI, Christine Lagarde, se referiu às crianças africanas e às gregas para falar de fuga aos impostos na Grécia. Desastrada, gravemente ofensiva de uns e de outros - de crianças africanas e de crianças gregas, mas em especial dos gregos – e da inteligência de todos nós. Como se quem fugisse aos impostos na Grécia – ou em qualquer outra parte - fossem exactamente os mais pobres, os pais das crianças que sofrem!


Não bastava isto. Era ainda preciso que ela própria não pagasse impostos. Que auferisse de rendimentos próximos de meio milhão euros anuais sem que, por isso, pagasse um cêntimo de impostos. Que autoridade!


Este é um mundo perdido, sem pés nem cabeça. Um mundo desigual, feito por e para uns poucos, que se arrogam ao direito ao disparate e à afronta sem perceberem que continuam a esticar uma corda que já não estica mais.


Quando a Europa o FMI e o mundo querem desesperadamente inclinar o sentido de voto dos gregos para os que, ironicamente, os levaram à actual situação – aqueles que enganaram os gregos e os europeus, que, com a ajuda dos Goldman Sachs boys, mentiram durante anos e anos nas contas que apresentaram à União Europeia, são os que eles proclamam agora como salvadores da Grécia, do euro, da Europa e do mundo – o comportamento da Senhora Lagarde mais não faz que acentuar o sentimento de revolta dos gregos.


 

terça-feira, 29 de maio de 2012

ARREPENDIMENTO? O QUE É ISSO?

Por Eduardo Louro


                                                                      


O anterior ministro das finanças – Teixeira dos Santos, objecto, como temos visto, de incompreensíveis e sucessivas tentativas de reabilitação – declarou hoje no Parlamento, no âmbito da Comissão de Inquérito ao BPN, que, se fosse hoje, com o conhecimento que tem dos factos e das consequências da decisão, voltaria a fazer o mesmo.


Depois de sabermos – creio que ainda não sabemos, nem nunca viremos a saber, mas bastam os 8 mil milhões que são dados por conhecidos - o que nos custou aquela decisão obtusa, este senhor, em vez de aproveitar a oportunidade para pedir desculpa, vem simplesmente dizer que fez bem e que não está arrependido.


E com que argumentos? Com uma espécie contrafactual que, como se sabe, nunca se consegue provar. Diz ele que se o banco tivesse então falido a economia iria afundar profundamente.


Quer dizer, o responsável por uma das mais gravosas decisões para a vida dos portugueses, acha que lava as mãos e pode assobiar para o lado dizendo que a economia iria afundar profundamente. Simplesmente. Sem mais, como se fosse o Rei Sol!


É cá de um desplante… E não se lhe pode fazer nada… Vai continuar por aí a dar umas conferências aqui e a receber uns prémios ali. E a ser indicado para isto e mais aquilo!


Porque, afinal, nós só temos de lhe agradecer por isto não estar ainda pior…


Os políticos não podem ser julgados judicialmente, são julgados em eleições. Ainda bem, porque eu gostaria de ver este senhor a defender-se em tribunal nos termos em que o fez na Assembleia da República. Seria como um agressor a justificar o seu crime garantindo que se não tivesse espancado a vítima, se não lhe tivesse partido as pernas e os braços e atirado com ele para a cama do hospital, o desgraçado teria ido assaltar um banco. O BPN, quem sabe…



segunda-feira, 28 de maio de 2012

NÃO PRECISAMOS...

Por Eduardo Louro


                                                                      


Quando se fala do estado da banca espanhola, fala-se em números que batem todos os dias novos recordes.


As perdas sobem já aos 260 mil milhões de euros, e fala-se na necessidade de uma ajuda de 60 mil milhões. No Bankia – que resultou da fusão de oito Cajas de Haorro – começou por se falar de 4 mil milhões, depois nove. O Estado espanhol já lá pôs 4,5 mil milhões e, para já, o Banco pediu mais 19 mil milhões!


As agências de rating já fizeram o seu trabalho, e mandaram alguns deles para o lixo. Já vimos isto…


Rajoy grita aos sete ventos que não precisa de ajuda externa. Já vimos isto…


Ainda falta saber o que vai por aquelas autonomias fora. Não falta saber tudo, porque a mais próspera – a Catalunha – já pediu com urgência dinheiro ao governo. O presidente desta região autónoma – Artur Mas – utilizou mesmo uma expressão curiosa: “Não queremos saber como eles o farão, mas nós precisamos de fazer os pagamentos até ao final do mês”!


Pois é. As autonomias falam assim. Também já vimos isto…


A Espanha não é Portugal… Pois não. É Portugal, mais a Grécia, mais a Irlanda…

domingo, 27 de maio de 2012

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXII

Por Eduardo Louro


                                                                      


Gente extraordinária, esta do FMI!


Foi-se um. Tarado sexual, diz-se. Veio outra, tarada da cabeça, parece.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

FUTEBOLÊS#128 MODELO DE JOGO

Por Eduardo Louro


 


Por muito que o segredo seja a alma do negócio – regra que no futebol vale mais que em qualquer outro lado -, que a surpresa – o tão valorizado factor surpresa – seja tantas vezes um dos grandes desequilibradores de jogo, a verdade é que lá está sempre o modelo de jogo como forma de sistematizar a abordagem do dito.


O modelo de jogo não se esgota na estratégia, e muito menos na táctica escolhida para cada jogo. Quer isto dizer que o modelo de jogo é algo de mais profundo, é aquilo que vai para além da estratégia e da táctica. Porque é a forma como se faz, como se executa uma determinada estratégia. Traduz-se numa ideia de jogo ou, mais do que isso, numa filosofia para o próprio jogo.


É, nessa medida, a matriz, o lado institucional e estrutural do jogo. Sem modelo de jogo a equipa anda à deriva, sem guião. Pode saber o que quer fazer, mas não sabe como fazer. Sem noção de colectivo, com cada jogador por si, perdido num colectivo que não comunica, sem fio condutor…


È por isso o lado do jogo que não permite surpresas nem guarda segredos. O mais famoso – e também o mais bem afinado – modelo de jogo é, sem dúvida, o do Barcelona. É tão óbvio que nem vale a penas gastar mais uma linha a justificá-lo!


A selecção nacional, que em breve irá dar o pontapé de saída no euro 2012, tem um modelo de jogo. Que há muito tempo está definido e instalado, e que só em momentos de desvario – que não têm sido assim tão poucos como isso, basta lembrarmo-nos do período de desnorte de Carlos Queiroz – é esquecido. Tem a ver com o próprio perfil do jogador português, de base mais técnica que física. É um modelo de passe curto, de posse de bola e de repentismo, de pensamento e de execução rápida.


Daí Hugo Viana. Que tinha feito uma boa época no Braga, onde foi decisivo naquele modelo de jogo e que, só por isso, mereceria, na óptica de muitos dos adeptos do futebol – e aqui sem clubismos que invariavelmente cegam e turvam a lucidez da análise -, a convocação para o europeu. Merecimento que teria de ser visto precisamente como um prémio ao seu desempenho durante a época!


Paulo Bento justificou, logo na apresentação das suas opções de convocatória, que Hugo Viana não cabia no modelo de jogo da selecção. E, friamente, toda a gente teria de lhe dar razão: Hugo Viana não se integra no modelo do passe curto e de posse da bola, do drible e da velocidade, com bola ou em desmarcação. Pelo contrário, faz da visão e da precisão do passe longo a sua grande vantagem comparativa!


Acontece aos melhores. São muitos os exemplos de jogadores de excelência que se não integram em determinados modelos de jogo. Lembramo-nos de Ibrahimovic, que não cabia claramente no modelo do Barcelona!


Claro que há jogadores que, por si só, impõem a definição de um modelo de jogo ajustado às suas características. Mas, para isso, terão que ser eles próprios maiores que a equipa. E umas vezes não o são e, outras, é a equipa que não permite que o sejam. Lembremo-nos de Jardel que, sendo nos seus tempos áureos o fabuloso goleador que o mundo conheceu, nunca teve oportunidade de jogar numa grande equipa europeia e mundial, nem de chegar à selecção do seu país.


É por tudo isto que a convocação de Hugo Viana, logo que a oportunidade surgiu, é estranha. Não pelas suas qualidades, nem sequer porque, na tal lógica de prémio, não o merecesse. Apenas porque o modelo de jogo da selecção, ao que se saiba, não vai ser alterado. E porque não fazem sentido nenhum as suas próprias palavras, segundo as quais se iria esforçar para se adaptar ao jogo da selecção!


Assim sendo, não fazendo sentido, só resta admitir que a sua convocação se deve a factores externos ao processo de decisão do seleccionador. Que não terá resistido às pressões que sofreu para o convocar!


Se o que parece é, estaremos perante o colapso de um dos principais pilares do edifício de Paulo Bento. E sabe-se como é: quando um pilar cede, os restantes não são suficientes para manter a coisa de pé.


E por falar em pé, o mais provável é que Hugo Viana não o chegue a pôr nos relvados da Ucrânia. Se assim for esperemos que o lugar que está a ocupar entre os 23 não venha fazer falta nenhuma. Que nunca nos lembremos que só lá está um lateral esquerdo... Porque o Miguel Veloso tem mais vocação para modelo (e não é de jogo) que para lateral esquerdo!

TEMA DA SEMANA #3

Por Eduardo Louro


                                                                      


Como aqui previra logo no início o tema da semana estava encontrado. Os seguimentos que estes dias lhe trouxeram confirmaram o que já era o seu destino.


Hoje é incontornável, e nem mesmo os que desde o início quiseram circunscrevê-lo ao domínio do fait divers ousam hoje mantê-lo aí. O tema tomou a verdadeira dimensão de caso. De caso sério!


Parece que, com Miguel Relvas, cada pontapé numa pedra levanta novas e gigantescas nuvens de pó. Miguel Relvas já não só ameaçou ou chantageou. Também se irritou. Também mentiu!


Mentiu na Assembleia da República. Preparou-se mal. Depois, a tal pergunta da jornalista do Público e a lei de Murphy fizeram o resto!


Afirmou ter conhecido o tal Silva Carvalho em 2010 mas, das informações irrelevantes que ele lhe dera, recordava-se de uma inócua notícia de uma visita de Bush ao México. Notícia de 2007!


Já há um cordeiro sacrificado: chama-se Adelino Cunha, do gabinete do ministro. Não se percebe muito bem para que serve esse sacrifício, mas é o costume… Há sempre raia miúda!


Por mim espero que, demita-se ou não o ministro – num país normal á há muito que isso teria acontecido -, não se esqueça que, na origem disto tudo, estão gravíssimos problemas na organização e funcionamento dos nossos serviços secretos.


Se cada macaco no seu galho, esperemos que não se esqueçam destes macacões!  

OBRIGADO E DESCULPE!

Por Eduardo Louro


                                                                      


Faz hoje 90 anos e continua em plena forma, pleno de lucidez e sem trair os seus princípios, cada vez mais actuais. Bem longe de outros exemplos que vemos por aí!


Parabéns Sr Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Que conte muitos mais!


Obrigado pelo que deu ao país, mesmo quando recusaram aceitar. E pelo que exemplo que vai deixando! Peço-lhe perdão por nunca lhe terem dado ouvidos, por terem estragado o nosso jardim apenas porque ignoraram os seus avisos e as suas opiniões. Peço desculpa pelo estilo de vida que seguimos, à revelia dos seus conselhos! 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

FUNDAMENTALISMO

Por Eduardo Louro


                                                                      


Portugal foi o primeiro país a ratificar a chamada regra de ouro do pacto orçamental europeu. Antes de qualquer outro, e antes das eleições presidenciais francesas, onde o esperado e confirmado candidato vencedor anunciava mandá-lo às malvas.


Um governo que dificilmente conseguirá conter o défice nos 5,5% a que este ano está obrigado, apressou-se para ser o primeiro a ratificar um tratado que o obriga a um défice máximo de 0,5%. Quando nada o obrigava a isso, e quando tudo aconselhava a uma pausa, a um prudente wait and see!


Quando a questão das eurobonds cai em cima da mesa com um estrondo nunca antes visto, imposta pelas lideranças francesa, italiana, irlandesa e mesmo as do próprio BCE e da comissão europeia, e começa inclusivamente a ver alguma flexibilidade da parte da Alemanha, o nosso primeiro-ministro chega-se à frente e afirma peremptória e inequivocamente que nem pensar. Eurobonds nunca!


Poderíamos até perceber a famosa e mil vezes repetida expressão de nem mais tempo nem mais dinheiro, ou o repetido anúncio de que iríamos para além da troika, como parte integrante da estratégia de comunicação externa. Para a Europa e o Mundo ouvirem bem alto enquanto, de baixinho e com pinças, se ia tratando com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia dos inevitáveis mais dinheiro e mais tempo. Era isto que se esperava que, responsavelmente, estivesse a acontecer!


Dava-se até de barato que aquela camisola amarela na ratificação do tratado, apesar de injustificada e injustificável, pudesse fazer parte de um jogo de charme e sedução para levar por diante aquela estratégia. Mas, quando somos os que mais temos a ganhar com as eurobonds, vermos o nosso primeiro-ministro desalinhado com os que as estão defender e, uma vez mais, dar o passo em frente e assumir o comando desta frente de batalha, percebemos que não é nada disso. Percebemos que é mesmo assim, que todas estas atitudes nada têm de estratégico na defesa dos interesses do país. Que são apenas faces da mesma moeda ideológica!


E percebemos uma coisa verdadeiramente dramática: este primeiro-ministro, e este governo, entre a defesa do país e a dos seus princípios ideológicos, não hesitam. Preferem colocar-se ao serviço da ideologia. Isto é fundamentalismo ideológico, do mais radical!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

DANOS COLATERAIS

Por Eduardo Louro


                                                                      


O desemprego – os absurdos recordes de desemprego que atingimos e continuaremos a atingir por mais uns anos – não esgota o seu impacto nos dramas económicos e socais que todos conhecemos. Não se limita a lançar na miséria centenas de cidadãos e de famílias, faz muito mais que isso: corrompe e destrói toda uma sociedade!


Alimenta gente sem escrúpulos, autênticas máfias de um submundo que prospera e floresce à custa das mais abomináveis práticas, grosseiros e inaceitáveis atentados à dignidade humana. São muitos os casos que se vão conhecendo de autêntico esclavagismo. São frequentes os relatos chocantes de pessoas que, à procura de condições mínimas de subsistência, acabam arrastadas para circunstâncias da mais absoluta exploração, dentro e fora do país, às mãos de estrangeiros ou de compatriotas sem escrúpulos. De gente que não tem uma pontinha de vergonha de viver da miséria que alastra e de a aprofundar, que não tem nome nem cara, sempre escondidos nas teias secretas do crime.


O que não sabíamos era que já tínhamos entrado noutra dimensão. O que não sabíamos era que os danos colaterais já tinham rompido com essa barreira, que hoje já há gente que não sente necessidade de se esconder para exercer essas abomináveis práticas. Que anda por aí de cara descoberta, que coloca anúncios de emprego como quaisquer outros, que tem escritórios abertos e, pasme-se, que até recorre à Justiça para defender o seu bom nome quando é desmascarada. 


O caso corre a blogosfera*, nasceu aqui e conta-se em poucas palavras. Uma empresa que se dá pelo nome de Axes Market - mas também pode ser Ambição Internacional Marketing ou mais não sei quantos nomes, com escritórios na Rua Barata Salgueiro, mas também na dos Fanqueiros, em Lisboa, mas também em Aveiro, no Porto ou em Faro – dedica-se precisamente à exploração do filão do desemprego. Uma vítima dessa exploração fez a denúncia (link acima) num blogue, seguindo-se umas centenas de comentários de outras tantas vítimas. Perante isto a empresa apresenta queixa em tribunal e requer que sejam eliminados todos os comentários do blogue, a que o tribunal rapidamente deu provimento, mandando apagar, não todos, mas muitos desses comentários.


Não é a decisão do tribunal que, para o caso, releva. Não é aí que pretendo colocar ênfase, até porque sei que os tribunais se pronunciam estritamente sobre a peça processual em causa e não sobre o que, sendo-lhe marginal, constitua a sua envolvente. O que verdadeiramente me choca é perceber que chegamos a um ponto em que esta gente até já acha que tem bom nome. Um bom nome a defender!


O desemprego mede-se, vai-se medindo. Ainda hoje se soube que o número de casais desempregados (com ambos os membros em situação de desemprego) subiu de 70% no último ano. Mas, efeitos colaterais como estes, não!


 


*Aqui aqui, aqui ou aqui.

terça-feira, 22 de maio de 2012

HOMENAGEM A JOSÉ RIBEIRO VIEIRA

Por Eduardo Louro


                                                                      


Hoje - dia da cidade – Leiria e o país homenagearam, numa iniciativa do NERLEI, o Engº Ribeiro Vieira, falecido há quatro meses.


A sessão de homenagem - que juntou pessoas de todos os quadrantes, da Universidade aos negócios, do associativismo empresarial ao da cidadania, da política às artes – foi aberta por Mário Soares e encerrada por um representante de Ramalho Eanes, e contou com o testemunho de muitos dos seus amigos, distribuídos por três painéis correspondentes a outras tantas vertentes da intervenção pública daquele que será uma das mais ecléticas personalidades de Leiria, da região e do país.


Empreendedor de sucesso, homem de causas e da política, sem que tenha sido político, homem das letras e da cultura, e cidadão de corpo inteiro, sempre disponível para as causas do desenvolvimento da região e do país, Ribeiro Vieira foi um cidadão livre e activo na defesa dos valores em que acreditava.


Mais do que bonita, foi uma justíssima homenagem!

DE MAL A PIOR

Por Eduardo Louro


                                                                      


A OCDE lançou hoje mais um balde de água gelada sobre todos nós. Pelas suas previsões o PIB cairá 3,2% este ano e 0,9% no próximo, e falharemos o défice previsto para este ano e para o próximo. O desemprego continuará a crescer, atingindo os 16,2% no próximo ano.


Nada que não se esperasse!


O desemprego real é já bem mais alto que aquela previsão e no cumprimento das metas do défice apenas o governo acreditava. Ou dizia acreditar!


O governo tem dito que não há alternativa ao cumprimento do programa de ajustamento e que o défice será cumprido, custe o que custar. O ministro das finanças tem dito ultimamente que não haverá agravamento das condições de austeridade.


Chegamos ao ponto em que não é possível conciliar estas duas posições do governo. O primeiro-ministro ainda ontem, em Chicago, voltava a reafirmar que Portugal não precisa nem de mais tempo nem de mais dinheiro. Quer dizer, que negociar o que quer que seja com a troika está fora de causa.


Não há milagres, se assim é, terão que aí vir novas e mais medidas de austeridade. Todos sabemos que o governo tem dois pesos e duas medidas. Que a palavra dada vale muito numas circunstâncias e nada vale noutras. E, depois do corte nos subsídios de férias e de Natal, todos sabemos quais são as circunstâncias em que não vale nada!


O que nós não sabemos é a que é que o governo ainda pode lançar mão… Que vai cair sobre os mesmos de sempre, não temos dúvida nenhuma!


Entretanto a troika está de regresso, para nova avaliação. Provavelmente para continuar a dizer que estamos no bom caminho!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

TEMA DA SEMANA #2

Por Eduardo Louro


                                                                      


Logo no início já há um tema da semana: Miguel Relvas. Que já vem da semana passada, mas como o fim-de-semana se atravessou à frente, entra de rompante por esta dentro!


Não sei se Miguel Relvas chantageou ou não a jornalista do Público. Se o fez é evidentemente grave!


Mas sei duas coisas: sei que a personagem é useira e vezeira neste tipo de exposição, e sei que a sua defesa – feita a partir da entourage do governo e proximidades – não apresenta consistência e assenta apenas em bases subjectivas. E por isso pouco credíveis!


Miguel Relvas deixa-nos a ideia que passa a vida à volta de jornalistas e da comunicação social em geral - que não é apenas por ter esse pelouro – cola-se facilmente à imagem da manipulação e mesmo de uma certa promiscuidade com a imprensa. Não parecendo que tenha exactamente boa imprensa, fica a ideia de que tem muita influência. Como a de que sabe muito bem usar o (grande) poder que tem!


A verdade é que este episódio não surpreende ninguém. A verdade é que na opinião pública fica claramente a ideia que, se não ameaçou nem chantageou, podia muito bem tê-lo feito. É uma suspeita que lhe assenta que nem uma luva. O que, em sede da opinião pública, torna a sua defesa muito difícil e muito mais exigente. Os que têm agenciado essa defesa estão a descurar essa realidade e longe de ser minimamente eficazes. E por isso, em vez de ajudar, agravam!

domingo, 20 de maio de 2012

A TAÇA COM MAIS ENCANTO

Por Eduardo Louro


                                                        


“Dar os parabéns à Académica, que criou as melhores oportunidades e foi um justo vencedor”!


Estas palavras não são minhas, são de Sá Pinto, na conferência de imprensa no fim do jogo. Que me levam a dar-lhe os parabéns, pelo desportivismo que até há pouco tempo ninguém julgaria possível numa personagem que seria exemplo de muito coisa menos de fair play!


Sá Pinto tem revelado, na hora da derrota, uma lucidez e uma dignidade que infelizmente não é comum. Vindo de quem vem, de quem era tido quase como um arruaceiro, só tem de ser ainda mais valorizado e só pode funcionar como um exemplo que gostaria de ver fazer escola. A Académica ganhou a sua segunda Taça de Portugal, 73 anos depois da primeira, que foi mesmo a primeira de todas. E ganhou bem, como refere o treinador do Sporting!


Que me perdoem todos os conimbricenses em festa mas, para mim, o mais importante foi mesmo a atitude do Sá Pinto. Só por isso diria que ainda bem que foi o Sporting a estar hoje no Jamor, e não o Nacional, não fosse o árbitro da final da Champions de ontem ...


Esta Taça tem sem dúvida mais encanto!


 

COISAS DA FINAL DA CHAMPIONS

Por Eduardo Louro


                                                        


Levando a sua estratégia italiana até ao fim o Chelsea é finalmente campeão europeu, na segunda vez que atinge a final. Parece que está descoberta a receita de Abramovich: despedir um treinador português e entregar a equipa ao adjunto da casa!


Desta vez Mata fez de Cristiano Ronaldo e Schweinsteiger, sem escorregar, de Terry. De resto, tendo sido um jogo recheado de incidências e de emoção, não foi um grande jogo. As estrelas da equipa bávara simplesmente não apareceram no jogo em que o Bayern tinha apostado toda a época. Robben e Schweinsteiger estiveram mesmo nos momentos mais desastrados da equipa, o primeiro a falhar um penalti decisivo, já no prolongamento – que levou Heynkes, e bem, a afastá-lo da lista de marcadores dos penaltis que decidiriam o campeão -, e o segundo, infeliz, a falhar (com a bola no poste) o último e decisivo dos pontapés que couberam à equipa.


De resto, apenas algo que ocorreu ao minuto 66 merece destaque. É cobrado um pontapé livre a favor do Bayern, sobre a direita e já perto da grande área do Chelsea. Ashley Cole salta à bola já dentro da área e ela bate-lhe na parte superior do braço. Pedro Proença – e bem – manda seguir!


Ironicamente – ou talvez não - esta jogada é a cópia mais fiel que se possa imaginar de uma outra que se passou em Braga, naquela famosa partida em que sempre que o Benfica acelerava a voltagem do jogo rebentava a instalação eléctrica da Pedreira. Substitua-se Cole por Emerson e a camisola azul pela vermelha e... voilá!


Como toda a gente sabe, o árbitro Pedro Proença marcou penalti que, a meias com os apagões, acabou por garantir o empate ao Braga! O mesmo Pedro Proença, o mesmo lance, as mesmas circunstâncias de jogo… mas juízos opostos. Depois digam que não há coisas… Ou coiso, como diz o outro!


 Ah! Já agora vejam como se confirmou a decisão dos deuses...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FUTEBOLÊS#127 PERÍODO DE COMPENSAÇÃO

Por Eduardo Louro


 


 


Tempo de compensação, também chamado período de compensação ou até tempo extra, é a designação que o futebolês dá para o tempo de jogo que subsiste depois de o ponteiro dos minutos do relógio ter completado três quartos de uma volta completa. É o tempo que o árbitro acrescenta à primeira e à segunda parte de cada jogo, comunicado à plateia através de uma placa mostrada pelo chamado quarto árbitro. Para compensar, e por isso a designação de tempo ou de período de compensação! E deixemos o tempo extra para outras coisas, até para nome de programa de televisão…


Para compensar o quê? O tempo perdido com assistência médica aos jogadores - por necessidade real ou por manha –, o tempo perdido com as substituições e com as mais diversas habilidades para o fazer passar, a que o futebolês chama anti-jogo. Com atrasos na reposição da bola ou com quebras de energia, estranhas ou nem tanto, como em Braga, por exemplo. Estranhamente não é comum vermos compensar o tempo perdido com o festejo dos golos… Faz sentido: festa é festa!


Está na mão – e no relógio - do árbitro a decisão do tempo de compensação. Como tudo o resto, afinal. E na pressa. Se estão com muita pressa dão pouco tempo de compensação. Se pelo contrário, têm muito vagar, aquilo nunca mais acaba!


Também os adeptos olham para este período de compensação com relógios muito diferentes. Se a nossa equipa está a ganhar e sob forte pressão do adversário, não há razão nenhuma para compensar o que quer que seja. Se, ao contrário, é a nossa equipa que está ali numa luta titânica contra o tempo e a precisar de alterar o resultado, o tempo de compensação terá que ser tanto quanto o necessário para isso!


É normal que os adeptos assim reajam. O que não é normal é que haja árbitros exactamente na mesma onda. Mas há!


Umas vezes estão com uma pressa danada para acabar com aquilo, e percebe-se que há ali marosca. Noutras percebe-se que tem todo o tempo do mundo, e que só acaba com aquilo quando quiserem. Há tempos de compensação que não são medidos em tempo, são medidos numa unidade antiga, dos tempos em que se jogava à bola nas ruas e os jogos não duravam minutos, duravam golos: mudava-se aos cinco e acabavam aos dez!


Não admira pois que muita coisa importante de decida nesse espaço de tempo. E nem sempre isso significa marosca, embora muitas vezes haja mesmo…


Já houve Ligas dos Campeões decididas também nesse espaço de tempo. Mas um campeonato, e mais a mais um campeonato como o inglês, disso é que não há memória!


Mas aconteceu no passado domingo. À entrada do tempo de compensação – fixado aí em cinco minutos – a parte de Manchester mais habituada a festejos estava em festa, enquanto a outra parte da cidade, que há quarenta e quatro anos não sabia o que era festa, chorava, incrédula, a ver fugir para os mesmos de sempre o campeonato que julgavam impossível escapar-lhe desta feita. Para eles, aquele era o jogo que só podia acabar depois de a sua equipa marcar os dois golos que faltavam para o ganhar. Mas, também para eles, aquele era um dos jogos que poderia prolongar-se pela tarde e noite fora, que a bola não entraria…


E, no entanto, o milagre aconteceu. Era 13 de Maio!


Desconfio que, do outro lado, poucos se terão lembrado que, uma dúzia de anos antes, um milagre idêntico lhes entregava uma Champions que o Bayern – que hoje mesmo, e mesmo com um dos árbitros mais dados à marosca, vai reclamar vingança perante outra equipa inglesa – já festejava!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...