quarta-feira, 31 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Os prejuízos foram além das piores expectativas: perto de 4 mil milhões de euros! O BES não pára de perder valor no mercado, com as acções a cairem todos os dias num buraco onde se não encontra o fundo… Contagia toda a Bolsa, enterra toda a banca e enterra a PT, e contagia os juros da dívida pública …


Já se percebe que, com os mercados a reagirem desta maneira, não aparecerão investidores privados para o aumento de capital do banco. Resta o recurso ao fundo de capitalização, agora inequívoco, sem qualquer dúvida. Mais uma machadada no Banco de Portugal… Que, como temos visto, já disse de tudo. Tudo sempre de imediato desmentido pela obstinada realidade!


Havia almofadas – não há! Havia investidores – não há!


Bem pode agora inibir administradores e impedir direitos de voto… Chegou tarde, chega sempre tarde!

terça-feira, 30 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Temos a noção que é o sector exportador que tem vindo a segurar a economia nacional nos últimos anos. O mercado interno, se não morreu, não anda muito longe disso…


Contam-nos maravilhas desse sector. É sucesso em cima de sucesso, êxitos atrás de êxitos… A coisa só fica mais estranha quando as exportações caem, e nos vêm dizer que foi assim porque uma parte da refinaria de Sines teve que parar para manutenção. Fica tão mais estranho quanto, por enquanto, ainda não foi descoberto petróleo em Portugal. Nem aqui em Alcobaça, onde há tanto tempo andam à procura dele…


Sabemos que as exportações portuguesas estão extraordinariamente dependentes dos combustíveis e do sector automóvel. Deste, sabemos que é Auto Europa, o resto são aquelas fábricas que todos os dias vão fechando ou encerrando turnos, como ainda agora voltou a suceder na PSA de Mangualde, lançando novas centenas de trabalhadores no desemprego. E da Auto Europa sabe-se como é: sempre de coração nas mãos à espera de um novo modelo. E da boa vontade dos alemães…


Mas pronto, essa é a nossa sina. Valha-nos que operamos autênticos milagres nos sectores tradicionais, em especial nos têxteis e ainda mais em especial no calçado. Que mudou por completo de paradigma, passando da tradicional mão-de-obra intensiva e da vergonha da exploração de mão-de-obra infantil para unidades de alta tecnologia e, antes e depois de tudo, de design e marca. De alto valor acrescentado, levando o calçado português ao topo dos mercados, em pé de igualdade com o italiano…


É isto que nos contam, não é?


Já estive bem por dentro da indústria, em empresas nacionais e internacionais. Estou afastado desta actividade há mais de vinte anos, mas confesso que me faz alguma confusão articular todo este sucesso da indústria nacional do calçado com o preço médio unitário de exportação, e mesmo com a sua evolução. O preço médio do par de calçado exportado foi de 23,12 euros em 2013, pouco mais de 3% acima dos 22,29 do ano anterior...


Tenho alguma dificuldade em associar a estes preços um grande impacto de factores de prestígio, como marca e design. E ainda mais em descortinar ali uma grande expressão de criação de valor… Posso estar enganado, mas parece-me que se andam a contar demasiadas histórias acerca das exportações.


Não se pode negar o sucesso de marcas como Luís Onofre, ou mesmo Fly London ou Pablo Fuster, por exemplo. Mas muito menos se pode afirmar que são o padrão das nossas exportações!

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Eleições

Ministro venezuelano sugere encontro entre Maduro e Trump | Exame


Ontem foi dia de eleições na Venezuela. As sondagens apontavam todas para a vitória expressiva da oposição, mas o que se sabe nesta altura é que Maduro garante que "ganhou por KO", com 51% dos votos. Vá lá, bem longe dos habituais 90 e tal por cento. Mas por "KO"!


É assim. Há eleições assim. Se calhar é por isso que, na América, Trump pediu o voto aos cristãos, dizendo-lhes que seria só desta vez. Que, uma vez (mais) eleito, não precisariam de votar mais nenhuma vez: “Cristãos, saiam e votem! Só desta vez, não terão de o fazer mais”.


“Sabem que mais? Vamos resolver isto! Vai ficar tudo bem. Não terão de votar mais, meus queridos cristãos”. 

domingo, 28 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Dantes era a almofada. O BES tinha almofada financeira para tudo... Eram mais de dois mil milhões de euros!


Gente supostamente responsável - como o governador do Banco de Portugal, e o próprio Presidente da República - mas também os papagaios todos que por aí andam disfarçados de jornalistas económicos, garantiam urbi et orbi que o Banco tinha almofada financeira para a exposição ao GES.


Ainda na semana passada, na excursão da CPLP a Dili em homenagem a Obiang, o Presidente da República garantia que os portugueses podem confiar no BES "dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa"...


Afinal não há almofada, nem folgas. Os prejuízos chegam aos três mil milhões de euros, e por isso a apresentação das contas do primeiro semestre tem vindo a ser adiada... E precisa mesmo de novo aumento de capital. Haja interessados, porque, se não, lá vai agora o fundo de capitalização... Os tais 6 mil mulhões que, diz-se, ainda estarão guardados. E a custar muito dinheiro em juros, os tais que apertam com o défice. Que, no entanto, para os nossos jornais económicos, os mesmos da almofada, apenas aumenta pelos salários!

Em honra de Eusébio

Benfica marca quatro em 18 minutos e conquista Eusébio Cup com goleada ao Feyenoord


A Eusébio Cup voltou a homenagear o King, na Luz, como deve ser, com mais de 54 mil benfiquistas nas bancadas.  Foi mais uma oportunidade de honrar a memória do nosso imortal Eusébio, mas foi também o quinto jogo desta pré-época, com uma primeira parte de grande nível, com um grande futebol, e com 18 minutos de uma eficácia rara. Quatro golos, em quatro oportunidades!


Todos obra das novidades desta pré-época: Prestiani, Pavlidis (por duas vezes) e Beste. Este num livre - outra novidade, temos de volta um jogador para as bolas paradas - que desviou num adversário e traiu por completo o guarda-redes do Feyenoord, o adversário desta Eusébio Cup, atropelado pelo vendaval de futebol do Benfica. 


O quarto golo, aos 18 minutos, fechou o resultado. Mas não fechou as portas por onde entrava aquele vendaval. Esse continuou até ao intervalo, a gerar novas oportunidades (como aquela bola de Prestianni na barra), com a equipa de Roterdão completamente atordoada com as recuperações de bola de Tomás Araújo, Morato e Florentino, a circulação de bola de Leandro Barreiro, João Mário e Aursenes, as entradas de Bah e Beste, a magia de Prestianni e a competência técnica e posicional de Pavlidis.


Na segunda parte foi diferente. Era virtualmente impossível que não fosse. E não apenas pelas substituições, de um lado e de outro. A equipa do Feyenoord conseguiu equilibrar o jogo, teve mais bola, rematou até mais. Ainda assim foi com naturalidade que, à beira do fim, Arthur Cabral, fixou o 5-0 final.


Hoje o futebol do Benfica apresentou mais qualidade que nos jogos anteriores, mas tudo o que há para concluir deste jogo já dera para concluir dos anteriores. Que Pavlidis é o ponta de lança que encaixa no futebol da equipa. Que Prestianni não é um miúdo de 18 anos, para rodar por lado nenhum. É um craque de 18 anos para jogar no Benfica. Provavelmente por pouco tempo. Que há miúdos de muita qualidade no plantel, que terão de ser aproveitados e geridos. E que não voltaremos a ver o João Neves com o manto sagrado por dentro dos calções!


 

A competitividade está de regresso à fórmula 1

Siga aqui em direto o Grande Prémio da Bélgica


A última corrida antes de férias - sim, também a fórmula 1 pára em Agosto -, o GP da Bélgica em Spa-Francorchamps, confirmou que a Mercedes está de volta ao topo da especialidade máxima do automobilismo. Ao lado da Mcalaren, da Red Bull e da Ferrari, mas agora no lado mais acima.


Mesmo que Vestappen (tem, apesar de tudo, praticamente o título mundial garantido, até porque, mesmo com um inédito jejum de quatro corridas tem, ainda assim e sempre reforçado a sua posição para o segundo) e a Red Bull continuem com larga vantagem no conjunto da temporada, a verdade é que já nada é o que há bem pouco era.


Max Verstappen foi o mais rápido na qualificação, mas uma penalização (ter sido utilizado um elemento adicional da unidade de potência) colocou-o a partir do 11.º lugar, ficando Charles Leclerc (Ferrari) com a pole position. Com Perez ao seu lado, e Hamilton atrás, na segunda linha, a largar da terceira posição. Norris, ao seu lado na segunda linha, largou da quarta posição. 


Cedo a corrida começou a ser dominada por Hamilton, que ganhou logo no arranque o segundo lugar a Perez, com mais um prestação miserável. Partiu em segundo e chegou em oitavo, e nem a melhor volta, por via da mudança de pneus na última volta para garantir o pontinho a mais a que a Red Bull já tem de se agarrar, o livrou da mediocridade.


Tudo apontava para que fosse o mais recordista piloto da fórmula 1 a ganhar. Obedecendo à estratégia da equipa Hamilton fez duas trocas de pneus, mesmo comunicando que estavam em bom funcionamento, e que não havia necessidade. Russel, seu colega da Mercedes, foi mais longe e respondeu para a box que não faria a segunda troca. Que iria até ao fim.


E foi. Herdando o primeiro lugar na segunda paragem de Hamilton, nunca mais o largou. O seu colega e compatriota mais velho bem o pressionou mas Russel defendeu-se e não cedeu mais o primeiro lugar. Ainda chegou a parecer que esta "teimosia" de Russel, com a complacência da equipa, pusesse em perigo até a vitória, já que Piastri aproveitava para se aproximar. Mas não, e a Mercedes fez a dobradinha que há muito lhe fugia, e Hamilton o 201º pódio. O número redondo - os 200 pódios - tinha sido atingindo no último domingo, no GP da Hungria, então numa situação inversa: dobradinha da Mclaren, e terceiro lugar para Hamilton.


Há muito que a Fórmula 1 não tinha a competitividade actual. Nesta temporada já houve sete vencedores, o que não acontecia há 10 anos. Não há nesta altura nem uma equipa, nem um piloto, hegemónico. A Red Bull corre sérios riscos de não ganhar o mundial. Ao contrário de Verstappen que, com a abertura da competição, vai assistindo às alternâncias no segundo lugar e, com isso, reforçando a vantagem.


PS: Depois da publicação deste texto, veio a saber-se que Russell fora desqualificado, por o seu monolugar ter terminado a corrida abaixo do peso mínimo exigido (798 quilos). Desta forma, aquela que seria a terceira vitória da carreira de Russell e segunda da temporada passou a ser a 105.ª de Hamilton, segunda este ano, enquanto Oscar Piastri (McLaren) foi promovido a segundo e o monegasco Charles Leclerc (Ferrari) acabou no degrau mais baixo do pódio.


 

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Chegou ontem ao fim, em plenos Campos Elíseos, a centésima primeira edição da maior e mais extraodinária competição do ciclismo mundial. 


Os Pirinéus tinham, à décima oitava etapa, deixado quase tudo definido. Ficara para o contra-relógio do penúltimo dia a arrumação final do pódio, porque sobrava apenas a etapa de sexta-feira, tranquíla, para os sprinters voltarem a ter a sua vez...


E assim foi. Ou quase, já que o lituano Navardauskas consegui adiantar-se um bocadinho - sete segundos apenas - ao pelotão e ganhar, deixando os especialistas do sprint, onde voltava a faltar Kittel, mas também Greipel, a discutir o segundo lugar. Até se chegar ao contra-relógio onde, como se esperava, Tony Martin voltou a não ter rival. Ganhou categoricamente, com Nibali - que, sem qualquer pressão e totalmente à vontade na classificação, não terá naturalmente sentido necessidade de dar o seu melhor - a fazer o quarto tempo, com mais 1´e 58"!


Na disputa pelo segundo lugar Péraud, sétimo no contra-relógio com mais 2´e 27" que Martin, levou a melhor sobre Thibaut Pinot. Que ficou com o último lugar de um pódio com dois franceses, que há muitos, muitos anos se não via.


Quem voltou a ficar fora do pódio, naquela que terá certamente sido a sua última oportunidade, foi o espanhol Alejandro Valverde, atirado nos Pirinéus do segundo para o quarto lugar mas, ainda assim, com apenas quinze segundos para recuperar. Voltou a falhar, e os quinze segundos que tinha para o segundo lugar de Pinot, transformaram-se em 2´e 3" para o mesmo segundo lugar depois de Péraud.


Com tudo decidido correu-se ontem a etapa do champagne, com Kittel finalmente de regresso às vitórias, repetindo com o Arco do Triunfo à vista o mais apetitoso dos sprints vitoriosos. Foi por pouco, menos de meia roda sobre Kristoff, mas o suficiente para, depois daquelas três vitórias nas quatro primeiras etapas, e de mais de duas semanas como que desaparecido em combate, igualar as quatro de Nibali.


Este foi o Tour das quedas. Não sei se teve mais quedas que os anteriores, mas teve mais quedas com mais consequências. Só candidatos foram dois - e que dois: Froome e Contador. Mas também e ainda o papa-etapas Cavendish, o melhor sprinter mundial dos últimos anos!


Mas foi, acima de tudo, o Tour de Nibali. Ganhou com uma autoridade raramente vista, só ao alcance dos grandes campeões. Ganhou quatro etapas, e sempre as de maior grau de dificuldade. Nunca se deixou atacar. Para nunca ter de se defender, foi sempre ele a atacar. Impressionante!


Percebeu-se que se preparou para ganhar este Tour, e ganhou com mérito indiscutível, deixando a ideia bem clara que ganharia mesmo com Froome e Contador. Nunca ninguém o poderá provar, evidentemente. Deu para perceber, nas 10 etapas que Contador disputou, que o espanhol não estaria à sua altura. Froome ficou de fora logo na terceira etapa, mas mesmo aí já Nibali tinha ganho, na segunda. A verdade é que a superioridade que Nibali evidenciou deixa definitivamente uma pedra sobre este tipo de especulações!


Integra hoje o restrito grupo de seis corredores que ganharam as três grandes competições dociclismo mundial: Vuelta, Giro e Tour. E isso diz tudo!


A merecerem também referência neste Tour: desde logo os dois franceses do pódio, com Pinot ainda a ganhar o prémio da juventude. Também Tony Martin, um grande corredor. E mais dois jóvens de grande potencial - o francês Bardet, que o contra-relógio atirou para o sexto lugar, e o polaco Mayka, o rei dos trepadores.


Pela negativa referiria Joaquim Rodriguez, que se expôs e perdeu sempre. Mas também Peter Sagan, de quem muito se esperava em função da sua participação na edição anterior. Ganhou - e cedo, ficou bem cedo definida a camisola verde - a classificação por pontos, mas sem ganhar uma única etapa. E perdeu todos os sprints que disputou. Na mesma linha, se bem que num registo completamente diferente, Kwiatowski. O jovem polaco foi uma desilusão completa. Falhou naquela aqui tão referida etapa épica do Tony Martin, depois aproveitou uma boleia numa fuga bem sucedida na primeira etapa dos Pirinéus, e regressou ao top ten, para se afundar logo de seguida nos confins da classificação. E Richie Porte, que depois de no ano passado ter até deixado a ideia de poder contestar a liderança de Froome, este ano, com o líder a ficar logo de fora, falhou em toda a linha. E sempre!


Não há muito a dizer sobre os portugueses. Rui Costa teve de abandonar ainda antes dos Pirinéus. O Tiago Machado chegou a ser terceiro, por um único dia, o também dia único em que Nibali não teve a amarela vestida. Ironicamente teve na queda o seu dia de glória. O Sérgio Paulinho fez o seu papel, mas ficou também aquém do que parece que poderia ter feito, especialmente depois do abandono de Contador. É de resto o desempenho de muitos dos seus colegas de equipa, depois de libertos pela ausência do líder, que deixa a ideia de que também ele poderia ter tido o seu momento de glória.


Nelson Oliveira, também ele acidentado, e José Mendes reservaram para o contra-relógio as suas melhores prestações, ficando ambos nos vinte primeiros, com tempos que até tinham dado jeito, por exemplo, a Valverde.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Os ministros das finanças de Passos Coelho são muito requisitados.


Primeiro foi Vítor Gaspar, que até se foi embora porque, nas sua próprias palavras escritas, tudo dava errado. Não havia uma que batesse certo...


Mas foi para o FMI!


Seguiu-se Maria Luís Albuquerque, a sua Secretária de Estado transformada em maga das finanças. E lá vai ela para a Comissão Europeia, para ser substituída por outro Secretário de Estado, o igualmente mago Carlos Moedas, num destes dias a seguir também de malas aviadas sabe-se lá para onde...


O  estranho é que os jornais, há três ou quatro dias, diziam que Passos Coelho iria indicá-la para ocupar o lugar de comissário que cabe a Portugal. Hoje dizem que é quase uma exigência de Juncker. Engraçado, não é?


E pronto. Lá ficamos nós sem saber se Passos Coelho é muito bom a escolher ministros das finanças, ou se apenas quer que nos convençamos que é. Ou se simplesmente os ministros das finanças escolhidos por Passos Coelho fazem tão bem o seu papel que, depois, só têm que ser recompensados...

Por estas e por outras

JMJ. Gabinete coordenador do projeto ainda funciona um ano depois e com  custos crescentes: equipa de Sá Fernandes custa 1,7 milhões de euros –  Executive Digest


É notícia de hoje que o Gabinete Coordenador das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que ocorreram há um ano, continua activo ... e a somar custos. 


Diz a notícia que, depois de terminadas as JMJ, o Gabinete chefiado por José Sá Fernandes continua em funcionamento, e já custou mais 1,7 milhões de euros, dos quais 1,3 em salários dos nove elementos da comissão técnica. Feitas as contas dará cerca de 150 mil euros anuais a cada um. Descontando os eventuais encargos sociais, representaria um salário médio mensal de 10 mil euros. Com um custo médio mensal próximo dos 16 mil euros.


Diz-se que desde o fim da visita papal a comissão técnica tem trabalho no projecto de requalificação da zona ribeirinha oriental de Lisboa, espaço integrado no concelho de Loures, na zona da Bobadela. Se assim é, e se a intervenção nesse projecto justificasse a manutenção em actividade de toda a estrutura, e de todas as mesmas pessoas, nas mesmas condições - justificação pouco justificável - por que é que esse projecto não é autónomo e  esse gabinete se continua a chamar Gabinete Coordenador das JMJ?


É por estas e por outras que tudo cheira mal neste país, avesso à transparência na gestão da coisa pública. Será o que o regime é "burro velho que não toma ensino"?


 


 

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Há 10 anos

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Ricardo Salgado enche as primeiras páginas de todos os jornais de hoje, incluindo as do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, que num primeiro momento ignoraram o que foi o acontecimento do dia. Da semana, do mês ou do ano...


Mais curioso que isso é reparar como os jornalistas económicos dão ao acontecimento uma dimensão revolucionária. Para eles, foi um velho regime que caiu e entramos numa nova ordem. Económica, mas também política... Logo eles, que só agora vêm e qualificam o velho regime com que, mais que conviver nas paz dos anjos e dos espíritos santos, promoveram e defenderam com unhas e dentes.


É realmente muito estranho ver as mesmas caras nas televisões, e os mesmos nomes nos jornais,  a desfiar pecados que há bem pouco eram virtudes! 

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Não se sabe – provavelmente nunca se saberá – se a detenção de Ricardo Salgado aconteceu hoje por ser fácil prender ex-poderosos e difícil prender os poderosos, ou em resultado de uma medida de bom senso que raramente é apanágio da Justiça portuguesa.


Não se sabe se com Ricardo Salgado aconteceu o que acontece com os dirigentes dos clubes de futebol, que só são incomodados pela Justiça depois de empurrados da cadeira do poder. Ou se a Justiça soube apenas esperar que ele cessasse funções para evitar consequências ainda mais graves para o BES.


Não se sabe, embora isso já seja coisa para se vir a saber, o que é que, do já apurado ou ainda em investigação no âmbito da operação Monte Branco, tem a ver com aquela que é certamente a maior falência de sempre em Portugal!

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Não é só pelo choque de ver Xanana Gusmão entrar de mãos dadas com Obiang. Nem só por ter sido dada posse antes da adesão ter sido ter sido votada. Não é por Cavaco Silva ter recusado aplaudir essa adesão, e ter reservado os aplausos para o regresso da Guiné-Bissau, com toda a carga de cinismo que isso até possa ter. Nem é pelo mesmo Cavaco, como de resto outras cabeças pensantes que provavelmente existem para lhe dar cobertura, achar que as ditaduras não devem ser isoladas. Que essa é a forma de as perpetuar, e integrá-las na comunidade internacional, de pleno direito mesmo que continuem a negar o direito, a melhor forma de as combater. Nem sequer pela ausência – não sei se hipócrita se estratégica – de Dilma Roussef e José Eduardo dos Santos. Nem por outras tantas razões que já aqui tinham sido adiantadas


A adesão da Guiné Equatorial à CPLP, hoje formalizada na cimeira de Dili, é acima de tudo chocante por, logo ali, sem Dilma Roussef e José Eduardo dos Santos mas também sem meias tintas, terem avançado para a constituição de um consórcio do petróleo


Portugal não tem petróleo, mas tem líderes...

Tour 2024 de A a Z

Tour: Pogacar acredita que esta é a melhor era do ciclismo | Flashscore.pt


A - Almeida. Como A, de Agostinho. J. de João, como J, de Joaquim. Mais de 40 anos depois, numa realidade completamente diferente.  Com a idade actual de João Almeida, Agostinho ainda não tinha montado uma bicicleta de corrida. Ainda assim não lhe será fácil igualar os dois pódios do malogrado campeão no Tour. Se Agostinho encontrou o inatingível Merckx, Almeida vai ter de conviver com estratosférico Remco Evenepoel, e com os inalcançáveis Vingegaard e Pogačar, todos praticamente com a mesma idade, e ainda com quase uma década de carreira pela frente. Certo é que, com o seu quarto lugar na estreia no Tour, João Almeida escreve uma das mais brilhantes páginas da História do ciclismo nacional. 


B - Bardet. Romain Bardet chegou a ser a esperança francesa para quebrar o longo jejum que já vai em 39 anos, depois daquela que foi a quinta vitória de Bernard Hinault, em 1985. O melhor que conseguiu foi o segundo lugar em 2016, e o terceiro no ano seguinte. Despediu-se, aos 33 anos, mas deixou a sua marca neste seu último Tour: ganhou a primeira etapa, foi o primeiro camisola amarela, mesmo que por um único dia, e foi um fenómeno de carinho e popularidade durante toda a competição. Acabou na 30ª posição, a mais de 2 horas do primeiro.


C - Cavendish. Aos 39 anos - logo na quinta etapa, de Saint-Jean-de-Maurienne a Saint-Vulbas, e batendo então  Philipsen, o mais poderoso sprinter dos últimos dois anos - chegou à 35ª vitória em etapas no Tour, ultrapassando as 34 do record de Merckx, com quase meio século. Correu toda a prova sob a ameaça de chegar fora do tempo de controlo, e ser desqualificado. Chegou ao fim, ontem em Nice, no último lugar da classificação geral (141º, a quase 6,5 horas de Pogacar). Mas o último é o primeiro dos que não desistem!


Mas no "C" terá de caber também o equatoriano Carapaz, o super-combativo do Tour, vencedor da montanha e, mesmo que também por um só dia, um dos apenas três que vestiram a amarela. Mas também por ser o dorsal 111 do Tour 111!


D - David Gaudu. Aos 27 anos é outra das esperanças francesas que se foi gorando. Entrou em diversas fugas mas sempre sem resultados, acabando na 65ª posição, já a perto das 4 horas do primeiro.


E - Evenepoel. Aguardava-se com grande expectativa o primeiro Tour de Remco Evenepoel, e o embate com aquele duo estratosférico. E o belga, campeão mundial de contra-relógio, confirmou que integra o trio dos melhores ciclistas do planeta. É o mais novo deles, e foi com naturalidade que ganhou o Prémio da Juventude. A mesma com que fechou o pódio. Tentou disputar o segundo lugar mas, na hora da verdade, Vingegaard nunca lhe deixou grandes esperanças. Venceu o primeiro contra-relógio mas, no final, apenas pôde confirmar que foi mesmo o terceiro melhor. Ou o menos bom desta fabulosa tríade.


F - Formolo é o espelho da realidade actual do ciclismo italiano. Discreto. O corredor da Movistar passou pelo Tour sem que se tenha dado por ele, como os seus compatriotas. Nem Ciccone se aguentou no top ten. Longe vão os tempos das armadas italianas.


G - Girmay foi a sensação do Tour. Ganhou três etapas e a classificação por pontos, afinal a segunda mais importante. O eritreu surpreendeu o mundo do ciclismo ao tornar-se no primeiro africano negro a ganhar etapas, mas também um título no Tour. E a concorrência não era pouca. Phlipsen, que ganhou outras tantas, ganhara quatro no ano passado. E Pogacar ganhou seis. Girmay ganhou porque foi o mais regular, e só não esteve na discussão do sprint final quando foi atingido por uma queda, na 16ª etapa. Que até o poderia ter atirado para fora da competição.


H - Hindley Jai é nome grande do ciclismo e, depois do abandono de Roglic, passou a ser a figura principal da Bora, agora também Red Bull. Mas o australiano não brilhou. Ficou-se pelo 18º lugar, curiosamente entre Carapaz e Mas.


I - Ineos - resta apenas o nome. A equipa que dominou o Tour durante décadas desapareceu.


J - Jorgensen foi um dos grandes corredores deste Tour. O americano da Visma não terá sido o grande suporte de Vingegaard, mas foi-o na medida do necessário. No resto fez a sua corrida. E bem feita. No contra-relógio final consegui ainda quebrar a lógica da classificação, ao fazer quarto, o lugar que estaria reservado ao quarto - João Almeida. Fez melhor, por 10 segundos, mesmo apesar da queda que sofreu. E no fim garantiu o oitavo lugar!


K - Kwiatowski é outro dos grandes nomes do passado. Antigo campeão do mundo de estrada hoje, aos 34 anos, o polaco da Ineos é a imagem da equipa. Foi 54ª no final, a mais de três horas e meia.


L - Landa foi quem mais se aproximou do João Almeida. Bom trepador, o espanhol chegou a parecer poder ameaçar o quarto lugar. Pela qualidade que tem a subir, mas também porque nunca se viu forçado a desgastar-se em prole de Evenepoel, o seu chefe de fila. Quando na última etapa o teve que fazer, e ainda assim por pouco tempo, João Almeida tirou algum proveito. Pouco, apenas 11 segundos. Não se dava muito por ele para o contra-relógio, mas a verdade é que a grande parte em crono-escalada era-lhe favorável. Por isso acabou por fazer um excelente 7º lugar, apenas com mais 23 segundos que João Almeida.


M - Mas - Enric Mas - surgiu há uma década como a grande promessa do ciclismo espanhol. A esperança não seria tanto de um novo Indurain, mas não seria menos que um novo Contador. Nunca se confirmou, mas na verdade também nunca foi um corredor afortunado. Aos 29 anos já não transporta mais essa esperança, mas certamente que transportou sempre esse peso. Neste Tour começou a atrasar-se desde muito cedo, e só na última semana, investindo em praticamente todas as fugas na montanha, deu nas vistas. Ao contrário de Carapaz, quase sempre seu companheiro de aventura, não ganhou muito com isso. Lutou até à última gota de suor, como prometera. Foi 19º, a quase uma hora e um quarto.


N - Nils Pollit foi o verdadeiro gregário da UAE, e nessa medida fez uma corrida notável. O alemão foi um mouro de trabalho, a quem toda a equipa, mas especialmente Pogaçar, João Almeida e Adam Yates têm muito a agradecer. Foi 75º, a mais de 4 horas, mas não é isso que conta.


O - Oliveira. O português Nelson Oliveira fez a corrida possível, numa equipa - a Movistar - que também já não é o que foi. Fez um bom primeiro contra-relógio, a sua especialidade, entrou numa fuga, e pouco mais. O último já não era para ele, fez 65º, a mais de 6 minutos de Pogacar. No fim foi 51º, a mais de três horas.


P - Pogacar, claro. Não há adjectivos para qualificar o que fez nesta sua terceira vitória no Tour. Ganhou seis etapas, como fizera no Giro. Juntou o Tour ao Giro, como já não acontecia desde 1998, com o malogrado (já desapareceu há vinte anos) Marco Pantani. Ganhou a todos, em todo o lado, como e quando quis. Deu espectáculo, há quem diga que até de mais. Que não havia necessidade de tanto. Deu mais de 1 minuto no contra-relógio - que terminou a festejar e a brincar - aos dois galácticos adversários. 


Q - Quinn. Tem nome irlandês - Sean Quinn - mas é americano e é um jovem (24 anos) da Education First. De Carapaz e de Rui Costa. Que, para além de ter uma designação interessante para uma equipa de ciclismo do World Tour, foi também uma equipa que nunca se escondeu. Esteve sempre activa, sempre com corredores em fuga.


R - Rui Costa foi o terceiro português na prova. Aos 37 anos, já com os 38 à porta, o campeão nacional já não é a figura de primeiro plano do ciclismo mundial que praticamente foi durante uma década. Fez a sua corrida, entrou numa ou outra fuga, e somou mais um Tour ao seu vasto e notável currículo. Foi 68º, a 3 horas e 54 minutos.


S - Santiago Buitrago fechou o top ten. A pouco mais de 29 minutos de Pogacar, e o foi o melhor colombiano, e também o melhor da Bahrain. Trepador, como todos os compatriotas que vingam no ciclismo mundial é, aos 24 anos, mais um jovem desta fornada de grandes corredores de bicicleta. Foi, com o compatriota Tejada, uma das sensações do contra-relógio, separados por 3 segundos, no oitavo e nono lugares.


T -  Thomas - Geraint Thomas -  apesar dos seus 38 anos, terá sido uma das maiores desilusões do Tour, tal como a a sua equipa, a outrora super-poderosa Ineos. É um dos últimos vencedores, em 2018, (Bernal, da mesma equipa, vencedor no ano seguinte, é o último) da era pré Pogacar/Vingegaard e foi 42º, já a bem perto de 3 horas.


U - UAE, a grande equipa do ciclismo mundial actual. A melhor, a larga distância de todas as outras. Ganhou colectiva e individualmente, e dominou em absoluto a prova, com três corredores nos primeiros seis lugares da classificação final.


V - Vingegaard, claro. É, com Pogacar, de outro planeta. Nunca se saberá como teria sido este Tour sem aquilo que lhe aconteceu no País Basco, em Maio, quando fracturou clavícula e costelas, com uma a perfurar-lhe o pulmão. Sabe-se apenas que resistiu heroicamente a Pogacar. Mas só isso. Só pôde resistir. Ganhou-lhe uma vez, ao sprint, na meta. Na 11ª etapa, lá no alto de Le Lioran. Na altura deu para admitir que estaria à altura do rival, embora também tivesse parecido que Pogacar teria ficado enfraquecido por problemas de gestão alimentar. E de esforço. Depois ficou claro que este Pogacar era imbatível.


W -  Wout van Aert não conseguiu atingir, nem de longe, o desempenho que lhe é habitual. Poderia vir marcado por uma queda, no final de Março, na  Volta a Flandres, onde fracturou a clavícula, mas é certamente uma das principais decepções do Tour. Mais ainda pelo que fez na edição do ano passado, em que não foi só decisivo na vitória de Vingegaard, como teve ainda tempo de ganhar.


X - Não é uma letra, é mesmo uma cruz. O X que Roglic marcou no Tour. Também vítima da tal queda no País Basco, Roglic vinha à procura da vitória que lhe falta. Que há quatro anos parecia garantida quando, sem perceber como, Pogacar lha tirou. Abandonou no fim da 12ª etapa, envolvido numa queda já próxima da meta, depois de já ter sofrido outra na véspera. E provavelmente este X corta-lhe definitivamente o Tour do currículo.


Y - Yates, claro. Os manos gémeos, que correm em equipas diferentes. Simon, na pobre Jaiko. Adam, na rica UAE. São ambos excelentes corredores, e muito semelhantes. Mas em contextos diferentes. Simon foi 12º. Adam, sexto, a fechar o trio de emirates nos seis primeiros. Simon correu sem restrições e foi o primeiro da equipa. Adam trabalhou - e como trabalhou, também - para a equipa, e ainda foi sexto.


Z - Zimmermann. Não é conhecido, mas o alemão da equipa Intermarché teve um papel fundamental na fantástica vitória de Girmay. Mesmo que o eritreu deva mais ao seu "feeling" de roda certa que propriamente aos lançadores da sua equipa, Zimmermann esteve sempre lá nas primeiras ajudas. 

domingo, 21 de julho de 2024

A decisão que tardava

Kamala Harris confirma que é candidata à nomeação democrata | Ao Minuto |  PÚBLICO


Joe Biden desistiu da recandidatura ás presidenciais americanas de Novembro. A decisão, pessoal ou imposta, era esperada. E foi aqui, há quase um mês, dada por inevitável.


Pecou por tardia, e isso rouba-lhe a dignidade e a coragem do acto. Pecou ainda - Biden - no apagamento a que o seu mandato condenou a vice-presidente Kamala Harris. Declarou-lhe agora, precisamente no anúncio da desistência, o apoio à sua candidatura. Muitas outras figuras do Partido Democrata o seguiram. Ela própria confirmou a sua candidatura logo de imediato e - não podia ser de outra forma - que era para ganhar.


Por enquanto é a candidata oficiosa. Sabendo-se que está longe de ser uma figura consensual dentro do partido, até à convenção de nomeação, dentro de um mês (Chicago, de 19 a 22 de Agosto) muita coisa irá ainda acontecer. Alguma terá já começado a acontecer!

Tour 2024 - VII

João Almeida à porta do pódio da Volta a França - Modalidades - Correio da  Manhã


Terminou o Tour, que Pogacar dominou de princípio ao fim, como poucas vezes na História desta fantástica competição, a maior do ciclismo.


Ontem, na despedida dos Alpes, nos 133 quilómetros entre Nice (onde hoje a corrida voltaria, para terminar em contra-relógio) e Col de la Couillole, no fim aconteceu apenas o que sempre sucedeu nas outras etapas de alta montanha, nos Alpes ou nos Pirenéus. Com uma pequena diferença apenas.


E essa foi a tentativa da Soudal levar Remco Evenepoel ao segundo lugar de Vingegaard. O que estava em aberto já era apenas a discussão pelo segundo e pelo quarto lugar. 


Pela primeira vez se viu a Soudal na frente da corrida, a fazer o que a Emirates sempre fizera. Desta vez na perseguição a um grupo de 10 ciclistas na frente, onde Carapaz ia fazendo por garantir a camisola das bolinhas vermelhas, nas sucessivas subidas dos Alpes marítimos. Marítimos, mas Alpes. 


A 15 quilómetros da meta, no início da subida (a última) ao Col de la Couillole, o grupo da frente levava uma vantagem de quase 3 minutos, e começava a desfazer-se, com os ataques de Mas e Carapaz com a ilusão de poderem ganhar lá em cima. Na perseguição a Soudal já tinha de lançar mão do trabalho de Mikel Landa, o que era uma boa notícia para João Almeida, com vista ao seu quarto lugar da geral.


A 7 quilómetros do alto Evenepoel teve de rematar o trabalho da equipa, e de atacar. Se não o fizesse todo o trabalho da equipa teria sido em vão. Teve resposta imediata de Vingegaard, e acabou por ser João Almeida a ficar na cabeça da corrida, a acelerá-la para arrumar com Landa. E arrumou


Pouco mais de dois quilómetros à frente, já depois da passagem da meta dos 5 quilómetros finais, Evenepoel voltou a tentar Vingegaard. Respondeu de novo, mas desta vez também com resposta de Pogacar. Remco ficou nas covas - a estratégia da Soudal falhava em toda a linha - e os dois primeiros da geral foram embora, apanhando rapidamente Carapaz e Mas, para lhes tirarem o pão da boca. O espanhol ficou logo ali. O equatoriano ainda tentou acompanhá-los, mas só isso. Nas últimas dezenas de metros Pogacar atacou para ganhar pela quinta vez, e fazer o pleno de vitórias nos Alpes e nos Pirenéus. Vingegaard nem respondeu.


João Almeida foi sexto. Ganhou apenas 13 segundos a Landa, mas o suficiente para partir com confortáveis 40 segundos de vantagem para o contra-relógio final de hoje. De 34 quilómetos, do Mónaco a Nice, mais de metade dos quais em crono-escalada, onde os melhores voltaram a ser muito melhores. 


Pogacar, o melhor dos melhores, foi o único com o tempo na casa do minuto 45. Ganhou, pela sexta vez, repetindo o que acabara de fazer no Giro. Por mais de 1 minuto a Vingegaard, que ganhou 11 segundos a Evenepoel. Que ganhou mais de 1 minuto a João Almeida. Quinto -  o americano Jorgensen fez 10 segundos melhor - mas o suficiente para, na estreia, consolidar o brilhante quarto lugar final. 


Mais notável ainda que a classificação final, apenas atrás daqueles três que parecem de outra galáxia, é a regularidade do seu desempenho. Esteve sempre entre os primeiros seis ou sete nas grandes etapas, nas que tudo decidem. Esteve sempre em todos os momentos de decisão da prova. Não teve uma quebra em qualquer dos 23 dias da competição.


Quanto a Pogacar, o que se pode dizer é que ganhou o seu terceiro Tour como Merckx ganhava. Como há cinquenta anos ninguém ganhava!


 


 


 


 

sábado, 20 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Santana Lopes quer muito ser Presidente da República. Como quis muito ser presidente da Câmara de Lisboa, como quis muito ser líder do PSD, muito antes de, ao contrário do outro que tinha a certeza que o viria a ser, querer muito ser primeiro-ministro. Mesmo à boleia...


Há muito que fez saber isso. Lá no fundo sempre acreditou que o Passos, tão depressa quanto soubesse disso, lhe daria a mão. Havia um problemazito: Durão Barroso…


Mas o nosso – lagarto… lagarto…lagarto – homem de Bruxelas depressa percebeu que a maré não era a melhor. Pôs-se a jeito, insistiu até mais do que o seu apregoado aguçado faro político deixaria prever, mas, mesmo a contra gosto e muito contrariado, para grande gáudio de Santana, que voltou a apanhar boleia, pôs-se fora.


Marcelo Rebelo de Sousa não é problema. Há muito que Passos tratara de desenhar um perfil de presidenciável à medida para o deixar de fora…


Caminho aberto por isso. Passos disse-lhe isso mesmo, e Santana lá teve o Expresso de páginas (e pernas) abertas. Com destaque de primeira página e tudo, a dizer que seria estimulante defrontar Guterres.


O problema não é Santana Lopes não conhecer o princípio de Peter. Para ele, isso nunca foi problema... Nem que esteja sempre à boleia, nem que todas lhe sirvam... O problema é a teimosia cega de Passos. Mesmo que daqui não venha mal maior, o eleitorado tratará certamente do assunto… 

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


António José Seguro não pára de surpreender. Vejam lá que agora acabou por descobrir que António Costa não será candidato nas próximas presidenciais…


Quem diria?


Só gente extraordinária como este Tó Zé conseguiria nesta altura perceber que o António Costa não está, por agora, para aí virado. De resto, numa dedução só ao alcance de uma mente brilhante: se apoia Guterres para as presidenciais, provavelmente não estará ele próprio interessado nessa corrida…

Tour 2024 - VI

Tour de France: Pogacar vence a 19ª etapa; Carapaz lidera na montanha -  Bikemagazine


Ao segundo dia da segunda visita aos Alpes - se bem que, nesta semana, à excepção de terça-feira, a seguir ao dia de descanso, na 16ª etapa, quando Philipsen ganhou pela terceira vez, igualando Girmay, impedido de disputar o sprint por via de uma queda já próximo da meta, todos os dias foram corridos em montanha - mas na realidade o verdadeiro primeiro dia na alta montanha alpina, se é que já o não estava, o Tour ficou decidido. Em aberto estão a disputa do segundo lugar (entre Vingegaard e Evenepoel) e a do quarto (entre João Almeida e Mikel Landa).


Pogacar tinha dito que esta 19ª etapa - 145 quilómetros entre Embrum e Isola 2000, com duas subidas de categoria especial e uma de primeira categoria, na meta - é que era a etapa rainha deste Tour, e não aquela 15ª, nos Pirenéus, que vencera categoricamente.


Estão bem uma para a outra, ambas duríssimas. Esta de hoje tinha a particularidade de passar no ponto mais alto deste Tour, passando dos 2800 metros de altitude em La Bonette, na última das duas contagens de montanha de categoria especial, e penúltima da etapa. Para não deixar dúvidas, Pogacar ganhou-as ambas, e esta ainda de forma mais clara e espectacular.


Era dia de trepadores e foi um bom naipe deles a tomar a iniciativa da fuga do dia: Jorgenson e Kelderman (da Visma, de Vingegaard), Simon Yates (da Jayco), Hindley (Red Bull – BORA ), Cristián Rodriguez (Arkéa), e Carapaz (EF Education), bastante activo nesta fase final do Tour, que ganhara (pela primeira vez no Tour) a penúltima etapa (17ª), e que estava já em condições para discutir a classificação da montanha.


Andaram sempre na frente, e Carapaz, acabou mesmo por assegurar virtualmente a camisola das bolinhas vermelhas quando foi o primeiro em La Bonette, em que a pontuação duplicava. E juntos chegaram aos últimos 16 quilómetros da subida ao alto de Isola 2000, com uma vantagem de 4,5 minutos sobre o grupo que, lá atrás, a Emirates comandava. Controlando a distância para a frente, e endurecendo a corrida para deixar para trás muita gente.


O grupo da frente começou a desfazer-se logo nos primeiros metros da subida, e  apenas Jorgenson, Simon Yates e Carapaz, cada um por si, resistiam. Jorgenson foi quem teve mais pernas, e atacou para ganhar a etapa, lá em cima.


Na perseguição, a Emirates ia gastando os seus cartuchos. Depois do grande trabalho de Nils Politt e, depois, de Adam Yates, Marc Soler, depois de uma fugaz passagem pela frente, encostou. Era a vez de João Almeida. E foi. Faltavam oito quilómetros para a meta.


Só que Pogacar, que não consegue deixar de atacar, quis ganhar a etapa, e foi embora, sem esperar pelo trabalho do João. E sem resposta. Vingegaard e Evenepoel reagiram. Fizeram o que puderam, e não foi pouco, mesmo que o dinamarquês não tenha podido mais que seguir na roda do belga.


Pogacar ia comendo - engolindo - tempo aos da frente, e deixando-os um a um para trás. Em seis quilómetros despachou toda a gente. Na meta, levantou os braços e fez uma vénia!


Vingegaard, sexto na etapa, agradeceu e cumprimentou Evenepoel. E depois chorou. João Almeida chegou logo atrás deles, 18 segundos depois. Mas com Mikel Landa, de quem não se conseguiu livrar, na roda. Carlos Rodriguez chegaria 2 minutos depois de ambos, e deverá ter ficado afastado da luta pelo quarto lugar que João Almeida conserva nos 27 segundos de vantagem sobre Landa.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Lugares ocupados

Estrasburgo acolhe início do novo Parlamento Europeu e visita de António  Costa - Expresso


Primeiro foi António Costa a ser confirmado Presidente Conselho Europeu. Depois, anteontem, foi Roberta Metsola a ser reeleita na Presidência do Parlamento Europeu. Hoje, foi Ursula Von der Leyen a ser confirmada para mais cinco anos de mandato à frente da Comissão Europeia. Ambas do PPE, e ambas com votação expressiva, o que fez o "establishment" respirar de alívio. 


Todos se entenderam, ninguém roeu a corda, e está completa a distribuição do poder na União Europeia. António Costa, é afinal o único a chegar de novo. Mas é como se não fosse.


 

quarta-feira, 17 de julho de 2024

O estado da Nação

Estado da Nação Pedro Nuno Santos Luis Montenegro 92 17072024 JF.jpg


- Vamos negociar?


- Vamos lá!


- Tens de aceitar tudo o que está no meu programa. Foi nisso que o meu eleitorado votou.


-  Mas foi contra isso que o meu votou. 


- Tu és intransigente!


- Intransigente és tu!

terça-feira, 16 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Poderia ter sido um acaso qualquer. Ou uma estranha conjugação de coincidências. Há três meses desapareceu um avião igual a este, desta mesma companhia, e com as mesmas três centenas de pessoas. Mas que esta parte do mundo está a ficar demasiado perigosa, está…  


Não é novidade nehuma. Adivinhava-se que rapidamente ali começaria a valer tudo!

Ironia trágica

O sangue, o punho, a psicologia e a propaganda: como Donald Trump se torna  “num herói que é também uma vítima” - Expresso


Se tivesse sido encomendado, o atentado contra Trump não teria corrido melhor. Assim, saiu melhor que a encomenda!


Assim, ou assado, dizem os entendidos que, com aquela arma, daquele ponto e com aquela linha de vista, qualquer atirador mediano acertaria em qualquer alvo naquele comício. E consta (há gravações) que, enquanto esteve protegido pela bolha de segurança, Trump só se preocupava com os seus sapatos.


Devem-no ter calçado a tempo do heróico grito "lutem, lutem", de punho erguido. Que transformou a Convenção Republicana de Milwaukee num templo de fé erguido para asssinalar um milagre. E criar um deus!

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Os jovens emigram todos os dias. Piram-se todos de cá… Os que cá ficam não têm trabalho. O que têm é precário e mal pago. Perspectivas de carreira é um luxo ao alcance de muito poucos, o comum é o biscate aqui e ali, a exploração em sucessivos estágios… Os jovens que têm trabalho são estagiários permanentes…


Ah! A natalidade? Não tem nada a ver com isto... Resolve-se já:mexe-se no IRS aqui, no IMI acolá. E até no imposto sobre veículos... E, claro, acaba-se com a descriminação das grávidas, e arranjam-se mesmo uns incentivozinhos para s sua contratação!


Isto sim. Isto é visão estratégica à séria!


Sabem por que é que no Portugal de Salazar as famílias tinham muitos filhos?


Não, não é só um problema do papel social da mulher. Nem por não terem ainda sido descobertos os contraceptivos. É porque, a curtíssimo prazo, em seis ou sete anos, se transformavam em mais braços para alimentar a família...


Com a desvalorização do trabalho, e com o empobrecimento acelerado em que nos lançaram, ainda vamos ouvir falar disso!

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Tour 2024 - V

Tour de France: Tadej Pogacar triunfa pela 3ª vez e vence a 15ª etapa


"P"! De Pirenéus. E de Pogacar!


Ao segundo - e último - dia Pirenéus surgiu a etapa rainha do Tour. Quase 200 quilómetros, entre Loudenvielle e Plateau de Beille, e quatro contagens de montanha de primeira categoria, para tudo acabar lá em cima, na meta de chegada e de categoria especial.


Na realidade as metas de contagem para o prémio da montanha eram apenas isso, metas. Sinais. Porque tudo aquilo era sempre a subir. As "hostilidades" foram abertas por um grupo de 17 ciclistas onde sobressaiam os nomes de Enric Mas - o espanhol que passou toda uma carreira a prometer o que nunca atingiria - e de Carapaz, o equatoriano a quem viria a ser atribuído  o prémio da cambatividade. E que já ganhou um Giro, já foi campeão do mundo e até já vestiu a camisola amarela neste Tour. 


Na subida do Col de Portet-d’Aspet o grupo começou a destazer-se, e ficava reduzido a quatro (Mas, Carapaz, De Plus e Jai Hindley) no início da subida do Col d’Agnes, a penúltima do dia. Atingiu, então e aí, vantagem máxima da fuga, com 3 minutos e 45 segundos para o pelotão principal. Ou dos principais. Comandado pela Visma, de Vingegaard, fazendo o que fora sempre feito pela Emirates.


O investimento da Visma na etapa indicava que seria o dia de Vingegaard. Teria de ser!


Os 2,5 minutos com que o grupo da frente entrou nos 16 quilómetros do Col do Plateau de Beille rapidamente foram desaparecendo, ainda em resultado do trabalho da equipa de Vingegaard. Apenas dois quilómetros depois, a 14 lá do alto, João Almeida começou a ceder, não aguentando o ritmo com que Matteo Jorgenson pretendia desfazer a concorrência ao seu líder. Mais 3 quilómetros à frente seria a vez de ser eliminado Carlos Rodriguez, o rival de João Almeida para o quarto lugar, que o espanhol virtualmente já ocupava.


A 10,5 quilómetros da meta era chegada a hora de Vingegaard responder ao enorme trabalho da sua equipa. Atacou, e só Pogacar respondeu. Ambos seguiram por ali acima mas desta vez com papeis invertidos - era o dinamarquês a ter que dar a cara, e o esloveno a seguir-lhe a roda. Assim foi durante 5 quilómetros de subida!


Até Pogacar atacar, a 5,4 quilómetros da meta, para continuar o seu festival nos Pirenéus. Vingegaard fez o que pôde, e só foi pouco se comparado com o muito de Pogacar. No fim, na meta, a diferença era de 1´e 8´´. Na geral ficava a passar dos três minutos.


"Ir à lã e sair tosqueado", foi o que aconteceu a Vingegaard. Mas tinha de o fazer. Sem tentar nunca saberia se este ano poderia ganhar a Pogacar.


Remco Evenepoel foi terceiro, já a 3 minutos. Depois Mikel Landa, o seu companheiro de euipa que bem útil lhe fora na parte final da subida, em quarto. E logo a seguir João Almeida, com mais uma fantástica prestação, subindo  no seu ritmo para, no fim, estar sempre entre os melhores.


Se Pogacar e Vingegaard são os melhores. Se Remco confirma dia após dia que é o terceiro melhor, João Almeida é hoje o quarto melhor. Está lá em cima, entre os melhores!


 


 

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


O baralho das cartas começou a cair… A Rio Forte não pagou e o contrato de fusão da PT com a Oi foi imediatamente revisto, com a PT a perder uma grossa fatia na fusão. E com Granadeiro – será que não lhe competiria iniciativa nenhuma? – a deixar a vice-presidência…


A On Going desaparece da administração, mas isso é o menor dos males que a apoquentam. Está agora entalada entre o seu principal credor – o BES – e a acelerada desvalorização do seu principal activo – a PT.

domingo, 14 de julho de 2024

Euro 2024 - IX E viva ... o futebol

Primeiro tempo foi ruim tecnicamente e decepcionou o público em Berlim –


A Espanha é campeã da Europa. Pela quarta vez, e é já a selecção com mais títulos europeus.


Era favorita para esta final de Berlim. Porque foi, desde o primeiro o jogo deste Euro 2024, a melhor equipa. A que melhor futebol praticou, e a mais fiel à essência do próprio jogo, que não é nenhuma ciência, como muitos querem fazer crer.


Na primeira parte quase que pareceu desmentir tudo isso. A Inglaterra deu o mote ao jogo, impondo um ritmo acelerado e muito físico, e a Espanha não conseguiu fugir dele. Não teve a paciência suficiente para contrariar os dados que os ingleses lançaram para o jogo, e acabou como que perdida numa selva de futebol que não é o seu.


Não lhe faltou bola. Teve-a durante dois terços do jogo. Mas não lhe deu o uso do costume. Não a usou para o seu futebol, usou-a para navegar nas águas inglesas. O resultado foi isto: nem um remate à baliza de Pickfor. Nem um para amostra.


Na segunda parte tudo foi diferente, e o futebol de Yamal, Nico Wlliams, Dani Olmo,  Fábian Ruiz e Rodri - o melhor jogador do torneio que, curiosamente, ficou no balneário ao intervalo - apareceu nesta final.  Quando há um treinador à espera dos jogadores no balneário, o intervalo serve para isto. 


E com o melhor futebol em campo passamos a poder assistir a uma grande final. Nico Wlliams marcou logo a abrir, concluindo o passe de Yamal, que dera sequência a outro, extraordinário, de Carvajal. E, de uma primeira parte sem remates, passamos a ter logo um golo e sucessivas oportunidades para mais um, outro e outro. 


Depois veio ao de cima a velha lei do futebol que o futebolês traduz por "quem não marca sofre". Southgate mexeu bem na equipa, e voltou a ser feliz, com Palmer a empatar o jogo num remate de longe, na primeira vez que tocou na bola, a meio da segunda parte. 


Nada que alterasse o rumo do melhor futebol deste Europeu. Continuou lá, e continuou substituição após substituição de Luis de la Fuente. Até chegar finalmente, aos 86 minutos, o golo do merecido título. Com Oyarzabal (que tinha substituído Morata a meio da segunda parte) a entrar no espaço certo para concluir o cruzamento rasteiro de Cucurella, da esquerda.


Os ingleses reagiram em desespero ao golo. Foi sempre o que melhor fizeram neste Europeu. E poderiam ter voltado a empatar. Dani Olmo - entre os melhores marcadores da competição, com três golos - fez mais que um golo quando saltou e, de cabeça, impediu que, à segunda, a bola entrasse na baliza de Unai Simón.


O futebol sai sempre a ganhar quando ganham os melhores. Hoje ganhou a Espanha e ganhou o futebol!


 

sábado, 13 de julho de 2024

Tour 2024 - IV

Tour de France: Pogacar domina na primeira chegada ao alto - Bikemagazine


Glória aos vencedores e honra aos vencidos. Glória para Pogacar e honra para Vingegaard. E para Evenepoel. Disse-nos a primeira das duas visitas do Tour aos Pirenéus, na 14ª etapa, de 151,9 quilómetros, entre Pau-Saint-Lary-Soulan Pla d'Adet. A etapa do mítico Tourmalet ainda nos Pirenéus franceses. Desta vez ficou a duas montanhas da meta, e nada deixou decidido na etapa. Nem no Tour, que ainda tem muito mais para dar.


A novidade que, surpreendentemente não é tanto assim nos dias que correm, é que o Covid voltou a fazer vítimas. Depois de Michael Morkov, hoje foi a vez de Pidcock, da Ineos. Outra, ainda ontem, foi Ayuso que desfalcou a poderosa equipa da Emirates. Mesmo que dificilmente se lhe possa chamar um corredor de equipa.


No alto do Tourmalet, Laskano, da Movistar, foi o primeiro,à frente do grupo onde seguia Rui Costa, com o grupo do camisola amarela a quase 4 minutos. Seguiu-se uma descida, em que os corredores chegaram a ultrapassar os 100 Km/hora e, depois, uma montanha de 2ª categoria, mas sempre dura. No grupo de Pogacar, sempre com a Emirates a fazer as despesas da corrida, pelo pedal do alemão Nils Politt.


A 8,5 quilómetros da meta, na derradeia subida, foi a vez de João Almeida endurecer a corrida. Viu-se depois Pogacar, que parecia querer resguardar-se, falar com Adam Yates. Que, poucos segundos depois, atacou.


Era a jogada decisiva da Emirates. Não poderia ser outro a fazê-lo. O inglês estava suficientemente atrasado para provocar resposta dos rivais de Pogacar, e atacou a 7 quilómetros da meta, fazendo de imediato a diferença, e chegando-se a Ben Healy, da Education First (belo nome para uma equipa profissional), o único que restava na frente da corrida. 


A 4,5 quilómetros da meta - nada a ver com o ataque aos 42 quilómetros da antevéspera - Pogcar atacou. Vingegaard tentou responder, mas não pôde. Tal como Remco Evenepoel. Rapidamente se chegou a Yates, e ambos deixaram de imediato Healy nas covas. Vingegaard respondeu, no seu passo mas, desta vez, não conseguiu recuperar. Na meta foi segundo, 39 segundos atrás de Pogacar, mas o suficiente para "roubar" o segundo lugar da geral a Evenepoel, ficando os três mais firmes nos lugares do pódio.


João Almeida, com mais uma etapa notável, foi 12º, perdendo 12 dos vinte segundos de vantagem sobre Carlos Rodriguez, mas segurando, por 8 segundos, o quarto lugar na geral.


Amanhã há mais. O último dia de Pirenéus será ainda mais difícil e poderá, ou não, dar mais do mesmo. João Almeida dependerá muito do trabalho que for destinado no apoio a Pogacar. Se nada de anormal acontecer, um lugar no pódio estará cada vez mais difícil. Se aquilo a que for obrigado no suporte a Pogacar não o condenar a pior, o quarto lugar da geral, que segura por 8 segundos na disputa com Carlos Rodriguez, o líder da Ineos, poderá ser seu. Até porque tem a seu favor o contra-relógio final, no Mónaco e em Nice. 


Mas ainda faltam os Alpes. Para ele e para todos os outros!


 

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Pelo que se tinha visto, ninguém imaginaria as dificuldades por que a Alemanha iria passar nesta final. À superioridade patenteada pelos alemães ao longo da competição juntavam-se as vantagens de mais um dia de descanso e de um muito menor dispêndio de energias para chegar à final. Enquanto a Argentina, para aqui chegar, teve o desgaste de um prolongamento, e até dos penaltis, com a Holanda, a Alemanha, à meia hora de jogo tinha tudo tratado com o Brasil. Acresce ainda que, com o tipo de jogo da selecção alemã, com muita posse de bola, eram os jogadores argentinos que mais tinham de se desgastar a procurá-la.


Mas, mesmo com dificuldades inesperadas, ganhou. Foi preciso esperar pelo minuto 22 do prolongamento para que Gotze, que tinha entrado para jogar o prolongamento apenas na segunda substituição alemã, – e a primeira tinha sido logo aos 30 minutos de jogo por lesão de Kramer, que substituira Khedira (que falta fez!), lesionado no aquecimento – fazer o golo (na imagem), magnífico deve dizer-se, que garantiu o primeiro título de uma selecção europeia no continente americano.  


Ganhou a Alemanha, como toda a gente esperava, mas também podia ter ganho a Argentina. Que fez um campeonato em crescendo, de menos para mais. Ao ponto de hoje ter podido discutir o jogo, e até ganhá-lo. Mesmo que na verdade a melhoria da equipa fosse especialmente notória na forma como defendeu e se defendeu. Mesmo com um processo ofensivo rudimentar, ficou a ideia que, com Di Maria, esta Argentina daria ainda outra resposta mas, acima de tudo que, com Messi perto do seu nível – de facto, e não na visão enviesada da FIFA, que lhe atribuiu o troféu de melhor jogador da competição – seria campeã do mundo!


Muito se bateu aqui no seleccionador argentino. Alejandro Sabella teve a virtude de não ser tão teimoso quanto Paulo Bento ou Scolari, mas nem assim deixou de cometer erros que porventura este segundo lugar, atrás de uma grande equipa como é a Alemanha, irá esconder. Não se saberá que culpas terá – se é que tem alguma – na má condição de Aguero e no sub rendimento de Messi. Mas tem-nas nas ausências de Gaitan e de Tevez, e na falta de um modelo de jogo conforme com o talento de que dispõe.


Ganhou a Alemanha, que foi a melhor equipa do campeonato e é actualmente a melhor selecção do mundo, confirmando - paradoxalmente - a regra da continentalidade: na Europa ganham os europeus, na América ganham os americanos. É que, com este título, a Alemanha é a excepção que confirma a regra. Como foi o Brasil em 1958, na Suécia!

Notícia e não notícia

Disponível ranking das melhores e piores escolas em Portugal


Como é costume por esta altura aí estão os rankings das Escolas. Como é costume, enchem as primeiras páginas da imprensa, e abrem telejornais. Como é costume, misturando "alhos com bogalhos", os colégios privados arrasam. 


Portanto, a notícia não é notícia. Notícia, desta vez, é que, nessas, 52% das notas a Educação Física sejam 19 e 20!

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Tour 2024 - III

Tour de France: Vingegaard mostra força e vence Pogacar no sprint da 11ª  etapa - Bikemagazine


Ia o Tour na quarta etapa na última vez que aqui o trouxe, não imaginando então que, feita História na anterior, com a primeira vitória do africano Girmay, se voltaria a fazer logo na seguinte, com a vitória de Cavendish em Saint Voulbas. 


A 35ª no Tour, com que bateu o record de Merckx, que havia igualado, que há muito perseguia e que era o seu único objectivo para esta última participação na prova, projectada para o ano passado, mas reconsiderada depois do abandono a que então fora forçado.


Foi depois tempo dos sprinters - que não mais do velho corredor britânico - e especialmente de Girmay, o africano da Eritreia que corre pela equipa do Intermarché, que ganhou mais duas etapas (na oitava), e hoje mesmo (na 12ª), que lhe dá já uma grande vantagem, porventura decisiva, na liderança da classificação por pontos. Na camisola verde, que não mais despiu desde essa quarta etapa.


Mas também do primeiro dos dois contra-relógios da prova, na quinta etapa, que Remco Evenepoel venceu, com 12 segundos de vantagem sobre Pogacar, ainda e sempre de amarelo. Onde João Almeida foi oitavo, com mais 57 segundos, subindo então para sexto na geral.


Foi tempo, no domingo, de uma etapa - a nona - de grande grau de dificulade, com 14 troços em gravilha, a modernidade que substitui as velhas etapas nos pavés. E do primeiro dia de descanso, na segunda-feira.


Ontem, no maciço central, correu-se a 11ª etapa, entre Évaux-les-Bains-Le Lioran (211.0 km) toda ela de montanha... e louca. Onde a formação da Emirates fez forte investimento, quiçá com o objectivo de arrumar com o Tour logo ali, ainda antes dos Pirenéus. E dos Alpes. E do contra-relógio final, na chegada a Nice.


Fruto desse investimento ou - talvez melhor - para o justificar, Pogacar atacou na antepenúltima subida, ainda a 32 quilómetros da meta. Ninguém lhe conseguiu responder, e foi amealhando segundos de vantagem. Chegaram a ser mais de quarenta. Mas de repente fraquejou - provavelmente, pelo que se viu no final da etapa, a comer desenfreadamente, e também porque fora possível perceber o desespero com a pedira apoio ao carro que nunca chegou - por, novamente, falha na alimentação. E a perseguição de Vingegaard, a princípio feita com Roglic, que caiu na descida e ficou para trás, acabou por resultar na penúltima subida. Pogacar ainda foi primeiro nessa meta de montanha - o que lhe valeria a liderança também na classificação da montanha - mas foi já ao sprint, com o vencedor dos dois últimos Tours a parecer desinteressado de o disputar.


A partir daí fizeram as descidas, e as duas últimas subidas, a par. E em evidente colaboração para cavar a diferença para os restantes, em especial para Evenepoel e Roglic, até próximo da meta. Diferença que, com a meta à vista e a vitória na etapa para decidir, acabaram por queimar e deixar cair para meros 25 segundos. 


Não foi só aí que se percebeu que a estratégia da equipa ruíra à falta de condição física de Pogacar. Foi na própria discussão da vitória, quando Vingegaard, que normalmente perderia sempre no sprint para o rival, mesmo que sempre na frente, e em condição desvantajosa para o sprint final, arrancou para a meta e ganhou (na foto).


Fora assim - com um erro no capítulo alimentar, e com erros na estratégia de ataque  - que, no ano passado, Pogacar fora derrotado. Ontem, porventura pela sua condição decorrente da grave queda no País Basco, Vingegaard apenas ganhou a etapa. Não ganhou tempo, mas ganhou força mental. E está ainda por saber o o que isso possa vir a valer lá mais para a frente.


Evenepoel e Roglic perderam apenas os referidos 25 segundos, mantendo-os segundo e quarto na geral. João Almeida voltou a fazer uma etapa ao seu (alto) nível. Foi sexto, subiu ao quinto lugar, por troca com o Carlos Rodriguez, e com o bónus de ver o colega Ayuso afundar-se, e cair para o nono lugar da classificação.


Hoje subiu a quarto. Porque, a 10 quilómetros da meta, o infeliz (já ontem caíra, sozinho, naquela última descida) Roglic viu-se envolvido numa queda das grandes, e cortou a meta com cerca de 2,5 minutos de atraso, e um ombro esfacelado. Se estiver em condições de amanhã se apresentar à partida, dificilmente Roglic terá agora possibilidades de disputar um lugar no pódio.


Os Pirenéus vêm aí, já depois de amanhã. E desconfio que terão muito para contar.

Há 10 anos

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Não sei se há quem possa atirar a primeira pedra. Mas Fernando Ulrich não perdeu muito tempo. Primeiro foi o anúncio - televisivo, muitos anos depois: certeiro, nitidamente a entrar por ali dentro. Depois, não se ficou pelas meias palavras...


Passos Coelho é que - disse-o sempre - não estava preocupado. Nem tinha nada a ver com aquilo. Afinal parece que tem, e chegou já ao ponto de dizer que, se houver alguma coisa, o Estado cá está. 


Não sei bem porquê, mas acho que gostei mais de o ver calado!

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Euro 2024 - VIII Aí vem a final

Todos os Melhores em Campo do EURO 2024 | UEFA EURO 2024 | UEFA.com


Inglaterra e Espanha disputarão no próximo domingo a final do Euro 2024.


A Espanha, depois de ontem ter vencido a França. E convencido. E continuando a convencer, confirmando-se como a melhor equipa do torneio, o que se começou a perceber logo ao primeiro jogo. A Inglaterra, depois de hoje ter ganhado aos Países Baixos, numa meia final que ambas as selecções devem ao itinerário que lhes calhou em sorte na rota para Berlim. Curiosamente pelo mesmo resultado (2-1) e com a mesma evolução no marcador (ambas começaram por sofrer primeiro, e logo nos primeiros minutos do jogo).


Curiosamente, ainda, os dois jogos das meias finais foram resolvidos nos 90 minutos (os ingleses marcaram o golo da vitória mesmo no minuto 90), quando todas as selecções envolvidas vinham de apuramentos no prolongamento, e França e Inglaterra apenas nos penáltis. Isso mesmo: a Inglaterra venceu finalmente o fantasma dos penáltis, acertando todos os cinco penáltis com que eliminou a Suíça, bem melhor equipa ao longo dos 120 minutos. E de toda a competição, que eliminara a Itália com toda a naturalidade. 


Enquanto a Espanha encanta desde o primeiro jogo, e exibe estrelas como Lamine Yamal, de apenas 16 anos (completará os 17 na véspera da final), o mais jovem de sempre a marcar numa fase final de uma grande competição (batendo o record de Pelé, em 1958, no Mundial da Suécia), Nico Wlliams, Rodri (provavelmente o melhor jogador da competição e, se isso fosse para levar a sério, forte candidato à bota de ouro), Fabian Ruiz, Dani Olmo, ou Pedri; a Inglaterra apenas desiludiu, reduzindo à banalidade estrelas como Bellingham, Bukayo Saka, Harry Cane, Foden, Rice, Mainoo ou Cole Palmer.


Enquanto a Espanha, no caminho mais difícil, chegou à final só com vitórias, ganhando todos os jogos que disputou (à Alemanha no prolongamento), a Inglaterra ganhou apenas metade deles. Ganhou o primeiro (1-0 à Sérvia), só voltaria a ganhar nos oitavos de final (à Eslováquia, por 2-1 no prolongamento, a que chegou depois de ter empatado no último segundo da compensação), e ganhou hoje a meia final - que acabou por ser o melhor jogo que realizou - ao minuto 90. 


Se no futebol a lógica não fosse uma batata, a final de Berlim seria para cumprir a mera formalidade de atribuição do título europeu à Espanha. Mas como a lógica não cabe no futebol ... E num jogo tudo pode acontecer ... até pode ser a Inglaterra a ganhar. 


Não acredito, mas pode!


 

Há 10 anos

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Chegou a altura da viragem no título. Havendo ainda que contar, já não há assim tanto para contar…


Já se vai sabendo de muita coisa. Não será tudo, mas muito é já do conhecimento público. Cá e pelo mundo fora: hoje não houve jornal, televisão ou agência internacional que não trouxesse o grupo e o próprio Banco Espírito Santo para as primeiras páginas!


Sabe-se que, só no papel comercial que o grupo não tem capacidade para pagar, a coisa vai em seis mil milhões de euros, 900 milhões só na PT. E sabe-se que o buraco total poderá andar perto dos 8 mil milhões. E que parte disso não estava nas contas!


Diz-se – embora a administração do BES continue calada, sem qualquer reacção à suspensão das cotações em Bolsa decretada pela CMVM, e por isso não o confirme nem o desminta – que a exposição do Banco ao grupo é da ordem dos mil milhões de euros. Diz-se que o Banco tem almofada suficiente para acomodar este prejuízo…


Diz-se agora em voz alta, embora já se soubesse, que a família Espírito Santo se julgava acima de tudo. Até da lei! Sabe-se agora que afinal são incompetentes e irresponsáveis os que antes eram dados como todo-poderosos e paladinos da ética dos negócios. Chamam-lhe já vigaristas…


Mas há ainda coisas para contar. Para já, há para contar por que é que a nova administração do BES demora tanto tempo a entrar, para colocar, se não um ponto final, pelo menos um ponto de ordem no descalabro que arrasta já o país. Mas há ainda que contar, muito bem explicadinho, por que é que o Banco de Portugal deixou chegar as coisas a este ponto.


É que se sabe que a supervisão bancária vai passar para o BCE. E há por isso que contar se o regulador nacional só interveio por isso mesmo: apenas porque não podia deixar que isto fosse cair directamente no colo do BCE!


Porque também já se sabe que o BES não recorreu ao fundo de capitalização da banca - garantindo então a sua administração que não precisava, que seria o único grande banco nessa condição - pela única razão que, já na altura, quis esconder as suas contas. Porque não podia abrir as suas portas para as medidas de controlo subjacentes a essa intervenção, como aconteceu no BCP, no BPI e no Banif, se bem que este com outra extensão.

Há 10 anos

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Foi apresentado, e está desde hoje e até 15 de Setembro em consulta pública, um projecto de mais uma reforma fiscal. Chame-se-lhe o que se lhe chamar desconfia-se sempre que, no fim, o que fica é mais impostos para apagar. Desta vez chamam-lhe reforma verde, e a ideia é sobrecarregar fiscalmente tudo o que não seja, do ponto de vista ambiental, politicamente correcto.


Que aumenta os impostos não há grandes dúvidas. Mas...taxa verde? Ainda se fosse via verde para novos impostos...

terça-feira, 9 de julho de 2024

Joana Marques Vidal (1955-2024)

Joana Marques Vidal – Wikipédia, a enciclopédia livre


No dia em que era notícia a entrevista - na verdade apenas a entrevista era notícia, nada do que disse o foi, nem o foi o seu alheamento do mundo real (chegou a parecer aquele condutor que, ao ouvir a notícia de um carro em contra-mão na auto-estrada, dizia que não era um, eram todos) - da actual PGR, Lucília Gago, a notícia é a morte da anterior, e primeira mulher a ocupar a função: Joana Marques Vidal.


A ideia que fica é que, por grande que seja a proximidade - ou as várias proximidades - entre ambas, é muito maior a distância que separa a forma como exerceram os seus mandatos. Tão grande que Joana Marques Vidal saiu pela porta grande, enquanto Lucília Gago irá sair pela pequena porta dos fundos. E empurrada!

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Há 10 anos

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Poderia sempre dizer-se que não há explicação. Que a hecatombe que se abateu sobre a selecção brasileira é verdadeiramente sobrenatural. Impensável: cinco golos num quarto de hora. Coisa inédita em campeonatos do mundo: nunca à meia-hora de jogo uma equipa estivera a perder por 5 a 0.


E no entanto isto percebe-se. Isto é Scolari. Isto é Nossa Senhora do Caravaggio. Isto é a exacerbação da emoção e o desprezo pela competência!


Como aqui se foi dizendo o Brasil não jogava nada. Mesmo deixando de fora da convocatória grandes talentos, de que Lucas Moura é apenas um exemplo, a Scolari não faltaram jogadores de grande talento. O que lhe faltou foi capacidade para os pôr a jogar futebol!


Víamos e não acreditávamos naquele futebol sem meio campo, de pontapé para a frente e fé em Deus. Fé… Muita fé. Apenas fé!


Sem qualquer racionalidade, com todos as fichas no lado emocional do jogo, a selecção brasileira era um balão prestes a rebentar à primeira contrariedade. Percebeu-se isso claramente no jogo com o Chile, na descarga emocional que se sucedeu ao sucesso nos penaltis!


David Luiz é provavelmente o jogador que melhor simboliza este Brasil emocional e incompetente. Hoje não o foi apenas uma vez mais, hoje foi-o em toda a expressão dramática!


A canarinha foi humilhada, goleada como nunca ninguém tinha sido, em casa e nesta fase da prova. O Brasil está em estado de choque, o país apostou tudo – certamente de mais – neste mundial, e a sociedade brasileira reagiu. Violentamente, muitas vezes… O hexa poderia não ser um desígnio nacional, mas era certamente a válvula de escape de todas as tensões sociais. Que a frustração, ao invés, provavelmente irá potenciar. Com consequências imprevisíveis!


Que dizer da Alemanha, que simplesmente fez isto tudo?


Pouco. Que deu sete, mas poderiam até ter sido mais. Que foi o que tem sido – a melhor equipa do mundo nesta altura. Simplesmente perfeita, sem falhas. E que, para que tudo fosse perfeito, Klose, aos 36 anos, tornou-se no maior marcador de sempre em fases finais, com 16 golos. Superando os 15 do brasileiro Ronaldo…


Falou-se que este jogo seria a final antecipada deste campeonato do mundo. Olha se fosse… A Alemanha já era a campeã. Mas não vê forma de o não vir a ser!

Que a esperança não seja fumo

Eleições legislativas na França: Veja repercussão | Mundo | G1


Na segunda volta das antecipadas eleições francesas, contra tudo e contra todos, a esquerda travou a extrema direita, de Marine Le Pen e Jordan Bardella. Que, sendo o partido mais votado, no fim das contas não se livrou do terceiro lugar, com 143 deputados, atrás do centrista liberal "Juntos pela República" (24%), afecto a Emmanuel Macron, que terá 168; e da Nova Frente Popular (26%), aliança que inclui socialistas, ecologistas e esquerda de Melénchon, com 182 lugares. Os Republicanos (direita tradicional, 5%)) terão 45, havendo umas dezenas de deputados de outras filiações.


Tem agora a palavra Macron, para dizer se esta vitória da frente de esquerda muda radicalmente o espectro político francês, ou se, pelo contrário, e como há anos vamos ouvindo, apenas adia por dois ou três anos a inevitável tomada do poder pela extrema direita francesa. É ele, que destruiu o sistema partidário do país, e promoveu o assustador crescimento de Marine Le Pen, que decidirá. Se insistir em dividir para continuar a reinar, em contra-mão com a vontade expressa do eleitorado, acelera aquela inevitabilidade.


Também os socialistas, ontem "ressuscitados", e também eles, num passado ainda recente com muita responsabilidade no crescimento da extrema direita, poderão ter muito a ver com esse destino. Depende da forma como lidarem com esta "ressurreição". 


E também ainda Melénchon, obreiro da fórmula vitoriosa. Por ter feito ressurgir a esquerda, pela estratégia que desenhou e, acima de tudo, por ter optado por se manter "atrás das cortinas" na campanha eleitoral. Sabe, tem a obrigação de saber, que a sua taxa de rejeição é grande. E tem a obrigação de saber que não pode - não deve - ocupar a "boca de cena". Se não o fizer, se não entender que este não é o seu tempo - e deixou ontem, logo que conhecidos os resultados, a indicação que não consegue ceder à sua incontornável "vaidade" - também ele poderá rapidamente tornar em fumo a esperança que ontem renasceu em França. E na Europa! 

Há 10 anos

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Ainha há boas notícias... No meio disto tudo, quando os estilhaços até já chegaram à Suíça - o grupo Espírito Santo tem também um banco na Suíça, o Banque Privée Espírito Santo, que gere grandes fortunas, muitas de clientes portugueses, que aplicou também em papel comercial do grupo, o tal que está mal, em “default”, em incumprimento - não podia haver melhor notícia que esta sobre a reforma de Ricardo Salgado


Nesta altura não haverá certamente ninguém que não ache que o homem, em vez de ir gozar tranquilamente a sua merecida reforma de 900 mil euros está, coitado, a contar com ela para pagar a quem deve...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...