/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/m/k/9vhf2pTzeWDVVLRVkIbg/2024-07-07t194007z-385048192-up1ek771imtx5-rtrmadp-3-france-election.jpg)
Na segunda volta das antecipadas eleições francesas, contra tudo e contra todos, a esquerda travou a extrema direita, de Marine Le Pen e Jordan Bardella. Que, sendo o partido mais votado, no fim das contas não se livrou do terceiro lugar, com 143 deputados, atrás do centrista liberal "Juntos pela República" (24%), afecto a Emmanuel Macron, que terá 168; e da Nova Frente Popular (26%), aliança que inclui socialistas, ecologistas e esquerda de Melénchon, com 182 lugares. Os Republicanos (direita tradicional, 5%)) terão 45, havendo umas dezenas de deputados de outras filiações.
Tem agora a palavra Macron, para dizer se esta vitória da frente de esquerda muda radicalmente o espectro político francês, ou se, pelo contrário, e como há anos vamos ouvindo, apenas adia por dois ou três anos a inevitável tomada do poder pela extrema direita francesa. É ele, que destruiu o sistema partidário do país, e promoveu o assustador crescimento de Marine Le Pen, que decidirá. Se insistir em dividir para continuar a reinar, em contra-mão com a vontade expressa do eleitorado, acelera aquela inevitabilidade.
Também os socialistas, ontem "ressuscitados", e também eles, num passado ainda recente com muita responsabilidade no crescimento da extrema direita, poderão ter muito a ver com esse destino. Depende da forma como lidarem com esta "ressurreição".
E também ainda Melénchon, obreiro da fórmula vitoriosa. Por ter feito ressurgir a esquerda, pela estratégia que desenhou e, acima de tudo, por ter optado por se manter "atrás das cortinas" na campanha eleitoral. Sabe, tem a obrigação de saber, que a sua taxa de rejeição é grande. E tem a obrigação de saber que não pode - não deve - ocupar a "boca de cena". Se não o fizer, se não entender que este não é o seu tempo - e deixou ontem, logo que conhecidos os resultados, a indicação que não consegue ceder à sua incontornável "vaidade" - também ele poderá rapidamente tornar em fumo a esperança que ontem renasceu em França. E na Europa!
Sem comentários:
Enviar um comentário