domingo, 31 de julho de 2016

Um grande Senhor!


 


Há pessoas que achamos que nunca morrem. E se calhar não morrem mesmo: Mário Moniz Pereira era uma delas. Mas dizem que morreu...


Dizem que morreu o  Senhor Atletismo. Claro que é a referência do Atletismo mas, além de atleta, foi também praticante de andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa e voleibol. E foi treinador e professor. E músico. E poeta...


Não, não morreu o Senhor Atletismo. Morreu um grande Senhor!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A explosão do mimetismo terrorista*

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Assistimos a uma escalada de terror, com o medo a invadir os cidadãos europeus onde quer que estejam, numa das mais sérias ameaças de destruição da Europa. Já não bastava o processo de autodestruição em que se lançara…


O jihadismo islâmico conseguiu o que provavelmente nunca ninguém imaginou que pudesse atingir: instalar o medo no mundo ocidental sem ter que mexer uma palha, limitando-se a, algures, a partir de um qualquer servidor, emitir comunicados a reivindicar ou a saudar massacres terroristas.


Esta espécie de franchising de terrorismo internacional, lançado há uns anos pela Al-Qaeda, atingiu agora uma outra dimensão com o Daesh. Que, quanto menos poder operacional tem, maior capacidade de destruição atinge.


Não que não destrua e mate mais, directamente, no seu terreno e com a sua operação, militar e terrorista. Os atentados no Iraque, na Síria, e até na Turquia, têm destruído muito mais vidas que os dos terroristas por conta própria na Europa. Mas estes têm muito mais impacto nos objectivos globais do terrorismo islâmico.


O que tem acontecido depois de NIce, a um ritmo alucinante em França e na Alemanha, é o tecto do medo enquanto objectivo central dos terroristas.


Os europeus começam a ter medo de sair à rua, de ir a um concerto, de entrar num shoping, num restaurante, e até numa igreja. E a ter medo de toda a gente. Qualquer distúrbio, qualquer desequilíbrio mental ou psíquico, transforma um pacato e insuspeito cidadão num terrorista por conta própria.


Este terrível fenómeno de mimetismo que esta semana explodiu no mundo civilizado – a que nem o Japão escapou – tem o seu epicentro em NIce. Quando Hollande – o mais desastrado dos líderes europeus – contra todas as evidências, a mais elementar prudência e o mínimo de inteligência, se apressou a atribuir o atentado de Nice ao Daesh, abriu esta porta. Muito difícil de fechar…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Coisas extraordinárias

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Não deixa de ser extraordinário que, a acreditar na imprensa portuguesa - o que está a ficar cada vez mais difícil - o Sr Schauble se tenha empenhado tanto a convencer os comissários a votar contra as sanções a Portugal e a Espanha, sem ter conseguido convencer o do seu próprio país. É que, no fim, a favor das sanções, apenas restaram o inevitável Dombrovskis (Letónia), um inevitável finlandês (Katainen), uma sueca da nova vaga (Cecilia Malmstrom) e o seu compatriota Gunter Oettinger.


 


 


 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Que chatice: não houve sanções!


 


Afinal não houve sanções, o que deixou muita gente desiludida. Com o que é que esta gente haverá agora de se entreter? 


Não havia jormal, nem comentador que não fizesse a sua aposta nos milhões que haveria que entregar a Bruxelas. E quando se começava a reparar que por cá não se falava noutra coisa, em contraste com Espanha, onde o tema nem era assunto, lá apareceu ontem o El País também nas apostas, e a deixar muita gente feliz. Ao que pareceu...


Quem está inconsolável é o Sr Dijsselbloem. Nem o Sr Schauble o consegue consolar...


 

Preocupações aquém das responsabilidades

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Depois de, na véspera, os partidos políticos terem dito em Belém que não havia crise política, foi a vez das conferderações patronais dizerem o contrário.


Quando se esperaria que os parceiros sociais se mostrassem perocupados com todas as crises que estarngulam o país, para o que nem precisavam sequer de grande imaginação, ficamos a saber que os representantes dos patrões estão afinal preocupados é com o quadro político. 


Vasco de Melo, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, receia que a nova maioria possa pôr em causa "os consensos adquiridos nestes últimos anos". Não são menores, bem antes pelo contrário, as preocupações de António Saraiva, o presidente da CIP, com atual quadro político. Podia ter-se ficado pela oposição declarada a qualquer reversibilidade na legisalção laboral que o anterior governo e a troika lhe entregaram. Percebia-se... Mas diabolizar publicamente o Bloco de Esquerda é que já é do diabo. Declarar-se atacado por um partido "que tem sobre a iniciativa privada e os empresários uma leitura de diabolização" é mesmo coisa do diabo. E de política baixa, que não pode ser para levar a sério... Deveria esperava-se mais qualquer coizinha. Assim é poucochinho...


 


 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Não há crise...

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Ouvidas as declarações das delegações partidárias que ontem se deslocaram a Belém, ficamos a perceber que esta ronda para que Marcelo convocou os partidos serviu para mostrar ao país a sua própria tese: não há crise política. "As próximas eleições são as regionais dos Açores e, depois, as autárquicas do próximo ano". 


Clarinho, como água: os partidos que fazem a geringonça andar garantem que não há crise ... política. Os da direita dizem que só não há crise política. 


Se assim é...


 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O nosso Artur, a nossa raça, o nosso ruço...


Lembro-me como mandava naquela ala direita, num vai-vem diabólico. Como dava tudo em campo, como poucos. Como ninguém mais, naquela raça inesgotável, na entrega que punha na defesa da gloriosa camisola vermelha. Era um símbolo. Era a mística encarnada num  corpo franzino que chegava para tudo.


Num certo dia, corria o Verão quente de 1977, alguém entendeu que tudo aquilo era pouco. Sentiu-se empurrado para fora do seu clube de nascença, e partiu. Para o rival, porque é sempre assim...


Lembro-me como me doeu. E como me doeu mais a ingratidão do meu clube que propriamente a sua saída para o rival. Não havia nada para lhe perdoar e havia tudo para não perdoar aos que o empurraram para fora da sua casa de sempre. Aos 27 anos, no apogeu!


A vida caprichou em desalinhar dos sentimentos dos benfiquistas, como que não quisesse perdoar-lhe o que todos nós perdoávamos. E cedo lhe começou a trocar as voltas, não mais o deixando em paz. Até hoje. Aos 66 anos.


O Benfica, sempre muito maior que as pessoas e as conjunturas, por muito grandes que alguns se achem, ou tenham achado, pediu-lhe desculpa. Envergonhadamente...


 


 

A luta continua...

Capa do Público


 


A saga das sanções continua. Esgotado todo o material de propaganda, sem mais nada à mão - não que tudo corra às mil maravilhas, apenas porque, apesar de tudo e de todos os esforços em contrário a geringonça lá vai andando, saltando obstáculos e cumprindo metas - a entourage pafista agarra-se às sanções da Europa. Já nem lhes importa que já toda a gente saiba que o incumprimento a sancionar é todo seu. Do seu Passos Coelho, da sua Maria Luís, do seu Paulo Portas, e da sua saída limpa. Nem lhes importa que venham as próprias instituições europeias desmenti-los...


No fim de semana que deixamos para trás, a notícia era o congelamento dos fundos europeus. Nada mais que 16, como se vê na primeiria página do Público, de ontem. 


E como se viu em praticamente toda a imprensa. E na televisão. A Europa desmentiu, disse que era tudo mentira. Mas ninguém lhe deu muita atenção. E, no Público, nem sequer foi notícia. Foi olimpicamente ignorada!


Não sei se o presidente Marcelo não deveria chamar hoje mais gente a Belém. Se o objectivo é pôr alguma ordem na casa, não sei ... não!


 

sábado, 23 de julho de 2016

Os amigos são para as ocasiões

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Foto daqui


 


Os amigos de Cavaco resolveram homenageá-lo, num almoço. No dia em que se comemoraram os 40 anos do primeiro governo constitucional. Com... Mário Soares...


Um simples almoço, pouca coisa para quem se tem em tanto. Mas a gente sabe por que foi... Os amigos, mesmo que poucos, são para as ocasiões.  E ficou o aviso, pela voz - uma das poucas do cavaquismo ainda em estado de uso - de Leonor Beleza: a coisa à séria, à grande, vem aí!


Já não digo nada: há gente capaz de tudo... 


Por hoje, o homem só disse que foi "presidente no tempo certo". E, com a presunção  que se lhe conhece, que não havia ninguém com melhores condições para isso. Presunção - diz o povo - é como a água benta... Ou será como o pão de ló?


Ficamos agora à espera que, na próxima, possa explicar aquela coisa das escutas. Porque as outras ele não vai explicar nunca...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Espiral de radicalização*

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Os dois grandes acontecimentos que dominaram o final da semana passada voltaram a evidenciar os sinais preocupantes que marcam o jornalismo e a indústria da comunicação em geral.


As redes sociais minaram o jornalismo, e o jornalismo deixou-se minar por elas, mandando às malvas os valores, os critérios, e os princípios que constituíam a deontologia com que se faziam e davam notícias.


Quando a CMTV – o mais flagrante dos exemplos disso mesmo – transmitiu imagens vivas da agonia e da morte em Nice, não estava a noticiar coisa nenhuma. Quando um “jornalista” – que nunca pode ser digno dessa designação – da TF2, de microfone em riste e câmara apontada pergunta, a um homem junto ao cadáver da mulher, o que sente, não está a relatar um facto. E muito menos a fazer notícia.


Quando as televisões, na noite de sexta-feira, cobrindo as incidências do suposto golpe de estado na Turquia, noticiavam, tudo numa mesma e única hora, que Erdogan tinha pedido asilo político à Alemanha, que a Alemanha o recusara, e que estava a aterrar em Teerão, depois do Irão ter aceite conceder-lhe asilo político, não estavam nada preocupadas com factos. Nem com rigor. E nem sequer com o mínimo sentido crítico, ou com o mais elementar bom senso, que desde logo denunciava a impossibilidade factual do que estavam a noticiar.


A informação rigorosa e objectiva é tudo o que o mundo hoje mais precisa. Mas é precisamente quando é mais desprezada e negligenciada, para dar lugar ao voyeurismo e á exploração emocional dos sentimentos mais básicos das pessoas, impedindo-lhes ou limitando-lhes seriamente qualquer a capacidade da reflexão serena sobre os factos.


Isto mata a nossa civilização. Isto só ajuda os inimigos da nossa forma de vida. Isto ajuda terrorismo. E o terrorismo conta com esta ajuda. Porque isto orienta reacções xenófobas e de descriminação étnica, que acabam por entregar o poder a radicais racistas e nacionalistas. Que, depois, pressionam, perseguem e isolam minorias, quaisquer que sejam, atirando-as para para a marginalidade, para o pântano social, numa espiral de radicalização que alimentam, para dela se alimentarem...


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Como a História se repete...


 


Depois de nos primeiros dois ou três dias que se seguiram ao "golpe de estado" ter metido na prisão, ou afastado das suas funções, dezenas de milhares de pessoas, entre os quais milhares de professores, centenas de reitores e dezenas de juízes, Erdogan declarou o estado de emergência na Turquia. Para já, para as primeiras impressões, por três meses. A seguir vem a pena de morte.


A perseguição e a arbitrariedade, essas já aí estão. A encenação é como a pescada: antes de o ser já o era. 


É curioso como a História se repete com tanta frequência. Está cheia de episódios destes, sempre com os mais trágicos destinos. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Cavalheiros

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Para que haja acordos de cavalheiros tem que haver cavalheiros. Na vida política já não há disso. Não é de agora, já vem de há muito.


O que há muito vinha a funcionar, criando a ilusão de que ainda havia cavalheiros, eram apenas os superiores interesses do centrão. Quebrado o centrão, rompeu-se o cimento dos interesses.


Correia de Campos foi ingénuo ao não perceber isso. E transformou-se no primeiro achincalho da casa de má fama, e mal frequentada, que se instalou em S. Bento com o pomposo nome de Assembleia da República.

Clínicas "low cost": o barato sai caro!

 


 


Hoje preocupamo-nos mais com a saúde e o bem-estar do que há alguns anos atrás. Preocupamo-nos com a aparência, com a imagem que projectamos. Para os outros e para nós mesmos.


A preocupação com a saúde oral, com a imagem da boca e dos dentes, é porventura uma das que, nesse contexto, mais se salienta. Toda a gente gosta de ostentar um belo sorriso, dentes atraentes, imaculadamente brancos e de ar saudável.


Em resposta a esta dinâmica de procura surgiram no mercado ofertas de tratamentos dentários de baixo custo. O conceito de “low cost” chegou também às clínicas odontológicas, com muitas e diversas cadeias de baixo custo a instalarem-se por todo o país a oferecer serviços a preços muito abaixo da média do sector, e por isso muito atractivos. Nada melhor para o consumidor, não fosse dar-se o caso, como tantas vezes acontece em tantas outras áreas, de isso ser feito à custa de significativas e inegociáveis quebras de qualidade, na procura do lucro fácil e rápido.


O recente encerramento de cadeias como Funnydent ou Vegamar, assim como a detenção da liderança da Vitaldent, aumentou a visibilidade dos riscos que estas cadeias comportam para os consumidores menos avisados. Hoje cada vez menos, felizmente.


Os implantes dentários, por exemplo, por serem dos tratamentos hoje mais procurados, são um bom exemplo: tem de ser com materiais de alta tecnologia, e naturalmente de alto custo. Decorre daí que os preços não podem ter grandes oscilações. O anúncio de preços significativamente inferiores aos da média, ou aos de clínicas de referência, constitui forte razão para desconfiar, e para supor que os materiais utilizados são de má qualidade.


Os implantes dentários de qualidade colocados por um profissional qualificado podem durar até 15 anos.


Um bom dentista profissional é um especialista que deve oferecer um serviço personalizado e saber transmitir segurança e tranquilidade. As clínicas de baixo custo vivem da rotação de pessoal provocada pela política de salários mínimos para lucros máximos. E rápidos. É muito provável que o atendimento numa consulta seja por uma pessoa diferente da anterior. E diferente da seguinte. E pode até acontecer que esse atendimento seja feito por um comercial em vez de um médico especialista…


Frequentemente, no fim, para remediar tudo o que de mal foi feito, o consumidor paciente acaba por ter de recorrer ao profissional especialista que, pelo preço, trocou pela aventura “low cost “. E o que no princípio parecia um tratamento de baixo custo vai tornar-se num tratamento bem mais caro, e muitas das vezes com o risco de não recuperar de danos irreversíveis.

É só boato

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O ansiado Relatório do FMI - há gente que espera sempre com grande anisedade por estes relatórios, como sabemos - cumpriu mais uma vez o seu papel. Desta vez alertou o mundo para o perigo que a banca portuguesa e a italiana representam para a economia mundial


E a partir daí cada um deu a notícia como entendeu, como é habitual. O DN, por exemplo, entendeu até que o problema mundial era a banca portuguesa.


Da banca alemã é que ... nada. Nada para o FMI, nem nada para ninguém. Nada de nada, nenhum problema para a Alemanha, muito menos para a Europa. E então para o mundo, nem... pinners, como diria o outro.


Bem me parecia que não se passa nada no Deutsche Bank. É só boato. E ninguém se enxerga...

terça-feira, 19 de julho de 2016

Três em um

Candidato republicano Donald Trump apresenta sua mulher, a modelo eslovena naturalizada Melania (Foto: Carlo Allegri / Reuters)


 


Arrancou a convenção do Partido Republicano, em Cleveland, que irá formalizar a candiatura oficial de Donald Trump á presidência americana. Para começar, nada melhor que a própria mulher de Trump, a actual, a enésima, que ele apresentou como a futura primeira dama americana, repetir o discurso de Michelle Obama na convenção do Partido Democrático de 2008, na antecâmara da vitória eleitoral de Novembro seguinte.


Poderia ter sido por crença: "se correu bem com a outra"... E a verdade é que antiga modelo de origem balcânica - imigrante, pois claro - não esteve nada mal a dizer aquilo tudo ... Bem ensaiado, como não poderia deixar de ser. E que foi a a segunda maior novidade do primeiro dia da convenção, lá isso foi. 


A primeira foi um Trump todo contente a ouvir uma imigrante a repetir um discurso de uma negra. Três em um!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A obcessão dos planos B


 


Ficamos a saber através de Marques Mendes - uns, logo na trasmissão em directo da sua homilia dominical na SIC, outros pelas onde de choque que provoca em todo o sistema mediático nacional - que a obcessão pelo plano B também atinge a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.


Disse-nos este alcoviteiro dos domingos que o BCE enviou uma carta ao governo português, já há mais de um mês, a exigir um plano alternativo de recapitalização, para a eventualidade do plano apresentado - de capitalização pelo Estado, accionista único do banco público - não vir a ser aprovado pelas instâncias europeias. Curiosamente, o alcoviteiro que também é membro do Conselho de Estado, o que não deixa de ser outra curiosidade, passou por cima desta revelação a grande velocidade, como se estivesse a pisar uma braseira, para passar ás recomendações sobre a constituição da administração, da mesma referida carta. Que 19 é muito, quinze chegam bem. E que saibam do negócio, que tenham experiência em banca.


Não se percebe por que estas recomendações prenderam tanto a atenção de Marques Mendes: já toda a gente tinha dito que 19 administradores são administradores a mais; e que para administrar o maior banco português seja requerida experiência na banca é também do mais elementar bom senso. Para adminsitrar os maiores bancos mundiais é que não é preciso nada disso, como acaba de se ver com Durão Barroso...


O que se percebe, mesmo que o comentador e conselheiro de estado não queira que se perceba, é que o plano alternativo que o BCE reclama é a privatização da Caixa. A alternativa ao capital do estado é o capital privado. Este plano B é exactamente isso, é a alternativa que não deixa alternativa. Como, de resto, tudo o que é plano B que os exilados  não páram de exigir aos usurpadores do governo.


Não importa que não haja capital para isso. Não há cá mas há noutro lado qualquer. E com tudo o que se tem vindo a fazer à Caixa para a desvalorizar, quaisquer que sejam os valores da recapitalização são suficientes para garantir uma posição maioritária de capital.


Isto anda tudo ligado - como diz o outro...

sábado, 16 de julho de 2016

Portugal campeão europeu. Outra vez!

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18 anos depois, Portugal conquistou o campeonato europeu de hóquei em patins, derrotando na final a Itália, a campeã em título. Por 6-2, depois de estar a perder por 0-2 ao intervalo, com os dois golos a serem sofridos logo no início do jogo, sem que os jogadores portugueses conseguissem perceber o que lhes estava a contecer.


Depois de bolas e bolas nos ferros, e defesas impossíveis do guarda-redes italiano, na segunda parte soltou-se o ketchup. Numa exibição soberba, e verdadeiramente espectacular.


Como soberba foi a prestação portuguesa, que goleou em todos os jogos. As goleadas menos expressivas acabarm por ser estes 6-2 aos italianos e os 6-1 aos espanhóis. Mas sempre goleadas, como nunca se tinha visto... 


Parece mentira, mas é verdade; foram 18 anos de jejum. Este Julho está a ser verdadeiramente épico. Não sei se o presidente Marcelo vai ter medalhas para tanto...

As coisas são o que são. Mas também o que parecem...

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Foi um acto falhado, o golpe de estado na Turquia. As forças insurrectas da segunda potência militar da NATO, num estranho amadorismo, acabaram superadas pelas forças leais ao regime de Erdogan, muitas mortes e poucas horas depois. Nas maiores forças armadas da Aliança Atlântica, a seguir às americanas...


Quando ontem aqui se deu conta do golpe militar na Turquia, e do derrube de Erdogan, classificou-se o afastamento do presidente turco como uma boa notícia. Que o pior que tinha , na altura, era poder ser ainda francamente exagerada. 


Queria naturalmente dizer-se que, aqui, nada daquelas notícias  era dado por definitivo, ao contrário das televisões que, na mesma hora, davam notícias do pedido de asilo de Erdogan á Alemanha, da recusa alemã a esse pedido, e até do desembarque do presidente turco em Teerão, com asilo político concedido pelo Irão. Merece alguma reflexão...


Tanta quanto o próprio golpe. Que só serviu a Erdogan, para lhe permitir finalmente encontrar novos caminhos institucionais para perpectuar o seu poder pessoal. Depois de esgotados todos os mais convencionais, como também aqui ontem se fazia notar.


Mais uma vez: para além do que são, as coisas também são o que parecem!  

sexta-feira, 15 de julho de 2016

No topo da indecência *

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O título de campeão europeu que Portugal conquistou em França, dando aos franceses mais uma oportunidade para mostrarem o seu chauvinismo desbragado que destila mau perder, deixou o país em festa, a rebentar de emoção.


Nada que comovesse os senhores de Bruxelas, mesmo com Mário Centeno a chegar de cachecol ao pescoço, porventura esquecido que esse não é o adereço que por lá mais apreciem num ministro das finanças. Já fizeram a vida negra a um, e ainda se desconfia que tenha sido pelo cachecol…


Nada que comovesse os senhores de Bruxelas – dizia eu – que continuam a ameaçar-nos com as sanções, sem atar nem desatar, nem sim nem sopas. Mas a fazer mal, a fritar em lume brando.


A maior sanção é a ameaça permanente de sanções. É a chantagem, o medo… Há gente que acha que é chantageando e impondo o medo que se conduz a União Europeia, vejam bem ao que isto chegou. Gente sem interesse, mas cheia de interesses …Como Durão Barroso, que nem sequer hesitou um segundo no momento de dar um autêntico golpe de misericórdia na Comissão Europeia.


Quando, enquanto expressão máxima das instituições europeias, mais precisava de ser prestigiada, reforçada, e credibilizada, Durão Barroso abre a porta directa que dá para a alta finança mundial e deixa-a escancarada para toda a gente ver como os senhores do mundo põem e dispõem do poder na Europa, para a partir daí porem e disporem dos povos.


Não o fez, evidentemente, para nos mostrar mais nada que a sua ambição pessoal desmedida e a forma nada escrupulosa como sempre tratou da vidinha. E que de nada valeu aos seus antepassados na Comissão Europeia terem estabelecido uma generosa pensão – e sabe-se bem como são largas as mãos da União Europeia nestas coisas – para evitar tentações aos seus mais altos representantes na reserva.


Barroso, que nunca teve vida profissional que se lhe conhecesse para além da política, não atingiu o topo da carreira empresarial, como, provavelmente por ironia, afirmou o presidente Marcelo. Limitou-se a atingir o topo da indecência!


 


PS: Procurei uma foto para ilustrar este texto, como faço habitualmente. Pesquisei por "indecência" e, entre muitas fotografias de muitas indecências, lá estava esta. Por isso a aproveitei.


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Golpe de Estado na Turquia

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A notícia do derrube de Erdogan é uma boa notícia. Sem dúvida nenhuma. Tinha feito da Turquia tudo o que uma democracia não pode ser. Acelerou por caminhos teocráticos, promovendo a crescente islamização do país, porventura por encontrar por aí a melhor forma de perpetuar o seu poder pessoal, esgotados que foram todas os caminhos institucionais antes tentados.


Para já, o pior que esta notícia pode ter é... ser francamente exagerada. Depois, logo se vê. Já não estamos habituados a golpes militares por estes lados, mas lembramo-nos bem que sabemos sempre como começam. Como acabam é que já é mais difícil saber... 

A fronteira que não poderia ser aberta

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Os dados já conhecidos não apontam assim tão claramente para um ataque terrorista formal - deixem passar a expressão - do género dos que têm vindo a suceder-se em França, na Bélgica ou na Turquia. Não tanto, mas também, por não ter sido ainda reinvindicado por nenhuma das organizações terroristas islâmicas. Nem, mas também, por divergir no modus operandi: para tudo há uma primeira vez, e o método nem foge muito do utilizado  pela Al Qaeda, em particiular, em território árabe.


Sabe-se que o autor de tão ignóbil acto de morte e terror é cidadão francês, de origem tunisina, com cadastro criminal, de roubo e violência.


O terrorismo não se limita a recrutar, treinar e preparar operacionais para levar a cabo a sua estratégia de terror. Vai muito para além disso, fazendo de cada uma das suas acções bem sucedidas uma semente lançada no campo fértil da marginalidade e do crime. Milhares de jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro, depois de  arrastados para o mundo do crime, facilmente se deixam seduzir pela violência terrorista. E rapidamente se transformam em terroristas por conta própria, que encontram no terror forma de vida. E de morte, que também é forma de dar a volta à vida!


Se já era difícil vencer o terrorismo, a partir de agora, rompida esta fronteira ténue com a marginalidade e o crime, a missão torna-se ainda mais difícil. Esta sim, é a fronteira que nunca deveria ter sido aberta.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A besta voltou a sair à rua

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A besta voltou a sair à rua, para espalhar o terror e a morte. De novo em França e desta vez em Nice. no coração do turismo francês, no seu dia nacional. Não foi num aeroporto, foi numa praça onde uma multidão assistia ao fogo de artifício, nas comemorações do 14 de Julho, da tomada da Bastilha. Não chegaram de taxi, com bombas à cintura e armas aos ombros. Vieram de camion, e lançaram-no sobre a multidão.


Apenas o resultado é o mesmo: dezenas de mortos - o número começa em 30, mas sabe-se como sobe à medida que as horas passam - e centenas de feridos. 

É outra atitude...

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Isto pode até vir a correr mal. É bem provável que venha a correr mal. Mas ... Caramba,  é bem mais nobre levantar a voz que baixar as calças!


Nem que os resultados sejam os mesmos - e já vimos onde nos deixaram os que baixaram as calças, também chamados de bons alunos - este ar é bem mais respirável. Mesmo que não nos deixem respirá-lo!


É outra atitude... Por mim, saúdo-a.


 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A competência insinuada

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Perante a impossibilidade de continuarem a fazer de conta que as sanções, que desejam e de que precisam para a sua sobrevivência política, se não devem à sua governação, falhada em toda a linha, as eminências do anterior governo dizem, agora, a culpa é do actual governo. Não porque seja responsável por elas, mas porque não se soube defender delas, conforme concluiram a Maria Luís e a Assunção.


O que, para a secretária do Sr Schauble, era até muito fácil. "Tecnicamente" muito fácil nas palavras desse génio das finanças. 


Tão fácil quanto mandar palpites. Coisa para que a competência  técnica, a ética e o sentido de Estado de Maria Luís chegam. Não dão é para mais!


A comeptência prova-se. Não se insinua por trás do fracasso...

Vamos ver se (n)os entendemos...

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...Tal como não há "almoços grátis", também não há sanções zero.


Até podem ser a cara do Presidente Marcelo, sempre pronto a quadrar o círculo. Até podem assentar tão bem a Centeno como o cachecol. Mas não há disso. Nem mesmo as sanções-incentivo, que lembraram ao Sr Schauble (todo um manual de filosofia política nesta ideia da odiosa personagem) antes de passarem pela cabeça de muito boa gente ...


Como da do presidente, por exemplo. Deste, porque o anterior fez prova de vida no Conselho de Estado precisamente com a defesa das sanções. A sério: nem zero, nem de incentivo. A penalizar mesmo. A doer a valer... Porque, esse, não conhece outra coisa!


 


 


 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Já podemos ir de férias?

 


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Acabadas as emoções, arrumado o futebol, os cachecóis e as bandeiras, e com o ECOFIN, por fim, não a pôr fim, mas a pôr zero nas sanções, poderemos agora ir de férias?


Não vamos descansados, que as coisas não estão para tanto, mas ... vá lá, deixem-nos ir de férias... Mesmo que em  sobressalto permanente, sem saber bem como vamos acordar de cada sesta... Mas vamos com este sabor a campeão, com os éteres da bebedeira ainda a baralharem-nos a cabeça. E sempre são mais uns dias em que não pensamos como os alemães, coitados, se preocupam connosco. Nem quanto é que nos vai calhar dos 150 mil milhões de euros que o maior banco deles precisa.


O quê? Ah!


Estão aqui a dizer-me que não é o Deutsche Bank que precisa desse dinheiro para evitar a falência. Diz que os outros todos é que precisam... Claro que, depois... também é gente. Banco. Pois... Bem me parecia!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O meu onze do europeu

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Este seria o meu onze deste europeu. Com quatro portugueses, como o da UEFA e exactamente os mesmos. Para lá dos portugueses, desse onze só mais dois jogadores cabem no meu: Griezmann e Ramsey. Mas - confesso - o Ramsey só está naquela que seria a minha equipa ideal porque o Payet fez aquilo ao Cristiano Ronaldo. Só - e não é pouco - por isso não o quero na equipa, abrindo lugar ao galês.


Já agora, alguém que pergunte aos franceses se a selecção que tem mais jogadores no melhor onze da UEFA não merece ser campeã, quem é que eles acham que merece? 


 



 



 



 



Rui Patrício



 



 



  



 



 



 



 (P)



 



 



 



Kyle Walter



 



Pepe



 



Bonucci



 



R. Guerreiro



 (Ing)



 



 (P)



 



 (I)



 



 (P)



 



 



Iniesta



 



 



Ramsey



 



Sissoko



 



 (E)



 



 



 (G)



Bale



 (F)



 



Griezmann



 



 



C.Ronaldo



 (G)



                                   (F)                                                     (P)

Fernando Santos: o revolucionário!


 


A selecção nacional de futebol conquistou finalmente, pela primeira vez, uma grande competição internacional. Depois de algumas tentativas de chegar à final, que por isto ou por aquilo, e pela França e pela Espanha, sempre falhara. E depois do grande caldeirão de água gelada que foi aquela derrota na final do Euro 2004, em pleno Estádio da Luz.


Depois de muitas gerações de grandes jogadores de futebol, que fizeram boas selecções. Que jogavam benzinho, aquele futebol bonito, bem português: o "Brasil da Europa", mesmo quando lhe faltavam os tais trinta metros de que já Pedroto falava há quarenta anos. Que ganhava sempre, sem que nunca ganhasse nada. Era o tempo das vitórias morais. Era o nosso fado, o destino. Com a sorte sempre a voltar-nos as costas. Que dá sempre muito trabalho, coisa a que nem sempre nos dedicamos da forma mais competente...


Foi apenas há duas ou três semanas que percebemos que isto mudou tudo. Que o fado, hoje, continuando fado, é já outro. Como os fadistas... Que, se tem destino, também diz que o podemos mudar. Que não há fatalidades absolutas, e que se o "destino marca a hora", podemos sempre trocar-lhe as voltas. Ou mudar a hora.


Percebemos tudo isto quando, na fase de grupos, logo no início do campeonato, a equipa rematava como mais nenhuma, mas não marcava. Quando os postes e as traves das balizas se atravessavam à frente das bolas, impedindo-as de entrar. Quando o Cristiano Ronaldo falhava o penalti, e até os remates. E quando, de repente, tudo o que parecia adversidade se transformou em motivação, na crença absoluta que o destino estava ali para ser agarrado.


Percebemos que em vez do futebol bonitinho, mas fatalista, havia agora um futebol rigoroso, feito de concentração e de espírito colectivo. Aquio de que se fazem as grandes equipas, um misto do rigor táctico italiano com a força mental alemã. 


Assistimos incrédulos a esta reviravolta, e tivemos até muita dificuldade em aceitá-la. Irónico é que, da mesma forma que o jogo de ontem foi decidido pelo mais improvável dos jogadores, esta revolução tenha sido feita pelo mais improvável dos treinadores.


Dir-se-ia que no panorama do futebol português só haveria um nome capaz de tanto. Mas não. Não foi Mourinho. O revolucionário está-lhe nas antípodas. É low profile, dizem até que pé frio, e tido por perdedor pela maior parte dos adeptos portugueses dos três maiores clubes que, caso que creio único, já treinou. Um conservador, a quem facilmente poderiam chamar bota de elástico. Um homem de fé, de culto ao sobrenatural, fora de moda, a quem ninguém entregaria tamanha encomenda.


É por isso que a primeira grande conquista da selecção nacional de futebol tem que ter um nome: Fernando Santos!

domingo, 10 de julho de 2016

CAMPEÕES...CAMPEÕES!!!


 


Sentia-se. Sentia-se que desta é que era... Cheirava a campeão. Percebia.se que aquela era a fórmula do sucesso. Que aquela crença enorme que Fernando Santos injectou na equipa acabaria desta forma.


Chegara a vez de fazer história. Com tudo para ser mais uma epopeia lusa, digna da História desta nação velha de quase um milénio. Uma história de encantar, que começa com o drama de Cristiano Ronaldo e no seu estoicismo, na sua vontade indómita de voltar ao campo, de resistir à dor e ao sofrimento, de fintar a incapacidade. Que Rui Patrício prolonga, defendendo tudo o que havia para defender, tornando possível o impossível. E que atinge a dimensão mágica com Éder, o patinho feio que se transforma no mais explendoroso cisne. O herói impossível desta história que nos encanta e não nos deixa ir dormir nesta noite longa. Que não se sabe quando vai acabar! 

sábado, 9 de julho de 2016

Esconder as palavras

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Ninguém poderia esperar que os representantes máximos do Estado condenassem a escandalosa contratação de Durão Barroso pelo Goldman Sachs. Tinham razões para o fazer, mas sabíamos que não o fariam.


Podiam ter dito que não ajuda nada a União Europeia - nunca ajudaria mas, nas actuais circunstâncias, pior ainda - esta porta directa para a alta finança mundial que põe e dispõe deste planeta. Que é o expoente máximo da promiscuidade entre poder financeiro e o poder político. Ou, numa dimensão mais doméstica, lembrarem que há um contencioso de muitos milhões entre Portugal (através do Banco de Portugal, no quadro da resolução do BES) e o Goldman Sachs, que tinha já motivado a contratação de José Luís Arnaut, por sinal o mais indefectível dos barrosistas.


Podiam ter dito isto e muito mais. Mas não disseram!


É certo que o lacónico o voto de felicidades de António Costa não escondeu o que a sua expressão facial dizia, mas nem sempre o gesto é tudo. Faltaram as palavras. Faltaram palavras que certamente o primeiro-ministro teria encontrado, se as tivesse procurado.


Palavras que o Presidente Marcelo encontrou, o que não surpreende - esse nem precisa de as procurar, parece que são elas que o procuram a si. Que também não esconderam, elas próprias, o evidente incómodo do Presidente da República.


Ambos têm consciência da gravidade do acto de Durão Barroso. Ambos, na realidade, o condenam. Mas ambos fugiram à responsabilidade de o dizer. António Costa atrás da expressão facial, e Marcelo Rebelo de Sousa atrás das palavras que encontrou: "Isso já não compete ao Presidente da República avaliar."


Compete. Compete, sim. Mais do que de "gostar de ver portugueses reconhecidos em lugar cimeiros" - todos gostamos, não somos invejosos. O que não gostamos é de ver  este português reconhecido naquele lugar cimeiro. E não gostamos que o Presidente da República compare este topo com os da ciência, da cultura e das artes. Porque este é um topo envenenado!





 




sexta-feira, 8 de julho de 2016

No euro até ao fim*

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Não podia deixar acabar o euro – o do futebol, se bem que o outro também se acabe, e acaba-se cada vez mais cedo para muitos de nós – não podia deixar acabar o euro, dizia eu, sem aqui o trazer.


Quem me conhece sabe como eu gosto desse jogo…


Nem sempre gostei do jogo português, muitas vezes aquém  da qualidade que se desejaria. Mas gostei de tantas outras coisas que nem me lembro dos jogos menos conseguidos, se bem que sempre bem resolvidos.


Gostei da ambição, que como se sabe não é bem coisa portuguesa. Da ambição que as primeiras palavras do seleccionador carregaram para despejar por completo em cima dos jogadores. Começou bem cedo por dizer que íamos a França para ganhar e, quando aos primeiros empates as dúvidas se abateram sobre a equipa que nem espessas e carregadas nuvens negras, fez logo questão de informar que tinha acabado de avisar a família que só regressaria a casa a 11 de Julho: o dia seguinte à final. E para ser recebido em festa!


Muita gente, entre os quais me incluo – mea culpa, mea culpa… minha tão grande culpa – achou que o homem não estava bom da cabeça. Mesmo sabendo-se que Fernando Santos não é dado à fanfarronice…


Gostei da fibra do Pepe, de antes quebrar que torcer, a lembrar mais um transmontano de gema que um gingão da terra do samba. Gostei do Renato Sanches, a deixar o mundo de boca aberta, mesmo que nem sempre tenha entrado mosca. Gostei do Nani. Gostei do Quaresma. Do Rui Patrício. Do Cedric. Do Adrien. Do André Gomes. De todos… Que todos jogaram, menos os guarda-redes: Eduardo e Anthony Lopes. Sim, o Rafa também jogou. Muito pouco, menos certamente do que muitas vezes se justificaria, mas jogou…   


Mas gostei acima de tudo do capitão. Que para além do enormíssimo jogador que é, que não precisa nada dessa piroseira do melhor do mundo, mostrou ser um grande capitão. Não mostrou: mostraram-nos os espanhóis. Isso, foi preciso serem os espanhóis a mostrar-nos o grande capitão da selecção nacional que é Cristiano Ronaldo.


E agora lá vem o jargão: as finais não são para ser jogadas; são para ser ganhas!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM. Só assim se percebe... É que para lá só levo o futebol quando ele é muito mais que "isso mesmo".

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A história joga a nosso favor: nunca nos ganharam na final!

Euro2016: Griezmann festeja golo no França - Alemanha


 


No melhor jogo deste europeu, a sorte, os imponderáveis e dois improváveis erros colossais de dois jogadores alemães, decidiram que é com a França que vamos discutir o título de campeão da Europa.


A sorte que desde o jogo de abertura nunca voltou as costas à selecção francesa, voltou hoje a sorrir-lhe. Os imponderáveis - chamemos-lhe assim, mesmo que as decisões das arbitragens a favorecer os franceses tenham já pouco de imponderável - de um penalti no último segundo do minuto de compensação da primeira parte, que mudou o jogo. E dois erros individuais, raríssimos em jogadores da selecção alemã, que deram nos dois golos franceses. O primeiro com a imprescindível ajuda da equipa de arbitragem, e o segundo - verdadeiramente inacreditável - a não ser apenas um erro individual, mas três, sempre em sucessão...


Mas foi um grande jogo de futebol. A primeira parte foi, de longe, o melhor que se viu em toda a competição, com a Alemanha a fazer alarde da sua superioridade, sem dúvida a melhor equipa, mesmo sem os melhores jogadores, muito longe disso. A França não teve bola - a Alemanha teve então 70% de posse de bola - e sem bola não se pode jogar. 


Depois veio aquele penalti, já quando os jogadores se apressavam a sair para os balneários. Os alemães sentiram o golpe, e entraram mal no regresso ao jogo. Tão mal que só voltaram a mandar no jogo em reacção ao segundo golo francês, oferecido a Griezmann, que acabou por ser o melhor em campo. Mas então a sorte não quis nada com eles...


Deve no entanto dizer-se que o futebol da França melhorou significativamente ao longo da competição, numa progressão que não se afasta muito da que aconteceu com a selecção nacional. E dispõe de dois argumentos fortíssimos: está com níveis de concretização insuperáveis - aproveita cada oportunidade que lhe surja, criada ou oferecida - e tem as arbitragens na mão. Sempre!


A história diz que nos ganham sempre. E que nos tem afastado sempre das finais. Pois, mas agora é diferente. E nunca nos ganharam na final...


 


 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Estamos na final. Bora lá ganhá-la!


 


Na final! Portugal está na final do euro!


É certo que depois do apuramento, meio envergonhado mas a deixar perspectivas de um caminho a rasgar-se até Paris, começamos a achar não era sem tino que Fernando Santos dizia que o obejctivo era esse mesmo. Sabíamos que não era por fanfarronice que o seleccionador nacional falava desse objectivo, porque se há coisa que Fernando Santos não é, é fanfarrão. Era por crença, a crença que conseguiu transmitir aos jogadores e que os levou até ao fim.


Aconteça o que acontecer na final do próximo domingo, já ninguém pode roubar à selecção nacional o mérito de lá estar. Porque é com todo o mérito que lá chegou. Foi sempre superior aos adversários que lhe coube enfrentar. Mesmo quando jogou abaixo do que todos desejaríamos, jogou acima do que jogou o adversário.


Hoje não foi excepção. A excepção foi o resultado, uma vitória clara e apenas a primeira no fim dos 90 minutos. A selecção de Gales não teve condições de apresentar o seu futebol, um dos mais realizadores da competição, não conseguindo criar uma única oportunidade clara para fazer golo. É isto esta equipa portuguesa: rigor táctico, equilíbrio entre os sectores, espírito de equipa, anulação do adversário. E uma crença enorme.


Falta-lhe um grande futebol? Falta, mas o que é aquele golo de Cristiano Ronaldo se não um momento do melhor que o futebol tem?


Ainda não vimos o jogo da outra meia final, mas bastou o Alemanha - Itália para percebermos que não estamos em tempo daquele futebol de encher o olho. O tempo é de rigor e concentração, e isso, por muito que não sejam habitualmente atributos lusos, não falta a esta selecção. Que pode muito bem ser finalmente campeã europeia, mesmo que não parta como favorita para esta final. Nem de perto nem de longe.


Mas se Fernando Santos diz que as finais são para ser ganhas, depois de tudo o que disse e fez até aqui, quem é tem a coragem de duvidar? 


 

Fritar em lume (nada) brando

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O bullying continua. O anúncio das sanções é adiado todos os dias. Para o próximo mês, a próxima semana, o próximo dia... submetendo o país a uma exposição diária que desgasta  e mina a sua credibilidade externa até à sua irreparável destruição. 


Em poucos dias, semanas, meses o país deixará de estar em condições de assegurar o seu financiamento, vendo-se obrigado a, com um novo resgate financeiro, voltar a franquear as portas à política do não há alternativa ditada pela toda poderosa nomenklatura de Bruxelas, com o regresso ao poder dos súbditos do Sr Schauble.


Estes, os súbditos do Sr Schauble, que falharam tudo e em toda a linha, mas sempre de cócoras ao seu lado a lamber-lhe o dito cujo, vão fazendo os seus números de autêntico circo. Tanto dizem que escrevem umas cartas a implorar clemência, como que, com eles, nada disto se passaria. Para, no fim, rematarem que se houver sanções a culpa é do governo. Mais e pior: que só haverá sanções se o governo o quiser! 


Paralelamente, e sempre sem qualquer referência ao lume (nada) brando em que Bruxelas está a fritar o país, através da guarda avançada espalhada pelas televisões, jornais e blogues, vão explicando que tudo está a correr dentro da mais transparente normalidade: com um défice orçamental de 3,2%, Portugal continuou sujeito ao procedimento por défice excessivo, e por isso sob vigilância das instituições europeias. Que é tão só isso que está a acontecer, com a agravante - continuam eles - que o governo recusa medidas adicionais para cumprir a meta dos 2,2% de défice que se propõs. E que o resto é com o Tratado Orçamental, que Portugal negociou e ratificou e que Comissão Europeia tem por função fazer cumprir.


Não é - evidentemente - nada disto. Se assim fosse, as sanções pelo défice excessivo em 0,2 pontos percentuais em 2015 - da responsabilidade das políticas definidas por Bruxelas, e da sua execução pelo seu governo - teriam que ter sido aplicadas no momento próprio. E é demasiado evidente que não cumprir com o objectivo dos 2,2% não é incumprir com a meta dos 3%, que todas as previsões conhecidas dão por claramente atingível.


Já para não falar da França. Nem de todos os países - são todos, incluindo a Alemanha - que estão a violar o sagrado, mas monstruoso,Tratado Orçamental. Nem do Brexit. Nem da destruição do ideal europeu ás mãos da direita radical agrupada - e reforçada - no PPE.


 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Sinais

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De vez em quando ouvia-se e lia-se que a nossa Presidência da República custava mais ao país que, por exemplo, a coroa espanhola. O nosso presidente era o austero Cavaco, o rei de Espanha era o esbanjador Juan Carlos, das caçadas e amantes...


Na semana passada foi notícia que o director do Museu da Presidência da República fora detido pela Polícia Judiciária. Todos os dias novas notícias acrescentam novas acusações ao rol inicial, na impressionante escalada de burla e crime a que o comendador Diogo Gaspar - já não há dúvidas que as condecorações de Cavaco passam a ser objecto de registo criminal - foi dando corpo ao longo de 16 anos. 


Percebe-se como é que um austero e provinicano presidente de um pequeno país gastava bem mais que um cosmopolita monarca do seu vizinho do lado. Bem maior, por sinal. E talvez se perceba por que seja a Presidência da República o mais opaco organismo público em matéria de contratação. Ainda hoje. à Correio da Manhã é certo, é dada mais uma notícia de uma adjudicação directa do mesmo Diogo Gaspar, no passado 10 de Junho.


Ficou bem a Marcelo recusar o Mercedes que Cavaco lhe comprou. É simbólico, não encurtou gastos nenhuns, mas fica sempre bem. Não lhe fica menos bem pôr agora o Palácio de Belém na rota da decência na utilização dos dinheiros públicos. A começar pelo cumprimento da lei na contratação de bens e serviços.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Surreal

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Decididamente o poder europeu apontou as baterias para Portugal. A Grécia já era... Agora a chantagem virou-se para cá. Ultrapassa a chantagem, é bullying o que os extremistas que mandam na Europa estão a fazer.


Tão surreal quanto as ameaças europeias, é que Passos Coelho e Maria Luís aproveitem esta escalada de prepotência para fazer prova de vida. Para, de bandeira portuguesa na lapela, mostrarem de que lado estão!


 


 

domingo, 3 de julho de 2016

Tenham dó...


 


Era mais uma final antecipada. Que pena: um dos dois maiores colossos do europeu teria que sair. E lá ficavam Gales e Portugal. Uma pouca vergonha!


Não direi que não jogaram nada. Mas jogaram pouco, o jogo foi fraquinho... 


Fraquinho? Foi o que eu disse?


Nada disso, um jogo superlativo, com uma dimensão táctica do outro mundo, um autêntico duelo de titãs entre os dois maiores intérpretes do futebol ciência - diz a imprensa por essa Europa fora. Não é só alemã, que a essa ainda se podia desculpar.


Uma lástima, que nem nos penaltis se safam. Não sabem marcar penaltis? 


Nada disso: um jogo do outro mundo só poderia acabar com um espectáculo de suspense daqueles. O que se viu não foi uma sequência de falhanços que nem nos distritais de infantis se vê. Foi o requinte supremo da emoção a tornar histórico e inesquecível o jogo do europeu. Ou do século?


Tenham dó...


 

sábado, 2 de julho de 2016

Se ela fosse ministra...

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Nenhuma dúvida: se ela fosse ministra não se falaria em sanções. Enquanto foi ministra, cumprindo tudo, nunca atingiu objectivo nenhum. E nunca se ouviu falar em sanções, antes pelo contrário, falou-se de saída limpa.


Não mudou muita coisa: continuou a ser ela mesma a não atingir os objectivos. Só que já não é ministra...


Parecendo que não, tem toda a razão, a senhora. Era público e notório que o Sr Schauble tinha um fraquinho por ela...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Por que é que estão aqui?*

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Cada vez se percebe melhor que o referendo britânico à sua permanência na União Europeia nunca foi mais que um instrumento de luta política palaciana.


Começou com Cameron, que sempre que estava mais atrapalhado se lembrava dele. Até, se calhar enganado pelas sondagens, fazer dele promessa eleitoral.


Não se sabe que efeito terá tido na esmagadora vitória de Cameron nas eleições de há pouco mais de um ano. Mas, a avaliar pelos resultados do referendo, não custa muito a admitir que não terá sido pouco.


Recolhida a vantagem que pretendia, alcançada a expressiva vitória eleitoral que lhe permitia manter o poder no reino e abafar os opositores internos, Cameron escondeu a mão com que efectuara o arremesso, e passou a porta-estandarte do fica. Do bremain.


No fim, não ganhou nada com isso. Tornou-se mesmo no maior perdedor do referendo, acabando a perder tudo: o partido e o país. A pedra caiu-lhe em cima, e aleijou bem.


Não foi no entanto o único a instrumentalizar o referendo. A maioria dos que deram a cara em favor do abandono, fê-lo também a contar com os dividendos que dai retiraria para o futuro. Provavelmente não o teriam feito se estivessem verdadeiramente convencidos que o resultado seria o que foi.


Hoje, uma semana depois, isso está mais ou menos dissipado. Foi no entanto demasiado evidente nos momentos que se seguiram ao encerramento das urnas, e mesmo depois de divulgados os surpreendentes resultados. Ao ponto de, praticamente de imediato, se começar a falar de um segundo referendo que corrigisse os então inesperados resultados deste.


Irónico, quando no que toca a consultas populares, a história da União Europeia é a de fazer tantas quantas as necessárias para atingir os resultados desejados.


Não menos irónica, e mais irresponsável ainda, é a reacção institucional da União Europeia. A começar na reunião imediata dos seis países fundadores, em Berlim, como se fossem os guardiães do templo. Como se, seis décadas depois, gozassem de prorrogativas especiais… Como que a puxar dos galões, sem repararem que estão ferrugentos, que já não há brilho que de lá saia…


Depois, a lamentável prestação do presidente da comissão europeia no Parlamento Europeu, quando disse aos euro deputados britânicos que era a última vez que aplaudiam, antes de lhes perguntar: “por que é que estão aqui?


Àquela hora da manhã não era plausível que o Sr Juncker estivesse já com os copos… As ususal


E, por fim, a renovação das ameaças de sanções a Portugal e à Espanha. Por fim, não. Porque ainda sobrou tempo ao Sr Schaubler para ter o descaramento de, para voltar a ameaçar Portugal, lançar pela boca fora que está à ser preparado um novo programa de resgate ao país.


Se é desta maneira que o radicalismo cego que se apoderou dos destinos da União Europeia reage à saída de um dos seus maiores membros, a sua segunda maior economia e a quinta maior do mundo, não é preciso muito tempo para que sejam muitos mais os europeus, e não o Sr Juncker, a perguntar-se por que é que estão aqui…  


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...