sábado, 30 de abril de 2022

Mais decepcionante que o jogo só o público dos Barreiros

O abraço dos estreantes Sandro Cruz e Tiago Gouveia (twitter SLB)


 


Mais um jogo decepcionante do Benfica, este da antepenúltima  jornada do campeonato, nos Barreiros, contra o Marítimo. 


Nelson Veríssimo, já  com despedida confirmada, promoveu muitas alterações na equipa. De fora ficaram os  laterais Gilberto e Grimaldo, à beira do quinto amarelo, e por isso poupado para o jogo com o Porto; Diogo Gonçalves, suspenso por acumulação de amarelos, Taarabt e Gonçalo Ramos. O miúdo Sandro Cruz estreou-se na equipa principal, a lateral esquerdo. Não foi brilhante na estreia, mas ninguém o foi. Gil Dias repetiu a titularidade, desta vez na ala direita, onde pareceu mais adaptado. Começou bem, mas depressa desmentiu quem tivesse chagado a pensar que ... desta é que iria ser. João Mário regressou à titularidade, e foi mais do mesmo - sabe jogar à bola, mas não traz nada para o jogo. Tal como André Almeida, também regressado à titularidade, mas apenas a justificar a despedida.


Mas, no meio de tanta decepção, a maior chama-se Paulo Bernardo. Há um mês, mais coisa menos coisa, os jornais anunciavam que iria ser aposta total até ao fim da época. É verdade que a jovem promessa não tinha conseguido afirmar-se nas oportunidades que se lhe tinham deparado, mas tem um potencial de qualidade que justificaria uma aposta continuada. Liberto da ansiedade da "prestação de provas",  o jogador ganharia tranquilidade para afirmar a sua qualidade. Fosse isso para se mostrar ao mercado, fosse para se consolidar na equipa.


Ainda não resultou. Quando falta inspiração a toda a equipa, não sobra nada para Paulo Bernardo. E só pode voltar a desiludir.  


E no entanto o jogo teve tudo para se tornar confortável para os jogadores do Benfica, e para lhes permitir exibirem-se sem grandes constrangimentos. O golo surgiu logo ao expirar do primeiro minuto, e não deu sequer para o Marítimo entrar por outro caminho que não fosse o de discutir o jogo no campo todo. O Benfica tem sempre grandes dificuldades quando encontra um autocarro à frente da baliza. Nunca pareceu que o adversário tivesse tido essa ideia, mas aquele golo logo a abrir também lha permitiria. O Benfica parecia ir tomar conta do jogo, mas aos poucos ia deixando cair essa ideia.


Depois, para ajudar ao contexto, o Marítimo ficou reduzido a 10 jogadores, perto do fim da primeira parte, com a expulsão de Cláudio Wink - que até estava a ser o jogador de melhor rendimento da equipa - por entrada violenta, e muito perigosa, sobre o estreante Sandro Cruz.


Mas nem nesse contexto, ainda mais favorável, os jogadores encontraram condições para dominar completamente os acontecimentos e deixar fluir a inspiração. Nunca, em 55 minutos jogados com mais um jogador, a equipa soube lidar com essa superioridade no campo. Arrisco a dizer que, neste campeonato, nenhuma outra equipa a jogar tanto tempo em inferioridade numérica dividiu tanto o jogo como hoje fez o Marítimo. É certo que não criou oportunidades para marcar, mas também é verdade que, a dois minutos do fim dos cinco de compensação, foi Vlachodimos, com a defesa do jogo a um remate de Alipour que sofreu um desvio num defesa do Benfica, que evitou o empate.


À parte o resultado, o melhor que o jogo teve foi a estreia de outro miúdo, Tiago Gouveia. Entrou para o lugar de João Mário, então já a jogar na ala direita, depois da saída de Gil Dias, e foi também o melhor que por lá passou. 


Quando todos já só queremos queremos que isto acabe depressa, depois da conquista da Youth League no início da semana, é bom ver estes miúdos a chegar. Mau - mau de mais - foi o comportamento dos adeptos do Marítimo com o Sandro Cruz. Vaiaram-no cruel incessantemente durante todo o tempo depois da expulsão do jogador do Marítimo. Onde foi apenas vítima. Nunca culpado. Fazer isso a um jovem que se estreia na equipa, exactamente o mesmo jovem que passou pelo que  passou há duas semanas em Vila do Conde, é desumano. Ignóbil, e mais um flagrante exemplo da falta de decência no nosso futebol, e da inexistente cultura desportiva no nosso país.


Mais decepcionante que o jogo. Muito mais!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A pergunta que há muito andava no ar e sem resposta, com não respostas atabalhoadas ou com lapsos, está agora finalmente respondida: os subsídios de Natal e férias retirados aos funcionários públicos e aos pensionistas estarão repostos em … 2018!


Até poderá não ser assim, já sabemos bem que estas respostas nunca são definitivas. Sabemos até que, muitas vezes, são objecto de lapsos. Mas pelo menos aí temos a resposta, pausada e firme: serão repostos gradualmente a partir de 2015 à razão de 25% ao ano. O que dá 2018!


O corte, que representa uma poupança de 1.065 milhões de euros neste ano, foi apresentado pelo ministro das finanças na altura da apresentação do Orçamento para este ano acompanhada da sua garantia de que se trataria de um corte “temporário, durante a vigência do programa de ajustamento, e esse período acaba em 2013”. O tal lapso. Um lapso colossal!


A resposta veio, claro, de Vítor Gaspar, quando apresentava hoje o Documento de Execução Orçamental aprovado em conselho de ministros. Que, como também esclareceu, não é um PEC: tem tudo o que tem o PEC, tem as mesmas funções do PEC, parece-se mesmo como o PEC, mas não é um PEC… E como não é um PEC não precisa de ser comunicado a ninguém!


Porque quem está sob intervenção externa não tem PEC. Nada de confusões, portanto, com aquela história do PEC IV…

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A absurda obstinação do PCP

SEMANÁRIO#2583


Há cerca de um mês a embaixadora da Ucrânia denunciou a participação de associações pró-russas na recepção de refugiados ucranianos, que assim teriam acesso aos seus dados, e aos dos seus familiares que ficaram na Ucrânia, em serviço militar, que entregariam à espionagem russa. Essa denúncia foi feita numa entrevista à CNN Portugal, e não teve grande eco no restante espaço mediático. 


Era uma declaração generalista e pouco precisa mas hoje, um caso concreto e fundamentado é notícia de primeira página no Expresso. E passa-se na Câmara Municipal de Setúbal, de gestão comunista. Mais precisamente da CDU, já que o presidente, André Martins, é do PEV. Que já reagiu, negando que os refugiados sejam questionados sobre os seus familiares que ficaram na Ucrânia, e garantido que está assegurada a confidencialidade dos seus dados pessoais, obtidos por fotocópia dos respectivos documentos, cuja necessidade não explica. Não nega, nem perante os factos o poderia fazer, o envolvimento de um casal russo - a mulher intervém como técnica superior da Câmara, recrutada através de concurso público em Dezembro passado; e o marido intervém sem qualquer ligação funcional ou profissional com os órgãos do Município - ao serviço de uma associação pró-regime russo, num gabinete que o Município criou para o efeito, a  Linha Municipal de Apoio aos Refugiados — LIMAR. E já adiantou que retirou a senhora do processo acolhimento de cidadãos ucranianos, não negando, assim e no mínimo, o desconforto e o evidente contra-senso de entregar pessoas que fogem a pessoas que identificam com as de que fogem.


O PCP é que não perde tempo para negar o que quer que seja. A Câmara de Setúbal ainda deixa entender que ... "ups", alguma coisa pode ter corrido mal. Para o PCP nada de anormal aconteceu em Setúbal, pelo que não há nada para negar, nem nada a esclarecer. Para o PCP "o trabalho com imigrantes que há muito se desenvolve no município de Setúbal caracteriza-se por critérios de integração e amizade entre os povos onde não prevalecem nem exclusões nem sentimentos xenófobos". Para o PCP, um refugiado ucraniano, acabado de chegar da sua terra ocupada e martirizada pelas tropas de Putin, que encontra pela frente pessoas a falar russo, a pedir-lhe os documentos e fazer-lhe perguntas sobre os familiares que deixou para trás, não tem que sentir medo. Tem que se sentir "integrado" e entre "amigos". Para o PCP,  evitar a participação de cidadãos russos - sejam eles quem forem, e façam eles as perguntas que fizerem - na recepção e integração destes refugiados ucranianos, não é simples bom senso. É "exclusão" e "xenofobia".


Não há limites para tão absurda obstinação. 


 


 


 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


E tudo se resolveu com penalti do costume. Não, desta vez não foi o árbitro. Que nem o viu – e não viu mesmo porque, como já era notório, ele tinha pressa em resolver as coisas – quem o viu foi o árbitro assistente. O árbitro assistente e toda a gente!


E ainda bem, porque só mesmo visto. Contado ninguém acredita: a bola, de um canto, vem pelo ar e dois jogadores do Marítimo resolvem discutir uma bola que não tinha sequer discussão. Sobem ambos, sozinhos, sem nenhum adversário por perto – nem ao lado, nem à frente, nem atrás – e um deles sobe tanto que até leva a mão à bola. Aí estava o penalti do costume…


Depois! Bem, depois o jogo pouco mais teve para contar que os cartões amarelos para os jogadores da equipa da Madeira. Um deles para um jogador que caiu na área do Porto, depois de um ligeiro empurrão de Hulk – a tal famosa questão da intensidade. Que ali, na área do Porto, nunca é a suficiente…


E já no fim, com o Porto a defender lá atrás o que conquistara com o penalti do costume, o Djalma cai na área do Marítimo. O árbitro Paulo Batista apita e vê-se um cartão amarelo na sua mão. Para pagar com a mesma moeda, poderia pensar-se. Não, estava lá também um vermelho. E a outra mão apontaria para a marca de penalti: agora sim, era este afinal o penalti do costume!

A mesa do desentendimento

A longa mesa de Putin: espanhol e italiano disputam a autoria da peça | CNN  Brasil


 


É uma mesa, mas mais parece um muro. Podia até chamar-se-lhe o nome dado a tantos muros - a mesa da vergonha.


São seis metros de comprimento por quase três de largo. O tampo é uma peça única de madeira, lacada a branco e, dizem, que com folhas de ouro e  pintada à mão.  Obra do italiano Renato Pologna, dono da Oak, uma empresa familiar italiana, de Como,  que diz tê-la feito em 1995-96. Ou será do espanhol Vicente Zaragozá, dono de uma empresa homônima com sede na localidade de Alcàsser, na Comunidade Valenciana?


Se nem quanto à sua autoria há entendimento, como poderia não ser esta a mesa do desentendimento. Não admira que Putin apenas a utilize para encontros a dois com quem não se entende. Lá não se vê gente que seja visita habitual. Nunca se viu por lá Lukashenko. Nem Bolsonaro... Naquela mesa Putin só recebe gente com quem não se entende. Que lá vai fazer coisas que não se entendem!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Prolongamento parece um vocábulo de expressão comum. Parece e é, mas a verdade é que, no futebolês, tem … um sabor especial. É certo que também significa acrescento, que acrescenta jogo ao jogo. Mas é mesmo especial. Onde é que se vai para prolongamento se não no futebolês?


Na expressão comum prolonga-se qualquer coisa. Prolongavam-se as férias e até os fins-de-semana, mas nem isso já se prolonga. Mas mesmo quando se prolongava, nunca ninguém dizia que o fim-de-semana ia a prolongamento. O mês prolonga-se cada vez mais, para um ordenado cada vez mais encurtado. Mas ninguém diz que o mês vai a prolongamento


Pronto. Já estamos todos de acordo que prolongamento é mesmo futebolês. Se ainda subsistir alguma dúvida lembro que é tanto assim que até serve para nome de um programa de televisão da especialidade...


O jogo da passada quarta-feira em Madrid foi a prolongamento. E sabe-se que se isso só servir para prolongar o resultado, vai a penaltisIr a penaltis também é futebolês, tão digno como qualquer outro e mais digno que resolver a coisa doutra maneira! Ainda chegou a haver a morte súbita, mas, só pelo nome, nunca poderia ser forma digna de resolver o que quer que fosse. A selecção portuguesa até passou uma vez pelo dois em um. Foi no Europeu de 2000, quando fomos afastados da final pela França com aquele penalti de morte súbita, quando passou mais uma coisa esquisita pela cabeça do Abel Xavier. Sabemos que é um rapaz atreito a muitas coisas esquisitas, mas aquela de meter a mão à bola em cima da linha final, quando até tinha os joelhos à mão, foi a mais esquisita de todas as coisas esquisitas da vida dele!


prolongamento do jogo de Madrid não levou a nada – porque o Real não podia e o Bayern parecia que não queria – lá se foi para penaltis. Que, ao contrário do que é corrente, serviram para prolongar a permanência de Mourinho em Madrid. Corrente é que treinador que perde, sai. Mas até nisso ele é diferente: sairia se ganhasse e ficou por ter perdido!


Já Guardiola, que também perdeu mas sem ter ido a prolongamento, cumpriu a regra. E não se prolongou no comando blau grana, saiu! O que não deixa de mostrar como ainda está longe do seu rival… Mourinho raramente vai em prolongamentos nas suas equipas, sai sempre pelo seu pé e bem por cima. Remetendo-as para baixo logo que sai. Até mesmo na equipa de Abramovich: não saiu pelo seu pé, é certo, mas saiu por cima. E com as contas bancárias a abarrotar…


Pepe Guardiola saiu mas deixou lá o prolongamento, o que até poderá querer dizer que fica por perto e que até poderá regressar em breve, para outras funções. Nunca outras que não a presidência! Certo é que não estarão para breve novos duelos com Mourinho, que na próxima época lá terá que se debater com o tipo a quem enfiou o dedo no nariz. Se já lhe meteu o dedo no nariz…


À beira do prolongamento esteve o Sporting. Faltaram-lhe dois minutos, os mesmo que sobraram ao jogo, mas nem isso impede o prolongamento do estado de graça de Sá Pinto – um novo herói verde. Incrível!


Em Leiria – bem, agora é mais na Marinha Grande - onde Sá Pinto iniciou a sua carreira de treinador (adjunto, mas treinador) no início da época, também há questões de prolongamento. Bartolomeu – não farto do prolongamento da sua liderança – insistiu no prolongamento da vergonha a que conduziu a União de Leiria. Com o prolongamento dos meses sem salário os jogadores decidiram rescindir os contratos, não se deixando prolongar pelas três últimas jornadas. Já se vê esta Liga com encurtamento nos jogos e com prolongamento nos problemas!

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Negócio relâmpago

Twitter está a considerar aquisição multimilionária de Elon Musk


 


Poucos negócios se terão feito em tão pouco tempo. E no entanto é um dos maiores de sempre, e certamente o mais importante.


Em 4 de Abril Elon Musk anunciou a compra de 9,2% do Twitter. Dez dias depois diz que afinal não chega, quer ficar com tudo só para ele.  Oferece 43 mil milhões de dólares, e os accionistas dizem que se trota de uma OPA hostil. E onze dias depois, a  25 de Abril, o negócio é dado por fechado por 44 mil milhões.


O homem mais rico do mundo, de quem se diz que tem tudo o que quiser,  quis ter o Twitter.  Para ganhar dinheiro, talvez não. Diz-se que aquilo não dá... Não é a maior rede social, mas é a mais influente. É a que políticos e jornalistas de todo o mundo não dispensam. 


O casamento do homem mais rico do mundo com a plataforma de comunicação mais influente do mundo, não é nada de espantar nos tempos que correm. Que o homem mais rico do mundo tenha as suas excentricidades, também não. Já se tem tanto de génio como de teórico da conspiração, as coisas podem correr mal. É mesmo muito provável que corra mal!


E não é porque depressa e bem não haja quem...

A mesa do tudo na mes(m)a

Putin diz a Guterres que ainda acredita em solução diplomática


 


Putin recebeu Guterres, lá na ponta da intimidatória mesa de 6 metros. E disse-lhe que ele estava a ser enganado sobre o que se estava a passar em Mariupol, como já tinha sido enganado sobre o que tinha acontecido em Bucha. Guterres também lhe disse que ele estava enganado, que a Ucrânia não é palco de uma operação militar especial mas de uma invasão. O mesmo que já tinha dito ao ministro dos negócios estrangeiros, mas sem o gancho com que, segundo boa parte da imprensa portuguesa, deixara Lvarov completamente grogue: «Há um facto verdadeiro e óbvio: não há tropas ucranianas na Federação Russa, mas há soldados russos na Ucrânia!». O Luís Delgado, na Visão, até diz que "Lavrov engoliu, ficou roxo, e sem pulsação visível"... 


Querem dizer que correu tudo bem para Guterres, e tudo mal, para o Kremlin. E no fim com tudo na mesma. Parece um bom resultado para uma negociação de paz transmitida em directo!


Francamente...

terça-feira, 26 de abril de 2022

Guterres sem as chaves da porta

Ukraine war live: Guterres calls for independent war crimes investigations  during Moscow visit | Euronews


 


Ao 62º dia de guerra, depois de meio mundo lhe ter pedido que fizesse alguma coisa, que deixasse de se limitar a contemplar a guerra à distância,  de lamentar e de simplesmente  se mostrar abalado, Guterres, na fatiota de Secretário Geral da ONU que lhe assenta que nem uma luva, chegou hoje a Moscovo. Foi falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo,  Serguei Lavrov, que ainda ontem falava de III Guerra Mundial. E com Putin. 


Depois segue para a Ucrânia, onde depois de amanhã falará então com Dmytro Kuleba, e com o presidente Zelensky, que queriam ter sido os primeiros da ser visitados


Não é quem deveria ser primeiro que importa. O que importa é que esta iniciativa do Secretário Gerar da ONU é tardia. Tardia de mais de dois meses. O que já aconteceu já não pode ser evitado. E, pior ainda, torna inevitável o que ainda está para acontecer.


Criada para guardar as chaves das portas da paz, a ONU ou perde-as ou chega atrasada!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


“A ignorância da juventude é um espanto”. Esta era frase de um programa de humor do Jô Soares, há já muitos anos. A ignorância da juventude feita deputados da nação é um escândalo que não espanta!


Se não fossem estas cenas dignas de um qualquer programa de apanhados, nem sequer saberíamos que eles existiam. Sabíamos que eram ignorantes, porque nos apercebemos disso a todo o momento, não sabíamos é que também eram deputados…


Se, com os políticos que temos, são estes os que iremos ter, o melhor é mesmo fugir daqui. Depressa!

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Campeões


 


O que nos vale é que temos sempre os miúdos. Esses ninguém consegue estragar. Depois não os aproveitam, mas essa é outra história.


À quarta os juniores do Benfica acabam de se sagrar campeões europeus. Depois de três finais perdidas, também na Youth League, os miúdos abateram a maldição de Bella Gutman. E logo com uma exibição de luxo, e com uma vitória por 6-0, que não se usa numa final. Sobre o Red Bull Salsburgo, a multinacional do negócio do futebol de formação, que vinha de 5-0 ao Atlético de Madrid, nas meias finais. E que tinha sido o adversário da primeira final perdida, em 2017, na equipa de João Félix. Que para hoje pedia vingança ao irmão, e companhia.


O Benfica é hoje campeão Europeu. Mas é a equipa com mais jogos nesta competição, criada em 2013. E com mais presenças na final, 4 em 9. 


Teve de tudo, o percurso da equipa até à final - goleadas de 4-0 ao Barcelona, ao Bayern de Munique, e ao Sporting, já nos quartos de final, em Alcochete. E depois, nas meias finais, após uma entrada forte em que chegou rapidamente ao 2-0, jogou praticamente hora e meia com 10, por injusta expulsão do guarda-redes. Uma hora até aos 90 minutos, com a Juventus a aproveitar para chegar à igualdade, e mais meia hora de prolongamento. E desempate por penáltis, onde o André Gomes, que era o guarda-redes suplente, defendeu dois.


Brilhantes este miúdos! 


 

E depois do adeus

E depois do adeus – Há precisamente 42 anos |


Este texto publicado pelo JPT no Delito de Opinião, a propósito da canção símbolo do 25 de Abril interpretada pelo Paulo de Carvalho, "E depois do adeus", sugeriu-me o comentário que lá deixei, e que, porque me parece que muita gente poderá achar estranho que uma canção que, independentemente da sua qualidade dentro do género, nada tem de revolucionário, nem de subsversivo para o regime de então, seja símbolo do 25 de Abril, decidi partilhar aqui com os meus leitores.


Aqui fica:


""Gostaria de acrescentar à "história deste símbolo" um contributo que nunca vi referido ao longo de todos estes anos. Não consigo garantir que nunca tenha sido expresso. Se o foi, nunca me apercebi que o tivesse sido.
Foi a primeira senha utilizada pelo movimento. Para dar o sinal para a saída das tropas dos quartéis na madrugada do dia 25 de Abril de 1974. Por volta das 22.55 horas do dia 24, João Paulo Dinis, colocou-a no ar na antena dos Emissores Associados de Lisboa. Para que as canções pudessem funcionar com a precisão de uma senha secreta teriam que estar fora das "play list" da altura. Como primeira senha, com a ordem de avançar, seria arriscado utilizar qualquer uma das canções de intervenção, de fora por proibidas pela censura. Serviria facilmente de alerta para os ouvidos do regime. "E depois do adeus", como diz "no género, uma bela canção e muito bem interpretada", era de todo insuspeita. Nada tem de subversivo. Mas não podia constar da" play list" porque, na altura, como durante ainda muitos anos depois - e francamente não sei por imposição nacional, se da Eurovisão - as canções vencedoras do festival ficavam impedidas de passar na rádio antes do festival da Eurovisão. Independentemente das virtudes da canção, dos compositores e do intérprete, "E depois do adeus" seria muito provavelmente a única que poderia ser utilizada como senha de partida. Mais tarde, já com o movimento em curso, sem recuo possível, então sim -"Grândola vila morena".
Esta foi a minha leitura na altura - que vivi intensamente - e que também nunca expressara. E que achei apropriado fazê-lo a propósito do seu texto.""

25 de Abril sempre!

 


Pode ser uma ilustração de rosaRevolução dos Cravos: o fim do salazarismo em Portugal - Toda Matéria

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


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Nas comemorações oficiais do 25 de Abril, na Assembleia da República, salientaram-se os discursos do deputado do CDS – de quem nem sei o nome – e o do Presidente da República. Lamentável o primeiro, tão lamentável que não merece mais palavras. Pouco menos que isso, o segundo!


Foi um presidente ausente, como tem sido. Que, constantemente, assobia para o lado. Que passa pelos problemas como cão por vinha vindimada


Se há oportunidade para o Presidente da República se revelar vigilante e activo no discurso é esta. É no 25 de Abril!


Para Cavaco Silva já não importam os limites dos sacrifícios há muito ultrapassados, nem a falta de equidade na sua distribuição. Não importam as desigualdades instaladas na sociedade portuguesa, nem importa se o governo brinca com a concertação social, temas que não estão só na ordem do dia. Estiveram também, num passado recente, no centro das suas preocupações, ou do que delas dava conta!


É importante que os portugueses passem para fora imagens positivas? Claro que sim! Mas é apenas isso que, numa altura destas, tem para dizer aos portugueses?


Parece que sim. O que Cavaco teve para nos dizer foi que sofrêssemos calados e que esse sofrimento não tem importância nenhuma. Importante é que mostremos boa cara para o exterior!


PS: Este foi o cravo que caiu da lapela de Cavaco. Era o único sem cravo: governo, presidente da AR, todos com cravo. Está explicado: caiu. É este o momento preciso em que ia a caminho do chão!  

domingo, 24 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Os militares de Abril, através da sua Associação representativa, anunciaram que não participariam nas comemorações oficiais, a terem lugar na Assembleia da República. Mário Soares e Manuel Alegre – às vezes juntam-se – juntaram-se-lhes em solidariedade, presumo.


Os militares de Abril têm toda a legitimidade para decidirem o que decidiram. Já o poderiam ter feito no passado, porque já muitas foram as comemorações que ocorreram em ambiente hostil a Abril, embora também se possa dizer que nunca tal foi tão flagrante e que há sempre uma primeira vez. De Manuel Alegre, com mais ou menos legitimidade, também se compreende a atitude, consentânea com as suas posições habituais. Já a de Mário Soares é, no meu entendimento, menos compreensível e porventura menos legítima.


O 25 de Abril é comemorado na rua, pelo povo e com o povo. Mesmo que com essa inovação absurda e incompreensível da tolerância zero - seja lá o que isso for - anunciada pela polícia. A sua comemoração é popular, não é oficial, na Assembleia da República, cada vez mais bafienta e entediante. Mas o que aconteceria se o poder institucional deixasse de assinalar oficialmente esta data?


Não seria Mário Soares o primeiro a levantar a voz? Certamente que sim. E certamente com razão!


Não se percebe, por isso, que Mário Soares tenha tomado esta posição, em vez de, também lá, na Casa da Democracia, fazer ouvir a sua voz de protesto, denúncia e lamento pelo estado a que deixaram chegar Abril. E de, lá, se manifestar então solidário e enfatizar a posição da Associação 25 de Abril!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Acaba de partir, sem tempo para comemorar mais um 25 de Abril. Talvez tenha achado melhor assim, não esperar para comemorar quando já nada há para festejar!


Ainda fomos colegas no ISEG - numa altura em que mais se preocupava com a UEC que com a Estatística ou a Econometria - ele a entrar e eu nos últimos anos. Só o voltaria a ver em 2006, no SOL!


Parecia estar a dar a volta à doença mas, nas duas últimas sextas-feiras, aquele espaço vazio no Conselho Superior, da Antena 1, deixava prever o pior…


Descansa em paz, Miguel!

sábado, 23 de abril de 2022

Conformismo em vez de ambição


Mantém-se a sina - o Benfica não consegue ganhar três jogos consecutivos nesta Liga. Tem agora os últimos três jogos para conseguir esse registo, um indicador da indispensável regularidade numa competição destas. As dúvidas que seja desta são mais que muitas. O Benfica já perdeu 15 pontos em casa, e não há objectivos que resistam a uma realidade destas.


Há pouco tempo dizia-se que o Benfica era forte com os fracos e fraco com os fortes. Agora, de há largos meses a esta parte, o Benfica é fraco com os fortes e com os fracos. Mais recentemente é ainda mais fraco com os fracos. Na realidade só não foi fraco com o Liverpool; em Alvalade o Sporting não foi sequer  forte.


A irregularidade desta equipa não é apenas culpa dos jogadores. É de todos, adeptos incluídos. Basta olhar para o que vimos ao longo da semana, com o movimento que se viu à volta de Nelson Veríssimo. Bastou empatar em Liverpool e ganhar em Alvalade para que os adeptos achassem que o futuro teria que passar pelo actual treinador. Que era errado, e injusto, se assim não fosse.


A irregularidade do Benfica, e este empate de hoje com o Famalicão, na Luz, têm em comum, acima de tudo, uma mesma causa: falta de ambição. À equipa basta um um dois resultados positivos para achar que já cumpriu os objectivos. Não tem ambição para mais. E isso, mais que responsabilidade dos jogadores, é responsabilidade de quem está acima. De todos, a começar no treinador, o rosto mais visível dessa falta de ambição.


Os exemplos são muitos. O mais flagrante é o discurso de Nelson Veríssimo: "toda a gente dizia que iríamos ser amassados pelo Ajax e a equipa deu a resposta". Foi sucessivamente repetindo a expressão, acrescentando-lhe Liverpool. E depois até o Sporting. Ouvimos isto vezes sem fim, e voltamos a ouvi-lo depois de mais este desaire.


Esta falta de ambição notou-se logo na constituição do onze inicial, e confirmou-se na acomodação da equipa ao jogo. Sem Everton, a cumprir suspensão pelo amarelo de Alvalade, Nelson Verísismo apostou em Gil Dias. Percebeu-se que o treinador quis premiá-lo pelo golo em Alvalade. Não jogou nada ao longo da época, nunca justificou a contratação, que ninguém percebeu mas, porque nos 5  minutos que jogou em Alvalade marcou o golo que o Darwin fabricou, justificou a titularidade. É preciso pouco para ser titular numa equipa de alta competição. O Rúben Amorim é que não percebe nada disto. 


O que se tem visto quando a equipa precisa de resolver os jogos, é Nelson Veríssimo tirar o Everton e fazer entrar o Yaremchuk, passando o Darwin para a posição do brasileiro. O natural seria que, sem o Everton à partida, e com o jogo para resolver, e face ao histórico deste jogos na luz quanto mais cedo melhor, tivesse feito isso no onze inicial. Falta de ambição do treinador, e ideia de que o jogo haveria de se resolver por si mesmo a passar para os jogadores.


E foi isso que vimos que os jogadores tinham na cabeça. Que não era preciso grande velocidade, nem era preciso ir para cima do adversário e abafá-lo, coisa que, de resto, não sabem como se faz. O tempo resolveria por eles, sem se lembrarem dos 13 pontos que, muitas vezes assim, já ali mesmo tinham deixado. À falta de ambição, de ritmo e velocidade o que é mais provável é juntar-se a falta de inspiração. E, com tudo isto, a única coisa que o tempo faz é acrescentar motivação ao adversário.


E foi isto o jogo, como é isto em quase todos. Depois, nunca se passa nada no intervalo. As substituições têm hora marcada. Sempre fora de horas. E na maioria difíceis de perceber. Taarabt, na única que mexeu com o jogo, já foi à terceira e trazia agarrada o Radonjic, de que já ninguém se lembrava. 


Isto e mais uma arbitragem das do costume, de mais um árbitro do costume. Nada mais que o costume, e como de costume nada se passa. Tudo gente conformada. Para o conformado Nelson Veríssimo, se o penálti tivesse sido assinalado até poderia ter sido falhado.


Nós não nos conformamos. Mas isso passa. Eles sabem que passa depressa!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Tudo em conformidade com as sondagens, nas eleições presidenciais francesas: Hollande à frente de Sarkozi e a extrema-direita de Marine Le Pen a continuar a engordar, com mais de 18% dos votos. Se assim continuar na segunda volta, o mordomo da Senhora Merkel falhará a reeleição e François Hollande - com 54% nas sondagens - será le nouveau President!


O que irá mudar?


Pela forma como, na campanha eleitoral, Hollande passou ao lado dos problemas – grandes, bem grandes – e pelas promessas irrealistas, mesmo demagógicas, que apresentou, diria que as expectativas não podem estar muito altas. Mas acredito que a Senhora Merkel tenha que pôr um anúncio à procura de novo mordomo…

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Em dia de clássico em Espanha – que Mourinho ganhou, quebrando o enguiço e fechando a estória da La Liga, e com Cristiano Ronaldo a marcar e a ultrapassar, em pleno Nou Camp, o rival Messi no pichichi – Jorge Jesus explicou, bem explicado a toda a gente, como ofereceu o campeonato ao Porto.


Defrontando uma das melhores equipas da Liga – porventura uma das duas melhores do ponto de vista táctico – Jesus apresentou uma equipa com quatro (40% dos chamados jogadores de campo) dos ostracizados do plantel: Capdevilla, Matic, Nolito e Saviola. Com isso explicou, tintim por tintim, como geriu mal o plantel e como conseguiu chegar à fase decisiva do campeonato com o seu onze esgotado, a ponto de oferecer de bandeja treze pontos aos seus adversários. Não que os quatro tenham realizado exibições espantosas – todos jogaram bem mas, dos quatro, apenas Nolito foi soberbo durante a primeira parte – mas porque ficou provado que tinha opções para gerir a equipa, mantendo-a a praticar o melhor futebol que se vê nos relvados nacionais. E demonstrou que, ao contrário do dizem muitos entendidos – a maioria dos quais benfiquistas -, Saviola e Aimar são compatíveis em campo!


Com tudo isto e com uma exibição de luxo – o Benfica poderia ter saído para o intervalo com seis golos no bornal – Jesus pediu desculpa aos benfiquistas. Por mim, aceito-as. Mas nem assim o desculpo. Não perdoo nem esqueço!


Nada mais interessa, nem aquele cartão amarelo a Sapanaru que o árbitro transformou em penalti para, por volta do famoso minuto 30 do jogo do Dragão, desbloquear um jogo complicado que, até aí, tinha dado apenas três oportunidades de golo para … o Beira Mar!

quinta-feira, 21 de abril de 2022

O insulto

Zelensky e a ditadura em Portugal: "Vocês sabem o que estamos a sentir"


 


A  participação de Zelensky na sessão solene da Assembleia da República, especialmente concebida para o efeito, não frustrou as expectativas. Foi a sua 26ª intervenção em parlamentos democraticamente eleitos, pelo mundo fora. Já havia por isso uma matriz: o objectivo de mobilização internacional para a causa ucraniana substanciava-se  na excelência comunicacional, com um discurso bem estruturado e de forte carga emocional, robustecido por referências históricas, geográficas ou até de carácter civilizacional ao país e ao povo a que se dirigia.

 

Era esta última vertente da sua intervenção a que maiores expectativas suscitava. O resto não seria muito diferente, por muitos mais dados - e mais chocantes ainda - que a continuação da guerra infelizmente lhe permitiria acrescentar ao seu relato. Até apostas se faziam …

 

Não desiludiu, também nessa vertente mais ansiosamente aguardada. Referiu a dimensão populacional de Lisboa e do Porto para reforçar a imagem a passar sobre  cidades completamente destruídas, e referiu-se à ditadura que vivemos e ao 25 de Abril, que vamos festejar por estes dias. 

 

A referência geográfica ao Porto e a Lisboa não mereceu qualquer contestação ao Partido Comunista, que deixou as suas cadeiras vazias, mas não quis deixar de comentar a intervenção que não aprovara. Ainda admiti que o PCP se tivesse sentido insultado por Mariupol ser "tão grande quanto Lisboa", mas não. O insulto foi Zelensky referir-se à revolução dos cravos. 

 

Não, senhora deputada Paula Santos. A senhora, porque foi a senhora que se prestou ao serviço, os seus outros cinco colegas de bancada, e os outros todos que mandam em vós os seis, é que hoje insultaram o 25 da Abril. E seguramente mais de 10 milhões de portugueses.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Tomar conta do jogo não é bem como tomar conta de qualquer outra coisa. Embora seja mandar no jogo, como se manda noutra qualquer circunstância!


É pegar no jogo e impor a sua lei, a lei mais universal e mais antiga que existe: a do mais forte! Tomar conta do jogo é muito mais que controlá-lo. Muitas vezes há equipas que conseguem manter o jogo controlado sem que tenha tomado conta dele. Para controlar o jogo basta saber defender, marcar territórios. Normalmente muito recuados.


Por exemplo, o Sporting de Sá Pinto tem sabido controlar os jogos sem que consiga tomar conta deles. Lá bem atrás, vai segurando as pontas enquanto vê os adversários jogar à bola. E segurando os resultados, o um a zero da praxe! Há excepções, claro. Se não também não haveria regra. O último quarto de hora do jogo desta quinta-feira com o Atlético de Bilbau é essa excepção: sem nada para controlar - estava a perder – teve que mudar de agulha. E, para surpresa de toda a gente, acabou por tomar conta do jogo e dar a volta ao resultado (para 2 a 1). Uma volta que até poderia bem ter sido maior!


O Barcelona é a equipa que melhor sabe tomar conta dos jogos. É viciada nisso, não sabe jogar de outra maneira. O árbitro – muitos deles são tão ou mais viciados nisso que o próprio Barcelona, mas já lá vamos – apita para dar início ao jogo e lá estão eles, mandões, a tomar conta do jogo. De tal forma que ficam a bola só para eles, os adversários andam por ali atarantados a correr atrás deles e dela – da bola. Nem por isso conseguem evitar dissabores, como aconteceu esta quarta-feira com o Chelsea.


Mas há equipas que não precisam de tomar conta dos jogos para os ganhar. Arranjam quem tome conta por eles: assim uma espécie de outsourcing! Ou um anjo da guarda, sempre pronto a velar para que nada corra mal: sempre tudo sob controlo!


Já se percebeu que se está a sair do relvado, das quatro linhas. Pois! Também há quem tome conta do jogo sem sequer pisar o relvado.


É verdade. Há por aqui quem o faça com muito maior eficácia que o Barcelona!


Começou por tomar conta de uns sujeitos que, cabendo-lhes apenas velar pelo  jogo, sabem bem como exceder-se nos cuidados e tomar conta dele. Depois viciou-os nisso para passar a mandar neles e, a partir deles, no jogo. Até acabar por tomar conta dele. Já lá vão trinta anos – foram assinalados num dos dias desta semana - e não se sabe por quantos mais continuará a tomar conta do jogo.


O êxito é tanto que não falta quem procure desvendar o segredo de uma receita de tamanha eficácia e longevidade. Ou mesmo fazer alguns ensaios laboratoriais – desastrados, como se está a ver - na expectativa de descobrir a fórmula mágica.


Falham os pequenos detalhes, mas é nos detalhes que está o segredo. Por exemplo, o original, o verdadeiro, tinha falado em Lisboa a arder, mas sem nunca sequer chegar a lançar um fósforo. Foi o suficiente para que aparecesse um sujeito a experimentar em laboratório mandar incendiar um bocadinho de Lisboa. Pagava umas viagens, e os bilhetes de avião eram emitidos nuns nomes que, correspondendo à pessoa do passageiro, eram estranhos, careciam de descodificação. No seu ensaio de laboratório o que o sujeito faz é um depósito bancário depois de uma viagem de avião. Não é a mesma coisa, e depois há ainda o detalhe de umas câmaras de vídeo nada indiscretas. As escutas telefónicas, no original, no verdadeiro, no mestre, não servem para nada. Até acabariam por se perder e deixar de existir, não fosse o pequeno detalhe ter aparecido uma coisa chamada YouTube. No ensaio no laboratório deste challenger ainda não se sabe o que lhes irá acontecer. Pode ser que nesse detalhe tenha corrido bem!


Mas – francamente – quem não se consegue tomar conta de detalhes deste tipo, nunca conseguirá tomar conta do jogo!


 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Em festa

Uma introdução à teoria de “o melhor dos mundos possíveis de Leibniz” –  Vagápolis


Hoje tenho mais um neto. Nasceu o Pedro, o meu quinto neto, e por isso estou em festa!


Ainda deu para assistir ao debate entre Macron e Marine Le Pen. E para perceber que foi Putin, a Rússia e a guerra na Ucrânia que mais "enterrou" a Senhora que ilumina extrema-direita na Europa. Para ficar a conhecer as razões por que o PCP vai amanhã estar ausente da sessão na Assembleia da República onde vai "tele-participar"  Zelensky e para, sem surpresa, perceber como são tão "iguaizinhas" às da Senhora Le Pen. 


Nada que me estragasse este dia de festa. Mesmo longe do melhor dos mundos...

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Já basta de trapalhadas com a reposição dos subsídios de Natal e de Férias. São trapalhadas a mais, mesmo quando lhe chamam lapsos!


Agora, que o chefe do governo e o ministro das finanças já se esgotaram em contradições, veio a ministra da Justiça – por encomenda, certamente – dizer que nem em 2015 os funcionários públicos verão repostos os dois salários que lhe foram subtraídos. Numa matéria que tem sido tratada – e tão mal tratada – por aqueles dois rostos do governo, como por dever de ofício lhes cabe, ninguém percebe que, de repente, tenha mudado para o pelouro da ministra da Justiça. 


Pior no entanto é que, na mesma entrevista à Antena 1, a ministra ter declarado que a declaração de inconstitucionalidade da medida pelo Tribunal Constitucional “seria uma catástrofe”. Como se sabe a medida é inconstitucional, e apenas poderá deixar de o ser se tiver carácter excepcional, para fazer face a uma situação de emergência. Evidentemente que uma medida que se prolonga por tempo indeterminado – porque o governo já não o fixa – ou que hipoteticamente se estenda por mais quatro anos - conforme referiu hoje a ministra – não é excepcional, nem para fazer face a uma conjuntura de emergência. Inconstitucional, portanto e claramente!


Precisamente quando na ordem do dia estão os lamentáveis episódios de substituição de três membros do Tribunal Constitucional – onde os partidos, todos, dão aos portugueses mais não sei quantas provas de irresponsabilidade e de falta de ética, de seriedade, de respeito, e de credibilidade – que nos ajudam a lembrar que ali, na cúpula mais alta do nosso sistema de Justiça, as coisas afinal se decidem de acordo com os interesses dos partidos que ou representam ou de quem são devedores da nomeação, a ministra vem com uma declaração destas.


Seria uma catástrofe se o Tribunal Constitucional decidisse de acordo com a única decisão que pode tomar. Já ouvi muita gente dizer que isto é uma pressão inaceitável sobre o Tribunal Constitucional. Não é essa a minha opinião!


É mais, e bem mais grave, do que isso. Não é pressionar o Tribunal Constitucional, é ultrapassá-lo e dar já a justificação política para isso! É dizer que o Tribunal Constitucional vai decidir assim por razões patrióticas, para evitar uma catástrofe.


É trágico o que se está a passar diariamente neste nosso país. Esta é que é a catástrofe!

terça-feira, 19 de abril de 2022

Pneumonia em França?

Sondagens: Macron e Le Pen disputam segunda volta das presidenciais


(Photo by Nicolas TUCAT / AFP)


 


Aproxima-se o dia das decisões em França. É já no próximo domingo que os franceses vão decidir entre Macron e Marine Le Pen, pela segunda vez consecutiva.


Macron parte com ligeira vantagem nas sondagens. Os quatro pontos percentuais de vantagem cabem dentro da margem de erro das sondagens, pelo que não está garantido que a França resista - continue a resistir - à tentação extremista, nacionalista e populista. Esta situação já se repetiu em eleições anteriores, com o pai, Jean Marie, e Jacques Chirac, em 2002, e com estes mesmos protagonistas, há cinco anos. 


Nunca foi difícil congregar os votos no protagonista do regime para impedir o acesso da extrema direita francesa à presidência. Da última, há cinco anos, Macron acabou por ganhar com  larga margem,  2/3 da votação do eleitorado. Desta vez é diferente, e pode mesmo dizer-se que a única vantagem de que Macron desfruta é a das sondagens.


Macron não destruiu apenas o xadrez partidário de França, tornando irrelevantes todos os partidos clássicos do sistema, e reduzindo à insignificância a direita democrática e o gaulismo, em particular, que dominou a cena política francesa do pós-guerra, e o centro esquerda socialista, com quem passou a dividir o poder a partir da eleição de Miterrand, em 1981. Depois de dinamitar o sistema partidário francês, Macron dinamitou os pontos de equilíbrio da sociedade francesa, e radicalizou-a.


O inorgânico movimento dos coletes amarelos, o maior conflito na sociedade francesa desde o Maio de 68, foi a expressão dessa rotura. Macron criou "duas Franças" e foi presidente de apenas uma delas. Não soube ser o presidentes de todos os franceses, afastou-se das classes populares e tornou-se no mais impopular dos Chefes de Estado das últimas largas décadas. Quando assim acontece o crescimento dos extremos torna-se inevitável.


Cresceu a extrema-direita, não que Marine Le Pen tivesse crescido tanto assim, mas porque cresceu em representação, com três candidaturas, onde se incluiu Eric Zemmour, com a quarta maior votação da primeira volta.Cresceu a esquerda mais à esquerda, com Jean-Luc Melenchon a melhorar o resultado de há cinco anos, e a ficar muito perto de passar à segunda volta. E, acima de tudo, cresceu a resistência ao "voto útil" em Macron na segunda volta.


O próprio Melenchon apelou aos seus eleitores (21.2%) para não entregarem um único voto a Marine Le Pen, não apelou a que votassem em Macron. 


No meio da catástrofe que se está a viver na Europa, só faltava mesmo acrescentar Le Pen, a Órban. Há cinco anos, vimos na vitória de Macron uma lufada de ar fresco. Às vezes as lufadas de ar fresco são perigosas.Também dão em pneumonia.  

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Para um governo que só vê mercado não está nada mal. Baixa a procura, sobem-se os preços: uma nova e revolucionária lei do mercado!


O preço do gás vai subir porque baixou o consumo!


Mas isto não é o monopólio a funcionar?


Não é manter as rendas - as tais referidas no Memorando da troika - intocáveis?


Não é um governo forte com os fracos e fraco com os fortes?


Não! Nada disso: é o mercado a funcionar!


Ah! E quem nos informa disto é o regulador! Regulador?


Quando é que chega a vergonha a esta gente?  

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Barcelona perdeu. É notícia! Porque raramente perde e porque não tinha sequer perdido – apenas um empate com o MiIan, em Milão na eliminatória anterior – esta época na Champions. Perdeu em Stamford Bridge, com o Chelsea, quando deveria era estar a jogar na Luz!


Não jogou bem? Do Barcelona nunca se pode dizer que não tenha jogado bem, mas falharam algumas coisas que não costumam falhar. E o Chelsea, como já se vira com o Benfica, defende … à italiana. Com os onze jogadores sempre atrás da linha da bola, andasse ela por onde andasse. E a correr atrás dela. E como correm… Correm como não corriam por André Vilas Boas. Correm como correram com ele!


O Barcelona jogou o suficiente para ganhar, como já o Benfica fizera. Com o Benfica safaram-se com duas arbitragens manhosas, hoje, com duas bolas nos ferros: uma logo a abrir e outra mesmo a fechar o jogo.


A jogar assim, com um autocarro de dois andares à frente da baliza, o Chelsea vai ser um osso muito duro de roer: a lembrar o Inter de Mourinho, em 2010…


A esperada final entre os dois colossos espanhóis, entre Mourinho e Guardiola, e Cristiano Ronaldo e Messi, e que Platini seguramente apadrinha, poderá não acontecer. E até sair tudo ao contrário, com uma final entre o Bayern e o Chelsea, porque, apesar de ter partido de Munique com um resultado ligeiramente mais favorável (2 a 1), o Real Madrid de Mourinho também não irá ter tarefa fácil. Se não jogar muito mais do que fez ontem, e se os catalães não tiverem mais sorte que a que tiveram hoje, teremos pedra na engrenagem. Coisa que às vezes a UEFA resolve, mas nem sempre consegue!


Entretanto, no próximo sábado, Barça e Madrid vão encontrar-se em Camp Nou, no jogo decisivo da Liga. Como equipas deste nível não perdem dois jogos seguidos, terá que dar empate!

A felicidade e a negação

Portugueses: nem muito nem pouco felizes. Mas a felicidade mede-se? |  Felicidade | PÚBLICO


 


Só recentemente começamos a ouvir falar do índice de felicidade dos países. Poucos são os agentes políticos a introduzir o conceito no seu discurso, e quando esses poucos o fazem soa a excentricidade. A minudências de franjas que não têm mais nada com que se preocupar. 


Mais cedo ou mais tarde acabará por entrar na agenda discursiva, nem que seja por razões de marketing político. As questões ambientais e do bem estar animal, por exemplo, também ainda há poucos anos estavam arredadas do discurso político. E hoje são incontornáveis questões civilizacionais, e por isso de objectiva relevância política 


À primeira vista poderá parecer que o índice de felicidade não tem essa transversalidade civilizacional. Acresce que passa por objectivar a felicidade, o mais subjectivo dos conceitos, ao ponto de quantificar para estabelecer comparações. Mas a verdade é que, mesmo subjectiva, a felicidade é tudo o que, em última instância, as pessoas mais procuram. E, por isso, mais valorizam. 


Ora aí está. Não é preciso mais para perceber o potencial deste índice no discurso político.


Há já 10 anos que é publicado o World Happiness Index (WHI). Foram recentemente publicados os resultados da décima edição do Índice de Felicidade Mundial, e nesse relatório Portugal encontra-se na 56ª posição entre 146 países. E na 25ª entre os 27 países da União Europeia, apenas à frente da Grécia e da Bulgária. Acabamos, neste último ano, de ser ultrapassados pela Croácia.


Sempre nos tivemos na conta de pobres, mas felizes. Bastava-nos o sol, a luz e a beleza natural para, num país pobre mas bonito, sermos felizes. Venderam-nos tanto essa ideia que até criamos a expressão "pobretes mas alegretes". Pelos vistos não é bem assim. Já andávamos um bocado desconfiados disso. Que este é um belo país, com tudo para para fazer pessoas felizes, mas outras. Que não nós! 


Ensinaram-nos que o dinheiro não dá felicidade. Acreditamos. Pelos visto não é bem assim - no índice de felicidade ainda estamos pior classificados que no do PIB per capita. Não só o dinheiro conta, como somos ainda mais infelizes que pobres!


É que, para este índice de felicidade, contam, para além do PIB, factores como expectativa de vida, generosidade, suporte social, liberdade e percepção de corrupção. O PIB não ajuda, já sabíamos. Na expectativa de vida, suporte social e liberdade pessoal estamos dentro da média. Na generosidade, onde nos temos por grande exemplo, também parece que estamos enganados - somos o 4º pior. O problema vem na percepção de corrupção por parte da população - com um penúltimo lugar bem vincado.


Este factor mede a percepção que os cidadãos têm da corrupção no país. Como desconfiam das instituições e dos negócios, e como isso impacta na sua qualidade de vida. 


E cá está um dos nós górdios - um país em estado de negação. Um país que se mente a si próprio. Para Portugal não há corrupção em Portugal. Exactamente como, para Portugal, também não há racismo em Portugal!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Papa enviou um emissário (nada como nos bons velhos tempos) para dizer ao governo que não aceita a abolição dos feriados da Assunção (ao céu) de Maria – 15 de Agosto – e do primeiro de Novembro, dia de Todos os Santos.


Acho que também deveríamos encontrar um emissário para ir dizer ao governo que não aceitamos - mas de maneira nenhuma - que seja abolido o feriado que assinala a data mais importante da História de Portugal ainda comemorada: o primeiro de Dezembro. Que o governo aboliu, a par do 5 de Outubro!


Não sendo possível comemorar a data da independência inicial, em 1143, e não se comemorando nenhuma data da sua confirmação, na crise de 1383-85, não é aceitável que deixemos de assinalar, com feriado nacional, o dia da Restauração. O dia que marca a última vez que tivemos de confirmar a independência de Portugal!


A não ser que se pretenda definitivamente assumir a soberania perdida…

domingo, 17 de abril de 2022

Respeitar o Benfica


 


Parabéns, Nelson Veríssimo. Parabéns pelo 45º aniversário, e parabéns pela vitória (e como é sempre saborosa!) e pela forma brilhante como eclipsou o futebol do Sporting, de Rúben Amorim.


Foi um grande jogo este que o Benfica fez hoje em Alvalade. Os jogadores foram brilhantes, mas foram, acima de tudo, de uma dignidade, de uma entrega e de uma raça como ainda se não tinha visto. Nunca foram inferiores aos adversários na disputa pela bola, nunca tiveram medo dos duelos e nunca lutaram menos. Quando assim é, tudo é diferente, e sofrer golos deixa de ser a fatalidade que tem sido.


Dava ainda apenas para o jogo contar uma história de cartões - o cartão, nem sequer amarelo, que não foi mostrado a Coates, logo no início, e o vermelho que ficou em amarelo na agressão de Sarábia a Vertohghen - quando o Benfica marcou o primeiro golo, à beira do fim do primeiro quarto de hora. Foi a primeira jogada de golo, até aí, para além da história dos cartões que poderiam dar ao jogo outra história, só dava para perceber que o Benfica não deixava o Sporting impor o seu futebol habitual. Depois do golo - excelente lançamento de Vertonghen, o resto ficou por conta de Darwin, que começou por, primeiro,  bater o Neto em velocidade, depois deixar o Coates para trás com um toque de cabeça seguido de fuga para, por fim, fechar com um chapéu a Adan. Mais bonito era difícil.


O golo abriu definitivamente as hostilidades. O Sporting reagiu e acelerou o jogo. Mas o Benfica, defendendo muito bem - uma autêntica equipa, que tem sido sempre o que mais tem faltado - era sempre mais perigoso . Adan negou o segundo, que surgiu pouco depois, porque no lance a seguir ao canto que resultou da defesa do seu guarda-redes, o Sporting criou a sua única oportunidade de golo, negada por Vlachodimos, a roubar a bola ao Pote, isolado à sua frente. No lance corrido, dessa segunda vez que a bola entrou na baliza de Adan, ficaram algumas dúvidas. Mas o Hugo Miguel, no VAR, tratou do assunto. Nas linhas manhosas, não fez a coisa por menos - 96 centímetros.


Quase um metro?  Ó Hugo Miguel, isso não é de mais para ser levado a sério?


Fábio Veríssimo no campo e Hugo Miguel no VAR, não é de mais. É o costume, e apenas mais do mesmo.


Mais do mesmo foi a segunda parte. Temia-se que a equipa - exactamente a mesma que iniciou o jogo de Liverpool - pudesse quebrar fisicamente, e não conseguisse aguentar aquele ritmo diabólico de luta pela bola e pelos espaços, a defender e a atacar. Mas nada disso!


A segunda parte disse ao que vinha logo de entrada. Começou com mais uma grande oportunidade de golo do Benfica, naquele remate do Diogo Gonçalves a roçar o poste. E com a única oportunidade do Sporting, logo na resposta, num toque de cabeça ao poste- nem sequer se pode chamar-lhe remate - do Sarábia, que devia estar no balneário. E vimos uma segunda parte ainda mais intensa. Com o Benfica a continuar a defender a grande nível, a continuar a ganhar todos os duelos, e sempre a criar perigo nas saídas em contra-ataque.


E com Fábio Veríssimo a acrescentar histórias à história dos cartões da primeira parte: Nuno Santos "aviou" um pontapé na cabeça do Gilberto, já no chão depois de o ter ceifado, e nada. O Paulinho deu uma cotovelada no Vertongen, sem bola, quando ia a passar por ele e.... o Veríssimo do apito resolveu a coisa com um amarelo para cada um. Porro, distribuiu empurrões a torto e a direito na substituição de Taarabt, mas foi o jogador do Benfica a ver o cartão amarelo, quando ia a sair sem se meter com ninguém. E Hugo Miguel a acrescentar histórias à história do VAR. E à sua longa história de perseguição e incompetência. Houve um vermelho, foi para o Rui Pedro Brás. Mas a esse já eu o teria mostrado há muitos meses.


Por volta dos 60 minutos Rúben Amorim começou a mexer na equipa. Tinha no banco Slimani, Ugarte, Edwards. E em campo demasiados jogadores completamente secados pelos jogadores e pela estratégia do Benfica. Nelson Veríssimo no banco tinha Gil Dias e Paulo Bernardo. O suficiente para chegar ao segundo golo e "matar o jogo", numa jogada emblemática. Ao segundo minuto dos 7 de compensação que o árbitro entendeu justificarem-se, Darwin arrancou pela esquerda e foi tal o pânico  que acabou rodeado por cinco - cinco! - jogadores do Sporting. Nada impressionado com tamanha guarda de honra, entregou a bola ao Gil Dias para tranquilamente  meter a bola por baixo do corpo do pobre Adan . Mesmo com os 11 jogadores, em vez dos 7 que deveria ter em campo, ao dispensar cinco só para Darwin só sobravam seis. Mas estavam lá mais para a frente...


E lá ficou o resultado um pouco mais condizente com o que foi a superioridade do Benfica no dérbi, mesmo quando ainda estamos longe do dia em que voltarão a respeitar o Benfica, como hoje dizia o miúdo Henrique Araújo, no fim do jogo da equipa B em Vila do Conde, com o Rio Ave. Sim, um miúdo da equipa B. Não foi o presidente Rui Costa. Nem sequer o Rui Pedro Brás. Não terá sido por isso que foi expulso!


Esta vitória é também dele, do Henrique Araújo. E é também para o Sandro!


 


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Aqui ao lado a coisa está preta. E não é porque o rei se dedique de mais à caça de elefantes. Ou porque tenha fracturado não sei o quê na caçada. Ou porque a Rainha esposa não lhe tenha ligado nenhuma. Nem à caçada nem à caça que levou para a caça! Também não será porque a Senhora Kirchner nacionalizou a posição de controlo (51% do capital) da Repsol na YPF, a única petrolífera privada da América do Sul – cuja privatização e tomada de controlo pela petrolífera espanhola assumira contornos de escândalo, denunciado no imperdível documentário “Memória de um Saque”, do argentino Fernando Solanas, - lançando contra si a Espanha, a Europa e o Mundo!


E também não é porque o seu ministro das finanças tivesse já dito, como outro que bem conhecemos, que, se os juros chegarem aos 7%, terá de pedir ajuda externa. Porque essa é uma originalidade portuguesa e, como tanto têm apregoado, a Espanha não é Portugal. Como Portugal não era a Grécia, e a França não será a Espanha!


É mesmo porque as taxas de juro estão lá a bater e isso é insustentável…


Quem pudesse pensar que isto tinha acabado estava bem enganado! Tão enganado como nós andamos todos…


É mais uma factura que aí vem. E não é por deixarmos de lá ir ao supermercado, meter gasolina ou buscar gás…

sábado, 16 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Arrancou hoje a campanha do Movimento Zero Desperdício, um movimento de solidariedade com os mais carenciados que, como se sabe, vão sendo cada vez mais.


Não vou deter-me no movimento, cuja ligações aqui deixo para quem pretender mais informação a seu respeito. Mas no seu nome: Zero Desperdício! Talvez porque o nome Desperdício Zero já tinha sido utilizado noutras circunstâncias e noutras latitudes!


Portugal é um país de desperdício. E não será certamente na comida – objecto principal deste campanha - que mais desperdiça. Desperdiçou oportunidades históricas irrepetíveis, desperdiçou recursos naturais, desperdiçou o mar e desperdiça o talento, o conhecimento e a arte e o engenho dos portugueses.


Desperdiça o mais importante e o mais disputado dos recursos: massa cinzenta! Depois de um investimento de gerações - e de centenas de milhões de euros - a retirar os portugueses do buraco fundo do analfabetismo e a formar gerações de gente qualificada, Portugal deita-os fora, para o lixo. Ou manda-os embora, entregando todo esse investimento a outros, aos países para onde os obriga a partir.


Não conheço maior desperdício! Está aqui a mãe de todos os desperdícios…


 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

O futebol é isto mesmo!

O futebol é isto mesmo | Trade Stories


 


"O futebol é isto mesmo" - é uma das mais recorrentes expressões do futebolês. E até já deu título de livro.


No passado domingo o Porto ganhou em Guimarães, com um golo na conversão de um dos dois penáltis assinalados pelo árbitro João Pinheiro, e confirmados pelo VAR, Rui Costa. Árbitro e VAR que viram nos unanimemente reconhecidos mergulhos de Taremi para a piscina razão para assinalar dois penáltis, mas já não viram qualquer falta quando o Mbemba atropelou dentro da área o central vimaranense Jorge Fernandes, partindo-lhe a clavícula. A equipa da casa teve ainda um jogador expulso, 


No final do jogo, as declarações  de Pepa, o treinador da equipa do clube de Guimarães presidido por um sócio do Porto, foram para exaltar o mérito de Taremi e para dizer que o Porto tinha jogado para ser campeão. 


Hoje, de novo em Guimarães, na recepção ao Paços de Ferreira, que ao intervalo tinha 65% de posse de bola, a equipa de Pepa beneficiou de - não um, não dois, mas três - três penáltis, qual deles o mais discutível. E da expulsão de um adversário, logo ao segundo. 


Em Portugal, o futebol é mesmo isto mesmo. Quem se portar bem não se vai dar mal!


 


 

Há 10 anos

 


Sem ser brilhante, o Benfica ganhou com toda a justiça a Taça da Liga. Voltou a ganhá-la, pela quarta vez consecutiva, repetindo o resultado (2a1) do ano passado. E, também como no ano passado, com aquele sabor amargo que fica quando não se conquista mais nada que a terceira competição (em importância) do futebol nacional!


O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Sem ser brilhante, o Benfica ganhou com toda a justiça a Taça da Liga. Voltou a ganhá-la, pela quarta vez consecutiva, repetindo o resultado (2-1) do ano passado. E, também como no ano passado, com aquele sabor amargo que fica quando não se conquista mais nada que a terceira competição (em importância) do futebol nacional!


É uma prova desenhada para ter a final disputada entre os grandes cá do burgo. Foi essa a opção do organizador da prova – a Liga Portuguesa de Futebol Profissional – para a impor ao calendário nacional e, acima de tudo, aos patrocinadores. Que este ano foi o BIC, o tal que ficou com o BPN!


Apesar dos esforços do organizador apenas por duas vezes esse objectivo foi atingido: há três anos, quando o Benfica conquistou a primeira contra o Sporting, no desempate por grandes penalidades; e há dois, quando o Benfica cilindrou o Porto com uma exibição de luxo e uma vitória por três a zero, e fez o bi. E também o bis, porque lhe juntou o campeonato que a deixa no ponto. No tri, o ano passado, o Benfica afastou o Sporting nas meias-finais e o Porto viu o seu lugar na final ocupado pelo Paços de Ferreira. E este ano foi a vez do Benfica afastar o Porto e do Gil Vicente deixar o Sporting em casa (ainda na fase de grupos,  em Alvalade) e mandar o Braga para casa, nas meias-finais.


Voltando ao jogo. Não tendo sido brilhante também não foi enfadonho. Não tendo o Benfica feito grande exibição, também não esteve ao nível de Guimarães, Olhão ou Alvalade e há jogadores que estão claramente em fase ascendente, e a aproximarem-se do seu melhor. Ou a deixarem no ar esse cheirinho, como é o caso de Rodrigo e de Witsel (eleito pela organização o homem do jogo). Também Matic esteve muito bem, voltando a mostrar que deveria ter tido muito mais oportunidades durante a época. E Saviola fez o golo da vitória, na primeira vez que tocou na bola – o mesmo que sucedera com Zé Luís, o jogador do Gil que estabelecera o empate minutos antes – ajudando-nos a recordar que se mantém no plantel. É que nem parecia!


E a Liga soube transformar esta final numa uma festa bonita e pouco comum nos jogos de futebol em Portugal. Com coisas muito bonitas, a começar pelas miúdas que o BIC espalhou por todo o lado, até junto aos bancos. E a passar pelo troféu (muito bonito mesmo, olhem lá para cima), mas também pelas alas que as duas equipas abriram uma à outra, por onde passaram os jogadores sob aplausos dos adversários. Pode ser simples encenação, mas é bonito!


Fica-me no entanto uma grande mágoa e uma imensa tristeza pelos infelizes dos sem-abrigo de Barcelos. É que essa grande figura do futebol que é António Fiúza, o presidente do Gil Vicente, já não lhes vai dar champanhe durante uma semana completa. Como é que os sem-abrigo irão poder viver sem champanhe, esse bem essencial que este benemérito fica livre de lhes dar?  


Bom, para a história fica o tetra. Não a treta!


 


 


 

Eunice Muñoz (1928-2022)

Morreu a atriz Eunice Muñoz aos 93 anos


 


Quase 94 anos de existência deram-lhe uma longa vida. 80 anos de talento espalhado por palcos, telas e ecrãs deram-lhe a eternidade.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Já vimos que no futebol e no futebolês há muita coisa que queima e muitos incêndios. Queimam-se, mas também se rasgam, cartões, quando as coisas não estão a correr bem. Queimam-se bandeiras e outras coisas, até cadeiras, quando o civismo e os mais elementares princípios de boa educação e convivência são substituídos pelo vandalismo e pelo facciosismo exacerbado. Incendeiam-se os ânimos por dá cá aquela palha, para abrir as portas à violência… Até a bola queima, como haveremos de ver numa das próximas edições!


E há o passe à queima: o passe feito para um colega de equipa que o coloca em maus lençóis. Que o deixa em dificuldades perante o adversário, levando-o a perder a bola e, frequentemente, obrigando-o a cometer uma falta e a levar um cartão. Às vezes o segundo amarelo que o levará para a rua ou, para fugir desse destino, a deixar fugir o adversário para o golo!


Um passe à queima é assim como uma faca espetada nas costas do companheiro. Quando é feito para o guarda-redes, então, ainda é mais que isso. Mais parece uma granada arremessada contra toda a equipa!


Desengane-se quem pensar que só os jogadores têm esta capacidade autodestrutiva. Mesmo sem tocar na bola também treinadores e dirigentes fazem passes à queima. Com uma particularidade: têm sempre consequências bem mais nefastas e duradouras.


Quando, por exemplo, Jorge Jesus insiste sempre nos mesmos jogadores, espremendo-os até ao limite – sendo também ele responsável por esses limites -, independentemente da qualidade do plantel que tiver à sua disposição, e rebenta com a equipa para as fases decisivas da competição, não esteve se não a entreter-se com passes à queima. Para a equipa, para o clube e para os adeptos. Quando embirra com o Ruben Amorim, o Capdevilla, o Nolito, o Miguel Vítor ou o Enzo Perez, ou quando, ao contrário, vira a sua teimosia em favor de Roberto, na época passada, ou de Emerson, na actual, não está só a fazer passes à queima para estes jogadores. Está a fazê-los à equipa toda, ao clube e aos adeptos.


Claro que nem sempre os passes à queima correm mal. Quando não correm mal passam a chamar-se passes de risco: foi um passe arriscado, mas correr riscos faz parte da vida. Quem não arrisca não petisca!


O passe é o mesmo, só mudaram as consequências. Por mérito do destinatário ou demérito do adversário, nunca por mérito do autor!


Pinto da Costa, por exemplo, faz um passe à queima com a promoção de Vítor Pereira a treinador principal. Com tanta convicção que até inscreveu no contrato uma cláusula de rescisão que ninguém se atreveria a colocar num contrato com Mourinho. Correu bem, ou perto disso, e passou a passe de risco. Por demérito do adversário, como toda a gente percebeu. Mas, tal como há jogadores a quem tudo se perdoa – mesmo passes à queima ou falhados – também há dirigentes benzidos pela mesma água. Ora aí está como, contra todas as lógicas, o mérito vai para quem fez o passe à queima!


Esta semana assistimos à divulgação pública do maior dos passes à queima da categoria dirigentes: uma proeza – mais uma – da direcção do Sporting. O vice-presidente de Godinho Lopes, o nosso bem conhecido Paulo Pereira Cristóvão, especialista nestas coisas que queimam - ainda nos lembramos como incendiou ânimos (se não também cadeiras) no dérbi da Luz desta época, o seu primeiro dérbi como dirigente sportinguista -, é acusado de ter mandado um seu funcionário e sócio (parece que funcionário num lado e sócio noutro) e ainda colaborador do clube e membro da claque Directivo Ultra XXI (que grande confusão, maior ainda quando parece que empresas de ambos, na área da segurança e vigilância, trabalhavam para o Sporting)  – conhecido por Rui da Amadora – efectuar um depósito de dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal para, depois, apresentar uma denúncia anónima de corrupção.


O depósito foi efectuado num balcão da Caixa Geral de Depósitos no Funchal, dias antes do jogo de Alvalade com o Marítimo, na semana do Natal, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal. Para que a coisa batesse certa e o passe não fosse à queima, o tal Rui da Amadora ter-se-á deslocado à Madeira para fazer o depósito, em notas.


O ex-polícia da Judiciária apresentou a demissão da direcção, mas reflectiu e percebeu que fez mal. Parece que já quer voltar!


E afirma que não tem nada a ver com aquilo. Creio que todos acreditamos que não: um profissional da vigilância e da segurança, com 17 anos de polícia de investigação, não iria mandar um funcionário e sócio fazer um depósito destes, ficando à mercê das câmaras de vídeo do banco. Seria um passe à queima, com muita incompetência!


O presidente Godinho Lopes também diz que o Sporting não tem nada a ver com isto. Também não nos custa nada a acreditar: se por lá não há dinheiro, como é que iriam arranjar aquelas notas todas?


Um passe à queima, que os deixa a todos bem chamuscados!

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