terça-feira, 31 de março de 2015

Vassalagem

Por Eduardo Louro



 


O comissário europeu Pierre Moscovici está hoje em Lisboa, e vai passar pelo Parlamento. Pelo que vai dizendo aos jornais, e pelo que os jornais vão dizendo, até parece que há uma comissão europeia e comissários a tomar decisões na União Europeia. Até parece que não é Schauble quem põe e dispõe a seu bel prazer...


Diz por exemplo ao Diário Económico que "o plano é ter a Grécia na zona euro em boas condições". Que a saída da Grécia do euro não está em cima da mesa... E a gente a saber que o senhor que manda na Merkel, no Juncker, no Dijsselbloem e no Draghi já tem tudo preparado. Que já só espera por, antes, mostrar ao mundo Varoufakis ajoelhado perante a sua cadeira de rodas ...  


 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Em modo esquizofrénico

Por Eduardo Louro



 


O desemprego continua a subir. Vai já no terceiro mês consecutivo, sempre a subir... Dentro de dias teremos o primeiro-ministro a dizer daqui até às eleições vai ser assim: sempre a subir. Porque está tudo à espera dos resultados das eleições... E que o desemprego só voltará a cair se ele as ganhar!


O próprio presidente virá esclarecer que o "seu crescimento de 2%" tem como pressuposto, que dá como certo - nunca se engana e raramente tem dúvidas -, que a actual maioria continua no poder. Que cresce tudo no último trimestre... E que é normal que o desemprego esteja agora a crescer porque, explicará de cátedra, há uma décalage de 18 meses a dois anos para que o crescimento se faça sentir no emprego.


A ministra da Justiça virá garantir que o desemprego sobe porque a taxa de reincidência é de 90%. Sem fazer ideia do que seja isso, mas com a breve convicção que o que importa é ter um número. Não importa de onde venha, nem para onde vá. Nem mesmo que não exista!


O vice-primeiro-ministro virá virar os números ao contrário, baralhando emprego e desemprego numa confusão que já ninguém percebe do que se está a falar. O que importa é que está melhor, como dirá logo a seguir o ministro da economia... Se alguém contestar ainda há a banca rota!


E a ministra das finanças a dizer que não tem nada a ver com isso. Não é VIP. Tem os cofres os cheios e os jotinhas a procriar. O que é que querem mais? 


Se calhar ainda queriam uma administração fiscal que penhorasse quatro bolos a um restaurante... Por 30 cêntimos... Que lá ficassem a apodrecer às mãos do fiel depositário...  

O malabarista

Por Eduardo Louro



 


As eleições de ontem na Madeira serviram de pretexto para mais uma vaga das pantominices de Paulo Portas, sem sombra de dúvida o malabarista mor do circo que é a política nacional.


O PSD perdeu 15 mil votos, mas como manteve, mesmo que por um fio (os 5 votos que faltam ao PC para eleger o terceiro deputado) a maioria absoluta, com Jardim (nos votos), ou contra Jardim (no terreno), Miguel Albuquerque, é o grande vencedor das eleições. Mesmo com o pior resultado de sempre, mas isso são contas de outro rosário...


A esquerda também ganhou. Muito à conta do movimento de cidadãos Juntos pelo Povo (JPP - com cinco deputados), mas também o BE (passou de 0 para 2 deputados) e o PC (passou de 1 para 2 deputados, a escassos 5 votos do terceiro, como acima se referiu) cresceram significativamente. Basta reparar que globalmente a esquerda passou de um para nove deputados ... E, claro, o CDS e o PS perderam. 


O PS perdeu com estrondo (manteve os mesmos 6 deputados, mas um deles é o coligado Coelho) numa altura em que não poderia perder. Pelo menos dessa maneira. António Costa envolveu-se na campanha, e deixou passar uma estratégia de coligações que não passaria pela cabeça de ninguém. Mas só a estrutura local reconheceu a derrota, com o seu líder a assumir, com a demissão, toda a responsabilidade. De Lisboa não se ouviu nada, deverão estar ainda  a meditar sobre o assunto...


O CDS caiu de 17 para 13% dos votos, nada que impedisse Portas de mais um número de circo, com perto de meia hora de televisão, em directo, a contar a história desse sucesso eleitoral. Perdeu dois deputados, mas conseguiu, sem ponta de vergonha por nos estar a tratar por parvinhos, falar de um resultado "consistente, resistente e sustentado".


Palavras para quê? É um malabarista português!


 

domingo, 29 de março de 2015

Novidades da Madeira

Por Eduardo Louro



 


O PSD ganhou, com maioria absoluta, as eleições regionais na Madeira. Nenhuma novidade, é assim há praticamente 40 anos... A novidade é que Alberto João Jardim  continua a reclamar para si a vitória. Dá a ideia que se preparava para cobrar alguma coisa...


 

Pouco brilho e muito pragmatismo

Por Eduardo Louro



 


Sem brilho, mas com algum pragmatismo e alguma maturidade, a selecçao nacional ganhou (2-1) à da Sérvia, cheia de caras conhecidas, onde é regra que bons jogadores não formem uma boa equipa. Hoje, se bem que de maneira bem menos flagrante, não foi muito diferente, e a Sérvia foi sempre de menos para ganhar a uma selecção portuguesa pouco vibrante, mais segura que entusiasmante.


A selecção nacional foi Moutinho - verdadeiramente a única grande exibição - e Tiago. E foi Cristiano Ronaldo, porque é sempre Cristiano Ronaldo, mesmo quando troca, como foi hoje o caso, a sua inesgotável classe pela sua insuperável capacidade de trabalho. De ninguém se poderá dizer que tenha estado francamente mal, mas Danny voltou a confirmar que não é jogador de selecção. Definitivamente, não rende na selecção!


O resultado - hoje ninguém se pode queixar da sorte - acaba por ser o melhor do jogo. Porque - não haja dúvidas - a Sérvia é o adversário mais forte do grupo, mesmo que já praticamente arredada do apuramento. Ao invés, agora praticamente garantido pela selecção nacional!

sábado, 28 de março de 2015

É hora de mudar a hora

Por Eduardo Louro



É agora a vez de roubar uma hora ao sono. Ou ao que cada um quiser... 

Lixo

Por Eduardo Louro



 


A Fitch mantém o rating da República em BB+. Na gíria, lixo. E explica: pela trajectória da dívida e porque a economia portuguesa não cresce; porque não é competitiva e as empresas estão sobreendividadas! 


Certa ou errada, é esta a explicação que dão para não rever a classificação de risco que teimosamente persegue a economia portuguesa. Bem ou mal, é desta forma que as agências de rating ratificam o milagroso desempenho que tantos elogiam.


Com o modo "que se lixem as eleições" há muito desligado, e com o botão do turbo eleitoral no máximo, Pedro Passos Coelho, lá longe, do Japão, dá-nos outra interpretação. Não é expectável - garante - que as agências de rating revejam as suas classificações de rating antes das eleições, pela simples razão que, primeiro, querem saber quem as ganha. Querem saber se tudo o que de bom tem sido feito - mas que não foi suficiente para as fazer alterar uma única posição, digo eu - vai ter continuidade. Diz o primeiro-ministro, com o maior descaramento deste mundo, que não se passa nada. Ganhe ele as eleições, e volte ele a formar governo, e as agências de rating virão imediatamente a correr atribuir o AAA+ a Portugal!   


E diz isto apesar de a própria a Fitch ter na circunstância referido não esperar que as próximas eleições legislativas tragam "um desvio relevante de política", uma vez que "os dois principais partidos (PSD e PS) são pró-europeus", e que "não há partido populista ou antieuropeu que tenha atraído apoio significativo nas sondagens de opinião".


É isto que nos espera, todos os dias, ao longo dos próximos seis meses. É com estas agressões à nossa sanidade mental que teremos diariamente de conviver. Se até aqui valeu tudo, daqui para a frente não há limites para o populismo, para a demogagia, para o descaramento, para a falta de vergonha... Para o lixo que se vai amontoando!

sexta-feira, 27 de março de 2015

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (XI) - FIM

Por Eduardo Louro


 


 


Chegaram ao fim as audições, que não os trabalhos, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. Ao longo de quatro meses passou pelo Parlamento muita da até há pouco incontestada elite nacional que, entre omissões, mentiras e verdades, permitiu aos portugueses perceber muito do que foi a queda de um dos maiores, e provavelmente do mais emblemático, dos bancos nacionais.


Sempre muito desconfiados – e com muitas razões para isso – desta vez os portugueses foram acreditando nesta CPI. O bom desempenho de muitos dos deputados ia entrando pelas casas dos portugueses; e os media faziam o resto, dando nota da manifesta competência e seriedade do trabalho dos deputados, geralmente bem preparados. Os próprios membros da comissão mais pareciam isso mesmo, membros, juntos por uma causa, que deputados empenhados na luta política, adversários de todos os dias.


Só que, acabadas as audições, segue-se o Relatório que terá de apurar responsabilidades. E aí tudo muda. A causa deixa de ser uma para que cada um passe a ter a sua. Para os deputados da maioria a responsabilidade esgota-se em Ricardo Salgado; governo e Banco de Portugal só fizeram o bem. E nada mais!


Para a oposição, governo e Banco de Portugal até poderão não ter tanta responsabilidade quanto Ricardo Salgado, mas andará por lá perto!


E lá se vão os méritos da comissão. E lá vai esta CPI para o mesmo saco de toda as outras, subvertendo a realidade, truncando verdades e confundindo em vez de esclarecer. E no entanto, por tudo o que vimos e ouvimos, nenhum de nós, comuns mortais, tem qualquer dificuldade em perceber o óbvio. E se é óbvio que na destruição do GES a responsabilidade cabe exclusivamente a Ricardo Salgado, e na sua pessoa á família que dominava o grupo, não é menos óbvio que, no colapso do BES, as responsabilidades têm que ser partilhadas entre Ricardo Salgado, o Banco de Portugal, o governo e até a troika.


Para chegar e essa conclusão não é sequer indispensável o testemunho de Fernando Ulrich, se calhar, entre todos os que por lá passaram, o único a dizer a verdade e só a verdade. Mas ajudou a perceber que durante um ano inteiro fora possível ao Banco de Portugal, ao Governo e à troika salvar o BES. Ao permitirem que Ricardo Salgado continuasse à frente do BES, a somar incumprimentos e alargar os danos, tornaram-se obviamente responsáveis pelo que sucedeu. Mas ao aprovar aquele aumento de capital, ao prometer que não iam deixar cair o banco, incluindo ao próprio Salgado, como agora se provou, e ao anunciar que o BES não era o GES, que estava protegido e que tinha almofadas, o Banco de Portugal e o governo deixam as suas impressões digitais bem marcadas na responsabilidade pela destruição que o BES arrastou.


Isto toda a gente percebeu. É inegável, e não se vê como possa ser apagado do Relatório final sem ferir de morte mais uma CPI!


Vá lá que não se refira à medida de resolução, imposta pelo BCE. E que não refira que vem na linha de abdicação da soberania nacional que constitui a matriz do governo… Mais, não!


Claro que não poderia encerrar este tema sem uma referência a Mariana Mortágua, a deputada do BE elevada à categoria de estrela. Hoje mesmo apresentada assim, como uma estrela, no Bloomberg... Por mim, sem lhe negar os méritos, fico-me pela fotografia!

Notícias

Por Eduardo Louro


 



A notícia, mesmo que mal amanhada, enchia ontem a primeira página do Record. Mas é tal qual a ouvi num telejornal da hora de almoço que verdadeiramente ganha expressão: "O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras visitou os três grandes à procura de ilegais. Encontrou quatro em Alcochete e nenhum no Seixal. Do Olival nada se sabe"!


Significativo. Tanto como a capa do Record...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Puxar pelo pior de cada um

Por Eduardo Louro


 


 


O avanço desregulado do capitalismo selvagem, resultante do alastramento incontrolado da insaciável voragem do ultra liberalismo, que já tinha passado todas as marcas do aceitável, atingiu, a crer no que acabei de ouvir a propósito da tragédia do A320 da Germanwings, os limites do impensável. 


Um responsável do “Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves” dizia que hoje os jovens pilotos se endividam ao nível das centenas de milhares de euros para fazerem a formação que lhes poderá dar acesso à profissão. Que são as próprias companhias de aviação que exploram as escolas que dão essa formação, incluindo as horas de voo. Que os jovens aspirantes a pilotos pagam para voar. E que, depois de concluída a formação e altamente endividados, à maioria desses jovens nada mais está reservado que um profundo desespero. O desespero de quem vê a companhia que lhe levou o dinheiro, fechar-lhe a porta ao contrato com que pensara poder pagá-lo.


Não se sabe se foi este o caso do jovem alemão de 28 anos. Mas sabe-se que, com estas práticas, as companhias de transportes aéreos estão a contribuir para actos de terrorismo como este. Por desespero ou por outros distúrbios emocionais. Por revolta ou por vingança. Ou simplesmente por ser capaz de arrancar às mais profundas entranhas de cada um o que de pior cada um lá tem.


Mas é disto que afinal se fala quando de capitalismo selvagem se trata. De trazer ao de cima o pior que há em cada um!

Acto terrorista

Por Eduardo Louro


 


 


As últimas revelações vinham apontando para na direcção do que de mais terrível poderia ter a notícia. As primeiras indicações retiradas da caixa negra do A 320 da Germanwings despenhado nos Alpes, e ainda ontem reveladas, ao final do dia, dando como certo que o co-piloto do avião se encontrava sozinho no cockpit, e o piloto de fora, sem conseguir entrar, não deixavam grandes alternativas para as causas da tragédia.


Não foi falha técnica. Não foi erro humano. Foi acção deliberada – já perceptível pelos relatos de testemunhas locais – de quem, sentindo nas mãos as vidas daquelas 149 pessoas, decidiu delas dispor a seu bel-prazer. Ao destino que, fosse por que razão fosse, quis dar á sua vida decidiu juntar a de todas as outras, num acto de terrorismo como qualquer outro. Em vez de uma torre de um edifício mais ou menos emblemático de uma qualquer grande cidade escolheu como alvo uma montanha dos Alpes. Não há outra diferença!

VVIP - um novo conceito VIP

Por Eduardo Louro



 



Afinal o tema ainda não morreu. Houve jornais que não o deixaram cair, e afinal a lista VIP apareceu mesmo. Com quatro nomes. Quais Mourinhos... Quais Cristianos Ronaldos... Quatro nomes apenas gozam dessa prerrogativa da suprema importância: Cavaco, Passos Coelho, Paulo Portas e... Paulo Núncio, claro.


Um novo conceito: Verdadeiramente VIP. Para que não haja confusões!


Agora percebe-se a atitude da ministra das finanças. Para Paulo Núncio, Maria Luís Albuquerque não é verdadeiramente VIP. A vingança é terrível!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Nem as moscas mudam!

Por Eduardo Louro



 


Henrique Neto, como já se sabia há dois dias, apresentou a sua candidatura à presidência da República. Ao PS exigia-se, no mínimo, respeito. Pela candidatura e pelo candidato! 


Mas não. A nata da tralha socratista chama-lhe entertainer e mesmo palhaço. E António Costa diz-se-lhe indiferente...


Ao mesmo tempo, o presidente do partido, Carlos César, promete pagar a toda a gente que ficou com papel comercial do BES. Diz que se o PS ganhar as eleições seremos todos nós a pagar...


Não há volta a dar. O PS não aprendeu nada. Mantem-se igualzinho. Nem as moscas mudam!


Confiança?

Cordeiros e raposas

Por Eduardo Louro



 


O tema - lista VIP do fisco - já ficou para trás. É assim por cá: os temas não acabam quando se esgotam, quando são alcançadas todas as consequências. Acabam e deixam-se para trás quando nos cansamos deles, e deixam de ser novidade. Ou quando surge outra novidade a sobrepôr-se. Nunca é boa altura para um avião cair, mas às vezes ...


Acabou, já faz parte do passado. E parece que está demitido o que havia a demitir. Estamos perto da Páscoa, mas não é por isso que nos lembramos do sacrifício do cordeiro pascal...


Maria Luís Albuquerque passou por isto como se não existisse, mandando multiplicar os jotinhas e anunciando cofres cheios. E Paulo Núncio não é cordeiro. É raposa. Ao que se diz por aí, a raposa que continua dentro do galinheiro! 

terça-feira, 24 de março de 2015

Cofres cheios, cabeças vazias...

Por Eduardo Louro


 


 


A ministra das finanças, entusiasmada no meio dos jotinhas, soltou-se do seu lado fleumático que lhe empresta um ar de alguma credibilidade, e virou danada para a brincadeira. Mandou-os multiplicarem-se, e falou de cofres cheios!


Ao juntar as duas percebeu-se que a causa não era a da natalidade, mas a da sustentabilidade do partido. Deste partido de Passos Coelhos, Relvas, Marcos Antónios e Marias Luís… Que precisa de jotinhas, de muitos e multiplicados jotinhas, quanto mais ignorantes melhor!


Era fácil de imaginar que Passos Coelho, esse expoente máximo do jotismo, se agarrasse aos cofres cheios. A expressão fora de Maria Luís, mas era a cara dele… E ninguém ficou surpreendido quando, com aquela cara que é a dele, veio dizer que “quando cheguei ao governo os cofres estavam vazios”, achando que somos estúpidos e que alguém acreditaria que foi ele que os encheu.


Já que António Costa mais uma vez fizesse de “Maria vai com as outras” e fosse apanhado nessa rede, é que não deixa de ser surpreendente. E preocupante!


António Costa não veio dizer, por exemplo, que os cofres até podem estar cheios mas é de dinheiro dos outros. E que para estarem cheios se está a pagar juros duas vezes. Ou que pedir dinheiro emprestado para meter nos cofres pode ser fetiche, mas dificilmente será de grande racionalidade económica. Mas não. António Costa apenas se lembrou de dizer que “ninguém se pode orgulhar dos cofres cheios”. Francamente!


 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Pedrada no charco

Por Eduardo Louro



 


No meio da surpresa geral surge a notícia da candiatura de Henrique Neto à presidência da República, que deverá ser apresentada na próxima quarta-feira. Uma verdadeira pedrada no charco!


Na altura própria, enquanto à direita e à esquerda se marcam uns aos outros à espera da altura certa, embrulhados em taticismos e bluffs, surge algém de fora do alinhamento partidário que não pede licença a ninguém e diz ao que vem. E, vindo de quem vem, vai dizer o que há muito anda a dizer do actual sistema partidário e do próprio regime, fora do registo populista com que invariavelmente toma conta desse discurso. Seja com gente como Marinho Pinto ou com gente como Medina Carreira.


Não será - ninguém pode esperar que seja - uma candidatura vencedora. Mas é - nunca deixará de ser - uma candidatura com consequências importantes, que abalará esta pasmaceira política. E talvez a  última campainha de alarme a soar no interior do PS!


 


 


 

domingo, 22 de março de 2015

Super clássico

Por Eduardo Louro



 


Foi um grande jogo, o super clássico espanhol. O Real Madrid foi melhor durante um pouquinho mais que metade do jogo. Na outra metade - um pouco menos - o Barça foi melhor. 


Só que quando o Real foi melhor, não foi apenas melhor. Foi muito melhor, e criou oportunidades para resolver logo ali o jogo. Não foi feliz, sofreu o primeiro golo quando já era claramente superior. Empatou (Cristiano Ronaldo), e fez ainda um segundo golo (Bale), mal anulado.


Continuou no mesmo ritmo depois do intervalo. Só que, á beira dos 10 minutos, um passe de 70 metros do Dani Alves isola o intratável e quesilento Luiz Suarez - se este tipo pensasse apenas em jogar a bola seria um grande jogador, talvez mesmo a valer o que o Barcelona pagou para o contratar, assim não passará de um arruaceiro que joga bem à bola - que, com uma recepção de génio e um remate feliz, fechou o resultado e mudou o jogo. O Real sentiu o golo, e a partir daí o Barça foi melhor. Até ao fim!


 


 


 

sábado, 21 de março de 2015

Lembrando o velho Trapattoni

Por Eduardo Louro



 


Não há muito a dizer sobre a derrota do Benfica (1-2) hoje em Vila do Conde. A ganhar desde muito cedo, o Benfica deixou perceber, também ainda muito cedo, que corria muitos riscos de não ganhar aquele jogo. Porque até parecia que não o queria ganhar, com toda a gente mal, incluindo Jorge Jesus, logo à partida com a péssima ideia de recorrer a Talisca para substituir o castigado e indispensável Gaitan. 


Limito-me portanto a dizer que, dos três jogos que o Benfica perdeu, este foi o que claramente mais mereceu perder. O Rio Ave, que hoje teve nos centrais do Benfica os seus grandes construtores de jogo - Luisão e Jardel foram, e logo dois, os homens do último passe da equipa do Pedro Martins -, mereceu ganhar o jogo. E mereceu aquele golo no último lance do jogo, mesmo que tenha sido irregular.


O Benfica, como em Paços Ferreira, não soube cumprir aquele velho princípio de Trapattoni: quando não se consegue ganhar, tem que ao menos se empatar. Não demorou muito a perceber quanta razão tinha a velha raposa italiana, com o empate do Porto na Madeira. Ironicamente através de um golo em que tirou partido da inferioridade numérica do adversário, mesmo sem qualquer expulsão!


Pois é. A esta hora já toda a gente sabe o importante que teria sido, desta feita a jogar com 10, garantir o empate: tinha ficado tudo na mesma. E assim não ficou. O Porto já depende apenas dos seus resultados!

Já chegou, já chegou...

Por Eduardo Louro



 


Já aí está a Primavera, porventura a mais desejada das primas. Chegou ontem, às 22:45, quando o dia da felicidade se despedia e o da poesia já acenava. Mal teve tempo de pousar as malas... Sentou-se e deixou-se cair, a dormir. Acaba de acordar, agora que a manhã vai já alta. Espreguiçou-se, abriu as janelas e podemos já vê-la, bela, atraente e sedutora... Como sempre.


Ainda não saiu à rua, falta-lhe o duche e alguns retoques. Mas não tarda nada está aí. À vista de todos, para regalo de todos ... Em toda a sua plenitude!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Que dia!

Por Eduardo Louro


Resultado de imagem para dia da felicidade e do eclipse


 


Não se hoje é o dia da felicidade. Se é o dia do eclipse. Se é o dia em que o Núncio segue o exemplo dos seus subordinados e se demite também por uma coisa que não existe. Ou se é o dia em que os jovens e as jovens da JSD se atiraram a um truca truca descomunal para cumprir ordem de multiplicação dada por Maria Luís, a ministra investida de figura bíblica...

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cultura da trapalhada

Por Eduardo Louro


 


 


O governo, em regime de alta produtividade, está a fazer de cada trapalhada – reproduzem-se como coelhos e crescem como cogumelos – gigantescas bolas de neve. Seja lá o que for, aparece e, em vez de ser logo atacado de frente e resolvido, não. O governo não consegue enfrentar problema nenhum, e muito menos resolvê-lo. Prefere escondê-lo, cobri-lo, com terra ou muitas vezes com estrume e, exactamente como nos cogumelos, naquele escurinho e com muita porcaria em cima, desatam a crescer sem parar.


Este último caso das listas VIP do fisco é apenas mais do mesmo. O cogumelo cresceu, cresceu, cresceu… e é hoje uma gigantesca bola a rolar descontrolada pela montanha abaixo, ameaçando cilindrar tudo à sua passagem. O secretário de estado Paulo Núncio corre em pânico à sua frente. O primeiro-ministro transpira, e são suores frios por ver uma coisa tão grande a passar tão perto.


O CDS está todo ele escondidinho, juntinho ao chefe, pouco preocupado que seja um dos seus a estar prestes a ser cilindrado pelo monstro rolante. Mas, espantoso mesmo, é ver a ministra da tutela a passear à vontade, verdadeiramente indiferente ao turbilhão que aquilo levanta à sua passagem. Nem a poeirada levantada a incomoda. Não é nada com ela…


Impressionante! Se calhar nada perturba a tranquilidade e o sono descansado de quem tem os cofres cheios… E um bunker, também escurinho, onde se esconder a dar ordens de multiplicação. Multipliquem-se! Como os coelhos. Ou como as trapalhadas...

… um fingidor, que finge tão completamente…*

Convidada: Clarisse Louro


 


Depois de ter mandado embora milhares de portugueses, explicando-lhes que teriam de sair da sua zona de conforto, a que estavam mal habituados pelo luxo de viver na sua terrra, acima das possibilidades, o governo pretende fingir que os quer de volta.


Não para tapar a vergonha, não que se tenha arrependido, não que os queira realmente de volta… Apenas porque quer o seu voto e o das suas famílias, que por cá ficaram a sonhar com o seu regresso. E o voto dos outros a quem, com esse fingimento, pretende convencer que o país é outro. Que mudou tanto que já pode acolher de volta os que tiveram de emigrar, que já há de novo lugar para eles!


A este fingimento o governo chamou VEM. Desemprega-te, se ainda o não estás, aí onde quer que estejas, e VEM criar o teu posto de trabalho, VEM empreender, VEM investir, que o governo tem aqui 10, 20 mil euros no máximo, para o teu projecto. Não venhas é com a ideia do conforto num emprego na administração pública, porque isso está reservado aos melhores. Que têm de passar pelo crivo estreito da CRESAP, onde tu até poderás passar. Mas onde certamente passará também alguém de um dos nossos partidos, bem mais competente e que naturalmente, no fim, acabará por merecer a nossa escolha.


Para cara deste fingimento hipócrita o governo escolheu a do secretário de Estado Pedro Lomba, mais uma das jovens promessas desta maioria que, lembrar-se-á o leitor, surgiu de rompante com os briefings diários aos jornalistas, vai para dois anos, que iriam definitivamente resolver todos os problemas de comunicação do governo. Que desapareceram em três dias. Os briefings, não os problemas. Esses são mais teimosos!


Com os briefings desapareceu também este jovem e acutilante secretário de Estado. E durante quase dois anos não se soube do seu paradeiro. Terá – quem sabe? - também emigrado, para ser agora o primeiro a vir. Mesmo sem ter de criar o seu próprio emprego, que ficara guardado. Mesmo sem lhe ser exigido que empreenda, sempre poderá servir de inspiração. E não deixa de ser um VIP, o que não deixaria de servir para dar a ideia que os VIP do governo não servem apenas para encher as listas de intocáveis entregues á administração fiscal.


Não é que a escolha fosse fácil. O leque de caras disponíveis no governo para o fingimento e para a hipocrisia é, nesta altura, bem alargado. Difícil é escolher. Mas o governo escolheu bem. Aproveitou para fazer prova de vida de um secretário desaparecido, uma jovem promessa que tão necessária vai ser no tempo que vem – esse sim, vem e traz as com ele eleições. E sabe-se que toda a gente está disposta a um pequeno “mais” para fazer prova de vida. E, francamente, para um fingimento destes nada melhor que alguém que já tem experiência em ir buscar lã e sair tosquiado!


 


* Publicado hoje no Diário de Leiria

quarta-feira, 18 de março de 2015

Que ternurento!

Por Eduardo Louro



 


O alto funcionalismo da administração pública é feito disto mesmo: de tipos zelosos dos seus mais nobres deveres na defesa dos mais nobres interesses da governança do país!


Quando meio mundo apontava o dedo ao coitado do Paulo, e a outra metade ao não menos coitado do Pedro, o zeloso director geral da nobre causa dos impostos abriu o peito e disse que foi ele. Que foi ele que criou a lista que não havia. Que não havia, mas que se lembrara de criar justamente quando viu que o coitado do Pedro andava a ser incomodado por gente má, do piorio, capaz de, só para lhe arruinar a vida, livremente vasculhar a sua vida fiscal. Clara e transparente. Sem nada a escoder...


Uma ternurinha! 

terça-feira, 17 de março de 2015

Cúmplices - disse ele!

Por Eduardo Louro



 


Se a Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES não servir para mais nada serve, pelo menos, para mostrar que o governo e o Banco de Portugal "jogaram à roleta" não só com a estabilidade do sistema financeiro,  conforme hoje lá disse Fernando Ulrich, mas também com os portugueses e com a economia portuguesa.


Bastou que Fernando Ulrich tivesse dito - e disse muito mais - que tinha avisado Vítor Gaspar, então ministro das finanças, ainda antes da irrevogável revogada demissão de Portas do início do Verão de 2013, do que se estava a passar no GES e no BES. E que tivesse demonstrado que, dois dias depois, já estava um alto funcionário do Banco de Portugal a contactá-lo na sequência dessa sua iniciativa, para ficar claro toda a gente do governo tem mentido, com o primeiro-ministro à cabeça, quando diz que só teve conhecimento da situação no final de 2013. E que o governo e o Banco de Portugal são cúmplices, por passividade, com o rol de crimes financeiros praticados por Ricardo Salgado e seus pares no últimos 12 meses da actividade do BES!

Estudos e notícias

Por Eduardo Louro


 



 


Ao passar os olhos pelas notícias dparei-me com um título irresistível, daqueles que obrigam a abrir e vasculhar: "E o político em que os portugueses mais confiam é..." 


Desvendo já: Marcelo Rebelo de Sousa!


Ninguém ficaria muito surpreendido se os portugueses o achassem o mais inteligente. Ou o mais perspicaz. Ou o mais popular. Ou o mesmo político que mais admiram. Mas... em quem mais confiam?


O estudo - diz ainda a notícia - revela também que "no geral, 96% não confia nos políticos e 83% não confia no atual Governo de Passos Coelho". Nem nos sindicatos (81%), no sistema judicial (73%), nos bancos (72%) e  na União Europeia (71%).


Ao contrário da escolha de Marcelo Rebelo de Sousa (mesmo que apenas com um resultado de 14%) estes resultados não surpreendem. Todos temos a ideia que os portugueses não confiam nas instituições e que o país atravessa uma crise institucional e de regime ainda mais grave que a económica.


A notícia refere-se ao estudo Marcas de Confiança, realizado anualmente pelas Seleções do Reader’s Digest, que anda há 14 anos a tentar dar-lhe a sua marca de confiança. Que, como se pode ver na fotografia não engana ninguém: "votado pelos leitores". Assim á maneira das aldrabices dos televotos que os operadores de tv descobriram para esconder que querem apenas ganhar dinheiro.


Já a notícia sim. É enganadora. Só no fim, mesmo no fim, informa que "o estudo teve por base 12 mil assinantes da revista Reader’s Digest".


E eu que até estava a gostar... Sempre era um estudo confirmar uma ideia empírica bem enraizada na minha cabeça... Não foi o estudo que me decepcionou. Foi a notícia!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Os patuscos não costumam cheirar mal

Por Eduardo Louro


 


 


"Vá tomar banho, que cheira mal"- foi assim que o patusco advogado de Sócrates se dirigiu a uma jornalista do Correio da Manhã. "Deixem-me... metem-me nojo" - virando-se para todos os outros, à saída do Supremo Tribunal, que decidira pela manutenção da prisão preventiva, não dando provimento ao "habeas corpus", já o quinto e desta vez pedido pelo próprio Sócrates.


E assim deixa de ser um patusco, que às vezes até tinha alguma graça, para passar simplesmente a ser um grosseiro sem graça nenhuma. Quiçá mal cheiroso. Pelo menos nas palavras que lhe saem da boca!


Qualquer coisa como começar por sustentar a defesa na total inocência do seu constituinte  - independentemente dos dias em que conhecia ou não conhecia a acusação - e acabar agarrado às teias das formalidades.


 

sábado, 14 de março de 2015

Às três é de vez!

Por Eduardo Louro


 


 


Mais do que marcado pelas incidências do pré-match, e em particular pelas encenações de Sérgio Conceição e António Salvador, este Benfica-Braga que encheu a Catedral e assinalou a marca dos 40 mil minutos do capitão Luisão, estava marcado pelos resultados nos dois jogos anteriores. Entre o “não há duas sem três” e o “às três é de vez”!


De tal forma que quando surgiu o primeiro golo, numa bela triangulação concluída com o remate espectacular de Jonas – mais um grande jogo –, ao contrário do que é corrente perante equipas muito fechadas, como voltou a ser o Braga, ninguém teve a sensação que o mais difícil estava feito.


Não houve grande alívio. Afinal o primeiro golo era quase que um mal necessário. Fosse possível chegar a dois ou três a zero sem passar pelo primeiro e todos os benfiquistas dispensariam aquele primeiro golo. Lá estava o não há duas sem três, e toda a gente se lembra bem das sucessivas oportunidades de golo desperdiçadas nos dois jogos anteriores que deixaram único o primogénito.


À medida que o tempo ia passando, sem que o desejado segundo aparecesse, ia-se no entanto percebendo que dificilmente a história se repetiria. O Benfica tinha aprendido a lição, e não deu nunca qualquer hipótese ao Braga. Não marcava – o guarda-redes repetia a sua própria exibição da primeira volta, e a do seu colega russo, na Luz, no fatídico jogo para a Taça de Portugal – é certo, mas o jogo era muito mais maduro.


Na primeira parte os jogadores do Braga, levaram para o jogo a réplica das encenações da semana com Ruben Micael, como sempre, e Salvador Agra no banco, à cabeça. Não há nada a fazer. É assim … Mas só isso – provocações – e defender à frente da sua baliza, que isso o Braga sabe fazer bem.


Na segunda ainda entraram com alguma genica – só isso, nada mais que isso – e os primeiros cinco minutos ainda podiam deixar a ideia que o Braga queria finalmente discutir o jogo. Sol de pouca dura. Voltou tudo ao mesmo, o Benfica ia jogando o seu futebol, atingindo frequentemente o brilhantismo e desperdiçando oportunidades, umas atrás das outras, muitas vezes na mesma jogada. Como sucedeu na sequência do livre a cobrar a falta que deu mais uma expulsão (Tiago Gomes). Que, ao contrário do que pretende muita gente, ainda não é ilegal. Mas pelo que voltou hoje a ver não tarda aí uma lei a proibir a expulsão de adversários do Benfica. Os penaltis já estão!


Para provar que era dia de “às três é de vez”, à entrada do último quarto de hora, chegou o segundo golo Ao terceiro remate para golo, Eliseu foi finalmente feliz. Nos outros dois tinha brilhado o guarda-redes bracarense. Ás três foi mesmo de vez!


Se, fazendo deste o jogo de uma vida, o Braga só joga isto, é muito pouco. Defende bem, sem dúvida, mas é curto… Há gente que quando se põe em bicos de pés desequilibra-se logo!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Coisas estranhas (IV)

Por Eduardo Louro



 


Não admira que observadores do fenómeno do futebol tenham reparado na forma macia, há quem diga subserviente, como o Braga defrontou o Porto, há uma semana. Não admira que a muita gente tenha ficado convencida que o Braga jogou em poupança. Poupando jogadores para o jogo seguinte, muito mais importante. Poupando-os fisicamente e popupando a improváveis cartões amarelos muitos jogadores que estavam em risco de ficar de fora. E sabe-se como a intensidade posta no jogo desgasta fisicamente. E como faz aumentar o risco de entradas mais próximas da penalização disciplinar...


Não admira que o Sérgio Conceição se revolte contra essa gente, e grite nas conferências de imprensa que não admite isso a ninguém, como já gritara há uns meses atrás, por ninguém lhe dar o mérito que ele acha que tem. Não admira que o Sérgio, um rapaz com escola, ignore que este comportamento bracarense nos jogos com os do Porto não é novidade nenhuma. Que tem história...  São muitos anos... E que, com recurso aos velhos métodos da escola, aproveite a circunstância para mobilizar as suas tropas. O que, prova-o também a história, não é tarefa difícil. Até porque - diz-se por aí - o presidente Salvador, á última da hora, triplicou o valor do prémio de vitória!


Não admira que o Braga - o presidente, o treinador, os jogadores e os adeptos - queiram ganhar ao Benfica. E que tudo faça para que não haja duas sem três. Isso é que é competir!


O que admira é que tenha sido o próprio presidente Salvador a dizer em frente às câmaras, logo que terminou o jogo com o Porto, que os jogadores iriam fazer tudo, mas tudo, para ganhar o próximo jogo. Ora isto quer simplesmente dizer que, naquele, não o tinham feito... E isso, Sérgio Conceição não admite a ninguém!

Perplexidades

Por Eduardo Louro



 


Enquanto o líder - e provável chefe do próximo governo - espera tranquilamente que uns tantos especialistas lhe dêm o verdadeiro retrato macro-económico do país, o líder parlamentar do PS, que ainda ontem fez a figura que fez no Parlamento, diz que a direita está em morte lenta, mas segura.


Confirma-se: o PS está em modo de espera, em stand by. António Costa espera por dados, Ferro Rodrigues espera que a direita morra!


Que o líder parlamentar esteja nessa, não surpreende ninguém. Já toda a gente percebeu que é homem errado, no lugar errado, à hora errada... Por isso que se mantenha à espera que a direita morra. Sentado, evidentemente... Que a vida já não está para grandes maçadas!


Mas que o homem que espera ganhar as eleições daqui por seis meses, nas condições em que o país se encontra, esteja calado à espera de uns dados macro-económicos, não lembraria a ninguém. Só mostra que também ele não percebe nada do que se está a passar. Já desconfiávamos!

quinta-feira, 12 de março de 2015

VEM

Por Eduardo Louro



(foto do Público)


Depois de mandar embora largos milhares de portugueses, agora o governo chama-os de volta. Não tem nada para lhes oferecer, nem há nada que os possa fazer regressar... Nem esqueceram ainda - e muito menos perdoaram - que este governo lhes tenha dito que não tinham direito a viver na sua terra. Que isso era um conforto que tinham que largar, um luxo de quem vivia acima das suas possibilidades...


E no entanto o governo não hesita em chamá-los. Em dizer-lhes VEM. Desemprega-te, aí onde quer que estejas, e VEM criar o teu posto de trabalho. VEM  empreender. VEM  investir, que tens aqui "verbas entre os 10  e os 20 mil euros, no máximo," para o teu projecto!


É isto o programa VEM, anunciado hoje com pompa e circunstância. Ou seja: nada. Nada de que ninguém espera nada. Nem o próprio governo:  “até 40, 50 projectos”, diz o secretário de Estado Pedro Lomba. Nem o próprio governo? Alto lá!


É que o VEM não é para os que haveriam de vir. É para os que cá estão, para os que não chegaram a sair, e vão votar, lá para Setembro ou Outubro... O entusiasmo de Pedro Lomba - que andava desaparecido desde os famosos briefings em que se embrulhou - não é pelos 40 ou 50 projectos que, exagerado como é, espera como resultado do programa. Só os que dele tenham apenas a imagem desses briefings poderão aceitar que ele não tenha vergonha de apresentar um programa para, no melhor dos melhores, atingir 50 portugueses. 


O VEM não tem por objectivo o regresso dos portugueses que partiram. Tem por objectivo o regresso dos votos que fugiram. São papas e bolos com que se enganam os tolos. Mais dos muitos que vão inventando para distribuir!


 


 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Excessos e exageros

Por Eduardo Louro



 


Longe de mim tirar qualquer mérito ao trajecto do Porto na Champions, incluindo a exibição e a goleada de ontem, que lhe assegurou o natural e esperado acesso aos quarto de final. Não é essa a intenção!


Mas não posso deixar de reflectir sobre a dimensão épica que os media nacionais lhe atribuem. Compreendo até que ninguém fale do grupo em que se apurou. Também não me incomoda por aí além - de maneira nenhuma - que ninguém se lembre que no sorteio dos oitavos de final lhe tenha calhado a coisinha mais fraca que lá havia, a confirmar que esta época, para o Porto, sorteio é mesmo sorteio. Não é azareio... 


Não faço também questão que alguém diga que o Basileia de Paulo Sousa não joga - ou não jogou - nada. Nem que dos dois guarda-redes apenas o Fabiano tenha feito o seu papel, com meia dúzia de defesas. O checo da equipa da Suíça só tocou na bola para a ir buscar ao fundo da baliza. Nem uma defesa se viu... E do penalti negado aos suiços até fica mal falar...


Mas ... francamente, há limites. Ou deveria haver: "FC Porto bate recorde que durava há 43 anos"?


Vamos ver e percebemos que o recorde se refere aos golos marcados por uma equipa portuguesa em fase tão adiantada desta prova rainha da Europa. Diz a notícia que há 43 anos, desde 1972 - quando o Benfica de Hagan ganhou na Luz por 5-1 ao Feyenoord, apurando-se para as meias finais - que nenhuma equipa portuguesa marcava tantos golos num jogo de uma fase tão adiantada da competição. É então que percebemos as gordas do título, percebendo que os oitavos de final são tão adiantados como os quartos, e quatro é maior que cinco!


Cuidado com os excessos, fazem mal. E, com exageros destes, como é que será quando, a seguir, o Porto eliminar o Mónaco nos quartos de final? 

11 de Março

Por Eduardo Louro



 


Passam hoje 40 anos sobre um dos mais marcantes momentos do processo iniciado em 25 de Abril. O PREC (Processo Revolucionário Em Curso) começou verdadeiramente em 11 de Março de 1975. Aqueceu com a Primavera, mas foi no Verão, nesse Verão quente de 75, que escaldou. Incendiou-se, literalmente!


Foi-se esgotando á medida que o Verão se ia aproximando do fim... Até chegar Novembro... Novembro, 25. A data que completa a triologia da revolução dos cravos, e que fecha os 19 meses mais vertiginosos da História de Portugal!


Se quisermos espreitar os rostos desta trilogia encontraremos certamente a cara de Salgueiro Maia no 25 de Abril, e a de  Jaime Neves no 25 de Novembro. No 11 de Março pouca gente identificará o rosto de Dinis de Almeida, o jovem major ao centro na imagem acima, que retrata o momento central - tão caricato quanto marcante - dos acontecimentos que marcam esta data histórica. É o episódio em que o herói do 11 de Março, comandante do então RAL 1 (Regimento de Artilharia Ligeira) e depois RALIS, atacado pelos páraquedistas de Tancos, dialoga com o comandante das forças agressoras (de costas) em frente às câmaras da RTP, que acaba a confessar-se enganado. Acabava ali a tentativa de golpe de Estado patrocinado por Spínola que, curiosamente, tinha tentado o apoio de Jaime Neves (disse-lhe que só obedecia à hierarquia) e de Salgueiro Maia, que nem lhe atenderia o telefone...

segunda-feira, 9 de março de 2015

O perfil dos candidatos e os candidatos ao perfil

Por Eduardo Louro


 


 


Cavaco avançou com o perfil dos candidatos e logo foi entalado pelos candidatos ao perfil.  


Agora, para levar a sua água ao seu moinho, vai ter que acrescentar mais qualquer coisa. Se calhar ainda o vamos ouvir dizer que tem que se chamar José. E que o último nome deve ser Barroso…


Chamar os bois pelos nomes nunca foi coisa a que Cavaco nos habituasse. Mas como está de despedida… E já nem tem ponta de vergonha, não se incomoda nada de ser ele próprio a lançar quem monarquicamente escolheu para lhe assegurar a dinastia... 


 


 

Ditados populares

Por Eduardo Louro



 


Só faltava esta: o mais discutido e discutível, para não dizer claramente o pior presidente da república da democracia portuguesa, acha que tem autoridade para definir o perfil do seu sucessor. Mais: acha que é ele próprio o modelo!


"Presunção e água benta cada um toma a que quer", diz o povo. Não sabemos exactamente se Cavaco é comedido na água benta. Mas bem sabemos bem como ele abusa da presunção... É um presunçoso compulsivo!


E isso já é doença. Como diz também o povo, esse velho sábio, "tudo o que é demais é moléstia"!


 

domingo, 8 de março de 2015

Fazer história não é contar "estórias"...

Por Eduardo Louro


 Arouca-Benfica, 1-3 (destaques)


 


Foi um bocado parecido com o do Moreirense, há duas semanas atrás, este jogo do Benfica com o Arouca. Então, como hoje, o Benfica perdia ao intervalo. Hoje, como então, o Benfica virou o resultado, passando do 0-1 para o mesmo 3-1, final. Tudo muito igual. Apenas mudou o protagonista maior do jogo, o responsável pela reviravolta. Que, para uma certa gente, em Moreira de Cónegos foi o árbitro e hoje, em Arouca, foi o guarda-redes Goicoechea!


O jogo começou praticamente com o golo do Arouca, logo aos 7 minutos, na primeira vez que a equipa passou a linha do meio campo, por dupla obra e graça do Eliseu. Se o Jorge Jesus continua a apostar nele – e tudo aponta nesse sentido – tem que o pôr a jogar de luvas, como o João Alves. É a única forma de evitar que a sua impressão digital fique marcada em todos os golos sofridos pelo Benfica!


A partir daí veio ao de cima a estratégia do Arouca que, para além de um relvado seco e cheio de areia, uma espécie de limitador de velocidade, passava por defender com toda a gente lá atrás, levar o jogo para o pontapé para o ar e daí para o despique individual. Sempre que os jogadores do Benfica conseguiam contrariar isso, punham a bola no chão e tentavam jogá-la eram placados, como se o jogo fosse de rugby e não de futebol. Nas quatro ou cinco vezes que conseguiram fugir dos pés, dos braços e das mãos dos jogadores do Arouca, criaram outras tantas oportunidades de golo. Mas então lá estava de novo o ferro da baliza – confirma-se, o Benfica é, de longe, também o campeão das bolas nos ferros – ou a defesa impossível do guarda-redes uruguaio do Arouca. O tal que viria depois a ser o réu!


Dificilmente a estratégia montada pelo Pedro Emanuel – que há muito, desde que o Ulisses Morais desapareceu de cena, considero o pior treinador do campeonato, como aqui tenho repetidamente referido – poderia dar resultados na segunda parte. A arbitragem de Vasco Santos evitava muitos amarelos, mas não poderia evitá-los todos…


E muita coisa mudou. Só não mudou o apoio incansável da massa adepta benfiquista, que mais uma vez encheu a casa do adversário. O Benfica contou sempre com o apoio da esmagadora maioria do público presente nas bancadas... Ao contrário do apoio que o Arouca recebia dos comentadores da Sport TV, fortíssimo durante toda a primeira parte, que foi caindo à medida que os golos foram aparecendo… É sempre assim, a equipa também tem puxar um bocadinho!


O Benfica entrou para a segunda parte (Talisca substituiu Samaris, como tinha que ser) para acabar com aquilo. Nos primeiros 10 minutos deu a volta ao resultado e viu o árbitro Vasco Santos – é para isto que a campanha do colo existe – deixar dois penaltis por marcar. O primeiro ainda antes do golo do empate, e o segundo logo a seguir. Como deixar por punir com expulsão uma entrada sobre o Eliseu, a um metro do árbitro assistente, que nem falta assinalou. Com o resultado por desbloquear!


Com o resultado feito e o Arouca, sem plano B, completamente perdido mesmo num campo estreitinho, o Benfica, apesar dos limites de velocidade impostos por aquela relva alta no meio do deserto, continuou a criar oportunidades. Não deu para mais golos, deu apenas para evitar que o Arouca fizesse a história que o Pedro Emanuel queria que fosse feita. Ainda tem uma oportunidade – é já no próximo domingo!


E agora vem aí o Braga. O tal que se estica tanto com o Benfica quanto se encolhe com o Porto!


 

sábado, 7 de março de 2015

A personagem

Por Eduardo Louro


 


 




 


"Um Presidente da República de bom senso não deve entrar em lutas político-partidárias e o Presidente da República está acima dos partidos..."


Isto foi tudo o que Cavaco entendeu que tinha finalmente para dizer ao país. Infelizmente nada mais que "Presidente da República" se lhe cola à pele. Nem o "bom senso" é seu apanágio, nem estar "acima dos partidos" é a sua prática. É mais acima de uns e no meio de outros...


Apenas "Presidente da República" corresponde à personagem. Infelizmente!

Nelson Évora é campeão europeu!

Por Eduardo Louro



 


Depois de um longo calvário de recuperação da grave lesão e das complicadas cirurgias a que teve de se sujeitar, Nelson Évora voltou a saltar para o patamar dos campeões, acabando de se sagrar campeão europeu de triplo salto em pista coberta, em Praga!


Os campeões são assim. Não se abatem. E este atleta do Benfica é um verdadeiro campeão!


 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O silêncio de Cavaco

Por Eduardo Louro



 


Tão lesto a vir a público perorar sobre a Grécia, tão rápido a apoiar posição do governo português na oposição cega ao grego, estranha-se agora que o Presidente da República continue calado perante o que se está a passar no país.


Não se estranha, evidentemente, que nada diga sobre a miséria moral que nesta semana se acentuou no país. Isso não se estranha, a isso já Cavaco há muito nos habituou. Para isso já Cavaco perdeu também há muito autoridade moral. O que verdadeiramente se estranha é que ainda não tenha ainda vindo em socorro do primeiro-ministro. O que se estranha é que ainda não tenha estendido a mão a Passos Coelho...


E daí talvez não. Ele não é muito de estender a mão para segurar. É mais para se agarrar...

quinta-feira, 5 de março de 2015

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (X)

Por Eduardo Louro


 


 


A Henrique Granadeiro seguiu-se, na Comissão de Inquérito Parlamentar ao BES, Pacheco de Melo, o administrador financeiro – CFO, como eles gostam de dizer – da PT. Que sabia algumas coisas e tem alguma memória – muito boa mesmo, como chegou a referir.


E a memória dele choca com a história de Granadeiro. E ajuda-o a contrariar o anterior Presidente do Conselho de Administração, que ontem assumiu a responsabilidade por apenas 200 dos 900 milhões de euros torrados no GES. Pelo contrário, segundo Pacheco de Melo, só não é responsável por 200. É responsável por 700 milhões. Com Zeinal Bava, que também ao contrário do que disse – ou do não disse? – teve conhecimento de tudo.


O CFO – que se mantém ainda na PT – diz que apenas foi moço de recados de Granadeiro, tratando das coisas no BES com Morais Pires, moço de recados de Ricardo Salgado. Que tratava de tudo com Granadeiro e Bava!


Nem por isso ficam menos graves as confusões de Henrique Granadeiro com a História de Portugal, a que ontem recorrera para, na sua relação com os accionistas da PT, se equiparar a Egas Moniz. Que deu por primo de Afonso Henriques, a quem se teria penitenciado pelo que grantia ter sido a sua única falha ("Desta vez falhei, mas em todas as outras cumpri"). A História de Portugal registou Egas Moniz como aio de Afonso Henriques, nunca como primo. E dela não consta que se tenha penitenciado perante o primeiro rei de Portugal de coisa nenhuma. Foi descalço e de corda ao pescoço até Toledo, acompanhado da sua esposa e filhos, para colocar a sua vida e a dos seus ao dispor de Afonso VII, rei de Leão e Castela, pela falha de Afonso Henriques. Que quebrou a vassalagem jurada sete anos antes, para colocar fim ao cerco de Guimarães. 


Mas como é que estes gestores podem conhecer a História de Portugal se não conhecem as suas próprias pequenas peripécias? 


 

Miséria moral

Por Eduardo Louro



 


Em apenas sete meses - Dezembro de 2013 a Julho de 2014 - Ricardo Salgado desobedeceu 21 vezes ao Banco de Portugal. Que tinha praticado actos de gestão ruinosa já se sabia, mas confirmou-o também a Auditoria Forense levada a cabo pela Deloitte, e hoje dada a conhecer.


O antigo ministro da saúde de Cavco, Arlindo Carvalho, acusado do desvio de milhões de euros no BPN, começou ontem a ser julgado. Também ontem foram detidas cinco pessoas envolvidas na falsificação de declarações de dívida, entre as quais um director e um chefe de serviços da Segurança Social. Dezenas de empresários da Grande Lisboa terão comprado certidões de "ficha limpa" de dívidas, ficando habilitados a concorrer a concursos públicos.


Paulo Pereira Cristóvão, antigo agente da PJ e até há pouco vice-presidente do Sporting,  vai ser ouvido hoje pela Justiça, acusado de comandar um gang de assaltos à mão armada, que incluía agentes da PSP no activo e um líder de uma claque sportinguista.


E Sócrates aproveita o grupo de media agora presidido por Proença de Carvalho, seu advogado, para voltar a fazer prova de vida. Desta vez para responder ao primeiro-ministro, que em desepero não tinha resistido a trazê-lo para uma conversa em que não era chamado. E para acusar Passos Coelho de estar "próximo da miséria moral", sem perceber que há muito deixou ele próprio para trás essa barreira!


Há dias assim. Em que o país não podia, ele sim, estar mais próximo da miséria moral...


 


 


 


 


 


 

quarta-feira, 4 de março de 2015

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (IX)

Por Eduardo Louro


 


 


Chegou hoje a vez de Henrique Granadeiro… Não esclareceu muito, é certo. Mas respeitou o Parlamento, respeitou a Comissão de Inquérito e respeitou os deputados. Não faltou ao respeito a ninguém, não gozou com a cara de ninguém… Não gozou com a nossa cara!


E como foi diferente de Zeinal Bava… Da noite para o dia. Se Bava deixara uma imagem de frieza, com nervos de aço, com as palavras medidas em milhões de euros, próxima do verdadeiro pulha, Granadeiro deixa uma ideia do santinho traído por uma crença. Escondida atrás da amizade. E as amizades não se traem… De tal modo que o maior “erro estratégico da sua vida” foi ter feito dupla com Zeinal Bava. Não foi ter confiado em Ricardo Salgado. Declarou-se injustiçado: “… foi o pior que podia acontecer à minha carreira”.


Quase comovente!

Que peditório para aí vai...

Por Eduardo Louro


 Resultado de imagem para sporting homenagem pedro proença


 


Acabadinho de abandonar a arbitragem, Pedro Proença não tem perdido uma oportunidade para reivindicar um lugar no dirigismo do futebol. Acha que isso é um direito natural, e não se tem cansado de puxar dos galões, e anunciar a sua disponibilidade para o que quer que seja.


Começou até a revelar alguma pressa - mesmo ansiedade - e enquanto continua indecorosamente a chegar-se á frente, vai já reclamando da tremenda injustiça de ainda ninguém o ter convidado para nada. Ele, para quem tudo serve, desde um lugarzito na arbitragem á própria presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Ou na UEFA. Ou na FIFA…


E começou a fazer visitas… A primeira foi a Pinto da Costa, naturalmente. A segunda foi a Bruno de Carvalho… Que não lhe reservou uma simples visita, decidiu-se por homenageá-lo. E na impossibilidade de tomar para si o palco, pela sanção disciplinar a que está sujeito, entregou as honras da casa ao presidente da assembleia-geral, Jaime Marta Soares, o homem dos bombeiros. Que rapidamente transformou a homenagem num peditório ridículo para a causa do homenageado.


Já não é apenas o passado que faz de Pedro Proença uma pessoa pouco recomendável para o exercício de qualquer poder no futebol…

Ler os outros

Por Eduardo Louro


 


"Não vale a pena perder mais tempo" - diz o Sérgio de Almeida Correia, no Delito de Opinião.


Mas vale, vale mesmo a pena ler. Tudo. Isto é só um cheirinho:


"Para mim não foi um mero esquecimento. Passos Coelho em 1999 não pensava que viria a ser primeiro-ministro. Nunca lhe passou pela cabeça que o PSD e o PS lhe proporcionassem essa oportunidade. Por isso, na altura fez aquilo que lhe dava mais jeito.


Temo que a desinformação, a cegueira partidária, a desonestidade intelectual das camarilhas e a falta de honestidade ética e política dos actores continue a fazer o seu caminho. Como até aqui. Não até à vitória final, mas até à abstenção final. Ou, quem sabe, até que o desespero dos portugueses trabalhadores, honestos, sérios e que cumprem as suas obrigações sem esquecimentos, enquanto os trapalhões vão engrandecendo e comendo-lhes as papas na cabeça, os leve a dizer basta".   


Eu também acho! 


 

terça-feira, 3 de março de 2015

Fauna e animais ferozes

Por Eduardo Louro


 


 


Percebeu-se logo que este caso da evasão à segurança social pelo actual primeiro-ministro iria mais longe que o anterior, da Tecnoforma. Desde logo pelo caso em si, em que o Estado troca a mão pesada com que trata os cidadãos, por uma mão leve para tratar o primeiro-ministro. Mas também por ser do conhecimento público que o PSD e o CDS encheram a Segurança Social com a sua rapaziada. Mas ainda pela forma destrambelhada como, primeiro, o ministro Mota Soares, e depois tudo o que era ministro, deputado ou capataz do partido vieram a correr em socorro do chefe. Que, até perceber a gravidade do caso – e demorou três dias a percebê-lo –, quanto mais falava mais metia os pés pelas mãos


Hoje praticamente todos os jornais pegam no tema, e cada vez mais coisas novas vão surgindo. Por exemplo: que as contas que determinaram os 4 mil euros que Passos, muito contrariado, teve que ir pagar a correr, estão mal feitas. Que a Segurança Social se esqueceu dos primeiros três anos… Ou que Pedro Passos Coelho não se esqueceu apenas de pagar as contribuições que devia. Que se terá até esquecido da própria inscrição, o que quer dizer que se terá mesmo esquecido dos rendimentos que recebia. O que nem pode surpreender ninguém, toda a gente se lembra do ponto final que foi posto no caso Tecnoforma: aquilo acabou com Pedro Passos Coelho a dizer, e toda a gente a ficar satisfeita com a explicação, que não recebera remuneração de qualquer espécie, que tudo o que havia recebido respeitava apenas ao reembolso de despesas.


Quem anda aqui por este mundo sabe muito bem o que é isso. E melhor ainda o que era naquela altura…


Por tudo isso, ao terceiro dia, Passos Coelho passou ao ataque, antecipando-se ao que estiver para vir. Há mais animais ferozes …


Seja qual for a evolução de mais este caso – sabemos todos que em qualquer país onde estas coisas do escrutínio dos titulares de cargos políticos são levadas a sério, por muito menos, caem ministros, chefes de governo ou de Estado – voltou a ficar claro o tipo de gente que temos na política. Um assessor do primeiro-ministro, foi para as redes sociais desenterrar um suposto pecado antigo de António Costa, sempre desmentido e nunca confirmado: há mais de 20 anos morto e enterrado. O deputado Carlos Abreu Amorim, outro belo exemplar desta fauna política, faz ainda pior, começando por dizer que “não é assim que se deve fazer política”, para com isso, extrapolando para “telhados de vidro” fazer de conta que faz política. E por fim é o próprio Passos Coelho que empurra tudo para a comparação com José Sócrates!


Para esta gente não há bem e mal. O mal logo deixa de ser mal se o outro tiver feito igual. Ou parecido. Depois … é só dar um pequenino passo e já nem é preciso que alguém tenha mesmo feito o que quer que fosse, basta fazer crer que isso aconteceu mesmo.


Na forma de fazer política desta gente que tomou conta dela, a verdade conta para muito pouco. Para atingir o adversário vale tudo, e a verdade já nem para acessório serve.


Repare-se como o governo espanhol, para atingir o Podemos, pela via da desacreditação do governo grego, anunciou o terceiro programa de resgate para a Grécia, negado pelas autoridade europeias. A lembrar o que o governo do mesmo partido fez com os atentados de Atocha, na véspera de eleições, faz dentro de dias 11 anos  …

segunda-feira, 2 de março de 2015

Um eixo de lata

Por Eduardo Louro


 


 


O líder do Syriza, em reunião interna do partido – saliente-se: em contexto eminentemente interno de um partido – disse o que todos os jornais noticiaram, que por isso foi público e notório, e que toda a gente percebeu. Que tinha havido um eixo formado pelos governos de Portugal e Espanha que “por motivos políticos óbvios, tentara levar a Grécia para o lado, para o abismo durante todas as negociações”.


Quais virgens ofendidas, os dois governos ibéricos juntaram-se para, em carta conjunta, se queixarem às instituições europeias. Tão ofendidos, tão ofendidos mais não fizeram que confirmar que o eixo existe. Os motivos e os fins da sua existência, esses, nem precisam de confirmação…  


Mas lá que têm lata, têm!

Coisas estranhas (III)

Por Eduardo Louro


 


 


Um tipo não paga impostos. Ou contribuições, para o efeito é a mesma coisa. Porque se esqueceu, porque não quis, porque não tinha dinheiro para os pagar, porque não sabia que tinha de os pagar… Whatever!


Estranho não é isso. Estranho é que um ministro, e precisamente o que detém a tutela das contribuições em falta, venha dizer que a vítima é quem não pagou. Vítima não é quem ficou sem o dinheiro, vítimas não são os restantes cidadãos cumpridores. Quem não pagou, quem incumpriu, quem faltou ao pagamento, foi uma simples vítima da administração da Segurança Social… E “os cidadãos não podem ser penalizados por erros", conclui o ministro! 


Estranho é que isto deixe de ser tão estranho quando se põem os pedros - perdão, os nomes - na estória. Quando o tipo que não cumpriu é primeiro-ministro, e se chama Pedro Passos Coelho, e o ministro que inverte as responsabilidades se chama Pedro Mota Soares!


Dois coelhos numa só cajadada? Não é estranho...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...