quinta-feira, 31 de maio de 2018

Cá pelo Sul, hoje é dia de governos novos ...

 


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Em Espanha, o governo de Rajoy caiu. Resistiu a tudo, até à desastrada gestão do dossiê Catalunha, onde as vagas de prisões mais fizeram lembrar a ditadura franquista, mas não resistiu à podridão interna. É quase sempre assim na política, nos regimes como nos governos: apodrecem e caem, por si.


A corrupção - Rajoy puxou do curioso argumento que a existência de corruptos no PP não faz do PP corrupto - teria de levar Rajoy à única saída possível: a demissão. Como não quis sair pelo próprio pé, saiu empurrado pela moção de censura do regressado Pedro Sanchez, que vai agora formar governo. Sim, porque o regime espanhol pode ter muita coisa má, mas não brinca às moções de censura. Quem censura tem de ter alternativa de governo!


E o PSOE tinha. Nem que para isso tivesse de garantir que mantinha o Orçamento (Presupuesto) em vigor, que o PP tinha negociado com o Partido Nacionalista Basco para, garantindo-lhes as vantagens adquiridas, garantir o seu voto. Coisa que, curiosamente e para percebermos a informação que recebemos, levou a RTP a dizer que o novo governo do PSOE garantia os pressupostos da governação do PP.


Também de Itália chegam notícias interessantes. A democracia de geometria variável da UE tinha levado o Presidente italiano, no início da semana, a recusar o o nome de Paolo Savona, dito eurocéptico, para a pasta da economia e finanças do governo apresentado pelos partidos mais votados, e a voltar (já o tinha feito com o governo de  Mario Monti) a ignorar os resultados eleitorais, encarregando um ex-quadro do FMI (tinha de ser) de formar governo. Alguém lhe explicou - a ele e ao comissário alemão que lhe dava as ordens - que era capaz de não ser uma grande ideia: o governo não passaria no parlamento e teria de voltar a eleições, que só reforçariam os mesmos dois partidos de que ninguém gosta. 


E num instantinho tudo voltou atrás. Hoje já vai haver governo e ... vá lá ...  o primeiro-ministro Giuseppe Conte, para que o presidente não perdesse de todo a face, passou Paolo Savona para a administração interna.


E pronto, lá estão dois governos novos no mesmo dia, nas terceira e quarta maiores economias cá do clube. 

Votação, legitimidade e Estado*

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Com a votação na Assembleia da República das proposta para a despenalização da eutanásia, na passada terça-feira, encerrou-se, para já, um dos mais apaixonados debates da sociedade portuguesa. Apaixonados, que não apaixonantes.


Não que o tema não seja apaixonante, que é. A discussão é que nunca o foi, usando e abusando dos truques mais baixos da artimanha do jogo político, empurrando o debate para os mais rasteiros níveis da manipulação.


Em confronto estavam, evidentemente, as questões de consciência de cada um relativamente á despenalização da morte assistida a pedido do próprio. Mas também uma questão de legitimidade da instância de decisão.


Em tese, mas só em tese, ou se calhar em sede de mitigação, independentemente da posição pró ou contra na questão central, estava em causa a legitimidade do Parlamento, destes deputados, para decidir sobre a questão. Dos programas eleitorais de todos os partidos sufragados nas eleições de 2015, nenhum, à excepção do PAN, falara do assunto. Quer dizer: apenas um único deputado disporia de mandatado popular para votar esta matéria. E no caso, a favor.


Como esta legitimidade só funciona num sentido, percebe-se melhor por que terá sido convocada para o debate. E como o resultado foi o que foi, a importância que tem é a de tornar o tema obrigatório nos programas partidários às eleições do próximo ano.


Quanto ao resto, à questão central, o que acho mais estranho é ver gente que não quer nada com o Estado, querer vê-lo a imiscuir-se naquilo que mais íntimo há em cada um de nós. Ao Estado cabe fazer tudo para evitar que os seus cidadãos morram. Depois, cabe-lhe entender esta dimensão da vida que é escolher morrer, e assegurar que é severamente punido quem matar quem não quer morrer.


Aí, sim. Tem muito que fazer… Não intimidade de cada um, não. Não tem nada que fazer!


 


*Da minha crónica de hoje na Cister FM

Os crápulas e a intrujice

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Depois de ver e ouvir comentar em tudo o que era televisão, fui procurar a tal reportagem da SIC que dava conta de uma tal investigação jormalística iniciada em Setembro de 2017.


As expectativas eram grandes. Pelo que a própria SIC fizera anunciar tratava-se de um longo e sólido processo de investigação jornalística, que atravessou todos os estádios do país à procura de provas da compra de resultados no futebol. E, pelo que ouvira, a SIC tinha apanhado o Benfica a corromper jogadores do Marítimo para lhe facilitarem a vitória naquele jogo do início de Maio, nos Barreiros, que era justamente o penúltimo da época 2015-16. A do tri, naquele campeonato em que o Benfica, depois ter estado a sete pontos do Sporting, passou para frente com dois de avanço depois de ter ido ganhar a  Alvalade, a sete jornadas do fim. Donde nunca mais saiu, ganhando todos esses sete jogos, exactamente como aconteceu com o Sporting, com um calendário incomparavelmente mais complicado, que incluía as deslocações ao Dragão e a Braga. 


De tal forma era assim, as evidências de corrupção que a reportagem apresentaria eram tais que o impagável Octávio Machado se declarava já campeão nacional dessa época!


Fui então ver a reportagem e o que vi?


Vi que o seu autor, Gonçalo Azevedo Ferreira, certamente por acaso, é muito próximo de Bruno de Carvalho (gostam um do outro, nas palavras do ainda presidente do Sporting), mas não dei importância à constatação. Vi figurantes numa suposta reconstituição dos factos que não constituíam sequer coisa nenhuma e ouvi, com vozes distorcidas, dois supostos jogadores do Marítimo a que eram atribuídos os nomes fictícios de "Pedro" e "Armando". Portugueses, dava claramente para perceber, pelos nomes e porque falavam em português sem qualquer sotaque. O que, dada a constituição do plantel, e num rápido exercício de exclusão de partes, permite facilmente a sua verdadeira identificação.


Disse o "Pedro"  que foi convidado por dois homens que não conhecia, nunca tinha visto e nunca mais voltou a ver, a deslocar-se a um quarto de hotel, onde lhe prometeram um contrato com o Benfica e 40.000 euros. Já o "Armando" fazia a extraordinária revelação de ter visto dirigentes do Benfica próximo de jogadores do Marítimo, mas não podia  dizer nomes, para se proteger. Nomes, surgiram os de César Ventura e Paulo Gonçalves, não se sabe se por falta de criatividade, se por darem mais jeito.


Mais extraordinária é a revelação que os jogadores do Marítimo esperavam ansiosamente por um incentivo do Sporting. E que, quando o capitão lhes comunicou que estava garantido e que tinha o valor de 400 mil euros - contas feitas, logo ali, dava à volta de 13 mil euros a cada um - houve jogadores que se popuparam à exuberância, e não desataram para ali aos pulos.


Foi isto que eu vi na reportagem, em resultado da tal investigação que durou 8 meses. Depois, tive ainda tempo de ver o início de um debate em estúdio, onde participavam o autor, António Ribeiro Cristóvão, um magistrado e um dito especialista em direito desportivo. E, enquanto o magistrado dizia que não havia ali nada que servisse de prova de coisa nenhuma, os dois homens da SIC concluíam que estava tudo ali: era muito estranho que tivesse havido jogadores que não festejaram a oferta do Sporting! 


E foi com isto que a SIC passou todo o dia de ontem a anunciar as mais bombásticas de revelações de corrupção. Foi isto que as televisões impingiram durante toda a noite, e foi com isto que os jornais de hoje enchem as primeiras páginas.


Chegamos aqui, a este jornalismo. De nojo, engajado, da intrujice ao serviço dos mais crápulas dos crápulas.


 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O que ficou da votação que não contava

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As propostas para a despenalização da eutanásia não passaram na Assembleia da República. Por pouco, mas não passaram. Como seria por também pouco, se eventualmente tivessem passado o que, como aqui ontem se dizia, iria dar no mesmo. Talvez da próxima!


Que sociedade portuguesa se divida ao meio sobre a matéria não é grande surpresa. Estas questões, ditas fracturantes, são mesmo assim. O que poderá supreender são os diferentes alinhamentos perfilados, e mais ainda se tivermos em atenção a violência que chega a ser utilizada no debate.


Como se viu são alinhamentos exteriores à dicotomia direita/esquerda. Há muita gente de direita que é a favor da despenalização da eutanásia, embora sejam poucos, muito poucos, residuais mesmo, os de esquerda que sejam contra. A questão do PCP - e já agora uma saudação ao PEV, que pela primeira vez fez jus à sua presença no Parlamento - é outra. É outra coisa, já lá vamos. 


Se procurarmos na dicotomia conservadores/liberais também encontramos dificuldades. Não que não percebamos de imediato que os (mais) conservadores estão contra, com poucas excepções. Mas porque lá, contra, encontramos também os mais assanhados liberais, os do tudo pela liberdade individual, do tudo pelo indivíduo e nada pelo Estado, que não tem nada que se meter na vida de ninguém. 


O PCP é outra coisa porque nunca a liberdade individual foi bandeira sua, e é hoje provavelmente o partido mais conservador do nosso quadro partidário. E porque provavelmente acredita no rendimento eleitoral desta sua posição, num eleitorado envelhecido. É curioso notar que o PCP não esteve ao lado do CDS apenas na votação. Esteve ao lado do CDS também ao nível do debate. Rasteiro, básico e manipulador... 


Ah... A primeira página do "i" é só porque sim... Porque nisto de capas não são nada maus!


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 29 de maio de 2018

A votação que conta. Mas que não conta...

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O resultado da votação da despenalzação da eutanásia, hoje à tarde na Assembleia da República, está a gerar grandes expectativas e até quase uma bolsa de apostas. Os "votos não" do CDS e do PCP - lado a lado nesta matéria, o que não deixa de ser irónico - estão garantidos, como os de sentido contrário do PS, Bloco e PAN, e é o PSD, cujos deputados têm liberdade de voto mas que é maioritariamente contra, que decidirá o resultado final. De uma coisa estamos certos: seja qual for o resultado, a despenalização, por agora, está destinada a não passar, já que se o voto favorável sair vencedor será sempre por escassa margem, circunstância em que o Presidente da República fará valer a sua posição (contra!) vetando a lei e devolvendo-ao ao Parlamento.


Portanto ainda não será desta!


 


 


 

domingo, 27 de maio de 2018

Passou-se alguma coisa?

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De um congresso dos principais partidos do nosso xadrez político espera-se sempre qualquer coisa. Espera-se sempre um coelho qualquer a saltar de uma cartola qualquer, alguma loiça partida e mesmo muita roupa a lavar. 


Esperava-se... Já não se espera nada disso. E muito menos quando o partido em congresso está no poder: aí só dá mesmo para endeusar o líder. Até pelos mais críticos: "a solução é má, mas o primeiro-ministro é bom" - disse Francisco Assis. E está tudo dito!


Ana Gomes ainda se esforçou por dizer mais alguma coisa, mas nem ela conseguiu ir muito além da terminação. Ficou-se pelos mínimos em defesa da marca. Da sua!


Na verdade, no congresso do PS não se passou nada. Nem horas extraordinárias, que nunca foram necessárias!

sábado, 26 de maio de 2018

Final com final anunciado


 


O Real Madrid conquistou hoje em Kiev a sua 13ª Taça dos Campeões Europeus. E a terceira consecutiva na nova era Champions. Tudo feitos difíceis de igualar.


Real Madrid e Liverpool, dois senhores do futebol europeu, proporcionaram uma grande final. Os reds entraram por cima, a superiorizarem-se à custa da tremenda pressão sobre o adversário, como Klopp gosta, e mandaram no jogo até ao momento chave do jogo: a lesão do egípcio Salah, a estrela maior do Liverpool, nesta altura, por volta da meia hora de jogo, num lance onde Sérgio Ramos - sempre ele - não fica bem na fotografia.


Pouco depois também o lateral direito madrileno, Carvajal, foi obrigado a sair, por lesão. Que, não tendo a mesma influência no jogo, não foi de menor carga emocional. É que Carvajal vai provavelmente falhar o Mundial, como já falhou o último, no Brasil, por lesão igualmente contraída na final da Champions, então na Luz.


Sem Salah, e mesmo transferindo as suas funções para Mané, que confirmou toda a sua enorme categoria, o Liverpool passou a ser outra equipa. E deixou fugir o domínio do jogo para o adversário.


Os golos só vieram na segunda parte. O primeiro, para o Real, oferecido pelo guarda-redes Karius a Benzema. Caricato! O Liverpool reagiu bem à asneira do seu guarda- redes e, menos de 5 minutos depois, restabelecia o empate, pelo inevitável Mané, e depois, disfarçado de Cristiano Ronaldo, entrou Bale, o homem do jogo!


Dois minutos depois de entrar assinou um golo espectacular, numa réplica à bicicleta de Cristiano Ronaldo, em Turim. Vinte minutos depois voltou a imitar o "melhor do mundo", num grande remate de longe que o pobre Karius decidiu transformar em golo. E pronto, ficava escrito o último capítulo de uma história com final anunciado. Porque nisto de Champions é mesmo assim: no fim ganha o Real Madrid!


A figura desta final poderia ter sido Salah, mas a sorte não quis nada com ele. E a figura da equipa foi Mané, com Firmino a passar ao lado do jogo. Como Isco, do outro lado. E até mesmo Cristiano Ronaldo, que não gostou nada de ter ficado em branco e sido ofuscado por Bale, como se viu pelo amúo que revelou no final do jogo, deixando no ar a ameaça de sair...


 


  

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Um país mais pobre*

 


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A semana arrancou com o desaparecimento de dois grandes portugueses, logo nos primeiros dias: António Arnaut, um notável activista da cidadania e da política, a quem foi atribuída a paternidade do Serviço Nacional de Saúde, na segunda-feira e, logo no dia seguinte, Júlio Pomar, uma das mais proeminentes figuras da pintura portuguesa, condição que nunca isolou da cidadania e do activismo político, particularmente na resistência à ditadura salazarista.


Portugal ficou mais pobre. Um país tão deficitário em grande gente fica sempre mais pobre quando perde os maiores!


Mas não é disso, dessa perda, que quero falar hoje. Nem da unanimidade nacional manifestada à volta de Júlio Pomar. O povo, se não sempre, na maior parte das vezes, protege os seus artistas, vendo-lhes no génio com que nasceram uma espécie de bênção dos deuses.


Quero falar de António Arnaut para ilustrar a nobreza da actividade política. Para demonstrar que é possível dedicar a vida à política, ter actividade política ou ser político, com honra. E como isso é apreciado pelos portugueses.


Bem sabemos que nós, portugueses, só gostamos de dizer bem das pessoas depois de mortas. E como esse princípio genético nos abriu as portas da hipocrisia, tão cara também à nossa maneira de sermos portugueses. A ponto de não termos grande pejo em, depois de morto, fazermos de qualquer meliante uma pessoa de bem e de bom nome. Mas a forma como ouvimos o país falar de António Arnaut, da direita à esquerda, não é mérito desse pouco meritório atributo dos portugueses.


É a prova que a honra, na política como em qualquer outra actividade, assenta na nobreza dos valores e na integridade com que se defendem. António Arnaut nunca fugiu ao combate político, como nunca fugiu das causas mais difíceis, ou mais fracturantes, como agora se diz. Soube sempre de que lado queria estar, e soube sempre lá estar… Íntegro, direito e hirto. E livre!


Mais do que o Serviço Nacional de Saúde, essa obra-prima do Estado Social que agora vemos agonizar, devemos-lhe o exemplo.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Não basta dar por encerrado. É mesmo preciso encerrar!

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A nova polémica à volta do ministro Pedro Siza Vieira é bem capaz de ser mais que um ligeiro incómodo para o governo, tanto mais quanto mais difícil é reduzi-la ao pretenso lapso.


É que, constituir na véspera de entrar para o governo, uma sociedade com o capital de 150 mil euros, reforçada de imediato com suprimentos de 200 mil euros, para não ter qualquer actividade - zero, zero de vendas, zero de custos, zero de investimento... - não é coisa fácil de explicar. Bom... fácil, até é. Se já toda a gente percebeu, nem é preciso explicar muito. 


Por isso, ninguém fala. Não fala o ministro e não fala o primeiro-ministro. Que está fartinho de saber que estas coisas mal explicadas, não acabam só porque se querem dar por encerradas. 

Insólito

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Mais de dois mil cientistas de todo o país, num documento que designam de "Manifesto Ciência Portugal 2018", denunciam o estrangulamento imposto pelo governo à Ciência que se faz em Portugal. 


Entre outras debilidades, denunciam a incapacidade para atrair os melhores, cada vez mais fugas de cérebros, irregularidades nos concursos para projetos científicos e na contratação de investigadores, ou  bloqueios das carreiras baseadas no mérito científico... Nada que tenhamos por novidade, nada que nos apanhe de surpresa.


A surpresa surge quando, junto com todas aquelas largas centenas de assinaturas de protesto, ao lado de nomes como Maria Manuel Mota, Elvira Fortunato ou Marina Costa Lobo, para referir os mais conhecidos, surja o de Manuel Heitor. Exactamente. Esse: o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior!


Insólito? Ou uma nova fórmula para o "somos todos Centeno"?


 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Já lá vão 20 anos...

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Há 20 anos, faz hoje precisamente, o presidente Jorge Sampaio declarava aberta a Expo 98. Seguiram-se 4 meses de festa, e o país não viu nem quis falar de outra coisa. Lisboa mudou de cara, que já era bonita, mesmo que frequentemente mal cuidada. E ficou mais bela, multiplicou encantos e não mais poupou em  sedução, atrevida e gaiata.


Do país se diz que a bebedeira foi grande, e muitos ainda falam da ressaca. Mas quem é que não gostou da festa?  


Vai dar para lhe tomar o gosto. Mas só um bocadinho... A uns, para provar... A outros, para recordar.

António Arnaut (1936-2018)

 


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Um cidadão inteiro e um homem livre!

domingo, 20 de maio de 2018

A festa da Taça

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A Taça. O David, que voltou a vencer Golias. A comunicação social, que levou pancada do José Mota. Os adeptos, que vão além das claques. Que abandonam em massa, quando, para eles, o objectivo único de ganhar deixou de ser possível. Ou que ficam, porque é preciso continuar a agredir e a insultar. Já não sabem fazer de outra maneira... Porque os jogadores têm que ser máquinas ... de ganhar. Apenas de ganhar. E a comunicação social é para abater. É o inimigo ao serviço de todos os inimigos. E repórteres, fotógrafos e operadores são a carne e o osso do inimigo.


Foi a festa da Taça... Dizem!


Parabéns para a Vila das Aves!

sábado, 19 de maio de 2018

Que grande cartão de apresentação!

 


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O Benfica começou a apresentar as primeiras contratações para a próxima época. O guarda-redes Vlachodimos estava há muito anunciado, mas o jovem (22 anos) lateral direito nigeriano, Hebuhei é uma enorme surpresa.


Diz-se que faz lembrar o Nelson Semedo, e isso já é bom. Mas bom, extraordinário mesmo e nunca visto, é o fluente e escorreito português com que se apresentou. Não faço ideia onde, nem como, aprendeu português. Sei que vem da Holanda e que não precisou nada daqueles toques na bola que, em "jeans" e camisola da equipa, constituem o estereotipo da apresentação das novas contratações. Expressar-se tão clara e correctamente na língua de Camões vale mais que milhões de toques sem deixar cair a bola!


Benvindo Hebuhei, e toda a sorte. De certeza que o manto glorioso te assenta muito bem!


 

Pois é...

Expresso


 


Pois é! Ontem falou-se aqui disto. E não, não é do tipo de quem ninguém pára de falar... E que ninguém deixa de ouvir!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

É só boas notícias

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As notícias de hoje não são apenas sobre Bruno de Carvalho e o Sporting. Passam-se  mais coisas e há mais notícias. 


Sabe-se que Miguel Relvas foi contratado por uma empresa americana, de Silicon Valley. 


A empresa - Dorae, assim se chama - start up que trabalha com inteligência artificial e outras tecnologias de ponta na exploração de minas e matérias primas, e quer e precisa de entrar em África e no Brasil. E para isso, lembrou-se de quem? 


De Relvas, evidentemente. E não fez a coisa por menos: recrutou-o e nomeou-o responsável máximo para as áreas de política pública e sustentabilidade.


Há um ou dois dias atrás os jornais divulgaram amplamente uma nota do governo dando conta da recusa do braço direito de António Costa, o ministro Pedro Siza Vieira, em intervir em decisões que dissessem respeito à OPA dos chineses à EDP, que aqui trouxemos recentemente. Porque - como bem sabemos, ética é ética - a sociedade de advogados que ele integrava antes de chegar ao governo, e para onde regressará quando de lá sair, é exactamente a representante daqueles accionistas.


Noticia hoje o Público que a OPA dos chineses foi facilitada pela legislação criada em Junho passado, há menos de um ano, no âmbito do Programa Capitalizar, impulsionado pelo ministro ... Siza Vieira!


É só boas notícias...


 


 


 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sem tino e sem destino*

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O país está ainda em choque com a violência de que foi palco a Academia do Sporting, em Alcochete que, em boa verdade, chocou muita gente mas terá surpreendido muito pouca.


E não, não me refiro apenas ao universo do futebol, aí não há sequer razão nenhuma para surpresas. Refiro-me a todos os que se preocupam com o país, e que se apercebem da degradação das instituições e, de uma forma geral, da nossa vida colectiva.


Um país que assiste de braços cruzados a uma dolorosa e humilhante intervenção externa, a pelo menos uma década de escândalos na banca e nas elites políticas e empresariais, incluindo um antigo primeiro-ministro e vários ministros de vários governos, a revelações praticamente diárias de mais e mais corrupção, mas que reage sistematicamente com violência a um mau resultado do seu clube de futebol, mais que sem tino, é um país sem destino.


Repare-se como, aqui ao lado, em Espanha, com múltiplos escândalos de corrupção, mas ainda longe do que se tem passado por cá, se está a assistir à acelerada dissolução da estrutura de poder das últimas décadas. As sondagens desta semana revelam que o PP e o PSOE, que sempre asseguraram o poder nos 40 e poucos anos da democracia espanhola, já não representam, cada um, mais de 19% das intenções de voto. Abaixo do Podemos, e já muito longe do Ciudadanos, à beira dos 30%.


E como, por cá, os partidos que nos têm governado, passam incólumes por entre os pingos da chuva, mantendo intacto o seu fiel eleitorado, como adeptos de futebol, o que lhes permite protegerem-se transversalmente uns aos outros. E se alguma vez assim não acontece, o prevaricador é acusado de falta de lealdade. Como aconteceu no debate parlamentar da semana passada, sem que ninguém ousasse sequer achar estranho!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Deixar de fingir... Ou não!

 


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O acto terrorista - bem sei que os puristas do Direito não gostam desta adjectivação - de Alcochete obrigou as principais figuras do Estado a deixar de fingir que não percepcionavam a violência instalada no futebol. Presidente da República, sentindo-se vexado, Presidente da Assembleia da República, com tão necessária veemência quanto tão desnecessária polémica e Primeiro-Ministro, anunciando mais um órgão na convicção que, assim, "protege o futebol de quem o quer o destruir", cumpriram os mínimos. Veremos se no domingo à tarde voltam a fingir tão completamente...


Agora falta o resto. Porque, do lado do futebol, se a nada for obrigado, nada fará. Percebe-se isso nas diferentes reacções dos principais clubes, e percebe-se isso no silêncio ensurdecedor do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Ó PÁ...

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Passos Coelho entregou boa parte da EDP - a maior empresa nacional que por si só "vale" o mais determinante sector da economia nacional - ao Estado chinês, há meia dúzia de anos, numa inaceitável decisão de alienação de soberania económica em favor de uma grande potência mundial, não europeia e, valha lá isso o que nos dias de hoje valer, de um Estado totalitário.


Compreende-se que o Estado tivesse que vender a sua participação na EDP, mais ainda naquela altura. E percebe-se que, tendo de o fazer, não fosse possível mantê-la em mãos nacionais. Era necessário dinheiro para as finanças públicas, o défice e a dívida pública a isso obrigavam. E não havia no país esse dinheiro porque, capitalistas, por um lado, e poupanças, por outro, as duas faces da moeda do dinheiro, nunca foram o nosso forte, antes pelo contrário. Fomos sempre mais dados a fazer figura com crédito...


E se eram os chineses quem mais dava... 


A inaceitável decisão de Passos Coelho teria, apesar de tudo, estas atenuantes.


Agora, passados estes 6 ou 7 anos, a empresa estatal chinesa que ficou com a fatia que então Passos Coelho lhe vendeu, e que lhe vale um pouco mais de 23% do capital daquela a que continuamos a gostar de chamar a energética nacional, quer mais. Quer tudo. Mesmo que querer tudo, nestas coisas, nunca seja querer tudo, basta o mais confortável controlo possível. E para aí chegar lançou uma Oferta Pública de Aquisição das acções que lhe faltam, a OPA.


A China Three Gorges - assim se chama a empresa chinesa - desta vez não vai comprar acções ao Estado português, que já não tem nenhuma. Nem para amostra. O Estado português tem apenas alguns instrumentos de regulação e, como se sabe, a faculdade de garantir - como tão bem tem feito e parece querer continuar a fazer - as famosas rendas, tão bem desenhadas por Mexia e Pinho, e melhor defendidas por Catroga. Indispensáveis para os resultados que hão-de pagar os dividendos, que já dobraram o investimento, e para os famosos vencimentos a António Mexia & Companhia. E no entanto, sem nada para vender, sem nada de nada para o défice ou para a dívida pública, António Costa apressou-se a dar as boas vindas à OPA, que recebeu de braços abertos e sorriso nos lábios!


Apressou-se - é a expressão. E a gente não percebe a pressa. E se não se percebe a pressa, muito menos se percebe sequer o interesse em abrir um processo que, independentemente do duvidoso sucesso da OPA, tem como ínequívoco e inevitável destino uma desmedida concentração de capital na mais fundamental das empresas nacionais. A caixa que foi aberta não será mais fechada...


Quando numa matéria destas António Costa ainda consegue ir muito para além de Passos, percebe-se melhor tudo o que se está a passar.


 


 


 


 

Haja coragem!


 


O que hoje se passou na Academia do Sporting, em Alcochete, pode querer dizer que a loucura em que se transformou o futebol em Portugal bateu no fundo. 


Espero que sim. E que sirva, desde logo e em primeira instância, para que o Sporting resolva os seus problemas, a começar por se livrar do clima insustentável que o seu presidente instalou. E inevitavelmente do próprio presidente. Depois, para que o poder político enfrente de vez as coisas do futebol, sancionando severamente todos os comportamentos socialmente inaceitáveis: impedindo o acesso aos estádios a todos os adeptos que façam da violência um modo de estar; não fechando os olhos nem os ouvidos às declarações de incitamento à violência dos dirigentes; deixando de ignorar a promiscuidade entre a política e o futebol e, finalmente, passando a actuar, através da regulação, sobre as televisões no que respeita à pouca vergonha dos programas de suposto debate do futebol, que transmitem a toda a hora, pondo em causa, se necessário for, as licenças que lhes estão atribuídas.


Se o que hoje se passou em Alcochete servir para isto, em vez do dia mais negro da história do Sporting, este poderá ser um dos dias mais importantes da história do futebol português. O desafio é grande. Haja coragem! 


 


 

Selo de sangue

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Enquanto os clãs Trump e Netanyhau, de costas voltadas para todo o mundo, celebravam o selo americano que carimba Jerusalém como "capital una e indivisível do Estado de Israel", ali ao lado, à frente do mundo todo, o exército israelita  respondia com snipers e bombas às fisgas e às pedras dos palestianos em protesto, matando e ferindo a eito. Perto de 60 mortos e mais de 1200 feridos!


Ao contrário da cena bíblica, aqui o Golias ganha sempre. Ao David só resta a agonia e o sofrimento...


Portou-se bem a diplomacia europeia. E a portuguesa. Já o mesmo se não pode exactamente dizer da comunicação social, onde se ouviram coisas inacreditáveis. Na TVI 24, no jornal da meia-noite, uma peça referia-se mesmo a "confrontos" entre "terorristas palestinianos" e o exército israelita...


 


 

domingo, 13 de maio de 2018

Prendas

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Passam hoje 70 anos sobre a criação do Estado de Israel. Um aniversário é sempre dia de parabéns. E de prendas.


Trump deu uma prenda grande, entregando a Netanyahu uma embaixada. Novinha, em folha. Em Jerusalém.


Galinha gorda!.


Ah... Não. Essa foi oferecida pela Eurovisão!

Sem glória, e também sem brilho...

Jonas e bons ventos da Madeira colocam Benfica na rota da Champions


 


Contra todas as expectativas, no jogo de despedida do campeonato, com a Luz longe daquilo que foi durante toda a época, o Benfica assegurou o segundo lugar. O tal que se diz que não é o primeiro dos últimos porque dá acesso à Champions, agora com mais milhões. Mas também de mais difícil acesso, porque há ainda que ultrapassar dois adversários.


Contra as expectativas mas não contra a realidade da competição, se bem que contra a realidade deste jogo.


Na realidade o Benfica foi melhor que o Sporting ao longo do campeonato (mais 17 golos marcados e menos 2 sofridos)  e foi também melhor nos jogos disputados entre si. Foi melhor - muitíssimo melhor - no empate a um da Luz, em Janeiro, e voltou a ser melhor no empate a zero de Alvalade, há uma semana. Só uma absurda regra de desempate para uma prova deste género, em mais uma originalidade o futebol cá do burgo dava, em caso de empate pontual, vantagem ao Sporting pelo golo marcado na Luz. E não se esperava nada que os de Alvalade desperdiçassem essa vantagem, deixando de ganhar ao Marítimo, no Funchal!


Mas na realidade o Sporting perdeu, contra todas as expectativas. Todas, não: o presidente do clube alimentava secretamente essa esperança!


O Benfica teria pois de ganhar o seu jogo de hoje com o Moreirense, e esperar uma ajuda do Marítimo. No que sempre pareceu que os jogadores do Benfica não acreditaram muito. Só pode ser essa a explicação para terem jogado tão pouco!


À medida que o jogo ia avançando mais claro isso ficava. Até não entraram mal de todo, e na primeira metade da primeira parte conveceram-nos que podiam jogar para ganhar o jogo. A velocidade era pouca, e a intensidade ainda menor, mas com o Moreirense lá encostadinho atrás ... podia ser que sim. As três únicas iniciativas, daquelas que tinham a chave do jogo, aconteceram nessa primeira metade  -  uma em trocas de bola rápidas e de primeira, outra num desiquilíbrio individual e a última num remate de fora da área -  aconteceram nesse período. Deram nas três oportunidades de golo do Benfica, e deram para mostrar que teria de ser por ali.


Mas parece que ninguém percebeu isso. Esperava-se que o intervalo fosse aproveitado para treinador e jogadores perceberem que teriam de repetir e alternar aquelas três opções até à exaustão. Mas não foi. Ou, se foi, os jogadores esqueceram-se disso naquele tempo todo que ficaram ali à espera que a partida recomeçasse...


Valeu que, 5 minutos depois de finalmente ter começado a segunda parte, caiu do céu um penalti - claro e indiscutível, mas primário - que Jonas, finalmente regressado, transformou no golo único do desafio. Porque, depois, a intranquilidade regressou em todo o seu esplendor, e o futebol dos últimos tempos do Benfica de Rui Vitória, feito de passes para o guarda-redes e de pontapés para a frente, instalou-se na sua plenitude. 


E foi assim, com o coração nas mãos e o credo na boca, que se chegou ao fim do jogo. E nem foi preciso que o Moreirense criasse uma oportunidade de golo. Ou que fizesse sequer um remate para o Varela defender. Bastava ver o desacerto generalizado dos jogadores, cada um pior que o outro.


Simplesmente miserável. Uma miséria tão grande que apaga qualquer brilho que o segundo lugar possa acabar por ter, numa época absolutamente lamentável.


 


 

sábado, 12 de maio de 2018

Já nem se enxergam...

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O antigo director de um jornal tido por de referência, que há dois anos mantém na gaveta os Panama Papers, revelou esta semana um segredo que guardou duante nove anos, quando disse na SIC Notícias (que entretanto retirou o vídeo da rede), que recebeu de Sócrates, para publicar, uns mails trocados entre jornalistas do Público. E disse que não os publicou por não lhe ter sido permitido revelar as fontes, próximas do primeiro-ministro...


No mesmo programa, o mesmo corajoso e impoluto jornalista que guardou para si durante 9 anos e não deu noticia de facto tão relevante como um primeiro-ministro ter violado correspondência privada entre jornalistas para manipular informação em proveito próprio, desancou de alto a baixo na jornalista Fernanda Câncio pela posição pública que agora assumiu.


Isto está tudo mais podre do que se podia imaginar. Já nem se enxergam. Já nem sentem o próprio cheiro...

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Eleições à vista*

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Já se percebeu que as eleições do próximo ano, que toda a gente anda já a cheirar, vão correr sob dois temas inevitáveis: incêndios e Sócrates.


Não há volta a dar, e os dados estão lançados.


António Costa, tal como há um ano, andava feliz da vida. Tudo lhe corria bem, o sol brilhava e não havia nuvens. Foi tanto assim que, de início, nem ligou muito aos incêndios de Junho; já então foi preciso que o presidente Marcelo lhe chamasse a atenção.


Era uma grande injustiça, sentia o primeiro-ministro: estava tudo a correr tão bem, e logo tinha que aparecer esta chatice…


Um ano passou, e tudo voltava a estar a correr bem. Os incêndios faziam parte do passado, agora limpavam-se as matas, em festa. Já só faltava um ano para as eleições, e as contas não se faziam por menos – maioria absoluta, limpinho!


Da oposição vinham boas notícias, e Rui Rio era fixe. A esquerda da geringonça podia ser, se não descartada, reduzida à sua insignificância.


A 25 de Abril o presidente Marcelo começou a dizer umas coisas. Nada de importante, nada que António Costa não arrumasse em dois tempos: aquilo era como a “arte moderna”, que não é fácil de entender. E então o presidente passou a tornar-se mais fácil de entender, a ponto de, hoje, pouco mais de duas semanas depois, já toda a gente o perceber bem.


Tudo mudou, e hoje já ninguém brinca em serviço. A seguir a Sócrates veio Manuel Pinho, e a seguir Mário Lino. E Paulo Campos e António Mendonça… E sabe-se lá que mais…


E já nada está preparado para a época de incêndios que aí vem, de pouco valendo se as matas foram ou não foram limpas. O topo da pirâmide da Protecção Civil continua nas mãos de boys, que continuam a cair que nem tordos, uns atrás dos outros, viciados em licenciaturas manhosas. E toda a gente grita que não há meios. Não há aviões nem há coisa nenhuma…


E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!


Mas – a tragédia, meus amigos – já aí está. Até aqui havia “N” motivações para criminosos e pirómanos acenderem fogos. Agora há “N” e mais uma, mais clara que nunca: derrubar um governo!


Não é coisa pouca. E não há inocentes nesta história…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Convidada: Joana Louro

Foto de Joana Louro.


 


  


Estou de greve porque sou e serei sempre uma apaixonada pela minha profissão! E amor, paixão só rima com RESPEITO. E respeito é coisa que não se tem visto...


Estou de greve pelos Doentes! Que merecem uma medicina de excelência! Uma excelência que os sucessivos governos têm estado a destruir!


Estou de greve pelo meu hospital e pela minha cidade! Que merece um hospital de qualidade e profissionais motivados e com condições para fazer o seu trabalho


Estou de greve pelo meu país! Que construiu um SNS digno, justo, inigualável, e de reconhecimento internacional! Um SNS que está agora a ser vítima de um cruel homicídio!


Estou de greve pelas minhas FILHAS! Que têm direito a ter uma mãe... que é médica... e que trabalha no limite do risco... no limite do cansaço... no limite do abismo... onde o “erro” acontece...por condições que ultrapassam a dignidade humana e profissional! E essa mãe no final do dia... chega a casa...


Estou de greve pelas minhas FILHAS... que têm direito a cuidados de saúde no SNS!


Estou de greve pelos meus pais... pela minha avó!! Que espero que nunca sejam doentes, mas que seguramente um dia serão...


Estou de greve pelas minhas INTERNAS... que um dia serão especialistas... brilhantes especialistas... e que quero que continuem neste país, nesta cidade e neste hospital... e que um dia orientem os seus internos com o mesmo encanto e determinação que eu tento fazer... perpetuando um ciclo que faz da medicina uma profissão única de entrega e dedicação!


Estou de greve pelos meus professores, orientadores... que não mereciam assistir a esta degradação...


Estou de greve por todos os colegas... e pela nossa saúde... que todos os dias dão tudo o que podem pelos seus doentes... e que fazem diariamente tanto... com tão pouco! São o exemplo vivo que sim! Fazemos omeletes sem ovos!!


Estou de greve pelas horas que os doentes esperam numa sala de estar de urgência! Porque recuso-me a ser conivente com o trabalho médico não qualificado! E com a contratualização através de empresas, num arraste cíclico preverso.


Estou de greve porque estudei e continuo a estudar muito, com dedicação, entrega, paixão... E aprendi que o esforço e o trabalho devem ser reconhecidos!


Estou de greve porque SER MÉDICO não é uma profissão, é uma forma de ser e de estar! Mas não é uma escravatura...


Estou de greve porque estou farta de mentiras! Farta de desrespeito! Farta deste ministro e do que está a fazer ao SNS... e já agora farta deste jornalismo falso, manipulado e manipulador.


E também estou de greve porque o meu ordenado é uma miséria!! E não tenho pudor em afirmá-lo! Bem longe dos valores que querem passar para a opinião pública... bem longe MESMO!


Estou de greve porque sou médica de alma e coração... e às vezes já me falta a alma e o coração. E sim também me apetece bater com a porta e partir para o sector privado. Mas não vou porque ACREDITO NO SNS.


Estou de greve por MIM. Porque sou médica, mãe, filha, utente e cidadã!


ESTOU DE GREVE PELO MEU/NOSSO SNS


ESTOU DE GREVE PELA QUALIDADE DOS CUIDADOS DE SAÚDE!


ESTOU DE GREVE PORQUE ACREDITO!


ESTOU DE GREVE PORQUE TENHO DE ACREDITAR E SONHAR COM O RENASCER DO SNS...


... “E Sempre que um homem sonha... o mundo pula e avança...”

Para já, o petróleo sobe ...

 


 


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Sabe-se que Trump não lê. Não lê nada, nem relatórios de segurança, nem sequer pequenas notas ... Nem ouve, especialmente conselhos avisados. Não ouviu Macron. Nem Merkl. Nem May. Mas ouve Netanyahu. E ouve Salman. E gosta do que ouve, soa-lhe bem...


E então, pois claro - rasgou os acordos de desnuclearização assinados com Irão, em Viena, há menos de três anos, como de Telaviv e de Riade reclamavam. E é isso: um ultra fanático israelita e o não menos fanático, sanguinário e terrorista regime árabe manipulam como uma marioneta a figura a quem o mais poderoso país do mundo entregou o seu destino. E põem e dispõem da paz mundial!


Para já, o petróleo sobe... Mas isso é o que de menos mau aí vem!

terça-feira, 8 de maio de 2018

O negócio dos bancos também é palavras

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Foi notícia na semana passada que o Novo Banco e o Millennium BCP perdoaram ao Sporting 94.5 milhões de euros de dívida, o que deixou os portugueses - admito que à excepção de grande parte dos sportinguistas, todos os que põem a clubite acima de tudo - de cabelos em pé. É que, se o Millennium BCP é um banco privado, e que já pagou o que pediu ao Estado na hora das maiores aflições, do BES e do Novo Banco é o que se sabe... A conta já vai em 10 mil milhões de euros, e ainda este ano, mesmo depois de vendido, leva mais 800 milhões do orçamento do estado!


Foi também notícia que, interpelados pela comunicação social, nenhum dos dois bancos se dignou a tocar no assunto. Isto é, dois bancos deitaram fora quase 100 milhões de euros e acharam que não deviam explicações a ninguém. 


Já esta semana - anteontem - na apresentação dos resultados trimestrais do MBCP, Nuno Amado, o CEO cessante, questionado directamente, limitou-se a responder que só teve por objectivo defender os interesses do banco, que não tem vocação para participar no capital dos seus clientes. E que, devolver por 30 cêntimos ao Sporting cada VMOC por que tinha pago 1 euro, ter pago 135 milhões de euros e receber de volta (sabe-se lá quando) 40,5,  era um racional acto de gestão. Que é melhor perder mais de 70% da dívida (sim, ainda há os juros), mas receber alguma coisa, que não receber nada por um activo no Balanço.


À boa maneira do nosso jornalismo, a resposta serviu e não se falou mais nisso. Ninguém se lembrou de perguntar por que razão, então, o Banco subscrevera as VMOC´s.


É que, como o próprio acrónimo indica, trata-se de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis. Isto é, trata-se de uma categoria de obrigações que, no vencimento, é obrigatoriamente convertível em capital. Mas o negócio do BCP - e o do Novo Banco, onde certamente António Ramalho fará sua a resposta de Nuno Amado, porque nestas coisas os banqueiros são todos muito iguais - não é entrar no capital do que quer que seja...


O negócio dos bancos também é palavras. E algumas são proibidas: default é delas! 


 


 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Quem muito fala...

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É velho, tão velho que já é provérbio, que "quem muito fala, pouco acerta". O Presidente Marcelo não liga a nada disso - liga, e muito, aos ditos populares, mas não leva este a sério - e nunca se cala. Fala todos os dias, a todas as horas...


Ontem, era o orçamento para o próximo ano a fazer capa, que se não fosse aprovado pelos parceiros de esquerda do governo, teria de o ser pelo PSD. Se não... antecipava as eleições. Ainda ninguém se tinha apercebido de especiais desavenças na maioria parlamentar que pusessem em causa o próximo orçamento, mas Marcelo lá sabe... 


Hoje é que não se recanditará se tudo voltar este ano a falhar com os incêndios. Se ontem pouco acertava, hoje não se consegue ver onde é que acerta. Bem sei que há gente para quem Marcelo acerta sempre, para quem há Deus no Céu e Marcelo na Terra.  Para esses, o presidente-sol, está simplesmente a fazer uma ameaça que vai estilhaçar à sua volta tudo o que seja factor crítico de incêndio. Com sucesso garantido: para não perderem o seu querido presidente, os incendiários deixarão de incendiar, os pirómanos recolherão aos hospícios, os incautos deixarão de acender fogueiras ou de fazer queimadas, a protecção civil mudará tantas vezes de mãos quantas forem precisas, o Marta Soares vai para casa olhar pelos netos, e até o Centeno arranja uma bolsa sem fundo, abre-lhe os cordões e não faltarão Kamoves a cada esquina...


O problema é se há por aí um maluco qualquer que se queira ver livre dele...


 


 

domingo, 6 de maio de 2018

"A tragédia de Sócrates"

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Os mais mal intencionados verão uma relação qualquer entre o artigo de Fernanda Câncio, hoje no DN, e a posição que o PS revelou na semana passada, relativamente a Sócrates. Sabendo-se como é mal amada - não, não estou a fazer ironia - por grande parte do pessoal, em especial do mais conservador, não vai faltar quem lhe caia em cima a acusá-la de tudo e mais alguma coisa.


E no entanto este artigo de opinião da jornalista que foi namorada de Sócrates, que com ele privou na intimidade durante alguns anos e que assistiu por dentro ao luxo da vida do antigo primeiro-ministro, é verdadeiramente notável. Diz que foi enganada na intimidade, como todos o fomos publicamente. Que se sente abusada, como todos nós devemos sentir-nos. E que só ela, e só nós, podemos estar envergonhados, porque, ele, não tem nem nunca terá vergonha.


E, the last not the least, dá uma verdadeira lição ao PS e a António Costa que, en passant, acusa - e bem - de terem reagido tarde e mal, deixando claro que não é preciso qualquer julgamento de natureza criminal para condenar politicamente José Sócrates. Bastam os mais elementares critérios de avaliação de ética, de moral e de traição, fundamentais em política. E que isso deixa nua a hipocrisia do "à Justiça o que é da Justiça e à política o que é da política"!


 

sábado, 5 de maio de 2018

E pronto. Já está!


 


Foi o melhor Benfica dos últimos largos anos, em Alvalade. Uma equipa personalizada, ambiciosa, afirmativa, e capaz de se impôr claramente ao adversário, coisa que, como se sabe, nem sempre aconteceu ao longo desta época.


Rui Vitória fez o percurso que muitas vezes fazem os treinadores, de besta a bestial, em poucos dias. Ninguém dava nada por aquela equipa que decidiu apresentar hoje, sem Jonas e sem André Almeida. E com Douglas e Samaris...


E no entanto, o Benfica arrasou. Com Rafa em grande, espectacular mesmo, com Pizzi de regresso, e com o Jimenez dos grandes jogos, a sair do banco. Com uma primeira parte de grande nível, da qual deveria ter saído com uma vantagem de dois ou três golos. Logo no início, e descontados aqueles minutos de pirotenia que interromperam o jogo, a bola rematada por Rafa bateu no poste e não quis entrar. Voltaria a fazer o mesmo, meia hora mais tarde, quando depois de uma enorme defesa de Rui Patrício voltou a ir ao poste e a sair. 


O Sporting, na sua máxima força, engasgara porque Bruno Fernandes, o municiador do jogo da equipa, o cérebro e a sala de máquinas do futebol da equipa de Jorge Jesus, foi secado pela dinâmica do meio campo que o Benfica apresentou.


A segunda parte foi diferente, e o jogo conheceu então fases de equilíbrio. Seria difícil ao Benfica manter o mesmo ritmo endiabrado, e  o Sporting já tinha a possibilidade de reagir e reajustar posições. Mesmo assim foram do Benfica as oportunidades de golo, aquelas em que, sem o adversário já poder intervir, a bola acaba por não entrar. Do outro lado, as oportunidades que o Sporting conseguia criar eram sucessivamente anuladas pela defesa benfiquista, onde Jardel esteve insuperável. E Rúben Dias igual a si próprio, o que quer dizer bem, mas com aquela falta de cuidado na abordagem aos lances que tudo pode deitar a perder, e que o começarão a deixar marcado pelos árbitros.


Com as oportunidades desperdiçadas pelo Benfica, o Sporting acreditou que podia segurar o nulo, e passou a jogar para o zero a zero, recorrendo a tudo para destruir o jogo de ataque do adversário, incluindo à violência, como sucedeu especialmente com Bruno Fernandes. Mas também com Acuña e Piccini, sempre com Carlos Xistra a ver qualquer coisa, para que o VAR não pudesse ver nada.


No fim ficou um grande jogo, com o resultado, mais uma vez, a penalizar o Benfica, a deixar ingloriamente 4 pontos nos dois dérbis. A entregar o título o Porto e, à conta de um regulamento anacrónico que adopta, para uma competição de 34 jogos, o mesmo critério de desempate de uma eliminatória de dois jogos entre duas equipas, a relegar os ainda campeões nacionais para o terceiro lugar. Fora da possibilidade de discutir o acesso à Champions...


Há três semanas atrás faláva-se de penta, e ninguém admitia sequer tal hipótese. Hoje ainda se diz que não, que ainda falta um jogo. Mas o que é que há-de dizer quem há duas dizia que "ainda não acabou"?


Não foi hoje, nem em Alvalade, que o Benfica perdeu o campeonato. Nem sequer o segundo lugar. Foi na Luz. Há três semanas, perdeu o campeonato, quando na segunda parte fez como hoje fez o Sporting mas, ao minuto 90, deixou que Herrera fizesse aquele golo. E ao minuto 92 Artur Soares Dias fez o que sempre faz. E, na semana passada, perdeu o segundo lugar quando permitiu que o impossível acontecesse com o Tondela!


 


 


 


 

Karl Marx - bicentenário

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Nasceu a 05 de Maio de 1818, há precisamente 200 anos, e é um marco fundamental da filosofia política. Chama-lhe o teórico do socialismo mas, na realidade, teorizou o capitalismo. Analisou-o e dissecou-o como nunca ninguém fizera, na sua obra prima - "O Capital", com 151 anos - que continua a referência incontornável. 


E no fim, bem feitas as contas, acabou por lhe ser muito útil...

Todo um Tratado (Parte II)

 


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Quando se julgava que as declarações de vergonha e outras que tais, que finalmente ouvimos do PS a propósito de Sócrates, resultavam de uma posição maturada e assumida pelo partido, rendido às evidências e decicido a abandonar a suicida atitude de manter a cabeça debaixo da areia, eis que, aos poucos, vamos vendo que ... nada disso.


Primeiro, António Costa e, depois claro, logo toda uma multidão, vieram dizer que não foi nada disso. Que tudo não passou de umas declarações avulso de uns tantos que aproveitaram a boleia de Manuel Pinho e de ... Arons de Carvalho, em mais uma demonstração que ... o PS não aprende. 


Pior, o PS não aprende nada nem sabe aproveitar as oportunidades que lhe caem do céu, num ortodoxismo que julgavamos património exclusivo de outro partido. E isso deixa-me surpreendido, mais ainda do que se manifesta o próprio António Costa. 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Todo um Tratado

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O maior especialista em vitimização é agora vítima de mais uma injustiça: “A injustiça que agora a direção do PS comete comigo". Só porque o PS, politicamente encostado à parede, sem mais por onde fugir, teve que que quebrar o silêncio, teve mesmo de dizer alguma coisa depois do velho Arons de Carvalho ter feito prova de vida. Por mais desajeitada que fosse, como foi! E pelas pessoas menos indicadas. Ou talvez não...


A poucos dias do congresso que tratará finalmente do exorcismo, Sócrates, sempre a vítima, entregou o cartão. Não porque tenha "ultrapassado todos os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político”, mas porque foi o PS a fazê-lo " juntando-se à Direita política na tentativa de criminalizar uma governação".


É todo um Tratado...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Ler os outros: "Não tens nada que agradecer, Sporting"

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A ler o João Mendes, no Aventar:


"Nunca falta dinheiro para salvar bancos. Nunca. Pode faltar na Saúde, na Educação, na Acção Social ou na Cultura, mas para salvar bancos, o que muitas vezes significa assumir calotes de devedores multimilionários que, pela posição que ocupam, poucos ousam incomodar, nunca falta um cêntimo.


De igual forma, nunca falta nos bancos dinheiro para salvar clubes de futebol. Pode faltar para as famílias, pode faltar para as empresas de outros sectores de actividade, mas para salvar clubes de futebol, o que muitas vezes significa assumir os custos de operações que, por mero acaso do destino, encheram os bolsos de meia-dúzia de agentes e dirigentes desportivos, também não falta um cêntimo que seja.


Desta vez foi o Sporting. Podia ter sido o Porto ou o Benfica, pois também eles receberam as suas borlas no passado. Uns mais que outros, é verdade, mas nenhum com grande motivo para reclamar. Mas desta vez foi o Sporting. O BCP e o Novo Banco, falido e mantido a respirar com o dinheiro dos contribuintes portugueses, perdoaram quase 95 milhões de euros de dívida que o Sporting tinha para com estas duas instituições bancárias. Reestruturaram-lhe a dívida, prática considerada profana num passado não muito distante.


Os dois bancos, tal como o Banco de Portugal, recusaram responder às perguntas dos jornalistas da SIC. Compreende-se: não é fácil de explicar. Principalmente quando um dos mecenas é um banco intervencionado pelo Estado, supostamente a parte boa que sobrou de um atentado terrorista contra os portugueses e contra as finanças públicas do país, onde só este ano iremos enterrar qualquer coisa como 800 milhões de euros. Num país onde existem crianças a fazer quimioterapia nos corredores do Joãozinho. Não tens nada que agradecer, Sporting".

Cinquentenário - Maio de 68 (II)*

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A década de 60 terá sido das mais gloriosas – deixem-me chamar-lhe assim - do século passado, com uma rara concentração de factos e acontecimentos históricos decisivos. Se tivéssemos que escolher um ano para príncipe dessa década, provavelmente 1968 seria o escolhido: Martin Luther King e Robert Kennedy, depois do seu irmão, o presidente John Kennedy, cinco anos antes, foram assassinados; Nixon foi eleito presidente da América, onde o protesto contra a guerra no Vietname rompia com o “establishment” e abria portas a novas formas de activismo político, que atravessaria o Atlântico para se instalar e ganhar forma de revolução nas ruas empedradas de Paris.


Tudo começou na universidade, como então acontecia por todo o lado, ou não fossem os estudantes de 60 a vanguarda revolucionária do Ocidente, mas depressa atravessou a sociedade e chegou às fábricas, atropelando todas as estruturas orgânicas. Revolução tão curta mas tão profunda, que proibia que se proibisse e proclamava o realismo de exigir o impossível, nunca se vira. Nem nunca mais se viu!


Foi há 50 anos, o Maio de 68. Durou menos de um mês, a 30 de Maio De Gaule anunciou eleições para Junho, e tudo voltou ao seu lugar. Mas – não tenham dúvidas - nada ficou na mesma. Mesmo que De Gaule tenha voltado a ganhar nas eleições de 23 de Junho…


Tudo voltou ao seu lugar, mas o lugar que cada um encontrou de volta já não era, nem nunca mais foi, o mesmo.


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Mais do mesmo, mesmo que insustentável...

 


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Era difícil de imaginar que, depois de tudo o que se soube sobre o que se não fez e o que se escondeu nos incêndios do início e no fim do Verão passado, ainda houvesse mais, do mesmo, para se saber. O que, trazido pelo "Público", ontem encheu o dia noticioso foi mais, do mesmo!


Mais improviso, mais negligência, mais incapacidade. Mais truques e faltas de escrúpulo. E mais um relatório escondido. Bem... não estava escondido; apenas estava a "cumprir o segredo de justiça". Francamente, pior era difícil!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Ilusório é isto mesmo

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O desfecho final da eliminatória pode até sugerir grande equilíbrio de forças, muita incerteza no resultado e invugar emoção até ao apito final. Mas não foi nada disso que se passou na outra meia-final: o 5-2 de Liverpool foi, antes e durante praticamente todo o jogo, 5-0. Do massacre à displicência foi uma questão de minutos: os minutos finais que tornaram um resultado vexatório - se é que isso existe - num 2-5 que não era nada pior para a Roma que os revertidos 1-4 de Barcelona.


O 4-2 de hoje, em Roma, não tem uma história muito diferente. O Liverpool voltou a mostrar ser imensamente superior, só que, mais uma vez, rapidamente passou da superioridade à displicência. Enquanto foi a valer o domínio da equipa inglesa foi indiscutível; os romanos apareceram quando, por muito que fizessem, já não podiam fazer coisa nenhuma. O Liverpool esteve grande parte do tempo a ganhar, depois tolerou o empate e, no fim, nos últimos minutos - a 4 dos 90 e outros 4 depois dos 90 - o resultado acabou a um só golo do prolongamento. Que nunca passou pela cabeça de ninguém!


Mas, claro e sem dúvida nenhuma, a Roma foi uma equipa rija, caiu de pé e com honra. E teve sempre o grande mérito de não se deixar abater. De, à beira do precipício, se agarrar à vida. Mas nada que tenha a ver com o espectacular 7-6 que fechou a eliminatória.


O Liverpool foi muito superior. E será um osso bem duro para o Real Madrid roer em Kiev, no próximo dia 26!

terça-feira, 1 de maio de 2018

Cinquentenário - Maio de 68

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Comemora-se hoje mais um cinquentenário. Faz hoje 50 anos que, em Paris, os estudantes ocuparam a universidade de Nanterre, abrindo um mês que prometeu mudar o mundo, quebrando tudo o que havia para quebrar e rompendo com tudo o que havia para romper.


Não durou muito, e foi por pouco tempo que foi "proibido proibir". A "imaginação não chegou ao poder", e De Gaule até foi mesmo reeleito. Mas foi bom enquanto durou. E bonito, muito bonito...

Onze contra onze, e no fim...

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Mudou o velho paradigma do futebol. Agora é: onze contra onze e no fim ... No fim ganha o Real Madrid!


Os madrilistas estão na terceira final consecutiva da "Champions". Na quarta nos últimos cinco anos. E no entanto hoje foram completamente dominados pelos alemães (pois é - o paradigma) do Bayern de Munique. Muitas vezes atropelados, e algumas mesmo cilindrados. 


Já nos quarto de final tinha sido o que foi, com a Juventus. Desde os oitavos que, em Madrid, o Real sofre a bom sofrer, sempre muito abaixo do nível dos adversários. Ganhou ao PSG, apesar de dominado. Perdeu depois com a Juventus, e só não ficou de fora porque, no último minuto, lá apareceu um penalti salvador.


Hoje foi o que se viu: o Bayern confirmou por completo a superioridade que já exibira em Munique. Mas na "Champions" é mesmo assim - no fim ganha o Real Madrid! 


Em Kiev, dentro de três semanas, é provável que isso se confirme de novo.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...