quinta-feira, 10 de maio de 2018

Eleições à vista*

Resultado de imagem para marcelo e antónio costa e as eleições legislativas 2019


 


Já se percebeu que as eleições do próximo ano, que toda a gente anda já a cheirar, vão correr sob dois temas inevitáveis: incêndios e Sócrates.


Não há volta a dar, e os dados estão lançados.


António Costa, tal como há um ano, andava feliz da vida. Tudo lhe corria bem, o sol brilhava e não havia nuvens. Foi tanto assim que, de início, nem ligou muito aos incêndios de Junho; já então foi preciso que o presidente Marcelo lhe chamasse a atenção.


Era uma grande injustiça, sentia o primeiro-ministro: estava tudo a correr tão bem, e logo tinha que aparecer esta chatice…


Um ano passou, e tudo voltava a estar a correr bem. Os incêndios faziam parte do passado, agora limpavam-se as matas, em festa. Já só faltava um ano para as eleições, e as contas não se faziam por menos – maioria absoluta, limpinho!


Da oposição vinham boas notícias, e Rui Rio era fixe. A esquerda da geringonça podia ser, se não descartada, reduzida à sua insignificância.


A 25 de Abril o presidente Marcelo começou a dizer umas coisas. Nada de importante, nada que António Costa não arrumasse em dois tempos: aquilo era como a “arte moderna”, que não é fácil de entender. E então o presidente passou a tornar-se mais fácil de entender, a ponto de, hoje, pouco mais de duas semanas depois, já toda a gente o perceber bem.


Tudo mudou, e hoje já ninguém brinca em serviço. A seguir a Sócrates veio Manuel Pinho, e a seguir Mário Lino. E Paulo Campos e António Mendonça… E sabe-se lá que mais…


E já nada está preparado para a época de incêndios que aí vem, de pouco valendo se as matas foram ou não foram limpas. O topo da pirâmide da Protecção Civil continua nas mãos de boys, que continuam a cair que nem tordos, uns atrás dos outros, viciados em licenciaturas manhosas. E toda a gente grita que não há meios. Não há aviões nem há coisa nenhuma…


E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!


Mas – a tragédia, meus amigos – já aí está. Até aqui havia “N” motivações para criminosos e pirómanos acenderem fogos. Agora há “N” e mais uma, mais clara que nunca: derrubar um governo!


Não é coisa pouca. E não há inocentes nesta história…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

3 comentários:

  1. "E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!"
    Nem que Cristo desça à terra?

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  2. Então e o Ricardo Salgado? E o Zeinal Bava e o Vara e o Granadeiro?
    Manuela

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  3. O que eu sei é que vi na TV um casal que vive numa aldeia muito indignado porque tinha de cortar as árvores que estavam à volta da sua casa. Até percebo a indignação porque,se houver um incêndio, somos nós, os das cidades,que não temos árvores à volta das nossas casas quem vai pagar a reconstrução. E com a bênção do Presidente da República!
    Manuela

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