quinta-feira, 29 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Linha de passe é uma das expressões do futebolês mais directas e mais claras. É de utilização exclusiva em futebolês – não se presta portanto a confusões – e percebe-se claramente ao que vem: é uma linha imaginária por onde a bola pode passar até chegar a um colega de equipa.


Percebe-se assim que compete aos jogadores duma equipa abrir ou criar linhas de passe para os seus colegas e tapar as linhas de passe da equipa adversária, na fundamental e mais excitante das dialécticas do jogo. Encontrar as melhores respostas para esta dialéctica é o desafio que se coloca à dimensão táctica e à dinâmica de jogo. É disto que os treinadores terão que se ocupar! Está aqui uma das valências técnicas das competências gerais de um treinador de futebol, uma das mais exigentes actividades profissionais da actualidade.


As restantes passam pela comunicação – interna e externa – e pela gestão dos diferentes recursos, muito especialmente dos humanos, com especial ênfase na gestão psicológica - individual e de grupo – e na questão motivacional.


É principalmente aqui que tenho frequentemente sido crítico com Jorge Jesus. É aqui que lhe encontro os mais evidentes pontos fracos! E era, pensava eu, por outros – entre os quais ele próprio - terem chegado à mesma conclusão, que foi anunciada a contratação dos serviços do Prof. Manuel Sérgio!


Mas, ou porque não tenha ainda iniciado funções ou porque Jorge Jesus revele dificuldades de aprendizagem, a verdade é que a nova época arrancou carregadinha de erros básicos. De palmatória e cujo preço irá ser pago a curto prazo!


Sou levado a crer que seja mesmo por dificuldades de aprendizagem. Digo isto porque acabo de saber, pelo próprio Jesus que, sentindo a responsabilidade pela grandeza do clube, tomou a decisão, logo que chegou ao Benfica há dois anos atrás, de fazer um curso de comunicação. Como os resultados são conhecidos, subsistem apenas duas hipóteses: sérias dificuldades de aprendizagem ou burla nítida da entidade formadora. Desconhecendp-se qualquer reclamação – a única conhecida respeita ao Banco Privado Português – resta a primeira.


Em vésperas do primeiro – e decisivo, tão decisivo quanto o fora há um ano o desafio da supertaça com o Porto – jogo da época, onde se jogava o acesso à Liga dos Campeões – a mais importante e ambicionada prova do calendário mundial – Jorge Jesus voltou a demonstrar exuberantemente as suas incompetências. Em primeiro lugar porque ficou demonstrado que não tinha a equipa preparada para este desafio, ficando por provar que não tivesse recursos suficientes para, em particular porque era o mais gritante, constituir uma estrutura defensiva para encarar o jogo. Depois, perante essas evidentes dificuldades, optou por uma estratégia de salvar a pele, resguardando-se de um perspectivável insucesso com a incrível declaração de que a Champions não era objectivo prioritário do Benfica: na véspera de um jogo decisivo – pelas consequências desportivas e financeiras talvez o mais importante jogo da época – o treinador vinha dizer que aquele jogo não importava para nada, que os objectivos da equipa não passavam por ali. Inacreditável!


Depois, ainda, veio a cobertura dada ao inaceitável comportamento de Luisão. Que chegou quando quis, depois de mais de um mês de declarações impróprias e intoleráveis que reafirmou logo à chegada. Não poupou nas palavras, cortando todas as linhas de passe que a administração procurasse para resolver o conflito que ele despropositadamente abrira. Seguiu-se o inenarrável episódio Maxi Pereira: um jogador que jogara (e ganhara) a final da Copa América no domingo, em Buenos Aires, que viajou para o Uruguai (recorde-se que, no arranque da Copa América, se dizia que o Benfica teria um jacto privado na Argentina para, logo no domingo, trazer todos os seus craques), onde participou dos festejos com os seus compatriotas e onde foi ainda conhecer os seus filhos gémeos, entretanto nascidos, e que chegaria a Lisboa no próprio dia do jogo, poderia afinal alinhar! Inacreditável a este nível competitivo! Mas, para além de tudo, um atestado de desconfiança para o plantel que trabalhara toda a pré-época, aos jogadores que ele próprio contratou e um atestado de incompetência a si próprio em matéria de contratações.


E Maxi Pereira jogou mesmo. Não entrou de início porque – e esta é mais uma das asneiras – jogou o Rúben Amorim, que não jogava há oito meses nem estivera na preparação da época.


E jogou o Luisão. E foi o capitão, como nada se tivesse passado.


E, como se nada se tivesse passado, parece que a administração da SAD do Benfica se prepara para ceder à habitual chantagem de Verão do Luisão, revendo-lhe mais uma vez o contrato. Tem sido assim todos os anos!


Parece mesmo que treinador e estrutura de gestão estão unidos na tarefa de cortar as linhas de passe para o sucesso. Porque, não haja dúvidas, tudo isto se paga. E bem caro!

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Seja por vontade da troika, do governo ou de ambos aí estão as alterações à legislação laboral e ao seu alfa e ómega: o despedimento individual sem justa causa!


Entendem residir aqui o principal estrangulamento e o decisivo factor do défice de competitividade da nossa economia. Ao resolver este problema abrem-se as portas do crescimento económico e fecham-se as do desemprego!


Claro que ninguém acredita nisto. É tão evidente que isto é o resultado dos ventos que sopram, e que são muito difíceis de contrariar – todos temos que compreender - quanto óbvio que não vai resolver nenhum dos verdadeiros estrangulamentos da nossa produtividade, da nossa competitividade e do nosso crescimento. Não era preciso muito mais para que isto já fosse uma razoável trapalhada!


Mas, discutir na Assembleia da República a fixação da indemnização por despedimento em 20 dias por ano de trabalho quando já está nos jornais, e é público, que o que se pretende é fixa-la nos 10 dias, é uma trapalhada inaceitável. E ver um Secretário de Estado – o jovem Pedro Martins -  gaguejante, a meter os pés pelas mãos, completamente atrapalhado que a nada consegue responder nem nada consegue justificar, apenas transforma uma razoável trapalhada numa gigantesca trapalhada.


E remete-nos para um problema que se desvalorizou aquando da constituição do governo: a falta de capacidade política de grande parte dos seus membros. Lembro que este foi um dos problemas que muitos observadores – entre os quais me incluo – se apressaram a a transformar em virtude, porque – era mais ou menos isto – de políticos estávamos todos fartos. Precisávamos era de gente nova, sem vícios, e de forte perfil técnico!


Parece-me que começamos agora a, como diz o povo, torcer a orelha. As coisas não são explicadas, os ministros ou não falam – como é, por exemplo, o caso do super ministro da economia – ou, se falam, como o das finanças, não dizem nada. Não explicam, não esclarecem, não justificam!


Isto é, a comunicação neste governo está transformada – também ela – numa grande trapalhada. É certo que estamos fartos do uso e abuso da comunicação – da poderosa máquina de propaganda que era a comunicação no governo anterior – mas é preciso explicar as coisas. Direitinho, sem floreados, na exacta medida do que precisamos de perceber!

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Telma Monteiro


Foi deveras emocionada, numa luta gigantesca desta feita contra as lágrimas que, aos 35 anos, Telma Monteiro se despediu dos Jogos Olímpicos de Tóquio, naquela que foi a sua quinta participação olímpica.


Hexacampeã europeia, quatro vezes vice-campeã mundial e medalha de bronze nos último Jogos, no Rio de Janeiro, Telma queria mais de Tóquio e não escondeu a frustração, sublimada com o precoce anúncio que estará em Paris em 2024.


Que possa estar, que consiga estar, mas para responder a mais um desafio, não a esta frustração. A Telma só tem que se orgulhar da uma carreira brilhante que fez dela um mito do judo em Portugal. Mais nada!


 

domingo, 25 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Deixou de se falar na privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e ainda bem. Bom, mas sabemos que a privatização dos negócios dos seguros e da saúde é mesmo para a avançar o que, confesso, não me parece mal!


Pela mão da nova administração, de que pouco tenho ouvido falar. Daí que decidisse meter os pés a caminho até à João XXI para dar uma espreitadela.


Chego lá e encontro logo António Nogueira Leite: o homem de Passos Coelho para as coisas das Finanças. E que não quis ser ministro… E que entra na administração da Caixa acabando de atravessar a porta de saída do Grupo José de Mello, o dos negócios na Saúde!


Incompatibilidades? Não, mas se as houver é o próprio vice-presidente que nos tranquiliza: já avisou que sairá da sala sempre que em discussão estejam temas que suscitem conflito de interesses entre as suas novas e as suas anteriores funções. Descansado, portanto!


A seguir encontro Eduardo Paz Ferreira, Pedro Rebelo de Sousa e Álvaro Nascimento, todos advogados de negócios, que, evidentemente, nunca conflituarão com os da Caixa! Pedro Rebelo de Sousa, por exemplo, é apenas advogado da italiana ENI, accionista da GALP – e player decisivo no processo de recomposição accionista – onde a CGD tem igualmente um papel a desempenhar. Mas também da Compal, em contencioso com a Caixa no negócio Sumolis/Compal… Não tenho dúvidas que, também ele, saberá encontrar a melhor maneira de resolver esses conflitos de interesses… Se se vierem a colocar, evidentemente!


Depois encontro uma pessoa que não conheço e que não faço ideia do que lá esteja a fazer: chama-se Nuno Fernandes Thomaz. Dizem-me que está lá em representação de Paulo Portas.


Não resisto a manifestar a minha surpresa: “Ah! Não sabia que já tinham privatizado alguma coisa da Caixa e que o Paulo Portas era accionista”!


Corrigem-me: “não, não houve privatização nenhuma, representa o ministro dos negócios estrangeiros. Percebo então que é o Ministério dos Negócios Estrangeiros que tem m lugar na Administração… “Não? Também não”? Pronto, não quero mais explicações…


Sigo em frente e encontro então Norberto Rosa, Jorge Tomé, Rodolfo Lavrador e Pedro Cardoso. Estes sim, conheço-os! E sabem o que estão lá a fazer, já vêm de trás. Aproveito e dou um abraço ao meu amigo Jorge Tomé que, para além de meu antigo colega e amigo, é um homem altamente competente e conhecedor do negócio, com muitos anos de banca e de CGD.


Já só me faltam os dois do topo: José Agostinho de Matos e Faria de Oliveira. Dizem-me que o primeiro é o novo CEO – o presidente executivo – e que Faria de Oliveira passa agora para chairman – mantém-se Presidente do Conselho de Administração, mas agora como figura decorativa, sem funções executivas.


Estou no fim do corredor e interrogo-me: porquê este modelo? O que é que faz um chairman numa sociedade com um único accionista – o Estado? E por que é que houve tanta preocupação em reduzir o número de ministros e, agora, a administração da CGD cresce desta maneira? Passa de sete para onze! Mais quatro: cresce 57%!


Não preciso de fazer grande esforço para encontrar as repostas: são os sete necessários, conforme as anteriores composições, mais um a representar o Presidente da República e outro o Primeiro-Ministro. O terceiro, como acima deixei perceber, não sei bem quem representa: se Paulo Portas – himself -, se o CDS ou se o MNE. Finalmente, o quarto – Faria de Oliveira – representa-se a si próprio. Então para onde é que haveria agora de ir? Cria-se um novo lugar e resolve-se o problema!


Não tivesse eu ouvido o Ministro da Finanças afirmar-se “or-gu-lho-so” da equipa que nomeou para a Caixa e estaria seriamente preocupado com a abertura da nova época dos jobs for the boys!

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)

OTELO 6 – EPHEMERA – Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira


 


Otelo Saraiva de Carvalho, ou simplesmente Otelo. O Óscar do 25 de Abril. Romântico, genuíno, ingénuo, controverso sempre. Mas... pá, sempre o "25 de Abril sempre" ... pá!


E sempre, pá, na História no nosso Portugal. Amado e odiado, como todos "daqueles que por obras valerosos da lei da morte se vão libertando"!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Uma conhecida empresa de transportes de mercadorias entrou em insolvência. A assembleia de credores decretou a liquidação da empresa!


Entretanto surge uma empresa do ramo interessada em adquirir os activos da massa falida, pagar aos credores e garantir os 126 postos de trabalho, assumindo os respectivos contratos de trabalho!


Os trabalhadores tinham tomado uma série de iniciativas – entre as quais marchas lentas na zona da grande Lisboa e mesmo uma frustrada incursão pela capital, com passagem por S. Bento – para tornar público o seu desespero. Mas, logo que se acende aquela luz ao fundo do túnel, eis que surge o delegado sindical: alto e pára o baile! “Um delegado sindical tem que duvidar disto: é preciso avaliar bem o que é que os trabalhadores ganham com esta situação”!


É verdade. Eu ouvi isto! Gente extraordinária mesmo…

sábado, 24 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


É curioso reparar como as palavras têm pesos diferentes conforme as diferentes circunstâncias. É caso para também dizer que as palavras são elas mesmas – as palavras – e as suas circunstâncias!


Palavras ou expressões que uns se recusam a pronunciar mas que outros não encontram sequer um sinónimo para alternativa. Tudo isto sem que muitas vezes se perceba muito bem por quê, mas a verdade é que há palavras e expressões que, se a uns queimam, a outros refrescam!


Na política isto é recorrente!


São muitos os exemplos – prometo que voltarei ao tema – mas, por hoje, detenho-me em dois que estão na ordem do dia.


Na passada quinta-feira toda a gente aplaudiu as notícias que chegavam da cimeira europeia. Pelas decisões sobre a Grécia mas particularmente pelo que nos tocou a nós na componente do resgate financiado pela UE: com a quebra significativa na taxa de juro e o alargamento do prazo de reembolso para o dobro.


Isto é, regozijámo-nos porque, finalmente, a UE reconheceu aquilo que, há muito, uma boa parte da sociedade portuguesa reclamava: a necessidade de reduzir a taxa de juro e alargar o prazo. Porque, independentemente de serem ou não criadas as condições para trocar políticas económicas recessivas por outras de crescimento – e é aí que está de facto a chave do problema -, sem essa reformulação não era mesmo possível pagar a dívida.


Toda a gente o percebia, toda a gente o reclamava - excepto o ministro das finanças (o que tem que se compreender) que, quando lhe falavam nisso, dizia de imediato que isso não era importante e nem sequer para já – e toda a gente lhe chamava reestruturação da dívida! Expressão maldita para o governo – para facilitar chamemos-lhe assim – e para a direita, mas que a esquerda sempre utilizou. A direita, ou mesmo o chamado arco do governo, teve medo da expressão logo que ela foi introduzida na discussão pública pela esquerda. Pela conotação e pelas agências de rating, e por isso nem sequer ousava falar na redução da taxa de juro…


E, no entanto e em qualquer circunstância, alterar condições tão determinantes – mesmo as mais determinantes – de uma operação de financiamento é reestruturá-la. Com todas as letras!


O outro exemplo que me ocorre vai - pode dizer-se – em sentido contrário. Na abordagem da actual e dramática situação portuguesa é comum ouvir-se dizer que ela resulta de termos andado a viver acima das nossas possibilidades. Esta é uma expressão – e permitam-me mais uma vez que simplifique – usada pela direita mas que indigna a esquerda, que contrapõe com a impossibilidade de alguém que ganhe os salários mais baixos e mais desiguais da Europa gastar acima das possibilidades.


E é de facto chocante admitir que quem ganha 500 euros – muitíssima gente, pois o salário médio nacional ronda os 700 – e que tem que pagar a água, a electricidade, o gás, a renda de casa e as mais básicas das despesas básicas viva acima das suas possibilidades. E no entanto todos percebemos que, enquanto país, andamos há muitos anos a viver não do que produzimos mas do que nos emprestam. Isto é, de facto acima das nossas possibilidades! E percebemos isso tão claramente quanto isso nos entra pelos olhos dentro: basta olhar para os automóveis que circulam nas nossas estradas e nas nossas cidades! E já nem digo para que se compare com o que se vê na Holanda, na Dinamarca, na Finlândia, na Noruega ou na Suécia, só para referir alguns dos mais ricos dos países mais ricos do mundo!


Pois é: da mesma forma que a direita não quer ouvir falar de reestruturação da dívida porque isso mexe com os mercados financeiros, também a esquerda se recusa a ouvir falar de vivermos acima das nossas possibilidades porque isso mexe com a sua suposta base social de apoio. E pur si muove !

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boashttps://quintaemenda.blogs.sapo.pt/95382.html


 


Na passada quinta-feira tive de me deslocar à estação dos CTT para levantar um registo. Cheguei e, quando me preparava para sair o carro, já com a porta aberta e ainda a pegar na carteira e nos óculos, vejo-me rodeado de três concidadãos – entre os vinte e os tinta e poucos anos – de uma das mais antigas minorias étnicas instaladas no nosso país. Olho à volta e vejo mais uns quantos com as mãos cheias de notas que iam arrumando nos bolsos. Os que me rodeavam olhavam pormenorizadamente para o carro e, sem mais nem menos, um deles pergunta: “é 5.25 ou 5.30”?


Dei uma resposta! “É igual ao meu”, retorquiu de imediato o mesmo que iniciara o interrogatório que, sem mais demoras, lançou uma nova série de perguntas às quais fui respondendo afirmativamente até perceber que teria que encontrar uma resposta negativa: “não, não tem caixa de cd`s”! “O meu tem” – concluiu o meu inesperado interlocutor. “Pois, o teu tem os extras todos … “, sentenciou um dos seus acompanhantes, enquanto eu aproveitava aquela oportunidade única para fechar o carro e começar a afastar-me em direcção à porta da loja, logo ali.


A loja estava cheia de homens, mulheres e crianças – familiares e amigos do pequeno grupo que deixara para trás, mas que também já entrava porta dentro – num berreiro infernal que deixava os dois únicos funcionários em atendimento de cabelos em pé.


Cada um tinha na mão um cheque da Segurança Social – e percebi então a primeira imagem que me tinha ficado – que, passadas as formalidades das assinaturas e da apresentação do cartão de cidadão, era transformado numa mão cheia de notas. Também a mão do meu anterior interlocutor – o da frase “é igual ao meu” –, agora já abraçado à mulher que dentro da loja lhe garantia a vez, exibia o título que rapidamente se transformaria em notas.


Rendimento mínimo, evidentemente! Não! Rendimento de Inserção Social!


De inserção social?


No sábado – ontem – fui ao mercado municipal. Fora encerrado pela ASAE mas já estava de novo em funcionamento!


Os muretes da frente, que delimitam o parque de estacionamento, lá estavam, como em todos os sábados, cobertos de lenços, cuecas, calças, vestidos, saias, t shirts, camisas e pólos. De todas as marcas… Só que, desta vez, uma boa parte da exposição estava tapada por um verdadeiro (não, não era contrafeito) BMW, de portas e capot abertos. À sua volta um grupo de concidadãos, que eu tinha encontrado num lado qualquer, espreitava-o de todos os ângulos…


“É igual ao meu”!

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Cadel Evans ganha!


Andy Shleck não podia ficar fora dos dez primeiros no contra-relógio. Ficou bem fora e, pela terceira vez consecutiva, faz segundo.


Justo? Injusto? Não adianta, o Tour é a maior prova do ciclismo mundial e o contra-relógio faz parte da corrida. Diz-se até que é a prova da verdade… Será?


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


No mais improvável país, na mais improvável cidade e na mais improvável sociedade surge um dos mais dramáticos atentados terroristas.


Habituamo-nos a associá-los ao fundamentalismo islâmico. Este mostra-nos que não há só fundamentalismo islâmico. Ou que o fundamentalismo não é mais do que o mimetismo da loucura!


Este criminoso louco declara-se de orientação cristã fundamentalista: não é fundamentalista de coisa alguma nem tem orientação nenhuma! Roubou criminosamente a vida a perto de 100 cidadãos e ameaçou a paz e a tranquilidade de milhões de seres humanos!


Neste mundo actual há cada vez menos lugares seguros para viver. E isto é que é verdadeiramente dramático!

Aí está Tóquio 2020


 


Começam hoje, um anos depois da data para que estavam marcados, os Jogos Olímpicos de Verão2020, a XXXII olimpíada da era moderna, Tóquio 2020. Que a pandemia atirou para 2021, e que até hoje, dia da abertura, ameaçou cancelar.


Vão mesmo realizar-se, mesmo que já com com casos positivos de covid 19 entre os atletas participantes. Mais que os segundos a acontecer em Tóquio - que se torna, assim, na primeira cidade asiática a receber por duas vezes os Jogos Olímpicos, a primeira tinha acontecido em 1964 - serão sempre os Jogos Olímpicos da pandemia.


E são os primeiros sem público nas bancadas. Bem podem os atletas fazer aqueles habituais gestos de pedido de apoio... Não vai haver, como se não vão ouvir aquelas palmas a compasso que marcam as corridas para o tabuleiro de chamada para os saltos.


Também na aldeia olímpica nada será como dantes. Até as camas são de cartão. Uma questão de sustentabilidade, diz a organização. Mas talvez tenha mais a ver com a tradução de forrobodó para o japonês.


 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Continuamos em tempo de pré-época, em tempo de aquisições!


Não se trata de repetir as contratações de uma das últimas edições (número 79) do futebolês, não obstante serem, obviamente, sinónimos. No futebol há muitas aquisições ou, melhor dito, adquire-se tudo o que se adquire noutra actividade qualquer, quase sempre sem olhar a meios. Contudo, em futebolês, não se adquire outra coisa que não sejam jogadores: aquisições é de jogadores. Como compras, um sinónimo verdadeiro. No futebol tudo se compra – mesmo o que não está à venda – mas em futebolês também as compras, como as aquisições, se referem exclusivamente a jogadores.


Em boa verdade as aquisições têm uma abrangência mais larga que as compras. As aquisições não se esgotam nas compras. Adquirem-se jogadores por compra, mas também por empréstimo. E ainda a custo zero, que é uma transacção inventada pelo futebolês, como uma terceira via: não é compra nem empréstimo. Mas também, por estranho que pareça, por roubo: é verdade, também há aquisições por roubo!


Como as empresas têm uma política de investimentos ou até políticas de compras, também os clubes têm a sua política de aquisições. Estrutura fundamental dessa política é o departamento de prospecção que, em futebolês, se chama scouting.


O Benfica tem uma política de aquisições que passa pelo empréstimo – normalmente com uma cláusula de opção de compra no final –, como foi no ano passado o caso do Salvio e este o do Eduardo, pelo custo zero – como foram os casos do guarda-redes brasileiro Artur Moraes (ex-Braga), e do espanhol Nolito (ex-Barcelona) – mas, fundamentalmente, pela compra no mercado sul-americano, em resultado de aturado trabalho de scouting. Na variante de empréstimos o sucesso do negócio está no valor fixado para a opção de compra. Quem empresta fá-lo por uma de duas razões: ou porque aposta em manter o jogador e apenas o pretende colocar a rodar noutra equipa, ou porque pretende desfazer-se dele mas não o consegue vender. No primeiro caso, evidentemente, cláusula de opção de compra não faz qualquer sentido. No segundo sim. Mas aí o jogador está obviamente desvalorizado, pelo que não faz nenhum sentido negociar o empréstimo sem salvaguardar um baixo valor de compra.


É este o estranho caso do Sálvio. O jogador estava desvalorizado e, no entanto, o Benfica aceitou – embora sempre me tenha parecido que havia por aqui alguma coisa mal explicada – a fixação da opção de compra em 15 milhões de euros. Valorizou o jogador e, depois, era caro!


Um erro, evidentemente. Outros têm sido aqui denunciados!


Scouting do Benfica tem indiscutivelmente rivalizado com os dos melhores clubes europeus, detectando, identificando e negociando com muitos dos maiores talentos que brotam do lado de lá do Atlântico.


A política de aquisições do Porto é diferente. Passa pela estratégia pessoal de Pinto da Costa que se sobrepõe a qualquer estratégia de gestão do clube. E que, habilmente sem dúvida, ele trata de fazer confundir. Pinto da Costa acha que o seu sucesso não se mede por critérios objectivos de gestão desportiva, acha que, antes de tudo, se mede pelas acções em que faça crer que achincalhou o Benfica!


Nesta estratégia não há competição em livre concorrência. Nem ética de negócio. Vale tudo, como na selva.


O Porto não precisa da tal estrutura de scouting, porque parasita a do Benfica, como Pinto da Costa orgulhosamente sustenta. A Jardel, Deco  e Cristian Rodriguez (que, sendo formalmente diferente, não o são na substância) Alvaro Pereira, Falcao e James Rodriguez juntam-se agora os jovens brasileiros Alex Sandro e Danilo, conforme aqui tinha previsto.


O Benfica identifica os jogadores e inicia as negociações. Depois surge Pinto da Costa e cobre as ofertas: 10 milhões pelo primeiro e 13 pelo segundo, que tinha uma cláusula de rescisão de apenas 6,5 milhões de euros. A partir daqui qualquer um em negociação com o Benfica já sabe que Pinto da Costa aparecerá a cobrir!


A estratégia de Pinto da Costa é projectar-se a si próprio antes de qualquer outra coisa. Á saída de André Vilas-Boas teve como preocupação única safar a sua imagem pessoal de líder sagrado e infalível. O esperto que ninguém consegue enganar. A renovação do contrato de Falcao, antes de ser um grande negócio para o FC Porto – que está por provar e é o mais estranho dos estranhos negócios do futebol – é uma operação de imagem pessoal: um botox. Estas duas aquisições – 23 milhões de euros dificilmente justificáveis – têm como objectivo único projectar a sua imagem num espelho de humilhação do Benfica. Mas para seu desespero o Benfica é demasiado grande! Nunca o humilhará nem o diminuirá. Antes pelo contrário: reforça-o! Porque, desta forma, os benfiquistas perdoam os erros que os responsáveis têm acumulado nas aquisições. Que, mais do que de uma ou outra hesitação que num ou noutro momento possa ter aberto uma ou outra  brecha aproveitada pelo lobo mau – sempre à espera do capuchinho vermelho - resultam da falta de critério. Com compras em massa, em vez de selectivas, muitas dessas aquisições nem sequer chegam a pisar o relvado do Seixal, quanto mais o da Luz!


 

"A espuma dos dias"

Série Cinema #EmCasaComSesc | Portal Oficial de Belo Horizonte


(Imagem daqui)


São muitas e diversas as circunstâncias em que, por razões de segurança, temos de nos sujeitar a procedimentos de revista policial, em que temos de nos deixar apalpar. Nessas circunstâncias o que acontece é homens (polícias) apalparem homens, e mulheres (polícias) apalparem mulheres. É - ou pelo menos era - sempre assim, fosse à entrada para um estádio de futebol, fosse para muitos outros eventos. Até nos aeroportos, quando não há greve...


De resto, apalpar, nessas circunstâncias, é até um excesso de linguagem.


Mas isso era dantes. A pandemia mudou tudo, e hoje estes procedimentos de segurança têm que ser muito mais assertivos. Isto já lá não vai com apalpões. Pelo menos para alguns - algumas - a avaliar por uma queixa que faz a espuma destes dias.


Queixa-se um grupo de mulheres que, no seguimento de uma manifestação pelo clima que paralisou o trânsito na Rotunda do Relógio, em Lisboa, foram levadas para a esquadra onde, para as revistarem, os polícias as fizeram despir. Todinhas, cuecas e sutiãs fora, também. E que - queixam-se ainda - não tivessem qualquer coisa escondida no mais interior da sua intimidade, foram obrigadas a posições que melhor permitissem o cabal desempenho da revista.


Diz-se que os manifestantes eram cerca de 200. E que desses 26 foram identificados e conduzidos à esquadra dos Olivais. Homens e mulheres. Diz-se ainda que eles foram sujeitos a uma simples revista superficial. Elas, mulheres entre os 25 e os 31 anos, eram, pelos vistos, muito mais perigosas.


A acção de protesto chamava-se "em chamas". E o movimento que a organizou, e a que pertencem as mulheres obrigadas a despirem-se e os homens levemente revistados, "Climáximo". Podiam ter outros nomes, mas têm estes.


A PSP nega tudo, e garante que se limitou aos "procedimentos de segurança legalmente admissíveis". Mas não se livra da queixa-crime. Nem de ser acusada de "de conivência para com as estratégias do Governo, que procura a todo o custo contornar, desvalorizar e até mesmo negar a emergência climática”.


Claro que há aqui coisas muito sérias. Mas também há para aqui muita da brincadeira que faz a espuma dos dias.


 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


No Alpe d´Huez ganhou o jovem francês – primeira, e muito provavelmente única vitória francesa na prova – Pierre Rolland, líder e provável vencedor do prémio da juventude, mas o espectáculo foi de Alberto Contador, o derrotado de ontem. Contador atacou na penúltima subida – no Telegraph – e, com Andy Shleck – que não acusou o desgaste de ontem – na companhia do nosso Rui Costa, treparam ainda sozinhos o mesmo Galibier de ontem, hoje por outra vertente. Onde Thomas Voeckler foi novamente herói na defesa da sua camisola amarela e Cadel Evans parecia irremediavelmente derrotado.


Na longa descida que se seguiu tudo se reagrupou, iniciando-se a subida final com tudo a zeros. O primeiro a sair, logo no início, seria o jovem francês. Mas o ataque a sério partiria novamente de Contador que foi por ali acima e deixou tudo para trás: espectáculo Contador! Mas o espanhol Sanchez – que se viria a sagrar rei da montanha – fugiu dos manos Shleck e de Evans. Rapidamente alcançou o jovem Rolland que ainda por ali andava e, rebocando-o até lá acima, alcançou Contador e entregou-lhe a vitória.


E pronto: o Tour decide-se no contra-relógio de amanhã, entre Evans e Andy Scleck – agora de amarelo – separados por 57 segundos.


Thomas Voeckler – hoje a imagem do desespero - despiu finalmente o maillot jaune! Que, depois de tanto sangue, suor e lágrimas, já pouco tinha de amarelo!

Cacofonia

 



Luís Filipe Vieira (Presidente) in De Águia ao Peito


 


Um chamado ‘Movimento 1904 De Todos UM’ criado, ao que se diz, por três sócios do Sport Lisboa e Benfica, pede que sejam convocadas eleições no clube “no momento oportuno".


Ora aí está: um movimento criado para pedir eleições que já estavam anunciadas. Sem data, é certo. Por isso o movimento as pede “no momento oportuno". E qual é o" momento oportuno"?


Não dizem. Mas é certamente o que a direcção - a quem reconhecem  “sentido de responsabilidade e de coragem” que é garantia de “serenidade e tranquilidade necessária” - entender. 


Ora aqui está um movimento daqueles que acrescentam, e que tanta falta faz neste momento difícil, a  pedir á direcção que marque as eleições, que já marcou, para a data que considere oportuna, como fez ao não marcar data.




Com movimentos destes e com a manifestação de "gratidão e solidariedade" a Luís Filipe Vieira promovida para domingo, cacofonia já não falta. Só é pena que não fizesse falta nenhuma. O que agora dava jeito era mesmo mais qualquer coisa... 







 


 


 



terça-feira, 20 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Andy Shleck – brilhante – ganhou hoje no Galibier a mais dura etapa dos Alpes e do Tour. Dobradinha dos manos Shleck, já que Frank fez segundo. O australiano Cadel Evans fez, sozinho, todas as despesas da perseguição a Andy – que atacou bem cedo, na penúltima subida - e, com isso, reforçou a sua candidatura à vitória final e afastou Alberto Contador, a grande decepção de hoje. E Thomas Voeckler, o herói improvável deste Tour, foi mesmo heróico na defesa da sua amarela, que mantém presa à pele por 15 segundos.


E amanhã há mais: o mítico Alpe D`Huez na despedida dos Alpes, na véspera do contra-relógio que tudo decidirá.


Ao rubro este Tour! Vive le Tour!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Capdevilla chegou hoje a Lisboa para assinar contrato com o Benfica. Chegou hoje, quando a apresentação da equipa aos sócios foi ontem…


É um jovem de 33 anos cuja experiência irá ser muito útil à equipa. Onde não cabem velhos de 34, como Nuno Gomes, cuja experiência, história e ligação ao clube não acrescentam nada que se compare com o apport deste espanhol campeão do mundo!


Jorge Jesus também é gente extraordinária…


O Presidente Cavaco Silva reconfirmou, em Abril passado, na sequência da tomada de posse no seu segundo mandato, Mota Amaral como Chanceler das Ordens Honorificas Nacionais. Sem que se perceba porquê – e no maior dos silêncios – Mota Amaral pediu a demissão. Pelo meio ficara, no passado 10 de Junho, a condecoração de Manuela Ferreira Leite. Na altura ninguém percebeu! Percebeu-se agora: Cavaco nomeou-a em substituição do antigo presidente da Assembleia da República! Quer dizer: vistas curtas!


O Presidente Cavaco é mesmo gente extraordinária: o seu campo de visão esgota-se nos seus amigos!


Macário Correia é um político de toda a vida, a quem se não conheceu outra actividade. Mas é daqueles que, como Cavaco, não quer ser político. Ele está sempre do lado certo, ele sabe tudo enquanto todos os outros são mentecaptos e apresenta sempre as coisas exactamente assim. Desde aquela tirada famosa: “beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro”!


Foi assim nas portagens da Via do Infante (A22). Arrogando-se de sério, coerente, honesto e de ter princípios (Expresso, 30 de Março de 2011) assumia-se como líder do movimento algarvio anti-portagens e, ainda há pouco mais de duas semanas, no jornal i de 30 de Junho, classificava a introdução de portagens como uma medida tonta, esquisita, de quem não tem noção da realidade.


De repente, e sem que percebamos o que se alterou nas últimas duas semanas, Macário mudou de campo. E de opinião, justificando-se com a situação das finanças públicas!


Gente extraordinária esta que agora é que se apercebe da situação das finanças do país. Extraordinária mas séria, coerente, honesta e de  princípios!

Gente desprezível, vil, cobarde e miserável

113 imagens de Desprezível, Desprezível fotografias de stock | Depositphotos


O vídeo que ontem circulou por uma das redes sociais é simplesmente abjecto. É inaceitável que alguém filme alguém em privado sem consentimento. E é inqualificável que o torne público, seja lá quando for. Que o divulgue a coberto do anonimato, ao serviço de uma qualquer agenda, quando melhor lhe sirva, é vil, cobarde e miserável. 


Fazer política com gente desprezível é a melhor maneira de a desacreditar. E bem sabemos a quem aproveita - exactamente gente desprezível, vil, cobarde e miserável, que não é gente. 


 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A União Europeia há muito que pressiona Portugal para acabar com as acções privilegiadas, as chamadas Golden Shares, que o Estado detém nas principais antigas empresas públicas entretanto privatizadas. Os sucessivos governos nacionais, a exemplo dos do resto da União – porque estas acções não são uma particularidade nacional -, foram resistindo a abdicar desses direitos especiais que tanto jeito dão, como ainda há bem pouco se viu no caso da PT, aquando da venda da posição na brasileira VIVO à Telefonica.


Como resistimos a todas as pressões, e até mesmo à sentença do Tribunal Europeu, a União Europeia resolveu o problema incluindo esta medida no memorando da troika. E como memorando da troika é para cumprir… não há nada a reclamar!


Mas há. E muito! Estas acções têm um valor que nada tem a ver com o seu valor de mercado, pela simples razão que não são iguais às outras. E o mercado só atribui valor às outras!


E numa altura em que, mais uma vez, vemos que são sempre os mesmos chamados a pagar a crise. Numa altura em que vemos que não há volta dar e que os governos, sejam eles quais forem, só conhecem o caminho para o nosso bolso. Que de fora ficam sempre os sectores empresarias, e em especial o financeiro. Que cortar na despesa nunca passa de conversa. E que até as privatizações parecem mais viradas para satisfazer outros interesses que os da maxização da receita do Estado, numa altura destas – dizia eu – é muito estranho que o governo não diga nada sobre a estratégia que definiu para alienar essas acções especiais da EDP, da GALP ou da PT.


O facto de se limitar a dizer que vai abdicar delas já começava a ser preocupante. Apesar assunto andar no ar o governo continuou calado. Até que Octávio Teixeira começou a falar do assunto, cada vez mais alto. E aí o silêncio do governo passou a ensurdecedor!


Já ninguém tem dúvidas que o governo se limita a entregar as golden shares aos accionistas de borla. E que está a tentar fazê-lo sem uma única palavra aos contribuintes!


Isto é absolutamente inaceitável. Mas, nas actuais condições, isto é criminoso!


Não importa – nem vale a pena trazer para discussão – se a solução técnica para determinar o valor destas acções preferenciais é fácil ou difícil de encontrar. O que importa é a decisão política: e essa só poderia ser usar estes instrumentos para nos ajudar neste momento dramático da nossa História!


Retirar-lhes os direitos e simplesmente entregá-las pelos valores cotados é um roubo - mais um - que se faz aos contribuintes! O mesmo Octávio Teixeira fala de 800 milhões de euros, precisamente o valor que nos vai ser retirado com o subsídio de Natal. Não faço a mínima ideia da razoabilidade desse valor, mas também não estou por agora preocupado em quantificar o roubo!

O ridículo que diverte o vírus

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Foi hoje decretado no Reino Unido o freedom day. É estranho que alguém declare um dia de liberdade, da libertação do vírus, num dia em que se batem recordes de novas infecções provocadas pelo mesmo vírus. É como estar a anunciar a vitória numa guerra debaixo de bombardeamentos inimigos.


Vimos há uns anos um ministro dos negócios estrangeiros de Saddam Hussain fazer isso, e nem a personificação desse acto no cúmulo do ridículo e da cegueira política lhe garantiu um lugar na História.


Hoje Boris Jonhson prestou-se a esse papel. E para o desempenhar com maior fidelidade ao original fê-lo em isolamento profilático, Tal como o seu ministro das Finanças, Rishi Sunak, e ambos por terem estado em contacto com o colega da Saúde, Sajid Javid. 


Não sei se poderia ser mais ridículo. Não seria fácil de escolher entre a réplica ao épico discurso de Churchill no fim da II Guerra Mundial que o actual primeiro-ministro britânico tinha preparado para hoje, e o vídeo que acabou por divulgar, gravado em isolamento, a declarar o freedom day  num registo de "gozem a liberdade, invadam pubs e discotecas" ... mas "por favor, por favor, por favor, tenham cuidado." E, "por favor, por favor, por favor, quando forem chamados para a segunda dose da vacina, marquem presença".


Por cá, entre nós, não acontecem destas coisas. Até porque cá "não há ditadura sanitária". Há apenas muita ignorância, e essa não precisa de liberdade para nada.


 

domingo, 18 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Na corrida à liderança do PS - que acaba de entrar na recta final - António José Seguro segue tranquilamente à frente, rumo à vitória. Francisco Assis lá vai fazendo pela vida, mas já nem ele próprio acredita que lá chegue. Vai-se esforçando em lançar uma outra ou ideia, às vezes mesmo uma pedradazita no charco, enquanto, Seguro mas não formoso, o seu adversário se limita a olhar para os botões da máquina, vendo se está tudo no sítio e distribuindo afectos a eito.


É a força da máquina, dizem. Nestas coisas quem não domina a máquina perde, sem apelo nem agravo. É assim no PS, mas é assim em todos os partidos. E com a moda das directas é ainda mais assim!


Nada a opor. Nem nada a fazer: são as regras do jogo!


O problema vem a seguir. Olho para as redes sociais – não há volta a dar, não é preciso espreitar pelo buraco da fechadura, as portas estão todas escancaradas – e reconheço as caras que estão à volta de Seguro: todas as que estiveram na linha da frente na defesa de Sócrates, todas as que vibraram com o líder no congresso de há três meses, todas as que deixaram aquela imagem de seita que de lá saiu. Onde, se bem se lembram e repescando a expressão então utilizada e que aqui trouxe já em diversas ocasiões, Seguro nunca saiu de trás dos arbustos. E onde Assis não se escondeu: sempre ali na tribuna, disponível para todos os encómios ao chefe endeusado…


Olho para trás, mais para trás – dois, três…seis anos - e continuo a ver Seguro sempre lá! No mesmo sítio, atrás dos arbustos, sem ninguém dar por ele! E Assis sempre bem a vista, sempre na primeira linha, a defender o chefe até à derrota final. Na Assembleia da República, um líder parlamentar com a missão impossível de defender o indefensável porque, na verdade, o Sócrates que toda aquela gente cegamente idolatrava, já não tinha defesa. No entanto Assis nunca o abandonou, nem por um só momento!


Se Assis não pode – por muito que até quisesse - largar a pele socratista, Seguro pode ser acusado de tudo – e especialmente de ter hibernado à espera que a oportunidade lhe caísse do céu – excepto de admirador e seguidor de Sócrates. Mandaria a lógica que as expectativas apontassem para que toda aquela gente que até há um mês atrás seguia Sócrates em perfeito delírio, estivesse agora ao lado de quem mais próximo dele sempre esteve. Mas não! Nada disso, justamente o contrário!


E isto diz tudo sobre os partidos que temos e a quem entregamos a chave da democracia.


 

Tour de France 2021 - Fim


Terminou hoje, em Paris, a 108ª edição da Volta à França. Todas as classificações finais vinham definidas dos Pirinéus, na última quinta feira. O vencedor, esse há muito que estava encontrado  


Depois dos Pirinéus, seguiu-se a 19ª etapa, entre Mourenx e Libourne, na distância de 207 quilómetros, a segunda mais longa da prova. Era a penúltima - a última seria a da consagração, hoje na chegada a Paris - para os sprinters, e para Cavendish, despois de resistir aos Pirinéus, à custa do esforço de toda a equipa, empenhada em levá-lo até ao fim de cada etapa dentro do tempo limite no controlo da chegada.


Por se ter esgotado nesse trabalho - é curioso que Cavendish acabou na penúltima posição da classificação geral, rodeado de colegas de equipa - , ou por outra razão qualquer, a Deceuninck - Quick Step não consegui controlar a etapa e não impediu a fuga, ainda bem cedo, de um grupo numeroso de ciclistas, de onde saltou Mohoric, que já tinha ganho a 7.ª etapa, para cortar a meta isolado, com mais de 20 minutos de vantagem sobre o pelotão.


O contra-relógio de ontem já não tinha nada para decidir, e a surpresa foi Pogacar não o ter ganho. Não foi de todo surpreendente que tivesse sido o belga Wout van Aert a ganhar - sabe-se que é bem capaz disso, e de muito mais - mas, mesmo sabendo-se que Pogacar iria correr em regime de descontração, ninguém esperaria que não fizesse melhor que o oitavo tempo, a praticamente 1 minuto do belga  Os dinamarqueses Kasper Asgreen (Deceuninck-QuickStep, a 21 segundos), e Jonas Vingegaard, companheiro de Van Aerrt na Jumbo Visma, a 32,  foram segundo e terceiro, com este último a confirmar, também no contra-relógio, que não podia ser outro o segundo da geral.


Hoje, em Paris foi a consagração de ... Wout van Aert . Bem sei que a chegada aos sempre belos Campos Elíseos é para consagrar o vencedor do Tour. E que este, o mais jovem bi-campeão do Tour, e de novo, como no ano passado, vencedor das três camisolas, só tinha que ser consagrado em Paris. Mas esta última etapa, para mim, foi a da consagração de Wout van Aert, um dos mais completos ciclistas da actualidade, como aqui já tinha dito. Ontem ganhou o contra-relógio, e hoje ganhou o sprint, o mais importante sprint do Tour, e ganhou a etapa do Mont Ventoux, numa das mais espectaculares montanhas.


Rui Costa esteve discreto, no seu papel de "aguadeiro" de Pogacar (1). Pelo contrário, Rúben Guerreiro deu nas vistas e fez um excelente Tour. Foi 18ª da geral, à frente - três minutos - de, agora repare-se ... Van Aert. É isso, um dos melhores e mais completos ciclistas do mundo, que ganhou três das principais etapas de cada uma das especialidades, ficou atrás de Rúben Guerreiro. É isso o ciclismo!


(1) Correcção efectuada depois do alerta do leitor Bruno Santos. Por lapso tinha inicialmente escrito Uran, em vez de Pogacar.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Ontem o Der Spiegel divulgava que Helmut Kohl teria confidenciado que ”Merkel estava a dar cabo da Europa que ele ajudara a construir”.


Hoje é Hortst Teltschik – antigo conselheiro para a política externa de Kohl – a criticar, em entrevista à revista DerTagesspiegel, a actuação de Merkel e a dizer, sem papas na língua, que “a chanceler não apresenta qualquer ideia sobre o futuro da Europa”. E a reclamar uma intervenção imediata, lembrando que é preciso uma política orçamental comum, uma política comum para combater as dívidas soberanas, e uma política financeira comum.


E a oposição social-democrata – o SPD – acaba de manifestar o apoio que Merkel necessite para as medidas (impopulares) de intervenção na actual crise.


Parece que uma aragem de juizinho está a passar pela classe política alemã. Não é sem tempo!

sábado, 17 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Presidente Cavaco Silva, em cerimónia oficial de inauguração de um complexo residencial para idosos, ontem em Torres Vedras, convidado a pronunciar-se sobre a justificação do imposto que nos leva metade do subsídio de Natal – a sobretaxa de IRS que, esfumado o desvio colossal, agora ninguém consegue justificar – começou por dizer que “o senhor ministro já teve ocasião de explicar a razão pela qual o governo fez essa proposta”.


Tornou-se de resto recorrente o Presidente subscrever as explicações do ministro das finanças: ainda há bem pouco fez o mesmo a propósito do famoso desvio colossal, repetindo até os gestos. E teve ainda oportunidade de acrescentar que a sua preocupação vai para os que se não encontram em condições de contribuir para este imposto extra. Explicou rapidamente – e nós rapidamente percebemos – que essa preocupação não tinha nada que ver com todos os que ficaram de fora deste esforço adicional exigido ao país, designadamente a banca, as empresas e os investidores financeiros. Não: “são muitos dos desempregados, são muitos daqueles que se encontram em situação de exclusão social, são doentes crónicos, são famílias de muitos baixos rendimentos”!


 


A preocupação do Presidente não é a equidade, a distribuição equitativa dos sacrifícios que já reclamou. Nem sequer se já se atingiu o limite dos sacrifícios, o tal limite que, ainda há bem pouco tempo, na sua tomada de posse, lembrava ao governo anterior. A preocupação do Presidente não é uma preocupação: é um truque! Naturalmente que é quem vai pagar que protesta, não é quem irá ficar de fora. É para esses o truque: não se queixem por pagar porque são uns felizardos! Ao contrário dos outros, dos pobres e excluídos, vocês até têm a sorte de ter rendimentos que vos permitem pagar este imposto!


A isto chama-se lata, para não dizer falta de vergonha!


Este Presidente passou da cooperação estratégica com o governo anterior, do início do seu primeiro mandato, ao silêncio estratégico, lá mais para a parte final - quando, tentando passar por entre os pingos de chuva sem se molhar, tudo valia para não comprometer a reeleição -, daqui para a afronta estratégica, logo que aquele desiderato foi atingido e, finalmente, para o mimetismo estratégico com este novo governo!


Este Presidente, já depois de, enquanto chefe de governo, ter feito o que fez ao país, permitiu que o anterior governo destruísse o que ainda faltava destruir. Ora em registo de cooperação estratégica, ora no de não me comprometam, a tudo virou a cara em nome dos superiores interesses da sua reeleição. Só depois de reeleito se lembrou de todos os males do governo, passando então a disparar em todas as direcções e descobrindo que havia limites aos sacrifícios.


Mas veio o novo governo e esqueceu-se desses limites. E lembrou-se de uns truques…

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Olho para laterais

Paulo Bernardo mais três anos - Benfica - Jornal Record


 


Fiquei sem grandes duvidas que o talento do Paulo Bernardo lhe vai garantir um futuro brilhante no futebol mundial. Não será provavelmente no Benfica, mas certamente num outro grande clube europeu. Tem tudo para ser um 10 de classe mundial, mas tem também a História do seu lado.


É que Jorge Jesus está a lança-lo a lateral direito. O último grande talento de que quis fazer defesa lateral brilha hoje na melhor equipa do mundo ... É como o algodão, não engana!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Em tempo de pré-época mais um termo apropriado: titular!


Titular, em futebolês, não é o proprietário de qualquer título. Mas é proprietário, há também aqui uma relação de propriedade. De posse!


O titular é precisamente o proprietário, o dono: o dono do lugar! O lugar, a posição ocupada no xadrez da equipa, é um bem escasso. Só há 11 disponíveis!


Se a ambição faz parte da condição humana aspirar à condição de proprietário cobre uma das mais comuns ambições humanas. No caso do futebol, sendo um lugar na equipa um bem escasso, essa ambição toma outra dimensão: não há jogador que não ambicione ser o dono do lugar. Seja ele qual for!


Conforme já vimos, nesta altura de preparação da época começa por se construir o plantel: à volta de 25 jogadores, como vimos. Idealmente três guarda-redes, mais dois jogadores para cada lugar - um o titular e o outro o suplente - e mais dois jogadores polivalentes (se bem que haja polivalentes que são titulares), que possam cobrir certos imponderáveis. Todos ambicionam ser os donos do lugar mas nem todos o conseguem. Apenas alguns são titulares indiscutíveis, isto é, têm um estatuto de dono absoluto do lugar, sem deixar qualquer tipo de dúvida! Como há os que são eternos suplentes. E ainda os suplentes que são armas secretas


Nesta altura de aquisições – a época irá durar até 31 de Agosto e, pelo que temos visto em Portugal, até ao lavar dos cestos é vindima – procura-se reforçar o plantel, mas acima de tudo a equipa. Exigem-se contratações de titulares indiscutíveis, daqueles que entram de caras na equipa! Mas nem sempre assim acontece…


Já ninguém sabe muito bem quantos jogadores já contratou o Benfica. Muitos e com pouco critério, como facilmente se constata: dispõe no plantel 20 (!!!) jogadores para o meio campo – no sistema de Jesus, em 4-4-2, dá para cinco (!!!) meios campos – , não tem jogadores para construir uma linha defensiva e não tem um ponta de lança de alternativa a Cardozo que, ao que se diz, até será para vender. E, sabendo há muito da óbvia e inevitável saída de Fábio Coentrão, é muito difícil entender como é que, entre tanta contratação, não há um único para o substituir.


Com este critério – ou, melhor, com esta falta de critério – é evidente que está fora de causa aquele requisito básico da entrada de caras na equipa. À excepção do guarda-redes Artur, e não é exactamente mérito seu ou da sua contratação, é porque o Moreira foi posto a andar e ficou lá o Roberto, nenhuma contratação vem com o estatuto de titular indiscutível.


Estatuto que têm indiscutivelmente o brasileiro Luisão – o capitão e agora o jogador com mais tempo de casa – e o uruguaio Maxi Pereira, pedras absolutamente basilares da equipa. Ambos ao serviço das respectivas selecções nacionais na Copa América e, ao que por aí se diz, pouco interessados em regressar. Luisão apontado ao PSG e Maxi (quem é consegue entender por que não foi o seu contrato renovado atempadamente?) a dizer – e só acredita quem for anjinho - que quer ficar por lá, pela sua terra natal.


É com enorme preocupação que vejo, sistematicamente, os jogadores de referência da equipa a sair ou a pretenderem sair. Foram saindo todos, mandados embora na maioria dos casos, e, agora, os dois únicos jogadores com mais de três anos no clube querem sair. Acredito que seja uma circunstância que agrade a Jorge Jesus - poderá, assim, ser ele o rei absoluto do balneário, condição sine qua non para o exercício da sua rudimentar liderança - mas será catastrófica para o Benfica!


E isto é tão mais preocupante quanto olhamos um pouco lá para Norte e continuamos a vê-los apanhar as lebres levantadas pelo Benfica e, pasme-se, a renovar o contrato com o Falcão – que também está na Copa América, com todos os grandes clubes europeus atrás dele, e que podia estar muito bem a tratar da sua vida com o Chelsea ou com o Real Madrid – fazendo passar a cláusula de rescisão de 30 para 45 milhões de euros. Esta sim, uma verdadeira jogada de mestre, mesmo que sobeje muita coisa por explicar!


Ah! E o agente do Falcão é o Jorge Mendes: o mesmo que levou o Fábio Coentrão para Madrid, lembram-se? Então lembram-se como foi diferente, como aí ele estava do outro lado…

Uma história curta para a mais longa presidência

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Poderia ter ficado na História do Benfica como um dos grandes presidentes do clube, mas fica apenas como o que mais tempo ocupou o lugar. Tempo de mais, e acabou enxotado porta fora, pela mais apertada da saída.


Luís Filipe Vieira até começou bem, com a construção do estádio e o regresso aos títulos - uma Taça de Portugal e um campeonato. Acontecimentos de alta tensão emocional, e de grande comoção benfiquista, reforçaram-lhe o apoio. Foi assim logo no início, com a morte de Feher, e mais tarde com a de Eusébio. 


Depois do bom início seguiram-se anos de desastre. Tínhamos ganho cedo demais, dizia então. Contratações completamente falhadas, e desacerto total na escolha dos treinadores, sucessivamente despedidos. Surgem os primeiros sinais de contestação à sua liderança que, curiosamente, é pela primeira vez desafiada pelo seu primeiro braço direito, José Veiga. Curiosamente, também, o primeiro elemento estranho que chamou para junto de si, directamente proveniente das hostes de Pinto da Costa. Ms não estranhamente, porque também ele daí vinha, e era ainda então sócio do Porto.


Acabaria a encher o clube de gente dessa, como bem nos lembramos, e a blindar com os estatutos qualquer ameaça ao seu projecto pessoal.  


Entretanto nascia o Seixal, um viveiro único de jogadores. Chega Jorge Jesus - o casamento perfeito - e nem um é aproveitado. Tinham de nascer dez vezes. E a Benfica TV, um projecto inovador, e um poderoso instrumento de afirmação do Benfica, pronto para romper com os interesses instalados à volta do todo poderoso Joaquim Oliveira. A quem rapidamente se vende, acabando por reduzir um grande projecto de televisão e de negócio, a um simples - e vergonhoso - canal de propaganda pessoal, à imagem do que de pior se faz nas mais desprezíveis ditaduras. Pago pelos benfiquistas!

Aponta a estratégia para o Seixal, e tem de renegar Jesus. Que, pela sua própria condição e estatura, se torna num dos principais inimigos do Benfica. Começa aí uma boa parte dos últimos capítulos desta história de Vieira. Começa com os vouchers, e depois foi em catadupa.

O Seixal resplandece, dá títulos e muitos jogadores para vender. Dinheiro a rodos, Os resultados da SAD engordam, mas o Passivo permanece na mesma, inamovível. E títulos, o desejado e nunca alcançado tetra. O Porto está de rastos, falido e sem ganhar há quatro anos, coisa de que já nem se lembrava. Então Vieira dá-lhe a mão, e desiste do penta, desinvestindo claramente na equipa.

Despede Rui Vitória, mas vê uma luz, e readmite-o para o voltar a despedir semanas depois. Diz que contrata Mourinho, mas entra Bruno Lage, por uns dias, porque afinal já estava tudo perdido. Enganou-se. Não estava. 

Vendeu João Félix, com truques de ilusionismo sobre a cláusula de rescisão. Saiu Jonas. E Lage que se desenrascasse, porque contratações não havia. Ainda assim as coisas iam correndo bem, até de repente passarem a correr mal. 

Novos casos, novas buscas, novos processos judiciais surgiam todos os dias nos jornais. Novos mails iam sendo sucessivamente divulgados, e revelando-nos coisas que não nos podiam orgulhar, e que lançavam o nome do nosso Benfica na mesma sargeta onde há muitos anos corriam os outros. Tinham sido obtidos e divulgados de forma ilegal, sim. Mas existiam, e existem. Como existiam, e existem, as gravações do apito dourado. Exactamente!

Vêm aí eleições, e corre a buscar ... Jesus, como se ninguém tivesse memória. Sabe quem tem, e sabe que tem gente capaz de tudo esquecer e perdoar por um campeonato. Que tudo  troca por uma ilusão. E já tem 100 milhões para gastar em contratações. Falhou tudo!

Termino aqui a história da presidência de Vieira. Devem ter reparado que não toquei num único ponto daquilo de que Vieira é suspeito, nuns casos, e já acusado, noutros. Todos e cada um com a gravidade  criminal que têm, e boa parte deles gravosamente lesivos do património material e imaterial do nosso Benfica. 

É que não é preciso abrir sequer essa parte da história para, do ponto de visto do benfiquismo, fazer o julgamento da presidência de Vieira. Nem sequer entrar no capítulo reservado ao Sr Textor. Daí que não consiga entender os louvores que hoje lhe vão correndo pelas redes sociais se não no quadro daquilo que são, e a que se prestam. 

 

 

 

 


 




quinta-feira, 15 de julho de 2021

Tour de France 2021 - V

Pogacar, de novo: Esloveno vence 18.ª etapa e é o rei do Tour, da juventude e da montanha


O Tour despediu-se finalmente dos Pirinéus, cumprindo os 129,7 quilómetros entre Pau e Luz Ardiden desta 18ª etapa, que teve honras de visita presidencial. Do deles, não o nosso, por muito que possa surpreender.


Era a etapa rainha dos Pirinéus, com o mítico Tourmalet, e com a não menos difícil chegada a Luz Ardiden, que tinha a particularidade de também duplicar os pontos para a classificação da montanha, ambas montanhas de categoria especial.


Claro que a corrida começou com o início da subida ao Tourmalet, já com mais de metade da etapa cumprida. Aí ia na frente Alaphilippe, o campeão do mundo, que está sempre em todas - mesmo que no fim disso não tire grandes vantagens,  para além da popularidade e ... da publicidade - e o esloveno Mohoric, que também já ganhou uma etapa, com minuto e meio de vantagem sobre o pelotão. E logo no início voltamos a ver Rúben Guerreiro a fazer mais umas graças.


Atacou e levou consigo gente famosa, entre os quais Quintana, que rapidamente ficou para trás. Rapidamente alcançou os dois da frente, e assumiu as responsabilidades da corrida. Lá atrás era a Ineos que puxava pelo pelotão, cada vez menos numeroso, para cuidar de Carapaz. Muita gente ia quebrando, e desde logo Rigoberto Uran, o colega de Rúben Guerreiro, que continuava a dar-se muito mal com os Pirinéus, onde entrou em segundo e donde saiu em décimo.


A um quilómetro da meta da montanha do alto do Tourmalet pagou a factura, e não conseguiu acompanhar os dois franceses companheiros de aventura, Latour e Gaudu, que passaram por esta ordem nessa contagem. Rúben foii terceiro.


Na descida vertiginosa que fazia a ligação à subida para Luz Ardiden apenas Gaudu ganhou vantagem. Todos os outros se juntaram para chegarem agrupados ao início da subida, onde logo o francês desapareceu da frente. E a Ineos voltou ao seu trabalho na frente do grupo, pela mesma causa - Carapaz. E cada vez mais gente voltava a ficar para trás, incluindo o Rúben. Pensava-se que para também ele ir dar uma ajuda ao pobre Uran, literalmente a cair pela classificação abaixo. Na meta (22º a pouco mais de 3 minutos) percebeu-se que não, que chegou muito à frente - mais de 5 minutos - do seu chefe de fila.


A pouco mais de 5 quilómetros da meta, lá em cima, Majka passou para a frente do grupo, claro com Pogacar, e estava-se a ver no que ia dar. E viu-se ... Mais um festival do jovem esloveno. Ficou na frente com Kuss, Vingegaard, Carapaz e Mas. O espanhol começou por ceder, quando Kuss atacou, perante a indiferença de Pogacar, mas em poucos metros tudo se virou ao contrário, com Mas a recuperar e a atacar o camisola amarela, e precisamente Kuss a ficar para trás. Na altura que considerou apropriada Pogacar foi embora, tal e qual como ontem fizera. Enric Mas acabou, e Vingegaard e Carapaz, por esta ordem na meta, conseguiram limitar os estragos. 


Com a vitória  - a terceira - Pogacar arrebatou também a camisola das bolinhas. São três - a amarela, da geral, a branca, da juventude, e a da montanha. 


É obra. Agora é só esperar por domingo para, aos 22 anos, garantir a segunda vitória consecutiva no Tour. Antes disso, no sábado, ainda tem um contra-relógio para ganhar.


Cavendish foi o último na etapa mas, sempre rodeado por mais de meia equipa, conseguiu chegar dentro do tempo de controlo, e assim assegurar a camisola verde. Mas, contassem as etapas de contra-relógio para os pontos, e não seria assim. Pogacar ficaria com elas todas!

Tretas de uma concorrência de treta

Paineis das auto-estradas provocaram aumento dos preços dos combustíveis


Que o preço dos combustíveis em Portugal é dos dos mais altos da Europa, todos sabemos e sentimos. E sentimo-lo como nunca o sentimos, a ponto do governo vir finalmente dizer que o mercado funciona em oligopólio, e que irá intervir para fixar margens máximas no negócio.


O funcionamento em oligopólio é uma evidência. Basta nas auto-estradas olhar para as placas informativas dos preços, mas também fora delas. A diferença é que nas auto-estradas elas sucedem-se, e permitem-nos olhar e ver uma, ainda com a imagem da anterior fresquinha. Pois ... os preços são todos iguais. E aumentam sempre ao mesmo tempo. 


A concorrência é uma treta que ninguém se preocupa em sequer disfarçar. A prática de preços concertados é ilegal, mas ninguém se preocupa nada com isso.


Quando o governo, ontem, anunciou essa intenção de limitar as margens dos players deste mercado deu-se uma coisa curiosa. A Apetro, a associação das petrolíferas, veio logo dizer que ninguém lhe pode mexer no queijo e, não desmentindo que as margens têm subido, como finalmente um estudo da  Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) demonstrou, defendeu-se com a queda da procura. Se vendem menos, têm que compensar essa quebra com o aumento das margens. E podem ... porque - lá está - o oligopólio permite-lho.


Já a ANARECA, a associação dos revendedores, diz que não. Que não há aumento nenhum das margens, que os preços sobem porque o preço do petróleo sobre nos mercados internacionais, quando sabemos que os preços estão ao nível mais alto de 2012, e o preço do petróleo a cerca de metade do de então.


O curioso nem é tanto que a ANARECA não tenha reparado nesse absurdo. Curioso é mesmo esta inversão de papéis, é estar tudo ao contrário. Que a os distribuidores falassem de margens e os produtores dos preços internacionais do petróleo, mal ou bem, a gente ainda percebia. O contrário, como aconteceu, é que não dá para perceber.


Numa coisa estão no entanto ambas de acordo - é que a culpa é dos impostos.  Que no preço de cada litro há 60 cêntimos de impostos. Também sabíamos. Mas também sabemos que esses impostos são os mesmo desde o início do ano, e os preços subiram 40%.


Ou em duas. Também estão de acordo em continuar a fazer o querem dos preços porque quem paga é sempre o mesmo. E tem por hábito não refilar!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O ministro das finanças convocou uma conferência de imprensa para as 18 horas de hoje com o anunciado objectivo de apresentar a configuração do novo imposto, do imposto extraordinário ou do que quer que lhe chamem. Sim, porque chamem-lhe o que lhe chamar, ele não é só injusto. Nem indecente. É também ilegal!


Chamo a atenção, a este propósito, para este excelente texto do Prof. Meneses Leitão, que tive oportunidade de comentar.


O ministro das finanças, para iludir a ilegalidade, optou por chamar-lhe sobretaxa extraordinária de IRS e, constituindo o tema central, dedicou-lhe apenas 5 dos 35 minutos da exposição com que abriu a conferência de imprensa: 1/7.


Mas não é por isso que deixa de ser ilegal!


Os restantes 6/7 da comunicação foram dedicados a pequenas histórias, com duas únicas excepções: uma para fazer passar uma mensagem publicitária – “a estratégia de consolidação orçamental passará a consistir em 2/3 da redução da despesa e 1/3 de aumento da receita” –; a outra para a anunciar o programa de privatizações e a lista de empresas a privatizar.


Mas, sobre a redução da despesa, nem uma única medida … Apenas a confissão conformista que já estamos cansados de ouvir: não produz efeitos imediatos! Precisamente por isso é que deveriam ser as primeiras a ser programadas e anunciadas, para que pudessem produzir efeitos mais cedo. Pudemos por isso perceber que bem podemos esperar sentados pelos 2/3 da consolidação orçamental!


Ao contrário, as privatizações estão já todas programadas. Por que será?


Tranquilizem-se que eu dou a resposta: é porque fica do lado em que esta gente sabe mexer. Do da receita! Como só sabem mexer deste lado não importa se, privatizar aqui e agora, quer apenas dizer entregar ao desbarato boas empresas ao capital estrangeiro. Esta já é uma medida que produz efeitos de imediato … vamos a isso!


Não fosse isto e teria sido uma grande performance do novo ministro das finanças. Na pele do tecnocrata, fora do registo político formal! Grande na forma mas pequeno (e mau) a substância!


Comecemos pela pontualidade: às 18 horas em ponto o ministro entrava na sala, numa prova de respeito pelas pessoas que ali estavam - pelos jornalistas – e por todas as que seguiam a conferência de imprensa através dos media. Às 19:30 encerrou, conforme aviso inicial.


Não estamos habituados, embora devêssemos, a este rigor!


Nem à disponibilidade para responder às perguntas dos jornalistas: sem outra condição que não fosse o tempo - cerca de uma hora. Nem à preocupação na resposta objectiva: o ministro anotava todas as questões que lhe eram colocadas, indiferente aos minutos de silêncio que isso provocava na sala. E respondeu a todas no seu tom pausado mas claro, mesmo às que toda a gente fugiria, como foi o caso de uma pergunta sobre o desvio colossal que, lembrando a silly season que está à porta, foi transformado no grande problema desta semana. Chegou a ser naif nessa resposta mas respondeu-lhe e, com essa resposta, matou à nascença qualquer tentativa de novas perguntas tolas. E até das incómodas!


Reconheço que é um estilo que conquista adeptos: é jogar para a bancada, como se diz em futebolês! Mas não é ganhador. E nós temos de ganhar, não podemos perder nem sequer empatar!


Só há uma oportunidade de deixar uma boa primeira impressão. Esta não é uma primeira grande impressão, mas venham daí mais oportunidades…

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Tour de France 2021 - IV


 


No domingo correu-se a 15ª etapa, entre Céret e Andorra-a-Velha,, em plenos Pirinéus, onde foi atingida a maior altitude da prova, acima dos 2.400 metros. Sem que, no entanto, os ciclistas tenham encontrado as mais tenebrosas subidas desta edição. Correram a grande altitude, mas sem as grandes inclinações. O suficiente para manter a maldição do segundo lugar da classificação, de que aqui falava há dias, e devolver o francês Guilaume Martin ao fundo do top ten.

Na frente andou Rúben Guerreiro, numa excelente jornada. Não conseguiu resistir ao ataque do norte-americano Sepp Kuss, primeiro, e de Valverde, depois, que protagonizou um extraordinário final de etapa, com o veterano espanhol a fazer parecer que iria ainda apanhar o americano, e ganhar a etapa. Por pouco não o consegui, e Kruss ganhou em Andorra-a-Velha. Para o português, no fim, não deu para mais que o quinto lugar na etapa. 

Ontem, a seguir ao segundo e último dia de descanso, mais Pirinéus, este ano dominantes relativamente aos Alpes. Vieram para ficar. Mais montanha, pois, nesta 16ª etapa, de 169 quilómetros entre Pas de la Casa e Saint-Gaudens, mas ainda em jeito de aperitivo para o que estava para vir.

A etapa resumiu-se à fuga do dia, que incluía 12 corredores, entre os quais de novo Rúben Guerreiro, que chegou a ter mais de 15 minutos de vantagem sobre o grupo de Pogacar, com os restantes melhores classificados. Para trás ficavam muitos outros grupos, bem mais atrasados, e com nomes importantes dos últimos anos, como este ano vem sendo habitual. Desse grupo escapou, ainda bem longe da meta, Patrick Konrad, o campeão austríaco, que chegou isolado à meta, com quase 14 minutos de vantagem para o líder do Tour. 

Na classificação geral não houve alterações significativas. Nem no segundo lugar!

Hoje, no dia nacional da França, já foi montanha a sério, entre Muret e o alto do Col du Portet. Grupos, houve muitos. Mas fugas propriamente ditas, apenas uma, E com pouca gente - seis corredores apenas - que não resistiram à última das três subidas - o “trio terrível”, como lhes chamou a organização -, afinal onde tudo aconteceu. Como era inevitável.

À entrada no Col du Portet o grupo dos favoritos seguia cerca de quatro minutos atrás de Dorian Godon e Anthony Pérez, os últimos resistentes dos fugitivos. Tempo que rapidamente se esfumou, às mãos dos dez primeiros classificados, todos juntos a atacar a subida, depois de aproveitarem excelente trabalho de Majka, naturalmente destinado a Pogacar. Mas não por muito tempo. Um a um foram ficando para trás - e lá estava a maldição do segundo, mesmo que ele se chamasse Rigoberto Uran - até ficarem apenas três. E Pogacar atacou. Uma vez, duas vezes… 

Jonas Vingegaard respondia, e Richard Carapaz apenas aproveitava. Para se reservar para espetar o ferrão, já perto da meta. Pogacar respondeu, e Vingegaard cedeu. Para rapidamente recuperar, passar o equatoriano e quase discutir a vitória com Pogacar. Quase, porque o jovem esloveno não dá hipóteses a ninguém, e ganhou categoricamente. Para alargar ainda mais a vantagem colossal que já levava.

Os três primeiros da etapa são agora os primeiros da geral. Pela mesma ordem, e agora, sim, o segundo já de lá não deverá sair. Porque, sem qualquer dúvida, Vingegaard é o segundo melhor!

 

 

À Bayern, diziam eles...

Venda de ações da SAD do Benfica compensaria 'rei dos frangos' por ajudar  Vieira - Benfica - Jornal Record


Os objectivos da OPA, que muitos benfiquistas, entre os quais me incluí (aqui, ou aqui) na altura desmascararam, não morreram quando a CMVM lhe passou a certidão de óbito. Era para Vieira e os seus fazerem dinheiro, muito dinheiro, e tinha que ser feito.


Não deu para fazer com OPA, fez-se sem OPA. E sem informação, em segredo completo. Foi preciso passar-se pelo que se está a passar para vir a público. E para, só depois de ter sido tornado público, a administração da SAD do Benfica fazer de conta que o tornava público.


De então para cá as acções do accionista José António dos Santos cresceram, cresceram, cresceram... O comprador, o prometente comprador, o Sr Textor veio dizer que nunca negociou com o Benfica, apenas com o Sr Dos Santos. Pois não, nem precisava ... Já tem 25% da SAD, sinalizados com um milhão de euros, e quem conhecer o seu perfil de investidor sabe que não gasta dinheiro para não mandar.


E não é preciso saber muito destas coisas para perceber que ninguém gasta 50 milhões de euros para investir em acções que não se valorizam em mercado, que não distribuem dividendos e que, qualificando-o como investidor relevante, não lhe garantem condições para mandar. Nem é preciso ser visionário para ver onde se pretendia chegar.


Mas, dizia Vieira, e replicam-no anda hoje muitos, era uma operação à Bayern.


 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Há eleições. A época é que ainda está por preparar!

Reunião ordinária dos órgãos sociais vai analisar situação do SL Benfica -  Desporto - SAPO 24


 


O Comunicado assinado pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, António Pires de Andrade, no fim da reunião ordinária quadrimestral dos órgãos sociais que se realizou esta tarde no Estádio da Luz, entre inevitáveis banalidades, dá-nos conta de duas notícias.


Uma é boa, e inevitável - a realização de eleições. Mas peca por tardia. Essa era a notícia que teria de ter sido dada na passada sexta-feira, quando Rui Costa se anunciou Presidente do Benfica. Teria de ter sido a quarta frase da sua declaração: a primeira para dizer que tinha assumido a presidência, a segunda para o sustentar com a responsabilidade do momento, a terceira para particularizar as responsabilidades urgentes na emissão obrigacionista e no apuramento para a Liga dos Campeões. 


Hoje apenas teria que ser comunicada a data marcada.


A outra consta logo no início do Comunicado é má - péssima - e deveras preocupante. A unanimidade em, nesta altura, a duas semanas do início das competições, classificar "a preparação da época desportiva no futebol" como "objetivo de curto prazo a que se torna imperativo dar resposta", é mais que preocupante. É surreal!


 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Acabei de ouvir o meu amigo José Poças Esteves – responsável da SAER (subsidiária da Companhia Portuguesa de Rating, que pode desempenhar um papel naquela ideia de uma agência de rating europeia), em declarações difundidas pela Antena 1 – chamar a atenção para a necessidade da Alemanha, finalmente, adoptar, no seu próprio interesse, uma posição de defesa dos países da União mais pobres e vulneráveis à complexidade da actual crise.


Dizia que, se o não fizer, a Alemanha põe em causa a sua própria estratégia de crescimento e começa, também ela, a empobrecer. Parece-me que toda a gente percebe isto, que também por aqui tem sido defendido. Daí que tenha recomendado à classe política alemã que se preocupe em explicar isto muito bem ao seu eleitorado. Que explicasse muito bem que a Alemanha ganha com o euro a competitividade que não ganha com uma moeda própria: com o marco!


E é aqui que, a meu ver, está o ponto!


Os dirigentes alemães não têm só que alterar a atitude institucional da sua política europeia, saindo rapidamente e em força, sem mais hesitações, em defesa dos seus parceiros periféricos e fragilizados. Têm que explicar muito bem aos seus eleitores – o que, depois de tanto tempo a fazer crer que os do sul são uns ineptos, incapazes e preguiçosos que vivem do trabalho alemão, não irá ser nada fácil – o que ganham com o Euro e com os PIGS. E o que perdem sem eles!


O risco de países como a Grécia, Irlanda e Portugal (e a Espanha, e a Itália e a Bélgica…) abandonarem a união monetária é elevadíssimo. Mas, como tenho denunciado, não é menor o de ser a própria Alemanha a fazê-lo, o que daria no mesmo: a implosão do euro!


Com eleições em 2013, nas actuais condições, creio que pouca gente terá dúvidas que, se surgir algum aventureiro a candidatar-se com um programa de restaurar o marco, terá grandes probabilidades de as vir a ganhar. Foi assim que, há perto de 80 anos, Hitler chegou ao poder. Salvaguardadas as devidas distâncias, nada nos garante que não possa surgir outro kaiser!


É por isso, meu caro Zé, que fizeste muito bem em lhes recomendar que tenham juizinho. Que eles te ouçam!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A União Europeia (EU) reagiu à notação da Moody`s à dívida portuguesa de forma concertada - ao que pareceu – com as instituições nacionais. A reacção vale o que vale – que não é muito – e em particular a de Durão Barroso valeu pouco. Valeram bem mais as alemãs e valeu, essa sim porque foi bem para além da simples declaração formal, a do BCE ao declarar que deixará de condicionar a sua actividade pelas notações de rating.


Esta é uma decisão relevante e que há muito se impunha. O BCE, bem como os restantes organismos europeus, conhecem – têm toda a obrigação disso – as economias europeias e as condições financeiras dos estados membros. Nem o famoso caso grego serve para o pôr em causa. Os gregos não enganaram a União Europeia, esta é que quis deixar-se enganar! Já vinha dos tempos da integração no euro: a UE sabia perfeitamente que a Grécia não cumpria os critérios de adesão!


Não precisa, por isso, dos serviços das agências de rating e faz muito bem em dispensá-los. Percebe-se mal, de resto, a intervenção das agências de rating nas dívidas públicas, mas isso é outra história.


Esta é uma decisão eficaz e com todo o sentido: de oportunidade e de princípio. Já a anunciada criação de uma agência de rating europeia – prevista lá para o Outono mas que António José Seguro pateticamente reclama para já – não faz qualquer sentido. Se as agências americanas não estão acima de suspeição, a resposta tem que ser dada através dos dispensa dos seus serviços, nunca substituí-las por outras criadas com todo o ar de quem procura favorecimento (a agência chinesa foi criada num cenário que nada tem a ver com o que actualmente vive a Europa).


Outra coisa seria o lançamento não de uma, mas duas ou mesmo três novas agências que alarguem a oferta e confrontem o oligopólio americano com uma concorrência séria. Porque, para além de todas as suspeitas, há os factos: estas empresas, ligadas aos interesses financeiros americanos, tiveram uma participação escandalosa na crise financeira mundial de 2008 que ainda hoje asfixia milhões de pessoas por esse mundo fora. E isto não pode continuar como se não tivesse acontecido!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...