sexta-feira, 16 de julho de 2021

Uma história curta para a mais longa presidência

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Poderia ter ficado na História do Benfica como um dos grandes presidentes do clube, mas fica apenas como o que mais tempo ocupou o lugar. Tempo de mais, e acabou enxotado porta fora, pela mais apertada da saída.


Luís Filipe Vieira até começou bem, com a construção do estádio e o regresso aos títulos - uma Taça de Portugal e um campeonato. Acontecimentos de alta tensão emocional, e de grande comoção benfiquista, reforçaram-lhe o apoio. Foi assim logo no início, com a morte de Feher, e mais tarde com a de Eusébio. 


Depois do bom início seguiram-se anos de desastre. Tínhamos ganho cedo demais, dizia então. Contratações completamente falhadas, e desacerto total na escolha dos treinadores, sucessivamente despedidos. Surgem os primeiros sinais de contestação à sua liderança que, curiosamente, é pela primeira vez desafiada pelo seu primeiro braço direito, José Veiga. Curiosamente, também, o primeiro elemento estranho que chamou para junto de si, directamente proveniente das hostes de Pinto da Costa. Ms não estranhamente, porque também ele daí vinha, e era ainda então sócio do Porto.


Acabaria a encher o clube de gente dessa, como bem nos lembramos, e a blindar com os estatutos qualquer ameaça ao seu projecto pessoal.  


Entretanto nascia o Seixal, um viveiro único de jogadores. Chega Jorge Jesus - o casamento perfeito - e nem um é aproveitado. Tinham de nascer dez vezes. E a Benfica TV, um projecto inovador, e um poderoso instrumento de afirmação do Benfica, pronto para romper com os interesses instalados à volta do todo poderoso Joaquim Oliveira. A quem rapidamente se vende, acabando por reduzir um grande projecto de televisão e de negócio, a um simples - e vergonhoso - canal de propaganda pessoal, à imagem do que de pior se faz nas mais desprezíveis ditaduras. Pago pelos benfiquistas!

Aponta a estratégia para o Seixal, e tem de renegar Jesus. Que, pela sua própria condição e estatura, se torna num dos principais inimigos do Benfica. Começa aí uma boa parte dos últimos capítulos desta história de Vieira. Começa com os vouchers, e depois foi em catadupa.

O Seixal resplandece, dá títulos e muitos jogadores para vender. Dinheiro a rodos, Os resultados da SAD engordam, mas o Passivo permanece na mesma, inamovível. E títulos, o desejado e nunca alcançado tetra. O Porto está de rastos, falido e sem ganhar há quatro anos, coisa de que já nem se lembrava. Então Vieira dá-lhe a mão, e desiste do penta, desinvestindo claramente na equipa.

Despede Rui Vitória, mas vê uma luz, e readmite-o para o voltar a despedir semanas depois. Diz que contrata Mourinho, mas entra Bruno Lage, por uns dias, porque afinal já estava tudo perdido. Enganou-se. Não estava. 

Vendeu João Félix, com truques de ilusionismo sobre a cláusula de rescisão. Saiu Jonas. E Lage que se desenrascasse, porque contratações não havia. Ainda assim as coisas iam correndo bem, até de repente passarem a correr mal. 

Novos casos, novas buscas, novos processos judiciais surgiam todos os dias nos jornais. Novos mails iam sendo sucessivamente divulgados, e revelando-nos coisas que não nos podiam orgulhar, e que lançavam o nome do nosso Benfica na mesma sargeta onde há muitos anos corriam os outros. Tinham sido obtidos e divulgados de forma ilegal, sim. Mas existiam, e existem. Como existiam, e existem, as gravações do apito dourado. Exactamente!

Vêm aí eleições, e corre a buscar ... Jesus, como se ninguém tivesse memória. Sabe quem tem, e sabe que tem gente capaz de tudo esquecer e perdoar por um campeonato. Que tudo  troca por uma ilusão. E já tem 100 milhões para gastar em contratações. Falhou tudo!

Termino aqui a história da presidência de Vieira. Devem ter reparado que não toquei num único ponto daquilo de que Vieira é suspeito, nuns casos, e já acusado, noutros. Todos e cada um com a gravidade  criminal que têm, e boa parte deles gravosamente lesivos do património material e imaterial do nosso Benfica. 

É que não é preciso abrir sequer essa parte da história para, do ponto de visto do benfiquismo, fazer o julgamento da presidência de Vieira. Nem sequer entrar no capítulo reservado ao Sr Textor. Daí que não consiga entender os louvores que hoje lhe vão correndo pelas redes sociais se não no quadro daquilo que são, e a que se prestam. 

 

 

 

 


 




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