sábado, 30 de junho de 2018

Rússia 2018#7 - Sem surpresa e sem milagres


 


Aos oitavos de final, ao primeiro mata-mata, a selecção nacional perdeu e volta para casa. Ninguém poderá dizer que ficou surpreendido. As exibições nunca convenceram mas, pior que isso, nunca se percebeu qualquer evolução no jogo da equipa.


Sabe-se que uma equipa de selecção não dispõe das mesmas condições de treino que uma equipa de clube. Que um seleccionador nacional não pode trabalhar os jogadores como um treinador de clube, falta-lhe tempo. O tempo que é necessário ao entrosamento, à introdução de automatismos, ao trabalho táctico. Por isso - e mesmo ressalvando que é por isso que os seleccionadores têm os seus núcleos duros, e que muitas vezes as convocatórias, e os próprios onzes, deixam de fora jogadores em melhor forma - é comum que o futebol das selecções evolua à medida que a competição avança, com os jogos a servirem para ir apurando a qualidade. Pois, ressalvando ainda que a equipa nacional apresentara já boa qualidade de jogo durante toda a fase de apuramento, e mesmo nos jogos de preparação, o futebol da selecção não evoluira com os jogos. Regredira mesmo.


Dir-se-á que foi azar. Que hoje, ao quarto jogo, a selecção fez a sua melhor exibição. 


Sem que se possa negar que este foi o menos mau dos quatro jogos efectuados, não se pode dizer que tenha sido uma boa exibição, construída a partir de uma razoável execução de um plano de jogo consistente e coerente. Apenas aconteceu que, perante uma equipa  como esta do Uruguai, e entrando a perder, a selecção portuguesa teve a bola que adversário lhe quis entregar e, com ela, assegurou uma superioridade que nunca conseguira nos três jogos anteriores.


O Uruguai é uma equipa que só sabe defender e marcar golos. Não sabe fazer mais nada. Ora isto seria grave, muito grave mesmo, se por acaso não fosse essa a essência do jogo: marcar golos e evitar sofrê-los. Não sendo grave, antes pelo contrário, como se percebe, também não é condição suficiente para fazer dela uma grande equipa. Nem nada que se pareça.


Tem uma das melhores duplas de centrais do mundo, e uma das melhores duplas de avançados, mesmo que um deles seja tão bom quanto batoteiro, ordinário. Chegando ao golo logo aos 6 minutos, numa estupenda jogada entre os seus dois avançados, tão boa que não merecia que o golo tivesse sido um chouriço daqueles, merecia mesmo um golo de cabeça a sério, como o Cavani imitou mas não fez, o Uruguai ficou com os seus problemas resolvidos. Bastava-lhe defender e ameaçar com aqueles dois lá à frente.


E de repente os jogadores portugueses viam-se com a bola mas sem saber o que fazer com ela. Não estão habituados a isso, e durante toda a primeira parte mais não fizeram que, ou trocá-la para o lado e para trás, ou tentar furar com ela em iniciativas individuais completamente desgarradas. Sem fazer mal a ninguém, sem um plano, sem uma estratégia, sem ligação, como se tivessem encontrado para uma peladinha.


Na segunda parte as coisas melhoraram, e a equipa nacional começou finalmente a cheirar o golo. De tal forma que quando Pepe marcou - foi o primeiro golo sofrido pelo Uruguai não só na competição, mas em todo o ano civil - já o golo se anunciava. Acreditou-se durante alguns minutos que o mais difícl estava feito, e que a remontada estava ali á mão.


Só que... o que Pepe deu, Pepe levou. Pouco mais de 5 minutos depois Pepe falhou um corte e a bola acabou em Cavani para, exactamente ao contrário do primeiro, do nada, de um pontapé do seu gurada-redes, fazer um grande golo e a repôr as coordenadas do jogo. Estava encontrado o homem do jogo, mesmo que a infelicidade lhe viesse a bater à porta poucos minutos depois, com uma lesão que o deverá afastar do resto da prova, que provalmente acontecerá já no próximo jogo, nos quarto de final, com a França.


A selecção de Portugal sai da Rússia sem glória nem honra. Não merecia chegar aos quartos de final, porque não está no lote das oito melhores equipas que por lá  passaram. Mas a verdade é que o Uruguai também não, e lá continua. 


A selecção que vimos ganhar categoricamente à Suíça na Luz, há uns meses atrás, ou até a que, há pouco mais de um mês, jogou em Bruxelas com a Bélgica, teria certamente  lugar entre as 4 melhores na Rússia. Esta não. Falhou sempre!


Quando nem Cristiano Ronaldo - que salta fora do campeonato do mundo no mesmo dia que Messi - se salvou, e quando, invarivalmente, todos substitutos, mesmo os mais reclamados, acabaram sempre por fazer ainda pior que os substituídos, há qualquer coisa que não se percebe... E os milagres estão pela hora da morte!


 


 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Tutti frutti*


 


Há dois dias o país acordou com um novo nome de uma nova operação da Polícia Judiciária e do DIAP: "tutti frutti", foi desta vez o nome escolhido, num exercício que tem já tanto de famoso quanto de pitoresco. Mas não é, evidentemente, a criatividade ou a propriedade dos nomes escolhidos, e em particular no escolhido para esta investigação, que é relevante.


A operação envolveu buscas em escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias em todo o país. E nos dois principais partidos políticos do regime, mas atingiu com especial incidência Lisboa e o PSD. Em causa estão suspeitas de crimes diversos, em particular o de corrupção, praticados por indivíduos ligados às estruturas partidárias no âmbito do poder autárquico e, tanto quanto se soube pelos nomes entretanto conhecidos, no caso do PSD, está envolvida gente proveniente das estruturas da juventude partidária que tem vindo a construir as suas redes.


Quer isto dizer que, nos partidos do regime, renovação não rima com regeneração. Que os nomes conhecidos do velho caciquismo passam, mas atrás deles vem novos nomes desconhecidos prontos a manter o sistema cacique e a rede de corrupção em perfeitas condições de funcionamento, porventura ainda mais refinadas.


É isto que desacredita, corrói e mata a democracia. São as práticas criminosas na política, na administração da coisa pública, que destroem as instituições e a democracia para, no seu lugar, surgirem movimentos inorgânicos e populistas que, a pretexto de as combater, visam apenas atentar contra os valores fundamentais da democracia e da condição humana.


Os partidos políticos são, ninguém tenha dúvidas, as instituições básicas da democracia. O combate ao caciquismo, ao compadrio e ao crime é decisivo para os salvar. E para travar os movimentos populistas anti-sistema que estão a tomar conta das democracias ocidentais, em particular na Europa. E que só não chegaram ainda ao nosso país porque não somos propriamente um povo de mobilização fácil. Para o bem, mas também para o mal!


Que a "tutti frutti" seja bem-sucedida. Levada até ao fim, e o princípio da regeneração da democracia que temos que salvar. 


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Rússia 2018#6- Brasil a crescer e Espanha com passadeira

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Terminou a primeira fase do campeonato do mundo de futebol. A partir de agora é o mata-mata, como dizia o outro - quem perder, vai para casa.


Esta fase inicial, agora encerrada, é normalmente o calcanhar de Aquiles deste tipo de competições. Porque é frequente que seja grande o desiquilíbrio de valores, e sabe-se como a falta de competitividade tende a nivelar por baixo, e a levar a um certo relaxamento nas principais selecções. Mas também pelo calculismo que este tipo de apuramento envolve, pior ainda quando se conhece desde logo o alinhamento futuro da competição. E, por fim mas o mais importante, porque tudo isto rouba qualidade ao espectáculo, fazendo com que os jogos se arrastem, com reduzidos motivos de interesse e mesmo, especialmente na última jornada, com quebra do compromisso desportivo. É inaceitável, mais ainda quando os bilhetes têm preços exorbitantes, verdadeiramente pornográficos. O jogo de hoje, entre o Japão e a Polónia, fica como um dos piores exemplos disso. Com a agravante de ter apurado o Japão - a única selecção fora do eixo Europa-América a apurar-se - em detrimento da palpitante selecção do Senegal, através de um critério a que chamam de "fair play".


Alguma coisa a FIFA terá de fazer contra isto. Mas o mais provável é que não faça nada!


Das 16 equipas eliminadas, e já de regresso a casa, apenas 4 são europeias. Desde logo a maior de todas as surpresas - a Alemanha, campeã em título. A Polónia, também decepcionante, a Islândia, que desta vez já não conseguiu surpreender, como fizera no europeu, de França, e a Sérvia, de quem sempre se espera o melhor ou o pior. E que invariavelmente confirma o pior. As restantes doze esvaziaram completamente as representações do resto do mundo, resistindo apenas o México, da América Central e o Japão, da Ásia.


Apenas três selecções conseguiram ganhar todos os três jogos desta fase: Uruguai e Bélgica, nos dois gupos mais desiquilibrados, e ainda com a agravante de um sorteio ultra-favorável, que atirou para o fim o jogo mais competitivo, já com o apuramento decidido. E a Croácia, esta sim com grande mérito e, de resto, a que apresentou o futebol mais excitante.


A eliminação da Alemanha não foi apenas a maior surpresa, foi mesmo o maior escândalo da competição. Disse aqui logo no arranque da prova que os alemães eram favoritos, mas com algumas reservas. Porque em boa verdade, ao longo deste último ano, esta selecção alemã nunca confirmou a exuberância de há 4 anos, no Brasil. E muito menos a forma categórica como venceu, há um ano, nesta mesma Rússia, a Taça das Conferderações, com uma selecção à base de jogadores mais novos, não consagrados.


Não fosse a Alemanha a assumir este protagonismo, e lá estaríamos a dizer que era o VAR a figura maior desta primeira fase deste mundial. Lamentavelmente, ambos pela negativa.  Das chamadas tecnologias salvou-se o olho de falcão, de confirmação do golo. O VAR foi um desastre, exponenciando todos os factores negativos que lhe eram atribuídos, como bem ficou à vista naquele último jogo da nossa selecção, com o Irão.


Com jogos tão pobres não se poderiam esperar grandes exibições individuais. O nosso Cristiano Ronaldo começou bem, mas apagou-se nos outros dois jogos, com a agravante de ter falhado um penalti decisivo, e desapareceu dos tops. Esperemos que regresse. 


Nesta primeira fase sobressairam três jogadores, com o brasileiro Filipe Coutinho à cabeça, ofuscando completamente Neymar. Depois, o croata Modric, sempre a aproveitar estes grandes palcos, e o belga Hazard. 


Os grandes favoritos são, agora, o Brasil, a subir de rendimento e cheio de excelentes jogadores, e a Espanha que, não convencendo, acabou do lado simpático do alinhamento da competição, praticamente com uma passadeira estendida até à final. A passadeira que a nossa selecção tão bem conhece, e que desta vez entregou de bandeja aos espanhóis. Mesmo que a bandeja tenha acabado por ter sido servida pelo VAR...

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Pedro e o lobo

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Pedro é mesmo Pedro. O lobo é que não é bem lobo, mas às vezes veste-lhe a pele...


Pois é. Pedro Santana Lopes vai deixar o PSD e criar um novo partido. Vai trocar de camisola. Ou de pele. Desta é que é, jura.


Ainda vamos ter tempo, da próxima vez que se voltar a candidatar à liderança do seu PPD/PSD, de ouvir o Pedro repetir que nunca quis sair. E muito menos criar um partido novo para dar cabo daquele que sempre foi o seu. Tão seu ...


É isso. O Pedro nunca nos desilude!

terça-feira, 26 de junho de 2018

Toca a todos

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Porque isto toca a todos, os últimos líderes da bancada parlamentar do PSD foram constituídos arguídos no caso das viagens de políticos a França, para assistirem a partidas de futebol do Euro 2016, também eles indiciados da prática do crime de recebimento indevido de vantagem. 


Já se sabia que também eles - eles e mais uns quantos - tinham ido à bola "à conta". No caso, "à conta" de Joaquim de Oliveira, da vida da bola, da Olivedesportos, da Cosmos e de mais umas quantas coisas que já não se sabe bem se são ou se não são. Sabe-se é que foram dos que não pouparam nas balas quando a altura foi de atirar aos dois secretários de Estado do PS, que tinham ido à bola, à mesma bola, mas "à conta" da Galp. 


Poderia dizer-se que é preciso ter lata. Mas lata é coisa que bem sabemos que não lhes falta...


Que toca a todos já a Polícia Judiciária percebeu...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Visita de trabalho

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O Presidente Marcelo vai encontrar-se amanhã com Trump, na Casa Branca. Diz-se que não haverá selfie, nem sequer conferência de imprensa conjunta, daquelas que nunca se sabe muito bem como vão acabar. É uma "visita de trabalho", não é uma visita de Estado. Não dá por isso para grandes exuberâncias e Macron, a quem não faltaram os gestos mais expressivos - deu até para limpar a caspa do casaco -  não ficou assim tão bem na fotografia...  


Cá para mim, Marcelo apenas quer acrescentar mais um cromo à sua caderneta: faltava-lhe lá o cromo do Trump, e teria que tapar aquele espaço em branco fosse lá como fosse. Não queria continuar com o quadradinho em branco, mesmo  sabendo bem que Trump não é por estes dias o cromo mais procurado. Deve haver para troca... 


Parece-me que é isso.


 


 


 

Rússia 2018#5 Nos oitavos... mas, mau de mais!

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A selecção nacional segue para os oitavos de final do mundial, na Rússia. Imerecidamente, sem qualquer dúvida!


Portugal foi claramente a pior equipa do grupo, sempre, em qualquer dos três jogos, claramente inferior a todos os adversários. Dir-se ia que este último jogo, com o Irão, não fez mais que confirmar os primeiros dois, e especialmente o segundo, o único que ganhou, com Marrocos. Mas fez. Confirmou também muita da "porcaria" do futebol português... Da velha.


Fernando Santos introduziu três alterações na equipa, com Adrien no lugar de Moutinho, Quaresma no de Bernardo, e André Silva no de Gonçalo Guedes. Manteve os laterais, e provou-se que mal. Manteve Fonte e Wlliam, incumbido de sair com a bola, coisa que tinha flagrantemente falhado nos jogos anteriores.


Comecemos por aí, por onde o jogo começa. E por onde o jogo de hoje começou por funcionar, enquanto os jogadores do Irão ainda só queriam defender e deixavam aquele espaço todo sem incomodar ninguém. Depois, bem... depois foi outra música, os iranianos subiram e William desapareceu. 


Dizia-se que era necessário alguém no meio campo que segurasse a bola. Pois... se calhar não seria Adrien o jogador mais indicado para esse desiderato. Também a reclamada entrada de André Silva tinha por objectivo - dizia-se - ter um jogador na área, num jogo - dizia-se - em que a selecção portuguesa teria sempre bola, e massacraria em ataque continuado. Nem foi nada disso, nem André Silva nunca esteve na área, acabando até na ala esquerda. Falhou tudo. Em toda a linha...


Resultou a entrada de Quaresma. Resultou porque marcou o golo - e que golo! - mas porque foi o único a jogar, a cruzar e até a rematar. Na primeira parte, porque, depois, viria a ser o primeiro a perder as estribeiras, o que também não surpreende ninguém.


O resultado de todas estas coisas foi um jogo que não teve nada de novo em relação aos anteriores. As mesmas diifculdades tácticas, técnicas, físicas e mentais. E até a mesma sorte, com o golo a surgir mesmo no fim da primeira parte, quando era já o Irão a mandar no jogo. 


Antes disso a selecção não fizera mais que dar confiança à equipa do Irão, empurrá-la depressa para a parte de cima do jogo. Para ilustrar isso nada melhor que lembrar aquele período inicial em que o guarda-redes iraniano andou literalmente à bofetada com os seus colegas da defesa, aos papéis a sair aos cruzamentos, e a largar bolas sucessivas. Pois, ou ninguém na selecção portuguesa percebeu que havia que explorar aquele momento, ou simplesmente não teve capacidade para mais. Nem um remate de longe, nem um cruzamento para tirar partido daquela tremideria toda.


Com o milagre do golo de Quaresma, Portugal foi para o intervalo a ganhar. E se um golo daqueles vale por um jogo, a verdade é que o jogo da selecção não merecia um golo daqueles.


Logo no recomeço, há mais um penalti que cai do céu. Um penalti de VAR, que lançou os iranianos no desespero, completamente perdidos. A perder por dois golos, e de cabeça perdida, o Irão seria então um adversário pacificado. Pois, mas hoje nem Cristiano Ronaldo havia, e o penalti que deveria transformar a equipa do Irão num tapete persa, serviria apenas para os ir buscar ao fundo do abismo.


E a partir daí só deu Irão e, em vez de tapete persa, o relvado foi coberto por um tapete de Arraiolos. Sem que Portugal nada fizesse por merecer a sorte que lhe sorria do Espanha-Marrocos, onde os "nuestros hermanos" andaram sempre a correr atrás do resultado. Acabaram por empatar no último minuto, num golo anulado e depois validado pelo VAR, quando o Irão chegava também ao empate, num duvidoso penalti de VAR. Merecido, pelo que mais uma vez não fez a selecção nacional, e pelo que fez a equipa do irascível e ressabiado Carlos Queiroz.   


A Espanha, em primeiro, e por isso a ficar do lado certo do sorteio, com os mesmos pontos e a mesma diferença de golos - o que não abona em nada o seu favoritismo - e Portugal, em segundo, seguem para os oitavos. Pelo caminho ficaram, não os melhores, mas os que se portaram melhor!


 


 


 

domingo, 24 de junho de 2018

Fontes de inspiração

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Na Turquia, Erdogan chegou finalmente ao poder absoluto, ao fim de 15 anos. O "auto-golpe" de há dois anos abriu-lhe o caminho, o resto - o referendo do ano passado, e as eleições de ontem - são apenas apenas simples formalidades.


Podia ter servido de inspiração a Bruno de Carvalho. Mas não serviu. O destituído presidente do Sporting preferiu inspirar-se em Trump. Não é bem a mesma coisa... Dá menos trabalho!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A epidemia*

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Na América, Trump refinou o que chama de tolerância zero contra os imigrantes ilegais, mesmo que para isso arrancasse crianças às famílias e as prendesse em jaulas, que uma senhora do seu governo, com a pasta da imprensa, comparou a campos de férias. No fundo, são campos de férias para as crianças, garantiu a senhora. Coisa que, rezam as crónicas, lhe valeu sérios incómodos num restaurante em que jantava um destes dias. Se é que é senhora para se deixar incomodar…


Sim, porque nesta administração Trump não há muita gente para se deixar impressionar por estas coisas, havendo até quem, perante hipóteses de comparação com os nazis, negue qualquer semelhança: na Alemanha nazi, eles queriam evitar que os judeus partissem; agora, na América, pretende-se evitar que entrem. Não os judeus, evidentemente… Ou até quem, de mãos erguidas, invoque a Bíblia para justificar as suas monstruosidades. Soube-se que Melanie Trump se sentiu fortemente incomodada mas, como se sabe, não pertence à administração. É apenas primeira-dama. E mesmo assim só quando convém…


Em plena União Europeia, em cujo coração a Srª Merkel, outrora inimiga da Europa e agora sua última esperança, trava uma dura luta de sobrevivência com o seu ministro do interior exactamente por causa destas coisas, o Sr Viktor Orban, anteontem, em pleno dia mundial dos refugiados, fez aprovar no parlamento da Hungria um pacote legislativo que criminaliza, e pune com prisão, qualquer auxílio a qualquer imigrante ilegal ou refugiado. Ou quem ouse auxiliar alguém a pedir asilo.


Na Europa, um país membro da União Europeia, não se limita a inscrever na Constituição que “uma população estrangeira não pode fixar-se na Hungria”. Persegue quem defenda ou preste qualquer tipo de auxílio a estrangeiros que pretendam entrar no país de onde muitos cidadãos tiveram que sair para procurar melhores condições de vida. Como George Soros, hoje um dos maiores investidores e filantropos do mundo, e um dos maiores financiadores das organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, também na Hungria.


Mas de tal forma objecto da ira fascista do líder húngaro que o regime não encontrou melhor designação oficial para esta legislação agora aprovada que, justamente, “STOP SOROS”.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Rússia 2018#4 - Não há milagres...

 


 


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Este segundo jogo da selecção nacional no mundial confirmou todas as dúvidas. Apenas uma certeza: a equipa não joga nada!


Esperava-se que este jogo com a selecção marroquina viesse mostrar que a paupérrima exibição da primeira jornada se devera apenas às dificuldades adicionais que a selecção espanhola apresenta. Tinha sido evidente que, nos jogos de preparação para o mundial, tinha havido a preocupação de defrontar adversários com as características da selecção de Marrocos: Egipto, Tunísia e Argélia. Não foram poucos!


Era por isso legítimo esperar uma selecção confiante, bem preparada, desinibida e capaz de exibir no campo a tão propalada superioridade. Seria difícil esperar menos do campeão da Europa. Acresce ainda que entrou a ganhar, com aquele golo do inevitável Cristiano Ronaldo, logo aos 4 minutos.


Mas não aconteceu nada disso, e a exibição portuguesa foi simplesmente deprimente. Sem conseguir mandar no jogo, nem sequer conseguir segurá-lo, sem controlar coisa nenhuma - nem espaço, nem tempo, nem bola... Sem acertar um passe, nem que fosse a um ou dois metros. Sem ganhar um duelo. Sem ganhar uma bola dividida. Jogadores sem chama, sem querer e sem crer, sem saber o que fazer com a bola nas poucas vezes em que a tinham.


Quando as coisas são assim, é normal atribuir responsabilidades ao treinador. Mais a mais quando temos por garantido que a equipa dispõe de grandes jogadores, de verdadeiros craques. A ideia de responsabilizar o treinador começa no entanto a perder solidez quando vemos que ele vê o mesmo que nós. Ora, se ele vê o defeito, é porque não é aquilo que quer. Não prepara os jogos para aquilo, nem manda jogar assim... E depois lembramo-nos que vimos dois anos de boas exibições da selecção. Durante toda a fase de apuramento a equipa jogou bom futebol, incluindo no único jogo que perdeu, logo o primeiro na Suíça. E nos jogos de preparação, tendo um jogo mau, é certo, com a Holanda, os restantes foram bons, incluindo o jogo na Bélgica, de elevado grau de dificuldade. E o jogo mau teve até atenuantes, com algumas ausências e especialmente sem "Ele". 


Portanto, este treinador já colocou a equipa a jogar bem. Se não é do treinador, é dos jogadores. Afinal não são assim tão bons como dizem. Não serão, mas já vimos de que são capazes. Nos seus clubes, mas também na selecção.


Se calhar é do momento de forma dos jogadores. Mas também se diz que as convocatórias devem ser feitas em função dos jogadores, que a forma logo vem. Se calhar não é bem assim, e devia olhar-se também para as suas circunstâncias. O que se passou no Sporting não deixou de afectar os jogadores, salvando-se apenas Rui Patrício, por acaso o único que tem a situação resolvida, mesmo que mal. Salvou-se e salvou a equipa. O que hoje se viu de Gelson, William e Bruno Fernandes deixou poucas dúvidas. João Mário jogou pouco e não conseguiu afirmar-se durante toda a época, não tem ritmo nem condição física. Adrien, idem. Raphael Guerreiro, aspas. Os dois centrais foram até os melhores neste jogo, mas a destruir. Não sabem sair com bola e é por aí que começam os grandes problemas, mesmo que Pepe tivesse estado intransponível. Por fim, Bernardo Silva é peixe fora de água. Não está rotinado para jogar da forma a que fica obrigado, e é uma peça perdida. 


São jogadores a mais sem condição nesta altura da época. Mas, pior: é o núcleo duro de Fernando Santos!


Agora não há remédio, e se não houver um milagre que dê a volta à condição dos jogadores, será curta em honra e prestígio esta passagem da selecção portuguesa pela Rússia. Porque não há mais milagres, aconteceram todos em França, há dois anos.


Cristiano Ronaldo, que desta vez chegou, ele sim, com todas as condições, é que não merecia isto. Como deve ser inglório...


 


 


 


 

Dia mundial do refugiado

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Celebra-se hoje o dia mundial do refugiado. Não resolve nada, mas dificilmente haveria data mais oportuna...

terça-feira, 19 de junho de 2018

Coisas dramáticas

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Há muito que tenho para mim que a Europa, depois de salva por duas vezes em pouco anos pelos Estado Unidos, começando por se acomodar à condição de protegida, acabou dependente absoluta dessa protecção, renunciando a qualquer juízo crítico, ignorando liminarmente qualquer conflito de interesses, e assumindo o trágico dogma que, se é bom para a América, é bom para a Europa. 


Este é um tema com pano para mangas, que talvez venha a abordar num destes dias. 


O problema dos fluxos migratórios, hoje central no futuro da Europa, não se pode dissociar dos interesses americanos que a Europa tomou de dores sem perceber que conflituavam com os seus mais básicos interesses geoestratégicos. E é extraordinário que, à beira da implosão, a Europa não perceba isto. Não deixa de ser dramático que Trump invoque o exemplo alemão para justificar os crimes que está a praticar na fronteira mexicana. E que Trump seja exemplo para aprofundar a crise na Alemanha, para a espalhar por toda a Europa e para acabar com o que resta da ideia europeia.


 


 


 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O dedo

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Os incêndios do ano passado continuam a chamuscar António Costa. Ele bem se esforça por se desviar, passar ao lado, não olhar para não ser visto. Mas ninguém o deixa, e ninguém baixa o dedo sempre espetado na sua direcção. 


O primeiro aniversário da primeira série dos trágicos incêndios de 2017 deixou isso bem claro. Marcelo, Associação das Vítimas e imprensa não esquecem, nem permitem que se esqueça, que é ali que mais tem de doer a António Costa. E não se limitam a usar o dedo apenas para a pontar, pôem-no na ferida, espetam-no lá bem dentro...


Por muito especialista que seja - e é -  a fazer-se desentendido, a assobiar para o lado, desta, nunca António Costa se irá ver livre.


 

domingo, 17 de junho de 2018

Rússia 2018#3 - México, um "case study"

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O mundial de Putin lá vai indo, já com muitos jogos. Uns de pouco interesse, um ou outro mais romântico - um clássico dos mundias, há sempre aquelas equipas românticas, naifs, que quase nos encantam, mas no fim acabam sempre a perder, como desta vez foi o caso sa da selecção do Peru, contra a Dinamarca - e um ou outro grande espectáculo. Nesta categoria continua a sobressair o Portugal-Espanha. 


Surpresas nos empates da Argentina e, mais ainda, do Brasil. E uma grande surpresa: a derrota da Alemanha, num grande jogo do México. Sempre considerei a Alemanha na prmeira linha dos favoritos, com o Brasil e a Espanha, mas já aqui deixara, no primeiro texto desta série, as minhas reservas sobre o actual campeão mundial.


Não é, nem por isso, por essas reservas, nem pela surpresa, que destaco este jogo do grupo F. É porque me parece que constitui um "caso de estudo" para a equipa técnica e para os jogadores da selecção nacional. Não sei se se devem meter todos numa sala e ver este jogo vezes a fio. Ou se basta verem o jogo uma só vez e retirarem-se depois, todos, para umas horas de reflexão.


A equipa mexicana não tem um jogador que caiba no onze da selecção nacional. E para os 23, se calhar, não se aproveitariam mais que um ou dois. E no entanto aqueles jogadores não tiveram medo do campeão do mundo. Não entraram a tremer, nem em momento algum duvidaram de si próprios. Entraram a saber o que tinham de fazer para discutir o jogo e o resultado, não abdicando do seu futebol, das suas capacidades e das suas aptidões.


Jogaram e foram quase sempre superiores à Alemanha. Porque, tacticamente, o colombiano Juan Osório "deu um banho" a Joachim Löw mas, acima de tudo, pela atitude mental dos jogadores mexicanos. Ganharam por 1-0. Mas, se tivessem a qualidade dos jogadores portugueses, a jogar o que jogaram, teriam goleado os campeões do mundo. 


É isto!


É por isto que Fernando Santos, e a sua equipa técnica, e os seus jogadores, deveriam ver este jogo e, depois, "partir pedra" em cima dele! 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Rússia 2018#2 - Um campeão é um campeão!

 As imagens do Portugal-Espanha que não viu na televisão


 


Era um dos grandes jogos deste mundial, e seguramente o de maior cartaz da jornada inaugural, este que opunha as duas selecções ibéricas e as mais fortes deste grupo B. E não desiludiu.


Não desiludiu na qualidade do espectáculo que, como se sabe, é determinada pela qualidade do jogo, pelos golos e pela emoção da disputa do resultado. Seis golos - o jogo com mais golos dos já disputados - são golos suficientes para um grande jogo. Acresce ainda a própria qualidade dos golos, dois deles, os dois últimos ou o terceiro de cada equipa, verdadeiramente sensacionais. A emoção de três golos para cada lado, com o marcador a passar por todas as alternativas possíveis, fez o resto.


A selecção espanhola confirmou que é indiscutivelmente uma das melhores equipas de futebol do mundo, e um dos mais sérios candidatos ao título mundial. Nem vale a pena falar da situação por que passou, com o despedimento de Lopetgui há dois ou três dias. Esta equipa nem precisa de treinador, joga assim há mais de 10 anos, como referia Fernando Santos. Nem para fazer substituições, pode sair qualquer um e entrar qualquer outro. 


A selecção nacional fez o que pôde. E nem se pode dizer que tenha podido pouco, mesmo que se tenha de dizer que Cristiano Ronaldo pôde de mais.


Começou bem, com o penalti logo aos 3 minutos. Falta cometida sobre o capitão, que converteu irrepreensivelmente. A Espanha demorou algum tempo a aquecer os motores, mas aos poucos lá foi instalando o seu tiki-taka no relvado. Nada que parecesse preocupar muito os portugueses, bem organizados, como quem sabia bem o que os esperava. De tal forma que chegou a estar bem mais perto do 2-0 que a Espanha do empate.


Logo a seguir à segunda oportunidade para fazer o segundo golo, como que a penalizar o desperdício, surgiu o golo do empate. Um golo com muita história: no contra-ataque a bola chegou a Diego Costa, que "aviou" o Pepe com uma falta evidente e ficou sozinho com o José Fonte, de quem fez gato sapato, com todo o tempo do mundo ... Que o Wlliam Carvalho lhe deu. Mais parecia que estava a fazer tudo para lá chegar só depois do brasileiro, agora espanhol, ter tudo preparado para rematar fora do alcance do Rui Patrício.


Passava pouco do meio da primeira parte, e a partir daí foi o sufoco. Só dava Espanha, e começava a cheirar a banho de bola. 


Só que quem tem CR 7 tem quase tudo. Mas se tiver um bocadinho de sorte tem mesmo tudo. E, já com intervalo ali mesmo, o guarda-redes espanhol, que não fizera - nem viria a fazer - uma defesa, defendeu para dentro da baliza o remate do Cristiano. E era o segundo, com a selecção nacional de novo na frente do marcador, à beirinha do intervalo e depois de submetida a vinte minutos de sufoco.


A segunda parte não correu nada bem, e bastaram pouco mais de 10 minutos para os espanhóis darem a volta ao resultado. No espaço de 3 minutos, aos 55 e aos 58, marcaram dois golos. Primeiro, de novo por Diego Costa, num golo "impossível" de sofrer num campeonato do mundo, na sequência de um livre a meio do meio campo, onde defensivamente tudo correu mal. E depois num golaço de Nacho, solto e sozinho à entrada da área, porque as trocas de bola da selecção espanhola em plena área tinham desmontado tudo o que era organização defensiva.


A ganhar, a Espanha continuou a fazer bem o que já há muito fazia. Só que, agora, sem necessidade de correr riscos, podia fazê-lo ainda melhor, obrigando os já esgotados jogadores portugueses a correr que nem loucos atrás da bola.


Só que lá voltamos ao mesmo: quem tem Ronaldo... A 4 ou 5 minutos do fim o Piquet esqueceu-se disso e, á entrada da sua área, fez falta ... Pois ... Sobre quem? Pois... 


Numa execução soberba, na cobrança do livre, o tal senhor fez o terceiro. Um "golão" do outro mundo. E o empate final!


No fim ficamos todos contentes. Mas fica-nos um certo sabor amargo de ver jogadores de tanta categoria, como são os que maioritariamente constituem a equipa nacional, como que castrados pela obsessão de defender, inibidos de jogarem o que podem e sabem. É certo que não é fácil para ninguém jogar contra a Espanha, e não será provavelmente muito justo tirar conclusões deste jogo. Mas lá que ficou este amargo, que nem o resultado nem a glória de Ronaldo apagam, ficou!


Sobre Cristiano Ronaldo já não há nada que falte dizer. Dizer que foi o melhor em campo, "o homem do jogo", não é novidade para ninguém, mesmo para quem não viu o jogo. Mas, se calhar, vale a pena dizer que este senhor que hoje jogou o que jogou, e que foi assobiado pelos espanhóis cada vez que tocou na bola foi, esta semana, depois de um longo período de bulling fiscal, condenado pela Justiça Fiscal espanhola a dois anos de prisão, com pena suspensa, e a pagar perto de 20 milhões de euros. 


Pois é. Um campeão é um campeão!


 

quinta-feira, 14 de junho de 2018

De novo, no Mediterrâneo…*

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A Europa voltou a olhar-se no espelho de água do Mediterrâneo, no drama de 629 refugiados africanos - homens, mulheres, algumas delas grávidas, adolescentes e crianças, resgatados ao mar na madrugada de sábado e manhã de domingo.


E não pôde se não envergonhar-se do que viu nas primeiras vítimas da xenofobia do novo governo italiano, que não serão seguramente as últimas das contradições e dos bloqueamentos de uma Europa amarrada, incapaz de responder à dimensão dos desafios que tem pela frente, entre os quais a resposta a estas vagas migratórias.


Valeu a arrojada e corajosa decisão solidária do novo primeiro-ministro espanhol, que se apressou a chegar-se à frente para evitar uma enorme e injustificável catástrofe humanitária de que a Europa nunca se redimiria. Desta vez…


Porque nada mudou, mesmo que evitar uma catástrofe nunca seja pouco. Ninguém acredita que esta atitude de Pedro Sanchez cure a cegueira da União Europeia, ou que a liberte dos seus fantasmas. A pressão migratória vai aumentar. De imediato, porque vem aí o Verão. A prazo, porque o ritmo de crescimento da população no continente africano é maior que em qualquer das outras partes do mundo. E porque as máfias que a alimentam, para dela se alimentarem, fazem o resto.


Não deixa de ser notável que, num mundo em que tudo circula livremente, em que em especial o capital não encontra barreiras, só a livre circulação de pessoas seja impedida. Que se levantem muros para barrar a passagem das pessoas quando se abrem auto-estradas para que o dinheiro circule mais depressa, e se possível sem deixar rasto.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Rússia 2018#1

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Arrancou o campeonato de mundo de futebol de 2018, na Rússia. A festa não foi grande, durou pouco mais de 10 minutos. O jogo de abertura também não foi grande, mesmo com um grande resultado. Dos gordos!


Como é hábito desde há uns - desde 2006, antes era o campeão em título que tinha esse privilégio - a selecção anfitriã abriu a competição, e goleou: 5-0 à Arábia Saudita, o maior resultado de sempre num jogo de abertura de um campeonato do mundo.


Não há muito a dizer sobre o jogo, a não ser que a selecção asiática, dirigida pelo argentino Pizzi, ficou muito aquém do exigível numa competição destas. E mesmo muito aquém do que dela se esperava. E que à selecção russa saiu um brinde inesperado. Ia em sete jogos sem ganhar, não atinava, e ninguém dava nada por ela. Sabe-se o que os bons resultados fazem, e com um resultado destes logo no jogo de abertura, a jogar em casa, os russos ganham um peso que não tinham. Pode até chegar para o apuramento para os oitavos de final...


Não dará é para muito mais. Este é o mundial de Putin, não é o da Rússia. Ele é que já o ganhou!


Amanhã é já dia de Portugal. E da Espanha, já sem Lopetegui, que continua especialista em tiros no pé, em mais um duelo ibérico, que não deverá, para já, pôr em causa as aspirações de nenhum dos dois vizinhos.


A Espanha está na primeira linha dos favoritos, com o Brasil, a França e, se bem que com algumas reservas, a Alemanha. A selecção portuguesa tem condições para fazer bem melhor que fez no Europeu (sim, bem sei que ganhou, mas não fez grande coisa, e sabemos todos que ganhou em circunstâncias irrepetíveis). Desde logo porque tem melhores jogadores, mas também porque joga bem melhor. Com melhores jogadores e sempre mais fácil jogar melhor!


Desta vez, em termos de calendário, de alinhamento de jogos, não temos nada que se pareça com o europeu do nosso contentamento. Logo nos quartos de final encontraremos um dos tubarões, provavelmente a França. Bem... onde já vamos...


Calma!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ironia entre muros e barreiras alfandegárias

 


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Na véspera da abertura do campeonato do mundo de futebol, na Rússia, a FIFA anunciou os organizadores do certame em 2026 (o próximo, como se sabe e se tem dificuldade em acreditar, é no Qatar). Pode parecer irónico, mas a ironia não é o forte da FIFA: Estados Unidos, Canadá e México, vão acolher em 2026 a maior competição de futebol do mundo!


É pela primeira vez uma organização a três, mas não é aí que está a novidade. E muito menos a ironia, na semana em que Trump e Trudeau esfaqueram as suas relações de vizinhança. As de Trump com Peña Nieto, essas há muito que estão dilaceradas. Irónico será o futebol a circular livremente entre muros de betão e barreiras alfandegárias em verdadeira harmonia. Mesmo que já sem Trump...

Ponto final*

 


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O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou o Estado português a pagar mais de 68 mil euros a Paulo Pedroso, colocando um ponto final no processo verdadeiramente kafkiano em que se viu envolvido, engolido pela inacreditável enxurrada em que se tornou o processo Casa Pia.


Evidentemente que a indemnização, quinze anos depois, não paga coisa nenhuma, nem repara danos irreparáveis. Não se pode dizer que foi feita Justiça, porque não foi. Nem poderia jamais ser. Salva-se apenas o ponto final, uma pedra tumular em cima do assunto, numa certa libertação pela morte. 


Uma morte em cima de outra. A morte de um processo que matou um homem, uma carreira, uma vida... E essa morte, vergonhosa e arrepiante, ficou por punir! 


 


* Título do próprio Paulo Pedroso no seu blogue


 


 


 


 


 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Cimeira ou espectáculo?

Jornal i


 


E foi vê-los, felizes e contentes, com Trump a dizer que foi “melhor do que alguém poderia imaginar”. O que ninguém poderia imaginar era um presidente americano a largar os amigos e aliados históricos para sair a correr para os braços de um Kim qualquer, da mais sanguinária dinastia contemporânea. Literalmente, só que com as letras feitas de imagens...


E é de imagem que se faz o espectáculo...

O mundo que se cuide...

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Mais ridículo que o ridículo Kim Jong-un, só um ridículo presidente americano, a fazer de estadista, fazer dele estadista. 


Ou juntá-los a ambos, e fazer de um encontro de dois loucos uma cimeira de paz... 

domingo, 10 de junho de 2018

8 anos

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O Quinta Emenda faz hoje anos. Oito!


Foi assim que nasceu, ali entre o 10 e o 11 de Junho de 2010. Já lá vão oito anos. Todos os dias, como então prometido: chova, como há muito anda a acontecer todos os dias, ou faça sol, como esperamos que volte depressa  a fazer. E é assim que irá continuar. Todos os dias, se possível com sol... E, já agora, com algum interesse.


 

Sem palavras

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Coisas que doem*

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Foi conhecido por estes dias o mais recente Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, que é publicado de três em três anos, segundo o qual Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, altura em que aqui no rectângulo seremos oito milhões de portugueses, praticamente ¾ da população actual. Pior, isto é, com maiores perdas de população, apenas dois países de leste - Roménia e Bulgária – e a Grécia, essa velha conhecida e companheira de rota das últimas décadas.


Claro, com esta panorâmica, o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa. Porque, evidentemente, a economia é feita de pessoas, e são as pessoas que fazem a economia. Com menos pessoas, menos economia.


Mas nem é aí, no lado da economia, que está o lado mais dramático da realidade que está à vista de todos. Dramático é mesmo a percepção que, se o rumo não for invertido, no limite, o país tende a desaparecer. Dramática é essa ideia de falência colectiva para que fomos arrastados nas últimas décadas por elites míopes e sem estratégia.


Basta lembrarmo-nos que ainda há dois ou três anos tínhamos um primeiro-ministro que mandava os jovens emigrar, e um país rendido à irresponsável ideia da zona de conforto. Instalou-se na sociedade portuguesa uma espécie de convicção que, insistir em viver em Portugal, era recusar sair da zona de conforto. Que emigrar, sair da famigerada zona de conforto, era sinal de espírito empreendedor, na linha dos portugueses de quinhentos.


Não era. Não é. É a linha dos portugueses de 50 e de 60 que, a salto, fugiam do país para sobreviver.


É também por isso que estas notícias doem mais...


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Um buraco fundo e negro

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Há muito que o futebol se tornou num sítio mal frequentado e pouco recomendável, a ponto de ser hoje verdadeiramente insuportável. O copo começou a encher no FC Porto, o que lhe permitiu que tudo se passasse, durante todo o tempo, sem grandes convulsões, sabendo-se como as convulsões, no futebol, apressam fenómenos extremados de radicalização. Como o que, passando todas as fronteiras do admissível, está a acontecer no Sporting


Em óbvia e evidente convergência com o Sporting, com o objectivo de recuperar a hegemonia perdida ou, pelo mensos, inverter o ciclo de supremacia do Benfica, no final da época passada o FC Porto abriu fogo com o início do longo folhetim dos e-mails, imediatamente acolitado pelo "amigo" de Lisboa. Logo depois surgiriam os "vouchers", agora pela mão de Bruno de Carvalho, e também com imediata reciprocidade a Norte, e a partir daí nada nunca mais parou.


No Sporting, as coisas só não acabaram como estão, porque ainda não acabaram. Mas não é preciso esperar que acabem para já terem deixado à vista o lastro de crime em que tudo aquilo assenta. 


No Benfica, que é o que mais me interessa, começamos por perceber que a "estória" dos e-mails não era coisa séria; à falta de melhor, não passava de uma arma de arremesso nas mãos de quem sabe da poda. Havia por lá coisas escritas que não eram exactamente um esmero de dignidade, e a própria linguagem não era de apreciar, mas dali àquilo que daquilo queriam fazer, ia uma grande distância. A "estória" que se seguiu, a dos "vouchers", essa, então, não tinha ponta por onde pegar. Toda a gente percebia a má fé da pretensa transformação de um acto de cortesia numa atitude de corrupção, e não é por acaso que foi rapidamente fechado, com todas as instâncias nacionais e internacionais a confirmarem aquilo que era a percepção geral - um acto de cortesia, dentro de todas as regras estabelecidas!


Só que a partir destes dois processos abertos directamente, e à vista de todos, pelos dois rivais associados, parece que se abriu a caixa de Pandora. E nunca mais pararam notícias de buscas, casos e mais casos, sempre com os responsáveis do Benfica parcos em explicações claras, ou mesmo refugiados em silêncios muitas vezes ensurdecedores.


É certo que alguns dos casos trazidos para o domínio público não ganhavam muito em credibilidade aos dois iniciais. O do alegado corrompimento aos jogadores do Marítimo, através daquela insólita reportagem da SIC, é um bom exemplo. Mas a verdade é que, em tudo o que já não está directamente à volta do jogo e que se circunscreve a comportamentos de liderança e a actos de gestão no Benfica, sobram investigações e faltam explicações. 


O que veio ontem a público é muito preocupante. É preocupante que estejam a ser investigados vultuosos pagamentos (1,9 milhões de euros) suspeitos de não pagarem nada que fosse devido, mas apenas forma de fazer girar dinheiro até destinos insondáveis. É inaceitável admitir sequer que no Benfica se aceitem e paguem facturas falsas. A ideia de uma fraude deste género para retirar dinheiro do Benfica é obscena, e qualquer hipótese para o destino dado a esse dinheiro absolutamente intolerável.


É por isso ainda mais preocupante a esfarrapada explicação dada pelos responsáveis do Benfica. Tão preocupante quão esfarrapada. E tão esfarrapada que foi logo desarmada pelo próprio ministério público.


Pode até haver - e haverá certamente - exacerbamento clubístico em titulares de órgãos de investigação da Justiça portuguesa. Voltando ao início, todos pudemos constatar isso em tudo o que no passado envolveu o FC Porto. E o que se diz da operação toupeira também não deixa de o confirmar. Pode haver - e há - razões para desconfiar que, em todas as buscas efectuadas no Estádio da Luz, as televisões e os fotógrafos dos jornais cheguem sempre primeiro que os inspectores e os polícias. Mas não dá mais para achar, como Luís Filipe Vieira sugeriu numa das raras vezes em que deu a cara, que tudo isto é clubite dentro da Polícia Judiciária e do Ministério Público.


Até porque quero crer que tenham muito mais que fazer... E não quero crer que afinal, bem no fim das contas, o buraco seja ainda mais fundo e mais negro do que já se vê!

terça-feira, 5 de junho de 2018

PUTICE não é PUT ICE

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A notícia é que os jogadores da selecção do México, que se prepara para disputar o campeonato do mundo de futebol, na Rússia, foram fotografados em actividade noturna com mulheres que disso fazem forma de vida.


Ninguém deu muita importância à notícia, que nem fez o pleno nos diários desportivos. "A Bola" ignorou-a. "O Jogo" titulava "mexicanos em apuros". Já o "Record", nitidamente em modo de manha, a abrir a porta do lado, apimentava mais a coisa e escrevia "Herrera, Jimenez e Corona em fiesta picante". Para que, depois, o  "mano" Correio da Manha (sem til), com uma manha sem til nem limite, não pusesse gelo, mas fogo: "Atletas do Benfica e do FC Porto envolvidos em escândalos com prostitutas".


 

Cinquentenário - Robert Kennedy

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Pouco mais de dois meses, exactamente dois meses e dois dias, depois de ter anunciado o assassínio de Martin Luther King, foi ele próprio assassinado. Como  o seu irmão, o Presidente John Kennedy, quatro anos e meio antes...


Fora Procurador Geral, onde enfentou a Mafia e o crime organizado em geral. Era senador por Nova Iorque e aprestava-se para garantir a nomeação do Partido Democrata para candiadato às presidenciais de Novembro de 1968. Comemorava a vitória nas decisivas primárias na Califórnia, no Hotel Ambassador, em Los Angeles quando, naquele dia 5 de Junho, não interessa quem - nunca os assassinos deveriam ficar na História -, o baleou na cabeça. Acabaria por morrer no dia seguinte, no Hospital Bom Samaritano, aos 42 anos. Há 50 anos!


A tragédia voltava a abater-se sobre a América. E sobre o mais mítico e poderoso clã americano. O crime voltava a ganhar, e os americanos acabariam  por, cinco meses depois, eleger finalmente Richard Nixon como 37º presidente americano, o primeiro obrigado a resignar, em 1974, na sequência do escândalo Watergate.


 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Frank Carlucci (1930-2018)

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Foi figura central do PREC. Pode hoje parecer estranho que um embaixador de um país estrangeiro possa tornar-se central e determinante num processo político, mas é fundamentalmente disso, de coisas que hoje parecem estranhas, que se fez o PREC.


Frank Carlucci, um peso pesado da máquina diplomática americana e um especialista em revoluções, chegou a Portugal a 18 de Janeiro de 1975, em plena aceleração do PREC e no apogeu da guerra fria, com o expresso mandato de Henry Kissinger para «deter o avanço dos comunistas e preservar a integridade da NATO». Foi, por isso, o agente da CIA que o imperialismo americano destacou para destruir a revolução em Portugal; ou a ajuda de um país amigo que salvou Portugal do comunismo, garantindo-lhe um rumo de liberdade e democracia


Ficou até 1978, quando os americanos já podiam dormir descansados com o que se passava nesta pequena faixa ocidental da Europa. Mas voltou sempre, nunca mais se desligou de Portugal. Voltou para negócios, que nem sempre correram bem, e voltou para ser condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, em 2004. Santana Lopes não teve tempo para muita coisa, mas ainda lhe chegou para isso...

A Espanha, aqui ao lado


 


Não faço ideia nenhuma sobre a sustentabilidade do novo governo espanhol, se irá durar muito ou pouco, se concluirá ou não a legislatura. Também não faço ideia se Pedro Sanchez terá condições para fazer deste governo o trampolim para salvar o PSOE da irrelevância a que estava condenado, e resgatar a social democracia como alternativa de poder, agora que a direita se vê obrigada a assistir ao afogamento do PP no mar de corrupção que criou, e a apostar todas as fichas no Ciudadanos, de Alberto Rivera; e que o Podemos começa a ser atacado pelas sua próprias contradições.


Mas parece-me que todo esta revolução a partir da moção de censura ao governo de Rajoy é toda ela um banho de democracia, de que a Espanha, de resto, estava bem necessitada. Como bem se viu no processo da Catalunha, que ainda vinga.


A própria condicionante instrumental da moção de censura, a implicar a responsabilidade de uma alternativa de governo da parte do seu proponente, é em si própria um factor de solidez democrática. E de seriedade, que tanta falta sempre faz à democracia, que faz com que seja possível construir, a partir dos 84 deputados, uma maioria de 180 parlamentares, sem que faça sentido falar em coligação negativa. Depois, assim a jeito de cereja no topo de bolo, a posse de Pedro Sanchez como primeiro-ministro. Ao sétimo chefe do governo da democracia espanhola, mais de 40 anos depois de Franco, um primeiro-ministro espanhol pode tomar posse sem prestar vassalagem à Igreja Católica.


Pedro Sanchez não é apenas o primeiro chefe de Governo que chega ao poder depois ter ganho uma moção de censura. É também o primeiro chefe de Governo a tomar posse sem bíblia, nem cucifixo, limitando-se a jurar cumprir a Constituição, como convém numa democracia. Mas que só é possivel a partir de 2014, quando os elementos católicos na cerimónia de tomada de posse deixaram de ser obrigatórios...


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...