segunda-feira, 4 de junho de 2018

A Espanha, aqui ao lado


 


Não faço ideia nenhuma sobre a sustentabilidade do novo governo espanhol, se irá durar muito ou pouco, se concluirá ou não a legislatura. Também não faço ideia se Pedro Sanchez terá condições para fazer deste governo o trampolim para salvar o PSOE da irrelevância a que estava condenado, e resgatar a social democracia como alternativa de poder, agora que a direita se vê obrigada a assistir ao afogamento do PP no mar de corrupção que criou, e a apostar todas as fichas no Ciudadanos, de Alberto Rivera; e que o Podemos começa a ser atacado pelas sua próprias contradições.


Mas parece-me que todo esta revolução a partir da moção de censura ao governo de Rajoy é toda ela um banho de democracia, de que a Espanha, de resto, estava bem necessitada. Como bem se viu no processo da Catalunha, que ainda vinga.


A própria condicionante instrumental da moção de censura, a implicar a responsabilidade de uma alternativa de governo da parte do seu proponente, é em si própria um factor de solidez democrática. E de seriedade, que tanta falta sempre faz à democracia, que faz com que seja possível construir, a partir dos 84 deputados, uma maioria de 180 parlamentares, sem que faça sentido falar em coligação negativa. Depois, assim a jeito de cereja no topo de bolo, a posse de Pedro Sanchez como primeiro-ministro. Ao sétimo chefe do governo da democracia espanhola, mais de 40 anos depois de Franco, um primeiro-ministro espanhol pode tomar posse sem prestar vassalagem à Igreja Católica.


Pedro Sanchez não é apenas o primeiro chefe de Governo que chega ao poder depois ter ganho uma moção de censura. É também o primeiro chefe de Governo a tomar posse sem bíblia, nem cucifixo, limitando-se a jurar cumprir a Constituição, como convém numa democracia. Mas que só é possivel a partir de 2014, quando os elementos católicos na cerimónia de tomada de posse deixaram de ser obrigatórios...


 


 

7 comentários:

  1. Continua a ter de jurar cumprir a Constituição feita, não em Democracia, mas em regime de transição da ditadura para algo menos mau.

    É tão democrático como os ditadores sanguinários que juravam cumprir a Constituição dos países soviéticos, também ela feita "democraticamente" pelos eleitos da ditadura do proletariado.

    Deixem de chamar às coisas aquilo que elas não são. Espanha não é uma democracia plena. Tem presos políticos (não só os que se atreveram a ir para a rua dizer que queriam ser independentes, como um grupo de rapazes que armou zaragata num bar no País Basco contra 2 "guardas civis", fora do seu horário de expediente, que um juiz Franquista condenou por terrorismo a várias centenas de anos de prisão), tem limitações excessivas contra a liberdade de expressão (ainda agora prenderam um rapper devido ás palavras que ele cantou), e mesmo contra a liberdade de imprensa caso se considere o que foi possível fazer na TV estatal da Catalunha com o artigo 155º.

    E já agora, deixem de chamar Social-Democrata (esquerda a centro-esquerda) àquilo que é de centro e centro-direita: os partidos "socialistas" (como o PSOE) domesticados pelo "europeísmo" Neoliberal (direita-radical), o tal que guia gentalha tacanha e fascistóide como Oettinger (comissário alemão que ninguém elegeu, mas manda em nós) que diz que os mercados ensinam a votar, caso as pessoas se enganem e votem contra este corrupto e podre sistema em que a UE se tornou.

    O que Pedro Sanchez fez não foi uma boa jogada política, nem um exemplo de ética republicana, e muito menos uma lição de democracia. O que ele fez foi lutar pelo seu lugar, da única forma que ainda podia fazer, e se não me engano, acabou de condenar o PSOE a uma irrelevância ainda maior, ao dizer que até às eleições antecipadas (que é ele que marcará), irá governar com um orçamento da direita radical Neoliberal, sem mudar política nenhuma, que tinha sido aprovado por PP e Ciudadanos.

    Nesse tempo, irá desgastar-se, irá poupar o PP que agradece este "time-out", irá fazer crescer o Podemos (como única alternativa de esquerda defensora de políticas minimamente parecidas com a Social-Democracia), e irá estender uma passadeira vermelha a uma maioria do Ciudadanos.
    Irá continuar a afastar o seu eleitorado fora de Castela e Leão, pois é igualmente contra a República Catalã, e contra uma maior autonomia do País Basco e Galiza, e ao mesmo tempo irá afastar eleitores nacionalistas espanhóis, devido ao seu discurso mais moderado e com abertura de diálogo para com os governos autonómicos (é bom lembrar que o Ciudadanos tem ganho eleitorado ao PP em Castela e Leão, exatamente porque defende mão ainda mais dura do que aquilo que o PP já tinha feito, e relembro ainda que o PP não fez nada mais do que medidas anti-democráticas, anti-ONU, e mandou até polícia de choque dar enxertos de porrada no dia 1 de Outubro).

    Quanto ao fim da vassalagem para com a Igreja Católica, é obviamente positivo, mas o valor do gesto tem pouco de significante, pois só aconteceu graças à alteração da legislação. Mais valor teria se tivesse sido feito antes de 2014, em protesto e à revelia das tais regras que ainda vinham do tempo do Fascismo-Católico de Franco.

    Finalmente, esse "right" não tem nem metade do valor do "wrong" que é, como se vê na foto, continuar a prestar vassalagem a uma família real corrupta e do sistema monárquico que num Mundo mais desenvolvido já há muito tempo que não passaria de história.

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    1. Jorginho, você anda zangado com o mundo, ou quê? Assim, você acaba virando bichona, sabia?

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    2. Análise correcta de quem conhece a realidade de Espanha !

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    3. A um texto em jeito de notícia o caro leitor responde com um "manifesto". Não tenho nada contra, nem sequer contra a "desigualdade".

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    4. Porque é que o Anónimo não mete a sua homofobia onde o sol não brilha?

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  2. Não considero o que se passou em Espanha tenha sido um banho de democracia. Foi, muito simplesmente, a forma que o Pedrito (de Espanha) arranjou para subir ao poleiro, já que isso, através do voto nas urnas, lhe estaria sempre negado nos próximos dez anos. O rapaz é um peneirento, não passa disso.
    Já quanto a isso de se ter acabado com essa palhaçada de se jurar sobre a bíblia, acho bem que tal tenha sucedido, se bem que esse pormenor tenha sido implementado pelo rei actual e não pelo Pedrito, ou outro, de Espanha.
    Mas digo-lhe, meu caro Louro, que essa vassalagem que se prestava à igreja católica nunca aqueceu nem arrefeceu qualquer governante espanhol das últimas décadas. O povo espanhol está-se nas tintas para a religião. Madrid e Barcelona são cidades cheiinhas, até à rolha, de paneleiros fufas e demais aberrações alegadamente católicas. Por isso já se adivinha o que se vai passar em Espanha: eleições antecipadas, uma enorme nega do rei à independência da Catalunha e vai continuar tudo à tomatada e a matar bois na praça, com o andaluz Sérgio Ramos a ser o maior madridista de Madrid, pois então, e o catalónio puig a viver fora de Espanha, tipo aquele actor francês que continua fugido e refugiado no colinho do Putin para não pagar impostos ao Macron.

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    1. Só duas notas:
      Considero que foi um banho de democracia porque o Sr Rajoy tinha-se por dono e senhor do poder, como abundantemente demonstrado;
      Não é referida qualquer rebelião do Sr Pedro Sanchez no que se refere aos sinais católicos. É dito que isso decorre de uma alteração de 2014 e é enfatizada a anormalidade.

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