terça-feira, 30 de junho de 2026

Há 10 anos

 


O José Manuel é mesmo assim. Não faz por mal. Tropeça na vaidade e, enquanto fica ali à procura de equilíbrio, deixa cair algumas palavras. As mais pequenas, só as mais pequenas... Escapam-lhe das mãos...

- "O único país que tem valorizado a Europa é a Alemanha". Deixou cair um pequenino "se", um pronome reflexivo que nem se dá por ele. E o "n" daquela contração da preposição "em" com o artigo definido "a" também se lhe escapou entre os dedos enquanto se tentava amparar. 

Não fosse mais um desses tropeções na importância desmesurada em que se tem em conta, e a frase teria saído escorreita, sem deturpar a conclusão a que, brilhantemente como sempre, chegou: o único país que se tem valorizado na Europa é a Alemanha!

Já tem sido pior. Muito pior!

Mundial das Américas - X

 


As grandes desilusões da fase de grupos, agora concluída e já iniciada já a fase "mata-mata" - com grandes surpresas, que não são para aqui chamadas agora - são a Coreia do Sul, a Turquia e o Uruguai, não necessariamente por esta ordem, que é apenas a dos grupos.

A Coreia do Sul não consegui o apuramento no grupo A, onde era claramente a melhor equipa, mesmo melhor que a do México, vencedor do grupo. O México fez valer os argumentos do "factor casa", apurou-se sem dificuldades e, surpreendentemente, foi a África do Sul, que começara francamente mal, deixando uma imagem de grande fragilidade frente ao México, que se qualificou. E a A Coreia do Sul, com bons jogadores e um futebol positivo, agradável e competente afundou-se.

A Turquia cometeu a proeza de ser último o classificado do Grupo D, onde todos os outros de qualificaram. Teve muito azar, é um facto. Foi até a equipa mais rematadora desse fase, mas não conseguiu encontrar a baliza adversária. Ganhou o último jogo, aos Estados Unidos, quando encontrou a sorte, que claramente teve nesse jogo. Mas era o último. É uma boa equipa, jogou bem futebol mas, como se viu, isso às vezes não chega.

O Uruguai foi o único demasiadamente incompetente. Era, das três, a melhor equipa. Ficou em terceiro no grupo H, atrás da Espanha, como se poderia esperar, e do sensacional Cabo Verde. Este com três empates. É o empate com Cabo Verde, a dois golos - não é um "zero a zero", de uma equipa sempre a atacar, e a outra sempre a defender - que lhe retira a qualificação. Marcelo Bielsa, o velho e polémico técnico argentino, a quem chamam de "El Loco", desta vez terá sido mais "louco" que polémico.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Há 10 anos

 

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Chegam de taxi. Aos três. Sacam das armas e atiram a matar. Indiscriminadamente. Conseguem ainda fazer-se explodir, antes de ser abatidos. E mutilar mais, e mais... E destruir ainda mais...

As primeiras notícias apontam invariavelmente para meia dúzia de mortos. Depois uma dezena, depois duas, depois ... É sempre mais... Os números sobem, sobem sempre como se fossem apenas números. Não são. São vidas humanas, inocentes... 

É sempre assim. Tão tristemente repetitivo. Que coisa estúpida, que não há forma de parar...

domingo, 28 de junho de 2026

Bi-Campeões

 


Ao vencer o Sporting, no quinto jogo da final, o Benfica conquistou, pela segunda vez consecutiva, o título de campeão nacional. 

Venceu o Benfica, por 4-3 - curiosamente, nos três jogos do Pavilhão Fidelidade, na Luz, o Benfica só não ganhou pela diferença mínima o segundo jogo, que venceu após prolongamento -, e venceu bem. Mas o Sporting foi um digno vencido. 

É o décimo título do Benfica, e há festa na Luz!


Mundial das Américas - IX - Roberto Marinez

 



Mais uma exibição miserável da selecção nacional. Frente á Colômbia, em Miami, no terceiro e último jogo da fase de apuramento, dificilmente poderia ser pior.

Uma equipa tacticamente inexistente, inferior em todos os aspectos, individuais e colectivos, arrastou-se em campo durante os 100 minutos da praxe. Não perdeu, diria mesmo não saiu goleada, porque não calhou. E porque Diogo Costa foi o melhor jogador em campo.

Já é um lugar comum dizer-se que Roberto Martinez transformou um conjunto de jogadores notáveis, dos melhores do mundo, num conjunto de jogadores vulgares. Mas é cada vez mais evidente: frente a uma equipa de quarta linha do futebol mundial, a equipa de Portugal foi simplesmente medíocre. Não é possível que jogadores que ainda há duas semanas brilhavam nos principais clubes europeus sejam, agora, jogadores vulgares. Mas é que o acontece. Jogadores vencidos, sem rasgo, descrentes, incapazes. O exemplo mais flagrante pode ser Nuno Mendes. Mas só o mais flagrante, porque se olharmos para Vitinha e Bernardo Silva, e atentarmos na redundância dos seus passes para o lado e para trás, para Cancelo e a sua incapacidade a defender, para Pedro Neto, e Bruno Fernandes, perdidos em campo, e para Rafael Leão, com mais vontade de ir para a praia do que jogar futebol, não vemos outra coisa. Depois há os outros: os das Arábias, cujo nome diz tudo; e os que não jogam, que estão lá só para compor o ramalhete.

De Cristiano Ronaldo, o dono daquilo tudo, nem vale a pena dizer mais nada. Está lá, os 90 minutos de cada jogo. Nem menos um, e no final joga sempre bem, mesmo que só marque um golito aos coxos, que falhe todos os tempos de ataque à bola, todos os arranques, todas as recepções, todos os remates ... É o dono, e faz questão de o exibir. Roberto Martinez é o vassalo, e não o nega na conversa sonsa com que nos tenta adormecer.

"Precisámos mesmo disto" - diz Roberto Martinez. Não precisávamos, não precisamos. Pelo contrário, queremos evitar tudo isto!

sábado, 27 de junho de 2026

Mundial das Américas - VIII Cabo Verde

 


A epopeia de Cabo Verde não fica pela fase de grupos do Mundial. Os estreantes empataram contra a Arábia Saudita (0-0) e contaram com a ajuda da Espanha, que venceu o Uruguai (1-0), para seguirem para as eliminatórias, onde nunca esteve um país tão pequeno. O segundo lugar no grupo H colocou os Tubarões Azuis no caminho da campeã do mundo Argentina

A epopeia de Cabo Verde não fica pela fase de grupos do Mundial. Os estreantes empataram contra a Arábia Saudita (0-0) e contaram com a ajuda da Espanha, que venceu o Uruguai (1-0), para seguirem para as eliminatórias, onde nunca esteve um país tão pequeno. O segundo lugar no grupo H colocou os Tubarões Azuis no caminho da campeã do mundo Argentina

A epopeia de Cabo Verde não fica pela fase de grupos do Mundial. Os estreantes empataram contra a Arábia Saudita (0-0) e contaram com a ajuda da Espanha, que venceu o Uruguai (1-0), para seguirem para as eliminatórias, onde nunca esteve um país tão pequeno. O segundo lugar no grupo H colocou os Tubarões Azuis no caminho da campeã do mundo Argentina

Cabo Vende brilha a grande altura lá pela América. Dá cartas em humildade, capacidade de sacrifício, sentido colectivo, organização e solidariedade.

Começou por empatar, zero a zero, com a campeã Europeia, e uma da mais temíveis equipas do mundo. Repetiu a gracinha frente á poderosa Uruguai, por 2-2. À terceira jornada voltou a empatar com a Arábia Saudita, de novo 0-0, mas agora por manifesta falta de sorte. A sorte, sempre presente nestes torneios, que lhe faltou neste jogo ter-lhe-á sobrado nos outros.

Ficaram em segundo lugar, com três pontos. E apuraram-se para os desaseis avos de final, com a Argentina, deixando de fora a selecção do Uruguai, cheia de estrelas. Foram responsáveis pela grande surpresa do mundial.

Parabéns Cabo Verda!


terça-feira, 23 de junho de 2026

Mundial das Américas - VII (Portugal outra vez no oitenta)

 


O Portugal - Uzbequistão, de novo em Houstan, no Texas, mais que relançar a selecção nacional, levou-a do 8 ao 80. Hoje, Portugal é de novo candidato a campeão mundial, e voltou da depressão à euforia. Cristiano Ronaldo voltou a aparecer no fim do jogo, voltou a falar, e não foi o primeiro a abandonar o campo.

Tudo certo?

Não. Apenas ganhamos!

A selecção jogou melhor que contra o Congo. Não era possível jogar pior, pelo que tinha obrigatoriamente de jogar melhor. Com uma alteração obrigatória - duplamente obrigatória, porque com Rúben Dias, o patrão, recuperado o lugar é dele, e Tomás Araújo lesionou-se - Martinez só fez mesmo uma alteração na equipa: a entrada de João Félix, pela saída de Bernardo Silva. 

Esta é uma das muitas decisões que Martinez não gosta de tomar. Manter os craques na equipa é muito mais fácil, mesmo quando se vê que não cabem todos. 

Com esta contrariedade - sim, é uma contrariedade para Martinez, ter de abdicar da solução mais fácil que é sempre a de jogar com os consagrados -, mas também com outra disposição, a selecção foi mais rápida e, acima de tudo, mais ambiciosa.

Cristiano Ronaldo voltou a marcar. Dez jogos depois. De bola corrida, não sei bem quantos anos depois. Dois golos. O terceiro, na primeira parte, foi de Nuno Mendes, na cobrança de um livre directo. Duas novidades, em simultâneo: Cristiano Ronaldo deixou o Nuno Mendes marcar o livre; e lances estudados nas bolas paradas. 

Como se voltaria a ver, mais tarde. Num canto, no quarto golo, por acaso um auto golo. E em mais um livre, com uma bola "picada", para o próprio Cristiano Ronaldo.

E, para não embandeirar com os eufóricos, os do oitenta, para quem tudo está bem se acaba bem - um cinco a zero é indiscutivelmente um grande resultado, seja lá com quem for - houve exibições de que não gostei. 

Não gostei da exibição do Renato Veiga. Sei bem que não temos ninguém com classe para o lugar de quarto defesa, como se chamava antigamente, mas teve erros que, contra uma equipa de outro nível, tinham consequências. Não gostei da de Nuno Mendes, obviamente fora de forma. É mesmo a forma precária que está em causa, não é uma questão de confiança. Essa teria o golo que marcou resolvido. Também Trincão e Francisco Conceição, que jogaram toda a segunda parte, jogaram abaixo do esperado.

E ... Cristiano Ronaldo. Porque não consegue dar à equipa - é impossível - a competitividade de que ela necessita. Porque subtrai, em vez de somar. Porque não se respeita. E porque a gratidão não se demonstra assim. 

E se há em Portugal quem não se possa queixar de falta de gratidão é precisamente ele. Tem o nome num aeroporto, estátuas e bustos. Tem o nome numa das maiores academias de futebol. E foi distinguido, e condecorado, por três presidentes da república. Se isto não é gratidão, não sei o que seja. 

Mas sei o que é respeito. Pelo país, pelos colegas e por si próprio. 



Há 10 anos

 


 É frequente referir-me aqui a questões de ética e deontologia na imprensa, nas televisões e na comunicação social em geral.  

Como já o tenho referido nessas outras ocasiões, este é um problema que os últimos anos agravaram. Não sei se os jornais, as rádios e as televisões são hoje mais parciais porque é maior a crispação política, porque são mais visíveis as feridas abertas na sociedade portuguesa ou se, pelo contrário, o confronto e a radicalização são hoje maiores pela forma como principalmente os jornais, e as televisões os alimentam. O que eu sei é que nunca na democracia portuguesa o enviesamento, a distorção e a manipulação estiveram tão instalados na comunicação social. Que nunca foi assim tão descaradamente parcial.

O problema é claro, e está á vista de todos. E é grave. Já é grave que as televisões estejam permanentemente ocupadas por juízes em causa própria a agir como se estivessem a fazer opinião. É inaceitável que gente que decidiu e decide o rumo do país seja paga – e muito bem paga – para não fazer outra coisa que defender as agendas escondidas que servem. Mais grave ainda é que sejam jornalistas a fazê-lo a coberto de um estatuto e de uma carteira profissional.

São hoje inúmeros os exemplos de jornalistas que são mais conhecidos pela controvérsia que provocam do que propriamente pelo seu mérito profissional. Dispensam-se nomes. São muitos, e conhecidos.

Às vezes, há quem se passe. Esta semana houve quem se tivesse passado. Houve quem arrancasse um microfone suspeito de uma mão insuspeita, com uma pergunta tão estúpida quanto suspeita, e o atirasse ao fundo de um lago. E houve quem se irritasse nas redes sociais, chamando-lhes mentirosos e perguntando por que não são despedidos.

A afirmação faz sentido: são mentirosos, não têm outo nome. Já a pergunta é um pouco, se não mesmo totalmente estúpida: toda a gente sabe que é mesmo por isso e para isso que são contratados. Como despedidos?

Longe vão os tempos em que tudo se tornava irrefutável com um simples “vem no jornal”. Os tempos em que mediante a exibição de uma página de um jornal se acabava com as dúvidas. E com a discussão!

E são os jornalistas os principais culpados disto. Os outros, dos outros. Do outro lado. Como alguns reconhecem. Se calhar só porque também passaram por elas...

 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Congresso do PSD

 



O PSD foi fazer o seu congresso para o Centro de Alto Rendimento de Sangalhos, provavelmente para afinar a pedalada. Na bagagem levava o chumbo da "lei laboral", acabado de cozinhar, e a certeza que Ventura não é confiável, nem sequer fiável. Ainda assim, com a traição tão fresquinha, foi José Luís Carneiro o bombo da festa.

É o "quanto mais me bates mais gosto de ti", ou a eterna esperança na redenção. Parece-me mais a segunda!

Mas para além desta dúvida o Congresso deixou certezas.  Por exemplo, a certeza que Luís Montenegro e Hugo Soares são a mesma pessoa. Ou duas pessoas com a mesma cabeça, tão afinadas estão. A mesma pessoa, ou duas com a mesma cabeça, a verdade é que fica cada vez mais difícil ver quem é um, e o outro.

Mostrou como Pedro Santana Lopes ... é mesmo o filho pródigo. É sempre acarinhado a cada regresso. E isso é bonito. 

Sebastião Bugalho, ao contrário, está a afirmar-se. Sobe a vice-presidente e é o novo porta-voz do partido. Carlos Moedas e Pedro Duarte também sobem a vice-presidentes, mas não são porta-vozes ...

E que a maior derrota eleitoral de Montenegro já está esquecida. Ninguém falou das presidenciais. E Marques Mendes, nem de passagem! 


Há 10 anos

 

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Hoje decide-se o futuro de Portugal no Euro. Que até pode cruzar-se já com o de Inglatera... No futebol, claro, onde, em tudo o que depende dos outros, as coisas até estão a correr bem. A ponto de nos faltar um único ponto para seguir em frente, mesmo que não seja na melhor das direcções. Um empate, pois... Mais um. No resto, no que depende deles mesmos, é que nem por isso: o rapaz anda numa pilha de nervos, bem sabemos. Os jornalistas - será que ainda há disso? - não são tipos lá muito sensatos, também sabemos. Mas - caramba - roubar um microfone e mandá-lo para as profundezas de um lago? Não havia necessidade, como diria um saudoso diácono.

Mas - e esquecendo mais este incidente - nem é só por isso que, naquilo que nem do optimismo crónico e ligeiramente irritante do selecionador nacional depende, as coisas estão a correr bem. É que, se a selecção conseguir finalmente marcar golos e ganhar, a partir do primeiro lugar do grupo, irá sempre passar bem ao largo dos três súper favoritos. E como, de repente, lá está o oitenta outra vez... Só que, aí, é a Bélgica que fica já com encontro marcado. 

E não a Inglaterra que, com o resto do Reino Unido - só lá falta a Escócia, que não veio mas que também não quer ir embora - já decidiu continuar: remain. All together. Nesta Europa, reunida em França. Na outra, amanhã se verá. 

Todos a alinhar pela mesma cabeça

 



Podiam pensar todos pela mesma pela mesma cabeça. Mas não era

preciso escreverem todos a mesma coisa ...




domingo, 21 de junho de 2026

Há 10 anos



Durante todo o período em que durou a fase de apuramento para este europeu, e num grupo dado por bastante acessível, nunca a selecção conseguiu ganhar que não pela diferença mínima. Já em França, num dos grupos mais fáceis, se não mesmo o mais fácil, não conseguiu ainda ganhar um jogo. Quando o apuramento está em sérios riscos, com esta história, e sem que se veja uma ideia de jogo, Fernando Santos não faz a coisa por menos, e garante que não tem dúvidas que seremos nós os campeões.

Sabíamos que o engenheiro é um homem de fé. Nunca tínhamos admitido era que a fé lhe pudesse ter tirado o tino. Pois é, o Verão já aí está. E bem sabemos como é dado a estas coisas...

sábado, 20 de junho de 2026

Há 10 anos

 



A escassos dois pares de dias do referendo britânico à permanência na União Europeia, as sondagens começaram a inverter o sentido do resultado, e agora, se bem que ainda fora da maioria clara que em qualquer dos casos nunca existiu, os britânicos inclinam-se para o "IN", pelo "stay", parecendo afastar de vez o "brexit".

Não é possível dissociar a morte da jovem deputada Jo Cox deste volte face, mas é trágico que assim seja. É trágico que se mate por extremismo fanático, por mais nobre que seja morrer por causas. Mas, tragédia mesmo, é que na Europa  se tenha chegado ao ponto de precisar destas situações limite para ver por onde separar as águas.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Fim do "pacote laboral"

 


Caiu o "pacote laboral", uma teimosia deste governo. Mal apresentado desde o início, com recurso a situações confrangedoras, pela mão de uma ministra acusada de radicalismo tecnocrata, o "pacote laboral" estava destinado a este fim.

Acresce o processo negocial. Numa primeira fase, já para não referir o que aconteceu com a CGTP, afastada, o que se passou com a UGT, depois de Seguro dizer que vetaria o processo, caso de não houvesse acordo na concertação social. Na última fase, à última da hora, a cedências às exigências do Chega, em particular a redução da idade da reforma, ao arrepio do mais elementar bom senso, em que o governo chegou a propor uma comissão para estudar o impacto da medida.

Apesar de todas estas cedências do governo, - o que diz bem do seu interesse nesta medida que ninguém reclamava - no último momento, o Chega "roeu a corda", e o "pacote laboral" foi chumbado. Por linhas tortas, escreveu-se direito!

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O mundial das Américas - VI

 



Com a vitória do Gana, de Carlos Queirós, sobre o Panamá (1-0), e a da Colômbia sobre o Uzebequistão, respectivamente dos Grupos L e K, terminou a primeira jornada do mundial. E com ela a apresentação de todas as equipas.

A Colômbia viu-se e desejou-se para bater o Uzebequistão, no grupo de Portugal. Esteve empatada, e só no tempo de compensação selou a vitória. Antes e depois do terceiro golo da Colômbia - em contra-ataque, na fase de desespero dos asiáticos - o Uzebequistão teve duas grandes oportunidades de golo, uma delas num remate ao poste. A deixar um alerta à selecção portuguesa. Se o selecionador insistir num lugar para todas as vedetas, joguem onde jogarem, e especialmente em jogar com menos um, não se vai entender com eles.

Do que se viu - e já se viram todas as equipas - e não olhando a nomes, mas só ao futebol jogado, Inglaterra, Alemanha e Argentina seriam as melhores equipas. Ninguém joga como eles. 

Sabemos que um mundial não é assim. Lá mais para a frente outras equipas estarão melhor, os melhores jogadores farão a diferença, e os principais favoritos lá estarão. Lá não estará a selecção portuguesa, queimando-se mais uma geração fantástica de jogadores. Simplesmente porque este selecionador não tem capacidade de decisão. Quer agradar a todos, e principalmente a Cristiano Ronaldo, hipotecando todas as ambições da selecção aos caprichos da vedeta. E aos seus recordes.

Há até quem fale que vai treinar o Al Nassr, dominado por Cristiano Ronaldo. 

 

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O mundial das Américas - V




De ontem veio o Noruega - Iraque (4-1), que não disse muito sobre o potencial da equipa de que toda a gente fala, a Noruega. O Iraque não levantou grandes dificuldades, o os nórdicos chegaram facilmente à goleada.

Da madrugada vieram os jogos do Grupo J. O Áustria - Jordânia (3-1) teve um resultado enganador. A Áustria não foi melhor que os jordanos, e só não deu surpresa porque os austríacos foram bafejados pela sorte.

 A Argentina ganhou claramente à Argélia (3-0), com um hat-trick de Messi. Mostrou-se uma equipa preparada para grandes feitos, e Messi, com menos quase dois que Cristiano Ronaldo, mostra que é o único que está a disputar o sexto mundial por mérito. E não por capricho!

Hoje foi dia de Portugal entrar na competição. E por isso é mais marcante ainda!

A selecção portuguesa entrou no jogo com uma posse de bola ininterrupta de 3 minutos e meio. Teve a bola da saída e, depois, 3 minutos de meio até que os congoleses a tivessem recuperado... É incrível!

Aos 5 minutos marcava o seu golo. No primeiro remate. De João Neves. Depois caiu, até atingir a mais negra mediocridade. Foi uma posse de bola sem sentido. Entediante. Estéril.  

Ao intervalo a posse de bola da selecção portuguesa era de 80%. Para apenas um remate: o de João Neves, no golo. E assim continuou até aos minutos finais.

A selecção do Congo, que começara o jogo claramente retraída, percebeu que Portugal era, afinal, um tigre de papel. E foi começando a subir no campo. Chegou ao empate no último lance da primeira parte, através de um pontapé de canto, quando já era claramente a melhor equipa no relavado de Houston.

Na segunda parte a equipa do Congo continuou a crescer. Espalhava-se pelo campo todo, e não mais permitiu aquela posse de bola ... enganadora. E deixou a nu a falta de soluções da equipa portuguesa, que insistia em Cristiano Ronaldo. Tocou três vezes na bola. Duas delas para tirar aos companheiros, melhor posicionados, a oportunidade de finalizarem com sucesso.

No fim, Portugal com mais de 75% de posse de bola, teve um remate enquadrado com a baliza. O do golo de João Neves, aos 5 minutos de jogo. Ao lado, teve 7 remates. Menos um que o adversário! 

A encerrar o dia veio, para o grupo L, o encontro entre a Inglaterra e a Croácia. Venceu a Inglaterra por 4-2, e mostrou que é uma grande equipa. Bem orientada, muitas soluções, e uma forma física notável!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Há 10 anos

 


A instalação de um hotel no Mosteiro, não se podendo dizer que seja exactamente uma velha aspiração alcobacense, é um velho projecto por que Alcobaça há muito espera.

A notícia chegou finalmente na semana passada, e rezava que o grupo Visabeira assinara com a Direcção Geral do Património Cultural um contrato de concessão do Claustro do Rachadouro, válido por 50 anos, que permitirá a construção de um hotel de cinco estrelas, de três pisos, 81 quartos, nove suítes, e tudo o mais o que um equipamento daquela natureza requer, num investimento de 15 milhões de euros, mediante o pagamento de uma renda de 5 mil euros por ano.

E, como não podia deixar de ser, suscitou generalizada controvérsia bem animada pelo nosso crónico vício da maledicência, alimentado em doses quanto baste de preconceito e ignorância, bem apimentados pela intransigência e pelo sectarismo que fazem parte da crispação política que reina no país.

A coisa começou com a direita a acusar a política cultural da esquerda no poder, a precisar que lhe lembrassem que tudo tinha começado exactamente no governo anterior. A cor do executivo camarário também não foi esquecida… Passou para o domínio da arquitectura, e da preservação do património, mas também aí a ignorância lhe travou as pernas…

Na realidade, o aproveitamento de património colectivo de relevo histórico e cultural para fins desta natureza não só é comum em muitas partes do mundo civilizado como é, na maior parte das vezes, a única maneira de o manter e de evitar a sua degradação, muitas vezes irreversível. O nosso mosteiro não é excepção. Há muito que lá deixaram de funcionar os serviços públicos que lhe davam vida. E a última utilização que lhe foi dada – Asilo de Mendicidade de Lisboa – não lhe dava sequer a melhor das vidas.

Daí, nenhuma razão para os que fazem do fundamentalismo forma de vida.

Sobra ainda assim espaço para críticas. A concessão ter sido entregue a uma das empresas do regime, é uma delas. Tanto mais que a imprensa a deu por vencedora do concurso internacional lançado para o efeito quando, na verdade, não ganhou concurso nenhum: foi apenas a única admitida a concurso. O que dá ainda mais expressão ao ridículo do valor da renda: cerca de 400 euros por mês!

É certo que Alcobaça tem muito a ganhar com este projecto. Podem os mais cépticos apresentar algumas razões para duvidar que o saiba aproveitar, mas não é isso que diminui o potencial que representa para a cidade.

Mas não é, nunca poderá ser na renda que estejam as contrapartidas para o investidor. Estão, e só têm que estar, nos incentivos financeiros que evidente vai captar para o projecto. E no investimento público, que o Estado e a autarquia terão que fazer nas acessibilidades e no enquadramento paisagístico. E basta olhar à volta para ver que tem muito para investir!    

 

Mundial das Américas - IV

 


De ontem vem o fecho da primeira jornada de grupo H, com o empate surpresa (1-1) no Uruguai - Arábia Saudita. O Uruguai só na segunda parte acordou para o jogo, e foi já perto do final que chegou ao empate, com um golo de Maxi Araújo, num jogo em que o guarda-redes saudita estabeleceu novo recorde de defesas.

Da madrugada de ontem vem outro empate, o 2-2 do Irão - Nova Zelândia, a fechar também a primeira jornada do Grupo G. A selecção do Irão teve de enfrentar uma manifestação contra o regime, para além das dificuldades de estar sedeada no México, e a jogar nos Estados Unidos. Ontem jogou em Los Angeles, e teve com pano de fundo o acordo provisório para pôr fim á guerra. 

Teve do seu lado a maioria das bancadas, mas andou sempre atrás do resultado.  

De hoje vem um bom jogo de futebol, o França - Senegal, do Grupo I, em Nova  Jérsia. Na primeira parte o Senegal esteve melhor. Muito melhor que uma França demasiado lenta, verdadeiramente medíocre. Teve melhores oportunidades, e merecia estar na frente do resultado ao intervalo. Depois nunca de desuniu, nunca se remeteu à defesa, e teve sempre resposta em pé de igualdade com um adversário tão qualificado. Perto do final do jogo surgiu Mbappé, a França embalou para uma vitória fácil (3-1), mostrou as suas individualidades, e confirmou que é, na realidade, uma das mais fortes selecções presentes neste mundial.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Mundial das Américas - III

 


A noite de ontem foi de goleadas. 7-1 da Alemanha à debutante selecção do Curaçau, no grupo E, num jogo sem história. Para além da equipa das Caraíbas, um país insular pertencente ao Reino dos Países Baixos, ter marcado um golo, e logo o golo do empate, antes de todos os outros, não houve história.

E, já na madrugada de hoje para nós, os 5-1 da Suécia, à Tunísia, no Grupo F. Com o seleccionador da Tunísia a ser despedido, e a respectiva Federação a voltar atrás na decisão. Se não é inédito, está lá perto. De resto Gyokeres e Isack foram reis. Mas já depois dos 60 minutos, quando a Tunísia ficou sem capacidade de reacção.

Fora dessa rota das goleadas estiveram os outros jogos. O Equador - Costa do Marfim (0-1), também de madrugada, e também no Grupo E, decidiu-se mesmo no fim. Caiu para o lado da Costa do Marfim. Mas também podia ter caído para o Equador.

Hoje foi dia de Cabo Verde, no Grupo H. E que dia. Estreou num Mundial e logo com a Espanha, Campeã Europeia. E empatou brilhantemente, a justificar a festa por todo o lado. A selecção de Cabo Verde foi brilhante, mas se a Espanha for aquilo que se viu ...  Mas não, aconteceu futebol!

Também foi dia de abertura do Grupo G, com a Bélgica a empatar com o Egipto a uma bola. A Bélgica teve mais bola, mas sempre com muita dificuldade em ameaçar a baliza contrária. O Egipto soube melhor o que fazer com a bola, foi sempre uma equipa melhor organizada, e mostrou que é uma equipa com condições para discutir o apuramento.


domingo, 14 de junho de 2026

Há 10 anos

 

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Toda a gente sabe que o estado a que o banco público chegou é da responsabilidade dos partidos do até aqui chamado arco do poder. PS, PSD e CDS, todos sem excepção, utilizaram sempre a Caixa para alimentar as respectivas clientelas.  

Nenhuma dúvida a esse respeito. Não admira, por isso, que o PS se oponha a tudo o que seja mexer no assunto. Na mesma linha, poderia pensar-se que também que o PSD e o CDS não estivessem nada interessados nisso, ao contrário do Bloco e o PC, de mãos limpas.

Sobre estes já aqui vimos que, surpreendentemente ou talvez não, não queriam, também eles, que se mexesse no assunto. O Bloco já entretanto mudou de posição. No PC, como se sabe, essas coisas são sempre mais difíceis...

Quando o PSD e o CDS, contrariando as aparências, querem a todo o custo levar o assunto para o parlamento, com o PSD a impor a constituição de uma Comissão de Inquérito potestativa (sem ter de ser votada), não estão no entanto a surpreender ninguém. Isso corresponde à cara de pau que têm para mostrar, e que há muito vêm mostrando, mas é também estratégia política. Na verdade não lhes interessa apurar o que quer que seja. Têm até tudo apurado, deixaram o governo há apenas seis meses. O que lhes interessa é explorar a clivagem que o assunto necessariamente provoca na geringonça.

A nós, aos contribuintes que vamos voltar a ser chamados a pagar os dislates desta gente, interessa-nos que o assunto seja debatido. No parlamento, em todo o lado. Mas o que nos interessa mesmo é exigir responsabilidades.

O que nos interessa é saber quem emprestou centenas de milhões de euros sem garantias. Quem andou a gozar com a nossa cara, financiando gente que compra acções dando por garantia essas mesmíssimas acções, com tudo a ganhar e sem nada a perder. 

O que nos interessa é que, de uma vez por todas, haja responsabilidade e responsáveis. A sério, de verdade. O que nos interessa é que se deixe de fazer conta  que ninguém está acima da lei.

O país não pode tolerar mais impunidade. E não pode tolerar que, ainda antes de conhecer a responsabilização, já saiba que não há bens para responder pelas responsabilidades. Como acaba de acontecer com Dias Loureiro ...

Mas não é nada disto que interessa ao PSD e ao CDS. Na comissão de inquérito ou em qualquer outra sede. Ao PS não interessa nem isto nem outra coisa que não seja aceitar que ... tudo isto existe, tudo isto é triste... Tudo isto é fado!

 

O mundial das Américas - II

 




O mundial das Américas lá vai. Não digo que vai de vento em popa, mas lá vai.

Quatro grupos estão já em marcha, com oito jogos disputados. Vimos um jogo de expulsões na abertura absoluta do campeonato do mundo das Américas, onde o México, em casa, ganhou naturalmente por 2-0 à África do Sul. No outro jogo do grupo A a Coreia do Sul venceu a República Checa, por 2-1. Tudo normal!

Veio a segunda festa de abertura. No Canadá. E o primeiro jogo empolgante, com o Canadá a empatar com a Suíça, 1-1. Para que tudo ficasse empatado no grupo a Bósnia e Herzegovina fez o mesmo resultado com o Catar, na primeira grande surpresa do mundial.

A terceira festa de abertura aconteceu nos Estados Unidos, e aí vimos a primeira grande manifestação de superioridade de uma equipa. Aí vimos os Estados Unidos afirmativos, a deixar boas indicações para o futuro da competição, e a ser claramente dominador. Ganhou por 4-1 ao Paraguai. Para o mesmo grupo D mais uma decepção da Turquia, a perder por 2-0 com a Austrália.

O grupo C teve logo a abrir um grande jogo, o Brasil - Marrocos. Não iludiu as expectativas, especialmente pelo lado de Marrocos, com novo treinador, mas o mesmo futebol. Foi realmente um grande jogo de futebol que Marrocos fez. O Brasil tem talento aqui e ali, mas é verdade que lhe falta globalmente. E nem Ancelloti lhe consegue dar a organização que lhe falta. Acabou empatado 1-1, mas Marrocos foi muito superior. Por fim a Escócia, que lidera o grupo, fruto da vitória (1-0) sobre o Haiti. Uma vitória que não entusiasmou, pelo contrário. O Haiti, uma das mais débeis selecções presentes, acabou o jogo a "sufocar" os escoceses.

  

sábado, 13 de junho de 2026

Há 10 anos

 

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Às portas do fecho da primeira jornada, vistas já todas as selecções que podem aspirar ao título europeu de futebol, à excepção da portuguesa, que só amanhã entra em cena justamente a fechar a primeira ronda, pode já dizer-se que as três super favoritas, não sendo assim tão super estão, ainda assim, no grupo das mais favoritas. Mas com companhia: a Itália, também lá está. 

Se a França tem os melhores jogadores, a Alemanha tem as melhores ideias.  Se a Espanha tem um pouco de tudo, jogadores e ideias, a Itália não precisa de muito para ter tudo. Ou quase. Porque defende como sabemos que mais ninguém defende, e isso basta-lhe para potenciar os seus argumentos. 

A Espanha está a renovar-se, substituindo alguns consagrados campeões por alguns jovens campeões. Ainda não está ao nível da velha selecção que dominou o futebol europeu e mundial entre 2008 a 2012, enterrada no Brasil em 2014, porque Xavi não se substitui. Nem Iniesta, mas esse continua lá. E de que maneira!

A Inglaterra também justificou condições para incluir o grupo, que já iria em cinco. Mas a História pesa muito, e na selecção inglesa pesa ainda mais. E os hooligans também não ajudam nada... 

Amanhã há Portugal. Sem Quaresma. Quem diria que esta seria uma ausência tão chorada? 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ai está o Mundial das Américas

 


Aí estão os primeiros pontapés na bola, no campeonato do mundo mais concorrido de sempre, com 48 equipas. O acréscimo de 16 equipas escuda-se na inclusão, mas é só isso. Um escudo, porque o que interessa é o potencial financeiro. E os cofres da FIFA estão cheios, como nunca estiveram.

Mas não é apenas o de mais equipas. E o de mais países organizadores. E o dos bilhetes mais caros. E nisso é um futebol para outros, não para o povo. Mas é, acima de tudo, o campeonato do mundo subvertido.

A FIFA vendeu-se. Só para referir os mundiais mais recentes, vendeu-se à Rússia de Putin, vendeu-se aos petrodólares do Catar, e vendeu-se ao populismo de Trump. E subverteu-se, ao vender-se dessa forma. Infantino pôs-se nas mãos de Trump. Deu-lhe até o Nobel da paz. Como "quem parte, reparte e não fica com a maior parte, ou é tonto ou não tem arte" Infantino ficou rico. Atestam-no os quase cinco milhões de euros que arrecadou o ano passado ...

O resultado foi a recusa de entrada a um árbitro da Somália, com a exclusão do melhor árbitro africano. Foi a proibição dos iranianos de se movimentarem em terreno americano. Medidas inéditas, nunca antes vistas. A FIFA, "soberana" nestas matérias, perdeu essa soberania. E o pais onde se situam 11 dos 16 estádios do Mundial, ganhou-a.

Nas apostas vale tudo. Mas, agora que se não conhece o alinhamento das selecções ao longo da competição, a França e a Espanha estão na primeira linha dos candidatos. Numa segunda linha estarão a Alemanha, o Brasil e a Argentina. 

Não acredito que a selecção nacional seja candidata a qualquer coisa. Uma equipa que joga com menos um nunca poderá ser candidata a nada. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Há 10 anos

 

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Não me parece que se possa classificar o massacre de Orlando - 50 mortos e 53 feridos  - como um atentado terrorista clássico, organizado a partir de um qualquer núcleo de uma qualquer organização terrorista a soldo do fundamentalismo islâmico.

É, como disse Obama, "o mais mortal ataque com armas na história dos Estados Unidos". É isso: o mais mortal de um fenómeno que é tudo menos raro na América  É, ainda nas palavras de Obama, "mais um exemplo da facilidade de disparar e matar", infelizemente tão comum na América. Diria mesmo que tão enraizado na América, e que nos remete para a legislação de aquisição, uso e porte de arma, sempre na ordem do dia, mas sempre obstruída pela vontade política subserviente, como se pode também ler das palavras de Obama: "É uma decisão que temos de tomar e não fazer nada também é uma decisão”.

O massacre num club de homosexuais, levado a cabo por um homem armado com uma espingarda e uma pistola, integra-se muito mais num quadro de loucura homofóbica que no de terrorismo islâmico. Mesmo que o louco criminoso, na imagem, seja de origem afegã.

Até poderá, eventualmente, vir a provar-se o envolvimento do terrorismo islâmico. Mas este é um fenómeno tipicamente americano, mesmo que a Trump - ele próprio a cara do fenómeno - interesse evidentemente dizer outra coisa. 

Há 10 anos

 


Todos nos lembramos da revelação dos chamados Panama papers. Da autêntica “bomba” que foi anunciada, com o detonador nas mãos de dois jornalistas – um do Expresso, outro da TVI – rapidamente alcandorados à condição de heróis nacionais. Ou de vedetas, como facilmente acontece. 

Lembramo-nos como foram denunciados nomes da cena internacional, como surgiram os primeiros tímidos e mal amanhados desmentidos. Como, em poucos dias, o primeiro-ministro da Islândia – mais uma vez na Islândia – foi obrigado a demitir-se. Lembramo-nos que foi logo anunciado que, só à nossa conta, havia 240 nomes para denunciar, entre políticos, empresários e jornalistas. E lembramo-nos ainda que ficamos logo com a ideia que aquilo daria pano para mangas nas mãos do Expresso. Que iria fazer render o peixe, libertando nomes ao sabor das tiragens: a conta-gotas.

Três nomes na primeira semana, todos empresários, dois dos quais feitos comendadores pelo regime. Que logo negaram tudo, contra todas as evidências. Na semana seguinte, mais três nomes. De novo empresários. E de novo igualmente dois vultos da cidadania, feitos comendadores das mais distintas ordens. E na seguinte, à terceira, a torneira entupiu e não deixou cair mais uma gota que fosse. Nem Expresso, nem TVI, se importaram mais com o assunto. Em apenas três semanas uma lista com 240 nomes – de políticos, empresários e jornalistas – era encurtada para apenas seis. Sem políticos, e sem jornalistas. Só com comendadores!

Não sabemos, evidentemente, se a divulgação parou por aqui por ordem dos comendadores, se por ordem dos que entregam as comendas. Custa-nos acreditar que se tenha anunciado políticos e jornalistas por decisão comercial. Não nos custa nada acreditar que a torneira se tenha fechado por decisão editorial. Porque as coisas são o que são. Mas também o que parece que são!

E o que parece, e o que é, é que, nas off-shores, não se toca nem com uma flor. É que dá muito jeito que os impostos continuem a ser pagos pelos mesmos. Que nunca podem fugir.

Perdeu-se uma enorme oportunidade de fechar uma das maiores portas franqueadas à corrupção. Sobrepuseram-se deliberadamente, e mais uma vez, os ilegítimos interesses de alguns – poucos – aos legítimos interesses colectivos. Deu-se mais um golpe na democracia e no Estado de Direito. Lamentavelmente pela mão daquele que é tido pelo mais institucional dos órgãos de comunicação social em Portugal.

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Marco Silva - o nosso Treinador



Estava escrito nas estrelas que Marco Silva havia de ser o treinador do Benfica, era uma questão de tempo. Pois esse tempo chegou. Chegou de uma forma atribulada, mas chegou.

Agora que chegou, que foi desta, é hora de lhe desejar toda a sorte do mundo. E deseja-lhe sorte não é só desejar que a bola entre. É, antes de mais, pedir paciência á Luz!

Marco Silva é competente, mas não é milagreiro. Precisa da paciência dos benfiquistas, precisa que não sejam eles a dar tiros nos pés. E precisa que a direcção decida. Que não continue escondida atrás do treinador.

Se todos fizerem a sua parte, não tenho dúvidas que Marco Silva fará a dele!

Há 10 anos

 



Ainda no intervalo - a segunda parte irá iniciar-se daqui a pouco, em Paris - pode já dizer-se que este 10 de Junho foi muito menos bafiento que de costume. O dia foi mais de Portugal que do regime, como Cavaco fazia dele...

Com um presidente sem teias de aranha, com um discurso desempoeirado, sem recados nem mensagens estranhas, sem necessidade de intérprete, adequado às circunstâncias. E às comemorações. À volta deste povo, sempre lá, no centro do discurso, como no centro da História.

Sem infindáveis filas de gente cinzenta do regime a oferecer o peito à condecoração. E sem chiliques!  



Nova vida, 16 anos depois!

 



Agora é aqui. A partir de hoje, que o Quinta Emenda faz 16 anos, passarei a estar aqui!

São desaseis anos a teclar. Prometo mais alguns!

Algumas rubricas clássicas do blogue mantém-se: "Gente Extraordinária", "Diálogos Curtos", "A Ler os Outros", "Tema da Semana", "Coisas de Hoje", "Coisas Intragáveis". O Benfica, o meu Benfica, continuará a ter lugar de destaque. O campeonato do mundo das Américas, também. Pese, embora, a selecção nacional, cada vez menos nacional. E cada vez mais a selecção do Ronaldo e do Jorge Mendes, que é como quem diz, do dinheiro. 

E, claro, a actualidade. A actualidade política, mas também a outra, de que são feitos os nossos dias. Tudo isto continuando a manter-me fiel à velha ortografia, contornando os obstáculos do nosso "desacordo" ortográfico. 

Sei bem que ao fim de 16 anos os blogues já não são a mesma coisa. Já não há hoje tempo - nem paciência - para ler mais do que duas ou três linhas. Ler um blogue tonou-se coisa do passado. Mas eu continuo fiel ao passado! 



terça-feira, 9 de junho de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Não consigo entender por que é que a esquerda se opõe à constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar a situação da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Não se percebe que o Bloco e o PCP, que tanto contribuiram para os bons resultados das CPI´s ao BPN e ao BES, se oponham agora a esgravatar na Caixa, escudados no dogma da bondade do banco público, que só tem é que ser capitalizado. E esquecendo-se, vá saber-se por quê, que o banco público é ... um banco. Onde acontecem as mesmas coisas que acontecem nos outros bancos, e com as mesmas consequências. Quando somos chamados a entregar mais 4 mil milhões de euros para a CGD, estamos a entrar com mais 4 mil milhões para o sistema financeiro. Para os bancos, sejam públicos ou privados. 

E temos, no mínimo, o mesmo direito de saber o que fizeram ao dinheiro que agora nos estão a pedir que repunhamos. Porque, repito, no banco público acontecem as mesmas coisas que acontecem nos privados, mesmo aquelas que não podem acontecer. 

Na Caixa aconteceram os efeitos da crise económica, houve má gestão do risco de crédito, aconteceram imprevistos como a crise financeira de 2008, com os seus derivados na crise das dívidas europeias. Como nos bancos privados. Mas também aconteceu ser instrumento ao serviço de interesses políticos conjunturais. Ou de interesses de facções e grupos. 

Foi lá que o governo de Sócrates foi encostar o BPN. Foi lá que o governo de Passos e Portas, que pretendia privatizá-la, é bom não esquecer, foi encostar o BES. E o Banif. 

Por lá passaram, e deixaram marcas, as guerras na PT com os sinais digitais de Ricardo Salgado, Nuno Vasconcelos (Ongoing, ainda se lembram?) ou Zeinal Bava. De lá saiu dinheiro - muito, imenso, mas não sabemos quanto - para Joe Berardo brincar ao BCP. Por lá passou Armando Vara, no centro de todos os furacões. Que, de lá,  saiu directamente para o privado - privadíssimo - BCP. Com o presidente Santos Ferreira.

Nos últimos anos nós, cidadãos contribuintes, entramos com 3 mil milhões de euros para o capital da Caixa. Pedem-nos agora mais 4 mil milhões, e a coisa ganha forma de BPN ou de BES. No mínimo deveríamos ter direito a saber quanto desse dinheiro todo respeita a coisas normais da vida dos bancos e quanto respeita respeita a vigarice com cobertura política. E não se percebe que seja a esquerda a negar-nos esse direito. Não por ser a esquerda, embora também por isso. Mas por ser o único espaço do parlamento sem o pecado da governação.

Os dogmas turvam tudo. E chegam a cegar!

 

domingo, 7 de junho de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Claro que a selecção da Estónia é fraquinha. É verdade que a primeira meia hora foi também a dar para o fracote, sem entusiasmar ninguém. Nem mesmo o público da selecção, que como se sabe não é assim muito exigente. Mas, caramba, depois o Quaresma abriu o livro e foi um regalo para a vista. E sete a zero é sempre um resultadaço: um grande ensaio geral!

Até os suplentes estiveram melhor que os titulares. À excepção do jovem Ricardo Quaresma, que hoje não foi suplente. Não há palavras para a exibição deste jogador com mais vidas que um gato, que dizem ter sete. De novo renascido, Quaresma foi simplesmente fantástico, com uma presença única no jogo, nos golos - o primeiro uma obra de arte -, nas assistências...

Mas não foi só Quaresma. A equipa não foi só Quaresma, nem foi só Quaresma a trocar as voltas a todos os que já tinham decretado o onze para França. Intocáveis como João Moutinho, João Mário e Nani, por exemplo, já só por decreto poderão ficar agarrados à titularidade. Mas sabemos bem quem é que assina estes decretos... 

Com estes jogadores, se a equipa não for constituída por decreto, e com o pé quente do seleccionador nacional nestas coisas de fases finais, pode ser que desta vez é que seja!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...