quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Como se esperava, Pedro Passos Coelho ameaça com um segundo resgate: "Se não formos capazes nos próximos meses de sinalizar aos nossos credores esta reforma estrutural do Estado que garanta que a despesa baixa de uma forma sustentada, o que acontecerá é que não estaremos em condições de prosseguir o nosso caminho sem mais financiamento, sem um segundo programa que garante ao País os meios que ele precisa", declarou tendo como pano de fundo a decisão do Tribunal Constitucional e aquilo que considera ser a sua visão restritiva da Constituição.


Passos Coelho chegou à liderança do PSD e logo anunciou como prioritária a necessidade de rever a Constituição, coisa que, como bem nos lembramos, foi então considerada completamente despropositada. O país não via nisso qualquer prioridade e percebia-se que se tratava de preconceito ideológico.


A verdade é que nada fez para encontrar o necessário consenso para essa revisão. Mas não é menos verdade que decidiu governar como se o tivesse feito, o que quer apenas dizer que, nada tendo feito para a rever, resolveu ignorá-la. Entendendo ainda que todos os órgãos de soberania deveriam fazer exactamente o mesmo.


Mas não pode ser assim. Por muito que lhe custe um Estado de Direito não é isso!


O primeiro-ministro tem de entender que esta Constituição tem que ser respeitada e que, se não lhe serve, tem de promover a sua revisão. A não ser que opte assumidamente pelo golpe de Estado. Não pode é pretender governar um Estado de Direito em ambiente de golpe de Estado!

Há 10 anos

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Não sei nada de incêndios. Por isso não vou escrever sobre o que (não) sei de incêndios. Apenas sei que devastam o país ano após ano, consumindo bens e vidas. E que, este ano, já muitas foram as vidas que levaram. Vidas de jovens, muito jovens na sua maioria, que um dia decidiram colocá-las ao serviço dos outros e que, por isso mesmo, são vidas que valem mais. E que deveriam valer de mais para serem perdidas desta forma!


E sei que atingem Portugal como nenhum outro país. E bem sei que isso não se deve a razões exclusivamente climatéricas, porque não têm, nem de perto nem de longe, a mesma expressão nos outros países do Sul da Europa, com condições climatéricas idênticas.


Sei pouco de políticas de solos e de florestas, mas sei que as espécies autóctones vêm nas últimas décadas sendo substituídas por eucaliptos. Sei que os eucaliptos servem a indústria da celulose, e que esta representa interesses fortíssimos que facilmente tomam conta dos governos. E que isso se nota à vista desarmada, a todo o pé de passada. Sei que a política de desenvolvimento do país o inclinou para o litoral, desprezando e desertificando o interior. Acabando as pessoas, acabou a pastorícia e o amanho da terra, e destruíram-se os equilíbrios que preveniam incêndios


Sei que o país pouco investe na prevenção, enquanto consome cada vez mais recursos no combate aos incêndios. Que, apesar de todos reclamarem sempre mais, o país já gasta o que pode e o que não pode nesta tragédia que se repete todos os verões, à volta da qual florescem actividades e interesses que não podem ser ignorados. Há uma economia do fogo que vive disto e que nem sempre será inocente. Sei - sabemos – que mesmo na Organização que é os bombeiros, há estruturas de interesses, mesmo que mesquinhos como sucede na maior parte das vezes. Que uma coisa são os bombeiros, os jovens, os homens e as mulheres que colocam as suas vidas ao serviço da comunidade, de comunidades que muitas vezes nem sequer são as suas, e outra sãos as suas estruturas de cúpula.


Sei – sabemos – que há criminosos à solta. Uns porque nunca são apanhados, outros porque logo são libertados.


Mas o que sei mesmo é que não podemos continuar a aceitar que tudo continue na mesma, ano após ano. Não podemos continuar impávidos e serenos à espera que em Julho e Agosto tudo se repita. Com televisões a fazerem da tragédia espectáculo, políticos bronzeados a repetirem os mesmos lugares comuns, e diferentes estruturas operacionais a digladiarem-se na praça pública, resumindo esta tragédia a um circo que no Verão desce à cidade.


 

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Há 10 anos

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O Tribunal Constitucional chumbou a mobilidade na função pública. De pouco valeu o Pontal de Passos Coelho!


Isto sucede no mesmo dia em que se soube que o governo deturpou a realidade salarial que informou ao FMI com o fito único de sustentar a premência de novas reduções, coisa que, como se sabe, é música para os ouvidos daquele parceiro da troika.


O problema disto é que, quando o governo diz que não tem alternativas para reduzir a despesa, já ninguém vai acreditar. Toda a gente achará que o governo tem apenas uma obsessão: lixar todos os que vivem do seu salário. Comparada com esta, a da Constituição é apenas uma brincadeira que o governo já não dispensa.

Copianço

Marques Mendes na SIC: “Este será o primeiro orçamento sem défice na ...


“Se um dia perceber que com uma candidatura à Presidência da República serei útil ao país tomo essa decisão”.


Não. Não é Marques Mendes a chegar-se para a fila da frente. É Marques Mendes a confessar que também ele acredita, e sempre acreditou, que as televisões fazem presidentes.


O problema são as cópias. Desconfia-se sempre da cópia. E mais ainda de quem copia!

Há 10 anos

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O Secretário de Estado Carlos Moedas deu hoje uma aula na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, a lembrar Vítor Gaspar, que imitou quase na perfeição.


Falou, claro, sobre a dívida: que é para pagar - “as dívidas têm que ser todas pagas, os países têm que pagar as dívidas e é importantíssimo que isso fique claro, que o esforço que os portugueses estão a fazer é para termos essa credibilidade”, disse.


Mas não falou claro sobre a dívida, contra a qual nada tem. “Que é necessária”, que “sempre se trabalhou com dívida”, mas “não pode ser é uma dívida em excesso”. Rematando que, “como tudo na vida, nada em excesso é bom”.


Claro que isto não é falar claro, nem sobre a dívida nem sobre excessos. Até porque os excessos não estão só na dívida. Que é para pagar mas que, na prática, a teoria de Moedas (e de Gaspar, e de Albuquerque, e de Passos, e de tuti quanti) só tem feito aumentar. 


Bom, mas lá temos nós de revisitar a lei de Gresham: e este é apenas a má Moedas. A boa Moedas é que continua sem aparecer…

domingo, 27 de agosto de 2023

A normalização da bipolaridade


É sempre tida por difícil, esta deslocação a Barcelos. É assim, ano após ano, em todas as épocas. Mas, de forma também mais ou menos invariável, chega quase sempre a tornar-se fácil. Mais ou menos fácil.


Ontem não foi diferente. Mas também não foi diferente a forma como o Benfica tornou difícil o que era fácil. Com um onze que não se pode classificar de surpreendente - Roger Schemidt está mesmo muito previsível -, com Aursenes a manter-se lateral esquerdo, atrás de João Mário, com Neres no banco, e Florentino atrás de Kokçu no meio campo, e Cabral lá mais na frente, o jogo arrancou nos moldes que já se podem dizer habituais neste arranque de campeonato, com o Gil a pressionar alto, a discutir todas as bolas e até a manifestar algum ascendente com bola. São os já habituais 10 minutos iniciais. Tem sido sempre assim.


A partir daí, igualmente "comme d´habitude", o Benfica começa a acertar marcações e posicionamentos e o seu futebol começa a brotar e vai enchendo o relvado. E o golo aparece, com naturalidade. Ontem aconteceu ainda antes de esgotada a metade inicial da primeira parte, num penálti cometido sobre João Mário, e convertido com aquele toque de classe extra de Di Maria, já a equipa dominava amplamente o jogo.


Chegado ao golo o Benfica não abrandou, e submeteu a equipa gilista a autêntica asfixia. Pôde então assistir-se a algo nunca visto num jogo de futebol, a anunciar o que aí vinha ... e o que aí virá. João Pinheiro, o árbitro, que na altura já havia ignorado duas entradas sobre Rafa que ditariam a segundo amarelo a dois jogadores gilistas -Dominguez e Marlon (que cometera a falta do penálti), no mais prolongado período de sufoco benfiquista, decide parar o jogo à espera de uma suposta intervenção do VAR. A jogada tinha terminado com um remate de Cabral ao lado, sem que se vislumbrasse qualquer tipo de anormalidade em todo o lance. As repetições da Sport TV, esta época ainda mais adversário, quando lhe compete apenas transmitir os jogos, sucediam-se, e confirmavam isso mesmo. Nada, como toda a gente tinha visto, e apenas um "time-out" de bónus que João Pinheiro queria oferecer ao Gil Vicente naquele período difícil por que passava.


E foi com o Benfica a criar e a desperdiçar oportunidades de golo, e João Pinheiro a poupar amarelos aos de Barcelos, que o jogo seguiu até ao intervalo. No último lance da primeira parte o Gil fez então o seu único remate à baliza do Samuel Soares, que se mantém na baliza, como Vlachodimos se mantém de fora.


Ao intervalo, a equipa de Barcelos tinha de agradecer dois milagres: aos deuses do futebol, o do escasso 0-1 que lhes mantinha o resultado do jogo em aberto e, a João Pinheiro, o de poderem disputar a segunda parte com 11 jogadores.


Mercê destes dois autênticos milagres o Gil mantinha-se vivo para a segunda parte. E entrou mais afoito, mais adiantado no terreno, mas rapidamente o Benfica voltou a pegar no jogo, e a dominá-lo. Mas apenas à terceira oportunidade voltou a marcar, ainda dentro dos primeiros 10 minutos, quando Rafa concluiu em golo mais uma bela jogada de futebol, provavelmente a mais bonita do jogo. Claramente por cima do jogo, com 2-0, tudo indicava que o Benfica iria ter um resto de jogo tranquilo. Esperava-se o terceiro golo a todo o momento. Que chegou pouco mais de 5 minutos depois, mas anulado por fora de jogo, bem assinalado a Rafa.


E vieram as substituições. Roger Schemidt fez entrar Neres, aclamado pela multidão benfiquista que enchia o Estádio, e Tengsted. As substituições que tinham resolvido o jogo com Estrela, desta vez, em circunstâncias diferentes, não tiveram o mesmo resultado. E Vítor Campelo fez três substituições de uma assentada, que mexeram claramente com a equipa. O Benfica começou a perder o controlo do jogo, e a mostrar a falta de consistência que vem sendo habitual, que faz com que seja capaz do melhor e do pior durante o mesmo jogo. À entrada para o último quarto de hora, no meio de três jogadores do Benfica, na meia lua, Touré, acabado de entrar, marcou. E em vez de uma tranquila goleada o resultado ficava no intraquilo 2-1, e o jogo num sobressalto. Schemidt tirou Florentino e Kokçu, amarelados, substituindo-os por João Neves e Chiquinho.


A ausência do "polvo" e a intranquilidade de Chiquinho afundavam o meio campo benfiquista. Mais uma vez as substituições não funcionavam. Valeu a última, com Musa a entrar para substituir Rafa, e a marcar na primeira vez que tocou na bola, já no período de compensação. O 3-1 arrumava definitivamente com o jogo. Com poucos minutos para jogar, e dois golos de vantagem, a vitória já não fugiria. 


Não fugiu, é certo. Mas o Benfica ainda viria a consentir mais um golo de forma absolutamente intolerável. E a acabar com o "coração nas mãos" um jogo que fora fácil, que poderia ter acabado em goleada, e que voltou a mostrar a montanha que o Benfica tem peloa frente para conquistar este campeonato. É certo que a equipa continua a mostrar-se capaz do melhor e do pior no jogo, mas não é menos certo que tudo o que rodeia o jogo está armadilhado.


E não são apenas as arbitragens. É tudo. Por exemplo, ao intervalo, a Sport TV não teve vergonha de, nas estatísticas da primeira parte, apresentar uma oportunidade de golo para cada lado. Do que se passa todos os dias nas televisões nem vale a pena falar. Tudo é "caso" no Benfica. Tudo é épico no Sporting. E tudo é normal no Porto.


É tudo normal na transferência do Octávio, com o comprador a desembolsar 60 milhões, quando duas semanas antes o poderia ter feito por 40; com um banco de Minas Gerais a abdicar da sua parte no passe; e com o empresário a abdicar da comissão da transferência. E é normal e comum que um jogador como João Moutinho tenha sido contratado, anunciado e apresentado para, depois, acabar no Braga. Como normal é, ainda e também, que, depois de ter roído a corda do acordo inicial com o Braga jogar jogar no Porto, João Moutinho acabe recebido de braços abertos por António Salvador.


 

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Há anos que o Pedro Proença faz o Benfica pagar por alegadamente ser benfiquista. Pelo que se vai percebendo vêm aí mais uns anos de pesadas facturas, agora por ter ido dar aulas ao Seixal…


Um mal nunca vem só. Bem feito – diria eu!

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Há 10 anos

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O jogo de hoje na Luz iria sempre ser histórico. Pela primeira vez um clube assumia a responsabilidade de transmitir um jogo do campeonato nacional pela sua própria televisão. Era a primeira transmissão da Benfica TV de um jogo do campeonato nacional, cortando definitivamente com o eterno monopólio de Joaquim Oliveira. E, começando por aí, cumpre elogiar, elogiada que há muito está a decisão, a transmissão, um trabalho de grande qualidade e profissionalismo. E de grande independência, com o profissionalismo a que o Hélder Conduto já nos habituou, a pedir meças à concorrência. De tal forma que nem uma arbitragem de fraquíssima qualidade de um dos mais incompetentes árbitros nacionais, que prejudicou grandemente o Benfica, mereceu qualquer reparo…


Mas será certamente histórico por outras razões. Não tanto pela forma épica como o resultado foi invertido, com dois golos em dois dos quatro minutos de compensação, mas pelo que essa reviravolta poderá significar. E pelas manifestações que provocou!


Não adianta sequer falar muito do jogo que, na realidade, não surpreendeu muito. O Gil jogou como se esperava que fizesse, mesmo que não tivesse enveredado por uma estratégia ultra-defensiva e mesmo que nem tivesse tido necessidade de, à sua escala e nesse modelo, jogar bem. Também o Benfica não conseguiu superar as expectativas, bem baixas por esta altura.


A pedaços – pequenos – o Benfica jogou com alguma qualidade, o suficiente para criar muitas oportunidades de golo que especialmente Lima e Rodrigo iam desperdiçando. Mas nem foi constante nem nunca chegou a ser brilhante!


Não é pois pela exibição que se poderá esperar que hoje tenha sido o dia D, de mudança. É pela mensagem de união que saiu de dentro da equipa, é pela nota que a equipa quis dar de estar com o treinador, e é ainda pela inédita atitude de Jesus com Maxi Pereira. Corresponda tudo isto à realidade ou não passe tudo isto de uma grande encenação!


Tenho algumas dúvidas que os jogadores estejam assim tanto com o treinador. Tenho as mesmas dúvidas que Jorge Jesus se comporte agora com todos os jogadores como se comportou hoje com Maxi Pereira. Não sou um crente destas coisas, mas também não é isso agora o que mais conta. O que conta é que todos, jogadores e treinador, tenham tomado consciência que a coisa não está para braços de ferro, que não há nada para forçar, que, se são estes jogadores e este treinador a ir até ao fim, têm todos que se comportar dentro dos padrões de respeito que a grandeza do Benfica exige.


E não há dúvida nenhuma que, mesmo que não morram de amores uns pelos outros, o sentimento que hoje todos manifestaram é um forte contributo para o espírito de equipa indispensável ao sucesso. Que o carinho e apoio que os colegas dispensaram ao Maxi, seguindo o mote dado pelo treinador - um indicador que contrasta com o que se viu no passado com Ola John, Carlos Martins ou Enzo Perez – revela grande solidariedade e um espírito de balneário que se dava por perdido.


Claro que é especulativo dizer que isto se deve ao facto Luís Filipe Vieira ter dado à costa. Mas não há grandes dúvidas que, sendo o presidente o responsável pela inaceitável continuidade de Jesus, era mais inaceitável ainda que agora se escondesse, que não deixasse claro que o treinador não ficaria abandonado e cada vez mais fragilizado. É verdade que não deixou nada disso assim tão claro, como se percebeu ao voltar a agitar o fantasma de Fernando Santos, mas basta dizer qualquer coisa… E aparecer, mesmo que tarde e a más horas!


Mesmo que não queira perceber que são benfiquistas que sofrem aqueles que hoje estão descontentes com a sua gestão. São benfiquistas dos 83% que o elegeram, dos que enchem o estádio, dos que pagam as quotas e dos que deitaram fora o comando…

Há 10 anos

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Luís Filipe Vieira renovou o contrato com Jorge Jesus com medo de um fantasma: o fantasma de Jesus no Porto. Com os resultados que estão à vista. Que o levam a segurar agora o treinador com o fantasma de Fernando Santos. Já começa a sustentar a sua própria presidência com o fantasma de Vale e Azevedo. 


É fantasmagórica, esta gestão de Luís Filipe Vieira!

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Esta é uma notícia verdadeiramente fantástica. Nenhuma outra diria tanto sobre o estado a que chegou o Benfica!


É simples: se foi o Benfica a escolher Pedro Proença, fica tudo dito sobre a organização da SAD; se foi o Conselho de Arbitragem, fica tudo dito sobre o respeito que o Benfica lhe merece.


E é sempre assim: não merece respeito quem não se sabe dar a ele. Ao respeito, o princípio e o fim de todas as coisas…

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Há 10 anos

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"Cortes na despesa só vão ser revelados após autárquicas"!


Já a oitava avaliação da troika tinha sido adiada para depois das eleições. Que, por sua vez, tinham sido marcadas para o mais cedo possível, para que o orçamento, também ele, só viesse depois.


"Que se lixem as eleições"! Tão querido, o menino Pedrinho...

sábado, 19 de agosto de 2023

Há 10 anos

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À falta de tema, ou à falta de melhor, a coisa aqui descambou para sexo. Acontece aos melhores, mesmo que não seja o caso…


Depois das "garagens do sexo", vamos para exames à virgindade. Agora é na Indonésia onde, provavelmente entre os exames de admissão ao ensino superior, surge agora um exame à virgindade. Isso: nem mais nem menos!


A justificação não deixa de ser interessante: o aumento da prostituição, mas também o aumento do sexo antes do casamento.


Na Indonésia, o maior país muçulmano. O país do Islão moderado. Que faria se não fosse...


É claro que isto não tem nada a ver com sexo... foi apenas chamariz. Isto trata de direitos humanos, de dignidade e de civilização!

Gelo do Bessa e as coisas do costume

Neres soltou magia e Tengstedt e Rafa resolveram na Luz


Saí de casa para regressar à Luz, certamente cheia de fome de bola, depois de três meses sem nada. Numa viagem tranquila, a ouvir música no meio da conversa com os meus dois companheiros de jornada, o primeiro pensamento foi mesmo para o desperdício destes três meses de interregno, sem nada. Nem jogo de apresentação, nem Eusébio Cup. Nada.


Isto para dizer que não ouvi notícias, não olhei para o telemóvel. Nada. Cheguei ao Estádio faltava pouco mais de um quarto de hora para o jogo, já os jogadores tinham regressado às cabines, depois do aquecimento. Estava perto de cheio, mas percebiam-se aqui e ali umas pequenas, mas surpreendentes clareiras. Esperava uma enchente na Catedral, depois de tanto tempo às moscas. Pensei logo que seriam efeitos da água gelada do Bessa. 


Tinha acabado de me sentar e aconchegar na cadeira quando dos altifalantes começaram a anunciar a constituição das equipas. Primeiro da do Estrela da Amadora. Os nomes iam saindo, pouco me diziam e a minha atenção continuava destinada àquelas pequenas, mas intrigantes clareiras. Só delas se desviou quando o tom de voz do speaker subiu para anunciar a do Benfica. E logo uma bomba: "com o número 24, Samuel Soares".


O quê? 


Terminado o "onze", passou aos suplentes: "com o número 1, Trubin"!


Os efeitos da água gelada do Bessa eram afinal outros. E bem mais graves do que aquelas pequenas clareiras, que afinal nem impediam que a casa estivesse bem perto dos 60 mil. 


É certo que Vlachodimos não tinha estado nada bem no Bessa. E que parte dos benfiquistas não tinham sido nada meigos para ele ao longo da semana. Mas isso são os adeptos. E nem sequer a maioria, que bem se lembra de quanto foi importante na época passada. Que sabe o que é gratidão, e que sabe que acima de tudo lhes cabe defender os seus jogadores. Os responsáveis, e Roger Schemidt como responsável-mor da equipa, não podem pensar, e menos ainda agir, dessa forma.


Assim sendo, algo de grave se teria passado. E nesta altura tudo o que não precisamos é de fracturas no seio da equipa. De rupturas no balneário.


Não sei até que ponto isto marcou a equipa, mas a verdade é que ela nem parecia a mesma. E aquela convicção no 39 que aqui reproduzi após a derrota do Bessa, ficou abalada. E isso notou-se isso na Luz.


O Estrela trazia uma estratégia de encurtar o campo. E instalou-a no jogo. Com a defesa muito adiantada retirou 30 a 40 metros ao meio campo atacante do Benfica, e o jogo disputava-se em pouco mais de 20 metros de cada lado do meio campo. Com 20 jogadores em tão pouco espaço de terreno, não havia por onde jogar.


Ao Benfica não faltava bola, faltava era engenho (rotinas e automatismos) e arte (aos jogadores) para desmontar aquela teia, e saltar para as costas da defesa estrelista, onde havia tanto espaço para explorar. Ao Estrela não faltava nada do que pretendia e sobrava-lhe ainda conforto.


Foi assim toda a primeira parte, e mais confrangedoramente assim na primeira meia hora. Só no último quarto de hora o Benfica começou a encontrar forma de contrariar o esquema adversário, e a aqui e ali a furar a teia. Apenas por duas ou três vezes esteve perto do golo: primeiro pelo estreante Arthur Cabral, faltando-lhe arte para contornar a mancha do guarda-redes Brígido, que atingiu pela primeira vez o brilhantismo ao negar o golo no excelente remate de Di Maria, o único que ia remando contra a maré, e o único verdadeiramente capaz de destruir a estrutura defensiva amadorense. Antes, João Mário, sempre muito apagado, rematara ligeiramente por cima da barra.


Nada mais haveria de registo nesta primeira parte não fosse o árbitro - Gustavo Correia, um desconhecido, mas naturalmente do Porto - mostrar que estava ali não para arbitrar mas para fazer mal. E fez tudo para isso, para fazer mal.


Ao intervalo Roger Schemidt trocou João Neves, justamente uma das vítimas de do árbitro do Porto, já "amarelado" por Florentino. Mas deixou em campo João Mário, outro dos contemplados. E o jogo lá continuou mais ou menos na mesma toada da primeira, com os jogadores do Benfica com as mesmas dificuldades, e o árbitro com as mesmas habilidades. Até assinalar um penálti contra o Benfica, já perto do fim do primeiro quarto de hora.


Era, mais uma vez, a terrível lei de Murphy. Valeu o VAR - às vezes vale mesmo, e como o Hugo Miguel (que na véspera tinha validado o golo em fora de jogo ao Sporting, que lhe valeu 3 pontos) foi para a jarra, este achou por por bem valer - a contrariá-la.


Ficou o aviso, mas nem parecia suficiente para convencer Roger Schemidt a mudar qualquer coisa. Foi preciso um quarto de hora para finalmente ver - o que toda a gente via - que precisava de Neres na equipa. E que João Mário, não é para estes jogos. Neres mudo o jogo do avesso, as oportunidades de golo regressaram, e sucediam-se a uma cadência nunca antes vista, resgatando as bancadas da Luz. O guarda-redes do Estrela ia defendendo tudo, até o que parecia indefensável, como mais um extraordinário remate de Di Maria. Gritou-se golo, mas afinal a bola foi à rede mas pelo lado de fora.


Pouco depois trocou Arthur Cabral, muito desligado da equipa e em estreia discreta, apesar de um ou outro bom pormenor, precisamente quando acabara de assinar o seu melhor remate, indefensável que mais uma vez Brígido converteu em defensável, por Tengstedt. Que viria a marcar o golo que fez explodir a Luz, depois de mais uma brilhante jogada de Neres, precisamente 10 minutos depois de ter entrado. Então ao 22º segundo remate do Benfica, que na primeira meia hora do jogo tinha feito apenas um!


Poderiam ter-se seguido mais quatro ou cinco, mas a bola acabou por voltar a entrar apenas por mais vez na baliza de Brígido. Em mais uma jogada pintada pela magia de Neres, concluída, com classe, pela classe de Rafa. E a Luz acabou em festa, quando esteve tão perto da depressão!


 

Há 10 anos

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Em Zurique, na Suíça, foi encontrada uma resposta para a prostituição de rua. "Da rua para a garagem" poderia ser o slogan...


Não sei porquê, mas sinto aqui alguma inspiração lusa. Qualquer coisa entre Monsanto e Quim Barreiros!

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Há 10 anos

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O Benfica começou o campeonato como de costume. Como de costume, não ganhou!


Se é costume, é normal, dir-se-á. E o que é normal é isso mesmo, normal. Nada de anormal, pois, nesta derrota na Madeira – onde não era normal perder. Afinal já há aqui qualquer coisa de anormal…


O problema é que, toda a gente sabia, o Benfica que Luís Filipe Vieira quis que continuasse a ser o de Jesus, estava proibido de começar mal este campeonato. A equipa, e principalmente o seu treinador, depois do desastre do final da época passada, não tinha margem de erro. Esse era, de resto, um dos principais riscos da insensata decisão de renovar com Jorge Jesus!


Os níveis de confiança da equipa saíram da época passada no ground zero. Percebeu-se que as férias não tinham permitido aos jogadores fazer o luto. Mais, que a equipa, graças á continuidade de Jesus, e concomitantemente à abstrusa gestão do caso Cardozo, não tinha fechado a época anterior. Que a pré-época foi simplesmente a sua continuação, sem sequer um intervalo!


Sendo o costume, esta derrota inaugural do Benfica nunca não poderá ser aceite com normalidade. Esta é uma derrota que confirma a lei de Murphy, que há tempo aqui ando a invocar.


Este é o ano decisivo para Luís Filipe Vieira. É o campeonato que o Benfica não pode perder, porque será o tetra do Porto e a porta aberta para o segundo penta. Mas, acima de tudo, porque, agora, com esta estratégia televisiva – que sempre apoiei e apoio - tem todos os ovos no mesmo cesto. Os resultados – e as exibições, e a mobilização dos benfiquistas – já não ditam apenas o sucesso e o insucesso desportivo, passam também a ditar grande parte do sucesso e do insucesso da estratégia da Benfica TV, agora crítica na conta de exploração.


Por isso menos se percebe ainda a aposta na continuidade de Jesus. Mas menos ainda se entende o desaparecimento do presidente. Que não aparece a dar a cara pelos negócios esquisitos – chamemos-lhe assim, quando falamos de Roberto e Pizzi, e mesmo de Fariña - e que não apareceu para resolver a tempo a situação de Cardozo. Por isso não se percebe que, tendo o Benfica que vender como se sabe que tem, o campeonato se tenha iniciado sem uma única venda efectuada. Com a mesma equipa da época passada, sabendo que, dentro de duas semanas, quando os ponteiros do relógio de aproximarem da meia-noite do último dia de Agosto, três ou quatro desses jogadores irão ter de sair, então pelo preço da uva mijona. Ou talvez não, como já viu pelo Roberto!


Por isso se não percebe a “ruicostização” de José Eduardo Moniz, a deixar perceber que LFV entendeu que seria muito mais útil como golpe no coração da oposição do que como mais-valia de gestão, em particular na estratégia para a Benfica TV (prometo voltar ao tema).


Mas não foi só a derrota do Benfica que foi o costume na abertura deste campeonato que não pode perder. E que o Porto, em sentido contrário, também não!


Como de costume, o Porto vendeu bem e na altura certa, dando até para segurar o Jakson. E, ao que parece, não se enganou nas compras. Trocou de treinador, mostrando que ali é acessório o que no Benfica é fundamental. E, porque é de manhã que se começa o dia, mostrou, como de costume, quem manda. Quem põe e dispõe de tudo o que, acessório, pormenor ou detalhe, é decisivo no desequilíbrio dos pratos da balança.


Pinto da Costa - que está sempre presente, como ainda ontem, em Setúbal, muita gente se lembrou logo que os factos lhe avivaram a memória – sabe que, neste arranque de época, como no de há três anos (quando o imperativo era impedir o bi do Benfica), é preciso que as coisas comecem logo a correr mal. E muito bem ao Porto!


As nomeações do super dragão Jorge Sousa para os Barreiros e de Capela – triturado pela máquina portista depois do derbi da Luz, era, em razão do poder, a carta segura - para o Bonfim, aí estavam para mostrar urbi et orbi que, como de costume, não brincam em serviço. E, claro, cada um fez o melhor que pôde. E Capela pôde muito… Fartou-se de poder!


Luís Filipe Vieira, esse, tem mais que fazer… Mesmo que afogado num mar de cumplicidades!

Há 10 anos

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A 75ª edição da Volta a Portugal teve hoje o seu penúltimo mas decisivo dia. Hoje, com o contra-relógio que ligou o Sabugal à Guarda, conheceram-se as últimas decisões da Volta deste ano. Amanhã, como sempre acontece, será a última etapa, a da consagração. Já mais nada acontecerá até Viseu!


Ao longo destes onze dias não a trouxe aqui, o que não significa que, como amante do ciclismo, pudesse ter deixado de a acompanhar. Esta não era só a edição diamante da Volta, era também a do esperado regresso das vitórias portuguesas, depois do longo reinado do agora retirado David Blanco. Quase português, mas galego!


Mas ainda não foi desta que um ciclista português voltou a ganhar a Volta. Nem foi esta que acabou com o domínio galego, os espanhóis que mais portugueses são. E, no entanto, nunca antes – nos últimos anos, bem entendido – tantas e tamanhas oportunidades houve…


Esta foi, antes de mais, uma Volta estranha. Aconteceu de tudo. Logo na primeira etapa, no prólogo – um contra-relógio por equipas no coração da baixa lisboeta, de apenas cinco quilómetros – um dos favoritos (Edgar Pinto) furou e perdeu quase 1 minuto, deixando-o desde logo em maus lençóis. Na seguinte, o insólito: um ciclista asiático, quando seguia isolado com uma vantagem de mais de 11 minutos decidiu parar e aproveitar esse tempo para fazer uma refeição tranquila, à sombra da ponte de um viaduto. Logo a seguir, na terceira etapa, à chegada ao Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, os dois ciclistas que sprintavam para a meta seguiram o caminho errado e acabaram no chão, longe da meta.


O mais estranho, no entanto, prende-se com as opções de corrida da mais bem apetrechada equipa do pelotão – a Efapel/Glassdrive, de Carlos Pereira (na foto). Bem apetrechada - de mais - com demasiados corredores capazes de ganhar. Nunca se percebeu: estava em tudo o que mexia. Punha corredores em fuga para, depois, lhe mover perseguição. Mais do que uma estratégia, a ideia fixa de entregar a Volta a Rui Sousa, era obsessão. Que deu muito maus resultados!   


Na etapa para Oliveira do Bairro, logo a seguir à da Senhora da Graça, em mais uma das coisas estranhas desta Volta, a LA Alumínios/Antarte, para vingar a derrota da véspera de Hugo Sabido – o segundo do ano passado e um dos principais favoritos – colocou sete dos seus nove corredores em fuga. Nesse grupo, que chegou a ter quinze minutos de vantagem, estavam quatro corredores da equipa de Carlos Pereira, sem que lá estivesse nenhum dos adversários. Podia ali ter ganho a Volta, deixando irremediavelmente para traz os corredores da Ofm/Quinta da Lixa – uma equipa em estreia, que teve uma Volta descansada, limitando-se a vê-los lançar os foguetes e correr atrás das canas – mas não. Na frente não fazia nada para ajudar na fuga e, atrás, rebocava o pelotão. Porque era lá que estava o Rui Sousa!


A cena voltaria a repetir-se na véspera da subida à Torre, já na Serra da Estrela. Nas Penhas Douradas era o Nuno Ribeiro – então sexto ou sétimo classificado, vencedor da Volta de há dez anos e grande trepador - quem seguia numa fuga com mais de 10 minutos. Dava-lhe para ganhar a Volta, mas não era o Rui Sousa, e o senhor Carlos Pereira põe a equipa a anular a fuga.


Ontem, na subida à Torre, era então o dia de Rui Sousa, que desde a Senhora da Graça seguia em segundo, exactamente com o mesmo tempo do camisola amarela, o espanhol Sergio Pardilla. Vestiu aí a camisola amarela mas, ironicamente, perdeu aí a Volta. Porque nem ganhou a etapa - voltou, como nos três últimos anos, a ser segundo, atrás de Gustavo Veloso, um dos galegos da Ofm/Quinta da Lixa, que passou para segundo, a apenas 6 segundos – nem ganhou tempo suficiente para se defender do outro, Alejandro Marque. Um contra-relogista, que hoje se superiorizou a ambos, ganhando 36 segundos ao seu colega de equipa (e amigo) e 1minuto e 28 ao Rui Sousa. E ganhou a Volta com 4 - a menor diferença de sempre, creio mesmo que em qualquer prova do género - e 50 segundos de vantagem, respectivamente.


Com o português, também pelo terceiro ano consecutivo, a ser terceiro na Volta a Portugal. É um lugar-comum dizer-se, nos desportos colectivos, que, quando ganham, são os atletas a ganhar e, quando perdem, são os treinadores a perder. Carlos Pereira também o disse - a excepção é Jorge Jesus, mas isso é no futebol – mas, para além de o dizer, deveria tê-lo sentido. Porque foi!


E permitiu que a equipa de José Barros, logo na estreia, ficasse com os dois primeiros lugares da Volta e arrecadasse a maior parte das vitórias em etapas. Restou-lhe a vitória por equipas, e por escassos 11 segundos. Fraco pecúlio para quem teve tudo para ganhar!  

A agenda política

As 5 medidas do PSD para baixar impostos já a partir deste ano - Expresso


A redução dos impostos em Portugal ganhou novo fôlego e entrou decididamente na agenda política. O governo já tinha aberto o caminho, e o PSD, naturalmente, cavalgou-o.


É clara a oportunidade. Já o seria pelo calendário eleitoral, e sabe-se como as eleições são sempre a oportunidade para falar de redução de impostos. É a poção mágica que logo se desfaz depois do papelinho depositado na urna. Todos a prometem. Os que sabem que nunca terão oportunidade de a concretizar, e por isso a podem elevar à máxima exponência, e os que sabem que, depois, encontrarão sempre argumentos para a remeter para  o baú das memórias, ou dos tesourinhos mais deprimentes. Mas é-o, também e a gora, pela conjuntura das finanças públicas, que não exactamente pela situação económica do país. Quando a carga fiscal atinge máximos históricos, muito à boleia da inflação, batendo mesmo os recordes de 2013, e superando a dos dinamarqueses ou suecos que, como se sabe, dela têm as contrapartidas que cada vez mais falham aos portugueses.


Ninguém fala claramente de uma reforma fiscal, nem da alteração do paradigma fiscal português. Esse decorrerá sempre do paradigma económico, que não se prevê de alteração fácil. Esse, que deixa mais de metade dos contribuintes sem rendimentos para pagar impostos, não entra na agenda política.


Mas é o que temos!

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Há 10 anos

 


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O discurso do Pontal de Pedro Passos Coelho, de hoje, teve quase tudo menos o que deveria ter. A começar pelo mais importante: honestidade intelectual. Mas também coerência e rigor!


Dir-me-ão que não é isso que se espera no Pontal e, por muito que me custe, terei de concordar. Pois, mas faltou-lhe também o que, no Pontal, mais se espera: entusiasmo, mobilização e festa!


O momento político era propício a uma grande festa, mas ela não apareceu.


No resto, no que realmente importa, uma enorme falta de honestidade intelectual e uma incorrigível propensão para a manipulação – muitas vezes chocante - da realidade. Só isso explica que os principais riscos que o país actualmente corre sejam a evolução da economia europeia, a execução orçamental e o Tribunal Constitucional. Se a evocação do primeiro serve apenas para aligeirar responsabilidades, e a do segundo para valorizar o óbvio, já a do terceiro não passa de mais uma inaceitável pressão sobre o Tribunal Constitucional. Que apenas confirma que Passos Coelho vive aterrorizado com a elementar obrigação de cumprir a Constituição!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Este ano foram notícia os meios de segurança mobilizados para as férias dos políticos no Algarve. A esses meios acresceram ainda os seguranças que normalmente lhes estão afectos e que vão sendo notícia nas mais diversas circunstâncias.


Como se tudo isso não bastasse, ainda foi notícia uma afliçãozita Jorge Sampaio nas águas de uma das praias de Lagos, que contou, também ela, com a participação dessas personagens. Não que tenha constado que o tivessem ajudado a livrar-se da corrente que contrariava a sua vontade de sair da água – aí não lhe valeram de nada – mas porque, rezava a notícia, logo que chegou à areia, desapareceu levado justamente pelos seguranças. E pronto, lá ficava toda a gente a saber que até um antigo presidente, que não faz mal a ninguém nem a quem ninguém quer fazer mal, também vai de férias para o Algarve com seguranças.


Reconheço alguma dificuldade em aplicar aos políticos, mesmo que na reforma, aquele princípio popular de quem não deve não teme. Até porque se houvesse algum que não devesse, é tanto o que todos os outros devem, que nunca daria para lhe garantir grande coisa…


Na realidade devem, e tanto, que só podem temer. Como também diz o povo, quem tem cu tem medo. E eles não têm cara, mas cu não lhes falta. Por isso demos de barato que têm de andar acompanhados por quem lhes defenda a cara que não têm, o cu que têm de sobra, e o resto da carcaça…Mas mandaria o mais elementar bom senso que não os exibissem!


Não lhes nego o direito ao quotidiano de férias do comum dos cidadãos. Mas não me parece aceitável que exerçam esse direito afrontando os outros com exibicionismos bacocos de tipos musculados com ar de agente secreto de trazer por casa.


Partilhei – não partilhei coisa nenhuma, fui obrigado a conviver com isso - o meu espaço de férias com um ministro, e nem sequer interessa identificá-lo, que se achava no direito - que, como referi, lhe não nego - de fazer tudo o que, por exemplo, eu fazia. Mas, francamente! Chegar à esplanada com quatro rapagões, que ficam ali especados… Andar no supermercado mais preocupado em olhar à volta (ou em ser visto?) do que para as prateleiras, sob o olhar dos mesmos quatro, também eles a parecerem mais interessados em ser vistos que em ver, não é fazer o que faz o cidadão comum. É outra coisa qualquer, é uma espécie de novo-riquismo que lhes retira de cara o que lhes acrescenta de cu!

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A primeira das 34 do 39


Há jogos assim, diz-se frequentemente. Mas na verdade não há tantos assim como este, desta noite, no Bessa, que fechou a primeira jornada deste campeonato 2023-24. O do 39!


Mas vamos ao jogo. Que arrancou num ambiente de hostilidade pouco visto. Das bancadas, provavelmente muito preenchidas pelas centenas de super-dragões anunciados pelo seu "chefe", cheio de bilhetes na mão, chegava o mote, ao som dos cânticos do costume. No relvado revelava-se na agressividade dos jogadores boavisteiros, sempre para além dos limites aceitáveis. E legais.


O árbitro esteve bem, punindo disciplinarmente logo os três jogadores do meio campo do Boavista. O primeiro logo no primeiro minuto. Bem, mas não tão bem assim. O segundo amarelo, mostrado a Makouta aos 10 minutos, deveria ter sido vermelho. O terceiro, a Perez, ainda antes de atingido o primeiro quarto de hora, levou os jogadores de Petit a refrearem o ímpeto. Mudou o jogo, e mudou o ambiente.


A partir daí o Benfica tomou definitivamente conta do jogo, e o vermelho das bancadas calou os cânticos miseráveis que até aí se ouviam. A meio da primeira parte, à segunda oportunidade, com naturalidade o Benfica abriu o marcador, com Di Maria a concluir um grande arranque de Rafa. E cometeu o primeiro pecado!


Porventura com as dificuldades dos primeiros 15 minutos na cabeça, os jogadores pensaram em gerir o domínio do jogo, em vez de forçarem o assalto à baliza do Boavista para "matar" o jogo logo ali, e deixarem o resultado feito até ao intervalo.


A segunda parte arrancou com Petit a retirar os "amarelados", deixando apenas o experimentado - e manhoso - Perez, e o Benfica no mesmíssimo registo, como se o domínio do jogo fosse suficiente para o ganhar. E logo apareceu o primeiro acidente grave do.jogo. Acidente é assim. Sem aviso, nem sinal de alarme. 


Musa pisou a bola, escorregou, o pé sai-lhe direitinho às penas do central Abascal, e foi para a rua. Quando tudo apontava para ser o Boavista a ficar, mais cedo ou mais tarde, em inferioridade numérica, a fava calhava ao Benfica.


Roger Schemidt nem esperou para ver. Ainda antes do jogo ser reatado, com o defesa boavisteiro a ser assistido em campo, substituiu Di Maria ... por Morato. Era o segundo pecado!


Ninguém percebeu a opção do treinador. O que se percebeu foi que aquilo era mandar para dentro do campo a ideia que, a partir dali, era para defender o 1-0. Não podia ter corrido pior e, da cobrança do livre, depois da bola ressaltar na multidão formada pelos centrais do Benfica, até acabar ali à frente de Jurásek, não foi o lateral esquerdo, como que hipnotizado a olhar para ela, a tirá-la dali, mas o Bozeník a metê-la na baliza do Vlachodimos.


Com dez, com o jogo empatado, e com a equipa "armada" em contra-mão (três centrais e cinco defesas), os jogadores do Benfica pegaram no jogo e foram para cima do Boavista, remetido à sua área, a defender o empate. Depois de vinte minutos de domínio avassalador do jogo, com a bola a teimar quanto podia em não entrar na baliza - antes, num lance em que até pareceu ter sido cometida falta para penálti, já Rafa tinha acertado na barra - lá chegou o golo. De Rafa, à terceira, depois do guarda-redes ter defendido um grande remate de Kokçu, e da recarga de João Neves ter acabado na barra. 


Era o golo da vitória. Só podia. Ia entrar-se no último quarto de hora, e a superioridade dos 10 do Benfica sobre os 11 do Boavista era tal, que não passava pela cabeça de ninguém que os três pontos pudessem fugir.


Terceiro pecado: a equipa também pensou assim, mas deixou de fazer o que era necessário para que fosse assim. E, em cima do minuto 90, do nada, Vlachodimos, que nunca teve nada para defender, arranjou complicação. Andou aos papéis e acabou com o António Silva a fazer um penálti para cortar a bola.


E o Boavista empatava de novo. Era tudo o que queria. Nos 10 minutos de tempo extra o Benfica repetiu o assalto à baliza axadrezada, e a bola voltava a teimar em não entrar, como naquele remate espectacular de Neres à barra. Pela terceira vez!


Com o Boavista a queimar tempo, o árbitro a compensá-lo, e o Benfica com toda a gente na frente, desesperadamente à procura do golo, uma perda de bola de António Silva, e mais uma vez com Vlachodimos embrulhado nos seus equívocos e angústias, acabou no terceiro golo axadrezado e na inacreditável vitória da equipa que só queria empatar. 


É fácil "bater" no treinador. Aquela substituição do Di Maria pelo Morato é também ela inacreditável. Nos jogadores, não. E este jogo acabou até por resolver as duas grandes questões que as últimas contratações levantavam: Musa, ausente do próximo jogo, resolveu o problema da titularidade de Cabral sem razões para melindres e fracturas; e Vlachodimos não irá estranhar que a sua titularidade tenha caído ao primeiro abanão.


É por isso termino como iniciei: este é para o 39!

domingo, 13 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Não há muito a fazer. Somos assim…


De vez em quando resolvemos procurar D. Sebastião no local mais improvável!


Agora é este, e tem nome de poeta...

Há 10 anos

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O primeiro-ministro norueguês, o trabalhista Jens Stoltenberg, de novo candidato nas eleições de 9 de Setembro, foi notícia por se ter disfarçado de taxista, supostamente com a intenção de recolher as reacções dos passageiros à política e ao desempenho do seu governo.


O vídeo gravado na circunstância foi divulgado e suscitou as melhores reacções. Na Noruega mas também pelo mundo fora, sempre disponível para aplaudir a cultura cívica nórdica, a transparência e a ética que fazem da política na Europa do Norte, e em especial na Escandinávia, o modelo de salvação dos sistemas democráticos que agonizam no resto da Europa, e mesmo do mundo.


Soube-se pouco de pois que os passageiros eram figurantes, que foram seleccionados e pagos para executar o papel. Que foi um embuste e que, afinal, também por lá, a ética e a transparência já conheceram melhores dias. Que, por lá, ética e transparência, não fogem muito do que por cá se diz de riqueza e santidade: é sempre menos de metade!


O que não quer dizer que não haja, mesmo assim, muito a aprender com eles… Não será é em matéria de táxis!

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Há 10 anos

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O desemprego baixou no segundo trimestre. Vamos deixar de lado se baixou muito pouco, e se o que baixou foi à conta de salários ainda inferiores ao salário mínimo.


As exportações continuaram a crescer, bem para além do que se estava à espera, e Maio foi o melhor mês de sempre no que toca a volume de transacções para o exterior. E admite-se mesmo que a economia esteja a sair da recessão!


Ora tudo isto são boas notícias, mesmo que não tão boas quanto gostaríamos que fossem. A quebra do desemprego pode resultar apenas de fenómenos de sazonalidade, de contratos de curtíssima duração que, passado o Verão, devolvem ao desemprego os números assustadores de sempre. E traduziu-se apenas nos salários mais baixos, deixando a ideia que a economia que pode estar a sair da recessão vai fazê-lo em novas bases. Em especial na base de salários baixos – ainda mais baixos!


Mas têm que ser boas notícias, porque é de boas notícias que também a economia vive. É de optimismo, que gera confiança, que a retoma se faz.


Pena é que o governo nada contribua para isso. Que, quando saem estas notícias, em vez de as potenciar, esteja paralisado por ministros e secretários de estado enterrados em aldrabices. Que, antes de serem demitidos, não poderiam ter sido admitidos. Que, quando há notícias destas para dar, dê as de cortes de pensões. E as das excepções, porque, afinal, os cortes nunca são para todos. E deixe intactas as imoralidades que todos conhecemos…


 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Para a sua própria substituição a ministra, enterrada nos swaps até às orelhas, escolheu alguém tão enterrado quanto ela. Que se manteve um mês em funções, sob fogo cerrado. Até à demissão, sem uma palavra da ministra – uma única!


Talvez por isso seja a própria ministra a substituí-lo, o que quer dizer que se substitui a si própria. Isto começa finalmente a fazer algum sentido... É a coesão, em circuito fechado...


Ninguém consegue ver é como é que isto pode chegar a 2015.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Clássicos do clássico que não foi tão clássico assim


O Benfica ganhou a Supertaça. Dizem que é o primeiro título da época, e metem-no na contabilidade de "alhos e bugalhos" ao lado dos campeonatos nacionais. Se é assim, que assim seja. 


Mais importante que o título é, e continuará a ser a vitória sobre o Porto. Todas são importantes mas, estas, no arranque da época, são marcantes. Marcam muito do que aí há-de vir como, de resto, está demonstrado. Esta, neste início de época, depois de uma pré-época que não foi igual à última. E que na realidade, em particular pelos dois jogos perdidos, com o Burnley e com o Feyonoord, antagonistas com muitos pontos em comum com o que é o estilo do Porto, não augurava nada de bom para o confronto de hoje.


O onze escalado por Roger Schemidt para subir ao relvado do "elefante branco" de Aveiro, não ajudava muito a suplantar aquele estado de espírito meio depressivo que se apossara dos benfiquistas. Sem Gonçalo Ramos, o treinador do Benfica optou por entrar a jogar sem ponta de lança, e associou-se essa decisão ao "clássico" medo de defrontar o Porto. O medo que os portistas fazem gala de propagandear.


Depois do jogo, e depois daquela segunda parte em que o Benfica "engoliu" o Porto, a ideia de "medo" caiu por terra. Em boa verdade, já na primeira parte, houve razões para desfazer essa ideia. É certo que o Benfica abdicou então do seu futebol de circulação, de primeiro toque e velocidade. Mas os jogadores foram à luta, foram bravos e nunca revelaram medo. Não foram menos intensos, não fugiram aos duelos e nunca se esconderam do jogo. E só faz isso quem não tem medo! 


A primeira foi um "clássico", dentro do clássico. O Porto entrou com tudo para meter medo, no seu registo habitual nestes jogos do clássico. Intensidade, pressão em todas as zonas do campo, e sobre o árbitro, às vezes um pouco de bom futebol e, sempre, a manha. E os truques batoteiros.


O árbitro, Luís Godinho, foi o costume destes jogos. Também um clássico. Cedo começou a distribuir amarelos sobre os jogadores do Benfica, por dá cá aquela palha. Três seguidinhos. Para o outro lado ... nada. Zaidu entrava como queria às pernas de Bah (foi assistido pela equipa médica, e quase que teve ser substituído) e de Di Maria. E nem falta era assinalada. Curiosamente, só quando o árbitro começou também a brindar os jogadores do Porto com o cartão amarelo, o comentador da RTP passou a achar que ele estava a usar de critério muito apertado, e que poderia vir a estragar o jogo. Um "clássico", também!  


Mais escandaloso ainda seria aquele fora de jogo assinalado a Rafa quando já seguia isolado para a baliza de Diogo Costa. Mandam as regras que o árbitro deixe seguir a jogada, assinalando-o - bem ou mal - apenas quando ela for concluída. Se a conclusão resultar em golo, então a decisão caberá ao VAR. O árbitro assistente levantou logo a bandeira, e Luís Godinho apitou de imediato, matando ali a jogada. Rafa, viu-se pela repetição, estava em posição legal. Ou, já perto do intervalo, quando o Eustáquio domina a bola com a mão, mesmo de frente para o árbitro assistente do lado direito do ataque portista, e ... nada. Deu canto para o Porto.


O "clássico" nos seus clássicos. O que fugia ao "clássico" era a forma como o Benfica, mesmo fora do seu registo, ia revertendo o clássico. E, muito à custa da rotação e abnegação de João Neves, e da categoria extra de Di Maria, equilibrando um jogo que os portistas só verdadeiramente conseguiram desequilibrar nos primeiros quinze a vinte minutos.


Ao intervalo Roger Schmidt mudou tudo, mudando apenas dois jogadores amarelados. Tirou João Mário, amarelado e atropelado pelo jogo, para entrar Musa. E Ristic por Jurasék, mudando Aursenes para a ala esquerda. E o Benfica passou a apresentar o seu modelo de futebol, e tomou conta do jogo. Pressão alta, circulação de bola em poucos toques, dinâmica e velocidade. E o Porto afundou-se naquela torrente de futebol, com largos minutos sem sequer conseguir sair do seu meio campo.


Os golos, de Di Maria, primeiro, ao esgotar o primeiro quarto de hora, e de Musa, sete minutos depois, resultaram desse futebol. E foram colheita parca para tamanha superioridade, e para tantas oportunidades criadas. 


Roger Schemidt foi mexendo na equipa, dando prioridade aos amarelados mais expostos - Kokçu e João Neves (por Florentino e Chiquinho) - mantendo-a no alto nível de qualidade atingido, que ia fazendo vibrar os adeptos nas bancadas, entoando os dispensáveis, mas compreensíveis, olés. 


Os restantes "clássicos" do jogo continuavam lá. Mas impotentes para travar a avalanche benfiquista. Luís Godinho continuou com a sua dualidade de critérios - então já nada apertados - poupando o segundo amarelo a Pepe, a Zaidu, a Grujich, a Marcano... E fazendo-se de morto quando Pepe - outro "clássico" - descarregou a raiva pelo joelho nas costas de Jurasék, ao minuto 90. Foi acordado pelo VAR, e lá teve de lhe mostrar o vermelho que há tanto tempo tardava.


Logo a seguir, mais um "clássico". Gonçalo Borges domina a bola com a mão e deixa-a para Galeno rematar para dentro da baliza (seria um grande golo!). Os quatro árbitros em campo, estavam todos a dormir, exactamente como no idêntico movimento de Eustáquio. O VAR teve de os acordar, e o Sérgio Conceição não gostou. Estava a gostar de os ver a dormir, e tomou para si o sobressalto. 


Foi expulso pela enésima vez. Mais um "clássico". Mas desta refinou a arruaça. Recusou sair. Que não saía dali de maneira nenhuma. Nunca visto! Como nunca visto acabar a obrigar Luís Godinho a ir falar com ele, ordem que enviou por Marcano. No fim, não falou. Nem deixou ninguém falar. O último "clássico"?


Não. Pepe e Sérgio Conceição fizeram questão de não sair do campo sem o fazerem a provocar os adeptos benfiquistas!


 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Há 10 anos

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Arrisco garantir que, desde o longínquo Verão (quente) de 1993 - há 20 anos -, o Benfica não passa por uma pré-época tão estranha. Foi, e continua a ser, Cardozo. Foi, e é, Oblak. Foi Roberto, que afinal regressara sem que ninguém soubesse, para voltar a ser vendido por mais milhões que ninguém percebe, transformados em metade do passe de um jogador que nem chega a entrar no Seixal: Pizzi, um jogador de 12 milhões de euros que pretendia continuar no futebol espanhol. E que, talvez por isso, foi direitinho ao Espanhol, de Barcelona.


São os números que se anunciam ter de ser feitos em vendas... E é - sem que nada nos faça supor que se fique por aqui - Fariña, o jovem (22 anos) e promisor médio argentino contratado há menos de um mês - dizia-se que em saldo por estar em final de contrato - por 2,3 milhões de euros. Que, se calhar por ter dito que "o Benfica é o maior clube da Europa", foi, sem ter feito um único de tantos jogos de pré-época, emprestado para... o Dubai. Exactamente, nem mais nem menos que para o Banyas Futebol Club, onde irá evidentemente encontrar as melhores condições de progressão e crescimento para valorizar um jovém de 22 anos...


Surreal!


Continua a desafiar-se a lei de Murphy... Dir-se-á que esse Verão quente de há vinte anos acabou em título. É verdade. Tão verdade como ter sido o do canto do cisne: o último do tempo em que o Benfica ganhava, e o primeiro (de três, em 20 anos) do tempo em que deixou de ganhar...

Comunicação, comunicar e comunicados

PSG anuncia contratação de Gonçalo Ramos


O Gonçalo Ramos já partiu, com destino a um PSG a arder, como o país que acabou de deixar. Vai ganhar muito dinheiro, e provavelmente muitos títulos nacionais. Mas não terá certamente escolhido o melhor destino para a sua carreira desportiva.


Era uma partida anunciada. Com contrato até 2025, sabia-se que teria de sair neste início de época. O Benfica não está, nem provavelmente nunca virá a estar, em condições de segurar os seus melhores jogadores. Resta-lhe aproveitar o prestígio da marca "made in Seixal", e a partir dela procurar fazer os melhores negócios.


E foi o que fez!


Por mais ruído que se instale à sua volta, e por mais que os adversários lhe tentem injectar veneno, este foi um bom negócio. A oportunidade não foi a ideal. Com a pré-época concluída, e em cima de um jogo importante - não é a Supertaça que é importante, o jogo é que é importante pelo impacto que tem no arranque do campeonato, quase sempre decisivo para as contas finais -, esta não era a melhor altura para comunicar a saída de um jogador com o peso que Gonçalo Ramos já tinha no Benfica. Mas terá sido a possível, como curiosamente o próprio jogador fez notar na entrevista de despedida, na BTV.


O comunicado emitido pelo Benfica ontem ao final da tarde a confirmar a operação agitou o panorama da comunicação social desportiva, sempre no seu melhor. Entre a ignorância e a iliteracia que a caracteriza, e o veneno que a alimenta, foi um festival de incompetência. Inversamente proporcional à da estrutura do Benfica. No negócio, e no comunicado.


Não importa se o modelo do negócio foi aquele para ir de encontro aos interesses do PSG, apertado no "fair play" financeiro da UEFA. Importa o negócio, e os interesses do Benfica. E esses demonstram-se em poucas linhas:


- O contrato terminava em 2025 e o jogador ficaria livre no fim do próximo ano;


- A venda do passe nesta altura implicava comissões (de 10%) a dois intermediários: o inevitável Jorge Mendes, envolvido no negócio, e o anterior empresário do jogador, à sombra da bananeira;


- O negócio é um empréstimo por um ano, até 2024, como curiosamente documenta a própria camisola na apresentação de Gonçalo Ramos; a venda do passe ocorrerá depois, curiosamente já no ano em que o jogador passaria a ficar livre do contrato com o Benfica; curiosamente quando o anterior empresário já não tem nada a reclamar;


- O montante total do negócio pode atingir 80 milhões de euros: 65 milhões, mais 15, por objectivos. 


O comunicado (imagem abaixo) é perfeito. Basta saber ler para o perceber. Só que isso parece que não é requisito nem para escrever nos jornais desportivos, nem para ganhar dinheiro a debitar patetices nas CMTV´s e CNN´s deste mundo.


Para que tudo seja mesmo perfeito é preciso que o Musa recomece já a marcar já depois de amanhã. E que o Arthur Cabral - não faço ideia se será a melhor das opções para substituir o Gonçalo, mas foi bonito de ver toda a comunicação social desportiva apanhada em fora de jogo - tenha que dar tudo para lhe ocupar o lugar no onze.


Pode ser uma imagem de texto


 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Há 10 anos

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“Vai passar muito tempo até que tenha vontade de voltar à vida política”


Espero que seja mesmo muito. E que passe bem mais até que nós tenhamos vontade de o ver de volta... E que a memória dos portugueses deixe de ser curta!

Há 10 anos

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O governo, ao contrário do que prometera no briefing de ontem, não tirou tudo a limpo. Borrou ainda mais a pintura, mesmo  que para o secretário de estado desse no mesmo. Demitiu-se. Obviamente!


Não podia ser de outra forma, mesmo que Joaquim Pais Jorge continue a pretender trocar as voltas à verdade, como faz na carta - que também não é carta de demissão – que tornou pública, supostamente a justificar a decisão. E é uma demissão que apenas pecou por tardia!


Em boa verdade o pecado capital está antes, na nomeação. Na escolha que a ministra das finanças fez para se fazer substituir a si própria. Pecado que, não houvesse outras razões - e há -, seria suficiente para arrastar também a sua queda.


De resto é hoje claro que apenas o efeito dominó impede a queda da ministra: justamente a peça que, tombando, arrastaria na queda o primeiro-ministro, e naturalmente o sólido e coeso governo que formalmente lidera. Por isso, e só por isso, não tombou já!


 

domingo, 6 de agosto de 2023

Pedras no sapato

Jornada Mundial da Juventude | Jornada Mundial da Juventude | Notícias |  RTP Notícias


Os que por aqui me acompanham mais de perto conhecem a "série" "gostava de ter escrito isto". Nos últimos tempos não tem sido muito frequente, provavelmente porque infelizmente não tenho lido assim tanta coisa que "gostasse de ter escrito".


"Gostava de ter escrito isto", mas nunca o conseguiria escrever com a subtileza, o humor e o talento do Manuel Cardoso. Mas a verdade é que gostava também de escrever qualquer coisa sobre isto. 


Sabemos todos que esta JMJ de Lisboa 2023 começou por dividir a sociedade portuguesa. É certo que uma certa divisão seria praticamente inevitável logo à partida. Pelo que a Igreja Católica divide, mas mais ainda pelo dividiu com os crimes dos abusos sexuais na ordem do dia. O envolvimento "político", os dinheiros públicos, o secretismo e a falta de transparência, o improviso, as obras de última hora fizeram o resto, polarizando a polémica que culminou na célebre questão do altar.


Tudo isto arrastou o poder político para um processo justificativo profano, sobrando-lhe em contradição o que lhe faltava em dignidade. Tudo justificavam com razões economicistas sustentadas em estudos e certezas que eram, esses sim, questões de fé. À revelia da fé!  


Para Moedas era fazer de Lisboa o “centro do mundo”. Para António Costa era a “projecção internacional do país”, essa obsessão nacional. O retorno económico em turismo seria uma coisa nunca vista. Era um investimento de futuro. E a requalificação daquela zona de Lisboa teria um impacto só comparável com a Expo-98.


Não faziam a coisa por menos. E, se já havia motivos de divisão, somavam-lhe mais outro. Agora dividiam os portugueses entre os que lhes validavam as pantominices e os que sabiam que não passavam disso. E dividiam mesmo muitos que a JMJ não tinha antes dividido.


O que podemos dizer hoje, no fim de tudo e de uma semana memorável para o país, é que, como dizia o Diácono Remédios, não havia nexexidade!


A Jornada tinha méritos suficientes para convencer os portugueses. E como podem eles ter uma visão para a cidade, e para o país, se nem sequer tiveram visão para o perceber?


O país encheu-se de rapazes e raparigas. Alegres, educados, e felizes que deixaram um rasto de festa, alegria e simpatia por onde passaram. Ficaram, como se sabia, em escolas, em famílias de acolhimento, ou quartos baratos. Não em hotéis. Não encheram restaurantes, consumiram fast-food. 


Então porquê, e para quê, vender pantominices quando era tão simples - e genuíno, verdadeiro e apropriado - vender o banho de festa e de alegria que eles traziam nas mochilas? 


O país correu a receber um Papa que é um exemplo de humildade, simplicidade e saber. Um Papa mensageiro de inclusão, de justiça, de inconformismo e de amor à vida:  


- "Não sejam administradores de medos, mas empreendedores de sonhos."


 - “Sujem as mãos no combate à pobreza dos outros, da qual não devemos ter nojo”.


  Um Papa que não é preciso ser-se católico, nem sequer crente, para admirar. Um Papa de todos, mas que, nas suas próprias palavras, é "pedra no sapato" de alguns. 


Foi este Papa, estas largas centenas de milhares de jovens dos quatro cantos do mundo, e uma multidão enorme de pessoas de boa vontade - entre as quais a Albina, a mais entusiástica e entusiasmante das que conheci, a quem o destino, numa crueldade sem limites, se encarregou de lhe alterar a viagem de ontem, trocando-lhe o Parque Tejo pela sua última morada - que transformaram esta JMJ num acontecimento não absolutamente - nada nunca o é - mas largamente consensual. 


Agora acabou. Quem cá veio desfrutou, viveu e vai embora. O país voltará a olhar-se a si próprio, a encontrar-se com os mesmos problemas, bem longe da propaganda de António Costa. A cidade acordará como antes, e não como a que Carlos Moedas quis vender. Até esta Igreja, que aqui se tentou mostrar pátria da fé católica, seguirá igual. Como se percebeu ainda na presença do próprio Papa.  


À espera que o ar fresco que sopra do Papa Francisco, e o brilho que dele brilha, se vão com ele, quando ele se for... E a pedra lhes sair do sapato!


 

sábado, 5 de agosto de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Depois de tudo o que se tem visto no Mi(ni)stério dos Swaps, das velhas trapalhadas swapeiras da ministra das finanças e das mais novas, que não menos trapalhonas, trapalhadas do novo secretário de estado do tesouro, o governo fez hoje um briefing intercalar para anunciar que vai tirar tudo a limpo.


Um dos homens dos briefings - o outro deve estar de férias - veio dizer que vai esclarecer tudo até ao fim do dia. O mesmo que há dois ou três dias dava tudo por esclarecido e arrumado. Não havia qualquer razão para alimentar a polémica


Este Verão não tem silly season. E desconfio que Manta Rota, mesmo que as notícias lá não cheguem, como já deu para perceber que não chegam, não seja dos sítios mais traquílos deste Verão!


Se tirarem tudo a limpo ... Valha-nos que ninguém está interessado nisso...

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

"Mais papista que o Papa"

Oeiras censura cartaz que lembra as vítimas de abusos da Igreja Católica,  autora fala em “ilegalidade” - Expresso


Com o Papa Francisco por cá, e com Jornada Mundial da Juventude "on fire", houve quem se lembrasse de mandar afixar cartazes a lembrar que  “mais de 4800 crianças foram abusadas pela Igreja Católica em Portugal" em três outdoors localizados na Alameda, em Lisboa, em Loures e em Algés.


Não terá sido uma ideia absolutamente original, ou genial. Nem seria para avivar a memória do Papa. Toda a gente sabia que o Papa não estava esquecido disso. E ninguém de boa fé - qualificação que não precisa de fé, mas apenas de equilíbrio e bom senso - acreditará que o Papa se incomode mais com os cartazes do que com os actos e comportamentos que eles denunciam. Não foi pelos cartazes, que ainda não existiam, que o Papa trazia, como não poderia deixar de ser, o tema na sua agenda.


Já o tinha abordado sem rodeios, e "sem dó nem piedade". E o seu encontro pessoal com treze das vítimas desses abusos, ontem ao fim da tarde, há muito que estava agendado, mesmo que não constasse da agenda tornada pública.


Ainda assim a autarquia de Oeiras lembrou-se de censurar o que estava instalado no seu território (Algés), cobrindo-o de preto. Como se, quando o Papa é Francisco, fizesse sentido "ser mais papista que o Papa".


E como não faz, percebemos que os cartazes, afinal, não pretendiam avivar a memória do Papa, mas apenas a dos muitos "mais papistas que o Papa".

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


E ao primeiro jogo em casa…chegaram os assobios. O pior dos cenários que a decisão de renovar com Jorge Jesus previsivelmente arrastaria começa a ganhar forma.


A partir de agora é obrigatório contrariar a lei de Murphy! 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Rui Machete, para além de presidir a um dos principais órgãos sociais da sociedade detentora do BPN, também comprou o vendeu acções com a normalíssima margem de 150%. Como Cavaco!


Requentado - portanto - como diz o Pedro Lomba, o novo homem dos briefings do governo. Quer ele dizer que não há nada de novo. E tem razão: no BPN já nada nos surpreende. Nem sequer nos surpreende que todos continuem a ter a lata de afirmar que comprar e vender acções é a coisa mais normal deste mundo. Escondendo que é assim em Bolsa, mas que não é assim no caso. Escondendo que 150% de margem, em transacções directas com o presidente do banco, fora de bolsa, repito, não tem nada de normal. Escondendo que nestas transacções participaram as grandes figuras do partido, com Cavaco à cabeça. E escondendo, por fim, que o dinheiro que toda essa gente ganhou – de boa fé, sem fazerem ideia nenhuma que aquilo era uma gigantesca vigarice – é o que nos anda agora a ser tirado do bolso!


Miguel Relvas regressou à ribalta. Foi curto o período de nojo. Passos Coelho resolveu arranjar-lhe um cargo: Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa! Dizem por aí - más línguas, certamente - que o homem não é lá muito perfeito no uso da língua portuguesa, que se baralha um bocado na conjugação dos verbos. Mas que importância tem isso?


Passos pode partir descansado para Manta Rota: o povo é sereno. O Portas, para além de por cá ficar a segurar as pontaspaga as favas e o Seguro, coitado... Nem assim lá vai!


Sem requinte, tudo requentado.

Obrigado raparigas

Portugal 0-0 Estados Unidos :: Mundial Feminino 2023 :: Ficha do Jogo ::  zerozero.pt


Chegou ao fim a epopeia das "navegadoras". Sem particular glória, mas com honra. E com justificada esperança para o futuro.


Não para as "navegadoras" - esta rebuscada ideia de encontrar cognomes mais ou menos épicos é tão portuguesa como o fado, o fado de "f" minúsculo marcado pelo destino, mais, ou menos, trágico - mas para estas raparigas que deram expressão à selecção nacional de futebol feminino. 


O primeiro apuramento para o Mundial tinha sido difícil, e garantido á última hora, como é tão português. Garantida a participação na competição máxima do futebol, o sorteio não fora simpático, mandando as "navegadoras" para a turbulência de um grupo agitado pela presença das bi-campeãs mundiais e das vice-campeãs em título. Que naturalmente esgotavam o favoritismo para para a continuidade em prova.


No primeiro jogo, uma primeira parte assustada e assustadora, condenou-as à derrota no jogo de entrada. A segunda parte desse jogo mostrou logo que os primeiros 45 minutos tinham sido o resultado de uma entrada temerária, e mal preparada. Que aquelas raparigas tinham outro futebol, que não aquele do pontapé de saída. E que esse outro futebol justificava ambição que não tinham conseguido mostrar.


Poderiam ter evitado aquela derrota daquele 0-1 com as holandesas, e acabaram o jogo a provar que mereciam outro resultado. Bastou essa segunda parte para que se abrissem perspectivas para fintar o destino.


No segundo jogo encontraram pela frente a também estreante selecção do Vietname, obviamente a mais fraca do grupo. A enorme superioridade das "navegadoras" foi patente desde o pontapé de saída, e as coisas começaram a correr pelo melhor, com dois golos logos nos primeiros minutos.


Com tudo para construir a maior goleada da competição, que viria a ser conseguida precisamente pelas holandesas perante estas mesmas vietnamitas, nos 7-0 de hoje, a selecção portuguesa  passou o resto do jogo a construir oportunidades de golo, sem no entanto conseguir que a bola voltasse a cruzar alinha de baliza. O 2-0 era um insulto à exibição, e escasso para eventuais necessidades. A selecção americana, que entretanto empatava (1-1) com a dos Países Baixos, já tinha feito melhor (3-0). E a holandesa acabou hoje por fazer muito melhor, no tal 7-0.


Um resultado que não espantaria. Até porque poderia ter sido facilmente atingido pelas portuguesas. E que, por ser esperado, não deixava à selecção nacional outro caminho que não fosse ganhar, hoje, às bi-campeãs mundiais.


Era evidentemente difícil. Mas poderia ter acontecido com aquela pontinha de sorte naquela bola rematada ao poste pela Ana Capeta, já em tempo de compensação. Que foi, de resto, a única clara oportunidade de golo de um jogo muito equilibrado. 


Equilibrar o jogo, e mesmo superiorizar-se à selecção americana em muitos momentos do encontro, como também já acontecera na segunda parte do primeiro jogo com as holandesas, é mais que a vitória moral com que estas raparigas deixaram este Mundial das antípodas. É a demonstração que há que contar com elas para o futuro. E que esta presença no patamar mais alto do futebol mundial no feminino pode deixar de ser uma epopeia, para passar a ser uma normalidade. Ou perto disso!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...