terça-feira, 1 de agosto de 2023

Obrigado raparigas

Portugal 0-0 Estados Unidos :: Mundial Feminino 2023 :: Ficha do Jogo ::  zerozero.pt


Chegou ao fim a epopeia das "navegadoras". Sem particular glória, mas com honra. E com justificada esperança para o futuro.


Não para as "navegadoras" - esta rebuscada ideia de encontrar cognomes mais ou menos épicos é tão portuguesa como o fado, o fado de "f" minúsculo marcado pelo destino, mais, ou menos, trágico - mas para estas raparigas que deram expressão à selecção nacional de futebol feminino. 


O primeiro apuramento para o Mundial tinha sido difícil, e garantido á última hora, como é tão português. Garantida a participação na competição máxima do futebol, o sorteio não fora simpático, mandando as "navegadoras" para a turbulência de um grupo agitado pela presença das bi-campeãs mundiais e das vice-campeãs em título. Que naturalmente esgotavam o favoritismo para para a continuidade em prova.


No primeiro jogo, uma primeira parte assustada e assustadora, condenou-as à derrota no jogo de entrada. A segunda parte desse jogo mostrou logo que os primeiros 45 minutos tinham sido o resultado de uma entrada temerária, e mal preparada. Que aquelas raparigas tinham outro futebol, que não aquele do pontapé de saída. E que esse outro futebol justificava ambição que não tinham conseguido mostrar.


Poderiam ter evitado aquela derrota daquele 0-1 com as holandesas, e acabaram o jogo a provar que mereciam outro resultado. Bastou essa segunda parte para que se abrissem perspectivas para fintar o destino.


No segundo jogo encontraram pela frente a também estreante selecção do Vietname, obviamente a mais fraca do grupo. A enorme superioridade das "navegadoras" foi patente desde o pontapé de saída, e as coisas começaram a correr pelo melhor, com dois golos logos nos primeiros minutos.


Com tudo para construir a maior goleada da competição, que viria a ser conseguida precisamente pelas holandesas perante estas mesmas vietnamitas, nos 7-0 de hoje, a selecção portuguesa  passou o resto do jogo a construir oportunidades de golo, sem no entanto conseguir que a bola voltasse a cruzar alinha de baliza. O 2-0 era um insulto à exibição, e escasso para eventuais necessidades. A selecção americana, que entretanto empatava (1-1) com a dos Países Baixos, já tinha feito melhor (3-0). E a holandesa acabou hoje por fazer muito melhor, no tal 7-0.


Um resultado que não espantaria. Até porque poderia ter sido facilmente atingido pelas portuguesas. E que, por ser esperado, não deixava à selecção nacional outro caminho que não fosse ganhar, hoje, às bi-campeãs mundiais.


Era evidentemente difícil. Mas poderia ter acontecido com aquela pontinha de sorte naquela bola rematada ao poste pela Ana Capeta, já em tempo de compensação. Que foi, de resto, a única clara oportunidade de golo de um jogo muito equilibrado. 


Equilibrar o jogo, e mesmo superiorizar-se à selecção americana em muitos momentos do encontro, como também já acontecera na segunda parte do primeiro jogo com as holandesas, é mais que a vitória moral com que estas raparigas deixaram este Mundial das antípodas. É a demonstração que há que contar com elas para o futuro. E que esta presença no patamar mais alto do futebol mundial no feminino pode deixar de ser uma epopeia, para passar a ser uma normalidade. Ou perto disso!

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