quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sebastianismo de valor acrescentado

Por Eduardo Louro


 


Dois temas atravessam hoje o país. Da mesa do café – ainda há disso? – aos blogues e redes sociais, passando pelos jornais e pelos fóruns radiofónicos, o país fala de Rui Rio e de Maria Luís Albuquerque, de que também ele falou. E de que maneira!


A bem da verdade - coisa que, como quase todos sabem (e os outros tentam que se esqueça), é o problema da senhora – há meses que o tema da agora ministra das finanças não deixa o país. Nem ela deixa que o deixe, como ainda ontem voltou a deixar claro.


É essa, de resto, a única coisa que ela vem deixando clara. Tudo o resto é um imbróglio, que criou, onde se enfiou e se deixou enterrar, já sem salvação possível.


Ontem apenas fez mais do mesmo: continuou a enterrar-se. Mesmo que hoje ainda parte da opinião arregimentada – uma parte cada vez mais pequena, até aí há cada vez menos resistentes – queira dar o assunto por definitivamente esclarecido e encerrado.


Rui Rio, na entrevista de ontem à RTP em que não poupou ninguém, jogou claramente ao ataque, na ideia de que há um vazio para ocupar. E que está à espera que o empurrem para lá.


E, claro, hoje a conversa é entre os que se não poupam a esforços para o atropelar e deitar abaixo, e os que ganham posição para o empurrão bem sucedido.


Aos situacionistas, da(s) máquina(s) de Meneses e Passos, para o bloquear, falta-lhe em argumentos o que lhes sobra em desespero. Aos outros, à esperança messiânica da salvação do partido, ou do que dele ainda reste, soma-se um sebastianismo de valor acrescentado. Por António José Seguro, obviamente!

terça-feira, 30 de julho de 2013

A moção de confiança e o novo ciclo

Por Eduardo Louro


 


 


O governo levou hoje ao Parlamento a moção de confiança que o Presidente lhe ordenou que apresentasse. Que, mais que uma moção, foi um abuso. Um abuso de confiança, e um abuso da nossa paciência!


Um abuso que começou em Cavaco que, ao impor-lha, abusou dos partidos da coligação. Mas também da nossa paciência, no meio de tudo isto o que menos tínhamos era paciência para voltar a ouvir tudo, de uma ponta à outra, o que há pouco mais de uma semana tinha sido dito na discussão da moção de censura.


E que continuou no Parlamento – governo, maioria e oposição – incapaz de dar ao debate o caminho que as circunstâncias exigiam. Abusaram, todos. De tudo e da nossa paciência!


Ao governo competia justificar a moção de confiança, tinha a obrigação de lhe dar substância em vez de a esgotar na forma – tanta mais obrigação quanto se sabia resultar de uma intromissão excessiva do Presidente – e isso teria de ser centrado no anunciado novo ciclo. Competia-lhe transformar a moção de confiança na aprovação do guião político do novo ciclo. Só que o novo ciclo esgota-se no IRC, não tem nem mais uma alínea. E percebemos que tem essa alínea porque a comissão liderada por Lobo Xavier lhe deu vida política na semana passada, logo a seguir à tomada de posse. Não fosse isso e o novo ciclo era um livro completamente em branco.


Era por isso impossível ao governo concretizá-lo em objectivos, políticas e compromissos que se transformassem em objecto de aprovação, que credibilizassem a moção de confiança. Restou à maioria, a quem caberia aprovar o guião do novo ciclo, abusar do ridículo de todas as maiorias, esgotando-se nas mais estúpidas e descabidas questões laudatórias. Que, evidentemente, não questionam coisa nenhuma. Bajulam miseravelmente. E à oposição abusar dos jogos florais da retórica, saltando de (não) assunto para (não) assunto e deixando em paz o novo ciclo!


Poucas vezes os narizes de palhaço vieram tão a propósito...

Janela Indiscreta

Por Eduardo Louro


 


 


A Janela vai fechar-se. A janela por onde, todos os dias, Pedro Rolo Duarte olhava o universo dos blogues e das redes sociais, vai fechar-se já amanhã!


As despedidas iniciaram-se hoje e concluem-se, evidentemente, amanhã. É certo que nada é eterno, nem nada podemos dar por adquirido, mas fica já a saudade e um sentimento de perda.


Ao fechar esta Janela a Antena 1 deita borda fora uma boa fatia de serviço público. Estava no ar há seis anos e meio, acompanhando e divulgando a realidade nova da blogosfera e das redes sociais, este novo e fantástico espaço de produção de opinião, com o brilho e o savoir faire que o Pedro sempre coloca naquilo que faz. Era a janela por onde ele espreitava com o seu olhar único, mas também por onde nós nos olhávamos uns aos outros, sempre na expectativa que, de lá, nos pudessemos ver também a nós próprios. E todos, naturalmente, gostávamos de nos ver (de) lá!


Eu gostava. E desfrutei desse prazer em muitas e muitas ocasiões. Maioritariamente aqui, no Quinta Emenda, mas também no 2711 e no Dia de Clássico. Tive até a felicidade de - mal eu o imaginava, ontem - fazer parte da última edição - regular, já que as últimas duas são de despedida - da Janela Indiscreta…


O universo dos blogues e das redes sociais fica a dever muito ao Pedro Rolo Duarte. Pela minha parte: obrigado, Pedro! 

A verdade da mentira

Por Eduardo Louro


 


Ouve-se nas notícias que o ex-ministro Vítor Gaspar defendeu hoje a sua sucessora no Parlamento. Olha-se para aqui e não é isso que se percebe. A não ser que, como por aí se pretende, o que esteja em causa seja outra coisa que não o facto de a ministra ter mentido ao Parlamento.


É que, o que Vítor Gaspar disse, foi mesmo que a ministra Maria Luís Albuquerque mentiu!

Próximo...Quem está a seguir?

Por Eduardo Louro


 


 


Primeiro veio o dinamarquês Poul Thomsen, louro e de olhos azuis. Seguiu-se o escurinho Selassie, que também já vai. Para chegar o indiano, também escurinho, Subir Lall.


Quererá isto dizer que o FMI não se entende por cá?


Ou que isto por aqui é tão bom que toda a gente cá quer vir dar uma voltinha? Que lá por Washington fazem fila por um lugarzinho aqui na praia?


Acho que é isso. E que é por isso que o FMI, por mais que ameace e por mais que lhe gritem fora daqui, não arreda pé. Agarrado a isto que nem uma lapa. E há muito…Há tanto tempo que já cá tem lugar cativo. Já não sabem viver sem nós. Nem nós sem eles!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Participação qualificada

Por Eduardo Louro


 


 


No Chipre, já está… Os depositantes vão passar a banqueiros. O Banco Central já decidiu que 47,5% dos depósitos no Banco do Chipre - acima dos 100 mil euros - voam directamente para o capital deste que é o maior banco privado cipriota!


Não sei se essa será uma participação qualificada. A participação do banco nos depósitos, essa é qualificada. Garante-lhe até maioria…


Seria bom que alguém se lembrasse que o resto da Europa não é o Chipre. Que isto não é replicável noutro lado, sob pena do estoiro ser total… De não restar pedra sobre pedra!


 

domingo, 28 de julho de 2013

Um Papa diferente...

Por Eduardo Louro


 


 A viagem do Papa Francisco ao Brasil, no âmbito da  28.ª Jornada Mundial da Juventude, que hoje termina, confirma a popularidade ímpar deste a quem chamam já o Papa do Povo. E reforça-a, tornando-o já, ainda em início de mandato, no mais fascinante de todos os Bispos de Roma.


Há frases que dizem mais do que aquilo que dizem. Quando ditas pelo Papa dizem ainda mais. Quando ditas pelo Papa, e em português…


- “Gostaria de bater a cada porta, beber um copo de água, tomar um cafezinho … mas não um copo de cachaça…” – dita na favela da Varginha, pelo Papa, diz bem mais do que dizem as palavras que a compõem. Diz proximidade, em vez distanciamento. Calor, em vez de frio. Afecto, em vez de indiferença!



Dizer a jovens que “nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança” e que “não fiquem na parte de trás da fila, cheguem-se para a frente … porque são vocês os agentes da construção do futuro” poderia não passar de palavras de circunstância. Ditas pelo Papa Francisco dizem mobilização. Mobilização para a mudança, em vez de conformismo e alheamento!


Este é um papa diferente. Parece-me a mim, que sou laico, um papa que faz falta neste mundo actual, à solta, desregulado e desenfreado!


Curioso é que a próxima Jornada Mundial da Juventude esteja já marcada para Cracóvia, na Polónia. A Cracóvia natal de João Paulo II, outro campeão de popularidade. Mas diferente…

sábado, 27 de julho de 2013

Pródigo e prodígio

Por Eduardo Louro


 


Prodígio em Saragoza, onde jogava emprestado, chegou num dos negócios com o Atlético de Madrid em que o Benfica é pródigo. A preço de prodígio – 8,5 milhões – que afinal não era.


Não sendo prodígio logo foi pródigo – o filho pródigo de regresso a Saragoza. Num negócio de prodígio, explicado em 8,6 milhões!


Voltou a filho pródigo - o bom filho que a casa torna - e ei-lo de volta ao Atlético de Madrid. De passagem, com caminho certo para Atenas, para que volte a regressar. A filho pródigo, de mais negócios de prodígio. Porque afinal o negócio de prodígio que o fez pródigo pela primeira vez, era ainda mais que um prodígio de negócio. Tanto que o Benfica ficara ainda com uma parte do passe, decisiva agora em mais um negócio em que são pródigos: não fora isso e outro galo cantaria no negócio de Pizzi. Provavelmente mais um prodígio de negócio!


Quem diria que a história de Roberto se ficaria por umas dúzias de frangos?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

"Uma certa podridão de hábitos políticos"

Por Eduardo Louro


 


Vai bem a moção de confiança que o governo vai apresentar no Parlamento, para dar o pontapé de saída no novo ciclo.


Divide-se em duas partes. Na primeira faz o elogio do passado, destes dois anos em que tudo correu às mil maravilhas. Sem eles nunca poderíamos ter chegado a este momento único de felicidade e optimismo que abre o país ao novo ciclo. Na segunda fala justamente do novo ciclo, do ciclo de progresso, crescimento e desenvolvimento que o novo governo, desnecessariamente remodelado e revigorado – não se percebe porquê, nem para quê, mexer num governo-maravilha, que tudo o que fez foi bem feito - nos vai trazer nesta segunda parte do seu mandato.


Posso garantir que está aqui “uma certa podridão de hábitos políticos”! E eu não minto

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ora aí está o governo...

Por Eduardo Louro


 


Ainda há pouco pôs o governo debaixo de fogo, com a moda dos currículos selectivos, sempre que em causa esteja o BPN - não se sabe se  Rui Machete, muito a jeito para, também ele, permanecer debaixo de fogo, pagou direitos de autor a Franquelim Alves, é dele que se fala -, e já está de saída. Não havia necessidade!


Ainda ontem entrou aquela gente toda no governo, e já hoje há gente de saída. Não havia necessidade: Pires de Lima, o novo ministro que anunciam como milagreiro, bem podia ter evitado isto, tanto foi o tempo em que foi ministro em stand by... Podia tê-lo logo mandado com o Álvaro, que tanto, mas também tão cinicamente, elogiou à saída da tomada de posse. 


Onde também a Ministra das Finanças teve o seu momento, garantindo nunca ter tido divergências com Paulo Portas. Ela que, entretanto, lá continua a ser frita no lume brando dos swaps. A cada dia a chama aumenta mais um bocadinho: hoje vêm a lume os mails do anterior Director Geral do Tesouro. À cause…


À falta de melhor, a ministra vai dizendo que não mente. Mas já ninguém acredita muito nisso!

Ora aí está o governo, a todo o vapor...

Por Eduardo Louro


 


 


O novo governo, na sua primeira reunião em conselho de ministros, tomou a primeira decisão. Claro que a primeira decisão de um novo governo, em novo ciclo, que vai dar a volta a isto, é de alto valor simbólico. E exemplar, porque o governo sabe bem que não há uma segunda oportunidade para criar uma boa primeira impressão!


Vai daí e, a primeira decisão do novo governo, é ... a privatização dos CTT. Impressionante. Surpreendente!


Perguntarão os mais cépticos: e foi só isso? Não fizeram mais nada no primeiro conselho de ministros de Portas?


Respondo: fizeram. Decidiram ainda o texto da moção de confiança...


 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Currículos selectivos

Por Eduardo Louro


 


À falta de outras políticas, o governo especializou-se na política selectiva de currículos. Pena é que o BPN não desapareça das nossas vidas tão facilmente como desaparece dos currículos!


Não deixa de ser curioso que o governo seja tão determinado em apagar o BPN da nossa memória colectiva como em pagar tudo o que dele reste. Apaga-o dos currículos, mas não das facturas que nos apresenta todos os dias!


Fora isso, ninguém percebe o que é que Rui Machete faz no governo. Menos ainda no Ministério dos Negócios Estrangeiros…


 

terça-feira, 23 de julho de 2013

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXXVIII

Por Eduardo Louro


 


Passos comunicou ao ministro da Economia que não contava com ele para o governo. O Álvaro nem queria acreditar. Nunca tal coisa lhe passara pela cabeça...

Confusões? Não!

Por Eduardo Louro


 


O governo - de que Cavaco passou de refém a tutor – “com garantias reforçadas de coesão e solidez”, onde Portas passa a coordenar a ministra que, de forma nenhuma, queria no governo, sem que se “sobreponha às suas competências próprias”, que “continua em funções”, aguarda posse.


Confuso?


Não! 


Isso não é nada quando o primeiro-ministro é o mesmo que diz que o governo não tem culpa nenhuma no aumento da dívida. Ou que a crise tem sido mais forte porque os portugueses consumiram menos do que o previsto!


Não. Não há confusão nenhuma, isto é um governo coeso e sólido, claramente capaz para mudar a agulha da governação... Isto é a estabilidade, não é incerteza. É disto que os mercados gostam!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Coisas reais. Ou causas reais? Ou royal things?

Por Eduardo Louro


 


 


O mundo, todo o mundo, acabava de ser informado do nascimento do novo príncipe, o filho - varão - de Kate e William.


Enquanto isso éramos também informados, da mesma forma e pela mesma via que, à porta do hospital, se encontrava o carro da rainha que haveria de transportar o mensageiro real de volta ao palácio com o comunicado oficial do nascimento do bebé. Que seria entregue à rainha, que depois informaria o príncipe Carlos, o avô, que depois informaria …


Pode ser que isto faça algum sentido. Bom, fará com toda a certeza, porque a repórter da SIC presente no local, e que nos contou estas coisas todas, acabou de dizer que era assim porque a Kate quis que, no parto, tudo fosse natural…


Então está bem!

100º Tour de France VIII

Por Eduardo Louro


 


 


Terminou em Paris a centésima edição do Tour, com a etapa da consagração a ser ganha – após discutidíssimo sprint, por meia roda – pelo alemão Marcel Kittel, que atingiu a quarta vitória em etapas e se tornou no mais ganhador da competição, seguido de Froome, com três, e de Rui Costa e Cavendish, com duas. Este, vencedor em Paris nos últimos quatro anos e até aqui incontestável rei dos sprints, ficou desta vez em terceiro, e entregou decididamente o trono ao alemão. Outro alemão – Greipel – fez segundo num sprint que juntou os três melhores especialistas da actualidade, qualquer deles ainda uns furos acima do eslovaco Peter Sagan.


A classificação final tinha ficado arrumada na véspera, nas últimas montanhas – desta vez houve alta montanha mesmo até ao último dia, quase até Paris. Em mais uma etapa de grande espectáculo que faria, como aqui se previra, Alberto Contador saltar para fora do pódio, caindo de segundo para quarto na classificação geral. O miúdo colombiano, Quintana, ganhou a etapa – a terceira para a Movistar, depois das duas de Rui Costa – à frente de Joaquim Rodriguez e de Froome, que pela segunda vez se viu batido por estes dois. Se bem que, agora, tenha ficado a ideia de um Froome entre o solidário e o magnânimo, a deixar no ar que entendia que aqueles dois, os únicos que realmente puderam competir com ele, tinham o direito de discutir a vitória naquela última etapa.


Se em Paris os três primeiros lugares foram para os três melhores sprinters, em Annecy Semnoz, na contagem de montanha de categoria especial, no final da mais pequena mas também das mais duras etapas em linha, os três primeiros foram os três melhores trepadores. Com Nairo Quintana a ascender ao segundo lugar da geral, a confirmar naturalmente a sua camisola branca e a conquistar, in extremis, o primeiro lugar do prémio da montanha, que o pobre Pierre Rolland tanto perseguiu.


Mas, nesta edição, com a pontuação a dobrar sempre que a meta coincidia com o final de etapa, o prémio da montanha era realmente para grandes trepadores, e não para sprinters de metas de montanha de segunda, terceira e quarta categorias.


Christopher Froome foi, como se previra, o grande vencedor. Incontestável, o melhor em qualquer terreno, sempre muito bem auxiliado por Richie Port. Eventualmente, se a Sky mantiver o que parece ser uma rotação de liderança, grande favorito para o próximo ano.


Nairo Quintana foi a grande revelação deste Tour. Com 23 anos, chegar ali e fazer tudo o que fez, é fabuloso. Só o alemão Ulrich, em 1996 - que na altura faria esgotar os adjectivos – fez parecido, faltando-lhe contudo o título da montanha!


Joaquim Rodriguez confirmou na última semana o estatuto que trazia, e que fazia com que aqui tivesse sido considerado um dos candidatos ao triunfo final. O traçado da competição era à sua medida, e foi justo que chegasse ao terceiro lugar e ao pódio no último dia, batendo, também ele, Alberto Contador.


Que nada fez para justificar melhor que o quarto lugar, que o seu colega de equipa, o checo Krueziger, bem mais fez por merecer. Subiram ambos ao pódio, tal como o Sérgio Paulinho (nunca saiu da penumbra, apesar do bom contra-relógio de montanha), em Paris porque a sua equipa, a Saxo Thinkov, ganhou colectivamente. Mas tudo indica que o Alberto Contador dificilmente voltará ao que já foi.


Valverde fez o seu melhor Tour de sempre, ficando a ideia, que a simples aritmética confirma, que teria alcançado um lugar no pódio não fosse aquela avaria na maldita etapa treze. Que acabaria por não penalizar tanto a equipa porque, não fosse esse incidente, e nem Quintana – que bem pode agradecer por ter sido o único a escapar ao sacrifício colectivo imposto, nessa ocasião, pela direcção da equipa - nem Rui Costa teriam brilhado como brilharam.


Quando no início aqui apontei os favoritos –  Froome, à frente de todos e, depois, Contador e Rodriguez,- referi ainda Cadel Evans. A grande, a maior decepção, que continua uma sombra do vencedor de há apenas dois anos. Também ele já era!


De Rui Costa já quase tudo foi dito. Irá provavelmente deixar a Movistar para assumir uma posição de primeira figura numa outra equipa de topo. O que fez neste Tour sustenta-lhe a ambição!


Para o ano há mais…

domingo, 21 de julho de 2013

Compromisso de salvação pessoal

Por Eduardo Louro


 


 


Como aqui escrevi imediatamente a seguir à comunicação do Presidente da República que lançou o desafio do compromisso de salvação nacional, aquilo não podia dar em nada porque nada daquilo funcionava. Era só para a fotografia, até porque popularidade era coisa que não faltava naquele discurso. E populismo, acrescento!


Lançar um desafio a três partidos para, numa semana, estabelecerem um compromisso de médio prazo sobre o controlo da dívida e do défice, a reforma do Estado, e as retomas do crescimento e do emprego – ou seja, para numa semana fazerem o que não foi feito em décadas – é surreal. Acrescentar que isso é tecnicamente muito fácil de executar é menos que sério e irresponsável: é brincadeira de mau gosto!


Admitir que, cortar um ano de mandato a um governo de coligação, já desfeito, é abrir caminho para que os partidos da coligação consensualizem um compromisso, seja ele qual for, é inverosímil. Esperar que os dois partidos que no regime disputam e dividem o poder há quatro décadas, numa altura destas, aceitem seriamente qualquer compromisso de médio prazo a um ano de eleições, é de quem não faz a mínima ideia do que está a fazer. Pensar que António José Seguro seria líder para estas andanças, é ignorância profunda.


Não havia uma única razão que emprestasse o mínimo de consistência ao seu desafio para a salvação nacional!


Quer isto dizer que Cavaco, o mais antigo político em funções, o de maior experiência política e de exercício do poder, que esteve em todos os rompimentos de todas – repito, de todas, porque até na última ele interveio, com a tal estória da lei de Gresham (a má moeda expulsa a boa) - as coligações ensaiadas pelo regime, indiscutivelmente o mais calculista de todos os políticos que o país conhece e conheceu, pode ser menosprezado ao ponto de lhe atribuir tantos e tão grosseiros erros numa única iniciativa?


Não. Claro que não!


Cavaco sabia bem que o que estava a fazer. Sabia que estava a lançar mais achas para a fogueira da crise, e a acentuar as dificuldades do país. Sabia que aquilo não ia dar em nada. Não era atrás da salvação nacional que corria, ele corria atrás da sua própria salvação!


Depois de um longo período em hibernação política, tinha-se deixado aprisionar pelo governo. Há muito que era refém de Passos e Gaspar. A demissão de Vítor Gaspar abriu-lhe a porta da cela e a revogada irrevogável decisão de Portas deixou-lhe a porta aberta, mas agora sem carcereiro por perto.


Abandonado o cárcere, Cavaco precisava de reunir as tropas, desmobilizadas por tanto tempo de hibernação e de sequestro. E esta era sem dúvida não "a solução que melhor serve o interesse nacional", como hoje referiu, mas a melhor solução para voltar a montar a sua máquina. Daí que logo na altura eu lhe tenha chamado prova de vida, a fazer lembrar as aparições de Cristo aos apóstolos, depois da ressurreição.


E foi ver como a estratégia foi eficaz e certeira. A máquina cavaquista ergueu-se rapidamente, deu resposta pronta e, em poucos dias, estava reabilitado um presidente que, dias antes, não passava de uma múmia. O país estava suspenso de negociações em que inguém negociava nada, e toda a gente fazia que dialogava sobre qualquer coisa. Que ninguém sabia o quê!


Correu tudo bem, tudo como previsto, ou melhor ainda... De todo o lado surgiam apoios e até a esquerda dava uma ajuda. Soares, então...


Não podia correr melhor … Deu até para uma escapadinha às Selvagens, a rir de tudo e de todos, e para, aí, voltar às suas deprimentes preciosidades. Desta vez as cagarras, depois das anonas, das vaquinhas e dos milagres de Fátima …


E agora, que tudo fica na mesma como se nada se tivesse passado, “o governo continua em funções com garantias reforçadas de coesão e solidez”, valendo-se da moção de censura da passada quinta-feira. E da esperada moção de confiança que o governo vai agora apresentar mas que foi ele próprio a anunciar.


Maior cinismo é impossível!


Não tenho qualquer dúvida que, no meio deste pantanal de hipocrisia, as eleições antecipadas eram a pior coisa que podia acontecer ao país. À excepção de todas as outras, como diria Churchil…

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E pronto:falhou!

Por Eduardo Louro


 


Terminou, na mesma forma desastrada e lamentável com que começou, a absurda e irresponsável iniciativa que o Presidente da República lançou e a que chamou compromisso de salvação nacional.


O presidente anunciou esta sua lamentável iniciativa - recorde-se - através de uma indecifrável comunicação ao país, depois de uma semana de reuniões com os partidos políticos. Não é sequer nessa forma rebuscada, obscura e ambígua de comunicar, que está o mal maior. O mal maior foi justamente não ter sequer manifestado a sua intenção nesses contactos com os partidos. Foi apanhá-los de surpresa, quando lhes devia ter previamente apalpado o pulso. Foi faltar-lhes ao respeito – mesmo por pouco que seja o respeito que merecem – e foi prescindir da oportunidade de, atempadamente, avaliar as probabilidades de sucesso da iniciativa que preparava.


O líder do PS, entalado e apertado por todos os lados, como facilmente se percebia desde o primeiro momento, sentiu-se tão aliviado com o rompimento das negociações que não resistiu a correr a comunicá-la ao país, em vez de a comunicar ao presidente, a quem, evidentemente, caberia tal incumbência. Teria de ser o presidente a dizer ao país que os partidos não chegaram a qualquer acordo e que a sua iniciativa falhara. E teria de ser Cavaco a interpretar esse desfecho à luz da comunicação que fizera quando a lançara!


Estes não são aspectos meramente formais. São institucionais e políticos!


E, claro, agora tudo está bem pior, como desde sempre se sabia que iria ficar. Mas a isso voltarei mais tarde...

100º Tour de France VII

Por Eduardo Louro


 Rui Costa vence 19.ª etapa e iguala Joaquim Agostinho


Não tinha a mínima intenção de regressar ao Tour já hoje, depois da etapa de ontem do Alpe d`Huez. Pensava juntar a etapa de hoje -  que ligou Bourg d'Oisans a Le Grand Bornand - com a de amanhã, ambas no pacote das duas últimas grandes e decisivas etapas deste Tour número 100.


O Rui Costa obrigou-me a voltar aqui hoje, a abordar separadamente esta 19ª etapa, com mais de 200 quilómetros e, de todas, a que mais montanhas somava.


Porque voltou a ganhar - a décima terceira de ciclistas portugueses, e a terceira de Rui Costa, a igualar Acácio da Silva e a duas de Agostinho - apenas dois dias depois. Porque voltou a ganhar categoricamente, agora na alta montanha. Porque agora, com mais vitórias que ele neste Tour, apenas o sprinter Kittel e o rei Froome. Porque, com esta segunda vitória, repetiu e fez-nos lembrar Agostinho, logo na estreia, em 1969. Porque confirmou que é  um ciclista de eleição, inequivocamente no top ten mundial. Não tem nada que ver com Agostinho - disso já há muito que não há, se é que alguma vez houve -, está mesmo nas antípodas dessa inultrapassável figura do ciclismo nacional. Não tem, nem de perto nem de longe a mesma força, mas tem uma enorme inteligência competitiva capaz de o levar ao topo do ciclismo mundial.


E foi isso que hoje confirmou. Depois da vitória de terça-feira, hoje, dois dias depois, em terreno completamente diferente, a mesma receita: a fuga certa, bem numerosa, e o ataque infalível, na hora certa, não dando a mínima hipótese a quem quer que fosse. Pelo meio, nesses dois dias, uma lição - mesmo para quem, como eu, tendo percebido não tenha gostado - de gestão de esforço em competição: primeiro no contra-relógio, que já não lhe aquecia nem arrefecia, e depois, ontem: ainda experimentou entrar num grupo em fuga, mas rapidamente abdicou quando percebeu que aquilo não iria dar certo, nada preocupado em deixar-se ficar para trás.


males que vêm por bem, diz a sabedoria popular. O Rui Costa tinha deixado a ideia que poderia fazer um grande Tour, dizendo que tudo dependeria de como corresse a primeira semana, sempre recheada de incidentes, num pelotão imenso e difícil de entender e gerir. Correu-lhe bem, e parecia que tínhamos homem, até chegar aquela maldita etapa 13. O mal que veio por bem: atirou-o para fora da disputa da classificação geral, mas libertou-o para estes feitos. Que, feitas as contas, são bem maiores que os que conseguiria no outro tabuleiro, condicionado ou não pela sombra de Valverde!


É uma grande vitória, esta de hoje do Rui Costa. Começou por integrar uma fuga madrugadora de 44 ciclistas, que foi gradualmente mingando. Para a frente saíram dois ciclistas, um dos quais o francês Rolland, que persegue a camisola das bolas vermelhas - da montanha, que durante muito tempo vestiu – e grande ganhador dos pontos em disputa nas cinco das seis montanhas. Pouco depois do início da última do dia, quando uma forte trovoada se abatia sobre a corrida, iniciaram-se no grupo os primeiros ataques. Quando o Rui Costa entendeu atacou ele, e deixou logo ali toda a concorrência. Se rapidamente alcançou Rolland, rapidamente o deixou para trás, montanha acima, sempre debaixo de chuva e com a diferença para os perseguidores a crescer. Chegado lá acima ficava a faltar a descida até à meta. Treze quilómetros, sempre a descer e sempre debaixo de chuva.


De cortar a respiração. Até à meta e à festa!


Dez minutos depois chegava o grupo dos primeiros da classificação geral, com todos juntinhos.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Que aplaudem? De que riem?

Por Eduardo Louro


 


Os deputados do PSD e do CDS estão de pé em aplausos exuberantes pelo chumbo da moção de censura. Não devem ter reparado que o ministro Álvaro Santos Pereira abandonou a bancada do governo quando Paulo Portas começou o seu discurso de encerramento. E que regressou mal ele terminou, para que não ficassem dúvidas…


Uns riam, outros sorriam, mas ninguém escondia ar de felicidade e boa disposição. Não seria certamente pela rápida e apressada debandada dos deputados socialistas. Nem todos, alguns tinham mais pressa e saíram até mais cedo, ainda antes da votação. Aquela pressa toda era para se despacharem para a negociação da salvação nacional…


Deveria ser pelo discurso do ex-ex-ministro dos negócios estrangeiros, que não se cansou de falar em estabilidade política… Do que Seguro disse é que não riam. De certeza!

100º Tour de France VI

Por Eduardo Louro


 


Hoje foi o dia da chegada ao alto do Alpe d`Huez (na foto). O dia da mais mítica das etapas do Tour, que todos gostariam de ganhar um dia. Mas que poucos conseguem…


Foi o caso do francês Riblon – primeira vitória francesa neste Tour – que foi hoje o primeiro na etapa que, desta vez, subiu por duas vezes o Alpe d`Huez, depois de uma longa fuga, cheia de peripécias, que terminou com a ultrapassagem ao americano Van Garderen – seu companheiro de peripécias – já à entrada do último quilómetro. O suficiente para lhe ganhar ainda um minuto!


E hoje foi o dia em que finalmente Froome foi derrotado. Até aqui tinha ganho sempre, incluindo o contra-relógio de ontem, em montanha, onde ganhou a toda a gente. Aumentando distâncias para todos, incluindo para Contador, que foi segundo – com o mesmo tempo de Rodriguez – e para o checo Kreuziger, o colega de equipa e abono de família de Contador, que foi quarto, passando ambos a ocupar os restantes dois lugares do pódio. De onde saiu o holandês Mollemba, em quebra acelerada nesta última semana...


Só que, mesmo derrotado, hoje Froome voltou a reforçar a sua liderança. Porque foi derrotado pelo jovem colombiano Quintana - que subiu ao terceiro lugar - e pelo espanhol Rodriguez, finalmente a mostrar por que integrava o lote dos favoritos e já às portas do pódio.


Esperava-se que Alberto Contador, que ontem fizera um excelente contra-relógio, atacasse hoje. Ainda simulou fazê-lo quando, na descida que se seguiu à primeira passagem pelo cimo do Alpe d`Huez, saiu do grupo de Froome, na companhia de Kreuziger, o seu fiel e leal escudeiro. A ideia parecia boa: aproveitar a sua superior capacidade técnica para arriscar na descida - perigosa e exigente, onde Froome, com mais dificuldades técnicas e menos necessidade de correr riscos, não deveria responder – e chegar à entrada da segunda passagem pela montanha já fora do alcance do camisola amarela. Já se tinha percebido que Contador é, hoje, mais um jogador de póquer do que um corredor de bicicleta. Hoje confirmou-se: Contador tem passado este Tour a fazer bluf. Que voltou a fazer hoje, desistindo logo que a descida terminou, bem antes do reinício da subida foi, mais uma vez, bluf!


Na subida final voltou a não conseguir reagir ao ataque de Froome – mais uma vez foi ele, o líder, a tomar a iniciativa – e só conseguiu manter o seu segundo lugar na geral através, mais uma vez, do sacrifício do seu colega Kreuziger, que acabou por perder o terceiro lugar que ocupava. Dispõe daquela que é a melhor equipa deste Tour – tem a vitória colectiva praticamente assegurada – mas tudo aponta para que, nem assim, consiga segurar o seu segundo lugar, agora à mercê de Quintana e de Rodriguez. Que bem, e especialmente o colombiano, têm feito para o merecer!


Dos portugueses pouco há a dizer. No contra-relógio de ontem, Rui Costa, com honras de televisão, pela notoriedade da véspera, foi dos piores. Poderá perceber-se, mas não é bonito de ver: ficou a mais de seis minutos de Froome, em apenas 30 quilómetros… E hoje, simplesmente não se deu por ele!


O Sérgio Paulinho viu-se finalmente. Deu-se por ele. Porque fez um bom contra-relógio, por volta do vigésimo lugar, com muito boa companhia como, por exemplo, Richie Porte – que hoje voltou a confirmar a sua imensa categoria na ajuda a Froome. E porque hoje teve, também ele, honras de televisão. Foi vedeta de televisão, em virtude de uma fuga cujo único objectivo só poderá ter sido esse mesmo!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Entalado

Por Eduardo Louro


 


Primeiro foi a iniciativa do presidente, com o tal compromisso de salvação nacional. Depois veio a moção de censura do PC – via Verdes – ao governo. Depois a proposta do Bloco.


Primeiro, o PS ainda começou por dizer que, negociações, só se estendessem aos restantes partidos com assento parlamentar. Mas depressa deixou cair aquilo que seria a sua primeira bóia!


A seguir pareceu-lhe que com uma mão lavava a outra. Que, votando a moção de censura - quando tinha tanta escapatória -, apagava o mergulho de cabeça nas negociações. E lá veio Zorrinho dizer que o PS estava a negociar com o PSD e o CDS – que só se faziam representar por membros do governo -, e não com o governo, que ia censurar.


E depois, quando o Bloco publicamente lhe propõe negociações, bateu-lhe o pé. Enxotou-o para longe, que com eles não queria nada…


É evidente que o PS está encurralado, que está entalado por todos os lados. Incluindo o lado de dentro... Mas Zorrinho diz que não, que isto reforça a centralidade do partido. Não acredito que o António José esteja tão Seguro disso… 


 


 

A coisa

Por Eduardo Louro


 


À medida que se replicam as reuniões entre os três partidos do arco da governação cresce a excitação em todo o país. Visitam-se uns aos outros a um ritmo diário, e isso é suficiente para que a nação acredite na coisa.


Sucedem-se as figuras do Estado a manifestar a sua fé no sucesso da corajosa e ousada iniciativa presidencial, enquanto exibem – também eles - fatias de soberania nacional que guardam nas mãos. Muitas delas nem fazíamos ideia que existissem… As da sociedade civil, daquela que se confunde e mistura com o Estado, não lhe ficam atrás. E rapidamente passaram das manifestações de fé à exigência!


Já não lhes basta declararem-se crentes da coisa. Exigem a coisa, e depressa. Viram costas e, em subliminar tom ameaçador, deixam cair: “Vá lá, entendam-se para aí que a gente espera aqui um bocadinho…”


- “Mas não demorem muito. As Selvagens são já aqui, e o presidente só dorme lá uma noite”!


E pronto, amanhã já haverá acordo para a coisa. Mesmo que ninguém saiba o que é a coisa, nem o que fazer com ela…


 

terça-feira, 16 de julho de 2013

100º Tour de France V

Por Eduardo Louro


 


Rui Costa ganhou, na chegada a Gap, a etapa de hoje do Tour, a 16ª. Integrou a fuga do dia, num grupo de perto de vinte corredores e, na altura certa, lançou o ataque certo. E certeiro!


Depois do acidente de sexta-feira, e do descalabro de domingo, Rui Costa teria de mudar rapidamente a agulha. Sem aspirações na classificação geral, uma vitória numa etapa - numa equipa que ainda não vencera nenhuma - passava a ser o objectivo. E já não havia muito tempo, nem sobravam oportunidades para isso. Era hoje, numa etapa que, não sendo de alta montanha, era de montanha. Uma montanha que teve espectacularidade no ataque de Rui Costa, mas também nos ataques de Contador, qua atacava ali o segundo lugar, se bem que tivesse sido Froome, de novo sozinho, a responder. De tal forma que viriam ambos a cair, já na descida para a meta, e a terem de cooperar ambos para recolar ao grupo dos primeiros da geral, que chegaria doze minutos depois do Rui Costa.


Tinha de ser hoje. E foi. E não certamente por ter sido ali, também em Gap, que o outro português do pelotão - o Sérgio Paulinho de quem nunca se ouve falar - ganhou em 2010. Mas pode bem ter sido por ontem, no dia de descanso, ter sido dado como o ciclista mais popular do pelotão. Popularidade - disse-se - medida pelo número de cartas de incentivo que recebe. Estranha - ou talvez não - esta forma de medir a popularidade... Certo é que a popularidade também ajuda a empurrar. Não é só a noblesse que oblige!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Às voltas com o compromisso


Por Eduardo Louro


E lá andam eles às voltas com o compromisso de salvação nacional. Ou a fazer de conta…porque aquilo é a quadratura do círculo!


O PC, através do outro braço parlamentar de que dispõe – é pouco democrática, e altamente contestável, esta estratégia do PC que assegura um grupo parlamentar a um partido que nunca foi a votos e, com isso, apresenta-se no parlamento com dois grupos parlamentares – lançou a casca de banana ao PS, com a moção de censura dos ditos Verdes. E o PS escorregou… e estatelou-se ao comprido, ficando a negociar o compromisso ao mesmo tempo que vota a moção de censura.


Carlos Zorrinho ainda veio mandar areia para os olhos. Que o PS estava a censurar o governo e a negociar com os partidos do governo. Que o governo é uma coisa, os partidos que o suportam, outra!


Os partidos da coligação resmungaram. O PSD acusou mesmo o PS de estar a fazer de conta. Podiam ter ficado por aí. Mas não, mandaram logo para a reunião apenas gente do governo: Motas Soares, Carlos Moedas, Poiares Maduro e Moreira da Silva. Jorge Moreira da Silva que também é do governo, daquele que está à espera que Cavaco lhe dê posse. Todos os outros são membros do governo que Cavaco deixou ficar. E Carlos Moedas e Poiares Maduro são apenas da área política do PSD, gente da confiança de Passos Coelho, que nem sequer está filiada no partido.


Pois! Continuem a divertir-se…


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...