segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Moeda de troca

DGS já enviou parecer técnico sobre Festa do Avante ao PCP - Renascença


 


As últimas semanas foram deixando a ideia que a autorização da realização da festa do Avante seria qualquer coisa que entrava nas contas da constituição da geringonça 2.0.


Não é uma ideia simpática, tanto mais que remete as instituições do Estado de Direito para simples agentes da táctica política do governo. Mas é a que foi ganhando cada vez mais forma nos últimos dias.


Com a aproximação da data do evento - já no final desta semana - e à medida que sua realização se tornava cada vez mais irreversível, mais ruidoso era o silêncio da Direcção Geral de Saúde (DGS). De tal forma que o Presidente da República, ainda para mais aborrecido com as encenações de crise política do primeiro-ministro e com as alterações de paradigma de António Costa, teve que dizer que bastava, e que era mais do que tempo de a DGS tornar públicas as condições de autorização da Festa.


Pressionada, a DGS informou que já tinha entregado ao PCP as condições aprovadas para a realização da Festa. Mas que não as divulgava. Que fosse o organizador a fazê-lo. 


Não há qualquer dúvida que a DGS não quis transparência em todo este processo. Ou não quis ou não pôde ser transparente. O governo, com o sound byte da ministra da saúde, logo no início, que "nada seria permitido que estivesse proibido, nem nada que fosse permitido seria proibido", tratara já de fazer descer a cortina.


Se nada disto tivesse a ver com as contas para a nova geringonça que agora, ao contrário de há apenas dez meses atrás, António Costa tem por imprescindível à estabilidade governativa, é que seria estranho.

domingo, 30 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Todos os dias tropeçamos em pequenas habilidades que têm por único fim apanharem-nos os poucos euros que vamos conseguindo manter nos bolsos. Depois dos impostos, da gasolina, do supermercado, das prestações da casa, do carro e de sabe-se lá mais o quê. Dos parquímetros e dos arrumadores que nos obrigam a pagar o estacionamento em dobro. Depois de termos conseguido segurar os últimos euros à custa de tantos e tantos cortes e de mais uns furos no cinto, ainda surge um autêntico exército de chicos espertos a magicar todas as formas  de os conseguir sacar. São autênticos ímanes apontados aos nossos bolsos!


Umas vezes de forma legal, muitas de forma ilegal, mas sempre de forma ilegítima!


À frente deste exército encontramos invariavelmente o mundo das telecomunicações. As novas tecnologias transformaram-nos em comunicadependentes e, como em todas as dependências, lá estamos nós disponíveis para alimentar mais uma vaga de traficantes que rapidamente ocupa os mais diversos pontos na cadeia de distribuição.


Se nos distraímos lá estão uns tipos a dizerem-nos que ganhamos isto e aquilo e, de repente, só damos com uns euros a voar nas asas de uns ora atrevidos ora incautos sms. Tudo legal! Tão legal que até as operadoras, invariavelmente os maiores chicos espertos, lhe dão cobertura…


O que todavia mais me impressiona é a generalização e a utilização indiscriminada das ditas chamadas de valor acrescentado. Que sejam utilizadas pelos chicos espertos, enfim: o que é que podemos fazer? 


Mas não, são utilizadas por toda a gente. Por gente absolutamente insuspeita e pela mais respeitáveis instituições. Evidentemente com a bênção de todas as altíssimas entidades reguladoras e de supervisão que, supostamente, velam por nós - pobres cidadãos e indefesos consumidores.


São as televisões, que descobriram o filão e já não há concurso que não seja decidido sem as tais dos 60 cêntimos, mais IVA. Do mais simples e insignificante concurso ao próprio concurso das cantigas da Eurovisão e das estações associadas.  Do maior português ao ídolo do momento. Às 7 maravilhas! Elegem-se assim as 7 maravilhas de tudo e mais umas botas


As sondagens são já substituídas pelas consultas de opinião, sobre o que quer que seja, a troco de uma chamada com aquele mágico custo. Por dá cá aquela palha qualquer estação de televisão quer saber a nossa opinião. Que nós damos pelos módicos 60 cêntimos, mais IVA.


Mas também simples sorteios travestidos jogos de apostas!


É durante a transmissão de uma corrida de touros que se sorteiam bilhetes mediante a resposta a uma pergunta de algibeira, do tipo das dos tipos que nos enganam com os sms. Ou durante a transmissão de um jogo de futebol, onde se sorteiam bilhetes, bolas ou camisolas …


Pelos vistos nada disto é ilegal. Mas é ilegítimo e deveria sê-lo!


Estes sorteios são um negócio. Um negócio obscuro, sem transparência e sem risco. Vezes há em que, apesar de tudo, ainda há alguma transparência: é quando informam que oferecem uma camisola a cada 500 chamadas. Aí dá para ver o chico-espertismo e para fazer as contas à aldrabice!


As consultas de opinião são outra aldrabice. Perigosa e perversa!


Acha que isto ou que aquilo?


Parece-me normal que qualquer pessoa se interrogue: por que carga de água terei de pagar para dar uma opinião … que me estão a pedir? Não faz sentido, e como acho que as pessoas não são estúpidas, tenho que concluir que só vai gastar o dinheirinho quem tiver alguma coisa a ganhar com isso.


Por exemplo, ainda ontem uma estação de televisão questionava se Carlos Queiroz se deveria ou não demitir. Quem é que, no meio de todo este imbróglio em que ele está envolvido, teria interesse no sentido da resposta?


A resposta parece-me fácil e, já agora, o resultado foi esmagador: mais de 70% achava que não se deveria demitir!


Com tantas altas autoridades não haverá uma só que seja que perceba que isto assim não vale? Ou que não devia valer!

sábado, 29 de agosto de 2020

Tour de France 2020 I

Tour de France 2020 já se encontra disponível | Future Behind


 


Arrancou hoje, em Nice, a 107ª Volta a França em bicicleta. Fora de época, já que ocorre normalmente durante o mês de Julho. Deveria ter decorrido entre 27 de Junho e 19 de Julho mas, como tudo, também foi adiada pela pandemia, e é a primeira grande Volta a ser disputada esta temporada.


Atípica, também, como tudo nos dias que correm. E não é só por ser corrida em tempo de vindimas, que era o tempo da Vuelta. Está lá o vencedor do ano passado, o colombiano Egan Bernal (INEOS), que é naturalmente o principal favorito. Atípico é que não tenha a participação de qualquer outro ciclista em actividade que já a tenha vencido. 


A INEOS, que continua a mais forte equipa do ciclismo mundial, não quis que Bernal tivesse concorrência interna, e deixou de fora os seus dois nomes mais sonantes, e que são os únicos vencedores do Tour em actividade: Chris Froome, vencedor  em 2017, 2016, 2015 e 2013, Geraint Thomas, vencedor de 2018, e segundo classificado do ano passado.


Daí que, entre os 176 concorrentes, onde se inclui um único português, Nelson Oliveira,  não seja fácil encontrar quem possa ameaçar o esperado domínio do jovem Bernal, provavelmente a iniciar um novo reinado. Poderá falar-se de Nairo Quintana, agora a solo como líder da Arkéa–Samsic, mas parece que o também colombiano já deu o que tinha para dar. Poderá falar-se dos franceses Romain Bardet (AG2R La Mondiale) ou Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), mas apenas para animar os gauleses. Ou dos espanhóis Mikel Landa (Bahrain-McLaren) e do veterano Alejandro Valverde (Movistar), mas apenas para animar uma ou outra fase da corrida. Ou das esperanças de jovens como o colombiano Miguel Ángel López (Astana) ou o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates). Ou das capacidades do também esloveno Primoz Roglic e do holandês Tom Dumoulin, ambos da Jumbo-Visma.


São muitos nomes, mesmo assim, mas todos bem menos candidatos que Bernal.


Não são muitas as etapas para os sprinters, como a de hoje. Corrida debaixo de penosas condições climatéricas, e já com muitas quedas. A última, à entrada dos últimos três quilómetros (por essas condições a direcção da prova acatou a pretensão dos ciclistas - parecia que estavam a adivinhar - e decidiu que os tempos da etapa fossem registados justamente a essa distância da meta)  envolveu Pinot e Quintana.


Ganhou o norueguês Alexander Kristoff (UAE Emirates), batendo ao ‘sprint’ o campeão mundial, o dinamarquês Mads Pedersen (Trek-Segafredo), e o holandês Cees Bol (Sunweb). E é o primeiro camisola amarela do Tour deste estranho ano 2020.


 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Há coisas fantásticas: aos 3 minutos Cardoso marca. O Benfica pressiona como ainda se não tinha visto. Pelo estádio começam a passar novas sensações arrancadas à memória de há um ano atrás, na mesma terceira jornada e como o mesmo Vitória de Setúbal. Sonha-se com a goleada, lembram-se os 8-1!


Já não há fantasmas. Respira-se fundo: Roberto não está lá. Finalmente Jesus colocara ponto final na teimosia. No entanto ele está no banco! Por que carga de água?


Não interessa… no pasa nada!


De repente, um disparate: Maxi Pereira e Júlio César, o guarda-redes substituto a quem se pedia o exorcismo de todos os demónios deste arranque de época, provam que eles existem e estão lá. Penalti, expulsão e, de repente, vinte minutos depois, lá estava ele de novo: o Roberto de todos os pesadelos!


Bola a 11 metros, ali à frente do mais odiado de todos os jogadores em campo – Hugo Leal, um velho traidor


São 40 mil almas no estádio e mais uns milhões á frente do ecrã à espera do milagre. À espera que o guarda-redes que não defende uma bola tivesse alma para defender o penalti…


Todos partilhavam dessa secreta esperança. Cenário mais adverso nem em pesadelos: o Setúbal estabelecia o empate (1-1) e tinha 70 minutos de jogo pela frente com mais um jogador e … com Roberto na baliza.


Não podia ser. Já bastavam os dois jogos anteriores!


Não estaria tudo isto combinado? Não seria esta a forma magistral de Jesus resolver de vez o problema Roberto? Claro, só assim se percebia que fosse ele a estar no banco e não o Moreira!


Combinado? Não podia ser! Então o Maxi e o Júlio César iam numa dessas?


Não. Combinado não era seguramente! Mas era o que estava escrito nas estrelas. Só podia…


Nisto, o Hugo Leal parte para a bola, debaixo de um ruído gigante onde uma chuva de apupos disfarçava uma gigantesca onda de preces. Na baliza está agora um Roberto de calção azul e camisa branca, com um ar estranhamente tranquilo. Ninguém ali reconhece o Roberto dos frangos, o Roberto em pânico todo de amarelo vestido.


Voa para a bola e defende-a. Não a segura. Ela fica ali à frente e, quando os aplausos hesitam, presos na angústia de que alguém acabaria por a empurrar para a baliza, o Roberto volta a voar. Voa que nem a águia Vitória e enrola-se nela, não mais a largando…


Jogar-se-iam mais 70 minutos. Roberto só voltaria a fazer uma defesa no último …


Há estórias assim! Nunca uma travessia do deserto foi tão curta: apenas 22 minutos!

Há sempre qualquer coisa que não bate certo!

Arquivo de Estado de contingência - Jornal o Interior


 


A declaração do estado de contingência para 15 de Setembro, ontem decidida em conselho de ministros, pareceu a mais non sense das medidas do governo ao longo desta crise pandémica. Poucos dias depois de o Reino Unido ter finalmente retirado Portugal da lista negra da Covid, medida incessantemente reclamada pelo Estado Português, quer através do governo, quer do Presidente da República, e recebida com um enorme suspiro de alívio pelos agentes económicos do sector do turístico, nada fazia menos sentido que esta "mensagem oficial de perigo" que o governo português espalhava pelo mundo.


Depois de semanas as fio a dizer às autoridades inglesas que estavam erradas, quando elas o reconheceram, o governo português diz-lhes que ... afinal, quem estava errado, era ele.


Os dados de hoje, com um dos maiores aumento de infectados de um dia para o outro, parecem querer dizer que o que parecia uma aberração é, afinal, capaz de ser prudente. Mas também sinal que têm sido mais os ventos a guiar a nau governativa do que propriamente o leme.


É que, enquanto se tratou de "puxar para cima", chegou à euforia, sem freios nem realismo. Agora, que vêm mais turistas, e que as aulas presenciais vão regressar, chega a prudência.


Para lá das contingências, há sempre qualquer coisa que não bate certo!


 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Jogar sem bola é uma das maiores preciosidades do futebolês. Como é que de um jogo em que a bola é a figura central, como já aqui vimos a propósito de beijos, de bolas paradas ou mesmo de segundas bolas, pode nascer a sua mais absurda negação?


Como é que é possível jogar sem bola um jogo que só se joga com bola?


Em futebolês tudo é possível. E tudo se explica, como temos visto!


Naturalmente que, num jogo com uma única bola para 22 tipos, falta bola e sobram jogadores. No final de um jogo, ao cabo dos 90 minutos, que em Portugal, falando de tempo útil de jogo, se transformam em cerca de metade, teríamos uma média de 2 minutos de bola para cada jogador. Pois é, um jogador quando entre em campo leva uma perspectiva de passar pouco mais de 2 minutos com a bola e os restantes 88 a vê-la passar.


Já começamos todos a perceber a importância de jogar sem bola. É que se não soubessem ocupar todo esse tempo imenso os jogadores seriam os tipos mais frustrados do mundo. E não consta que assim seja!


É à forma de ocupar todo esse tempo que se entregam as maiores especulações filosóficas dos mais variados gurus da bola. É delas que nascem as mais impressionantes teorias de ocupação de espaços e os mais arrojados desenhos de pressing.


Mas, para além deste eminente conceito de futebolês, há muito jogo sem bola à volta do futebol. Sem bola, sem balizas e mesmo sem campo! Chamam-lhe, ainda em futebolêso jogo fora das quatro linhas! Que nada tem a ver com o jogo jogado


É o jogo de bastidores, o jogo de influências, o jogo psicológico… São os mind games que aqui trouxemos há duas semanas! Que, umas vezes legítima outras ilegitimamente, influenciam desempenhos e determinam resultados.


Não é por acaso que os dois grandes rivais do futebol indígena – Benfica e Porto, à revelia da teimosia dos sportinguistas (que aproveito para saudar pela fantástica “remontada” de ontem, a beneficiar de um frango mas com um terceiro golo de imenso mérito) que insistem em ver no Benfica o seu principal rival – têm desempenhos em perfeita simetria. Dificilmente estarão ambos bem, ao ponto de raramente serem primeiro e segundo.


Aí estão os resultados da última liga: a um Benfica demolidor e campeão opôs-se um Porto em queda livre que não passou do terceiro lugar, fora da Champions, onde, com todo o mérito e brilhantismo, está agora o Braga. E aí está a nova liga, acabada de começar: a um Porto dominador e já na liderança contrapõe-se um Benfica com duas derrotas nos dois jogos, tantas quantas averbara em toda a época passada, às voltas com os seus fantasmas renascidos de um Roberto sem asas para voos de águia.


Mais influente que qualquer jogo de bastidores – jogo onde o Porto por norma, e de há muito a esta parte, se superioriza – é a posição relativa de cada um. A posição dominante de um fragiliza, ela própria, o outro (e aqui há um certo paralelismo com a vivência da rivalidade no Sporting: na paz dos anjos se está atrás do Porto, mas no maior dos dramas se o fosso é para o Benfica)! Daí que, como aqui tenho feito notar, Jorge Jesus tenha cometido o maior dos erros ao desvalorizar a supertaça. A vantagem pendia toda para o lado do Benfica: pela embalagem trazida da época anterior, porque mantinha a estrutura e o treinador, porque era o campeão. E porque do outro lado estava um Porto titubeante, com um novo treinador que era ainda um treinador novo. E inexperiente. Um Porto com a máquina entorpecida, se não já enferrujada.


Porto e Benfica dispõem de dois suplementos decisivos, mobilizados em absoluta sintonia com o desempenho das suas equipas: no Benfica é a mola imparável da sua massa adepta, que faz acordar o gigante e tremer de medo os rivais; no Porto é a máquina de ganhar, a mesma que manobra como ninguém as incidências, as contingências e os bastidores do jogo, e que quando arranca, livre e desimpedida, é extraordinariamente difícil de parar.


Com aquele erro decisivo Jorge Jesus permitiu que se desse à chave da máquina de ganhar do Porto. E que fosse posta em funcionamento!


Ao invés, no Benfica transformou oportunidades em ameaças, com fantasmas a surgirem de todos os lados: Ramires, Di Maria e, claro, Roberto. Pior, começa a surgir o mais perigoso de todos os fantasmas: o da autoridade do próprio Jesus! Mais que pela responsabilidade na contratação do guarda-redes – facilmente perdoável e esquecida no meio da enorme margem de crédito forjada nas conquistas da época passada –, pela insistência, contra todas as evidências de incompetência e de um pânico generalizado e espalhado por toda a equipa, em mantê-lo na baliza. Um erro de consequências imprevisíveis, a começar pelas dificuldades criadas ao seu substituto. E ao substituto do seu substituto, se a lei de Murphy, que aqui trago tantas vezes, insistir em confirmar-se!


E claro, no meio de tudo isto, em vez de da tal mola humana que leva a equipa ao colo (ou no andor, como os rivais gostam de provocar), a nação benfiquista está perdida e dividida entre os que defendem que benfiquistas são os que, em nome da tranquilidade da equipa, calam a sua voz crítica e os que, pelo contrário, acham que, ficando calados, como fizeram em tempos não muito longínquos, estão a ser cúmplices de uma tragédia.


É assim que, enquanto a uns até fica mal chorar os penalties que vão ficando por marcar, outros vão vendo penalties e livres caídos do céu resultarem em golos e vitórias incontestados. Ou a máquina de ganhar a funcionar a todo o vapor…

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A ênfase

António Costa não se retractou de forma enfática, lamenta Ordem ...


 


Às duas grandes novelas do Verão, a de Cavani, já nos últimos capítulos, e da Messi, agora nos iniciais, ambas no reino da bola respondeu, pelo meio, a política com a saga "cobardes", protagonizada por António Costa, na qualidade de actor principal, e Miguel Guimarães, num papel secundário que não lhe ficou nada atrás.


Nos higlights da série dois flashs lamentáveis: uma lamentável frase de sete segundos pronunciada em off pelo primeiro-ministro; e a não menos lamentável fuga desse registo para as redes sociais, pelas mãos de quem se estava nas tintas para as normas da deontologia a que está obrigado. 


O erro de um não desculpa o de outros. E vice-versa. 


A novela parecia despedir-se com a cena final gravada nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro, depois de uma reunião de três horas. A cena final de sempre, com tudo a acabar bem e a viverem felizes para sempre. Mas eis que, poucas horas depois, com as luzes apagadas e as câmaras desligadas, mas não em off, como da outra vez, Miguel Guimarães rói a corda. E diz que não. Que António Costa, nas declarações públicas, "não revelou a mensagem de retratamento da mesma forma enfática que aconteceu na reunião"....


Nas declarações públicas prestadas na sua presença, ao seu lado. Das duas, uma: ou o bastonário é de compreensão lenta, e precisou de dormir e acordar para perceber que as declarações do primeiro-ministro não respeitaram o guião; ou faltou-lhe qualquer coisa para logo ali, olhos nos olhos, às claras e para toda a gente ver, lhe dizer o que depois escreveu a dizer aos médicos.


Se o problema estava na ênfase, que diz ter faltado nas declarações de Costa, agora fica na ênfase que ele próprio colocou no que já era o título da saga.


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


A edição da passada segunda-feira do Diário Económico apresentava um curioso frente a frente entre dois economistas nacionais de grande relevo de gerações bem diferentes: Silva Lopes, de 78 anos e bem conhecido de todos nós e Ricardo Reis, de 32, ainda desconhecido da generalidade dos portugueses, mas já uma estrela do universo dos economistas, professor e investigador na Universidade de Columbia, e muito activo (directa e indirectamente) no planeta da economia na blogosfera.


O resultado foi uma peça interessante, de quatro páginas cuja leitura recomendo, e que aqui trago exclusivamente por uma declaração de Silva Lopes trazida para o cabeçalho da terceira dessas quatro páginas: “No meu primeiro emprego éramos dez a fazer o trabalho de três”!


É aqui que está, a meu ver, a face mais visível do choque de gerações. E não só de gerações tão distantes como estas duas, claramente de relação avô/neto. Mesmo entre gerações mais próximas!


Provavelmente será por pudor que Silva Lopes situa aquela relação no seu primeiro emprego. Porque eu acho que poderia claramente substituir a expressão “no meu primeiro emprego” por “em toda a minha vida”. Também provavelmente não errarei se disser que esse primeiro emprego foi no Banco de Portugal, onde aquele coeficiente se tem mantido ao longo dos tempos, contra ventos e marés, transformado, tal como o Ministério das Finanças, no autêntico porto seguro de gerações e gerações de quadros, em particular de economistas, para quem a competitividade é um conceito muito recente.


A violência deste choque de gerações não se fica pelas portas outrora abertas a esses desmandos e agora fechadas a sete chaves. Projecta-se ainda pelas pensões de reforma – generosas e frequentemente múltiplas, como bem sabemos – com que a geração de Silva Lopes e outras muito mais recentes hoje se locupletam.


É que, no tempo em que trabalhavam, ainda eram três a trabalhar para dez…. Agora são os mesmos dez a receber sem nenhum a trabalhar para eles!


O drama deste violento confronto de gerações é que para esses ainda vai havendo o que para os novos nunca chega. E, quando a curto prazo deixar de haver, já tiveram oportunidade de acumular o suficiente para o prazo que lhes restar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O director do SOL – José António Saraiva (JAS) – na sua coluna de opinião política que, de alguma forma, se tornou ao longo de quase trinta anos já num clássico – era a Política à Portuguesa no Expresso, durante mais de vinte anos, e é, agora no SOL nos últimos quatro anos, a Política a Sério – veio esta última semana sentenciar o terceiro-mundismo de Portugal.


Para ele é uma evidência: “Portugal está a caminho do Terceiro Mundo”. Uma evidência que nem sequer nos pode espantar: “assim como há países do Terceiro Mundo que registam taxas altíssimas de crescimento e se preparam para aceder ao Segundo ou mesmo ao Primeiro Mundo, outros sofrerão evolução oposta”. Porque, sustenta ainda, “ a roda do mundo é como os alcatrazes” – quis seguramente dizer alcatruzes –: “se uns sobem, outros têm de descer”.


Creio que já muita gente estará habituada – eu, pelo menos, estou – a algumas excentricidades (chamemos-lhe assim) do José António Saraiva. Umas com alguma graça, outras com algum arrojo e, outras ainda, sem pés nem cabeça.


Lembro-me de uma, aqui há alguns anos, ainda no seu tempo do Expresso, em que desenvolvia uma teoria que mostrava a importância de se fixar a capital em Castelo Branco. Ou de uma outra, mais recente e já no SOL, de um projecto para a Baixa ribeirinha de Lisboa que passava, entre outras coisas, por criar uma zona coberta em toda aquela área. Fiquei com a ideia que seria uma espécie de Piazza del Duomo, em Milão, mas em grande!


Lembrei-me destas duas, onde se consegue encontrar um cruzamento entre algum arrojo e alguma graça, para evidenciar a clara bipolaridade de dois estados de alma: um, de um passado recente, virado para um empreendedorismo de grandiosidade e outro, actual, marcado pela mais profunda e deprimente das decadências.


Evidentemente que todos sentimos uma tremenda degradação da nossa vida colectiva. Que todos nós sentimos que o mais importante capital social – não no sentido tecnocrático do termo, mas no sentido de instrumento de intervenção e de promoção de desenvolvimento colectivo – a esperança e a confiança (a mesma a que o primeiro-ministro, subvertendo realidades, desesperadamente apela), bateram no fundo. Que se percebe que a economia não irá crescer a níveis capazes de enfrentar o problema do desemprego nos anos mais próximos. Que se percebe que não irá ser possível manter regalias sociais dadas por adquiridas. Que percebemos a degradação das instituições e, pior do que isso, dos valores. Que, por via de tudo isto, todos os dias nos cruzamos com atitudes terceiro-mundistas. Na rua, na estrada, nos serviços públicos… Mas também que o simples facto de as identificarmos como tal as transformam na excepção. Nunca na regra!


Evidentemente que não faz qualquer sentido afirmar-se que Portugal está em viagem para o Terceiro Mundo. Se o não faz utilizando o sentido figurado é de todo inaceitável, e mesmo grosseiro, pretender enquadrar essa afirmação num suposto contexto de rigor e credibilidade.


Ao recorrer á tal teoria dos alcatruzes – “se uns países sobem outros têm de descer” – uma figura com a responsabilidade intelectual do JAS – director de um jornal, o director de maior longevidade no mais influente jornal do país, actor da cena política e mediática, escritor e professor universitário de ciência política -, está a pretender fundamentar a sua afirmação num fenómeno determinístico que tem tanto de incontestável como de charlatanice intelectual.


Porque o mundo não é uma roda e será tanto mais perfeito, equilibrado e seguro quantos mais forem os países a abandonar o subdesenvolvimento e a atingir os patamares do desenvolvimento. Que são medidos de forma objectiva através de factores de diferenciação de desenvolvimento que, na sua maioria, não têm regresso.


Há coisas sem pés nem cabeça. E esta é, em toda a sua extensão - até com aquela ideia da passagem do terceiro para o segundo mundo (classificação mais que ultrapassada e já desaparecida) e deste para o primeiro - uma delas. Se é, como parece, um problema de agenda política, seria recomendável, apesar de estarmos em Agosto, em que nada se passa e tudo se desculpa, um pouco de mais cuidado. Agora desta forma… Francamente, assim até parece, lembrando-nos da saga de Scarlet O`Hara, que tudo o Freeport levou!

domingo, 23 de agosto de 2020

A champions em Lisboa III

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Terminou hoje na Luz  a "Champions" desta longa - a mais longa de sempre, quando já se disputam jogos de apuramento para a próxima - e anormal época de 2019/20, num formato de emergência ditado pela emergência da pandemia. A condensação das quatro últimas fases da competição numa espécie de fase final a eliminar, em Lisboa, trouxe uma sensação de uma outra dimensão da competição, a que a falta de público tirou ambiente e espectacularidade, mas não interesse.


Foi uma final inédita, como seria sempre. Mas também inédita pelas equipas em confronto, não pelo Bayern, que já anteriormente disputara dez finais da maior prova de clubes do futebol mundial, mas pelo PSG, que a atingia pela primeira vez nos seus 50 anos de História. Foi a final que a UEFA desejava, mas também foi a final ajustada ao desempenho das oito equipas que chegaram a  Lisboa há duas semanas para disputar o mais importante título do futebol da Europa e do Mundo.


E se não foi a mais espectacular de sempre - e não foi mesmo, se nos lembrarmos de Istambul, em 2005, mas também de mais uma ou outra - teve talvez a melhor primeira parte de sempre. Mesmo sem golos. Com o Bayern a confirmar que é neste momento a equipa mais forte do futebol mundial, porventura apenas ao alcance do Liverpool, e o PSG a confirmar que já é uma equipa, e até uma equipa espectacular.


Não se pode dizer que a equipa de Paris tenha sido superior. Mas criou mais, e mais espectaculares, oportunidades de golo. Só que na baliza dos alemães estava Neuer... Que fez a diferença. Que faz sempre a diferença quando a sua equipa não consegue controlar tudo, e chega a sua vez de dizer presente. 


A segunda parte foi substancialmente diferente. Primeiro porque o Bayern marcou ainda cedo, à beira dos 15 minutos, por Coman, e acentuou a sua capacidade de controlar o jogo. E depois porque a condição física dos jogadores já não permitia nem o mesmo ritmo, nem a mesma disponibilidade mental. E a qualidade do jogo teve que se ressentir. 


Mesmo assim, voltou a ser Neuer a fazer diferença. Não que, do outro lado, Keylor Navas tenha tido culpas no golo sofrido. Simplesmente porque, imperialmente, defendeu tudo, mesmo o que não tinha defesa.


E decidiu esta "Champions", que se confirma como competição aristocrática, continuando a virar as costas ao novo riquismo do futebol mundial. Os novos ricos, movidos a dinheiro de magnatas das arábias, terão de continuar à aguardar à porta deste clube aristocrata dos velhos emblemas europeus. Salvo uma ou outra distracção, a "Champions" continua com reserva do direito de admissão!


 


 

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


É mais um anglicismo! Daqueles que pouco dão nas vistas mas que não deixam de o ser. Não se trata, como toda a gente sabe, de um complemento de identificação. Até porque esse é universalmente apresentado pela abreviatura mr, comum ao mister e ao monsieur, para cobrir toda a cultura  europeia dominante dos séculos XIX e XX.


mister é o treinador, admito que por força da ascendência inglesa no futebol. Com a influência do Brasil o treinador também já é professor.


Em Portugal, com o peso dos jogadores brasileiros – maioritários nas duas ligas profissionais – o treinador já é professor para mais jogadores do que mister.


É também a variante dos títulos a chegar ao futebol português. Se em toda a Europa um advogado ou um economista (ou um engenheiro ou um arquitecto) é Mr (mister ou monsieur) e em Portugal é doutor (ou engenheiro ou arquitecto) porque é que um treinador há-de ser mister?


Enquanto os treinadores foram feitos a partir do futebol, especialmente antigos jogadores, ou mesmo antigos jogadores frustrados, mister ia bem com a coisa. Que muda quando os treinadores começam a sair das academias: primeiro do ISEF, depois Faculdade de Motricidade Humana e posteriormente das inúmeras escolas de desporto espalhadas pelos Institutos Politécnicos. Aí surgem os professores. Mas também a guerra entre velhos e novos, entre misteres e professores!   


No primeiro plano do futebol nacional os misteres ganham aos professores. Se bem que em problemas estejam todos muito equilibrados.


No Benfica, Jesus é claramente um mister. Não um gentleman, mas um mister à antiga. Um clássico! E em dificuldades!


As coisas este ano parecem não estar a correr bem. Muito por culpa própria… E não vale a pena falar de arbitragens, e de penaltis por assinalar porque, quando as coisas correm como devem correr, como foi o caso na última época, não é preciso fazer essas contas. Na época passada também ficaram penaltis por assinalar, e não era por isso que o Benfica deixava de ganhar. E de golear!


No Braga, Domingos Paciência é também um mister. Que continua a dar cartas – acaba de deixar o poderoso Sevilha com o credo na boca – e a afirmar-se como um grande treinador, por muito que em certas circunstâncias se distraia. Pode ser que, agora que lá pelo Dragão anda um tipo novo e com alguns anos pela frente, passe a andar menos distraído. Só lhe fará bem!


O jovem que está à frente do Porto não é professor, excepto para os muitos brasileiros que lá estão, porque não teve tempo de ir à escola. Parece que aos quinze anos já andaria a aprender estatística mas por conta própria. Como autodidacta! Mas também não é um mister. Se calhar é simplesmente o André!


Para o caso pouco importa. É um treinador à Porto e o resto não interessa nada! É do Porto desde pequenino, fala e provoca à Pinto da Costa, tem estrelinha e todos os méritos normalmente atribuídos aos treinadores do Dragão, em particular as simpatias das arbitragens. Quando os jogos estão complicados arranja-se sempre um penalti para os desbloquear. Daqueles que, depois, se diz que levantam polémica. Mas pouca, passa logo! E não é só por cá, ainda ontem na Bélgica foi assim! E, claro, quando há daqueles que toda a gente vê dentro da sua área, o árbitro, sempre simpático, é o único que não vê.


Com um treinador destes pouco importa se é mister ou professor!


Novo e mister – o que parecia começar a ser uma raridade – é também Paulo Sérgio, treinador do Sporting. Também ele a braços com sérios problemas – agravados com a derrota de ontem, que afasta a equipa da Europa mesmo antes de lá entrar – entre eles alguns no aparelho auditivo. Aqueles assobios vão deixar mossas. Ai vão…vão!


Mas também no aparelho respiratório, tão entalado está entre o Costinha e o Maniche!


Professor, sem sombra de dúvidas, é Carlos Queiroz, o ainda seleccionador nacional. Ou melhor, o suspenso seleccionador nacional. Uma suspensão de um mês ontem confirmada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), depois de anunciada na véspera, ainda antes da reunião do Conselho de Disciplina da FPF que tomou a decisão! Uma suspensão por causa de uns palavrões impróprios para um professor. E que vão muito para além do vernáculo que Pinto da Costa (olha quem!) declara socialmente aceitável.


Como é a própria FPF a impedir o seleccionador de dirigir a selecção nos dois primeiros jogos de apuramento para o próximo campeonato da Europa – o que é inédito e verdadeiramente surrealista – pode concluir-se que entende que Queiroz não faz falta nenhuma.


Há muito boa gente a pensar o mesmo! Mas então por que o contratou? E por que o contratou por tanto dinheiro? E por tanto tempo?


E, com mais um processo disciplinar – agora pela cabeça do polvo – que condições restam ao professor para continuar mister da selecção nacional?


E à direcção da FPF, onde segundo o professor, está mesmo a cabeça do polvo?


Aproveitem todos para ir embora. Depressa!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Afinal não é tudo mau!


Um dia destes – cinzento, bem escuro e mesmo meio frio – acaba por ser diferente e quebrar o ritmo normal das férias. De tal forma que até dá para substituir um mergulho na praia por um mergulho no Quinta Emenda, também ele um pouco abandonado pelas férias…


A verdade é que um dia como este de hoje não é mais do que um pequeno intervalo nas férias. Não para compromissos publicitários mas apenas uma pequena pausa. Não para fazer um xixi, mas apenas dar uma olhada à volta e reparar que tudo continua de férias. Que está tudo bem, tudo certo no seu lugar!


E dá para perceber que, mesmo em férias, continuamos bem governados e no melhor dos mundos. Mesmo nos indicadores próprios desta época do ano só temos boas notícias.


Agora que os incêndios, pelos vistos pelas mesmas razões que eu, também estão a fazer uma pausa, é o balanço da área ardida que passa para a ordem do dia. Mais de 70 mil hectares, diz-se!


É muito? É uma catástrofe?


Não, diz-nos o ministro da administração interna. É menos que 2003 e 2005, enfatiza!


Espantoso! Afinal não há qualquer problema com os incêndios, todas a políticas que desembocam na prevenção – ordenamento territorial, demográfica, florestal, etc. – é tudo do mais acertado possível. O desempenho dos serviços de Protecção Civil é excelente. Tudo perfeito, porque a área ardida neste ano é inferior à ardida em 2003 ou em 2005.


Mas, e Lapalisse não diria melhor, então é superior à de todos os outros anos. Quer dizer, percebemos que a ideia é simples: está tudo bem quando comparado com o pior possível!


Confesso que não me parece que o balanço dos incêndios se deva fazer exclusivamente à custa de um resultado, no caso a área ardida. Todos percebemos que um hectare de mato numa área não qualificada nada tem a ver com o mesmo hectare numa área protegida ou de floresta. Os milhares de hectares ardidos no Parque Nacional do Gerês são um resultado diferente dos mesmíssimos milhares noutro lado.


Tudo isto para dizer que fazer um balanço exclusivamente a partir da área ardida já me parecia uma leviandade. Agora fazê-lo por comparação com os piores resultados …


Claro que não acho que o papel do governo seja o de enfatizar a desgraça. Concordo que deva puxar a nossa auto estima colectiva para cima, impedir um clima generalizado de descrença e de incapacidade e que tudo faça para mobilizar a nação. Mas não é a inverter sistematicamente a realidade que isso se consegue.


As empresas recorrem ao benchmarking (identificação das melhores práticas para comparação do seu desempenho) para se desenvolverem e atingirem o sucesso. O governo faz o inverso: busca as piores práticas para comparar o seu desempenho!


Está a fazê-lo sistematicamente. O que é muito grave: um destes dias procura, procura … e já não encontra nada que se compare! Então deixaremos de viver no melhor dos mundos…


 

sábado, 15 de agosto de 2020

A champions em Lisboa II

Champions League: Barcelona atropela City de Guardiola com gol ...


 


Caiu o pano sobre os quartos de final da Champions com, mais que surpresas, alguns escândalos. As meias finais serão franco-germânicas. Sem equipas inglesas nem espanholas, dos dois melhores campeonatos de Europa, e do mundo. E com a particularidade de lá estarem as duas equipas do grupo que o Benfica disputou, o que poderá querer dizer alguma coisa.


Pelo caminho ficou o Atlético de Madrid, eliminado pelo Leipzig, num jogo que, para quem não acompanhou a Liga Espanhola, explicou como João Félix, há um ano, escolheu mal. Ou foi empurrado para escolher mal. Ficou o Barcelona, no que foi o maior escândalo do futebol mundial dos últimos anos, só equiparado aos 7-1 da Alemanha ao Brasil, no Mundial de 2014. Esmagado na Luz por 8-2 pelo Bayern, o Barcelona viveu um autêntico pesadelo. Culpados há certamente muitos, mas a factura não será apresentada a todos. O nosso Nelson Semedo não escapará, e terá provavelmente chegado ao fim da linha. E ficou, hoje em Alvalade, o Manchester City.


Não caiu com o peso da goleada que vergou o Barcelona, mas o estrondo não foi menor. Numa época em que Guardiola não podia falhar a Champions, e depois de eliminar o Real Madrid, nos oitavos de final, mas apenas há uma semana, falhou em toda a linha neste jgo de hoje com o Lyon.


O resultado  (1-3) ficou marcado pelos erros de Lapporte, de Ederson e de Sterling, mas a derrota é toda ela resultante dos erros de Guardiola. À excepção, mesmo excepcional, dos últimos três minutos da primeira parte, o futebol de Guardiola nunca se viu no jogo, mercê da opção estratégica de todo incompreensível do treinador. Que abdicou completamente da identidade do seu futebol de sempre, e que lhe sustentou todo os sucessos da sua carreira. Que são muitos, como se sabe.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Vacina de confiança*

Rússia afirma ter registrado a primeira vacina do mundo contra o ...


 


Putin anunciou a vacina por que todo o planeta anseia, com o nome de Sputnik V, mas o mundo desconfiou.


Talvez comece por aqui, justamente pelo nome, a desconfiança do mundo na vacina russa. Há três boas razões para desconfiar. A primeira é que há apenas uma semana ainda não constava entre as seis que a Organização Mundial de Saúde garantia estarem mais avançadas. A segunda é a falta de acompanhamento de pares estrangeiros em relação à metodologia científica utilizada. E a terceira é o registo da vacina sem estar concluída a fase de testes. Putin anunciou que foi testada na filha, e que tudo está a correr bem. Não é bem a mesma coisa... 


Mas basta o Sputnik para desconfiar. Sputnik é a marca do programa espacial do início da segunda metade do século passado, com que os soviéticos chegaram primeiro ao espaço, ganhando essa batalha aos americanos. É a marca do poderio científico russo que Putin agora recupera para marcar superioridade face ao ocidente.


Putin é capaz de tudo. Para tudo e especialmente para marcar essa superioridade.


Confiar numa vacina não é uma questão de crença. É uma questão científica. E ninguém acredita que Putin queira arriscar o prestígio mundial da Rússia numa vacina feita exclusivamente de propaganda. Da mesma forma todos sabemos que, seja a que nível for, nunca se pode subestimar a Rússia. A História encarregou-se de nos ensinar que sempre que alguém o fez se saiu mal.


Mas nem isso faz com que, em vez de aplaudir esta vacina, o mundo continue desconfiado… É que, mais que de uma vacina contra o covid, Putin precisa de uma vacina de confiança. De credibilidade.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


futebolês não se fica apenas pelo português e afins. Também, como não poderia deixar de ser nos tempos que correm, se aventura pelos anglicismos. Não tanto como o seu parente economês – verdadeiramente imbatível – mas não deixa os seus créditos por mãos alheias!


O que são então os mind games?


Para os mais familiarizados com a língua de Shakespeare são isso mesmo: os jogos mentais, as jogadas psicológicas. Para os outros são aquelas tiradas provocatórias, atiradas com a precisão de um míssil, com o objectivo de destabilizar o adversário.


Temos uma Universidade em Portugal – fundada por José Maria Pedroto no Porto – e um catedrático apontado como o maior especialista mundial – José Mourinho, of course – mas não temos muita gente especialmente dotada. Não faz mind games quem quer. Não é para todos!


Alguns bem se esforçam mas, o melhor que conseguem são umas tiradas infelizes. Outros, no entanto, fazem mind games mesmo sem querer: qualquer palavra é um míssil de longo alcance.


É à medida que a competição aquece que os mind games começam a ganhar vida.


Com a primeira competição da época – a supertaça, disputada no passado sábado, ganha (e bem) pelo FCP, e que, também numa espécie de mind game, alguns tentam misturar na contabilidade dos títulos, somando alhos (campeonatos) com bugalhos (supertaças), não fosse o Porto a capital dos mind games – não se viu grande coisa.


Ou melhor, viu-se a confirmação de que não faz game minds quem quer. Apenas quem pode! E viu-se que Jorge Jesus não pode. Se aquela do “é muito difícil alguma equipa ganhar ao actual Benfica” foi o seu mind game, foi muito fraquinho. Pior, é daquelas em que o tiro sai facilmente pela culatra.


“Um treinador pode saber muito de futebol, mas se souber só de futebol pouco sabe de futebol” – este é um princípio enunciado pelo Prof. Manuel Sérgio, o nosso académico e filósofo do futebol. Este é o grande drama de Jesus: esquecer-se que o futebol não se limita à recepção, ao passe, à desmarcação, à ocupação de espaços… Há ainda muito mais, há alma, há determinação, há espírito de conquista. Há a atitude … Como se viu naquele jogo da supertaça!


Quem tem em mãos a mais cara equipa do futebol nacional, quem, mesmo assim, continua a pedir mais e mais jogadores, e quem tem que assumir responsabilidades adequadas ao esforço que a SAD está a desenvolver para devolver ao Benfica o prestígio do passado, não pode estabelecer prioridades que subvertam esse objectivo. Não pode dizer que a supertaça não é prioridade, que a prioridade é o campeonato. Não! Para o Benfica e para os benfiquistas ganhar ao FCP é sempre prioritário. Tal e qual como do outro lado: para o FCP é sempre prioritário ganhar ao Benfica, e essa é uma prioridade que toda a gente percebe!


Ganhar esta supertaça era absolutamente prioritário para o Benfica. Jorge Jesus tinha de perceber isto, tinha de mostrar que o percebera e de mostrar inequívoca competência para o fazer. Não tanto pelo título em si, mas por ser uma prova onde o domínio do adversário é avassalador e, fundamentalmente, para deixar clara uma marca de superioridade, numa altura em que o adversário passava por grandes necessidades de afirmação: treinador novo, pré-época instável, desequilíbrios defensivos, uma certa orfandade de liderança em campo …


Jorge Jesus falhou e assim perdeu o Benfica a oportunidade de romper com o status quo. E tudo ficou como dantes: um Porto à Porto, um Benfica … à Benfica das últimas décadas (subalterno, tolhido, sem chama nem alma, que corre menos, que luta menos, que acredita menos, que provoca menos e que é menos esperto que o Porto) e até um árbitro à árbitro (com dois penáltis por assinalar a favor do Benfica e, depois, uma compensação deplorável no aspecto disciplinar).


O campeonato começa já este fim-de-semana. A Jesus coloca-se, agora sim, um grande desafio: o difícil não é chegar ao topo, é manter-se lá! Soube lidar com as circunstâncias que lhe moldavam o lado pessoal: revisão do contrato numa mistura de rentabilização de méritos próprios com outros mind games. Falta ver se saberá lidar com as que lhe moldam a aptidão para o sucesso.


É simples: este é um campeonato decisivo, aquele que poderá inverter um ciclo. O bicampeonato é fundamental para o Benfica – transformará o título da época passada no início de um novo ciclo. Sem confirmação nesta época o último título não passará de um mero acidente no percurso da hegemonia portista. É precisamente por isso que, ao invés, é fundamental para o Porto não perder este campeonato para o Benfica. O FCP sabe bem que é muito diferente perder dois ou três títulos para o Sporting e para o Boavista ou perdê-los para o Benfica.


É tudo isto que o treinador do Benfica tem que perceber rapidamente. E deixar os benfiquistas perceberem que ele já percebeu. Com ou sem mind games! E, de preferência, sem hipotecar o sucesso a invenções e teimosias estéreis. Como a do Roberto que, como toda a gente percebe, está a condicionar toda a equipa.

A champions em Lisboa I

Champions League: Paris St-Germain late goals shatter Atalanta ...


 


Arrancou a "final 8" da Champions, em Lisboa. O primeiro destes oito jogos, hoje na Catedral da Luz, opunha o Golias PSG ao David Atalanta, de Bergamo, a cidade mártir do Covid, e a grande sensação na Europa desta época estranha que, ficará na História do futebol mundial.


A equipa italiana entrou no jogo a justificar plenamente essa condição sensacional. E durante 55 minutos foi melhor que o adversário. A partir daí, quando os treinadores começaram a ir ao banco, é que as coisas mudaram.


Até aí, como que a justificar o facto do PSG pagar mensalmente a Neymar tanto como o Atalanta paga à equipa toda, o que se viu foi uma equipa, a italiana, a jogar contra um só jogador. Neymar jogou sozinho, e sozinho não pode ganhar a ninguém.


O Atalanta chegou ao golo, por Pasalic,  a pouco mais de meio da primeirs parte, e só não foi mais além porque Keylor Navas estava na baliza para ajudar Neymar. Quando aos 55 minutos começou a dança do banco aconteceu que Tuchel tinha por onde dar companhia a Neymar, e Gasperini tinha de fazer exactamente o contrário - retirar os seus "Neymarzinhos", um a um, esgotados.


Com a entrada de Mbapé - a recuperar de prolongada lesão - o PSG deu a companhia que faltava a Neymar. E com a entrada de Wessler desobrigou Neymar de fazer tudo. Depois foi esperar que o tempo fizesse o seu trabalho, dizimando a equipa italiana e projectando a francesa para o apuramento para as meias-finais. Mesmo que o tempo tenha levado muito tempo para, em pouco tempo, ser implacável com esta formidável equipa italiana.


Aos 90 minutos o PSG empatou, por Marquinhos. E dois minutos depois consumou a reviravolta, com o golo do camaronês Choupo-Moting, entrado poucos minutos antes. Em ambos, e na reviravolta, Neymar e Mbapé. Pois claro!


 

A vacina

Rússia diz que vacina chega às farmácias a 1 de janeiro de 2021 - JN


 


No dia do arranque da inédita  "final 8" da Champions, no Estádio da Luz, em Lisboa, num sempre apetecível "David" (o estreante Atalanta, de Bérgamo) contra "Golias" (PSG, onde só o salário de Neymar sobra para pagar todos os vencimentos da equipa italiana), e no dia em que finalmente se ficou a saber quem acompanha Byden na corrida presidencial (Kamala Harris, a senadora californiana, poderá vir a ser a primeira vice-presidente mulher afro-descendente) - enquanto Trump mergulhava de cabeça em mais uma das suas alarvidades (desta vez foi a gripe espanhola, em 1917, que acabou com a segunda guerra mundial, em 1945) - a notícia é outra.


A notícia é a vacina russa para a covid, que Putin anunciou ao mundo com o nome de Sputnik V. 


Talvez comece aqui, justamente no nome, a onda de desconfiança do mundo na vacina russa. Na verdade há três boas razões para desconfiar. A primeira é que não constava entre as seis que a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse na semana passada estarem mais avançadas. A segunda é a falta de acompanhamento de pares estrangeiros em relação à metodologia científica utilizada. E a terceira é o registo da vacina sem estar concluída a fase de testes. Putin anunciou que foi testada na filha, e que tudo está a correr bem. Não é bem a mesma coisa... 


Mas basta o Sputnik para desconfiar. Sputnik não é apenas a marca do programa espacial dos gloriosos anos do início da segunda metade do século passado, quando os soviéticos, ao chegaram primeiro ao espaço, ganharam essa batalha aos americanos. É a declaração do poderio científico russo face ao ocidente, e todos sabemos o que isso vale para Putin.


Por isso, Putin é capaz de tudo. E por isso, em vez de aplaudir a vacina por que anseia, o mundo desconfia.


 


 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Não há almoços grátis

Olavo Bilac afasta-se de André Ventura e do Chega: Percebo que ...


 


Hoje dei com uma notícia que, noutros tempos e por esta altura, seria uma daquelas típicas da silly season. Nos tempos que correm, não é. E tem mesmo que levar a sério!


O título  é sugestivo: "Olavo Bilac demarca-se e André Ventura acusa-o de falta de coragem".


Percebeu-se então que o vocalista dos "Santos e Pecadores"tinha actuado num jantar do "Chega", e que para a posterioridade tinha ficado um selfie com o líder daquele partido. As redes sociais não devem ter sido meigas para o cantor - imagino - e ele apressou-se desculpar-se e a justificar-se de toda a maneira e feitio. A jurar que em nada se identificava com princípios, meios e fins desse partido, que tinha sido ingénuo ao deixar-se fotografar com André Ventura, e que estava profundamente arrependido.


Explica-se assim a primeira parte do título: "Olavo Bilac demarca-se".... A segunda ... "e André Ventura acusa-o de falta de coragem" é apenas mais um assinalável reforço no papel de vítima do "politicamente correcto" e dos "tentáculos do sistema instalado" que alimenta a personagem que Ventura encarna.


Não há almoços grátis - já dizia o outro. Os outros...


 


 


 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Mais ... do mesmo

Capa Público


Depois dos prédios, quintas e casas vendidos a não se sabe quem por metade do preço, a investigação do "Público" conclui que em 2019 o Novo Banco vendeu também uma seguradora por menos de metade do seu valor. Bem menos: por 30% do valor registado em Balanço. Vendeu por 123 milhões de euros uma seguradora capitalizada e cumpridora dos rácios de solidez, registada por 391 milhões. E foi pedir os restantes 268 milhões ao Fundo de Resolução.


Segundo o jornal desta vez sabe-se quem foi o comprador: Greg Lindberg, um magnata americano condenado por corrupção. Quer dizer, tudo boa gente...


O resto já sabemos. É tudo legal, tudo aprovado por toda a gente - pelo próprio Fundo de Resolução e pela ASF, o supervisor da actividade seguradora - e conforme com as melhores práticas do mercado. E dentro de dias páginas dos jornais e ecrãs de televisão ficarão cheios de gente a justificar tudo e a reclamar pela honra de António Ramalho.


 

Campeão do mundo

António Félix da Costa é campeão do Mundo de Fórmula E - JN


 


Tivemos campeões do mundo nalgumas modalidades desportivas. Poucas. E poucos! No automobilismo, em qualquer especialidade, nunca. Nem perto disso.


Chegou ontem o dia: António Félix da Costa tornou-se, a duas corridas do fim, campeão mundial de fórmula E, uma espécie de fórmula 1 dos carros eléctricos, onde compete desde 2014, ano de lançamento da competição.


Nesta temporada 2019/20 transferiu-se para a francesa DS Techeetah, a equipa campeã do mundo, onde foi encontrar o bicampeão mundial Jean-Eric Vergne. Esperavam-se dificuldades e muita faísca competitiva entre os dois. Certamente existiram, ao contrário do que possa sugerir a confortável vantagem que o piloto português conquistou sobre o companheiro de equipa,  que lhe garantiria o título na antepenúltima corrida da temporada.


 

sábado, 8 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Quando meio país está a banhos e a outra metade a arder, os agentes de topo da nossa Justiça resolveram brindar-nos com um sem número de preciosidades. Provavelmente dispostos a mostrarem-nos que aquela história das férias judiciais não passa de um treta, e que mesmo quando todo o país está em férias eles aí estão, sempre no activo. Mais activos do que nunca!


Pena é que gente tão dinâmica, pró activa e qualificada tenha canalizado toda a sua energia para uma guerra civil que o país bem dispensava. Se tivessem colocado toda essa vasta gama de recursos consistentemente ao serviço dos superiores valores da Justiça, e em particular dos da investigação, não teríamos tantos e tantos casos que nos envergonham. Aos nosso olhos e aos do mundo… Sim, porque Maddie e Freeport, entre outros, levaram a nossa vergonha para além fronteiras. Envergonham-nos por essa Europa e por esse mundo fora!


O Procurador Geral da República (PGR) é o superior hierárquico dos procuradores do Ministério Público. Está no topo de uma hierarquia que ele próprio designa de “simulacro de hierarquia”, naquela sua célebre alusão à Rainha de Inglaterra.


Porquê? Porque a hierarquia está nessa aberração sindical. Quem manda no Ministério Público é o respectivo Sindicato. Que desrespeita, desautoriza, desafia e mina o PGR.


O principal responsável pelo que se passa no Ministério Público é o PGR. Uma responsabilidade formal mas que não se efectiva a partir de uma autoridade exercida.  


Porquê? Por falta de poderes, conforme reclamava o PGR?


Não sei nem faço a mínima ideia se ao PGR faltam poderes. Mas parece-me que lhe falta coragem para utilizar os que tem. Para que quer mais poderes se não tem coragem para usar os que tem?


Esta guerra entre o Ministério Público (MP) e o PGR não é a dimensão pública de divergências ocasionais. Não é uma discussão pontual. É uma guerra civil entre um MP entrincheirado num inaceitável sindicato (para quando um sindicato dos deputados? E dos ministros?) e um PGR refém da falta de coragem política há muito instalada no país, que se verga a todos os corporativismos que lhe surjam pela frente.


Esta é uma guerra que, como os incêndios que foi deixando para segundo plano, vai destruindo o país consumindo-lhe as últimas réstias de esperança. Esta é uma guerra que permite notícias como esta do Expresso desta semana: Cândida Almeida negociou com os procuradores que queriam ouvir o primeiro-ministro – eles não levariam por diante essa ideia e, em troca, poderiam juntar as tais listas de perguntas por fazer ao despacho de arquivamento.


E nisto não se sabe para que serve o ministro da Justiça. Melhor, sabe-se que não serve para nada! É que, com tudo isto, o processo Freeport retirou ao governo toda e qualquer capacidade de intervenção na Justiça. Que continua a alimentar o lume brando em que o vai continuando a fritar. Irremediavelmente!

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Teias*

Como limpar facilmente as teias de aranha - 9 passos


 


A complexidade do sistema financeiro, nome atribuído ao manto com que se cobre, e onde se enrola muito enroladinho para que tudo continue a passar entre os pingos da chuva, tem destas coisas.


Com a resolução que há seis anos, feitos esta semana, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, cozinhou com a União Europeia, poderia pensar-se que o BES ficaria morto e enterrado sob o nome de banco mau. E que teria nascido um banco bom, para fazer vida como Novo Banco, até que alguém o aperfilhasse e lhe desse um nome porventura mais apelativo.


Hoje sabemos que o banco bom era tão mau como o mau, e que ninguém o quis aperfilhar. Acabou por ter que ser dado a uma família de acolhimento que, para ficar com ele, exigiu uma pesada pensão de alimentos, que nos custa os olhos da cara.  


E sabemos que o banco mau, em vez de jazer tranquilo, continuou a sua vidinha, a escavar o buraco em que o deixaram. De tal forma que o buraco já triplicou. E hoje o BES não tem capacidade para responder por mais que 2,8% do buraco em que está metido. Parece que já há que lá meter uns 6,5 mil milhões de euros.


Não se sabe muito bem por quê. Sabe-se que paga salários, e que o salário médio é superior a 4 mil euros mensais, provavelmente porque, num banco a jazer estendido, há grandes decisões a tomar e pesadas responsabilidades a remunerar.


A dívida do seu fundo de pensões cresceu ao mesmo ritmo, e também já triplicou desde 2014. Essa já é mais fácil de perceber, basta lembrar que, só a Ricardo Salgado, continua a pagar uma pensão de 90 mil euros por mês.


Não se indignem. Tem mesmo que ser assim. É preciso pagar-lhe todos os meses 90 mil euros para que ele possa pagar, também todos os meses, os 39 mil que dessa pensão lhe foram arrestados em 2017.


Deixa um terço do que tira. Mas, de outra forma, Ricardo Salgado não pagaria nada. Nem teria por onde…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Hiroshima

Hiroshima lembra bomba atómica | Mundo | Jornal de Angola - Online


 


Há 75 anos - pelas 8h15 da manhã de 6 de agosto de 1945 - o Enola Gay, pilotado pelo americano Paul Tibbets, lançou sobre Hiroshima a primeira bomba atómica da História.


Seguir-se-ia, três dias depois, Nagasaki. E o mundo mudou, para sempre. O Japão imperial foi obrigado a aceitar uma rendição que não cabia no seu quadro mental, e a Guerra acabaria logo a seguir. Na realidade já tinha acabado, e na realidade o mundo poderia ter- se poupado a tamanha tragédia.


A maior mudança não foi imediata. Nem o fim de uma guerra que já tinha acabado. Foi a nova consciência que Hiroshima e Nagasaki trouxeram ao mundo. A consciência que a Humanidade adquiriu que aquela era a maior ameaça que já conhecera. 


Uma consciência que fez com que, por mais que sempre em perigosos equilíbrios de terror, tivessem passado três quartos de século sem que bombas atómicas voltassem a ser lançadas para destruir o futuro da Humanidade.


 


 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Tal como há a época balnear, agora no auge, a época de saldos - que já não safa ninguém da crise –, a época tauromáquica - mesmo na Catalunha onde a época é, mais do que nunca, de contestação a tudo o que possa cheirar a hispânico -, ou a época da caça, que apesar de também já contestada lá vai sobrevivendo, também há a época do futebol.


O que nenhuma das outras tem é a pré-época. Têm defeso, mas não pré-época!


A época do futebol, a mais longa de todas, vai de Agosto e Maio. A pré-época é assim como que um período antes da ordem do dia, que se espalha pelo mês de Julho, mesmo nos anos em que há fases finais de europeus ou mundiais. Ano sim, ano não!


 A pré-época consegue ainda ser mais animada que a própria época. Só encontro paralelo na maternidade: quando ser pré-mamã é muito mais animado que ser mamã. Calma, falo apenas de animação!


São as contratações dos grandes craques todos os dias nas primeiras páginas dos jornais que, evidentemente, precisam de vender e sabem muito bem como é que isso se faz. São as vendas das nossas jóias da coroa, bem seguras pelas famosas cláusulas de rescisão que entraram na moda em tempo de vacas gordas mas que não servem para nada quando as vacas são magras.


Alguns ainda tentam uns artifícios para aproximar o preço de venda ao da cláusula de rescisão, mas nem assim.


O Sporting, que nunca deixara sair Veloso e João Moutinho, agarrado a cláusulas de rescisão de gente grande, acabou por deixá-los passar do prazo de validade. Um apodreceu mesmo, ao que se disse! O Porto está agora a repetir em dose dupla a experiência de Quaresma de há dois anos. O Benfica lá deixou ir o Di Maria por valores bem abaixo da dita, a lembrar também a saída da última jóia – o Simão! O Ramires não tinha cláusula de rescisão, aí nem foi necessário invocá-la. Como metade do passe já tinha sido vendido a uns tipos cujo negócio é números, tinha que se lhes fazer a vontade. Sob pena de, na próxima curva de aflição, não haver ninguém disposto a antecipar uns cobres


pré-época do Benfica fica, no entanto, indiscutivelmente marcada pela polémica em torno do novo guarda-redes – Roberto – que o futebolês já aqui abordou. Não se fala mais nisso, pronto. Até porque uns tipos lá na Sport TV, a pensar que ninguém os ouvia, também resolveram brincar com isso e o Benfica não gostou. E a Benfica TV ainda menos!


Mas também fica marcada pela necessidade de alterar a matriz táctica e a estratégia de jogo. Porque o Di Maria lá foi, a tempo e horas, para o Real Madrid de Mourinho e o Ramires já está, a esta hora, em Londres. No Chelsea de Abramovich. Foram-se os jogadores das alas. Claro que ainda por cá está o Fábio Coentrão, que corre o risco de, depois da revelação da época passada a lateral esquerdo, se transformar na revelação desta época na ala esquerda. E fica ainda marcada pelo ponto final na discussão de Cardoso: sem ele não há golos. Com ele parece que marcar golos é mesmo a coisa mais fácil do futebol. Sem ele é a mais difícil!


pré-época do FCP fica marcada pela contratação da maçã podre e pela pose dos seus números 2 e 3 junto da caixa registadora. Pose abandonada agora pelo capitão Bruno Alves, rumo á longínqua Rússia. Para o Raul Meireles é que não há fumo branco!  


Também por mais um roubo ao Benfica – o miúdo colombiano, James Rodriguez. Mas há ainda quem ache que fica marcada pela contratação de mais um novo craque, um brasileiro de 20 anos, Walter de seu nome. Que permaneceu umas largas semanas no Porto sem assinar nem dar sinais de vida. Eu não acho: é que, como o moço é analfabeto – veio do Brasil sem saber ler nem escrever – apenas esteve a aproveitar as novas oportunidades e a aprender a escrever o nome, para então poder assinar o contrato.


Mas a marcar mesmo a pré-época portista ficará seguramente a saída do Vítor Baía! Veremos!


pré-época Sporting fica antes de mais marcada pelo sucesso das vendas de Moutinho e Veloso, dois objectivos perseguidos há alguns anos. Um sucesso que começou a ser preparado logo no arranque da pré-época quando a nova equipa técnica, sob a batuta firme do director desportivo, atacou o problema que bloqueava toda a máquina do futebol leonino: a questão do capitão de equipa!


Mas seria injusto se não referenciasse como a principal marca da pré-época do Sporting a preparação não de um, não de dois, mas de três sistemas de jogo alternativos. É isso mesmo. O Paulo Sérgio conseguiu implementar três sistemas tácticos na equipa. O adversário nunca saberá o que vai encontrar. Os treinadores adversários não farão outra coisa que não seja correr atrás da táctica do Sporting, sempre em mudança. Quando, no primeiro Benfica-Sporting, virem o Jorge Jesus andar a correr ao longo da linha lateral já sabem: anda a correr atrás da táctica do Paulo Sérgio!


O problema é que em Alvalade parece que não dão assim tanto valor à paleta de tácticas. Ainda vamos na pré-época e não há quem os convença a parar com os assobios. Quando chegar ao Natal...


Mas eu não acompanhei apenas a pré-época em Portugal. Também dei um saltinho a França! E gostei mesmo da pré-época do Paris Saint Germain, o PSG do nosso Pauleta! Confesso que gostei do que fizeram…


E, já agora, repare-se nos mercados dos três grandes: o Benfica vendeu para o Real Madrid e para o Chelsea. O Sporting, para o Porto e para o Génova. E o FCP para o Zénit, da antiga cidade de Lenine. É sintomático! Apenas o glorioso tem acesso ao primeiro mercado!


E pronto, a pré-época chegou ao fim – aí está, com a supertaça, a nova época 2010/2011. Já amanhã. Eu gostaria que começasse bem. Pelo menos sem pedras! E sem isqueiros! E sem vidros partidos...


 

Beirute está a arder

Líbano: explosão deixa ao menos 73 mortos e 3,7 mil feridos, diz ...


Beirute voltou a arder. Duas explosões praticamente seguidas e de rara violência - diz-se que provocou ondas sísmicas equivalentes às de um abalo de 3,3 graus na escala de Richter e que foram ouvidas na ilha de Chipre - fizeram regressar o sangue, a morte e o caos a Beirute.


Pensou-se que era o regresso da guerra ao Líbano, um dos mais martirizados do Médio Oriente. Dizem-nos que não. Que se tratou da explosão de cerca de 2.750 toneladas de de nitrato de amónio, há seis anos guardados num depósito junto ao porto, depois de aí terem sido apreendidos, provocada por uma intervenção de soldadura para tapar um buraco que permitiria roubos. Trump no entanto diz que não: "Eu falei com os nossos generais e parece que não foi um acidente industrial. Parece, segundo eles, que foi um ataque, uma bomba".


 


 

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Princípios e fins

Juan Carlos I foge de Espanha e já está exilado em Cascais - NiT


 


Aconteceu no fim-de-semana, apenas ao fim do dia de ontem foi conhecido, e é hoje notícia do dia. Juan Carlos, o ainda rei emérito de Espanha, partiu para o exílio. Saiu do país pela porta pequena. Não, não tem a ver por onde saiu - pelos vistos pela Galiza, com passagem pelo Porto - mas pela forma como saiu. Com o rabinho entre as pernas...


A imprensa hoje entretém-se a adivinhar o seu destino. Não se percebe onde esteja o interesse, mas é assim. Há gente para quem é mais importante saber o destino que a origem. E não é por qualquer razão filosófica que possa defender que o que importa é onde se chega, não de onde se parte. Também não tem a ver com os fins a justificar os meios, porque aqui só há princípios e fins.  


Na circunstância concreta do monarca, bons princípios a que faltaram princípios para bons fins. A princípio correu bem. Subiu ao trono na agonia do franquismo, assegurou a transição para a democracia e assegurou a impossível unidade nacional espanhola. Depois é que veio o diabo. Vestido de mulher, como tanta vez. E começou a faltar-lhe em princípios o que passou a sobrar-lhe em caça grossa...


Não importa para onde seguiu. Até porque reinará para onde quer que vá. E, como já há cinco séculos dizia John Milton, reinavam por cá os Felipes, é melhor reinar no inferno do que servir no céu!


 


 


 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Neste início de Agosto, o mês em que o país pára – se bem que parado pareça estar há muito –, em que nada se passa, algo se mexe e nos prende a atenção. Dois acontecimentos que parece nada terem em comum. Mas se calhar até têm!


A presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, após cinco anos de agressões físicas e psicológicas sob a forma da mais cobarde violência – a violência doméstica, que se vale do silêncio das paredes da intimidade, da indiferença da sociedade e da vergonha social – teve a coragem de dizer basta e apresentar queixa na Polícia Judiciária.


Uma lição de coragem, a mesma coragem que me lembro de ver anunciada, ao lado da sua fotografia, num cartaz da sua candidatura à Junta de Freguesia de Rio Maior, nas penúltimas autárquicas: coragem de romper com o ciclo de medo e de vergonha, coragem de dar nome às nódoas negras que lhe marcavam o corpo, coragem de enfrentar o mais manipulador, perigoso e cobarde de todos os agressores, coragem de não se deixar escravizar pela função que ocupa e coragem de enfrentar uma sociedade que pensa que a violência doméstica é flagelo exclusivo das suas margens.


Que grande lição quando, com toda a dignidade, se enfrenta o mais indigno dos crimes!


O Procurador Geral da República (PGR), não se sabe bem com que objectivo mas claramente no quadro das circunstâncias do arquivamento do chamado processo Freeport, veio reclamar da falta de poderes: era como a Rainha de Inglaterra, disse!


Não foram palavras de coragem. Eventualmente não foram um exemplo de dignidade.


Porque não é verdade que o PGR não tenha poderes: teve poderes suficientes para tomar as decisões que tomou, por exemplo, no processo Face Oculta, quando se opôs às decisões do Procurador de Aveiro, tornando a coisa porventura ainda mais oculta. E porque, quando aceitou o cargo – se bem me lembro vai para quatro anos – conhecia as competências que o integravam. Não compete a quem aceita um cargo público discutir as suas competências, compete-lhe conhecê-las e aceitá-lo ou recusá-lo.


O PGR não dignificou o cargo, um dos mais altos e prestigiados do Estado, nem contribuiu para outra coisa que não seja o aprofundamento do contínuo descrédito da Justiça. Tal como, conforme descreveu na altura o Jornal de Notícias, o Tribunal de Peniche: quando lhe foi apresentado o agressor da Presidente da Câmara de Rio Maior, detido por posse ilegal de duas armas de fogo e duas brancas, encontradas pelos inspectores no quarto onde o casal dormia na residência da autarca, o Tribunal, apesar de todos os indícios e até de ameaças de morte, mandou-o em liberdade apenas com termo de identidade e residência.

Contas a pagar

 


 


Rui Rio e André Ventura reuniram-se e falaram sobre o Orçamento do ...


 


Rui Rio perdeu o pé, e entrou no desespero em que tudo lhe serve desde que dê pata agarrar. Bastou António Costa lançar uns piropos à esquerda para Rio se virar para André Ventura, à procura aconchego. A aconchegar-se.


Rui Rio não percebeu que não estava a agarrar-se ao Chega. Estava a dar -lhe a mão. Não percebeu que André Ventura, e o Chega, podem até estar a crescer muito mas, por muito que cresçam, sozinhos nunca chegam onde pretendem chegar. Que, ao dar-lhe  a mão, não se está a agarrar, está a puxá-lo para cima.


André Ventura, mais esperto, sabe que dali não tinha nada a perder. Agarrou a oportunidade que Rio lhe ofereceu de bandeja e, em vez de sair de lá, como desastrada e ingenuamente Rio lhe propusera, chamou-o para lá. E sob ameaça: se não vier, destrói-o.


Em política, como no resto, os erros pagam-se. Rui Rio começa a correr riscos de insolvência...


 

sábado, 1 de agosto de 2020

Uma oferta em dobradinha


 


Depois de ter oferecido o campeonato, como se não fosse pouco, o Benfica resolveu oferecer também a Taça ao Porto. Uma oferta em dobradinha!


Isto não quer dizer que o Porto não tenha feito o que lhe competia, que se tenha limitado a receber as ofertas. Não. Quer no campeonato, quer hoje em Coimbra no jogo da final da Taça, pela primeira vez sem público, o Porto fez, com as armas que tem, o que lhe cabia fazer: ganhar e fazer com que o Benfica tivesse merecido perder.


O início do jogo começou por confirmar isso mesmo. Com o Porto a tomar a iniciativa e o Benfica simplesmente em reacção. Já o jogo ia nos 20 minutos quando o Benfica conseguiu chegar ao jogo, mas mesmo assim sem grande convicção. Mas deve dizer-se também que, depois do quarto de hora inicial, nunca mais o Porto esteve por cima do jogo, que se tornou até aborrecido e pouco digno de uma final.


Aos 37 minutos o árbitro Soares Dias - não há mais árbitros em Portugal para arbitrar estes clássicos - errou ao mostrar o cartão amarelo ao Luiz Diaz, como já errara quando lhe mostrara o primeiro, bem cedo no jogo. Como errara ao mostrá-lo, logo a seguir, a pedido do Sérgio Conceição, ao Rúben Dias. No segundo amarelo ao jogador do Porto, o erro é que o cartão a mostrar era claramente o vermelho.


Vermelho que, também na sequência de duplo amarelo, mostraria a Sérgio Conceição, afastando-o do banco. A custo, porque foram precisos largos minutos para que o treinador do Porto saísse do campo. 


No tempo que decorreu até ao intervalo não houve jogo. Foi tempo para tudo - incluindo para, pelo menos Octávio, dever também ter seguido o caminho do balneário - menos para jogar à bola.  


Há duas circunstâncias de um jogo de futebol em que a superioridade numérica se torna irrelevante: quando a equipa com menos jogadores opta por apenas defender, concentrando todos os jogadores na sua área; e nas bolas paradas, onde a respectiva estratégia não é influencidada por haver mais ou menos um jogador em campo.


O Porto conseguiu - e o Benfica permitiu - reduzir o jogo a estas duas circunstâncias. E assim ganhou o jogo e conquistou também a Taça.


Logo no arranque da segunda parte Vlochodimos deu um mote, oferecendo o primeiro golo de uma forma inacreditável. Num livre, com sete colegas de equipa à sua volta, conseguiu a proeza de colocar a bola na cabeça de Mbemba, sozinho no poste contrário, e praticamente sem ângulo. 


E claro, o Porto juntou os seus 10 jogadores à frente da sua baliza. Com os jogadores do Benfica sem chama, nem engenho, nem futebol para contrariar isso. E sem construir uma única oportunidade para marcar.


Uma dúzia de minutos depois da oferta de Vlachodimos, novo pontapé livre - as faltas inventadas pelos batidos jogadores do Porto foram uma constante, sempre com a complacência de Soares Dias, que teve até o desplante de mostrar um amarelo a Vnícius (que entrara entretanto) depois de Pepe, dentro da área, se ter feito passar de agressor a vítima - e, novamente Mbemba, que pareceu em fora de jogo, mas que as famosas linhas deram posição legal por 3 centímetros, fez o segundo golo.


Foram as únicas duas vezes em que, em toda a segunda parte, o Porto chegou à baliza do Benfica. Que continuava sem saber como furar aquela barreira defensiva. Veríssimo metia avançados em cima de avançados, incluindo essa preciosidade que se chama Dyego Souza, mas sem conseguir melhor que a primeira oportunidade de golo já À entrada do último quarto de hora. Vinícius rematou de cabeça contra o solo, mas a bola subiu antes de entrar na baliza.


E daí até ao fim, para além do golo, dez minutos depois, num penalti convertido por melhor marcador do campeonato, apenas mais uma jogada que poderia ter acabado em golo, e um remate de Jota ao poste. Que poderia ter dado o empate, mas não deu.


Nos escassos (para as substituições e as paragens sucessivas que os jogadores portistas impuseram ao jogo) 5 minutos de compensação voltou a não haver jogo. Como naturalmente interessava ao Porto!


E assim, com mais um decepcionante exibição desta destroçada equipa, os jogadores do Benfica fecharam uma época que já só queriam que acabasse. A estrutura, essa que estava dez anos à frente da concorrência, sem olhar para trás, vai agora continuar a ensaiar saltos para a frente.


Com o abismo ali tão perto!


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...