sábado, 31 de outubro de 2015

Arrependimentos, dúvidas, enganos... E coerência!

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Afinal Cavaco arrependeu-se das linhas todas que dissera. Das que dissera na semana passada e até das que vem dizendo há dois ou três anos.


Já não há palavras para falar do senhor Presidente da República. A não ser: adeus!


E vá pela sombra, que o sol está quente...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Há que puxar pelas coisas que correm bem


 


 Às vezes está tudo a correr bem, mas lá vem uma vez em que as coisas correm mal. As coisas não estão bem, longe disso. Mas nem sempre correm mal. Foi hoje o caso: as coisas não estão bem, mas hoje correram bem. Nem tudo, é certo. Mas o essencial!


Veja-se: Talisca lá esteve os 90 minutos - as coisas não estão bem. Mas não correu mal: não jogou mas não fez falta. Carcela jogou mais um bocadinho, e bem, como tem sido norma: correu bem. Mas não está bem: para além de jogar bem fez um excelente golo, que quase não festejou. Um jogador que joga poucas vezes, que joga bem e que marca um golo daqueles tem de festejar. Nem que seja de raiva!


As coisas não estão bem, mas continuam a aparecer uns rapazes novos que nos deixam água na boca. Hoje foi o Clésio, que é avançado e jogou num dos mais halloweenizados lugares da equipa: isso... defesa lateral. E logo a titular. E mostrou, até durar, que é jogador, que tem ambição e personalidade. Durou 65 minutos e ninguém podia exigir-lhe que durasse mais... E foi o Renato Sanches, que no Porto teria entrado de início, para que se estabelecesse um recorde. Mas ainda está a tempo de se tornar no mais jovem titular do Benfica... Encheu-nos os olhos e os corações, mesmo que - dizem - não seja assim que se ganham campeonatos. E, claro, o grande golo - são três grandes golos, poder-se-ia até dizer que são quatro grandes golos, porque o segundo, o autogolo, é também ele de uma execução notável - do Gonçalo Guedes é a cereja. 


Claro que já perceberam: é da vitória gorda do Benfica sobre o Tondela, hoje em Aveiro, que se tem estado a falar. Na ressaca do desastre de domingo e na antecâmara da esperada confirmação do sucesso na campanha europeia, sintomaticamente interrompida na desgraçada semana passada.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Banco de Portugal "rouba" vendedor ao governo

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A poucos dias das eleições, o governo renovou o fracassado mandato do governador do Banco de Portugal. Fracasso acentuado na missão falhada de vender o Novo Banco. Fracasso pessoal, agora confirmado pelo próprio, ao endossar a missão a um terceiro, confessando e assumindo a sua incapacidade.


Nas vésperas da tomada de posse de um novo governo, de um governo que - sabe-se - não durará mais que uma semana, duas no máximo, é escolhido para a missão um secretário de Estado do governo em funções. Polémico, metido em trapalhadas até ao pescoço, ele próprio responsável por decisões teimosas de última hora da governação, muitas delas já anunciadas por revertíveis pelo eventual próximo futuro governo.  


Podia perceber-se a ideia de Carlos Costa (ou de um último favor ao governo - tudo se paga): Sérgio Monteiro (ven)deu tudo o que havia para vender. Percebe-se a admiração de alguém que não conseguiu vender a única coisa que tinha para vender. Não se percebe é que nem o tenha deixado sair do governo.


Não, não é um ex-secretário de Estado. Mas é mais uma pouca vergonha!

Ao que isto chegou...


 


 


"Bancos aceitam governo de esquerda desde que não seja hostil à banca privada"?


Bancos aceitam... desde que? Mas o que é isto? Onde é que chegamos?


E se os bancos não aceitarem? Como é que vai ser?


As coisas chegaram a um ponto que já ninguém tem vergonha. Já nem se preocupam em disfarçar... Já não lhes basta serem resgatados com o dinheiro dos contribuintes, já não lhes chega serem os únicos agentes económicos com o direito - eventualmente divino - a serem salvos pelos cidadãos, já não se satisafazem com o estatuto único de negócio onde só ganham, quando dá para o torto perdem os outros, como está por demais provado... Não, não lhes basta tudo isso. Eles têm ainda, por direito certamente divino, o poder de aceitar ou rejeitar governos eleitos democraticamente por todos nós! 


 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Como sabem...

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Alvo de críticas de todo o lado, interna e externamente - especialmente aí, arrasado pela imprensa internacional, que chega até a recuperar a imagem da Península Ibérica das ditaduras de Salazer e Franco -, isolado e renegado até pelos mais fiéis seguidores, Cavaco vem dizer que não se arrepende "de uma única linha do que disse". 


Não deixa ninguém surpreendido. Toda a gente sabe que não se arrepende de coisa nenhuma, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, como é próprio dos homens providenciais que sempre quis fazer crer que era.


Mas quando diz que "Como sabem nunca tive nem tenho qualquer interesse pessoal, desde o primeiro dia do meu mandato, até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional", fica imperdoável.


Não que a narrativa tenha alguma novidade, é velha de mais e é a cara do sujeito. Estamos todos carecas de saber que, sempre escondido atrás do interesse nacional, não dá um único passo sem saber se é bom ou mau para o seu umbigo. Estamos todos fartinhos de saber que o político no activo que mais tempo de vida política leva, que há trinta e tal anos não faz outra coisa que não carreira política, não é político. Mas está acima deles, e abomina-os. Sabemos todos muito bem que ainda está para nascer alguém mais sério, mesmo que do seu lastro tenham saído muitos dos intérpretes dos maiores crimes de colarinho branco que o país conheceu. Todos - repito, todos - impunes!


Apenas porque quer fazer de nós testemunhas forçadas da sua narrativa. Já não se limita a repeti-la até á exaustão, vai mais longe. Já passou a fase da mentira que por tão repetida passa a verdade. Depois de tão repetida, a sua narrativa já não é apenas verdadeira, é indesmentível, sobejamente confirmada, e amplamente testemunhada.  "Como sabem". Como sabemos...


 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Faz de conta que já há governo

 


 



 


Faz de conta que já há governo. Mesmo que seja um governo a fazer de conta. Que faz de conta que é governo e faz de conta que é novo, a mostrar bem que o campo de recrutamento da coligação que ganhou as eleições se esgota nas paredes do próprio governo. Nem sequer nas dos dois partidos!


Os ministros continuam ministros, mesmo os que antes faziam de conta que o eram. E até os secretários de Estado fazem agora de conta que são ministros... Para fazer de secretário de Estado é que parece que está mais difícil. Até porque dessa rapaziada já está tudo empregado. E bem, ao que se diz...


 

Nova imagem, o mesmo Quinta Emenda de sempre...

 


O Quinta Emenda tem nova cara. Mudou de aspecto, pela quarta vez. Nas outras vezes aproveitou sempre um aniversário para ganhar outro ar. Desta não foi preciso fazer fazer anos, bastou a iniciativa da equipa do Sapo.


Limitamo-nos a aceitar a sugestão. E a agradecer: aqui ficam os agradecimentos da gerência, em particular ao Pedro Neves. O Quinta Emenda está agora mais leve, mais funcional e mais adapatado á realidade das novas vias de comunicação exploradas pelas tecnologias mais actuais.


Uma solução win-win: todos ganham, ninguém sai a perder. Esperamos que gostem!

"A vitória já aconteceu"

Por Eduardo Louro



 


 


"A vitória já aconteceu"!


Sem dúvida, Luaty. Nada será o mesmo daqui para a frente... A vitória aconteceu também na tua decisão: os heróis mortos servem de exemplo, pela memória; os heróis vivos são o exemplo. Os heróis vivos, mais que exemplo, são líderes naturais das causas. Que não se perdem. E tu és um herói, por mais anti-herói que sejas!


"A vitória já aconteceu"... Como escreve na carta onde anuncia o fim da greve de fome, dirigida aos companheiros de prisão: " Tive a oportunidade de me aperceber do que nos espera lá fora e queria partilhar convosco o que vi: Vi pessoas da nossa sociedade, que lutaram pelo nosso país e viveram o que estamos a viver, a saírem da sombra e a comprometerem-se em nossa defesa, para que a História não se repita. Vi pessoas de várias partes do mundo, organizações de cariz civil, personalidades, desconhecidos com experiências de luta na primeira pessoa que, sozinhos ou em grupo, se aglomeram no pedido da nossa libertação. Já o sentíamos antes, mas não com esta dimensão”.


Nada vai continuar como dantes!


 


 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O golpe de estado que correu mundo

Por Eduardo Louro


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O "golpe de estado" que ontem (o)correu no país do Twitter, a lembrar a mítica transmissão radiofónica de Orson Wells da "Guerra dos Mundos", é bem capaz de, pelo excesso próprio deste tempo mediático e das redes sociais, ter acabado no efeito contrário, eventualmente diamentralmente oposto, ao pretendido.


É que provavelmente cirunscreve o "golpe de estado" de Cavaco a um simples fait divers e remete-o para o caixote dos likes e dos lol.


Provavelmente fica muito do espectáculo e muito pouco do que lhe deu origem. Da substância. Do que no Daily Telegraph se ecreveu: “pela primeira vez, desde a criação da união monetária europeia, um Estado-membro tomou a iniciativa explícita de proibir os partidos eurocépticos”. Que um italiano qualquer aproveitou para linkar, ironizando que a União Europeia declarara a suspensão da democracia em Portugal, obrigando os portugueses a continuar a votar até que o resultado fosse o pretendido.


É que é de um golpe de estado que se trata - sem aspas -, como escreve Ferreira Fernandes na sua crónica de hoje.


 


 

domingo, 25 de outubro de 2015

Desilusão e orgulho

Por Eduardo Louro



(Foto: Pedro Rocha/ Global Imagens)


 


São precisas poucas palavras para falar deste jogo. Desilusão e orgulho, bastam!


Desilusão pela exibição do Benfica, pela forma como os jogadores - e treinador, pareceu-me - se deixaram afundar pelo infortúnio do primeiro golo, logo aos 9 minutos. E orgulho no benfiquismo, pela extraordinária atitude dos adeptos do meu clube que encheram a Luz no seu12º aniversário.


Não precisaria de dizer mais nada, que teria dito tudo o que vai na alma...


Mas sempre direi que o Benfica até entrou bem no jogo - como se diz em futebolês - transmitindo uma imagem de confiança. Sem medo, e com ambição, mesmo que nem tudo estivesse a sair bem. Foi por pouco tempo, porque a sorte do jogo sorriu ao Sporting, com três golos em outras tantas aproximações à baliza de Júlio César, sempre na sequência de erros dos jogadores do Benfica, mas sempre - é bom dizer-se - erros provocados pela estratégia do Sporting.


O Benfica desapareceu, e se, pelo peso dos golos, isso se poderia compreender na primeira parte, já deixou de ser compreensível na segunda. Mesmo sem ter voltado a marcar - e o mais próximo que esteve disso até foi naquela tentativa de Luisão - a superioridade do Sporting foi mais flagrante ainda na segunda parte.


Num jogo destes, depois das exibições de cada uma das equipas, não me ficaria bem falar do árbitro. Mas que há muito para dizer da arbitragem do sportinguista Carlos Xistra, lá isso há. O problema não é ser sportinguista, nem o seu histórico nos jogos com o Benfica. O problema é que não tem categoria para arbitrar seja lá o que for... Que teve influência no decorrer do jogo, teve. E muita. Tanta que o jogo poderia ter sido outro. Mas não foi. E no jogo que acabou por acontecer o Sporting foi muito, mas muito melhor!


 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Adivinhações

Por Eduardo Louro



 


Ainda em ressaca do mais lamentável discurso alguma vez ouvido a  um chefe de Estado democraticamente eleito, que doravante deve ilustrar tudo o que um Presidente da República não pode ser nem representar, dei comigo a pensar quem é que Passos e Portas conseguirão recrutar para o novo governo.


Sabe-se que para, além de ambos, se manteria a Maria Luís. E que os do CDS, à excepção do Pires de Lima, seriam também para manter, até porque o resto do pessoal já está todo empregado, pelas notícias que se têm visto no Diàrio da República. O da lambreta tratou disso tudo, e deixa perceber que se manterá, no governo e na pasta. A Cristas deverá mudar de pasta, mas permance de pedra e cal no governo preso por arames.


O problema é que para o poder de sedução que Cavaco pede ao novo governo é preciso gente nova e.... sedutora. Estava a imaginar por aí uns figurões disponíveis a fazer uma perninha para a fotografia: aquilo era só um instante, era mesmo só pousar para a fotografia. Depois, logo a seguir, voltariam aos seus gabinetes de advogados... Aos conselhos de administração seria mais difícil, por isso por aí o campo de recrutamento seria sempre mais limitado. Mas a ameaça que Cavaco deixou, de manter o governo mesmo que chumbado na Assembleia da República, baralha-lhes as contas.


Contas podemos nós fazer. Basta esperar pelos nomes: se lá estiverem alguns dos mais sonantes - a sério, não é dos da treta - é certo que o passo seguinte não será manter o governo em gestão!


 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Encurralado

Por Eduardo Louro


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Cavaco podia, eventualmente até devia, tomar a decisão que tomou. Cavaco não podia, e muito menos devia, utilizar a linguagem que usou. Não podia usar a linguagem trauliteira que utilizou, não podia agitar o fantasma dos mercados, e muito menos convocá-los, chamá-los a participar na guerra que desencadeou. E não podia, de todo, apelar à sublevação dos deputados do PS.


É Cavaco a fechar o seu mandato como merece. Não merece mais que isto, encurralado no beco em que se enfiou!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Contas*

Convidada: Clarisse Louro


 


Percebo que para o negócio, nuns casos, jogo ou entretenimento, noutros, do comentário e da análise política dê muito jeito extrapolar e especular à volta do voto expresso por cada um dos portugueses. Nestas como em quaisquer outras eleições.


O espectáculo precisa disso, e o showbiz montado à sua volta mais, ainda. Por isso está praticamente institucionalizada a ideia de uma entidade colectiva chamada eleitorado, dotada de personalidade e vontade própria. Que, parece-me, mais não faz que procurar legitimar um imenso cardápio de especulações ilegítimas.


Tenho por indiscutível que cada voto tem uma motivação própria, e que os resultados eleitorais resultam de uma única conta: a soma de todos esses votos individuais. Ao expressar o seu voto cada eleitor espera com ele contribuir para o sucesso da sua própria motivação.


Dizer-se, por exemplo, que os portugueses quiseram que o governo se mantivesse em funções mas sob controlo, sem rédea solta, parece-me tão ilegítimo quanto disparatado. Os portugueses que se manifestaram pela continuação do governo foram os que votaram na coligação, não foram os outros. Disso não pode haver dúvidas. Como dúvidas não pode haver que esses, os que votaram na coligação, não pretendiam introduzir nenhum tipo de limitação à sua acção governativa. Pelo contrário, com o seu voto não pretendiam outra coisa se não a maioria absoluta!


Quem votou no PS não o fez para que o governo se mantivesse, mas agora sem maioria. Fê-lo para que o PS fosse governo. Como quem votou na CDU ou no Bloco de Esquerda não o fez por vontade em manter a governação do PSD e CDS.


Parece-me claro! Como é claro e fica por evidente que, mais que ilegítimo, é abusivo e intelectualmente desonesto, pretender que a vontade do todo seja exactamente o contrário da vontade de cada uma das partes.


A leitura séria e legítima dos resultados eleitorais – sejam eles quais forem – não se faz de interpretações subjectivas e de especulações oportunistas. Faz-se, em primeira análise, do xadrez de representação que produziram. E, depois, da concertação política que dessa representação resulte.


Tudo o resto, que diariamente vamos vendo, ouvindo e lendo, é democraticamente inaceitável, e deixa bem à vista um regime a apodrecer numa democracia de faz de conta: faz de conta que conta, mas não conta com todos, nem conta para todos. E nem todos contam…


Pelas contas de quem acredita que a democracia é a única forma de legitimar o poder, 40 anos teriam de ser tempo suficiente para amadurecer e apurar o regime democrático. Não foram!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Não faz sentido ter perdido este jogo...

Por Eduardo Louro


Galatasaray-Benfica


 


Depois de ter ganho em Madrid, não fazia muito sentido perder em Istambul, com o Galatasaray. Depois do jogo de Istambul, percebe-se que não faz sentido nenhum tê-lo perdido.


Porque o Benfica começou o jogo a ganhar - em mais uma obra prima de Gatan, que continua a espalhar classe por esses estádios fora - e acabou-o em cima da baliza dos turcos, deixando clara a ideia que aquele era um jogo a ganhar. 


Mas perdeu-o. E perdeu porque, na primeira parte, durante perto de meia hora, permitiu que o adversário, embalado por um público fan(t)á(s)tico, fosse ganhando motivação. Porque permitiu um penalti, tão estúpido quanto bem assinalado, ainda a primeira parte não ia a meio. Que transportou a equipa turca para o patamar da crença a que nunca poderia ter chegado. Porque, lançado o jogo nesse tabuleiro, não foi capaz de o arrefecer para escapar ao erro, que deu no segundo golo que acabaria por fazer o resultado.


De pouco conta que a segunda parte tenha sido diferente. Que o Benfica tenha dominado as estatatísticas porque, em boa verdade, não criou mais nem melhores oportunidades que o adversário, mesmo subordinado. Foi tardia, a substituição do Gonçalo Guedes, em noite de menor rendimento. No  pouco tempo que esteve em campo o Victor Andrade mexeu com o jogo, travado apenas em sucessivas faltas perigosas, deixando a ideia que, entrando mais cedo, as coisas poderiam ter tomado outro caminho.


Há também um penalti por assinalar a favor do Benfica, mas isso faz parte das contingências do jogo que se não podem controlar. As outras sim, as outras contingências do jogo é que poderiam e deveriam ter sido controladas!


  

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Como se nada se passasse...

Por Eduardo Louro


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A transparência, a credibilidade e a seriedade política não são apenas estilhaçadas com falsas promessas, demagogia, trapalhadas e mentiras nas campanhas eleitorais. São-no também - e muitas vez mais - com as caras que se escondem.


Quando a poderosa máquina de propaganda da coligação escondeu Marco António Costa da campanha sabia o que estava a fazer. Quando a primeira cara da vitória na noite eleitoral é exactamente a que a propaganda escondeu durante a campanha, percebe-se a transparência e a credibildiade da campanha que fizeram.


E quando, quer no folclore  das visitas e recepções supostamente negociais, quer do vai-vem a Belém, a cara mais vista pelas câmaras fotográficas e das televisões é justamente a de Marco António Costa, percebe-se seriedade política de Passos Coelho.


Estranhamente, isto não se discute. Discute-se quem trai quem, discute-se o que seria a verdadeira vontade deste e daquele eleitorado (a propósito, imperdível a crónica de hoje do mestre Ferreira Fernandes), discute-se o que foi e o que não foi dito em campanha. Mas a autêntica vigarice que é este tira e põe, esta maneira de apagar o mago das finanças de Gaia da fotografia da campanha, para logo o recuperar  para a foto do poder, passa como se nada se passasse...

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Não dar ponto sem nó...

Por Eduardo Louro


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Quando Cavaco, mais de três semanas depois de se conhecerem os resultados eleitorais, começa finalmente a dar os primeiros passos do protocolo para a indigitação do primeiro-ministro, coisa que depois de tudo protocolado deverá dar governo lá para o Natal, sabe bem lembrar que já dá para contar os dias que lhe restam em Belém.


Só por isso dá vontade de virar a agulha para as eleições presidenciais que aí vêm. Dizem os comentadores encartados que a pulverização de candidaturas presidenciais à esquerda facilita a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa logo à primeira volta. Não há nada que suporte esta tese, que não resiste aos primeiros testes de validação.


Como é facilmente demonstrável, e sem necessidade de recorrer ao velho axioma que a maioria do eleitorado é de esquerda, Marcelo, sendo quem é, e depois de preparar e conduzir a candidatura como fez, não estará neste momento muito longe daquilo que será seu potencial de votos. A sua margem de crescimento é naturalmente já bastante limitada.


Os votos que tem já por garantidos serão, ou não, suficientes para lhe garantir a preferência de mais de 50% dos eleitores que forem votar. E isto é independente do que são e de quem são os adversários. Mais ou menos candidaturas à esquerda, para esse resultado, não aquece nem arrefece. O que aquece ou arrefece, o que é determinante, o que pode ser a variável crítica dessa equação é a abstenção.


Evidentemente que quanto maior for a abstenção maior será a expressão relativa daqueles votos. Mais fácil será transformá-los numa expressão maioritária. A matemática não engana… Ninguém terá grandes dúvidas que a abstenção tende a variar na razão inversa do número de candidaturas. Quanto maior for o campo da oferta, quanto maior for o apelo, menos razões haverá para que as pessoas se abstenham.


Ora aqui que está o que será, mais que a resposta chave, a resposta dupla. Enquanto demonstra que a ideia é falsa, explica por que é que a querem fazer passar por certa!


Outra coisa é dizer que a proliferação de candidaturas à esquerda pode facilitar a vitória de Marcelo, sim, mas na segunda volta. Mas essa, como não serve os mesmos interesses, não faz caminho.


Não custa muito a perceber que se, em especial as candidaturas do Bloco e do PCP, fossem até às urnas, a candidatura promovida pela direita – não é a de Marcelo, é a que já transporta Belém no nome – com o apoio que tem no aparelho do PS, teria boas possibilidades de ser a segunda mais votada numa primeira volta. Circunstância – provavelmente única – que, na eventual segunda volta, asseguraria a eleição de Marcelo.


É o que se chama não dar ponto sem nó...


 

Fidelidades

Por Eduardo Louro


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A estrondosa acusação de Manuela Ferreira Leite -  "o que António Costa estar a fazer é um verdadeiro golpe de estado" - produzida no seu espaço de comentário na TVI, não encaixa com nada do que há três ou quatro anos lá anda a dizer. Mas encaixa no seu próprio voto - ela sim, poderá agora dizer que não teria votado no PS, nem que seja a pensar que fica perdoada - e encaixa na perfeição na sua escala de valores, com a fidelidade bem destacado no topo, muito acima de todos os outros.


Não é o mais nobre dos valores... De tal forma que, para adquirir alguma nobreza, tem de chamar-se lealdade. Que já é outra coisa...


 

domingo, 18 de outubro de 2015

Semáforos

Por Eduardo Louro


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Do Bloco já caiu a luz verde para, ao que parece, um acordo sem limites nem fronteiras coImagem relacionadam António Costa. Por unanimidade e sem reservas. No PCP continua o amarelo intermitente...


 

sábado, 17 de outubro de 2015

Podemos ficar descansados...

Por Eduardo Louro


 



 


Maria Luís Albuqerque já veio dizer que a situação das finanças "é absolutamente transparente".  E que não há razão para alarme.


Depois do que disse sobre os swaps, do que disse sobre o BES e o Novo Banco e do que se soube que mandou fazer á Parvalorem sobre as contas do BPN, só podemos ficar descansados.


Até porque desta vez foi em Comunicado. É coisa mais séria. E com dois Comunicados - o PSD sentiu necessidade de emitir ainda outro Comunicado, a complementar o primeiro, em nome pessoal da ministra das finanças do governo ainda em funções, e já escolhida o que aí vem - mais sério ainda será. 


Bem podemos, pois, ficar descansados!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Problemas

 Por Eduardo Louro


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O governo ainda em funções, e a coligação que reclama lá continuar, está a esconder informação muito grave sobre sobre a situação do país - quem o garante é António Costa, em entrevista à TVI.


Não me parece que muita gente possa duvidar da seriedade destas palavras. Ninguém fica sequer muito surpreendido, sabido que é que o país não tem nada a ver com as cores com que Passos e Portas o pintaram. E que algumas das coisas escondidas já começaram a pôr a cabeça de fora, como por aqui se tem dado conta.


António Costa - eventualmente bem - não quis destapar a notícia. Mas é mais ou menos público que há graves problemas escondidos no sistema financeiro. Que o Novo Banco já é uma tragédia e que o Banif também está longe de ter resolvido os seus problemas. Que há problemas no financiamento da TAP, que ainda por cá canta. E conta... E que o défice já ninguém agarra...


O problema é que nada disso é problema. Problema mesmo é que a esquerda possa meter o nariz no governo do país. O problema é quebrar-se uma tradição de 40 anos. E a NATO, nada preocupa tanto os portugueses como a NATO...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Coisas que impressionam

Por Eduardo Louro


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Posso não estar a ver bem a coisa. Mas nunca vi nada parecido com o que se está a passar na SIC. Uma informação que se afirmou no panorama nacional como livre, independente, plural e profissionalmente competente tornou-se numa coisa estranha e eventualmente chocante. 


Posso não estar a ver bem a coisa, mas estou com alguma dificuldade em reconhecer jornalistas por quem tinha grande respeito e admiração profissional. Tenho enorme dificuldade em perceber como é que profissionais da informação de mente aberta, despretensiosos e despreconceituosos, de repente, por ordem não se sabe bem de quê, se tornaram obcessivamente parciais, entrincheirados atrás das câmaras.


Posso não estar a ver bem a coisa, mas fiquei impressionado - chocado, mesmo - com a forma como uma jornalista de referência, que me habituara a respeitar e admirar, ontem conduziu "a noite informativa" da SIC Notícias. É que, uma coisa são os programas de autor, do José Gomes Ferreira, por exemplo. Outra é um serviço noticioso. Outra, e mais grave ainda, é subverter o contraditório. Usar o recurso ao contraditório, mas depois intervir para o manipular, é a forma mais indecorosa de subverter o seu espírito!


 


 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Olha: a porta do quarto fechado está aberta!

Por Eduardo Louro


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Aconteça o que acontecer, e até pode acontecer o que se julgava que não pudesse acontecer, nada muda o que já mudou.


E o cenário político em Portugal mudou completamente com as eleições de 4 de Outubro, mesmo que de início tudo parecesse ter ficado na mesma. A coligação no poder tinha ganho as eleições. Sem maioria, mas o arco da governação aí estava, intacto e pronto a continuar a funcionar, como vem acontecendo há 40 anos.


António Costa “manifestamente” não se demitia e preparava-se para viabilizar a continuidade do governo da coligação, mesmo que com mais uma machadada no sistema. Já não era apenas no governo, agora também na oposição, os partidos do sistema não tinham qualquer problema em ir ao contrário dos compromissos eleitorais.


Só que alguém abriu a porta do quarto fechado há 40 anos. Quando o PCP, contra tudo, contra todos, e muito provavelmente contra si próprio, declarou apoio ao PS para formar governo dinamitou a estrutura do arco da governação. Com declarações mais ou menos sonoras do Bloco de Esquerda, com ou sem bluff de uns e de outros, tudo mudou naquele momento. E o PS vê-se obrigado a também abrir uma caixinha bem fechada que guardava no baú.


Acabam-se as tendências que tudo escondiam. Não há seguristas – acredito que há socratistas, mas isso é outra coisa – nem há costistas. Há gente da esquerda, que acha que é por ai que o partido deve seguir, num novo rumo. E da direita, que vivia muito bem nas meias tintas mas, obrigada a optar, acha que se deve agarrar ao status quo.


O PS, desde que em 1977 Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, sempre viveu do cimento do poder, sem grandes crises existenciais de natureza ideológica. O cheiro discreto do poder limava todas as arestas, e em nome dos superiores interesses do sistema, o partido era de esquerda na oposição e de direita no governo.


Foi assim, e especialmente assim nos últimos 20 anos, quando na Europa se esvaziava o espaço político que lhe servia de referência. Desde a queda do muro e mais acentuadamente a partir de Blair.


A crise financeira de 2008, e as crises soberanas europeias que se lhe seguiram, trataram do resto, e apagaram a social-democracia do mapa político europeu. Escrevia há dias Vasco Polido Valente, com o seu estatuto de “adiantado mental”, sempre muito á frente de todos,que a social-democracia europeia tinha morrido em 1970. Não terá sido tanto assim. A democracia cristã e a social-democracia, pilares sobre os quais a Europa se ergueu das destroços da guerra para se transformar na vanguarda mundial da justiça, da paz e da qualidade de vida, acabaram devorados pela globalização e pela financeirização (passe o neologismo) da economia, primeiro, e de toda a sociedade, depois.


O PS perdeu um milhão de votos na última década. E não foi por acaso: foi porque a forma que encontrou de resistir à erosão do seu espaço político foi apressar-se a acabar com ele. E tem agora que procurar traços de identidade a que se possa agarrar para sobreviver. Não é fácil!


A porta do quarto fechado abriu-se. De lá têm estado a sair muitos fantasmas, mas não são mais que os que lá estão a meter. Compreende-se o estado de choque de toda a gente que dava por certo e adquirido um certo território político. Que achava que havia quem tivesse de se resignar a um permanente papel de figurante. Mas sente-se que o ar pode circular melhor e tornar-se mais respirável, mesmo com as descargas tóxicas que se vão observando. É que em democracia todos contam. E tem de contar com todos!


 

Vamos lá ver essa coisa da legitimidade política

Por Eduardo Louro



 


É espantoso como a coligação de Passos e Portas, cujo único programa era o de ataque ao programa do adversário, de repente fica disponível para governar com esse programa.


Porque não apresentaram programa nenhum, até se poderia ser levado a pensar que estariam legitimados para governar com qualquer um. O problema é que o único elo que a coligação criou com os seus eleitores foi o da rejeição desse programa. 


Sem mais nada para dizer, a coligação limitou-se a repetir-nos que aquelas medidas eram o regresso ao passado, o despesismo, a bancarrota... Adeus aos compromissos europeus, adeus mercados... O apocalipse. Todos os sacrifícios que fizemos teriam sido em vão.


Mas afinal não era nada disso. Era tudo a brincar, agora não faz mal nenhum e Passos e Portas dizem - repito, dizem - que todas essas medidas são muito bem vindas ao programa do governo que por nada querem largar.


Não vou dizer que nunca ninguém em Portugal chegou tão longe em matéria de traição ao voto. Até porque nem me parece que isso seja coisa que preocupe muita gente, que já provou que convive bem com isso. Mas tenho que dizer Passos e Portas perderam toda a legitimidade política que ainda pudessem ter!


E pode ser que assim a sua máquina de propaganda comece a abrandar...


 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A pluralidade singular ou alguns mais iguais que os outros

Por Eduardo Louro


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Com a manifesta disponibilidade da esquerda para encontrar uma solução de governo -  não, não é uma mais uma Primavera qualquer, até porque de Primaveras está o Inverno cheio - passamos a percepcionar novas realidades. E a surpreender-nos com elas.


Surpreendemo-nos com gente que anda por aí há décadas a apregoar a democracia, a fazer passar-se por democratas respeitados, e respeitáveis, sem que afinal saibam muito bem o que é isso. Surpreendemo-nos com o singular pluralismo pouco plural.


E supreendemo-nos com a comunicação social que encontramos a cada virar de página. Caiu a máscara da independência e da pluralidade das televisões e dos jornais. Caiu a máscara da imparcialidade dos comentadores, tudo gente muito cheia de conhecimento, muito objectiva... Mas afinal com agenda escondida, agora escancarada.


Surpreende-nos que a pluralidade da opinião tivesse a singularidade de um reduto, de uma outra trincheira. Surpreende-nos que uma opinião que tínhamos por livre e desengajada seja afinal uma opinião servil e entrincheirada.


E supreende-nos como, afinal, tanta gente convive tão bem com a democracia da parte, onde uns cabem e outros não. Mesmo que sejam muitos! 


Não fosse isto, esta realidade agora aberta, e muitos de nós continuaríamos sem perceber como o sétimo mandamento do triunfo dos porcos* se tornou no primeiro da nossa democracia... 


Animal Farm, de Orwell, (alguns mais iguais que outros, incluído no título)

O Senhor Barroso...

Por Eduardo Louro



 


O Senhor Barroso conhece um a um os portugueses que votarm no PS. E por isso está em condições de garantir o fim último de cada voto... Não sabe apenas isso, sabe ainda que toda a gente sabe a razão de ser de cada voto no PS.


O Senhor Barroso sabe o que é um acordo parlamentar e o que é uma coligação de governo. Mas faz que não sabe... 


O Senhor Barroso deveria estar envergonhado com a dramática condição de milhões de refugiados, por que é também responsável. E muito. Mas o Senhor Barroso não tem vergonha... E por isso ameaça com a Europa, onde felizmente já não está, mesmo que ainda não tenha percebido.


Apetece-me chamar um nome feio ao Senhor Barroso. Mas não encontra nenhum á altura...


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Nervos à flor da pele

Por Eduardo Louro



 


"O governo de Passos e Portas acabou hoje". Atrevido, não se sabe se tanto quanto prometera, Passos logo anunciou que tinha 20 medidas para oferecer ao PS. Chamou-lhe facilitador porque, para dificultar, já bastava que continuasse sem enviar números.


Da espuma do dia fica muita agitação. Da Conferência Episcopal, do desautorizado secretário geral da UGT, e das televisões em geral, que não se cansam de procurar fantasmas. Como não os encontraram nos juros foram procrá-los no PSI 20...

Coisas da vida. E dos blogues...

Por Eduardo Louro


 


É este um dos sortilégios da blogosfera. Dia após dias vamos conhecendo cada vez melhor pessoas que nunca vimos e que provavelmente nunca iremos ver. Conhecemos o seu bom ou o seu mau feitio, a sua toierância ou a falta dela. Admiramos a sua inteligência, o seu sentido crítico, a sua frontatidade, a sua argúcia. É sempre mais fácil quando são mais as vezes que concordamos do que as que discordamos, mas esse é problema nosso.


Às vezes, raramente, vamo-nos apercebendo que alguma coisa vai mal. Que a saúde está a fugir ou a pregar alguma partida. Na maioria das vezes nada disso nos chega. Às vezes, de repente, percebemos apenas que partiram. Noutras, as ausências começam a ser cada vez mais notadas, até que chega a notícia. Sempre surpreendente.


Neste fim de semana foi a vez do João José Cardoso, mais que uma referência do Aventar, uma referência da blogosfera. Vou ter de me habituar que há coisas que o scroll down já não resolve!

domingo, 11 de outubro de 2015

Pé frio virado do avesso

Por Eduardo Louro


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Mesmo com uma quase segunda equipa, a selecção nacional de futebol ganhou hoje, em Belgrado, à Sérvia. Fechou a prova de qualificação para o Europeu com sete vitórias, marca que fixa um novo recorde em jogos oficiais: nunca a selecão atingira sete vitórias consecutivas.


Quer isto dizer que depois do "escândalo" que foi a derrota no primeiro jogo, em Aveiro, com a Albânia  - que hoje fechou o seu surpreendente apuramento para França -, do afastamento de Paulo Bento e da entrada de Fernando Santos, e com ele do regresso de alguns veteranos proscritos, foi sempre a ganhar.


Invariavelmente por 1-0, ou 2-1. Sempre por um simples golito e raramente com exibições convincentes. E quase sempre com a sorte como aliada. Como hoje, num jogo em que, à excepção do guarda-redes, posição por posição e até perderem a cabeça, todos os jogadores sérvios foram melhores melhores que os portugueses. Individual e colectivamente.


É incrível como um treinador que era um pé frio, dado como o tipo que até conseguia pôr as equipas a jogar bom futebol mas que perdia sempre, depois de uma longa passagem pela Grécia, regressa completamente virado do avesso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Quem deve governar? Vamos por partes...

Por Eduardo Louro



 


O líder da força política mais votada deve formar e chefiar o governo. Não está escrito em lado nenhum, mas também não precisa de estar. Quem ganha as eleições deve governar!


É senso comum, é evidência natural que entra pelos olhos dentro...


Pois, uma coisa é o senso comum. Outra, bem diferente, é o funcionamento da democracia e das suas instituições. É aí que começam os problemas, quando afinal a democracia é mais qualquer coisa que votar de quatro em quatro anos ... nos mesmos. Parece que ninguém contava com isso, que tudo se resumia a ganhar as eleições e prontos. Ganhar as eleições também não tem nada que saber - é ter mais votos e prontos!


A Constituição diz que o presidente da República indigita o primeiro ministro depois de ouvidos os partidos políticos e tendo em consideração os resultados eleitorais. Suponhamos que o presidente ouviu a PàF, naturalmente, dizer que ganhou as eleições e quer formar governo, coisa que também ele quer. E que são todos gente muito dialogante, capazes de no parlamento negociar tudo com todos. E ouviu, suponhamos também, PS, Bloco e PC - e já agora o PAN - dizerem que têm uma solução mairitária e estável de governo, e que não há diálogo possível com aquela gente da coligação, que conhecem de gingeira.


Depois de ouvidas as forças políticas, de ouvir isto, tendo  em consideração os resultados eleitorais, o presidente só tem obviamente um caminho. Tudo o que faça fora desse caminho é inconstitucional. E consequentemente anti-democrático!


Ora bem, é a esse único caminho político, a essa única saída constitucional, a esse exercício democrático de solução exacta e única, que vemos toda a direita chamar nomes como golpe de estado, PRECização, aberração e uma infinidade de coisas afins...


Ou, como alguém escreveu num conhecido jornal digital de direita, imediatamente partilhado por uma entusiástica multidão nas redes sociais: "Colocar esse cenário configura uma deturpação de toda a prática política passada que nunca foi questionada em sete das dez eleições legislativas que tivemos nos últimos 30 anos". Como se alguma vez, alguma vez mesmo, e não só nos últimos 30 anos, ou nos que quiserem, tivesse existido em Portugal um cenário, não digo só como o actual, mas como o que nesta actualidade se poderá vir a configurar.


Toda a gente tem legitimidade para defender a sua dama.  Não é legítimo é que subvertam os princípios democráticos, nem que pretendam impôr um entendimento da democracia à exclusiva medida dos seus próprios interesses. 


 

A pantominice também é como o azeite...

Por Eduardo Louro


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A coligação PàF, com Paulo Portas, como sempre, a não poupar nas palavras, espalhou aos sete ventos durante a campanha não só a saúde de ferro da nossa economia, mas que os empresários estavam todos carregados de decisões de investimento prontas a avançar. Só estavam à espera dos resultados das eleições, a confiança no país era tanta que, apurados os resultados e confirmada a sua vitória eleitoral, era só carregar no botão para que investimentos brotassem que nem cogumelos.


Também aqui a realidade é bem diferente. Afinal, pelo contrário, os empresários estavam à espera das eleições para anunciar despedimentos e encerramentos. Era - e foi - só carregar no botão. Só que em vez de investimentos começaram a sair mais encerramentos. E em vez de novos postos de trabalho, mais despedimentos.


Não se sabe se há empresas que não quiseram perturbar o bom andamento da campanha, ou se foram mesmo Portas e Pires de Lima a pedir-lhes que não a (os) perturbassem. Mas também não importa muito... A pantominice seria apenas um poucochinho maior!


A pantominice também é como o azeite: também vem ao de cima. Não costuma é ser tão depressa!


 

O Nobel também precisa disto: da surpresa!

Por Eduardo Louro



 


O Nobel da Paz é sempre o que mais expectativas alimenta. É sempre o mais aguardado, e na maior parte das vezes o mais previsível. Politicamente correcto umas vezes, déjá vu, noutras, e pedrada no charco ainda noutras. Mas raras...


Desta vez falava-se de Merkel - pouco menos que chocante - e do politicamente correcto Papa Francisco. Não estou a dizer que o Papa Francisco o seja, estou a dizer que a sua "nomeação" o era. Falou-se até de Guterres, mas foi por pouco tempo e ninguém lhe pegou. 


Supreendentemente a escolha caiu num nome que mais parece o de uma banda de jazz: Quarteto de Diálogo Nacional. Não é um grupo de jazz, se o fosse talvez fosse mais conhecido. É um quarteto porque integra quatro "organizações chave" da sociedade civil tunisina: União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT). Foi formado no Verão de 2013 e "estabeleceu-se como uma alternativa, um processo político pacífico numa altura em que o país estava à beira de uma guerra civil".


O Nobel também precisa disto: da supresa!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Apuramento garantido. O resto é conversa...

Por Eduardo Louro


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A selecção nacional está apurada para o Europeu de França, no próximo ano. Ao contrário do que vinha sendo habitual, desta vez o apuramento surge a tempo e horas, antes do último do jogo.


Não foi brilhante, nem o jogo nem de uma maneira geral todo o apuramento. Que começou mal, como nos lembramos, com a derrota com a Albânia, ainda na ressaca do Brasil, a afastar Paulo Bento. Depois veio Fernando Santos, também com ressaca brasileira a afastá-lo do banco por menos jogos do que se chegou a admitir. E foi sempre a ganhar, em tudo o que era jogo que contasse para as contas do apuramento. Por um golito, que mais não era preciso. Algumas vezes quando já ninguém contava com ele.


Hoje não foi diferente. Um golinho chegou, foi suficiente para ganhar quando até o empate bastava. Os dinamarqueses até tiveram mais oportunidades para marcar, mas não marcaram. Ainda há bem pouco tempo não era assim. Não foram poucas as vezes que a selecção nacional, jogando muito mais e criando muitas oportunidades de golo, perdeu com a Dinamarca que chegava uma vez à baliza. E marcava.  

Bluff, predador e caça

Por Eduardo Louro



 


Ninguém terá grandes dúvidas que estamos a atravessar uma das mais fervilhantes fases do jogo político. Estamos perante uma certa pokerização da política, onde o bluff é rei. Imagine-se a excitação de Marcelo, se  fosse já o Presidente da República... 


Ninguém sabe, mas toda a gente admite, que o PS apenas está a manifestar toda a abertura à esquerda para que a coligação de direita suba a parada. Ninguém sabe, mas muita gente admite, que o PCP apenas demonstrou toda a abertura ao PS, roçando a própria emulação, para o encostar ainda mais á parede. E para dar o golpe de mesericórdia em Cavaco. Ninguém sabe, mas já se admite, que o Bloco adiou o seu encontro com o PS apenas para primeiro saber como tinham corrido as coisas com a coligação.


Provavelmente, nem o PCP está tão disposto a entregar um cheque em branco a António Costa, nem este está assim tão interessado nele. E muito provavelmente o Bloco está a perceber que tem pela frente a sua grande oportunidade histórica, e que para não a desperdiçar só tem agora que fazer bluff. Só tem que se mostrar completamente empenhado numa solução de governo com o PS, mesmo que não esteja nada interessado nisso.


Provavelmente é tudo isso. Mas, se o PS não agarrar esta oportunidade que a História lhe depositou nas mãos de formar governo com a esquerda - que não se esgota na obrigação de o formar, mas que não lhe permite quaisquer ambiguidades -  mais provável que tudo isso, é a sua pasokização. No jogo político actual, com tudo o que está em cima da mesa, não há lugar para meias tintas: o PS ou é predador ou é caça. E sendo caça, depois, nem os ossos se lhe aproveitam!


 


 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Coisas do diabo

Por Eduardo Louro



 


De repente, de um dia para o outro, o país desgraçou-se. Aquilo que era crescimento económico, diminuição do desemprego, florescimento e confiança a rodos, inverteu-se num só dia, numa só noite.


O pobre coitado do próximo governo, que como já se percebeu não tem nada a ver com isto, é que vai pagar as favas. Herdando, não o país viçoso da campanha eleitoral, a rebentar de vida por todas as costuras, mas o país desaurido e moribundo que depois do fecho das urnas se arrasta à nossa frente.


O novo governo vai receber "uma economia mais pequena, com menos pessoas, mas mais endividado do que em 2011"? A sério? Por onde é que têm andado?


Coisas do diabo. É o que é!


 


 

Não pode? Manda!

Por Eduardo Louro



 


A Constituição já não permite governos de iniciativa presidencial. Ontem, Cavaco começou por dizer exactamente isso, que não podia escolher o governo. Que isso pertence aos partidos, às forças políticas eleitas.


Depois de explicar isso mesmo, disse claramente que por isso, porque a Constituição não lho permite e entregou essa faculdade às forças eleitas, encarregou uma delas de o fazer por si. Cavaco é isto, e não há forma de ser outra coisa: se ele não pode fazer, pode mandar fazer. Não é autor, é sempre mandante!


No início da sua comunicação fiquei com a ideia que quem aqui tivesse acabado de aterrar e estivesse a ouvir aquelas palavras, pensaria que tinha acontecido em Portugal um golpe de Estado. No fim, fui eu que fiquei com a ideia que o golpe de Estado estava a acontecer!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Mais uma responsabilidade...

Por Eduardo Louro


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Acabadas as legislativas - que não mortas e enterradas - aí vêm as presidenciais a toda a velocidade. Com a passadeira estendida para Marcelo?


Creio que sim. Afastou toda a concorrência, tem agora o beneplácito de Passos - e Portas, por arrasto (Passos arrasta Portas para todo o lado, não consegue ver-se livre dele, está colada que nem uma lapa) -, não divide nada com ninguém e nem tem sequer necessidade de anunciar a candidatura, o que lhe permite continuar a doutrinar e evangelizar o eleitorado a partir do seu púlpito dominical. 


Quem se tramou foi Sampaio da Nóvoa. Percebeu-se logo que Maria de Belém levantou o dedo. Os resultados eleitorais de António Costa fizeram o resto, já não tem por onde sair. Resta ao PS convencê-los a ambos a afastarem-se, o que não sendo neste momento a melhor coisa que lhe poderia acontecer, será a menos má. E partir à procura de um novo candidato adequado á nova realidade política do país.


Acaba por cair no colo dos socialistas mais uma responsabilidade. A responsabllidade de impedir que a candidatura presidencial da direita potencie os 38% de votos á partida e ganhe á primeira volta, o que só conseguirá com um bom candidato e com as vias de comunicação à sua esquerda bem desimpedidas.


No actual quadro político o país precisa de um grande Presidente da República, de uma figura altamente prestigiada e de grande peso político. Marcelo  não encaixa nesse perfil. E o país não está em estado de ser entregue ao experimentalismo frenético de Marcelo. O que só acrescenta responsabilidade à responsabilidade do PS!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O que eles dizem que o eleitorado faz

Por Eduardo Louro


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Outro dos disparates desta gente que se acha de mente brilhante, espalhada pelas televisões a fazer política disfarçada de comentário - e estou a dar sequência directa ao texto anterior - é que António Costa perdeu as eleições por ter virado à esquerda. Que - na mesma linha - as eleições se ganham ao centro.


Dizem isto há tanto tempo, e tanta vez, que já nem se pode dizer que é errado. Tem que se dizer que a realidade teima em não aderir à sua - deles - verdade.


Vamos lá a ver: não há mais eleitores, e ao contrário do que as televisões quiseram fazer crer - numa noite cheia de embustes televisivos, o folclore á volta da maior queda da abstenção de sempre foi apenas a maior das aldrabices, de que ninguém, depois, pede desculpa - a abstenção subiu, e foi a maior de sempre.


A coligação - mais o PSD nas duas regiões autónomas - ganhou as eleições com 2.060.186 votos, perdendo 740 mil eleitores (de notar que o PSD sozinho, em 2011, obteve mais 86 mil votos que agora, sozinho e com a coligação). O PS, com António Costa virado á esquerda a perder o eleitorado do centro, como pretendem, obteve ontem 1.740.300 votos, mais 182.050 que há quatro anos. O Bloco duplicou a votação, com mais 261 mil votos, e mesmo a CDU acrescentou 3.400 votos - que lhe renderam mais um deputado - ao resultado das anteriores legislativas. Nesta soma de ganhos e perdas perderam-se 300 mil votos para a abstenção, número que não é certamente alheio ao meio milhão de portugueses que tiveram de sair do país nestes quatro anos. 


Como é que, olhando para estes resultados, alguém poderá dizer que o PS perdeu as eleições porque Costa virou á esquerda. Ou, pior ainda, como dizem estes especialistas, que perante o perigo de um governo de António António Costa com Catarina Martins e Jerónimo de Sousa como vice-primeiro ministros - onde chega o delírio!!!- o eleitorado correu a votar na coligação.


Aritmeticamente, o PS perdeu as eleições à esquerda. Como é demasidado evidente para se poder dizer o contrário, que as perdeu ao centro. Politicamente é outra história... Mas, essa, não me tenho cansado de aqui trazer.

domingo, 4 de outubro de 2015

O que eles dizem que o eleitorado disse

Por Eduardo Louro


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Voltaram as aberrantes interpretações dos resultados eleitorais, em que a vontade expressa no voto de cada cidadão, ou de cada grupo de cidadãos,  é transporada para um colectivo que só existe no imaginário de algumas mentes que se acham brilhantes.


Uma coisa é dizer-se que o eleitorado privilegia a estabilidade. Ou que há há franjas do eleitorado que se deslocam por isto ou por aquilo. Outra, diferente e completamente disparatada, é dizer-se que o elitorado disse isto ou disse aquilo. Que o eleitorado tem uma vontade colectiva própria, escondendo que qualquer decisão eleitoral representa o somatório das decisões individuais, cada uma com a sua motivação própria.


É de Miguel Sousa Tavares, e foi pronunciada na SIC Notícias, a mais abusiva e disparatada das interpretações que, a essse respeito, se pôde ouvir na noite eleitoral. Dizia ele - acompanhado mais tarde por António Lobo Xavier, mas nesse percebe-se o alcance, já a preparar o day after -  que o eleitorado disse claramente e sem sombra de dúvidas: "Nós queremos que este governo se mantenha em funções mas não a governar como antigamente".


Isto pode ter o alcance político que quiserem. Pode servir os interesses políticos que quiserem, mas não altera nada do que foi o voto de cada um de nós. Que foi, para cada um dos portugueses que votou na coligação, simplesmente a manifestação da sua vontade em que ganhassem as eleições com quantos mais voltos melhor. Não é crível que alguém tenha votado na coligação para governar de maneira diferente do que governou. Nem que alguém tenha votado no PS, no Bloco, ou em quem quer que seja, para que o governo se mantivesse em funções. Foi exactamente para o contrário.


Cada um que votou no PS fê-lo para que António Costa ganhasse as eleições e fosse primeiro-ministro. E só não é exactamente o mesmo para cada um que vota nas restantes forças políticas porque ninguém, aí, tem a ilusão de ganhar as eleições. Mas quando vota quer que ao seu voto, de protesto ou de condicionamento, acresça o maior número possível de outros votantes. 


Mas é com disparates destes e doutros que muita gente ganha a vida. Não há muito a fazer...


 

A tradição já não é o que era

Por Eduardo Louro


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A tradição já não é o que era, e António Costa não se demite. Contrariamente a tudo o que seria previsível: obviamente não se demite!


O que não quer dizer que não possa vir a ser obrigado a rever essa decisão. Que não é irrevogável ... Falta saber se no PS há coragem para o obrigarem a isso. Vontade há, coragem é que talvez não. 


Há quem acredite que, com a lição aprendida, daqui a pouco tempo chegue de novo a hora. Pode não ser assim, mas o pior mesmo é se a lição não ficou aprendida. É cedo para perceber isso, mas a ideia que fica é que a lição está longe de estar aprendida. O problema é que o problema do PS não se fica por uma lição. Nem por duas ou três lições, o problema é todo um programa. E quando assim é há muito mais voltas a dar...


O PS não precisa apenas de renovação. Não precisa apenas de gente nova, nem só de ideias novas. Precisa de um espaço novo!

Nasceu um novo cluster exportador!

Por Eduardo Louro



 


Em nenhum outro país o governo da austeridade ganhou as eleições. Portugal é diferente...Tão diferente que, onde quase tudo funciona mal, as empresas de sondagens funcionam bem. Em nenhum outro país tem sido assim!


Mais um contributo para o sucesso das exportações portuguesas, que têm segurado as pontas da nossa economia. Um novo cluster exportador: sondagens políticas. Só há que cuidar um pouco das emissões tóxicas, que isso agora anda debaixo de olho...

Sintomático

Por Eduardo Louro


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Sintomático!


Escondido na campanha, Marco António Costa foi o primeiro a surgir no discurso de vitória.


É o primeiro aviso do que aí vem. Como dizia o outro: "habituem-se"!


 

sábado, 3 de outubro de 2015

Houve e ainda ... "Há música na cidade"

Por Eduardo Louro



 


Pela mão do Jornal de Leiria a cidade voltou a encontrar-se com a música, pela quinta vez... É já uma marca de Leiria!


Mais músicos, e mais palcos que nunca antes, marcaram este reencontro da cidade com a música, dois anos depois. Encontramo-nos todos com a música, mas - e não menos importante - encontramo-nos uns com os outros. Depois de tantos desencontros, depois de tantas vezes, tantos anos, sabemos que ali nos encontramos todos. Nem que seja séculos depois, a julgar pelo hoje alguém me dizia, numa grande festa: "já não te via há 300 anos"!

Outras realidades, outras mentiras

    Convidado: Luís Fialho de Almeida


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 O jornal diário alemão “Berliner Zeitung” do passado dia 27, apresentava em destaque e na primeira página, a ilustração de duas realidades sobre os refugiados sírios.


A Alemanha tomou a dianteira na integração de refugiados, particularmente da Síria, procurando assim compensar a perda demográfica e os consequentes desequilíbrios nos sistemas social e produtivo, já que tem a menor taxa de natalidade do mundo, em média 8.2 crianças por mil habitantes. Considera fundamental captar força de trabalho do exterior bem como prolongar a vida activa, actualmente até aos 67 anos, mas que algumas forças políticas querem que atinja os 74 anos. A previsão de que até 2030, a população activa no mercado de trabalho diminuirá de 61% para 54%, estimula a imigração de jovens profissionais como instrumento de estabilização para a economia alemã. Segundo os dados recolhidos in loco, para a renovação do tecido social a Alemanha precisa anualmente de duzentos mil novos migrantes, e prossegue um conjunto significativo de apoios á natalidade, nomeadamente: 650 euros por cada criança nascida, mais 184 euros/mês até aos 18 anos, e 500 euros/mês de empréstimo na formação superior do qual haverá o retorno de 50 % com o início da actividade profissional.


A produtividade média da hora de trabalho alemã é cerca do dobro da portuguesa, respectivamente de 126.6 contra 65.3, considerando a média europeia de 100. Atenta a esta realidade, motor da robustez económica, a Srª Merkel ofereceu emprego a pessoas qualificadas, nomeadamente de Portugal e da Grécia, e como primeiros passos da integração de refugiados e/ou imigrantes estão a formação profissional, o respeito pela Constituição e a aprendizagem da língua alemã.


O nosso país tem, igualmente, uma acentuada perda demográfica, com uma taxa de natalidade logo atrás da Alemanha, com uma média de 9 crianças nascidas por cada mil habitantes, mas as políticas adoptadas são de sinal contrário às da Alemanha: conduzem ao êxodo dos jovens e profissionais bem formados, e as medidas de apoio à natalidade, valorização do emprego e do trabalho, nomeadamente das mulheres, são incipientes. Assim a recuperação económica que encheu o discurso eleitoral, particularmente da direita unida, é uma miragem.


Para um grego a residir na Alemanha há 26 anos, a crise grega é, em primeiro lugar, culpa dos gregos, tolerantes a facilitismos e políticas permissivas à corrupção. Reconhece as diferenças culturais, de educação e comportamento entre os dois povos e, a título de exemplo, referia a atitude alemã perante o “rigor” e a intolerância à “mentira” e ao “exagero”, o que me levou de imediato a questionar - pressionado pelo clima de campanha eleitoral em Portugal - se a atitude da classe politica alemã era também intolerante à mentira? A resposta não surpreendeu, por cair no lugar-comum de que as classes do poder político e do poder económico são mais vulneráveis, como se veio a verificar no escândalo do grupo Volkswagen, que passou a ser noticiado dois dias após esta conversa.


Terminada que está a campanha eleitoral, é altura de serenar o habitual frenesim teatral que mascara a desonestidade, a incompetência e a mentira.


 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Reflictam meus amigos, reflictam...

Por Eduardo Louro



 


... Que é bem preciso... O que se tem visto dá que pensar. Desconfio que nunca foi tão necessário reflectir...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mentir é feio. Mas é dos mentirosos que gostamos mais!

Por Eduardo Louro


Expresso


 


Não consegue deixar de mentir... Não há nada a fazer, está-lhe na massa do sangue. Bem podia seguir o conselho de Mira Amaral, e mandar erguer uma estátua a António Costa, na S. Caetano. E, para que o Ângelo Correia não pare de rir a bandeiras despregadas, ir a Fátima acender uma velinha. E mandar benzer o crucifixo...

Capturado na própria teia

Por Eduardo Louro


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Com tantas datas para marcar as eleições, Cavaco marcou-as para 4 de Outubro. Provavelmente porque não tinha um calendário à mão, não reparou que lhe sucede o dia 5 de Outubro. Porque já não é feriado, não lhe passou pela cabeça que comemora a implantação da República...


Como se tudo isto não bastasse, ontem, em Nova Iorque, disse que já tinha tudo decidido sobre o que iria fazer no dia 5 de Outubro: "Quanto ao dia 5, eu estou com muita tranquilidade, sei muito bem aquilo que irei fazer..." Hoje, de Belém, vem a nota que "Dado o atual momento político, o PR tem que se concentrar na reflexão sobre as decisões que terá de tomar nos próximos dias. Desta forma, não poderá estar presente na cerimónia comemorativa da Implantação da República".


Como se ainda não bastasse ter anunciado que tinha tomado decisões sobre acontecimentos que ainda não ocorreram, num dia diz que tem tudo decidido e, no seguinte, que tem de se concentrar na reflexão sobre as decisões que disse já ter tomado.


Mas como para Cavaco nada basta, ainda sobra espaço para dizer que, no fundo... no fundo, é apenas para para não falar da situação política.


No fundo... no fundo é mais do mesmo. É Cavaco sempre capturado pelas teias que ele próprio tece.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...