terça-feira, 31 de julho de 2018

A notícia e o feminino

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Quando notícia é a onda de calor que aí vem, a prometer bater recordes de temperatura, o aumento extraordinário das pensões mais baixas, que hoje entra em vigor, Madona na capa da Vogue, cheia de Portugal (descansem almas penadas da lusa inveja, os lugares do estacionamento ficaram pagos, e bem pagos...) ou o avião que caiu no México (não, a notícia não é a queda do avião - já quase não é notícia - a notícia é que o avião caiu com 98 pessoas a bordo e não morreu ninguém), são ainda os (e)feitos de Ricardo Robles que, por cá, ocupam o topo da actualidade.


Percebia-se que não seria fácil fazer desaparecer o tema das primeira páginas. Não era preciso o "mea culpa" de Catarina Martins, mas a verdade é que ajudou. 


Quando ontem à noite, em entrevista à Ana Lourenço, na RTP 3, Catarina Martins admitiu o erro de análise e assumiu, com toda a frontalidade, que a "contradição era grande" e impeditiva da continuidade de Robles na autarquia, fez de novo notícia. Porque notícia, como se sabe, é o homem morder o cão. E Catarina Martins "mordeu o cão". De "cão a morder o homem" é o que faz a generalidade dos seus pares, incapaz de auto-crítica.


Vejo muito de feminino nesta nobreza da líder do Bloco. Não que a tese da infalibildade seja mais masculina que feminina, ou que o "mea culpa" - ou o recuo como chamam muitos dos jornais - tenha hoje alguma coisa a ver com a distinção de género na política, muito marcada por comportamentos padronizados. Mas porque o erro de avaliação de que se penitencia não é mais que a reacção feroz, primária e instintiva de defender um dos seus.


Nas primeiras notícias - e Catarina Martins diz que desconhecia o negócio do seu colega de partido, que só teve conhecimento pelas notícias dos jornais - viu um ataque a um dos seus, e nada mais que isso. E o seu instinto de defesa, diria que maternal, da fêmea que salta em protecção da cria, sobrepôs-se à lucidez da análise, induzindo-a no erro.


E isto é profunda, genuína e instintivamente feminino!


 

Tudo natural

Catarina Martins e Ricardo Robles, no comício deste sábado, na Mouraria. Foto de Paulete Matos.


 


Ficou, ontem ao fim do dia, a conhecer-se a natural demissão de Ricardo Robles do executivo da Câmara Municipal de Lisboa e dos cargos políticos que exercia no Bloco. Sabe-se agora que já no domingo tinha transmitido essa intenção à líder do partido, contra aquilo que tinha sido a posição da comissão política, que achava que não havia razão para nada disso, que tudo não passava de uma cabala da imprensa. Mesmo que Luís Fazenda tenha, logo depois e com estrondo, dado o dito por não dito.


Não há dúvida que o Bloco se espalhou ao comprido, e a partir de agora deixa de poder puxar por uma série de galões. Percebe-se que isso não desagrada particularmente ao mainstream, e percebe-se no ar alguma sensação de naturalidade: bem vindos ao sistema!


Por isso se diz que o Bloco perdeu finalmente a virgindade. Ou que entrou na idade adulta. Ou até quem lhe simplesmente lhe chame dores de crescimento... Tudo para apontar no sentido da normalidade.


Da  lei natural da vida. Que inexoravelmente acaba na morte!


 


 


 


 


 

domingo, 29 de julho de 2018

Robles, pois claro...

 


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Também não podia passar ao lado do famoso caso Robles, que não sai de cima da mesa. Poder-se-ia dizer que é a silly season, e que, como não dá jeito falar do fogo que arde sem se ver - não, não é amor -  por esses hospitais adentro (inspiro-me em Francisco Louçã que, no Expresso, chama à agonia do Serviço Nacional de Saúde os fogos deste verão), a notícia é esta. Não há mais!


Mas não creio que seja só isso, não creio que a silly season explique tudo. Antes de mais quero dizer que sou dos que acham que a política deve ser a mais nobre das actividades, e que o seu exercício não é compaginável com desvios entre o que se apregoa e o que se pratica. Acho que a honestidade e a ética têm que presidir a todos os comportamentos, seja na política seja nos negócios. E que, por muito injusto que até possa ser, até porque a actividade política, qual pescadinha de rabo na boca, não é bem remunerada, acho que negócios e política devem ser como água e azeite. E, por último, que eu nunca exerceria profissionalmente actividade política, nem nunca executaria funções poíticas...


Dito isto, acho que já posso dizer que, não acontecendo nada do que acabei de dizer na política em Portugal, não é a silly season a responsável pelo sucesso noticioso da casa do Robles e da irmã. O que faz o sucesso desta notícia é que, não havendo nenhum crime, nenhuma ilegalidade, e sem nem sequer nada seja ilegítimo, ela serve para ser usada por quem que não sabe, nem se calhar quer, exercer actividade de política sem chafurdar na ilegalidade e até meter a mão no crime. O crime é que o negócio legal, e até, tanto quanto parece, legítimo, foi praticado por quem diz que aquilo não se deve fazer, mesmo que seja legal e legítimo fazê-lo. É esse o factor crítico de sucesso da notícia.


As ondas de choque no partido de Robles, dividido entre o "no pasa nada" (homenagem ao nuestro hermano Iglésias) e o "é inaceitável", ou "há que tirar conclusões", só lhe acrescentam mais uma pitadinha de sal e pimenta...


 

Tour de France 2018 - V

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O 105º Tour chegou ao fim. A festa fez-se nos Champs Elysées, e o primeiro a fazê-la foi o norueguês Alexander  Kristoff, que ganhou a etapa.


Depois fizeram-na o francês Pierre Latour, o melhor jovem, na 13ª posição da geral. O eslovaco Peter Sagan, o vencedor (já crónico) por pontos, o camisola verde e o francês Allaphilipe, vencedor da montanha. E, depois ainda, fez-se a festa do pódio.


Com Froome, no lugar mais baixo, e o último a conquistar o direito de lá estar. Os Pirinéus tinham deixado tudo resolvido, menos o terceiro lugar. Lá, tinham deixado o polaco Roglic. Mas apenas com 13 segundos de diferença para Froome, que se afiguravam curtos para o contra-relógio de ontem, que tinha a função de arrumar as contas finais.


Confirmou-se. Froome, com mais um contra-relógio espectacular - foi segundo, com 1 segundo mais que Dumoulin, o campeão do mundo da especialidade - ganhou 1 minuto e 11 segundos a Roglic (que teve também um excelente desempenho, foi oitavo) e assegurou a presença no pódio, hoje.


O contra-relógio de ontem teve a particularidade - creio que única na história do Tour - de os três primeiros serem os mesmos três do pódio. Só que com os lugares todos trocados: o holandês Dumoulin, o primeiro, foi segundo no pódio, o inglês Froome, o segundo, a 1 segundo como já se disse, foi terceiro e o galês Geraint Thomas, o terceiro, a 14 segundos, o primeiro, no lugar mais alto do pódio.


Em 31 quilómetros, os três primeiros, do contra-relógio e da classificação geral final, ficaram separados por 14 segundos. Deve querer dizer qualquer coisa sobre o que é um ciclista completo, daqueles que podem aspirar a ganhar estas grandes competições.


Por isso, as últimas linhas sobre este 105º Tour de France, vão para os que não ganharam. Para os primeiros dos últimos. Para Froome que passou por muitas adversidades e que fez o que fez depois de ter ganho o Giro. É muito difícil ganhar duas das três maiores provas mundiais na mesma época, mas Froome voltou a mostrar que é possível. E para Dumolin,  que quase fez o mesmo. Foi segundo, batido por Froome em Itália. Voltou a ser segundo em França, mas agora batendo Froome. E não tem uma equipa como a Skype, de Thomas e Froome. Se tivesse...

Campeões da Europa


 


A selecção nacional de futebol de sub 19 é campeão da Europa. O título que vinha sucessivamente fugindo a Portugal foi hoje conquistado na Finlândia, frente à Itália, num jogo de loucos. 


Os jovens portugueses, a melhor equipa do campeonato - talvez a par da francesa, afastada da final pelos italianos, "à italiana" - chegaram a 2-0 à beira da entrada para o último quarto de hora do jogo. Só que, em dois minutos, com eficácia italiana, os transalpinos marcaram por duas vezes, levando o jogo para o prolongamento. Com os jogadores de ambas as equipas a evidenciarem grandes dificuldades físicas, com o inevitável reflexo mental, quando, à beira do intervalo para mudança de campo, a selecção nacional marcou pela terceira vez - no segundo de Jota no jogo e quinto na prova (o jovem do Benfica é  um craque, e foi o melhor jogador da competição e o melhor marcador, juntamente com o bracarense Trincão) - pensou-se que ninguém teria forças para mais.


Puro engano. Logo ao terceiro minuto da segunda parte do prolongamento a Itália voltou a empatar. E logo no minuto seguinte Pedro Correia, um jovem formado no Benfica mas a alinhar no Deportivo da Corunha, fez o quarto golo, que fechou finalmente o resultado.


De loucos. Só visto!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Tour de France 2018 - IV

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Não faltou animação na estapa raínha dos Pirinéus, mas no fim ficou a ideia que, afinal, não foi assim tão bom...


Esperava-se tudo desta etapa que partia do Santuário de Lourdes, ali num dos sopés daquele gigante montanhoso. Tudo o que para trás não tinha ficado resolvido teria de ficar hoje. E não foi bem assim: o que está resolvido, resolvido estava. Ou quase...  Porque é quase sempre assim: quando as expectativas são demasiado altas, o bom não passa de sofrível e o excelente de suficiente.


A etapa foi bem viva, e muito mexida.Toda ela! Houve espectáculo e emoção, mas... Se calhar, numa etapa destas, colocar a meta vinte quilómetros depois do sítio onde ficava melhor, não é grande ideia. O ponto alto (literalmente), o clímax, encontrava-se no topo do L´Aubisque, mas aí só estava a meta de montanha. A da etapa estava em Laruns, 20 quilómetros depois, sempre a descer. Onde só não chegaram 10 corredores juntinhos porque, na descida, um adiantou-se um bocadinho (19 segundos) e outros dois atrasaram-se (12 segundos) outro bocadinho...


Mas uma etapa que faz perder mais de 7 minutos a Quintana - o grande perdedor do dia, talvez a ressentir-se da queda de ontem - e mais do dobro a Alejandro Valverde, não pode ser uma etapa mole


Foram muitos os animadores, incluindo o rei da montanha, o francês Alphaville que, tendo andado muito tempo no grupo de frente, chegou à meta quase 20 minutos depois do polaco Roglic, o vencedor da etapa. E um dos vencedores do dia, ao subir ao terceiro lugar da geral. Mas Bardet e Mikel Landa fizeram tudo o que tinham a fazer para atacar os primeiros lugares, não ficaram a dever nada a ninguém. 


Poderá parecer que não ganharam muito com isso, mas ganharam, e muito, em respeito e admiração. O francês seria terceiro na etapa, batido ao sprint pelo camisola amarela. E fixou-se no oitavo lugar da geral, logo atrás do colombiano: sétimo, na etapa e na geral. Que salvou "a honra do convento" da Movistar, depois do descalabro de Quintana e Valverde.


Mas - the last, not the least - esta etapa confirmou um miúdo de 21 anos como o grande ciclista da próxima década. Chama-se Bernal (na imagem) - Egan Bernal -, é colombiano, integra a equipa da Sky e, apesar da idade, é o pai de Froome. Também de Thomas, mas se hoje, mesmo perdendo o terceiro lugar, Froome não caiu desamparado pela classificação abaixo, foi apenas porque o miúdo o foi lá buscar e o rebocou montanha acima, até o levar ao grupeto dos primeiros. Aí chegado, passou para a frente e foi ele a puxar para ir buscar Bardet, que seguia lá na frente, já sem Landa, e até já sem Majka. Mesmo assim, depois de fazer isso tudo, chegou à meta logo a seguir ao grupo dos primeiros dez, pouco mais de minuto e meio depois do vencedor da etapa. E isto quer dizer duas coisas: a primeira é que, da Colômbia, continuam a chegar, todos os anos, grandes corredores para a elite do ciclismo mundial; e a segunda é que, noutra equipa, em que não tivesse de trabalhar para duas figuras como os dois britânicos, era menino para ganhar o Tour. Já e de caras!


Amanhã o contra-relógio fechará as contas finais. Os dois primeiros estão encontrados, só uma calamidade impedirá o galês de chegar, domingo, de amarelo aos Champs Elysées. E o holandês Dumoulin de ser segundo. Em aberto estará ainda o último lugar do pódio: Froome terá apenas que ganhar 13 segundos a Roglic, tarefa que há bem pouco tempo parecia fácil...

Coisas de hoje

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Hoje é dia de olhar para Lua. Mas também para Macron. Ambos em eclipse... Que deixa a lua vermelha. Macron é mais para o amarelo...


À Lua só a voltaremos a ver assim lá para 2100. Macron é bem capaz de cá voltar mais cedo. Mais ou menos amarelo... E sem o fiel escudeiro...


 

Na lua

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Hoje está tudo com a lua?


Ou andam todos na lua?


Não. Apenas está toda a gente de cabeça na lua...

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Coisas tremendas

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Há uma semana, a União Europeia era o inimigo. Afinal, já não é... Nem já há guerra... Sem guerra, não há inimigos! 


De repente, de uma semana para a outra, acabou com a guerra das tarifas: "zero tarifas alfandegárias"! 


Agora é que vai ser vender soja. Ou mais uma tremenda vitória da criatura, a entregar aos agricultores americanos o tremendous mercado europeu...

Tour de France 2018 - III

Foto 68905


 


Da última vez que daqui espreitamos o Tour estavam os ciclistas nos Alpes, à beira da subida  ao Alpe d´Huez. 


Foi, como sempre é, uma etapa com história. Porque é uma etapa mítica, e ainda mais espectacular quando, como foi o caso, passa pelo Croix de Fer. Mas também porque foi recheada de incidentes, com particular e indesejável relevo no mau comportamento do público, que não só vaiou - e até, ao que dizem, cuspiu - os dois britãnicos da frente, Thomas e Froome, como provocou a queda, e o posterior abandono, de Nibali a 4 quilómetros da meta. Um dos raros ciclistas vencedor das três grandes competições - Giro, Tour e Vuelta - e, sempre, um dos principais favoritos à vitória.


Nibali ainda se recompôs e cortou a meta, perdendo apenas 13 segundos para o vencedor, Geraint Thomas, o primeiro ciclista na História do Tour a ganhar no Alpe d´Huez com a camisola amarela. Com uma vértebra partida, Nibali rumou directamente para o hospital, deixando a competição muito mais pobre.


Como já se percebeu, ganhando lá no alto, na sua segunda vitória consecutiva, Thomas reforçou nos Alpes a liderança conquistada nos Alpes. E começou a deixar perceber que, ao contrário do que garantira, não tem grandes ideias de entregar a camisola amarela ao seu colega Froome.


Seguiram-se quatro etapas, cada uma com a sua história, mas nenhuma que mudasse grandes coisas. Apenas uma - a 13ª - plana. Que Peter Sagan, também já sem adversários e também já virtual vencedor da camisola verde - basta-lhe chegar a Paris - não deixou fugir. As restantes três eram todas de montanha, de média montanha, à excepção da última, ontem, de entrada nos Pirinéus, e com uma incursão em Espanha, na única vez em que o Tour deste ano passou fronteiras.


Todas etapas com fugas - madrugadoras, numerosas e bem sucedidas. E com um protagonista - o francês Allaphilipe, que integrou todas as fugas, e que, para além de ganhar a etapa de entrada nos Pirinéus, se fartou de ganhar metas de montanha, a ponto de quase ter garantido já a camisola das bolas vermelhas. Bom ... o italiano Gianni Moscon também foi protagonista. Na etapa anterior, a 15ª, que chegou a Carcassone, armou-se em pugilista e foi mais cedo para casa, desfalcando a Sky de uma peça chave para os Pirinéus.


Hoje correu-se uma etapa inédita na História do Tour. Esta sim, a mais curta de sempre, com apenas 65 quilómetros. Mas sempre, sempre a subir. Não teve a espectacularidade que se esperaria, mas também não desiludiu. Nem fez grandes diferenças, essas ficam agora a engrossar o role das expectativas para a decisiva etapa de sexta-feira, a etapa rainha dos Pirinéus com o Col d´Aspin, o Tourmalet e o d`Aubisque.


Surgiu finalmente Nairo Quintana, que ganhou a etapa. Mas não ganhou muito com isso - valeu-lhe apenas a subida ao quinto lugar. E Thomas, terceiro, depois de Daniel Martin, reforçou a liderança arrumando, provavelmente de vez, com Froome. Que foi ainda ultrapassado por Tom Dumoulin, agora segundo da geral. 


Froome já está a mais de 2,5 minutos do seu colega de equipa, mas apenas a pouco mais de meio minuto do holandês. Mas as dificuldades que evidencia contrastam claramente com as facilidades que Tomas revela. E que, se não enganam, tornam-no no rosto do vencedor deste Tour!


 


 


 

terça-feira, 24 de julho de 2018

Estávamos avisados...

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Perante a tragédia dos incêndios na Grécia é impossível não lembrar o que se passou em Portugal no ano passado, que nunca seremos capazes de esquecer. 


Portugal e Grécia têm muita coisa em comum. A maior delas é a geografia, por muito que muitos, alguns de forma miserável, queiram encontrar outras. E, logo  a seguir, o nível de desenvolvimento que, se calhar, empurra o mais miseráveis para as mais miseráveis comparações.


Em Portugal os incêndios queimaram e mataram no interior desertificado e pobre, e a responsabilidade foi atribuída à macrocefalia do país, de um país virado para o litoral, de costas para o interior. Na Grécia ardeu o litoral, arderam as praias e os resorts, apinhados de gente, e a responsabilidade foi atribuída à especulação imobiliária.


O norte da Europa, atingido pelas altas temperaturas do sul, também está a arder.  Noruega, Finlândia e especialmente a Suécia, estão, como nunca, a ser devastadas por fogos. E no entanto pouco - ou mesmo nada - têm em comum com a Grécia e Portugal.


Por todo o mundo os incêndios estão a tomar proporções nunca vistas, mesmo naquelas zonas mais habituadas a estas catástrofes, como aconteceu há semanas na Nova Zelândia, e na semana passada na Califórnia.


No Japão, mesmo sem incêndios, morre-se por estes dias ... de calor. E noutras regiões com inundações...


Não vale a pena ignorar. Há 30 ou 40 anos que andamos a ser avisados disto pela comunidade científica. Nunca foi dada importância nenhuma a esses avisos, havia sempre coisas mais importantes a tratar. Trump ainda hoje nega isso tudo, e continua a ter coisas mais importantes para fazer...


Estamos já a viver aquilo que muitos de nós, sempre centrados no nosso umbigo e incapazes de ver um bocadinho mais além, julgávamos não acontecer no nosso tempo. Aquilo que sempre pensamos que seria problema dos outros, e muito particularmente dos que cá chegassem depois de nós. 


Claro que não sentimos, todos, os efeitos da mesma maneira. Os mais desenvolvidos terão sempre mais condições para os minorar. Por isso os incêndios matam mais na Grécia e em Portugal que na Suécia ou na Noruega!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

"Qual destas três palavras não compreendeu"?

 


 


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"Não há dinheiro" - diz António Costa, rendido a Mário Centeno.


"Não  há dinheiro" - dizia Vítor Gaspar há meia dúzia de anos, em pleno furacão da crise. Acrescentava-lhe ainda, dourando-lhe a dureza - "qual destas três palavras não compreendeu"?


Entre estes dois "não há dinheiro" não há apenas meia dúzia de anos. Há todo um mundo. Um mundo de coisas que faz com um não tenha nada a ver com o outro.


O "não há dinheiro" de Vítor Gaspar era literal. Simplesmente não havia dinheiro, nem onde o ir buscar. O país estava sob resgate, sem soberania e sem dinheiro. O "não há dinheiro" de Costa e Centeno não tem nada a ver. O país tem o mais baixo défice de sempre, paga os juros mais baixos de sempre, e dispõe de toda a margem de decisão para alocar os seus recursos.


 O "não há dinheiro" de Costa e Centeno não é "não há dinheiro". É simplesmente "não há dinheiro para aquilo que vocês querem". É um "não há dinheiro" mentiroso. Há dinheiro, claro que há dinheiro, as prioridades para o gastar é que são outras que não as dos destinatários do "não há dinheiro". Que não são também os mesmos, antes pelo contrário - Vítor Gaspar dirigia-se à oposição; Costa e Centeno dirigem-se aos "suporters"! 


Por isso, e só por isso, é que não lhe acrescentam a "arrogante" interrogação de Vítor Gaspar: "qual destas três palavras não compreendeu"? Mas a arrogância está lá toda na mesma...


 


 

Cortinas de fumo

Aumenta a tensão entre EUA e Irão.


 


Tudo serve a Trump para destabilizar o mundo, e torná-lo num sítio muito perigoso. Nem que seja apenas para desviar as atenções... 


Paul Manafort, o responsável da campanha campanha de Trump entre Março e Agosto de 2016, vai a julgamento já depois de amanhã. E para que não se saiba o que se vai ficar a saber ... ameaça o Irão!


São as famosas cortinas de fumo. Só que o fogo que Trump usa para fazer fumo é perigoso de mais...


 


 


 


 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A ocasião faz o ladrão*

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O assunto vinha sendo falado entre dentes, mas agora é já à boca cheia, a ponto de se dizer que até já chegou ao Ministério Público. Refiro-me a esquemas de aproveitamento fraudulento dos fundos para a reconstrução de casas nas zonas atingidas pelos trágicos incêndios de Pedrógão Grande, há pouco mais de um ano.


Já se falou de desvios de fundos disponibilizados pela gigantesca onda de solidariedade nacional, de valores que nunca apareceram, de outros que ficaram retidos nas malhas da burocracia e até dos que acabam consumidos nos meandros da sua própria gestão, quase sempre autofágica.


Agora sabe-se que, depois de 17 de Junho do ano passado, depois dos incêndios, houve gente que alterou a morada fiscal para garantir o acesso aos fundos de reconstrução. Que há casas que nem casas eram, e casas ardidas que nem sequer arderam. Que vale tudo para enganar todos!


Dir-se-ia que é notável como somos capazes de ser tão generosos e, ao mesmo tempo, tão gananciosos. Como somos capazes do melhor e do pior, de tudo e do seu contrário. Como somos capazes de dar e de roubar. Como somos capazes de responder como ninguém à desgraça alheia, mas também, como ninguém, de nos aproveitarmos dela. Dir-se-ia que somos um povo bipolar, do oito e do oitenta, como tantas vezes de nós próprios dizemos.


Mas não. Não é nada disso. Porque não são os mesmos que dão que, depois, vão roubar. Não são os mesmos que correm a acudir que, depois, correm a sacar. Não. Uns dão, outros roubam. Uns acodem na desgraça, outros sacam nos despojos.


Uns e outros são portugueses. É por isso que nem os portugueses são de uma generosidade ímpar, nem os portugueses são uma cambada de aldrabões sempre à coca de enganar tudo e todos. Há uns e outros…


Só que … “a ocasião faz o ladrão”. E em Portugal o que não falta é ocasião!


 


*A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Tour de France 2018 - II


 


Ao segundo dia, os Alpes trouxeram a normalidade de volta ao Tour. A mais curta etapa (apenas 108,5 quilómetros) desta 105ª edição do Tour, à excepção óbvia dos contra-relógios, corrida sob o olhar altivo do fantástico Mont Blanc, foi um espectáculo de ciclismo verdadeiramente fabuloso.  Os últimos 400 metros da chegada a La Rosière (Espace San Bernardo) foram de rara emoção. O espectáculo, esse, já vinha bem de trás. E chamou-se Alejandro Valverde, Dumoulin, Geraint Thomas e Chris Froome.


Dos quatro, só Valverde não fica na História. Porque nunca reza dos vencidos, e Valverde acabou a perder. E muito. Como perdeu Mikel Nieve, na frente da corrida durante muito tempo, e na frente à entrada dos últimos 300 metros, acabando batido, primeiro, por Thomas, e depois, incrivelmente, ainda por Froome e Dumoulin.


O camisola amarela, o belga Avermaet que ontem resistira surpreendentemente à primeira abordagem aos Alpes, hoje desapareceu nas profundezas da classificação geral. E o próprio Valverde, que ontem era terceiro, desapareceu do top ten


Amanhã há mais. E logo com o mítico Alpe D`Huez... Mas o que o Monte Branco testemunhou é que Thomas e Froome estão bem acima da concorrência. O tetra campeão do Tour tem a desvantagem do desgaste do Giro, que ganhou pela primeira vez. Mas tem a enorme vantagem de ter na sua equipa o seu maior concorrente. E Thomas, logo que hoje vestiu a camisola amarela, fez questão de dizer que tinha a missão de a entregar ao chefe!


 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Mandela - 100 anos

 


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Não é possível assinalar o centenário do nascimento de Mandela sem assinalar o vazio das actuais lideranças. Lembrar este gigante da História é lembrar a dimensão liliputiana dos protagonistas dos dias que correm!

Tour de France 2018 - I

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Começou hoje a 105ª Volta à França!


Não levem à letra. Na verdade o 105º Tour de France já começou há mais de uma semana, teve até já - ontem - a primeira das duas folgas da competição, os chamados "dias de descanso". Mas, de verdade, a sério, começou hoje com a primeira subida aos Alpes, na 10ª etapa, nos 158,5 quilómetros entre Annecy e Le Grand-Bornard. Também aqui começou apenas hoje, bem mais tarde do que é costume .


Para trás ficaram as etapas dos sprints e das quedas, que tanta vez decidem tanta coisa. E aquela etapa de Roubaix, a dos pavés, que mais parece uma carnificina... Terá tradição, terá porventura algum encanto, mas ... não faz sentido. Não faz qualquer sentido manter uma etapa daquelas, que é a mais pura lotaria do ciclismo. 


Mais uma vez as vítimas foram muitas. Entre elas, o australiano Richie Porte, um dos principais favoritos. Provavelmente o mais forte concorrente de Froome.


Nem sempre assim tem acontecido mas, desta vez, todas estas circunstâncias acabaram com a camisola amarela no dorso de  um belga mais ou menos desconhecido - Avermaet, da BMC, colega do azarado Porte. Vestiu-a à terceira etapa, o contra-relógio por equipas, que a sua equipa ganhou, e reforçou-a exactamente na etapa de domingo, no pavé que lhe levou o líder.


Era convição geral que a despiria hoje, lá no alto. Mas não foi assim. Lutou com notável bravura, entrou numa fuga logo no início da etapa, e surpreendeu toda agente. Foi quarto na etapa, ganha pelo francês Alaphilippe, e acabou com a liderança reforçada.


Nada que assuste a Sky, que acolhe e protege os dois principais favoritos: Thomas e Froome, separados por 1 minuto, respectivamente segundo e sexto.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

De pernas para o ar

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Há uma semana Trump humilhou os parceiros da NATO. Há dois dias, humilhou toda a Grã Bretanha, nada nem ninguém lhe escapou. Nem a Rainha... Chegado a Helsínquia, lado a lado com o seu amigo, inspirador e par, humilhou a América.


Quando Trump diz ao mundo que acredita em Putin, e não nos serviços secretos americanos, humilha a América. Quando acusa os seus antecessores de responsáveis pelas más relações com a Rússia, trai o seu país.


Pelo meio, entre a humilhação da NATO e do Reino Unido e da própria América, Trump rebentou com todos os pilares do Ocidente, ao declarar inimigos a Europa e o Canadá.


Talvez agora os mais renitentes comecem finalmente a perceber a perigosidade da criatura. Não, não é embirração!


Putin?  Esse só dá por bem empregue o tempo (e o dinheiro) que gastou para o colocar na Casa Branca. Para já tudo lhe corre bem... O mundo já está de pernas para o ar!


 

Provavelmente...

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Aqui há uns anos ficou famoso um slogan publicitário criado para uma marca de cerveja - "provavelmente a melhor cerveja do mundo"... Pegou de tal forma que permanece como imagem de marca da Carlsberg. 


Creio que serviria bem para anunciar a cimeira de hoje, em Helsínquia, entre "provavelmente, os dois mais odiados líderes do mundo"!


Nem o "make up" de um, no Mundial ainda fresquinho, e que nem as Pussy Riot conseguiram borrar, nem o anúncio da recandidatura, pelo outro, conseguem mudar nada disso. Provavelmente...

domingo, 15 de julho de 2018

Rússia 2018#16 Os melhores

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Os melhores da FIFA:


Melhor guarda-redes: Courtois


Melhor jogador: Modric


Melhor jóvem: Mbappé


Melhor marcador: Kane (6 golos)


 


O meu onze - uma equipa sem Ronaldo, sem Messi, sem Neymar, sem Lewandowsky...


Estranho!


 



 Courtois


           

         Trippier


 

     Varane



        Godin


 

                        L.Hernandez


   

 


 


     
   

      Witsel        


   

        


          Mbappé


   De Bruyne  

    Hazard


   

 


 Modric


   
           
 

           



Lukaku              


 

Rússia 2018#15 - A França, mas...

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A França é campeã mundial de futebol, vinte anos depois. Os franceses vieram à Rússia para ganhar e... ganharam!


O jogo da final de Moscovo confirmou isso mesmo, o pragmatismo do futebol da selecção francesa, cheia de grandes jogadores, dos melhores para cada posição, simplesmente programados para ganhar. Foi isso que mais se notou nesta final, num jogo disputado entre uma equipa preparada para jogar futebol, do bom, e outra para ganhar. Entre o futebol cínico e o futebol sexy,


Ganhou o futebol cínico. Ganha muitas vezes, ganha mais vezes ainda quando é servido por grandes jogadores. Pelos melhores!


 Ao intervalo a França ganhava por 2-1. Com um remate à baliza. Um único, e mesmo esse num pontapé de penalti. E com 31% de posse de bola. Na segunda parte não melhorou a posse de bola, mas rematou um pouco mais: fez quatro remates. Que lhe renderam mais dois golos.


Poderia dizer-se que foi esta a história do jogo, uma história de eficácia. E que, dito isto, fica a estória contada. Fica tudo dito sobre o jogo. Mas não, há mais qualquer coisa a dizer.


A Croácia surgia mais desgastada que a França. Porque se desgasta mais - o seu futebol de construção é mais desgastante - e porque, obrigada a jogar o prolongamento de 30 minutos em todos os jogos a eliminar, jogou mais 90 minutos, mais um jogo completo. E porque teve menos um dia de descanso. Mas isso não se notou, e os jogadores croatas depressa tomaram conta do jogo, com o seu futebol envolvente, de circulação pelos flancos e de cruzamentos a pedir conclusão na zona de golo.


Não lhe valeu de muito. Na primeira invasão francesa aos terrenos defensivos da Croácia, Griezmann fez uma das suas fitas e sacou um falta já próximo da área adversária, sobre a esquerda. Encarregou-se ele próprio da cobrança, e Mandzukic voltou a marcar. Só que desta vez na própria baliza, no décimo segundo auto-golo deste mundial - recordista na especialidade - mas o primeiro numa final do campeonato do mundo.


Sem rematar à baliza, pouco depois de esgotado o primeiro quarto de hora, a França já ganhava. E sabe-se no que isso costuma dar...


Mas não deu. A Croácia, qual formiguinha, não se deixou impressionar e voltou ao trabalhinho, como se nada se tivesse passado. Estava bem habituada a isso - em todos os jogos tinha começado a perder, e no entanto estava ali, na final a discutir o título mundial. Continuou a dominar o jogo, a jogar melhor, a mandar no ritmo e a ter a bola só para si. E apenas 10 minutos depois repunha o empate, num excelente golo de Perisic. A bola veio de um canto, é certo, mas não é justo dizer que foi mais um golo de bola parada...


Só que, mais 10 minutos, e um penalti do VAR voltaria a colocar a França na frente do marcador. Penalti de Perisic, na sequência de um canto, mas tão falso como o livre do primeiro golo. O VAR... tem destas coisas.


E lá voltou de novo a Croácia ao trabalhinho... Até ao intervalo, a deixar  incólume um resultado cheio de mentiras...


No início da segunda parte LLoris negou o golo do empate, e percebeu-se a importância do momento. Até porque a equipa francesa subia as linhas e o desgaste croata começava a vir ao de cima. Até chegarem aqueles cinco minutos fatais, depois de fechado o primeiro quarto de hora. Primeiro foi Pogba, aos 60 minutos, num contra ataque que acabaria no aproveitamento de um ressalto, em que Modric acabou ainda por perder a noção do espaço e da bola, a desferir um golpe decisivo no melhor futebol desta final. E aí acabou a resistência da Croácia, já sem capacidade física e mental para voltar mais uma vez ao trabalhinho.


Cinco minutos depois Mbappé, já em compelto aproveitamento das circunstâncias, desferia o golpe de misericórdia numa Croácia finalmente derrotada. O caricato golo de Mandzukic, 4 minutos depois (três golos em 14 minutos numa final de um mundial, é obra!) teve apenas o condão de pôr algum gelo na arrogância francesa.


A França sempre foi uma das favoritas, e não surpreende que tenha sido campeã. Mas, com os jogadores que tem, francamente... Tem que jogar muito mais.


 


 


 

sábado, 14 de julho de 2018

Ciáticas

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Rússia 2018#14 - Bélgica: um monumento ao contra-ataque!


 


Confirmando o seu estatuto de grande equipa, de uma das melhores selecções do mundo na actualidade, a Bélgica concluiu a sua participação no mundial da Rússia no terceiro lugar, com a medalha de bronze, depois de vencer a Inglaterra, outras das melhores selecções da actualidade. E com grande futuro, a próxima década será certamente de grandes feitos para a selecção inglesa!


Foi mais um bom jogo. Passada que foi a primeira fase, feita a primeira selecção natural, o campeonato do mundo foi outro. Não é novidade nenhuma, é (quase) sempre assim, e faz por isso alguma impressão que a FIFA esteja a anunciar a possibilidade de alargar a 48 selecções o próximo mundial, no Qatar e no inverno. Foi outro porque ficaram as melhores equipas e os melhores jogadores, mas também porque ficaram os melhores árbitros: acabaram-se as macacadas do VAR, não mais se deu por ele, mesmo que lá tenha continuado. E acabaram-se e os penaltis!


Mesmo que na primeira parte tenha havido alguns períodos de menor interesse, mesmo que o golo da Bélgica tenha surgido logo no início, o jogo nunca desceu do nível de qualidade exigido a estas equipas. E na segunda parte foi quase sempre espectacular, com a Inglaterra à procura do golo do empate, e com a Bélgica a dar um recital de futebol de contra-ataque.


Esta selecção belga é um monumento ao contra-ataque. Não só porque o usa como mais ninguém mas, acima de tudo, porque lhe introduz uma espectacularidade nunca vista. Há muito que há muito futebol a viver do contra-ataque, há muito que muitas equipas fazem do contra-ataque plano de jogo. Mas nunca nenhuma o elevou ao nível que Witsel, De Bruyne, Hazard e Lukaku fizeram. Os melhores jogadores fazem sempre tudo melhor que os outros, e estes são mesmo do melhor que anda por aí...


E foi - tinha de ser - em mais uma fantástica jogada de contra-ataque que, quando a Inglaterra estava por cima na procura do empate, Hazard fez o segundo golo da Bélgica, a cerca de 10 minutos do fim. Acabando com o jogo e garantindo, pela melhor selecção de sempre, a melhor classificação de sempre da Bélgica.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Lição de vida*

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Apesar das longas horas que as televisões dedicaram ao assunto, das muitas explicações de quase sempre os mesmos, que sabem de tudo, de tudo, e que sobre tudo têm sempre alguma coisa a acrescentar que nunca acrescenta nada, sabemos muito pouco do que se terá passado naquela gruta tailandesa donde acabaram de sair, se não sãos, pelo menos salvos, 18 dias depois, aquelas 12 crianças e o jovem adulto – bem adulto, certamente - que os ensinava a jogar à bola.


Saber-se-á mais, aos poucos. E dentro de pouco tempo, Hollywood acabará por nos contar tudo. E mais alguma coisa… Como é inevitável.


Sabe-se que muito pouca gente acreditou no sucesso da operação. Que, mesmo assim, foram envolvidos infindáveis recursos e largos milhares de pessoas, de todo o mundo. E que nem Elon Musk quis ficar de fora, queremos crer que sem outros objectivos que não fossem ajudar. Por pura vontade de ajudar, acreditemos...


Que morreu um mergulhador tailandês, logo no início das operações de salvamento. E que 100 outras pessoas envolvidas na gigantesca intervenção na gruta correram sério risco de vida, já no fim de tudo, depois de concluído o resgate. Ao que se diz por avaria das bombas de água.


O que não se sabe é como foi possível manter 12 rapazes, ainda crianças, calmos durante todo aquele tempo. Como foi possível evitar-lhes o caos emocional e mantê-los num quadro da mais férrea disciplina de sobrevivência durante as quase duas semanas em que permaneceram incontactáveis, sabendo que ninguém sabia, e que provavelmente nunca viria a saber, nada deles. Num espaço reduzido, nas profundidades do subsolo, sem qualquer tipo de comunicação com o exterior, sem luz de qualquer espécie, sem alimentos, sem água potável… Ou como foi possível, depois de se saberem finalmente encontrados, gerir a ansiedade da espera, da incerteza, dos limites de cada um…


Poderá até acontecer que algumas das respostas estejam numa cultura que desconhecemos, provavelmente bem distante da que é a nossa. Mas, para mim, não tenho dúvidas: aquele jovem de 25 anos que os ensinava a jogar à bola soube ensinar-lhes muito mais coisas. Coisas que farão destes 18 dias toda uma vida inteira de sabedoria! 


 


A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Rússia 2018#13 - A Croácia, pois claro!


 


É a Croácia quem vai discutir com a França o título mundial de futebol. E com toda a justiça, mesmo que lá chegue quase em modo "Portugal Europeu de França", ao fim de três prolongamentos consecutivos.


Foi assim, mas ainda nos penaltis, que afastou a Dinamarca, nos oitavos de final, e a Rússia, nos quartos. Foi assim, mas com vitória no prolongamento, que hoje garantiu pela primeira vez presença na final da maior competição de futebol, afastando a surpreendente jovem selecção inglesa. Foi assim, mas também com muito futebol.


A Croácia é uma das quatro melhores selecções (com o Brasil, a Bélgica e a França, todas diferentes mas todas iguais no mais alto patamar deste mundial) da competição, com um futebol atractivo, feito de ataque, sempre virado para a frente. Também ela a viver de uma grande geração de jogadores em plena maturidade...


À excepção da primeira parte, onde a Inglaterra esteve quase sempre por cima do jogo, a Croácia foi sempre melhor em todos os capítulos do jogo, sob a batuta do extraordinário Modric. Um jogador fabuloso, que encontra na selecção croata o espaço de luz para o brilho que o Real Madrid lhe esconde.


A selecção inglesa ultrapassou todas as expectativas, e deixou bem claro que, com a margem de crescimento que a sua juventude lhe garante, será no Qatar um fortíssimo candidato. Se aquilo vier a conseguir ser uma competição de futebol...

terça-feira, 10 de julho de 2018

Rússia 2018#12 - o grande futebol

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No dia em que Cristiano Ronaldo foi confirmado na Juventus, e em que o mundo pôde assistir ao assalto final à gruta de Tam Luang, e ao resgate dos últimos jovens tailandeses, ficou conhecido o primeiro finalista deste campeonato do mundo, a primeira das duas selecções que no próximo domingo disputarão a grande final, que terá eventualmente como espectadores especiais justamente estes jovens que nas últimas semanas  emocionaram o mundo.


Depois de um grande jogo de futebol é a França que segue para a final de Moscovo, mercê de um golo do central Umtiti, em mais um golo de bola de parada, num pontapé de canto ainda na fase inicial da segunda parte. A Bélgica não chegou ao céu, foi empurrada para o purgatório, a que chamam jogo de consolação, mesmo que o consolo seja pouco. Ou nenhum...


Este seria sempre o jogo da final antecipada, este seria sempre o confronto entre as duas melhores equipas da competição. Seria assim, se lá estivesse o Brasil. Como foi assim com a Bélgica, uma grande equipa de futebol que explodiu finalmente. Depois de tantos anos de promessas, cumpriu. Cumpriu tudo o que vinha prometendo nos últimos três ou quatro anos, quando esta fantástica geração de jogadores atingiu a maturidade plena.


Passou a França, o único dos grandes favoritos que nunca falhou. Confirmou que é uma grande equipa, cheia de jogadores de altíssimo nível. A maioria deles ainda jóvens - apresentou a mais baixa média de idades num mundial - mas todos eles jagadores feitos, e já em plena maturidade, o que faz desta selecção francesa um caso sério do futebol mundial. 


Deve provavelmente grande parte do seu sucesso a esta maturidade. Já evidenciara, antes deste jogo, clara vantagem sobre a Bélgica na forma como geria os jogos, com muito mais tranquilidade, doseando bem a carga emocional, sabendo arrefecer o jogo. Por isso se desgastou sempre menos, física e mentalmente.


Hoje isso foi mais uma vez decisivo. A Bélgica foi muito superior na primeira parte, tal como acontecera no jogo com o Brasil. Mas, também como nesse jogo, não aguentou o mesmo ritmo na segunda parte. A diferença foi que desta vez não conseguiu capitalizar a sua superioridade técnica e táctica (o seleccionador, o espanhol Roberto Martinez, um verdadeiro estratega, consegue sempre surpreender tacticamente o adversário) da primeira parte, acabando por não tirar qualquer rendimento do seu melhor período. Após o intervalo, que Deschamps aproveitou bem, a França entrou melhor. E com o golo, logo ao fim dos primeiros 5 minutos, o jogo mudou por completo. E veio ao de cima toda a sua maturidade, que lhe permitiu gerir o jogo como mais gosta e melhor sabe.


Pode não ganhar a final do próximo domingo, mas que é bem provável que a França conquiste na Rússia, na sua terceira final, o seu segundo título mundial, lá isso é. 


E quando faltam três jogos para que o pano caia, já se pode dizer que, ao contrário do que a determinado momento se chegou a recear, o grande futebol passou pela Rússia. Chegou atrasado, mas a tempo de nos mostrar como eram descabidas, num mundial discutido por equipas europeias, as ditas ambições do campeão europeu.


 


 

Agora as coisas são mais assim...

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Que o leite materno e a amamentação é o melhor para a criança, para o seu desenvolvimento físico e emocional, em particular no domínio imunitário e no afectivo, não é novidade para ninguém. Novidade é que a Assembleia Mundial da Saúde, o órgão de decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), não tenha conseguido aprovar uma resolução a confirmar isso mesmo. A sustentar aquilo que a ciência provou e que já toda a gente sabe!


É verdade. O mercado dos substitutos do leite materno vale qualquer coisa como 70 mil milhões de dólares, e os Estados Unidos não permitiram que tal coisa pudesse ser aprovada. Interromperam a votação e passaram a ameaçar, e a obrigar a mudar de posição, tantos países quanto os necessários para impedir a aprovação da resolução. E até a própria OMS, o que também já não é novidade...


As coisas nunca foram muito diferentes disto. Sempre foram mais ou menos assim. Só que agora, com Trump, são mais assim! 


 


 


 

domingo, 8 de julho de 2018

Guterres é também isto...

 


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Com o mundo de olhos postos naquela gruta da Tailândia à espera de mais um desfecho feliz em mais uma fantástica história de sobrevivência humana, na Turquia, o todo poderoso Erdogan avança pela sua lista de purgas com vista à destruição de todo e qualquer foco de oposição e de desobstruição do mínimo sinal de resitência ao seu projecto de poder pessoal e totalitário.


Aproveitando o estado de emergência que ainda vigora antes da (re)tomada de posse, e aproveitando o domingo, Erdogan fez publicar no "diário da república" lá do sítio a lista de 18500 funcionários públicos despedidos por razões de segurança nacional, elevando para 110 mil o númeos de funcionários do Estado expurgados nos últimos dois anos. 


Desta nova lista publicada ontem às 5 da manhã não consta, no entanto, o nome de Aydin Sefa Akay, o juiz do Tribunal Penal Internacional, sedeado em Haia, que António Guterres não reconduziu. Renovou por mais dois anos todos os mandatos de todos os juízes do Tribunal Penal Internacional, à excepção do deste turco por quem Erdogan não nutre especial simpatia.


Quando não dá para inscrever na lista a publicar no "diário da república", Erdogan sabe como fazer. E Guterres é também isto... Lamentavelmente, como sabemos... 


 


 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Rússia 2018#11 - o mundial europeu

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E ao primeiro dia de quarto de final só resta Europa. Os mundiais sempre estiveram fortemente sujeitos à lei da continentalidade mas, de forma tão flagrante, nunca. Seis em seis. As seis selecções que ainda estão em prova são europeias. As semi-finalistas serão europeias, e o campeão do mundo é europeu!


Primeiro foi o Uruguai, às mãos da França, como se esperava. Talvez não se esperasse era que o jogo fosse tão marcado de circunstâncias. Circunstâncias do jogo, também muitas vezes chamadas de sorte e azar.


E o Uruguai, tantas vezes, como no jogo do nosso descontentamento, com a sorte do jogo, desta vez viu-a do outro lado. Desde logo com a ausência de Cavani, que simplesmente aviara a selecção portuguesa. Depois, a França marcou na primeira oportunidade que teve, como também tinha acontecido ao Uruguai, no sábado passado, mas como não lhe aconteceu desta vez. E nunca mais teve como agarrar o lado confortável do jogo. E por fim os guarda-redes... Enquanto Lloris defendeu tudo o que lhe apareceu pela frente, negou mesmo o empate logo a seguir ao golo francês com aquela que terá sido a melhor defesa do mundial, Muslera, pelo contrário, fez o segundo golo, numa casa inimaginável e acabou com o jogo.


A França é melhor, muito melhor e mesmo, agora, a melhor equipa em prova. Mas teve a sorte do jogo.


Depois... Foi o escândalo, mais um neste campeonato do mundo, com a Bélgica a mandar o Brasil para casa, no melhor jogo de futebol que a Rússia teve para nos oferecer. Note-se que os melhores nacos de futebol que nos foram servidos tiveram por protagonistas estas duas equipas. 


Na primeira parte foi a Bélgica a dar espectáculo. Na segunda foi o Brasil. E no fim foram, mais uma vez, os guarda-redes a fazer a diferença. Não que o Alison tenha tido alguma responsabilidade nos golos sofridos, mas sofreu os que teve para sofrer. Ao contrário do Courtois, que apenas sofreu um dos quatro ou cinco que teve para sofrer.


E pronto, lá se foram as minhas previsões. Eu bem dizia que estava a pôr o carro à frente dos bois. Como todos os brasileiros, afinal... Numa coisa não me enganei - aquela meia final é mesmo a final antecipada. Só que em vez de ser com o Brasil é com a Bélgica. 


Porque, sem dúvida nenhuma, França e Bélgica são agora as duas selecções mais fortes que lá estão. A França é globalmente melhor, e está física e mentalmentem mais fresca. Mas isso pode nem querer dizer muita coisa. Outra coisa é o mundial ter virado europeu. E diz-se por aí que a França tem umas contas a ajustar com o europeu...

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O Problema*

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A recuperação da progressão na carreira dos professores tornou-se, de repente, provavelmente no maior problema político do país, capaz de condicionar fortemente o nosso futuro próximo. Não é um problema. É o problema!


Para já só temos duas certezas. A primeira é que os professores têm tanto direito a recuperar o que perderam nos anos da crise como qualquer outra categoria de portugueses. Os professores foram sacrificados nestes últimos 10 anos – e são até muito penalizados em muitas das circunstâncias em que exercem a sua profissão – mas houve muito mais portugueses muito mais sacrificados. Os que perderam o emprego e não mais o recuperaram, os que, os que perderam o emprego e quando o recuperaram nunca mais recuperaram o salário anterior e os centenas de milhares que tiveram que tiveram de abandonar o país e a família, muitos deles também professores.


A segunda certeza é que o governo tratou muito mal do problema. Com leviandade e sem frontalidade e rigor. Começou por não ser claro, por empurrar a coisa para baixo do tapete, à espera que fosse o tempo a resolver o que lhe competia a si resolver para, agora, perder por completo o senso, como se viu no lamentável episódio da referência às obras do IP3. Em política, trade off é chantagem. Quando é populista, para além de chantagem, é uma vergonha!


Não é preciso muita intuição para perceber que contrapor obras numa estrada à reivindicação dos professores, quando as divergências são bem maiores que as convergências, quando há um orçamento para aprovar, e quando começa a intensificar-se o cheiro a eleições, não é a melhor das ideias …


Nem nada que se pareça!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Este Verão eu vou...

1. Quebrar um princípio e entrar numa cadeia. Não é o que parece: nunca entro em cadeias do que quer que seja, fujo de andar em rebanho (a expressão é outra, mas é mais simpático assim), mas desta vez não resisti à convocatória do (da?) Sarin e ao desafio da Sara. E aí estou... porque não é o que parece...


2. Aproveitar todos os dias de sol. Que neste Verão estão pela hora da morte. Começa a ser mais fácil encontrar uma agulha num palheiro. Ou encontrar uma casita em Lisboa que não tenha preço de palácio...


3. Chegar à praia e pôr-me a andar antes de estender a toalha. Se for depois, já é difícil... 


4. Agarrar todas as sardinhadas que encontrar. Não perder uma. Agora, que as festas dos santos populares já lá vão, já posso assumir este compromisso.


5. Dormir umas belas sestas. Não podem ser muitas, troco a qualidade pela quantidade. Poucas mas boas...


6. Ler umas coisas que estão atrasadas, e que não se podem atrasar mais. Se não passam de validade... 


7. Pôr em dia umas séries que estão guardadas nas gravações. Algumas já têm bolor, e muitas já só estão a ocupar espaço.


8. Não perder pitada do Cistermúsica. Imperdível, até 29 de Julho, mesmo que o cartaz deste ano possa estar um pouco distante dos melhores.


9. À Eusébio Cup. Se ainda se lembrarem do Eusébio. E se não for numa América qualquer...


10. Convidar a Sara e mais dois parceiro/as para umas cartadas. Umas "king(adas)"!


 


E pronto. Cumprida a primeira a parte da cadeia, vamos à segunda: convoco o Pedro Correia, do Delito de Opinião, o Paulo Sousa, do Vale do Anzel, o Dylan, do Dylan´s World, o Daniel João Santos, do Dia de Clássico, e a Cristina Torrão, do Andanças Medievais.


Agora falta a terceira: avisar a malta, como dizia o Zeca!


 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Rússia 2018#10 - Pondo o carro à frente dos bois

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Estamos a meio da primeira pausa no campeonato do mundo, na ponte dos oitavos para os quartos de final da competição. 


São oito as selecções que partem agora, já a partir de amanhã, para as grandes decisões. De fora estão os que não passarão de uma pequena nota de rodapé na História deste mundial, mesmo que sejam nomes grandes da História. E de outras histórias... De fora estão grandes jogadores, com Cristiano Ronaldo e Messi á cabeça. Sem grande surpresa.


Nas oito selecções apuradas apenas duas são grandes nomes do futebol mundial. À excepção da França e do Brasil, as grandes selecções estão fora. A Itália não chegou sequer a pôr lá os pés, a Alemanha foi o escândalo da primeira fase, e a Argentina, a Espanha e até Portugal, pela sua condição de campeão europeu, são as vítimas mais sonantes dos oitavos de final.


Brasil e França não são apenas os dois nomes maiores ainda em competição. São claramente as duas mais fortes equipas da prova e, em condições normais - a França não terá grande dificuldade em desenvencilhar-se do Uruguai do nosso descontentamento, e o Brasil, mesmo defrontando a terceira melhor equipa em prova, a Bélgica, não deixará de fazer valer o seu favoritismo -, protagonizarão uma final antecipada nas meias-finais. Uma delas terá de se contentar com o terceiro lugar.


Bafejadas pela sorte das circunstâncias - lembrar que a Bélgica foi penalizada por ter ganho à Inglaterra e, com o pleno de vitórias, ter ganho o grupo - do outro lado do alinhamento estão as restantes quatro selecções, onde a Croácia, um dos melhores projectos de jogo da competição, e a Inglaterra, a subir de produção e em clara rotura com o british kick and rush, são as equipas mais capazes. Uma delas será finalista. A Rússia? Às vezes há milagres, como bem sabemos.


Não há Ronaldo nem Messsi, mas há Cavani (espera-se que possa recuperar), Neymar (a ter que rebolar menos) e Mbappé (o jogador da póxima década), o trio atacante do PSG. E Coutinho, e Hazard. E Willian, e Modric e Pogba. E percebe-se que será essa final antecipada a decidir o melhor do mundial. Se não mesmo o melhor do mundo!


 


 

terça-feira, 3 de julho de 2018

Pantominices

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Com o aproximar do cheiro a eleições a pantominice solta-se e invade-nos os dias. E nisto de pantominice António Costa, apesar de Carlos César, não é gajo para se encolher:



 


 


 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A dimensão do problema, ou um problema de dimensão...


 


O acordo de Merkel com o seu ministro do interior e parceiro de coligação, Horst Seehofer, para já, salvou o governo alemão. Mas não salvou mais nada. Pelo contrário.


O acordo, anunciado com satisfação pelo Sr Seehofer perante o sorriso amarelo da Srª Merkel, converge na construção de "centros de trânsito" na fronteira com a Áustria e na expulsão, mandando-os de volta aos seus países, dos migrantes em "situação ilegal". Todos, evidentemente!


 Angela Merkel, tornada no rosto da tolerância e da democracia europeia, capitulou. E a capitulação é sempre o fim à vista: Merkel tem a partir de agora os dias contados. 


Nada de grave, que por cá mereça grande atenção. Temos coisas mais importantes com que nos preocupar como, por exemplo, estacionamento dos carros da Madona. Esse sim, o grande problema nacional do momento!


 

Rússia 2018#9 - Momento kamikaze

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Uma segunda parte verdadeiramente espectacular fez deste Bélgica-Japão provavelmente o melhor jogo deste mundial da Rússia. 


O Japão, tido pela mais fraca equipa destes oitavos de final, era dado por presa fácil para as grandes garras belgas. Um rótulo de fragilidade agravado ainda por aquela imagem deixada no jogo com a Polónia, o último da primeira fase, em que garantiu o apuramento pelo irónico critério do fair play através da mais lamentável falta de atitude desportiva. 


Pois... Vá lá entender-se este futebol deste campeonato do mundo. O que se viu foi uma selecção do Japão com uma superior organização de jogo, com grande maturidade e enorme disciplina táctica secar o futebol da Bélgica. Como que a pedir desculpa ao futebol pelo que fizera há poucos dias.


Ironicamente acabou por perder o jogo no último lance da partida quando, numa irresistível tentação kamikaze, perdeu a sua organização e permitiu a mais notável jogada de contra-ataque que este campeonato do mundo - arrisco - tinha para mostrar.

Foram-se os anéis ... vão-se os dedos

Capa Diário de Notícias


 


Esta, a de ontem, é a capa da última edição do Diário de Notícias em papel enquanto jornal diário, como foi durante 154 anos. Desde 1864!


Novos "sinais dos tempos" disfarçados de sinal do tempo. O velho DN vai passar a ser um novo diário digital que regressa ao papel ao domingo. Uma espécie de híbrido. Um diário/semanário no digital/papel de que ninguém espera grande coisa. Nem editorial nem economicamente. Custa até ver o notável Ferreira Fernandes, agora director, querer parecer entusiasmado com a ideia ... 


Depois dos anéis, vão-se agora os dedos. É só isso, nada mais que agonia...


 

domingo, 1 de julho de 2018

Rússia 2018#8 - A Espanha do faz de conta


 


A Espanha espalhou-se ao comprido em plena passadeira vermelha que parecia destinada a levá-la até à final. E caiu com estrondo ao tropeçar num futebol de faz de conta. Faz de conta que é o mesmo futebol entusiamante de há 6, 8 ou 10 anos quando já não é mais que um futebol entediante, aborrecido e estéril. Um futebol de faz de conta de Lopetegui, a que Hierro, que faz de conta que é treinador, deu a devida sequência.


Na realidade, na Rússia, a Espanha só fez de conta que era candidata, oito anos depois, como tantas vezes se repetiu na História dos mundiais, a voltar a ganhar o campeonato do mundo.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...