domingo, 30 de novembro de 2014

Um jogo de paradoxos

Por Eduardo Louro


 


 


O Benfica teve hoje, em Coimbra, o jogo mais tranquilo do campeonato, e porventura o mais fácil, contrariamente, depois do afastamento das competições europeias, ao que se poderia esperar. Ganhou tranquilamente, criou inúmeras oportunidades para golo e não consentiu uma única à Académica. E no entanto terá sido este jogo de Coimbra o que mais clara deixou a enorme diferença de qualidade entre esta equipa e a da época passada!


Passo a explicar. Na primeira metade – agora deu nisto, só dá para meias partes – da primeira parte, ou mesmo até perto da meia hora de jogo, o Benfica jogou bem. A equipa esteve a bom nível, criou imensas oportunidades de golo, mas fez apenas um, logo aos 8 minutos, fruto da qualidade extra de dois jogadores excepcionais: Enzo, na assistência – um passe longo de grande exigência técnica – e Gaitan, soberbo na recepção, no domínio com a coxa, a passar pelo guarda-redes e a colocar a bola na baliza!


Depois, esgotada essa primeira meia hora, foi ver a equipa senhora do jogo, a querer jogar como na época passada, com tudo para ser igual mas sem que nada saísse igual. Porque falhava um passe, e depois outro e outro… Porque falhava uma recepção e a partir daí já não era a mesma coisa… Porque a bola ia lá parar, ao sítio certo. Só que ninguém lá estava, no sítio certo…


E isso foi sempre tão flagrante que nunca outro jogo evidenciara com tanta clareza a diferença entre os que partiram (e os que continuam indisponíveis, por lesões ou por outras insondáveis razões) e os que chegaram. Ou alguns dos que ficaram… Coisa que o sumiço que Talisca levou, o erro de casting de Samaris, a vulnerabilidade mental de Jardel (é hoje claro que não consegue manter os níveis de concentração exigidos durante muito tempo, numa, pequena que seja, sequência de jogos) ou o fim do prazo das promessas de Ola John ajudam, evidentemente, a explicar!

Nunca uma ameaça pode ser um argumento. António Costa devia saber isso...

Por Eduardo Louro



António Costa tem todo o direito de pedir maioria basoluta. É legítimo, e até oportuno, que o faça ao encerrar o congresso. Mas... sustentado em méritos próprios... Através de chantagem ou de ameaça é que não!


Não é democraticamente aceitável que António Costa peça ao eleitorado uma maioria absoluta argumentando que, se assim não for, o país perderá um ou dois meses a negociar uma coligação, prolongando a agonia da governação deste governo. Isso não argumento, é ameaça!

Fantasias de Natal

Por Eduardo Louro


Capa do A Bola


Dei uma espreitadela ali para o outro lado da segunda circular e... não gostei muito do que vi.


Falha a luz, falham as redes das balizas... Até a marcção dos livres falha. Tem que se insistir, têm que pontapear a bola duas vezes para cobrar a simples marcação de um livre. Aquela relvado é, também ele, estranho. Reparei que está igualzinho ao do Estoril... Não sei se não haverá mais semelhanças, até mesmo para atenuar o desconforto do Marco Silva, para que consiga repetir o quarto lugar das duas últimas épocas!


Manifestamente exageradas são as notícias que dão conta que ali mora o melhor futebol que por cá se joga. Quanto mais repetidas são maior é o exagero. Mas, depois de um jogo como o de ontem, uma capa destas rompe a barreira dos exageros e entra no domínio das fantasias de Natal!


 


 

sábado, 29 de novembro de 2014

Entendimentos

Por Eduardo Louro


 



 


Pedro Passos Coelho continua, nesta altura do campeonato - voltou a fazê-lo nesta entrevista à RTP - a reclamar entendimentos com o PS, vá lá saber-se por quê. Mas, sobre o entendimento alcançado sobre os subsídios vitalícios dos detentores de cargos políticos, nada... António Costa, voltou hoje a dizê-lo em pleno congresso, nem quer ouvir falar disso. Mas, da mesma forma, faz de conta que não se passou nada nessa tentativa concertada de repôr aqueles subsídios. 


Talvez porque a Isabel Moreira, estranhamente quem mais colocara o pescoço no cepo, já tratou de matar e enterrar o assunto ... 


 


 


 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Agora há que passar aos outros... Faltam tantos!

Por Eduardo Louro



 


Beneficiando de informação previlegiada decide comprar os terrenos onde irão ser construídas as instalações do IPO. Ali para Oeiras, que tem bons ares... E como essa de ir ao Totta é do passado, foi ao BPN dos amigos e criou o homeland. A coisa deu para o torto, o IPO ainda continua em Palhavã e os terrenos deixaram de valer um chavo...


Não há problema... O BPN era para isto mesmo, que se lixe a pátria (homeland). Não havia ninguém para matar... E Duarte Lima foi hoje condenado a dez anos de prisão e a devolver uma pequena parte do dinheiro. Agora há que passar aos outros... Faltam tantos!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Nada de novo. E pouco que interesse...

Por Eduardo Louro


 


 


Não gostei da entrevista do primeiro-ministro e, francamente, não gostei do entrevistador. Não trouxe nada de novo, e creio que o João Adelino Faria ficou muito aquém do que, no momento actual, se exigia. Talvez por a entrevista ter sido agendada – e pensada – antes dos últimos acontecimentos…


Não me interessa muito que o primeiro-ministro tenha confirmado a participação do governo na resolução do BES, desmentindo a ministra das finanças. Nem que recupere o tema do enriquecimento ilícito, o que acho muito bem. Mas acharia ainda melhor que a maioria aproveitasse para, desta vez, tratar seriamente do assunto evitando introduzir-lhe, propositadamente ou não, inconstitucionalidades e impraticabilidades.


Também não me interessa muito que tenha enviado o recado para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. A conclusão que pediu à CPI já estava encomendada, já se sabia que não havia qualquer falha de supervisão do Banco de Portugal. E que a resolução era a única solução possível, na linha do guião da inevitabilidade que o governo apregoa.


Mas já me interessa, e preocupa, que Passos Coelho, na sua velha retórica de colocar o público contra o privado, ache que a corrupção é própria e exclusiva do que é público. E que por isso não há corrupção no que aconteceu no BPN, no BPP ou no BES… E por isso criar a confusão entre intervenção do Estado e a corrupção. E achar que evitar a destruição da PT seria criar condições para a corrupção… Coisa com que a política dos vistos gold não tem nada a ver...


Não me interessa, nem me preocupa, que Passos Coelho ache que o país lhe deve gratidão, e que não pode ser ingrato nas próximas eleições. Mas já me interessa e preocupa que queira que os portugueses julguem que tudo está resolvido, quando continuam sem emprego, sem os salários e as pensões que lhe tiraram, pobres, e afogados em impostos e em dívidas. Sem que isso tenha resolvido coisa nenhuma…  

Assembleia cidadã

Por Eduardo Louro



 


Depois da liderança bicéfala, admite-se agora a tricefalia no topo do Bloco. E depois quadricéla, e por aí adiante... Não há outra maneira de evitar que cada um crie um novo partido!

Sousa Veloso (1926-2014)

Por Eduardo Louro



 


Depois do Senhor Boletim Metereológico, há dias, chegou a vez do Senhor TV Rural... Partiu mais um Senhor da televisão, também aos 88 anos, dono do mais duradouro (30 anos) programa de televisão, um dos poucos - se não mesmo o único - para que não há antes e depois do 25 Abril. Apenas Portugal, o Portugal rural e o Portugal agrícola... Um programa tão ligado a esse Portugal que, hoje, não sabemos se em 1990 acabou porque acabava a agricultura portuguesa se, pelo contrário, a agricultura portuguesa acabou em 1990 por ele ter acabado.


Sousa Veloso despediu-se hoje de nós pela última vez. "Com amizade", evidentemente... 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nada de novo. E pouco que interesse...

Por Eduardo Louro


 


 


Não gostei da entrevista do primeiro-ministro e, francamente, não gostei do entrevistador. Não trouxe nada de novo, e creio que o João Adelino Faria ficou muito aquém do que, no momento actual, se exigia. Talvez por a entrevista ter sido agendada – e pensada – antes dos últimos acontecimentos…


Não me interessa muito que o primeiro-ministro tenha confirmado a participação do governo na resolução do BES, desmentindo a ministra das finanças. Nem que recupere o tema do enriquecimento ilícito, o que acho muito bem. Mas acharia ainda melhor que a maioria aproveitasse para, desta vez, tratar seriamente do assunto evitando introduzir-lhe, propositadamente ou não, inconstitucionalidades e impraticabilidades.


Também não me interessa muito que tenha enviado o recado para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. A conclusão que pediu à CPI já estava encomendada, já se sabia que não havia qualquer falha de supervisão do Banco de Portugal. E que a resolução era a única solução possível, na linha do guião da inevitabilidade que o governo apregoa.


Mas já me interessa, e preocupa, que Passos Coelho, na sua velha retórica de colocar o público contra o privado, ache que a corrupção é própria e exclusiva do que é público. E que por isso não há corrupção no que aconteceu no BPN, no BPP ou no BES… E por isso criar a confusão entre intervenção do Estado e a corrupção. E achar que evitar a destruição da PT é criar condições para a corrupção… Mas que já a política dos vistos gold não é palco privilegiado para a corrupção…


Não me interessa, nem me preocupa, que Passos Coelho ache que o país lhe deve gratidão, e que não pode ser ingrato nas próximas eleições. Mas já me interessa e preocupa que queira que os portugueses julguem que tudo está resolvido, quando continuam sem emprego, sem os salários e as pensões que lhe tiraram, e afogados em impostos. Sem que isso tenha resolvido coisa nenhuma…  

Nada de novo. E pouco que interesse...

Por Eduardo Louro


 


 


Não gostei da entrevista do primeiro-ministro e, francamente, não gostei do entrevistador. Não trouxe nada de novo, e creio que o João Adelino Faria ficou muito aquém do que, no momento actual, se exigia. Talvez por a entrevista ter sido agendada – e pensada – antes dos últimos acontecimentos…


Não me interessa muito que o primeiro-ministro tenha confirmado a participação do governo na resolução do BES, desmentindo a ministra das finanças. Nem que recupere o tema do enriquecimento ilícito, o que acho muito bem. Mas acharia ainda melhor que a maioria aproveitasse para, desta vez, tratar seriamente do assunto evitando introduzir-lhe, propositadamente ou não, inconstitucionalidades e impraticabilidades.


Também não me interessa muito que tenha enviado o recado para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. A conclusão que pediu à CPI já estava encomendada, já se sabia que não havia qualquer falha de supervisão do Banco de Portugal. E que a resolução era a única solução possível, na linha do guião da inevitabilidade que o governo apregoa.


Mas já me interessa, e preocupa, que Passos Coelho, na sua velha retórica de colocar o público contra o privado, ache que a corrupção é própria e exclusiva do que é público. E que por isso não há corrupção no que aconteceu no BPN, no BPP ou no BES… E por isso criar a confusão entre intervenção do Estado e a corrupção. E achar que evitar a destruição da PT seria criar condições para a corrupção… Coisa com que a política dos vistos gold não tem nada a ver...


Não me interessa, nem me preocupa, que Passos Coelho ache que o país lhe deve gratidão, e que não pode ser ingrato nas próximas eleições. Mas já me interessa e preocupa que queira que os portugueses julguem que tudo está resolvido, quando continuam sem emprego, sem os salários e as pensões que lhe tiraram, sem património que lhes valha, e afogados em impostos e em dívidas. Sem que isso tenha resolvido coisa nenhuma…  

O abono de família do André

Por Eduardo Louro



 


Não fosse de todo inexplicável que o Benfica conseguisse a proeza de perder os dois jogos com o Zenit, e encontraria uma explicação: não ganhou porque nunca ousou ganhar!


A equipa russa não ganhou a mais ninguém. Mas basta-lhe ganhar ao Benfica para garantir o apuramento para a fase seguinte da Champions... Se calhar também é isso a grandeza do Benfica... Que controlou o jogo durante toda a primeira parte e que foi muito melhor durante durante a primeira metade da segunda. Não marcou - porque sem rematar à baliza não se fazem golos, e o Benfica cometeu ainda a proeza de fazer um único remate à baliza, por Salvio, ainda na primeira parte - e depois, de repente, Jorge Jesus decide retirar o Talisca do jogo, entregar o meio campo ao adversário e, decididamente, tornar-se no abono de família do André Villas Boas!


Pois é, Jesus: o Zenit é munta forte, mas não ganha a mais ninguém... 


 

Dá pena

Por Eduardo Louro



 


Entre muitas coisas imperceptíveis, outras sem qualquer sentido e até recados para o juiz, e com ar de quem queria bater nos jornalistas todos, percebeu-se que Mário Soares, à saída da visita que fez a Sócrates esta manhã, disse que "toda a gente acredita na inocência neste país" e que "os malandros estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar!»


Não sei o que mais incomoda: se aquilo que se percebeu, se o que não deu sequer para perceber. Se o que se percebeu pode até gerar indignação, o que se não percebeu só dá pena ...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não perceber nada do que se está a passar

 Por Eduardo Louro


 


 


Depois de rapidamente esquecida - ultrapassada pelos acontecimentos - a tentativa de reposição dos subsídios vitalícios dos políticos, primeiro grande momento de consenso entre o PSD de Passos Coelho e o PS de António Costa, para proteger o regime não havia nada melhor que a atitude do PSD perante os deputados eleitos pela Madeira, que votaram ontem contra o orçamento.


A frase é de Luís Montenegro, líder parlamentar laranja, e não podia ser mais assassina:  "não há nenhuma dúvida de que vai haver consequências". E contou com a cobertura imediata do homem do aparelho - Marco António Costa -, como se penalizar os deputados pelo livre exercício dos seus mandatos parlamentares fosse procedimento normal em democracia. Como se o Estatuto dos Deputados, e a Constituição, não referissem expressamente que "os deputados não respondem civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitirem no exercício das suas funções e por causa delas"... Como se, num regime democrático a sério, os deputados tenham de responder aos directórios partidários e não a quem os elege...


O líder parlamentar e o chefe administrativo do PSD não estão a perceber nada do que se está a passar no país. Não admira!


 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Uma nova era na Justiça?

Por Eduardo Louro



 


Parece evidente que a Justiça entrou numa nova fase.  Não sei se decorre da mudança na Procuradoria Geral da República. Ou se, por outro lado, terá alguma coisa a ver com a percepção, por parte do poder judicial e perante a degradação geral das instituições, que teria de assumir as suas responsablidades perante o país. Que tinha de dar um sinal de esperança aos portugueses. Poderá ter tudo a ver com tudo isso, como poderá não ter nada a ver com isso... Não importa, o que importa e é inegável, é que a Justiça perdeu o medo de afrontar os poderosos. E que isso abre uma nova era!


Esta é uma mudança que tem de se saudar. Por muito que choque muita gente, que preferiria manter a paz podre, continuando a varrer toda a porcaria para debaixo do tapete.


Como Clara Ferreira Alves, aterrorizada  com esta "Justiça de terceiro mundo" que "ataca o regime e o que ele representa", sem cuidar de exactamente do ponto a que o regime chegou. E do que representa ... Como Pedro Adão e Silva, que diz que "temos na sociedade portuguesa um exercício de poder da parte das magistraturas com muita arrogância e que questiona os alicerces do Estado democrático", sem questionar o estado em que estão esses alicerces. Ou como o anterior PGR, Pinto Monteiro, que ao explicar a infeliz coincidência do seu almoço da semana passada com Sócrates, diz que "está a haver um aproveitamento político num caso jurídico" e que há agora "uma promiscuidade entre política e justiça", quando não enxerga que é ele próprio que surge aos olhos dos portugueses como agente principal dessa promiscuidade.
Claro que há problemas. Claro que não é aceitável que continuemos a assistir a fugas de informação. Não é admissível que certos orgãos de comunicação social - sempre os mesmos - tenham acesso a informação que deveria estar protegida. Não é tolerável que estações de televisão assistam à detenção, nem que um jornal tivesse uma edição especial pronta a sair. Também não é de bom gosto que as televisões façam disto uma telenovela, e disso já a Justiça não tem culpa nenhuma. Mas não se tome a núvem por Juno!


E acima de tudo desmacare-se quem usa as tribunas de opinião e uma suposta isenção jornalística para virar tudo ao contrário. Que é o que fazem Clara Ferreira Alves e Pedro Adão e Silva, que chegou há momentos, na SIC Notícias, ao desplante de afirmar que, ao decretar a prisão preventiva para Sòcrates, o juiz estava a negar-lhe a presunção da inocência e a afirmar a presunção da culpa!


 


 


 


 


 

Corrupção ... Disse ele!

Por Eduardo Louro


 


O terramoto está aí. Falta saber o grau... E a escala. Mas nunca abaixo de 9, na de Richter!


Desconfio que haja já muita gente a sair de casa...


 


 


 

Não está fácil...

Por Eduardo Louro



 


... Nem as medidas de coacção saem nem a gente janta...


 


 


 

Tempos incríveis

Por Eduardo Louro


 



 


Vivemos tempos verdadeiramente incríveis, em que tudo acontece. Repare-se que até Passos Coelho está preocupado com a destribuição do rendimento... 


Incrível! Quem diria?


Ontem, Passos garantia que os políticos não são todos iguais... Queria ele, ainda a cambalear pela saída de gatas da Tecnoforma, dizer - para bom entendedor ... - que os primeiro-ministros não são todos iguais. Hoje diz que "quer democratizar a riqueza", que quer contrariar a tendência de concentração da riqueza num "núcleo mais restrito" de cidadãos. E que quando aumenta o IRS e baixa o IRC está apenas a criar condições para criar mais riqueza para, depois, a distribuir melhor.


Sabe-a toda... Que se lixem as eleições...

domingo, 23 de novembro de 2014

A vingança serve-se fria

Por Eduardo Louro




A detenção de Sócrates tomou conta do espaço mediático. Da convenção do Bloco, nada... Ou pouco. Vai daí... e da lá sai um empate entre as duas moções!


A convenção está ao rubro. Em suspenso... Como é que vai ser? Todos os olhos se viram agora para o Casal Vistoso...

Presunção de inocência (um esclarecimento)

Por Eduardo Louro


 



 


Corre por aí uma histeria que tende a dividir o mundo entre bons - os que presumem a inocência (de Sócrates, na circunstância) - e maus, os outros, os que não assumem essa presunção. Nessa corrente, os primeiros, os bons, são cidadãos de corpo inteiro, gente de bem, da cidadania. Os outros são justicialistas, justiceiros ou mesmo, mais que para rimar, arruaceiros. Gente quase desprezível...


Como (quase) sempre que se trata de classificar comportamentos à luz do politicamente correcto, confunde-se tudo. A presunção da inocência é um princípio da aplicação da justiça, é um referencial ético e profissional para o agente judiciário. Como, por exemplo, na dúvida, pró réu. Em caso de dúvida o juiz tem de decidir em função dos interesses do réu. São dois princípios basilares da aplicação da justiça, que o juiz tem que observar mesmo que contra a sua opinião pessoal, o seu feeling. Mas são apenas isso: princípios a ter em conta no acto de aplicação da justica!


Traduzem certamente valores civilizacionais, mas não são em si mesmo valores. Falar da presunção da inocência até que a sentença transite em julgado, assim mesmo, com o conceito jurídico do trânsito em julgado, é coisa da Justiça. Presumir da inocência ou da culpa, assim mesmo, sem mais nada, resulta da opinião que cada um faça perante um caso em concreto, de  um juízo de valor que será consequência de um conjunto de factores, variável para cada um. Quando ontem aqui referi que, na sequência de acontecimentos que atingiram o país por estes dias, não havia espaço para a presunção de inocência, estava exactamente a dizer que dificilmente a opinião dos portugueses presumiria a inocência de Sócrates. E isso não tem nada a ver com outro tempo que não seja o momento actual.


Quando alguém presume a inocência ou a culpa de outrém fá-lo independentemente da sentença condenatória, ou de ter ou não transitado em julgado. Fá-lo, bem ou mal, pelo julgamento pessoal que faz dos factos que conhece. Por exemplo, eu continuo a presumir a inocência do Carlos Cruz no caso Casa Pia. E no entanto ele está preso, a cumprir pena (já agora vale a pena, agora que, cumprida metade da pena, se prevê na sua libertação, referir a violência de um sistema que, para essa libertação condicional, obriga à manifestação de arrependimento e, com isso, à assunção definitiva da culpa)!


Não deixa até de ter uma certa graça que, muitos do que agora mais falam de presunção de inocência de Sócrates sejam dos que mais, antes, o acusavam. Disto e de muito mais... Mas também isto é muito do país que somos!


 


 

sábado, 22 de novembro de 2014

E Janeiro aqui tão perto!

Por Eduardo Louro



 


Num dia tão agitado como o de hoje quase nem se dava pelo congresso do Bloco. Nem pela Taça! Mas houve Taça, mesmo que não tenha acontecido taça... O Benfica não deu abébias!


Parece que Janeiro está mais próximo. Para quem está menos familiarizado com o que por aqui se vai escrevendo, e possa pensar que quando se pensa em Janeiro se está a pensar em contratações, há que dizer que nada mais errado: Janeiro é quando o Benfica de Jorge Jesus  começa a jogar à bola como ninguém!


Hoje, o Benfica já conseguiu dar um cheirinho do que terá para mostrar lá para Janeiro. Nas duas primeiras metades de cada parte, mas especialmente na da primeira, já se viu Benfica.


Mesmo com uma equipa bem afastada do que será o onze titular de Jesus... Mas que, à excepção dos laterais (André Almeida e Benito), tem tudo o que é preciso. Mesmo sem Talisca!


O Christante mostrou o que aqui já se tinha dito: que é bom jogador. Pode não ser o trinco de Jesus, mas é um excelente pivot. Pode até nem ser melhor que o João Teixeira, mas é bem melhor que o Samaris... O Enzo já se aproximou um bocadinho do que nos habituou e o Gaitan, quando saiu ao intervalo, já tinha a missão cumprida. E bem. O Derley fartou-se de jogar, a dizer que o Lima pode ficar a descansar e a recuperar forças. E forma. Do Jonas já não há muito a dizer, e o Salvio, que vinha alternando o melhor com o pior, foi hoje apenas capaz do melhor. E quando assim é...


E no fim lá seguiu o Benfica para os oitavos de final da Taça, deixando o Moreirense pelo caminho. Houve Taça, mas não houve Taça. Nem se deu por ela...


E Janeiro aqui tão perto!


 

A Justiça a funcionar?

Por Eduardo Louro


 


 


Que nós não aceitemos que João Soares não aceite "a prisão ("que pudicamente" designam por detenção") de um antigo primeiro-ministro a não ser "por crime de sangue, em flagrante delito", é uma coisa. Que, ao contrário de João Soares, achemos que um ex-primeiro-ministro é um cidadão como todos os outros, que pode ser preso como qualquer um, e sem qualquer prerrogativa de casta, é uma coisa. E por sinal a mesma. 


Outra coisa, e bem diferente, é acharmos que prender alguém à entrada para um avião, a sair do país, é a mesma coisa que prender alguém á saída do avião, a chegar ao país. Quem está a sair do país pode estar a fugir. Quem está a entrar no país não pode estar a fugir...


Prender alguém na manga do avião, a embarcar é, ou pode ser compreensível. Prender quem quer que seja na manga do avião, a desembarcar, é incompreensível. Mas o que é que havemos de dizer de prender alguém que está a chegar ao país, na manga do avião, e na presença das câmaras de uma estação de televisão?


Acho que só podemos dizer que não é a Justiça a funcionar.... É outra coisa qualquer a funcionar. Espero bem que seja apenas o lado folclórico que por vezes a Justiça gosta de mostrar. Recuso-me, para já, a alinhar em teorias da conspiração ... Mesmo  que seja dos que não presumem inocência nenhuma - cada um presume o que quer, a Justiça é que tem de funcionar sob esse princípio - e que, como esta semana foi dito na comissão de inquérito ao BES, ache que, apesar de tudo, a procissão ainda vai no adro.


 


 


 

Presunção de inocência

Por Eduardo Louro



 


E vem-nos à memória uma frase batida.... Não. Não é a da cantiga do Sérgio Godinho. É a outra, a da presunção da inocência...


Mas isso era se não estivessemos tão fartinhos disto. Era se não houvesse BES... E vistos dourados... E robalos... Se não tivessem acabado de ser presos uns tantos altos funcionários do Estado... Se o maior banqueiro do país não estivesse em prisão dominiciliária... Ou se três trabalhadores da autarquia da Póvoa de Varzim não tivessem encontrado um envelope com mais de 4 mil euros no lixo... E não tivessem dado ao país o mais nobre dos exemplos...


Assim? Que se lixe a presunção da inocência. Não pega. Não tem mesmo como pegar!


 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O que fica da vergonha

Por Eduardo Louro



 


Depois da indignação ter tomado conta do país, PSD e PS retiraram a inqualificável proposta de reposição das subvenções vitalícias a ex-políticos, que devia ser votada esta manhã no Parlamento, evitando assim um dos mais revoltantes escândalos desta parceria política que há décadas vem destruindo o país.


Neste processo tenho de saudar boa parte dos deputados do PSD, foi de lá que se começaram a ouvir as vozes que se juntavam às da esquerda parlamentar. E tenho que lamentar o comportamento dos socialistas, quase todos Josés Lellos... Nem a mais que tudo Isabel Moreira escapou. Lamentável!


Talvez os portugueses não se esqueçam...


 


 

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (III)...

Por Eduardo Louro


"Todos os portugueses têm a noção que o Regulador falhou. Menos um: o próprio Regulador!"


Nuno Morais Sarmento, ontem à noite na RTP.


 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Será propaganda de cerveja?

Por Eduardo Louro


 



 


A RTP, que havia abandonado a disputa pelas transmissões de futebol em 2012 em obediência a princípios de rigor orçamental impostos pelo governo, regressa em força três anos depois. O governo é o mesmo, as exigências de contenção que se colocam à estação pública são as mesmas... Há aqui qualquer coisa que não se percebe!


Não se consegue perceber que a RTP, para transmitir os jogos da liga dos campeões nos próximos 3 anos, tenha avançado com uma proposta de 18 milhões de euros, bem acima do respectivo valor de mercado. 40% acima, ao que diz a concorrência!


Mas o que, por maior esforço que façamos, não se consegue mesmo perceber é que o presidente do conselho de administração, e comissário permanente do governo, recuse qualquer explicação e tenha a lata de dizer que qualquer comentário sobre o assunto compete à parte editorial. Alberto da Ponte chuta mesmo ostensivamente para canto: "eu não vou comentar isso, nem pouco mais ou menos"...


Então um negócio destes é uma questão editorial? Mas está tudo maluco? Ou será que isto é uma mensagem subliminar do governo, com uma mistura de marketing da cerveja, cozinhada ente Alberto da ponte e Pires de Lima, para que os portugueses acreditem mesmo nos milagres que propagandeiam?


 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (II)...

Por Eduardo Louro


 



 


Maria Luís Albuquerque tem uma relação complicada com o parlamento. De cada vez que lá é chamada a uma comissão qualquer, seja comissão especializada, seja comissão de inquérito, a senhora descola da verdade, contradiz o que antes dissera, joga com as palavras e percorre novos caminhos de semântica. Tem sido sempre assim. Quem não se lembra dos swaps?


Ouvida hoje na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES, Maria Luís Albuquerque desdisse o que antes dissera. Quem garantira que os portugueses não seriam, em situação alguma, chamados a pagar a factura do BES, disse agora que "a procissão ainda vai no adro". E que não corremos apenas sérios riscos de pagar o que vier a caber à CGD (claro que pagamos tudo em comissões e coisas que tais, o que couber à Caixa e o que couber aos outros). Que corremos também o risco - e esse é ainda muito maior - de ser chamados a pagar tudo o que aí vier de toda litigância esperada, alguma já anunciada. Porque "vivermos, felizmente, num estado de Direito", concluiu a ministra...


E não parou de meter os pés pelas mãos. Na decisão da resolução, com que nada teve a ver, mas que aprovou. No plano de recapitalzação pública que Vítor Bento lhe apresentou, que sempre negou, transformando-o numa simples reunião para “clarificação das novas regras europeias (de capitalização de bancos pelos Estados), porque por vezes as regras europeias mudam e as pessoas podem não ter conhecimento”. E que agora, na comissão, em mais um exercício de semântica ao nível do do tempo verbal de Crato, diz que Vítor Bento não lhe pediu a recapitalização - perguntou-lhe se seria possível!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ler os outros

Por Eduardo louro



 


"Carta aberta a um personagem menor" é o título que Carlos Paz, professor no meu ISEG, deu a uma carta aberta ao presidente Cavaco - a personagem menor. Refere e abrange muitas das coisas que por aqui tenho escrito, mas não é por isso que vale a pena ler... É porque são verdades que não podem ficar escondidas!


Façam o favor de ler...

Uma vitória que ninguém sabe donde caiu

Por Eduardo Louro



 


Nada como enfatizar o duelo Ronaldo/Messi para esconder que a selecção não joga nada. Não joga nada, não tem rotinas, os jogadores não sabem muito bem o que ali andam a fazer... Se isto é assim com o seleccionador no banco, como seria se estivesse a cumprir o castigo?


A selecção fez dois remates no jogo todo: o primeiro por Cristiano Ronaldo, e sem ponta de nexo,  a meio da primeira parte; o segundo foi na última jogada, e deu o golo do miúdo. Do Raphael Guerreiro, o mais baixo em campo, de cabeça, no único movimento intencional - e desempoeirado - em toda a jogada. O que é ainda mais extraordinário se tivermos em conta que a equipa dispôs de quatro ou cinco livres próximos da área argentina. E de outros tantos cantos, tudo sem resultar um único remate... Claro que, com um ponta de lança como Éder, essa coisa do remate é muito complicada. Isso não é bem para ele...


Mas pronto. Na história lá fica mais um desses duelos que pôem os media em delírio. E uma vitória portuguesa, que ninguém sabe donde caiu!

Remodelação? O que é isso?

Por Eduardo Louro


 


 



 


Chama-se Anabela Rodrigues e é a nova ministra da administração interna. Se não é uma mulher de armas, irá passar a ser. Queira ou não, possa ou não...


Não tem peso político?


Mas...onde é que há disso?


Haver, até pode haver... A mão de Passos Coelho é que não chega lá!


 


 


 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (I)...

Por Eduardo Louro


 


 


Parece-me que começou bem. Logo na primeira audição do governador do Banco de Portugal na comissão parlamentar de inquérito ao BES aprendemos que “a realidade anda mais depressa que o supervisor”. E que por isso – diz-nos Carlos Costa – o Banco de Portugal falhou!


Com uma declaração destas, de uma das figuras chave do processo, está dado o mote. Se tudo o que lá for dito for tão claro e tão substantivo como esta ideia de que se erra, e se falha, porque a realidade anda depressa de mais, podemos ficar descansados: é a realidade a culpada de tudo!


Ricardo Salgado e os restantes Espírito Santo não têm culpa de nada. O Banco de Portugal fez tudo bem, fez tudo o que tinha de fazer… Do governo, nem falar… O próprio Presidente da República, quando garantia que o banco não tinha problemas, que tinha almofadas para tudo, foi apenas traído por essa danada realidade que também anda mais depressa que ele.


E com razões acrescidas: é que ele já apresenta algumas dificuldades de locomoção. Há muito que percebemos que não lhe é já fácil acompanhar a realidade!


Afinal, se há muito a realidade anda mais depressa que o Presidente, como é que nos podemos surpreender que ande mais depressa que o supervisor? Ou mesmo mais depressa que Ricardo Salgado…

Carácter e inteligência

Por Eduardo Louro


 



Não sei se Miguel Macedo era um dos melhores ministros deste governo. Acredito que sim, e pelo que se conhece de todos os outros, é muito provável que sim. Não tenho grandes dúvidas que, de todo o governo, só dois ministros se aproveitam.


Miguel Macedo é um deles. O outro - e não sei se será uma questão de apelidos - é Paulo Macedo, ministro da saúde. Talvez pela forma como se soube preservar, e não tanto pelas facilidades da pasta - a administração interna não é uma pasta fácil, o ministro é que teve certamente o mérito de o fazer parecer -, Miguel Macedo esteve menos exposto e, por isso, menos sujeito a desgaste. As condições climatéricas, ajudando a fazer deste ano um dos mais tranquílos em matéria de incêndios, ajudaram-no bastante. Mas também não esquecemos que o ano passado foi sujeito a um dos mais difíceis de sempre. Nunca os incêndios tinham sido tão dramáticos, nem nunca tinham provocado tantas vítimas mortais entre os bombeiros. E nem assim Miguel Macedo saiu muito chamuscado pelas chamas...


Tem que ter, evidentemente, competência e carácter, atributos que hoje poucos reconhecerão à generalidade dos membros do executivo. E por isso, ao contrário de muitos dos seus colegas em circunstâncias de responsabilidades directas muito mais graves, não só reconheceu que não poderia continuar em funções depois do que foi conhecido no processo dos vistos dourados, como não se dispôs a fazer o frete ao primeiro-ministro, que queria mantê-lo a todo o custo, metendo-o no saco dos Cratos, das Teixeiras da Cruz e de outros que tais.


Mas Miguel Macedo não deixou deixou nesta sua demissão apenas uma nota de carácter. Deixou ainda uma de inteligência e de sentido de oportunidade política, tornando-se porventura no único ministro deste governo com futuro político asseguardo. A médio, ou mesmo a curto prazo!

domingo, 16 de novembro de 2014

Sócios especiais

Por Eduardo Louro



 


Acho sempre alguma graça a esta gente graúda da política que tem a lata de vir a público dizer que não tem nada a ver com empresas de que são sócios. Parecem aquele tipo de pessoas que dantes surgiam nos concursos de televisão sem nunca terem enviado os cupões. Eram sempre outros que os tinham enviado em seu nome...


As sociedades existem, e existem mesmo para aquilo que parece, ali, o que parece, é. Eles são sócios, mas nunca sabem de nada. No caso de Marques Mendes - vejam bem - até pensava que a empresa tinha fechado. 


São mesmo sócios especiais. Tão especiais que até acham que as sua empresas podem fechar sem que eles saibam!


 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Perdidos num deserto de ideias

Por Eduardo Louro


 



Num jogo de uma pobreza igual á que o país atravessa, a selecção nacional lá voltou a ganhar e a encaminhar na rota do apuramento para o europeu de França, de 2016. Sem rotinas nem automatismos, com todos os jogadores perdidos num deserto de ideias, na mais completa desinspiração, lá acabou por, do céu aos trambolhões, cair o golo do inevitável Cristiano Ronaldo - também ele uma sombra do melhor do mundo - que chegaria para ganhar a uma fraquíssima selecção arménia, e lhe valeria até para bater mais um recorde: desta vez de golos (23) em campeonatos da Europa!


 

Já aí está. Imperdível!

Por Eduardo Louro


 


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

É possível pior?

Por Eduardo Louro


 


Já se começou a perceber aquilo que, pela minha parte, mais temia: que António Costa vai recolocar o PS no poder para repetir o que para trás foi feito. Para simplesmente manter a alternância, perpetuando os erros, mesmo que com muito menos espaço para errar.


Arriscamo-nos seriamente a prosseguir um ciclo inimaginável, que começou no início do século, em que cada governo é pior que o anterior. Pensávamos que não podia haver pior governo que o de Santana Lopes. Mas veio Sócrates que, depois de resistir a um primeiro mandato, que começara a prometer muito e acabara a anunciar o que aí vinha, acabou a meio do segundo, atolado em mentira e incompetência, deixando o país entregue aos credores, já na pele do mais odiado primeiro-ministro e de pior governo da história da democracia. E veio Passos Coelho, mentindo em tudo e a todos. E, depois de Sócrates nos mostrar que era possível ser pior que Santana, prova-nos que é ainda possível ser pior que Sócrates.


Custa-nos a crer que seja possível pior que Passos e Portas …e Pires de Lima… Não julgamos isso possível, mas também já percebemos que, nisto, não há impossíveis!


A primeira mensagem deste risco foi-nos dada pelo novo líder da bancada parlamentar, logo que iniciou funções. Ferro Rodrigues, que tinha sido um dos subscritores do chamado Manifesto dos 74, cujo objectivo era justamente trazer a reestruturação da dívida para a discussão pública, e em especial para a Assembleia da República, tratou de se demarcar logo que o assunto da dívida lá chegou, conduzindo o PS para a abstenção e acabando logo ali com a discussão.


Sobre o tema, que é central para o país, nem mais uma palavra. António Costa, que até pela sua morfologia não podia continuar a tentar passar entre os pingos da chuva, tinha que dizer alguma coisa. Conseguiu apresentar esta semana a sua moção estratégica ao congresso sem se molhar, sem dizer nada. E mesmo na “Agenda para a Década”, supostamente com medidas e propostas concretas para um horizonte temporal de dez anos, continua a fugir a este problema central. 


Renegociar ou reestruturar são palavras proibidas. Constata o “elevado grau de endividamento do país” e diz que o país tem de tomar iniciativas de “redução sustentada do impacto do endividamento, seja na construção de instrumentos que estimulem a procura e o investimento europeu em paralelo à promoção da coesão interna da UE”. Se bem entendo isto, quer dizer que o problema da dívida, como de resto todos os outros no discurso de António Costa, se resolve com crescimento (“procura” e “investimento”) - como se o crescimento económico seja algo que se decreta, um meio, e não um fim - e com boa vontade da UE. Se a experiência nos diz que da boa vontade da UE não há muito a esperar, a ciência económica diz-nos que a dívida – os juros – impede o crescimento! 


Não quero com isto dizer que António Costa deveria andar por aí a dizer que a primeira coisa a fazer quando chegasse ao poder seria renegociar da dívida. Quero apenas dizer que, fugir desta forma do problema maior do país, é sinal de incapacidade de mudar o que quer que seja. O problema é que agora, sem mudar nada, não fica tudo na mesma. Fica muito pior!


 

Corrupção dourada

Por Eduardo Louro



Os vistos gold de Paulo Portas tinham tudo para dar mal. Quando "não importa quem é, importa que tenha dinheiro" - "que não importa nada donde venha" - escancaram-se as portas à corrupção. E corrupção gera corrupção!


As detenções do director do SEF (Manuel Jarmela Palos) e do Presidente dos Registos e Notariado (António Figueiredo), organismos centrais do processo, apenas confirmam o inevitável. Parece que cobravam 10% de comissão!


Mas há mais. Tem de haver... Nas lixeiras e estrumeiras  as bactérias crescem rapidamente e multiplicam-se a grande velocidade. Ao contrário do que diz Paulo Portas, os vistos gold não trazem investidores para o país. Trazem estrumeiras!


No dicionário diz que é o local onde se acumula, prepara ou fermenta o esterco...


 


PS: Para já, 3 horas depois da publicação deste texto e das primeiras notícias terem vindo a público, já há um terceiro alto funcionário do Estado detido - a secretária geral do Ministério da Justiça, Maria Antónia Anes. Oito outras pessoas da administração pública foram também já detidas. Havia mais... Tinha de haver mais. Provavelmente mais ainda!


 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Elegância e humildade

Por Eduardo Louro


Na semana passada falei aqui de palermices, para manifestar a minha desilusão com o José Nuno Martins, um profissional da comunicação da minha geração que me habituei a admirar e respeitar. Terminava dizendo que "ninguém está imune ao erro" e que a diferença não se faz entre quem erra e quem não erra, mas "entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles". E rematei que ao José Nuno Martins cabia "pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica". 


Penitencio-me, também eu, pelo pelo excesso: basta pedir desculpa. Com a elegância das pessoas educadas, e com a humildade das pessoas de bem.


E foi precisamente isso que o José Nuno Marins fez, na primeira oportunidade que teve, no mesmo local, no mesmo espaço de comunicação. No programa Benfica 10 Horas, da BTV, nestes termos: 



  • "Na semana passada fui muito incorreto, mesmo grosseiro. Não é meu hábito usar linguagem imprópria. Envergonhei-me do que disse e hoje tenho de pedir desculpa às pessoas que magoei, de modo involuntário".

  • "Magoei três pessoas. O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho e o seu ilustre sócio Rogério Alves, que não são pessoas das minhas relações nem havia motivo para qualquer ofensa sobre elas, e Diamantino Miranda, meu amigo há anos, acerca de quem usei linguagem que não é própria, e deixo-lhe um abraço sentido".

  • "Não posso criticar quem usa petardos para depois usar expressões incorretas e tão simbolicamente explosivas como um petardo. Espero não voltar a repetir. Essa não é a maneira de defender o Benfica".


Este sim. Este é o José Nuno Martins que eu conheço... De novo de cabeça levantada á frente do jornal do nosso clube do coração!


 


 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Terra Peregrin

Por Eduardo Louro



 


Há coisas assim... E há pessoas assim, que conseguem fazer coisas assim: uma empresa criada na passada sexta-feira, já enchia as páginas dos jornais no domingo!


A OPA até pode nem dar em nada, mas ... Que campanha publicitária daria tamanha notoriedade à Terra Peregrin? Quanto custaria?


Notável. O que é possível fazer com um daqueles nomes da lista da "empresa na hora"!

O crime não pode continuar a compensar

Por Eduardo Louro


 


 


A destruição da PT é um escândalo que nada fica a dever ao escândalo BES. A administração da PT não tem menos responsabilidades criminais que a do BES. Terá se calhar até mais. Se outras razões não houvesse – e há, desde logo porque o valor que destruiu foi superior ao que destruído pela do BES – bastaria a forma como enganou os accionistas. A administração da PT, Zeinal Bava, propôs aos accionistas uma operação de fusão com a OI. Mas, em vez da fusão aprovada pelos accionistas, o que Zeinal Bava fez foi vender ao desbarato a empresa – não exactamente a empresa, mas os seus activos, o que ainda é pior – à OI a que, entretanto, já presidia, deixando aos brasileiros a oportunidade, logo aproveitada, de realizar as correspondentes mais valias. A que Zeinal Bava quis fazer crer que se opunha, abandonando os brasileiros depois de receber a devida comissão!


Que perante tudo isto o governo diga que não tem nada a fazer, que temos de deixar o mercado funcionar – gostava de perceber onde é que o mercado funcionou em todo o processo que ficou para trás – é pactuar com o crime. Que o Presidente da República – que, como um botão, só conhece duas posições: on e off, para cima ou para baixo; avisei, ou o não tenho nada a ver com isso – tenha falado no assunto, mas sem uma palavra sobre a condecoração que concedeu aos gestores que agora condena, é a prova que, em Portugal, o crime compensa sempre!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Bom senso e o trabalho de casa

Por Eduardo Louro



 


De vez em quando Cavaco aparece. Dá à costa e diz coisas... Fala de bom senso, o bom senso de que ele próprio se acha referência. Desta vez, cheio de bom senso, convidou "os portugueses a olhar para as dificuldades com um sorriso". E, a transbordar de bom senso, lançou a grande questão, "a pergunta que todos os portugueses têm o direito de colocar": "o que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores da PT"?


Ó Senhor Presidente, quando coloca a questão dessa forma, talvez não esteja a dar o melhor exemplo de bom senso... Eu daria uma ajuda e sugerir-lhe-ia que reformulasse "a pergunta que todos os portugueses têm o direito de colocar": o que é que andou a fazer o Senhor Presidente quando no último 10 de Junho, há precisamente 5 meses, condecorava esses mesmos gestores?


Ah... Andava preocupado com a reacção vagal... 


 

O peditório

Por Eduardo Louro


 



 


À medida que o Benfica vai fugindo na classificação as nomenklaturas sportinguista e portista acentuam a pressão sobre as arbitragens, alegando prejuízos próprios e reclamando de benefícios alheios. 


Ambos os lados contam com orquestras bem afinadas, com algumas particularidades, mas não mais que isso. Na orquestra portista a batuta está entregue ao treinador Lopetegui, que não perde um único ponto que não seja por responsabilidade dos homens do apito. Atingiu já o ridículo de nem dentro da própria orquestra ser levado a sério, o que, convenhamos, não é fácil.  Mas é assim, e ainda ontem assim foi, quando reclamou um penalti por uma bola na barriga de um jogador do Estoril, mas já estava muito longe para ver o penalti que o seu guarda-redes cometeu e o árbitro assinalou.  Não é por culpa dele que não fazemos a mínima ideia do que achou do outro, que o árbitro não assinalou na primeira parte, quando aos 30 minutos o Casemiro deu no pé do Kuca para que não chutasse para golo. Isso não sabemos porque ninguém lhe perguntou. É que há perguntas que não se fazem ao treinador do Porto...


Mas não precisou que ninguém lhe perguntasse para dizer que viu o jogo do Benfica. E para dizer que os árbitros dão uns pontitos ao Benfica que tiram ao Porto, e que é isso que faz a diferença na classificação.


E lá entra no peditório também a orquestra leonina. Curiosamente com o treinador Marco Silva, que começara por garantir que não contassem para ele para esse peditório, a empunhar também a batuta. Foi também o árbitro que não deixou que ganhassem ao Paços, ao anular um golo, já nos descontos (já devia saber que isso de golos nos minutos 92,93 ou 94 é só com o Porto), por fora de jogo, ao Montero. Que não estava. Poder-se-ia pensar que se tratava de acertar contas antigas, que depois de tantos golos marcados em fora de jogo, chegara a vez de lhe apresentar a factura. Mas não. Não era nada disso, apenas aconteceu que o Slimani, em posição de fora de jogo, intreveio na jogada movimentando-se para a bola. Mas disso já ninguém da orquestra se apercebeu!


É de resto um problema comum a ambas as orquestras. É um problema de falta de atenção. Por exemplo, com mais um bocadinho de atenção, teriam percebido que não é evidente nenhum fora de jogo no segundo golo do Benfica, ontem na Madeira. A Sport TV bem se esforçou para encontrar alguma coisa que pudesse tirar as dúvidas, mas não consegiu. Paciência... Claro que, depois, conseguiu mostrar uma falta assinalada a um jogador do Nacional que, com o jogo interrompido, enviou ainda a bola para a baliza, sem ver amarelo nem nada... Pois, o árbitro assinalou, e bem, uma falta e não um fora de jogo que, esse sim, seria mal assinalado. O que o árbitro viu, como toda a gente podia ter visto, foi o (outro) jogador do Nacional ganhar a disputa da bola de pé em riste. Em falta, portanto... Punível com livre indirecto, como no fora de jogo.


Claro que os comentadores da Sport TV podiam ter deixado tudo claro. Podiam... mas não era a mesma coisa! Já não dava para o peditório que está em curso...

domingo, 9 de novembro de 2014

Esperemos por Janeiro...

Por Eduardo Louro


 


 


A jornada até acabou por correr bem, recuperando o Benfica para os seus principais rivais dois dos três pontos que deixara em Braga. Mas o jogo da Choupana…


Bem sei que há quem diga que os campeonatos se ganham com jogos destes. Mas a mim parece-me que ninguém ganha campeonato nenhum a jogar assim!


Aquela segunda parte foi má de mais. Como aqui disse há uma semana, continuo à espera de Janeiro. Mesmo sem Enzo!

O dia em que muro caiu e o mundo mudou

Por Eduadro Louro



 


Foi há 25 anos... O muro caiu e o mundo mudou!


Caiu o muro, porque tinha de cair. Porque era da vergonha. Não tinha alicerces para se segurar. Não tinha, de todo, alicerces. Fora construido ao contrário, para evitar que pessoas fugissem para o leste, quando as pessoas queriam fugir do leste... 


E o mundo mudou. Mais do que talvez se esperasse, porque às vezes há equilíbrios que resultam de desiquilíbrios...


O muro caiu, o mundo mudou e a globalização fez o resto!

sábado, 8 de novembro de 2014

Essa é que é essa!

Por Eduardo Louro


 



 


"Se virarmos as costas à política, esta ficará nas mãos das pessoas piores".


 


Mário Vargas Llosa. in Revista do Expresso deste sábado

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Última hora: Novidades na convocatória

Por Eduardo Louro



 


Hélder Postiga? O rapaz deve ser mesmo bom, e nós é que não percebemos nada disto. Se todos os seleccionadores acabam sempre por lá ir parar...


Bosingwa? Será que ainda sobra algum esqueleto nos armários da selecção? Quem faltar que se acuse; o Fernando Santos trata disso...


Não há ninguém para o lado esquerdo da defesa, está tudo lesionado. Vem o miúdo Rafael Guerreiro, que é mesmo bom. Pelo menos nos sub 21 o francês - o miúdo não fala português - tem mostrado que sabe da poda.


Tiago Gomes? Nada como quatro novidades!


 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Render da guarda no CDS

Por Eduardo Louro



 


Com o deprimente show  - para não lhe chamar palhaçada - de Pires de Lima na Assembleia da República não ficamos apenas a saber que na sequência da irreversível demissão de Portas, em meados do ano passado, se perdeu um bom e credível gestor para se ganhar mais um péssimo e pouco credível ministro. Ficamos também a saber que Pires de Lima já sabe que, no fim da legislatura, Portas vai embora. E, mais: que ficará ele no seu lugar! 


 

Palermices

Por Eduardo Louro



Há muito quem, de ambos os lados, entenda que rivalidade a sério é entre Benfica e Sporting que, ao contrário do que muitos pensam, vem do ciclismo - dos intensos duelos entre Trindade e Nicolau (na foto) - e não do futebol. Às vezes, e com a hegemonia portista dos últimos 20 anos, não se dava muito por ela, mas ressurgiu em força a partir do momento em que na cadeira mais alta de Alvalade se sentou este presidente/adepto/rambo. 


Basta à massa adepta leonina, vulgo lagartagem, imaginar que está na mó de cima para já ninguém os poder aturar. É verdade!


Por exemplo, para a lagartagem, não importa nada que o golo anulado ao Rio Ave na última jornada tivesse sido obtido em fora de jogo. E portanto bem anulado. Não, o que importa é que o árbitro assistente estava mal colocado, e que por isso não tinha condições de ajuizar correctamente. Também não importa nada que, tendo de tomar uma decisão, e com 50% de probabilidades de tomar a certa, tenha acertado. O que importa é que de maneira nenhuma queria que o golo fosse validado.


Ou ainda agora nesta jornada da champions. Não lhes interessa nada que o Jardel tenha sido empurrado dentro da área, ali à frente do árbitro de baliza, sem que o árbitro tenha assinalado a falta. O que para a lagartagem importa é que o defesa do Benfica, como fazem todos os jogadores naquelas circunstâncias, muitas vezes para pressionar o árbitro a assinalar a falta, fez duas tentativas de agarrar a bola e, tocando-lhe, fez penalti que o árbitro não assinalou. Mesmo tratando-se de um jogo da champions, para a lagartagem não conta o erro do árbitro ao não assinalar a falta sobre o Jardel, que tudo teria resolvido. Só conta que, depois, houve penalti… Como no penúltima jogo da Liga, em Braga, não conta que o árbitro tenha deixado passar um fora de jogo flagrantíssimo, só conta que, depois, porque erradamente deixou prosseguir a jogada, houve motivo para penalti na área do Benfica. 


Tudo isto não é mais que pequenos episódios, sinais da rivalidade e da clubite que leva os adeptos a ver tudo com óculos de lentes pintadas com as suas cores. Não tem importância nenhuma... São palermices toleráveis. Que os adeptos, de um e outro lado, muitas vezes amigos e até familiares, se piquem, é normal. Os adeptos também servem para isso!


Que, aqui, eu diga que o Bruno de Carvalho não se sabe comportar, que é um presidente, adepto e membro da claque, com a mania que é Rambo, que dispara para todo o lado incluindo o próprio pé, é uma coisa. Outra, completamente diferente, seria entrar na ofensa pessoal. E outra ainda, já intolerável, seria fazê-lo numa qualquer qualidade de representação institucional do meu clube que se sobreporia á minha simples qualidade de adepto. Foi isso que o José Nuno Martins, director do jornal do Benfica, fez ao chamar palerma ao presidente do Sporting.


E isso eu não aceito. O José Nuno Martins é, para além de benfiquista e de director do jornal do nosso clube, uma referência da comunicação da minha geração. É um profissional da comunicação que me habituei a admirar e a respeitar, mas que agora foi, ele sim, um palerma. 


Ninguém está imune ao erro. Todos erramos. A diferença não está por isso entre quem erra e quem não erra - está entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles. Ao José Nuno Martins cabem agora duas simples atitudes: pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica. Depois, se assim o entender, pode continuar a chamar palerma ao presidente do Sporting!


 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Em Timor...

Por Eduardo Louro


 


É chocante a forma como o governo de Timor-Leste expulsou os magistrados portugueses. A não ser que estivéssemos perante comportamentos criminosos ou inaceitáveis, Portugal não mereceria este tipo de tratamento. O que Portugal, enquanto estado e país, e os portugueses fizeram por Timor e pelos timorenses, não merecia uma hostilidade destas. Portugal e os portugueses não mereciam que um governo liderado por alguém que alcandoraram à condição de herói expulsasse cooperantes portugueses como se de criminosos se tratasse. Portugal e os portugueses não mereciam que alguém a quem concedeu todas as honras não saiba agora honrar nenhuma delas.


Mas, acima de tudo, depois de tudo o que fizeram por tão justa e nobre causa, não mereciam que Timor e os seus heróis que fizemos nossos, subvertessem tão depressa princípios básicos da democracia como o da separação de poderes. Não mereciam que lá se instalasse um poder político capaz de tomar por refém o poder jurídico, logo que alguns interesses fossem incomodados. Interesses ilegítimos de timorenses mas, acima de todos, interesses australianos!


Por muito que possamos sentir que Portugal nunca foi capaz de, em Timor, dar seguimento ao gigantesco trabalho diplomático que desenvolveu. Por muito que saibamos que nunca foi capaz de transportar para Timor a influência única e decisiva que teve na libertação dos timorenses. E por muito que, por isso mesmo, tenhamos que reconhecer culpas próprias, não podemos deixar sem resposta uma atitude destas do poder político de Dili.


Para mal dos nossos pecados, o governo que temos, nem para isso dá!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

E de repente tudo muda…

Por Eduardo Louro


 


E de repente tudo muda… Por mais que se queira fugir, não há volta a dar: o futebol é mesmo assim. É isto. E é por isto que é assim… Vibrante e apaixonante, como nenhuma outra coisa na vida.


O Benfica tinha tudo perdido. Nem sequer as portas da Liga Europa se entreabriam. Até essas estavam bem fechadas. A sorte andava arredia, virara as costas logo no sorteio e nunca mais regressara. Nas fases dos jogos em que era nitidamente superior, não conseguia tirar nada dessa superioridade, e quando passava para a mó de baixo era castigado com severidade. As arbitragens não ajudavam, e penalizavam sucessivamente a equipa. Os resultados entre os restantes adversários também não eram os mais simpáticos para quem tinha tanta necessidade que alguma coisa corresse bem.


É certo que, hoje, pela primeira vez, aparecia um resultado amigo. Os alemães do (da) Bayer foram ganhar à Rússia, deixando Zénite com 4 pontos e, mais importante ainda, abrindo uma séria oportunidade da equipa alemã assegurar a qualificação antes da última jornada, na visita à Luz. Mas nada mais se alterava: a arbitragem – péssimo trabalho do árbitro espanhol que não tem categoria para ser internacional – não ajudava nada, e a equipa tinha deixado passar o tempo da sua superioridade sem qualquer proveito.


A primeira parte foi de grande superioridade do Benfica, mas no arranque da segunda o Mónaco assustou. Teve períodos de grande superioridade técnica e especialmente física. Foi então que, com o grande contributo do Júlio César, o Benfica começou a contrariar o destino, para recuperar no último quarto de hora o ritmo, a intensidade e a superioridade perdidos. E finalmente o golo… O golo quando a equipa era de novo melhor… E a vitória que abriria as portas do céu!


Sim, agora tudo é possível. Até porque o enguiço foi quebrado e o diabo saiu de trás da porta…

Ignorância dos interesses, ou os interesses da ignorância?

Por Eduardo Louro



Ontem à noite, num frente a frente na SIC Notícias, a propósito da situação actual da PT e em particular da oferta dos franceses da Altice, Diogo Feio – dirigente do CDS (utilizo a expressão apenas por simplificação de linguagem, porque o CDS não tem dirigentes, tem um que dirige e depois uma larga primeira fila de abanadores de cabeça) e apoiante, claro, do governo – não teve mais para dizer que os accionistas estavam radiantes com a oferta. Que não percebia que mal poderia haver na actual situação da PT, e muito menos na proposta, quando os accionistas estavam felicíssimos.


Este governo é exactamente isto. Uma mistura explosiva de ignorância com confusão de interesses. Dos interesses imediatos e primários de accionistas com os do país!


Para esta gente, ignorante e incapaz de ver para além da ponta do seu nariz, o que lhe parece que é bom para patrões e accionistas é bom para o país!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jornalistas?

Por Eduardo Louro



Ferreira Fernandes, com a autoridade única que se lhe reconhece, volta a pôr o dedo na ferida de um certo jornalismo que por cá se faz. E grita que isto não se faz.


E não. Isto não se faz... Mas isto também não é jornalismo... É sargeta ... são esgotos a céu a aberto, onde chafurda gente indigna da carteira profissional que um dia lhe entregaram. Certamente por engano!


 

Serviços relevantes

 


Por Eduardo Louro



Cavaco estará a esta hora a condecorar Durão Barroso. Nada de especial, Cavaco é pródigo a distribuir comendas pelos seus, e só lamentará que muitos tenham borrado a pintura antes de ter tido oportunidade de lhes pôr o colar ao peito. Se calhar é mesmo por isso que Cavaco se apressou. É que ainda na sexta-feira Barroso estava em Bruxelas, a despedir-se da Comissão... 


O que se torna difícil de perceber são os serviços de especial relevância para Portugal e para a Euopa com que Cavaco justifica a condecoração. Como é que o rosto que inundará a memória dos portugueses e dos europeus sempre que fale da maior crise do projecto europeu, pode ser condecorado por serviços de especial relevância aos portugueses e aos europeus?


É a segunda condecoração com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, normalmente destinada a Chefes de Estado extrangeiros. A primeira fora concedida há uma dúzia de anos a Rocha Veira, o último governador de Macau. Hoje, sem surpresa, ligado aos interesses chineses no nosso país, e que ainda há pouco condenava as reivindicações de democracia em Hong Kong...


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...