Por Eduardo Louro
Que nós não aceitemos que João Soares não aceite "a prisão ("que pudicamente" designam por detenção") de um antigo primeiro-ministro a não ser "por crime de sangue, em flagrante delito", é uma coisa. Que, ao contrário de João Soares, achemos que um ex-primeiro-ministro é um cidadão como todos os outros, que pode ser preso como qualquer um, e sem qualquer prerrogativa de casta, é uma coisa. E por sinal a mesma.
Outra coisa, e bem diferente, é acharmos que prender alguém à entrada para um avião, a sair do país, é a mesma coisa que prender alguém á saída do avião, a chegar ao país. Quem está a sair do país pode estar a fugir. Quem está a entrar no país não pode estar a fugir...
Prender alguém na manga do avião, a embarcar é, ou pode ser compreensível. Prender quem quer que seja na manga do avião, a desembarcar, é incompreensível. Mas o que é que havemos de dizer de prender alguém que está a chegar ao país, na manga do avião, e na presença das câmaras de uma estação de televisão?
Acho que só podemos dizer que não é a Justiça a funcionar.... É outra coisa qualquer a funcionar. Espero bem que seja apenas o lado folclórico que por vezes a Justiça gosta de mostrar. Recuso-me, para já, a alinhar em teorias da conspiração ... Mesmo que seja dos que não presumem inocência nenhuma - cada um presume o que quer, a Justiça é que tem de funcionar sob esse princípio - e que, como esta semana foi dito na comissão de inquérito ao BES, ache que, apesar de tudo, a procissão ainda vai no adro.
Prezado Eduardo,
ResponderEliminareu só tenho a acrescentar ao que escreveu o seguinte:
O que infelizmente a realidade (e é com grande pesar e tristeza que o escrevo, pois gostaria de escrever o oposto do que vou escrever) nos tem demonstrado no pós-25 de Abril é que a grande maioria dos políticos (e em particular aqueles que nos têm (des)governado), até prova em contrário, é culpada. Bem... mas dirão os "velhos do Restelo": "Nã, não... todos são inocentes até prova em contrário..."... Pois... em teoria é tudo muito bonito, mas vamos à, infelizmente, bem triste realidade dos factos que provam o que eu afirmei na minha primeira frase (e isto só para falar nas provas que mais dão nas vistas, tanto a nível interno como internacional, pois muitas outras poderia dar): 40 anos de Democracia, 3 auxílios financeiros externos. E só não os houve na última década do milénio passado nem na primeira deste milénio por causa dos milhões que vieram para Portugal da antiga C.E.E.. Também afirmo, com muita consternação minha, que, se os nossos políticos continuarem a não ter carácter, a não serem idóneos e afins, bem podem ter a certeza absoluta que na próxima década também iremos precisar de outro auxílio financeiro externo. Vão-se preparando, compatriotas...
Se estas investigações que agora estão a fazer ao Sócrates (e desengane-se quem pensa que foi ele que originou a crise, pois ele apenas agravou aquilo que já vinha de trás, mais propriamente de todos os governos constitucionais desde 1976) tivessem sido feitas logo no primeiro governo do Mário Soares, de certeza absoluta que que todos os nossos governantes desde então poderiam continuar a não ter vergonha, mas pelo menos teriam medo antes de se deixarem corromper (e afins) e de tomar decisões desastrosas para o país e para os meus compatriotas e poderíamos, se também fossem competentes, viver num dos países com melhor nível de vida do mundo.
Eu bem que gostaria de deixar aqui um elogio aos nossos governantes e políticos, sinal que estaríamos bem melhor do que agora estamos, mas infelizmente (e sem orgulho nenhum) sou obrigado a constatar o facto de que todos eles, uns mais, outros menos, contribuíram, juntamente com o auxílio da maioria dos nossos empresários, administradores e afins, de forma significativa para “o estado a que isto chegou”...