terça-feira, 31 de maio de 2011

AMEAÇAS E OPORTUNIDADES

Por Eduardo Louro


 


Fala-se muito de ameaças e de oportunidades mas nem sempre se sabe muito bem do que é que se está a falar. São dois conceitos que andam de braço dado, inseparáveis mesmo.


Se tratamos de planeamento estratégico, lá partimos nós das ameaças e oportunidades da análise swot (para quem possa não saber, e de forma muito ligeira, é isso mesmo: um técnica de diagnóstico onde, de um lado, inventariamos as ameaças, os perigos, ou os pontos fracos e, do outro, as oportunidades ou os pontos fortes). O planeamento estratégico passa por aí: avaliar bem o ponto onde estamos e definir bem para onde queremos ir. E, claro, avaliar bem o nosso ponto de partida obriga-nos a perceber o que fazemos bem, onde é que dispomos de facto das chamadas vantagens comparativas: as nossas oportunidades. Mas também a conhecer os nossos pontos fracos, porque é aí que temos de investir. Para melhorar e fazer o caminho que há a percorrer até ao objectivo estratégico. Para implementar processos de melhoria que façam dos pontos fracos alavancas de progresso ou, e aí está o jargão, transformar ameaças em oportunidades.


Mas também quando, como é a nossa eterna sina, estamos mergulhados nas crises é vulgar ouvirmos alguns gurus falar em copo meio cheio ou meio vazio. Querem dizer-nos que podemos olhar deprimidos para as crises e ver bem os perigos e as ameaças que lá estão: o copo meio vazio que, acrescentam eles, não leva a lado nenhum, e não resolve coisa nenhuma. Coisa de vencidos da vida, sentenciam! Ou que podemos olhá-las de frente, como quem parte para os cornos do toiro, decidido a encontrar as oportunidades que, qual copo meio cheio, garantem existir em todas as crises. Querem então dizer-nos que não podemos perder nunca a coragem e o ânimo porque as oportunidades estão lá, bem no meio de todas aquelas dificuldades. Há apenas que saber transformar todas essas ameaças em oportunidades!


É neste “apenas” que está o busílis da questão. Nós até percebemos que haja muitos gurus a afirmar isso: é que eles ganham mesmo a vida a dizer essas coisas. Essas são as coisas que se vendem bem em tempos de crise - é aliás por isso que eles se dão tão bem em Portugal – e, por isso, para eles é fácil. Para os restantes é realmente difícil!


É precisamente por isso que vale a pena trazer aqui o melhor exemplo – pelo menos o melhor que eu conheço – do que é esse milagre de transformar ameaças em oportunidades. Uma coisa são as tretas dos gurus. Outra é a coisa em si, em carne e osso, o clique, o yes we can!


Falo de Paulo Futre, como já terão percebido. Lembremo-nos daquela conferência de imprensa, da cara do Dias Ferreira, dos charters de chineses a deixarem no Sporting comissões dos restaurantes e dos museus. Das voltas que aquilo deu no youtube, da chacota nos cafés e nas tertúlias, das anedotas e das T shirts. Alguém é capaz de imaginar maior desgraça? Ainda por cima, e como era evidente, perdeu e fez perder as eleições no Sporting. Querem maior ameaça?


Não havia quem não ficasse de rastos, escondido nos buracos todos que encontrasse, sem sair à rua. Paulo Futre fez tudo ao contrário: respirou fundo, levantou-se e a primeira coisa que fez foi arranjar um chinês para ir à televisão. Começou pela TVI, a brincar, também ele, com ele próprio. Seguiu-se, de imediato, a campanha do Licor Beirão. E mais entrevistas nas televisões, e nos jornais. E na imprensa cor-de-rosa. Tinha um livro planeado mas antecipou-o, era preciso aproveitar a onda. E lançou o livro. E voltou às televisões: a todas, num corrupio de promoção do livro, com mais entrevistas, com globos de ouro… Sempre concentrado. Concentradíssimo, sócio!


Vai vir charters de oportunidades. Acreditem!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

FAZ HOJE 50 ANOS

Por Eduardo Louro


 


Escrevi aqui há tempos que este é um ano de cinquentenários: tão rico e tão determinante foi o ano de 1961 na História recente deste país que parece sempre adiado.


Assinala-se hoje mais uma efeméride: faz hoje 50 anos que o Benfica conquistou a primeira Taça dos Campeões Europeus! Que tirou o futebol português do anonimato, levando-o até ao topo do futebol europeu e mundial, inaugurando uma década dourada com seis presenças, cinco delas consecutivas, na final da mais importante competição do futebol mundial de clubes!


Foi a 31 de Maio de 1961, no Wankdorf Stadium em Berna, que um desconhecido Benfica dos desconhecidos Cavèm, Cruz, Costa Pereira, Neto, Germano, Santana, Águas, Coluna, Mário João, José Augusto ou Ângelo, derrotou o todo-poderoso Barcelona das super estrelas húngaras – Kubala, Kocis e Czibor – de Luís Suárez e de Evaristo, o brasileiro.


Nesta vitória, por 3-2, o Benfica começou a perder - golo de Kocsis, aos 20 minutos – mas logo deu a volta ao resultado com o 1-1 do capitão José Águas e o 2-1 através de um auto-golo do guarda-redes catalão – Ramallets. Na segunda parte, aos 55 minutos foi Coluna – o monstro sagrado – a marcar o 3-1. Depois… bom, depois foi sofrer a bom sofrer! Sofrimento que o golo final de Czibor, a um quarto de hora do fim, só fez aumentar.


Nasceu aqui, em Berna há 50 anos, e ainda sem Eusébio – o King -, uma das melhores equipas de sempre e a melhor equipa europeia daquela década.


Ai que saudades!


 

DIFERENTES MEIOS, O MESMO FIM!

Por Eduardo Louro


 


As circunstâncias em que o Fábio Coentrão foi arregimentado por Sócrates para a campanha, abordadas no texto abaixo, trazem-nos obrigatoriamente à memória a campanha eleitoral de 2009, quando foi Luís Figo a entrar na mesma campanha.


Claro que o Luís Figo não é Coentrão. Apesar de craque e de disputado pelos maiores clubes do mundo, o Fábio é o miúdo de Caxinas, um meio pobre e de pescadores. Por isso surge na campanha de forma também completamente distinta da de Figo: logo á partida, e tanto quanto se saiba e seja possível saber, sem dinheiro. Depois, o ambiente: o requintado pequeno almoço com Figo num hotel de 5 estrelas deu agora lugar a uma sucessiva série de efusivos abraços (e autógrafos para os filhos) no meio das massas e da confusão. Enquanto Figo sabia muito bem ao que vinha – às massas– Coentrão parecia não saber bem o que lhe tinha acontecido no meio das massas… Uma simples questão de massas!


Meios (e métodos) diferentes – muito diferentes - para o mesmo fim. Agora, Fábio Coentrão, rapaz humilde trazido de borla para a fogueira por um cacique local. Então, Figo, conhecido por pesetero, recrutado à custa do dinheiro do Tagus Park – que, como não poderia deixar de ser, era o dinheiro dos nossos impostos, coisa que Figo viria depois a alegar desconhecer, circunstância que, segundo consta, lhe viria a ser muito útil para se safar de males maiores – e de um cacique dos negócios, dos altos negócios: o génio Rui Pedro Soares!


Ambos se terão arrependido. Mas Figo ter-se-á arrependido menos: ele não resiste - nem se arrepende – quando lhe acenam com uns trocos, venham de onde vierem!


Agora até da Tchetchénia! O grande líder tchetcheno, o presidente daquela república russa - Ramzam Kadirov - quis inaugurar na capital – Grosni – um estádio em homenagem ao seu convertido pai, de quem herdou a presidência. A partir de convites pessoais constituiu duas equipas: de um lado, uma selecção de políticos e atletas russos e, do outro, velhas glórias do futebol mundial, a quem pagou prémios que variaram entre os dez mil e o milhão de euros!


Claro que Figo lá estava, não podia faltar! Entre outros, de menos nome, lá estavam também Maradona, Papin, Baresi e Barthez. Apesar de tudo, numa altura destas, antes por lá que por cá…

domingo, 29 de maio de 2011

FALTA!

 


Por Eduardo Louro


 


Assistimos ontem a uma entrada por trás, sem bola, muito feia e muito grave: para vermelho directo! Não, não foi em Wembley na final da Liga dos Campeões: aí foi um jogo limpo e sem casos, um hino ao futebol e ao fair play, como aqui no texto abaixo deixo perceber. Esta passou-se em Vila do Conde e foi às pernas do Fábio Coentrão!


Sabia-se que a máquina do PS de Sócrates tinha desenvolvido todos os esforços para, precisamente ontem em Vila do Conde, poder usar a imagem deste jogador do Benfica e um dos grandes ídolos do futebol nacional da actualidade. Sabe-se que ele resistiu como resiste em campo, esgueirando-se aos adversários e fugindo-lhes em direcção à linha final por entre fintas, simulações e mudanças de velocidade.


Eis se não quando, já na linha final e quando se preparava para o cruzamento letal, surge por trás Mário de Almeida – o jurássico presidente da Câmara de Vila do Conde que, com Mesquita Machado, em Braga, é o dinossauro dos dinossauros do caciquismo do PS – e lhe dá um toque subtil que lhe provoca o desequilíbrio fatal. É então que surge Sócrates e, sem dó nem piedade, lhe dá a sério o golpe (baixo) final!


O pobre do Fábio bem dizia que aquilo não era apoio nenhum, que só estava ali por causa do presidente… Que o presidente da câmara lhe tinha pedido muito. Tanto que ele não conseguiu dizer que não!


Mas qual quê? Para Sócrates não há dó nem piedade: exibiu-o até ao tutano! E, despudoradamente, proclamou o apoio de Coentrão como se não houvesse amanhã. Mesmo com ele ali ao lado a dizer que não estava ali para o apoiar, mas apenas porque o presidente lhe pedira. Mesmo que, perguntado se iria votar Sócrates, respondesse que não queria saber de política…


Sócrates não tem mesmo vergonha! Cartão vermelho, já!

sábado, 28 de maio de 2011

CAMPEÕES

Por Eduardo Louro


 A melhor equipa do mundo é campeã da Europa com toda a naturalidade


Assistimos a uma das melhores finais de todos os tempos e de todas as competições. Esta final da Champions de 2011 entrará directamente para a História!


E, para ganhar a melhor final de sempre, nada melhor que a melhor equipa de futebol de sempre! Fantástico!


Todos os que gostamos de futebol – condição que tem de nos transformar em admiradores deste dream team – este sim – do Barcelona – esperávamos este jogo com grande expectativa: frente ao futebol de sonho do Barça estava o futebol completo do Manchester United, o futebol de posse e do campo todo que Sir Alex Ferguson produz há muitos anos em Old Traford sob patente há muito registada. No fundo muitos esperavam que a equipa de Nani, Rooney e Gigs pudesse travar esta portentosa máquina de futebol de Messi, Xavi, Iniesta e por aí fora.


Mas o United mais não conseguiu engasgar a máquina blau grana nos primeiros dez minutos e dar um sinal de digna revolta nos últimos dez, com apenas quatro remates e um único direito à baliza de Valdez: o do golo. Nos restantes 80% do jogo só deu Barcelona, num show de bola inesquecível, com os habituais e inacreditáveis níveis de posse de bola, a obrigar os red devils a correr atrás da bola, todos bem juntinhos e em cima da sua área!


Ganhou o Barça e ganhou bem. Ganhou Guardiola e os seus jogadores. Mas ganhou um em especial: Abidal, que ainda há dois meses descobria que tinha um cancro no estômago! Em apenas dois meses foi ao fundo e levantou-se ainda a tempo de disputar a final mais desejada e de conquistar o mais importante troféu de clubes do mundo.


Quem também teve aqui uma pequenina vitória foi Mourinho: o único treinador que consegue, apesar de tudo, dar mais luta a este invencível Barça. No ano passado conseguiu empurrá-los para fora da final e, neste, foi claramente o osso mais duro de roer…

sexta-feira, 27 de maio de 2011

FUTEBOLÊS #78 CAMBALHOTA

Eduardo Louro


 


O futebol está cheio de cambalhotas.


Há as cambalhotas no marcador, aquilo a que os espanhóis chamam remontada, que o futebolês também adoptou, mas que também conhecemos por reviravoltas no resultado: quando o resultado é invertido, quando uma derrota vira vitória, como diriam os brasileiros. Acontece num jogo, numa eliminatória ou mesmo numa curta poule de apuramento de uma fase de grupos disputada por poucas equipas. Raramente numa prova longa, onde é a regularidade a ditar leis. Às vezes acontecem daqueles jogos épicos onde se viram resultados negativos em três ou quatro golos, transformando derrotas pesadas em vitórias verdadeiramente sensacionais. Como épicos são ainda os jogos que provocam uma cambalhota numa eliminatória, que permitem ganhar uma eliminatória claramente perdida.


Há as cambalhotas no marcador mas também as cambalhotas do marcador: as cambalhotas com que os marcadores festejam os seus golos. Sim, há jogadores que escolhem a cambalhota para celebrar o golo: uns dançam, outros saltam e outros ainda desenham corações. Há ainda os que, quando estão com azia, mandam calar os adeptos. E há estes, os que os comemoram com saltos mortais: as mesmíssimas cambalhotas que, há já uns anos, Hugo Sanchez – um lendário mexicano que jogou no Real Madrid, co-recordista de golos marcados no campeonato espanhol, o tal recorde (38 golos) que Cristiano Ronaldo acabou precisamente de bater – introduziu nos festejos do golo e de que Nani – ao que parece por ser especialista em capoeira – é hoje o expoente máximo, mesmo contrariando Alex Ferguson que, pelos vistos, não é grande entusiasta desta forma de celebrar.


No nosso futebol – como em muitas outras vertentes da sociedade portuguesa, não fossem os portugueses gente muito dada à acrobacia – há outras cambalhotas. Cambalhotas fora do relvado! E há quem pretenda forçar cambalhotas: são tão especialistas neste género acrobático que querem generalizar a sua prática e impô-la a outros.


São cambalhotas que, de tão forçadas, são condenadas ao fracasso. É, por exemplo, a pretensa cambalhota na contabilização dos títulos.


As estruturas de mobilização e arregimentação ideológica do Porto, sempre em alta actividade mediática, tentaram criar a cambalhota nos títulos: por força de tal cambalhota o Benfica via esvair-se a enorme e impressionante vantagem de títulos que tinha face ao Porto. Benfica e Porto estavam agora, depois da vitória do último domingo na Taça – o quarto título de uma época que ainda bem que terminou – empatados com, salvo erro, 69 títulos. Empatados? Empatados não, porque isso seria com a Taça Latina de 1950, e essa não conta para nada – não é oficial - como logo conseguiram esclarecer através de uma nota da FIFA que ninguém viu mas que a agência Lusa jura existir.


Não há cambalhota nenhuma! Gostariam que houvesse, mas não há. Porque tudo tem as suas regras: uma delas aprendemos na escola, logo na primeira classe – perdoem-me a terminologia, mas é a do meu tempo – e diz que não se podem somar alhos com bugalhos. Somar supertaças com campeonatos nacionais não dá, não é? Uma coisa é um título atribuído por se ter ganho um jogo, um único jogo - e de preparação - de início de época. Outra, completamente diferente, é ganhar um campeonato de 30 jogos. Como diferente é um título ganho depois de ultrapassar cinco ou seis adversários em sucessivas eliminatórias. Pois é, o que soma são campeonatos nacionais: o Benfica tem 32 e o Porto 25. E o Sporting 18! E Taças de Portugal, que o Benfica conquistou por 27 vezes, o Porto por 20 e o Sporting por 19. E Taças da Liga: 3 do Benfica e nenhuma para os seus rivais. E Taças dos Campeões, com dois triunfos para cada um: Benfica e Porto. E a Taça das Taças, que apenas o Sporting, e por uma única vez, conquistou. E a Taça UEFA/ Liga Europa, que apenas o Porto conquistou, por duas vezes: a última na passada semana. E ainda a Taça Latina, que apenas o Benfica ganhou - por uma única vez – e que, sendo a precursora da Taça dos Campeões, não soma com mais coisa nenhuma mas também não desaparece. Como também não desaparecem os dois títulos intercontinentais – mais um título de um só jogo, a que a Toyota deitou a mão para não deixar cair nas profundezas do desinteresse - que apenas o Porto conquistou, em duas ocasiões!


Isto não se pode somar tudo. Daria uma grande caldeirada, com cada coisa a cair para seu lado, com tudo estatelado no chão numa cambalhota falhada!


 


 

UMA NOTÍCIA (II)

 


Por Eduardo Louro


 


Não é uma notícia mas é um belo texto de opinião de Manuel António Pina – recém galardoado com o Prémio Camões – que anda à volta da Notícia que dá corpo ao post anterior.


É hoje publicado no Jornal de Notícias e vale a pena ler!


 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

UMA NOTÍCIA

Por Eduardo Louro


A notícia foi tornada pública no passado fim-de-semana: Almerindo Marques, que renunciara ao cargo de Presidente da Estradas de Portugal em Março - renunciara, não terminara -, vai, dois meses depois, presidir à Opway.


À partida esta seria uma notícia normal. Não é comum aos 72 anos, mas mudar de emprego não pode deixar de ser uma coisa normal. Por isso nem notícia seria. Não o é! E por isso é notícia…


A Opway é uma construtora do Grupo Espírito Santo (GES) que, com a Mota Engil, domina a Ascendi, a rainha das PPP nas estradas. A Ascendi, que reúne dois dos principais donos de Portugal – a expressão é de Louçã (num livro recentemente publicado) mas cada vez mais parece apropriada: o GES, de Ricardo Salgado e a Mota Engil, de Jorge Coelho. A quem a Estradas de Portugal, em completa rotura financeira, acabara de garantir mais 5,4 mil milhões de euros em rendas em PPP nas estradas. Sim, em rendas, porque não depende do número de carros em circulação.


Tudo isto na mesma altura em que o Tribunal de Contas arrasa as PPP nas estradas, e em particular nas SCUTS, denunciando vultuosos danos para o erário público. Para todos nós!


 O Jornal de Leiria de hoje publica também a notícia. Porque é notícia. Porque continua notícia, mas também porque Almerrindo Marques é uma personalidade do concelho de Leiria que, naturalmente, a região acarinha. Disse a este jornal: “terminei as minhas funções na Estradas de Portugal e vou trabalhar noutra empresa”, acrescentando que “nada mais” teria a acrescentar. Não é notícia, quis ele dizer!


Ao i – um jornal também com ligações (de capital) à região – declarou-se “tranquilo quanto às relações entre a construtora que vai dirigir e a empresa pública de que foi presidente desde 2007”. Acrescentou ainda que são “poucas as ligações” entre as duas empresas e que “quem não deve não teme”. É notícia, mas sem importância, quis agora ele dizer!


É claro que é notícia. E das más! Porque, como à mulher de César, não basta ser sério. Há que parecê-lo. E aqui não parece. O que é pena, porque Almerindo Marques tem 72 anos, uma carreira notável como gestor e cidadão, e uma imagem acima de qualquer suspeita a defender. Que, vá lá saber-se porquê, não soube defender!


 

ABORTO: O PROBLEMA NACIONAL

Por Eduardo Louro


Não fosse dramática a situação que atravessamos e esta campanha eleitoral seria motivo de hilariante gargalhada colectiva capaz de se ouvir no outro lado do mundo.


Ninguém fala dos juros que não vamos ser capazes de pagar, da recessão de dois anos que temos pela frente ou da catástrofe da Grécia, a mostrar-nos -a cores e ao vivo – o futuro que temos como certo já ao virar da esquina. Ninguém nos diz nada sobre o caminho que esta União Europeia está a tomar, agora pendurada das garras da Alemanha de Merkl. Ninguém se preocupa com o que tem vindo a lume sobre as SCUTS e as suas PPP. Sobre a estratégia para vencer a batalha da produtividade que nos garanta capacidade competitiva para poder crescer, nada! Ninguém se preocupa com isso… Brincam com a já famosa taxa social única (TSU), que a troika impôs sem que, pelos vistos, o governo tenha dado conta. Que o PS diz que é coisa para pensar lá mais para a frente, que agora o que importa é saber onde é que o PSD vai buscar o financiamento para a redução que propõe: se à cerveja, se ao vinho ou se a tudo o que mexa. Que o PSD quer baixar em quatro pontos, mas sem dizer como nem quando. Porque não sabe ou porque não quer que ninguém saiba! Sobre o que o CDS não sabe nada nem quer saber, porque a chuva, mesmo de pingo grosso como a destas trovoadas que por aqui andam, nem sempre molha: às vezes consegue passar-se entre os pingos mais grossos!


Não! Importante mesmo é falar da despenalização do aborto… Este é que é o grande problema do país, já todos o tínhamos percebido!


E pronto, lá foi introduzido mais ruído nesta campanha…


Que toda esta cambada que por aí anda em desfile pelo país entre em delírio e aproveite estes dislates para subir o patamar da barulheira, para que o ruído abafe tudo e não deixe ouvir nem discutir nada do que importa, a gente ainda percebe. O que a gente não percebe é que haja um jornalista – mesmo que da Rádio Renascença - que ache importante esclarecer agora, nesta altura, a questão do aborto. Mas o que a gente não entende de todo é que Pedro Passos Coelho não consiga perceber que só tinha uma resposta a dar. Esta e mais nenhuma: “ A questão da IVG não está neste momento na ordem do dia, passe à pergunta seguinte…”


Já basta de se pôr a jeito! Um dia destes deixamo-lo cair do colo…


 


 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

VAMOS VOTAR (II)

 Por Joana Louro *


Não queria falar de política... Nem da campanha eleitoral. Não concordo com estas eleições: acho que, para o que afinal irão servir, quando o programa de governo é imposto de fora e alheio à nossa escolha democrática, haveria outras alternativas! Não estou de acordo com este modelo de campanha, com custos exorbitantes – apesar de se notar alguma moderação, visível pelos outdoors que se não vêm -, e praças cheias de gente que nem sabem ao que vão - ou que vão para matar a fome num saco de plástico com mais afronta e indignidade do que pão – que não podem votar, porque nem sequer são portugueses... Mas lá vão enchendo as praças sem que consigam encher de vergonha a cara de quem os levou até ali. Não consigo rever-me nisto... Mas também, neste momento, não me é fácil falar de outro tema: agora que o dia 5 de Junho está mesmo aí e a campanha está ao rubro.


 Pertenço a o grupo dos “indecisos”, que permite todas as leituras às sondagens que todos os dias vão animando este carnaval. Porque não me sinto motivada por nenhum dos candidatos nem por uma campanha que não toca nos gravíssimos problemas que temos pela frente para se entreter em fait divers e disparates de toda a ordem. É tudo demasiado mau para ser verdade: quem aqui aterrasse, vindo de outro planeta, nunca conseguiria imaginar que o país vive a sua maior crise do último século. Porque está demonstrada a incapacidade dos candidatos para apresentarem um projecto com segurança e credibilidade para um país que está no abismo económico e em total desagregação social. Porque não reconheço em nenhum dos candidatos suficiente capacidade pessoal, altruísmo e distanciamento das máquinas partidárias que garanta a composição de uma equipa de mérito para mudar o país... Porque a decisão de votar num candidato pelo único motivo de expulsar de lá o outro me sabe a pouco, a muito pouco... Ainda que possa ser compreensível, é triste. Este é um motivo que não legitima uma vitória, nem o próximo líder nacional...


Desde muito pequenina que os meus pais me ensinaram que a democracia era coisa muito séria. E votar era um direito e um dever, mas sempre um acto de grande responsabilidade... Cresci a acreditar nestes princípios e ao alcançar a maturidade cívica tentei aplicá-los com seriedade e responsabilidade. Pois o problema é que não revejo no único motivo que poderia decidir o meu voto – o voto útil, para expulsar um “criminoso” - responsabilidade social ou cívica. Reconheço-o apenas como um acto de desespero. E o resultado deste tipo de decisões nunca é bom... E este é o cerne da questão e o motivo da minha angústia.


Hoje, já grandinha, continuo a considerar a democracia coisa séria, muito séria, ainda que já lhe reconheça inúmeros defeitos... Afinal, como dizia Churchill, a democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros. Por isso no dia 5 de Junho irei votar, mesmo não sabendo em quem, mesmo com muita angústia e preocupação, e sobretudo muito desencanto. E na realidade este é o meu único apelo: Votem. Não podemos permitir, por maior que seja a desilusão e o desencanto, que a abstenção diga ao mundo que nos estamos nas tintas ou que desistimos. Por nós, pelo nosso país, pelo futuro dos nossos filhos... mesmo dos que ainda não nasceram!


  


* Publicado hoje no Jornal de Leiria


 

terça-feira, 24 de maio de 2011

A VOZ DE UMA GERAÇÃO

Por Eduardo Louro


 


Marcou uma geração, talvez a primeira geração globalizada. Fez soprar ventos (blowing in the win) e mudar tempos (times they are a changing) e já faz hoje 70 anos!


Parabéns Mr Robert Allen Zimmerman: Bob Dylan para o mundo!


 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DESESPERO

Por Eduardo Louro


 


Sabemos que as nomeações de última hora são prática corrente entre os que nos têm governado. Chegada a hora de fazer as malas é um ver se te avias a nomear os últimos boys, para lhes assegurar um tacho mesmo antes de meter a chave à porta. Ou nem isso, nem se dão ao trabalho de a fechar: isso é coisa que deixam para quem vier atrás!


Tem sido assim - há muito que é assim – sem que ninguém se importe muito com isso…


O assunto foi hoje tema de campanha: Pedro Passos Coelho, pelo vistos com inside information, tomou conhecimento de que o governo, demissionário e em gestão, estava já a proceder a nomeações destas, de última hora. Claro, entrou pela campanha dentro como manteiga em pão quente: Passos Coelho a denunciar, Sócrates a negar e Passos a ter de confirmar.


Tudo bem esmiuçado, na confirmação surgem os mails do governo para a INCM com instruções claras: impedir que as nomeações fossem publicadas no Diário da República antes das eleições!


Não só se confirmavam as nomeações como se ficava a saber que o governo as queria esconder até às eleições. Perante os factos, o governo – através do Secretário de Estado da Presidência – confirmava as nomeações: apenas seis, e indispensáveis, garantia!


Contra factos não há argumentos, não é?


Não, com Sócrates há argumentos mesmo contra factos! Mais uma vez, mandando às malvas o mais elementar sentido de respeito pela inteligência dos portugueses – já não me restam dúvidas que, no país que Sócrates fantasia, os portugueses são burros – vem dizer perante as câmaras que afinal estava a ser acusado de cumprir o seu dever, precisamente o de impedir as nomeações.


Que Sócrates não tem vergonha já todos o sabemos. Que não tem respeito por nós e pela nossa inteligência, também já o sabíamos. Mas, eu, por mim, não imaginava que ele fosse capaz de ter a lata de, em frente à câmara e ao jornalista – na circunstância Carlos Daniel, um jornalista respeitado e competente - fazer esta figura. De manipular grosseiramente os factos e falar por cima e à revelia do jornalista,  para confundir   impedimento da publicação das nomeações com impedimento das próprias nomeações.


Isto é charlatanice pura!


Como previa no texto anterior isto é o “vale tudo”. E, agora que as sondagens indicam claramente a descolagem do PSD, as coisas ainda vão piorar. Sócrates, que tudo fez para se manter bem agarrado ao poder, entrará agora em desespero total!


 

domingo, 22 de maio de 2011

VALE TUDO?

Por Eduardo Louro


 


Já deu para perceber que para Sócrates, nesta campanha, vale tudo. Já se tinha percebido que para ele vale mesmo tudo, que é dos que não olham a meios para atingir os seus fins. Se isso não fizer parte do seu ADN faz pelo menos parte da sua história pessoal. Não é preciso recordar nenhuma das múltiplas trapalhadas que lhe ensombram o currículo para perceber isso!


Não tenho grandes dúvidas que nestas duas últimas semanas de campanha, e com o desespero a subir em flecha, surgirão mais, e provavelmente mais deprimentes, demonstrações de que Sócrates não conhece os limites da decência quando em causa está a preservação do poder. Transformou-se num alucinado pelo poder que perdeu por completo qualquer sentido de decência!


Percebeu-se isso claramente quando, no debate com Passos Coelho da passada sexta-feira, recorreu à leitura de passagens de um Relatório do Conselho de Administração integrante do Relatório e Contas de uma empresa onde, pelos vistos, o agora candidato do PSD exercia funções de administração.


Esse relatório, peça do modelo de prestação e apresentação de contas das sociedades anónimas, sendo um documento público não é mais do que isso: um documento de apresentação de contas de uma empresa privada! É um relatório institucional que segue um modelo e uma estrutura convencional, onde um dos capítulos se dedica precisamente à caracterização do meio institucional e macroeconómico, aquilo que constitui o contexto em que a empresa desenvolveu a actividade cujas contas estão em apresentação.


É um documento do foro empresarial subscrito por um colectivo, um órgão colegial de gestão de uma empresa. Não é um texto de opinião! Nem é um manifesto!


Percebendo isto, toda a gente percebe que não se encontra qualquer explicação, que não o desespero de Sócrates, para ir procurar a um documento destes aquilo que pretendia transformar numa defesa da sua tese de responsabilização da crise internacional, para a sua própria desresponsabilização. Não é sério, não é decente, nem é aceitável!


Não deve nem pode valer tudo, e eu acho muito estranho que nenhuma comunicação social se preocupe com isto. Não é aceitável que os media não tenham feito eco da ilegitimidade e da indecência da utilização daquele truque!


Mas Sócrates não perdeu tempo e voltou rapidamente a mais demonstrações de que, para ele, vale mesmo tudo. O fim-de-semana foi em cheio. Já não bastava o que tinha feito com as Novas Oportunidades, com o arregimentar de centenas de pessoas para utilizar como figurantes em comícios da especialidade. Agora, não sei se por descuido, se por total cegueira – o desespero cega – não houve pejo em encher ontem a Praça do Giraldo, em Évora, ou hoje a Praça da Câmara Municipal em Castelo Branco, com indianos, africanos e chineses – em boa parte vestidos a rigor com os seus trajes naturais, para que não subsistissem dúvidas – que nem português falavam.


Com tão flagrante exotismo era impossível que a Comunicação Social não desse nota desta tão desavergonhada quão deprimente prova de que para Sócrates vale tudo. Esta, ao contrário da anterior, não passou em claro. Todos tivemos oportunidade de ver até onde Sócrates consegue ir. E, quem não sabia ficou a saber, que Sócrates acha mesmo que somos todos burros…


Não lhe basta deixar um país de pobres e desempregados de mãos estendidas à esmola e à caridade do mundo. Não, como se tudo isso não chegasse, ele acha ainda que nos transformou num país de burros. Tão burros que, acredita, não somos capazes de perceber que não vale tudo!


 


 

AÍ ESTÁ A CAMPANHA ELEITORAL!

Por Eduardo Louro


 


Arranca hoje oficialmente a campanha eleitoral!


Até parece que não temos estado em campanha eleitoral – em boa verdade em Portugal está-se permanentemente em campanha eleitoral – com debates televisivos e tudo. Fiz um esforço para entender o que é que muda com a abertura oficial e, depois de passar em revista debates, comícios, arruadas, piqueniques, mercados e feiras, encontrei na campanha oficial  uma única coisa nova: os tempos de antena! Essa coisa a que ninguém liga, que ninguém ouve nem vê, que vive como parasita da campanha oficial, que não serve para nada mas que custa uma pipa de massa!


Ora aí está o único valor acrescentado da campanha eleitoral oficial: uma coisa que não serve para nada mas custa dinheiro, e muito!


Estava eu, empurrado por aquele meu esforço para perceber estas coisas, mergulhado na desilusão deste resultado quando, de repente, descobri que, afinal, algo de novo nascia com a campanha oficial: os outdoors do PS!


Isso mesmo, os outdoors que o PS tinha prometido não usar nesta campanha e que representam uma das maiores fatias deestes orçamentos! Isto sim, isto é que é campanha eleitoral a sério! Se toda a gente diz que as campanhas eleitorais servem para prometer o que se não vai fazer, o PS mostra que não, que também servem precisamente para o inverso: fazer o que prometeu não fazer!


Estava todo este meu processo reflexivo a correr tão bem quando, de repente, alguém vem estragar tudo. Tinha de ser!


Então não é que o Vieira da Silva – o senhor campanha do PS – vem logo dizer que “o PS comprometeu-se – e vai cumprir – no sentido de fazer uma campanha com redução substancial de custos”. Já não bastava o “comprometeu-se e vai cumprir” – coisa verdadeiramente maldita em campanha eleitoral – como ainda a “redução substancial de custos”… Mas, depois, vem a cereja para o topo do bolo. As palavras são ainda de Vieira da Silva: “… faz toda a diferença encher o país de outdoors ou colocar um outdoor por círculo eleitoral”…


Vejam bem: um – um único – outdoor por círculo eleitoral! E valia pena quebrar uma promessa, que era bem mais que uma promessa eleitoral –  essas esquecem-se facilmente porque há 4 anos para as cumprir - era uma promessa de campanha, escrutinável em apenas duas semanas?


Eu acho que não. Que não havia necessidade, tanto mais que os outdoors são para o PS como a boca para o peixe: olhem para aquele, lá em cima, dos 150 mil empregos!


 


 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

FUTEBOLÊS #77 CARA DO GOLO

Eduardo Louro



Era o que faltava: o golo ter cara!


Mas tem! O futebolês encarregou-se disso!


Tem cara, mas mais, tem vergonha na cara. É de resto por isso que aparece pouco, que é reservado e se dá pouco a ver. Daí que seja comum dizer-se que os golos estão pela hora da morte, o que faz com que, pela hora da morte, estejam também os seus progenitores: isso, os fazedores de golos! Os tais que são – eles próprios – não a cara do golo mas o rosto do golo. Sim rosto do golo, para não se confundir com a cara do golo!


O mais bonito desses rostos é, sem dúvida, esse colombiano com nome de brasileiro – Falcão - que a Divina Providência (na verdade foi apenas o Papa) se encarregou de desviar da Luz para o Dragão. Como, de resto, já acontecera com outro anterior belo rosto do golo: Jardel!


Por incrível que pareça essa foi uma perda altamente traumática. Tanto que não mais na Luz se esqueceu Jardel, não mais sendo dado descanso a quem respondesse por tão mítico nome. Foi um irmão, foi o próprio original já fora do prazo de validade e, agora, este que a Divina Providência (na verdade e desta feita, foi apenas Jesus) achou que seria o substituto do David Luiz.


Já percebemos que em futebolês cara do golo não é sinónimo de rosto do golo. São coisas bem distintas!


Mas se já percebemos o que é o rosto do golo – até já arranjamos dois, dando nome aos dois maiores rostos do golo que por cá passaram nos últimos quinze anos – o que é então a cara do golo?


Pois é, a cara do golo não existe! É apenas uma condição, uma condição circunstancial: não se é a cara do golo, está-se na cara do golo! Não se pergunta o que é a cara do golo mas sim quando é que se está na cara do golo.


E, agora sim, posso dar a resposta: estar na cara do jogo é estar em frente à baliza adversária (a baliza não é adversária, quando muito será adversa - é do adversário - mas o futebolês tem destas coisas e, evidentemente, aqui temos de segui-las), com a bola à disposição e apenas guarda-redes pela frente. É estar naquela situação em que  tudo parece fácil, por mais que se diga que é sempre o mais difícil: é só empurrá-la lá para dentro! É estar como estava o Mossoró na última quarta-feira, logo a abrir a segunda parte daquela grande epopeia lusa: sozinho, sem mais ninguém à volta, a bola ali à mão (no caso ao pé), o Helton à frente e as redes logo ali, à espera do beijo que a bola lhe prometia. E a taça da Liga Europa ali mesmo á frente…


Agora é claro: estar na cara do golo nem sempre quer dizer golo. Como o inverso também é claro: para marcar golo não é condição necessária estar na cara do golo. É a diferença do futebol para os toiros: enquanto na pega é obrigatório enfrentar a cara do toiro, no futebol pode chegar-se ao golo sem lhe ver cara. Foi o que, mais uma vez, aconteceu na tal final portuguesa de Dublin: o Porto não esteve, ao contrário do Braga, uma única vez na cara do golo. Mas tinha Falcão, o verdadeiro rosto do golo, que, para marcar, não precisa nada de estar na cara do golo. Pura e simplesmente aparece por lá, no sítio certo, pelo chão ou pelo ar, mais alto e mais forte que todos e faz o que os outros, na cara do golo, não conseguem fazer.


E por isso o Porto ganhou! Mas também por isso é bem provável que Falcão vá procurar novas caras para os seus golos noutras paragens. Em clubes de maior dimensão, como aspira o seu colega Rolando que, não sendo o rosto do golo, é a cara da impunidade dentro da área.


 

DEBATE FINAL

Por Eduardo Louro


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Chegou enfim o ansiado debate. Promovido como um grande espectáculo este terá sido o campeão das audiências, tal era a expectativa.


Uma expectativa natural – estavam frente a frente os dois candidatos à chefia do próximo governo do país, um país mergulhado numa das mais graves crises de sempre – mas uma grande expectativa em torno das prestações de cada um: de um lado Sócrates, dado como imbatível neste tipo de frentes – um mito, mesmo – e do outro Passos Coelho, dado como o cordeiro às mãos do lobo, com uma trajectória duvidosa neste tipo de desempenhos - que incluía mesmo uma estrondosa derrota perante Paulo Portas – e com o estigma dos tiros no pé, que vinha arrastando particularmente desde o arranque da pré-campanha.


Pariu a montanha um rato?


Não, acho eu! Pareceu-me um bom debate: provavelmente o melhor debate e, ainda provavelmente, o pior moderado. Mas o moderador pouco conta para esta guerra! O que conta é que Passos Coelho, contra todas as expectativas – as atrás enunciadas e mais não sei quantas – ganhou o debate em toda a linha, com uma entrada de leão que o embalou para aquilo que o futebolês chamaria uma primeira parte de luxo!


E caiu o mito da invencibilidade de Sócrates no campeonato do debate político, com a tal primeira parte de rastos, nitidamente no tapete. Tentou reagir a partir do meio do debate recorrendo ao seu único argumento: a cassete. Só que a cassete, de tão gasta, já não funcionou!


Viu-se então um Sócrates desesperado, com uma cara que não escondia a derrota, e já claramente convencido que o seu tempo já passou.


Ah! Se não viu poderá vê-lo aqui...


 

CONTRA-ATAQUE

 


Por Eduardo Louro



O debate de ontem, entre Portas e Louçã, não trouxe grandes novidades. Foi um debate morno e cordato, como que sujeito a um pacto de não agressão. Normal e perfeitamente previsível: não havia ali eleitorado em disputa! As preocupações de cada um viram-se para outros lados, os adversários directos não estavam ali à sua frente!


Veio de fora do debate – chamemos-lhe assim – a novidade maior: a reacção de Portas ao anúncio de Passos Coelho de que não contassem com ele para formar governo se não ganhasse as eleições.


Foi forte o ataque que Portas desferiu contra esta posição do líder do PSD, realçando um dos grandes – se não mesmo o maior – paradoxos da actualidade política: para o CDS o PSD é simultaneamente o seu adversário principal e o seu aliado principal. Esta é uma contradição insanável, com a qual se terá de começar a lidar com pinças!


Disputando o mesmo mercado, e sem que tenham avançado para uma coligação pré-eleitoral – que o próprio sistema eleitoral favorecia – são muitos os conflitos de interesses. E é grande o cuidado exigido na sua gestão!


Esta posição de Passos Coelho é apenas um deles. Quando diz que não será primeiro-ministro sem ganhar as eleições faz (bem) o seu papel, transmitindo ao eleitorado a mensagem clara que, para afastar Sócrates do poder, é preciso votar PSD. Não basta não votar PS e votar CDS não resolve o problema!


Por isso Portas a ataca. Não pode sentir-se confortável nesta posição do seu parceiro/adversário e não pode deixar de atacar uma posição que representa um forte obstáculo às suas ambições de crescimento e de alargamento da sua capacidade de influência no futuro governo.


A arma que Portas escolheu para esse ataque é que é deveras interessante, e a maior novidade proveniente do debate de ontem: tem a ver com a solidão e com o isolamento de Sócrates. Passos Coelho já tinha deixado claro que não governaria com Sócrates, posição que Portas não tinha acompanhado claramente. Era mesmo voz corrente, cada vez mais notada, que Portas estaria a jogar nos dois tabuleiros, não deixando de piscar o olho ao PS. Quando, e raramente o foi, questionado directamente sobre isso Portas refugiava-se no facto de ter sido ele, há um ano atrás, a dizer ao primeiro-ministro para se ir embora. Mas nada mais que isso, ou não fosse ele o mestre da ambiguidade na política nacional!


Pois! Ontem Portas disse, finalmente e com todas as letras, que não governaria com Sócrates. Foi essa a arma que escolheu para desferir o contra-ataque ao ataque de Passos Coelho, com esta mensagem para o eleitorado que disputa com o PSD: podem votar no CDS sem qualquer receio porque esse voto nunca servirá para dar a mão a Sócrates. Votem à vontade no nosso mérito, nas nossas convicções e na nossa equipa porque, mesmo que o PS ganhe as eleições, Sócrates nunca conseguirá formar governo. E o PSD não tem alternativa, se não ganhar as eleições constituirá maioria connosco!   E nem o país nem o presidente lhe perdoariam que não formasse governo!


Voilá…


 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

PARADOXOS

Por Eduardo Louro


 


Acabei de concluir, no post anterior, que o dia de ontem não existiu: ontem foi um jogo de futebol! E, pelo vou vendo, hoje pouco mais é que o dia seguinte ao do jogo de futebol!


Procura-se justificar este absurdo com uma realidade tida como incontornável: a primeira final de uma competição europeia totalmente portuguesa!


O sucesso do futebol português – enquanto actividade de excelência, das poucas que somos capazes de apresentar à Europa e ao Mundo – materializado numa final portuguesa, funcionaria, neste momento de humilhação e de descrença colectiva, como motivo de orgulho nacional e de reforço de uma auto-estima que se encontra pelas ruas da amargura. E isto justificaria a onda de excitação do país que os media procuraram provocar, deitando mãos a todos os recursos, mesmo que desproporcionados e despropositados!


Não me parece que, apesar de não terem olhado a meios nem a custos, o tenham conseguido. Não me parece que, apesar dos esforços, tenham sido bem sucedidos nessa tarefa de pôr o país em festa.


Porque a crise e o desespero tomaram mesmo conta dos portugueses. Mas também porque o cariz regionalista a que entregaram a tarefa (como referi abaixo o lema da Antena 1 era que “a Irlanda é do Norte”, mas houve muitas mais expressões dessa arregimentada divisão regionalista) era em si mesmo paradoxal, se não mesmo inimigo desse desiderato nacionalista.


E na realidade esta final portuguesa teve muito pouco de portuguesa e muito menos ainda de portugalidade. Não tanto pela constituição das duas equipas portuguesas (e do Norte!), com apenas três portugueses cada à entrada (à saída eram ainda menos), que isso não acontece apenas em Portugal, mas pela falta de expressão portuguesa! Na festa, claro! E, essa, fizeram-na os jogadores do Porto, naturalmente… Com os estrangeiros – a enorme maioria, como vimos – embrulhados nas suas bandeiras nacionais. E até, pasme-se, com um dos seus únicos três portugueses em campo, e jogador da selecção nacional, embrulhado na bandeira de Cabo Verde. Bandeira nacional foi coisa que se não viu ontem naquela final portuguesa, de repetição absolutamente improvável. O próprio Falcao, melhor marcador da prova, marcador do único golo da partida e, talvez por isso, na linha habitual da UEFA, distinguido como o melhor jogador da final, que temos visto fazer um notável esforço em Portugal para se expressar em português, respondeu a todas as solicitações em castelhano, sem se lembrar que estava a falar para Portugal e para portugueses.


O cabo-verdiano Rolando falou em português: mas para dizer que se queria ir embora, que tinha aspirações a jogar num clube de maior dimensão! Paradoxos: somos um país de paradoxos!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O DIA QUE NÃO EXISTIU

Por Eduardo Louro


 


Acaba de chegar ao fim um dia que não existiu. Este dia não existiu, apenas existiu um jogo de futebol.


Ao longo do dia não ouvi nada que não viesse de Dublin: eram programações directas, com dezenas de profissionais lá instalados – não estou a falar dos que estavam afectos ao relato do jogo e às infindáveis narrativas do antes, do durante e do depois do jogo – sem que ninguém perceba o que lá estavam a fazer (era engraçado, por exemplo, serem dadas de lá as notícias sobre o trânsito de cá). Eram entrevistas com os que acabavam de chegar ou com quem já lá estava. Interessantíssimas, como se pode imaginar! E eram os inevitáveis prognósticos …


Depois veio o jogo. E os festejos… Os canais de notícias das televisões (do cabo), todos sem excepção, estavam em directo desde Dublin, do Porto ou de Braga. Durante toda a noite: uma hora, duas horas, três horas depois de o jogo ter terminado!


Que, neste dia que não existiu, se tenha ficado a saber que a taxa de desemprego subiu para 12,4%, não teve qualquer importância. Que tenhamos ouvido o responsável por esta catástrofe de 700 mil desempregados – o primeiro-ministro Sócrates, evidentemente – dizer que isso não tem importância nenhuma, que apenas tem a ver com alterações nas regras de cálculo das estatísticas (é curioso que, de repente, o INE foi obrigado a alterar todos os critérios de cálculo de todas as estatísticas, o que diz bem do que andava a ser escondido debaixo do tapete) e  que, com a crise internacional, o desemprego subiu em todos os países. E que a solução para isto são as Novas Oportunidades, a nova cassete com que, como ontem aqui se dizia, Sócrates passa agora martelar os ouvidos do país! Como também não importou nada que tenhamos ouvido o secretário de estado da tutela – o inqualificável Valter Lemos – dizer coisas tão absurdas como que a subida da taxa de desemprego está dentro das expectativas e que “o contributo mais significativo foi de pessoas que não estavam à procura de emprego e que agora estão”.


Na realidade nada disto interessou hoje às televisões. Porque nada disto existe, se bem que tudo isto seja triste. E o nosso fado!


Mas como poderia isto ter existido se nem o dia existiu? Como podia isto ser notícia do dia, se nem houve dia, se apenas houve um jogo de futebol numa inédita e gloriosa final portuguesa da Liga Europa? E nada mais… Se, como dizia a nossa rádio pública – que, de armas e bagagens, e à custa dos nossos impostos, se instalou em Dublin – hoje foi dia da Irlanda … do Norte!

terça-feira, 17 de maio de 2011

CLAREZA

Por Eduardo Louro


 


Pedro Passos Coelho e Francisco Louçã protagonizaram o melhor dos debates televisivos desta pré-campanha: cordato, educado, sem crispação e com verdadeiro debate de ideias, de muitas ideias. Com Louçã regressado ao seu melhor e com Passos Coelho a deixar melhores perspectivas para o decisivo debate de sexta-feira com Sócrates.


A cereja no topo do bolo surgiria, no entanto, no pós debate: Passos, naquela flash interview à saída do estúdio, declarou-se indisponível para formar governo na condição de não ganhador deste pleito eleitoral. E mais, disse que o PSD tinha a obrigação de ganhar as eleições!


Isto é clareza! É saudável e indispensável clareza!


PPC já dissera que não governaria com Sócrates. Diz agora, concordando com a posição de Sócrates no que respeita à tradição portuguesa, que quem ganha as eleições deve formar governo. Mas diz ainda que tem a obrigação de ganhar as eleições. E assim deixa tudo claro, o que bem contrasta com Sócrates, que aposta em tudo menos na clareza.


Dir-se-á que PPC aposta no tudo ou nada. Sim! É verdade! A clareza também é isso.


Mas na verdade nem tem nada a perder nem poderia fazer de outra forma: PPC sabe que não tem partido desde que não vença as eleições. Portanto não valeria a pena poupar fichas, teria de as colocar todas na mesa!

NOVA(S) OPORTUNIDADE(S)

Por Eduardo Louro


 


Sócrates continua a reclamar uma nova oportunidade, convencido que está – no seu já crónico divórcio da realidade – que a merecerá. Não só não a merece como nem sequer tem legitimidade para a pedir!


Ontem, no debate com Jerónimo de Sousa - um debate onde teve entrada de leão e saída de sendeiro -, talvez na única resposta objectiva e directa a uma pergunta da Clara de Sousa, disse que a tradição política em Portugal manda que o Presidente encarregue o partido mais votado de formar governo. A pergunta era se admitia que, ganhando as eleições, mas com uma maioria parlamentar do PSD e do CDS, o presidente entregasse a governação àqueles dois partidos.


Aquela resposta diz que não! De forma alguma ele aceitará ficar de fora do governo se ganhar as eleições, colocando o que chama de tradição política acima da Constituição. Que, como se sabe, diz que o presidente indigita para formar governo depois de ouvidos os partidos e tendo em consideração os resultados eleitorais. Sócrates não vê como lhe possam negar uma nova oportunidade!


Como hoje foi tema do dia, as Novas Oportunidades – essa coisa a que Sócrates lançou mão para artificialmente melhorar as estatísticas da qualificação dos portugueses – estão a ser utilizadas para lhe dar uma ajuda na sua nova oportunidade. Parece que se trocam diplomas por votos… Se para Sócrates todos os meios servem para sacar dos portugueses uma nova oportunidade, como é que poderiam aí faltar as Novas Oportunidades? Novas Oportunidades que, tivesse ele tido a oportunidade de as lançar uns anos antes, e bem úteis lhe teriam sido... Parece que estou a vê-lo chegar com os projectos daquelas moradias (lembram-se?) debaixo do braço a um CNO qualquer e a receber em troca um diploma de engenheiro civil. Bem, seria mais pacífico que o outro… e teria até evitado a chatice do tal inglês técnico feito ao domingo!


Depois de todo este esforço para que os portugueses lhe dêem mais uma nova oportunidade como é que poderiam ser o presidente e a Constituição a retirar-lha?


Se já tínhamos todas as razões para não votar Sócrates agora temos mais uma: não lhe dar nova oportunidade de se aproveitar das Novas Oportunidades. Nem de pressionar o presidente que, como bem sabemos, reage mal à pressão! Nunca sabemos o que de lá vem quando lhe apertam os calos


Uma coisa é certa: as Novas Oportunidades chegaram à campanha. E vieram para ficar! Para já é um debate especial no parlamento. E na sexta-feira lá estarão no debate, bem no centro!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O ERRO DE DSK

Por Eduardo Louro


 


Dominique Strauss Kahn (DSK) teve azar: numa altura em que a sua primeira preocupação devia ainda ser Portugal tinha logo de viajar para os Estados Unidos! Tivesse ele vindo para Portugal e poderia perfeitamente dar larga às suas – pelos vistos famosas e conhecidas - taras sexuais sem que nada se passasse.


Não seria, evidentemente, detido. A senhora não teria apresentado queixa. Nem isso lhe passaria pela cabeça, mas, se passasse, toda a gente facilmente a convenceria a mudar de ideias: contavam-lhe, por exemplo, este caso, ou ainda este, e rapidamente a senhora percebia que não ganhava nada com o assunto. Que seria ela a sair mal! Ninguém iria acreditar que não fora ela a leviana que, com um sexagenário rico (numa suite de dois mil euros por noite, só podia!) e poderoso (só podia, com o que temos ouvido do FMI e sendo o homem que tinha salvo Portugal - coisa que, como bem se percebe, só está ao alcance de gente com muito poder) ali à mão, se mandara ao homem, coitado!


Não só nunca teria visto o seu futuro político ir por água abaixo, como veria mesmo a sua candidatura presidencial do próximo ano sair daqui reforçada … Com os portugueses em geral a renderem-lhe homenagem (este é que é dos nossos, macho latino danado!) e os políticos, em coro, a dizer que aquilo são coisas do foro privado! E ainda valeria uns bons milhares de votos portugueses em França. Que sempre dão jeito!


Bom, mas como DSK não soube escolher, fica pelo menos uma lição para todos os tarados sexuais com aspirações políticas: se sabem que não conseguem resistir a uma empregada de quarto de hotel, a um inesperado cruzamento com um rabo de saia num corredor, ou a um encontro com uma fêmea desprevenida no elevador não se deixem enganar – escolham Portugal!


 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

FUTEBOLÊS #76 ALARGAR A BALIZA

Eduardo Louro



 


 


As balizas, no futebol, são constituídas por três tubos metálicos, redondos e pintados de branco: dois na vertical - os chamados postes – e um na horizontal, a chamada barra, também conhecida, para os mais velhos, por trave - um nome herdado dos tempos em que as balizas eram de madeira. E facetadas, em vez de redondas.


As medidas da baliza estão oficialmente definidas – 7,32 metros de comprimento (ou será largura?) por 2,44 metros de altura – e, por muito jeito que dê ao guarda-redes encurtá-las, ou aos avançados alargá-las, não há nada a fazer: têm que ser rigorosamente respeitadas!


E no entanto, graças ao futebolês, é possível ao avançado alargá-la e ao guarda-redes encurtá-la. Isso mesmo: o que o futebol faz, o futebolês desfaz! Mas o futebolês consegue mais: consegue ainda que sejam os próprios avançados a, contra todas as expectativas, encurtá-la. E se não consegue o mesmo com os guarda-redes – que sejam eles a aumentá-las – consegue pelo menos que eles as abram!


Um avançado alarga a baliza sempre que se coloca em posição central em relação à mesma, sempre que se encontra bem enquadrado com a baliza, como se diz em futebolês. O guarda-redes encurta-a se, por sua vez, naquela posição conseguir reduzir a distância que o separa do avançado. Sempre que, por força dos seus movimentos ou dos que a defesa adversária lhe impõe, o avançado se vê obrigado a descair para um dos lados, perde centralidade em relação à baliza. Fica desenquadrado com a baliza e é então ele próprio a encurtá-la! Fica mais fácil para o guarda-redes fechar o ângulo e tapar por completo a sua baliza! O que nem sempre acontece: circunstâncias há em que o guarda-redes, por deficiente posicionamento na baliza, em vez de a fechar, abre-a…


Como se vê mesmo as medidas rigorosas permitem alteração. Até parece política!


É o que o Benfica tem que perceber!


O Benfica passou toda esta época a encurtar as balizas adversárias. Ao mesmo tempo tinha na sua própria baliza alguém que, em vez de a encurtar, a alargava. Que, sempre mal posicionado na baliza, a deixava bem aberta e bem larga para os adversários.


Não sei se será possível uma mudança tão radical na gestão do Benfica que permita aspirar, já para a próxima época, ao alargamento das balizas adversárias e ao encurtamento simultâneo da sua própria baliza. Na eventual impossibilidade de juntar e acumular ambos os objectivos há que tomar opões e, como na construção da própria equipa, deve começar-se de trás: pela nossa própria baliza, tornando-a mais pequena para os adversários.


Parece-me que foi isso que Luís Filipe Vieira quis dizer no início da semana. Não foi ousado ao ponto de nos deixar perceber a ambição de conjugar os dois objectivos: puxou claramente as orelhas a Jorge Jesus, mas deixou-o continuar. E, deixando-o continuar, deixará continuar muitos dos erros que limitarão ambições. Mas puxando-lhe as orelhas puxou-o à realidade, deixou o aviso, esvaziou-lhe alguma parte do ego e, esperam os benfiquistas, limitou-lhe os poderes e circunscreveu-o à sua (reduzida, a meu ver) esfera de competências, lembrando-lhe o princípio de Peter.


Declarou a sua intenção de passar a delegar menos, o que, não sendo exactamente uma boa notícia – porque não se lhe reconhecem grandes competências no futebol – é outro puxão de orelhas: desta vez a Rui Costa! Que deverá passar a próxima época numa coisa tipo unidade de prematuros, a ver se cresce em laboratório


Pode ser que na próxima época consiga encurtar a sua baliza. Vamos a ver! E esperemos que na outra seguinte chegue então a altura de alargar balizas…


Entretanto cai hoje o pano sobre o campeonato desta época: com um campeão claro e indiscutível. Ver-se-á lá mais para a noite se sem derrotas… Um campeão que não deixou que o rival Benfica esboçasse sequer uma ameaça de ciclo e que se mostra capaz de ser ele a lançar mais um dos seus muitos ciclos de domínio das últimas décadas. Que, como mais ninguém, sabe alargar as balizas dos adversários e encurtar as suas. De vez em quando, vai mesmo lá alterar as medidas…mas ninguém vê. E quando alguém vê é como se não visse… E quando alguém fala é como se não falasse, como se vê com um tal Jacinto Paixão!


 


 

FATAL(IDADE)

 


Por Eduardo Louro


 


Fiquei com a sensação que debate de hoje foi fatal para Passos Coelho: Portas ganhou claramente o debate e deixou a ideia que foi clemente para o seu adversário. Ficou a ideia que Portas, quando viu o seu adversário no tapete, quis poupá-lo. Não certamente por misericórdia ou por clemência mas por interesse estratégico!


Receava-se este desfecho a partir do primeiro debate – com Jerónimo de Sousa – na altura aqui identificado como o mais fácil de todos para Passos Coelho. Confirmado este receio começa a perspectivar-se uma jornada de autêntico pânico para o decisivo debate com Sócrates!


E com a sondagem hoje divulgada (PS 36,8%, PSD 33,9% e CDS 13,4%) as nuvens negras adensam-se! Há 40% de indecisos para resolver isto. Espero que sejam dos que não vêem debates!


 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

REESTRUTURAÇÃO

Por Eduardo Louro


 


A questão da reestruturação da dívida está em cima da mesa. Não é uma questão ideológica, como se quer fazer crer, apesar de terem sido os partidos de esquerda – PC e Bloco – a introduzi-la no debate. É o próprio Economist, que nada tem a ver com as teses de esquerda, a recomendá-la.


Evidentemente que não é uma discussão oportuna, e é isso, é esse pormenor, que faz com que os restantes três partidos com representação parlamentar – que assinaram o memorando da troika – se mantenham à margem desta discussão. Não passa pela cabeça de ninguém estar nesta altura, quando o chamado programa de ajuda financeira externa está ainda em aprovação, se esteja a declarar que, nas condições que o governo acabou de aceitar e os restantes dois partidos – provavelmente governo dentro de um mês – de subscrever, não é possível pagar! Acabar de assinar um acordo e dizer que não é possível cumpri-lo não é aceitável. É surreal!


E no entanto assim é. Não há volta a dar-lhe!


As taxas de juro à volta dos 6% que os nossos parceiros europeus – o mau da fita não foi, como já se tinha percebido ao longo das três semanas que por cá estiveram, o temível e tenebroso FMI – decidiram aplicar-nos como medida de retaliação - a sova que os nossos amigos alemães e nórdicos entendem que merecemos – são incomportáveis para a nossa economia: uma economia em recessão neste e no próximo ano. Não há milagres!


É por isso que a reestruturação está para este tempo como a inevitabilidade do pedido de auxílio financeiro estava para o Verão passado. Então foi Sócrates quem quis negar essa evidência resistindo, com os custos que já se conhecem, apenas por seis meses. Agora é a própria realidade institucional a obrigar a negar esta evidência: não pudemos negociar coisa nenhuma, restou-nos a humilde condição de pedinte que aceita e não discute. Aos donos do dinheiro exigia-se que, para além da ânsia punitiva – eventualmente compreensível – lhes sobrasse algum bom senso, alguma noção da realidade e racionalidade na defesa do euro e da própria União. Que é a sua própria defesa!


Não tiveram nada disso. Ou porque não consigam sequer ter essa visão ou porque as conjunturas políticas internas lhes toldem a vista!


Agora é apenas uma questão de tempo.


Não será – espero – uma reestruturação “não pagamos”, como se pretende catalogar quando é a esquerda a falar dela, mas terá que ser uma reestruturação que altere muitas, se não todas, as condições em vigor. E, eventualmente, já com mais gente no barco!


 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

HABILIDADES

Por Eduardo Louro


 



Mais do que saber quem ganhou – e desde já adianto que, em minha opinião, Louçã ganhou o debate desta noite com Sócrates – parece-me importante fazer notar que foi um debate que teve como pano de fundo o combate com o PSD.


Sócrates tinha Louçã à sua frente – um já velho ódio de estimação e precisamente quem mais eleitorado lhe tem roubado – mas mostrou-se mais preocupado com o PSD. Poderá dizer-se que é normal, que é uma questão de focalização no adversário principal e de uma estratégia de marcação cerrada, directa e impiedosa. Que, de resto, já também havia sido seguida ontem por Pedro Passos Coelho no debate com Jerónimo de Sousa. Pois, mas pese o tom cordato, amigável e avesso ao confronto que o marcou, não foi bem assim!


Poderá também dizer-se que Sócrates sente que as sondagens estão a apontar para uma quebra significativa do Bloco de Esquerda, e que, de acordo com as teses maioritárias – que eu não subscrevo, como já aqui dei conta – tal quebra resulta de uma transferência de votos que o benificia directamente. Do regresso a casa de muitos dos votos que fugiram em 2009! E que este sentimento lhe terá reforçado a convicção de que seria mais rentável aproveitar o debate para atacar o ausente do que propriamente para se bater com o adversário que tinha ali à sua frente.


Mas não foi nada disso! Até porque Louçã não perdeu tempo a estudar o adversário: entrou ao ataque. Tão decididamente que me pareceu justificar a atribuição da sempre tão discutida vitória no debate!


Sócrates mandou-se ao PSD neste debate, como acontecerá nos outros e em todas as oportunidades, pela simples razão de que o que há para discutir são as propostas do PSD. Desde que no passado domingo o PSD apresentou o seu programa eleitoral, o PS – que, ao contrário que apregoa, não tem programa (não há uma medida objectiva, quantificada e calendarizada, portanto não se pode dizer que haja programa) – não faz outra coisa, porque não tem outra coisa para fazer, que dedicar-se às medidas desse programa. Combatendo-as e atacando-as mas sem apresentar as suas: não faz mais que isto!


Como se viu no debate de hoje, com a proposta de baixar a taxa social única. Mas como o debate mostrou – e tire-se o chapéu a Louçã – essa medida não é só uma imposição do programa da troika que os três partidos subscreveram: essa é uma medida com a qual Sócrates, por carta, se comprometeu perante as entidades externas!


Mais uma habilidade de Sócrates … Esta foi desmontada, espero que toda a gente o tenha percebido!


 

terça-feira, 10 de maio de 2011

PORQUE? É FATALIDADE?

Por Eduardo Louro


 


 


E ao primeiro debate mais uma gafe. E logo no mais fácil!


Aumentar o IVA da electricidade? Mas porquê este exemplo?


Não havia tantos outros? Percebe-se que quisesse fugir ao leite com chocolate. Ou à cerveja ... Mas, caramba: tinha de ser a electricidade?


Assim é mais difícil. É evidente que a máquina do PS vai aproveitar…


E lá vai ter que dar mais explicações… E lá vai ter dizer que é terrorismo político…


Começa a não haver muita paciência para tanta ingenuidade! Não havia necessidade…


 


 


 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O REFRÃO

Por Eduardo Louro


 


O debate entre Portas e Sócrates, que marcou a entrada de Sócrates nesta cena dos debates, serviu para confirmar o que já previa vir a ser o mote da estratégia de comunicação do PS. Percebia-se, conforme salientava no post abaixo, que o foco passaria pela exploração da ideia de que o PEC 4 e Programa de suporte da Ajuda Financeira da UE e do FMI são uma e a mesma coisa. Conforme refiro em baixo, a apresentação do programa eleitoral do PS – quer na forma quer na substância - não teve outro objectivo que não esse!


Encontrado o mote – e dado o estilo e a máquina da comunicação deste PS de Sócrates – logo se passou à criação do refrão da canção do bandido:


 


“O PEC 4 é igual ao programa da troika;


Chumbaram o PEC 4;


E lançaram o país na crise política;


Para agora subscreverem o programa da troika.”


 


Há uns problemas de rima mas não faz mal: eles acham que funciona à mesma!


E pronto, lá aprendemos este refrão que passará a andar na boca de toda a gente, trauteado em tudo que seja comício, debate ou simples conversa de café. Ainda aprendemos outra mas a essa não lhe prevejo o mesmo sucesso: é a diferença entre não estar disponível para governar com o FMI e não governar com o FMI. E isto esclarece a grande questão que andava no ar: como poderia Sócrates partir para estas eleições para disputar um lugar a que claramente se recusara. Pois ficamos esclarecidos. Pelo próprio, como convinha: “eu (ele Sócrates) nunca disse que não governaria com o FMI; disse que não estaria disponível para governar com o FMI”!


Ficamos esclarecidos. Afinal é para isso que os debates servem!


 


 

NOVIDADES DO FIM-DE-SEMANA

Por Eduardo Louro


 


Três dias depois do programa da Troika aí está o programa eleitoral do PSD. Quando tinha de estar! Quando poderia estar…


São 122 páginas – poderiam ser bem menos, como ainda agora poderíamos ter aprendido com aqueles senhores que cá estiveram – que, à luz das obrigações contratualizadas com a União Europeia e o FMI, apontam, de uma maneira que me parece séria e sem cedências eleitoralistas, que agora seriam completamente disparatadas, um caminho para Portugal nos próximos anos.


Sabemos que o comum dos portugueses não lê os programas eleitorais e que as campanhas se desenvolvem a partir de meros spins e sound bytes centrados numa ou noutra ideia que, muitas das vezes, nem sequer encontramos em nenhuma parte do programa. Se, lá bem no fundo, as pessoas não os lêem é porque não estão para isso - têm mais que fazer, mesmo que não tenham – é sempre fácil dizer que não se interessam porque não vale a pena. Porque nada daquilo é para cumprir: promessas, só promessas de que estão todos fartos!


Acho que este é também o tempo de fazer um esforço para desatarmos este nó - mais um - que estrangula a nossa democracia. A gravidade do momento que atravessamos justifica o nosso empenhamento na participação cívica e democrática: a começar por aí, por dar atenção aos programas dos partidos!


Sócrates, que domina bem todas a s variáveis do marketing político, sabe disso: que as pessoas não se dão ao trabalho de ler os programas eleitorais. Por isso apresentou o seu antes e à revelia do programa da troika, com o único objectivo de fazer passar a ideia de que esse mais não seria que o seu PEC 4. E reclamava a apresentação do programa eleitoral PSD para dele retirar um ou dois pontos que a sua máquina de propaganda se encarregaria de formatar à sua medida e martelar ritmadamente, como só eles sabem fazer. Como já estão a fazer!


O acontecimento político do fim-de-semana não é, porém, a apresentação do programa eleitoral do PSD. Nem tão pouco a convenção do Bloco. É a inequívoca declaração de Pedro Passos Coelho de que não haveria bloco central: nem ele estará com o PS no governo nem o PS estará com ele no governo!


Quando toda a gente se tem mostrado tão empenhada nos mais amplos consensos e nos mais maioritários dos governos, que eu aqui tenho permanentemente condenado, é bom que venha alguém dizer que isso não vale. Que perceba que com isso não se pretende outra coisa que desculpabilizar quem tem a responsabilidade de trazer o país até aqui. Que diga claramente e sem ambiguidades que o eleitorado tem a responsabilidade de fazer escolhas e de punir quem tem de ser punido!


Quem nos conduziu à mais baixa média crescimento económico dos últimos 90 anos, à maior dívida pública (em função do PIB) dos últimos 160 anos, à maior dívida externa dos últimos 120 anos; ao maior desemprego dos últimos 80 anos e à segunda maior vaga de emigração da nossa História, já que não pode – como merecia - ser criminalmente responsabilizado, não pode deixar de ser exemplarmente punido nas urnas. Quem mentiu e continua a mentir, a manipular e a tratar Portugal e os portugueses como se tudo isto não passasse de um jogo, tem que ser afastado do governo. Não pode ter perdão!


As reclamadas convergência, unidade, maiorias e unanimidades são apenas esponjas que pretendem apagar toda esta desgraça que é a herança de Sócrates!


PPC veio dizer claramente que não contem com ele para isso. E eu aplaudo!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

FUTEBOLÊS #75 SORTE DO JOGO

Eduardo Louro


 


Hoje não vale a pena perdermo-nos em preliminares. Vamos directos ao assunto!


O Braga, com a sorte do jogo, é certo, afastou o Benfica da final da Liga Europa e deixou o s benfiquistas, não à beira de um ataque de nervos, mas na mais profunda depressão. Eu que o diga!


Falo por mim mas também pelo que tive oportunidade de confirmar com todos os benfiquistas que encontrei: esta derrota doeu a sério, fez mossa e deixa marcas! Como o presidente Luís Filipe Vieira (LFV) bem percebeu de imediato. Não percebemos se Rui Costa o percebeu e percebemos que Jorge Jesus não o percebeu de todo. Se o tivesse percebido as primeiras palavras dele teriam sido as mesmas de LFV: “peço desculpa”!


Esta derrota doeu de mais porque era a última esperança de ganhar alguma coisa de jeito nesta época. Porque os benfiquistas se agarraram a essa esperança para esconder a frustração de uma sensação de regresso ao passado. Mas doeu ainda mais porque os benfiquistas acordaram de uma mentira: já não lhes bastava a mentira do governo e do seu primeiro-ministro; agora era o seu porto de abrigo, a âncora dos seus equilíbrios psico-sociais, a traí-los e a abandoná-los. Agora mesmo, quando o estrangeiro veio tomar conta de nós e passar-nos não sei quantos atestados de incompetência! Agora mesmo, quando vemos sondagens que nos dizem que mentir compensa!


O Jesus resume tudo isto a uma questão de azar: o Benfica teve azar na primeira mão, na Luz, onde o Braga teve muita sorte. Azar e a sorte que se repetiriam no jogo de Braga.


É evidente que há circunstâncias de sorte e azar. A sorte do jogo, que o Braga teve na Luz ao marcar o golo do empate num lance inexplicável e logo a seguir ao golo do Benfica. Que voltou a ter em Braga no momento e nas circunstâncias em que fez o golo que valeu o apuramento. Que o Porto teve no Dragão na semana passada, como aqui se deu conta, e que voltou a ter ontem quando faz o 1-1, que arrumou com qualquer sombra de dúvida sobre a eliminatória, num remate que, indo para fora, encontraria um adversário para se encaminhar para a baliza. Mas serão sempre circunstâncias. O resto é feito pela tal crença, de que aqui também se falou a semana passada, como o Porto e o Braga bem ilustram A sorte é uma coisa que dá muito trabalho, como se diz, se repete e é verdade!


Toda a gente percebeu que, nos jogos que decidiram o campeonato e a taça, os jogadores do Porto, ao contrário dos do Benfica, entraram cheios de confiança, determinados e disponíveis para discutir todos e cada um dos lances. Em Braga viu-se exactamente a mesma coisa: enquanto os jogadores do Braga respiravam confiança – ficou, apesar do azar invocado por Jesus, a sensação clara que se precisassem de ganhar por dois golos tê-los-iam procurado e marcado – os do Benfica tremiam, desconfiavam um dos outros e, claramente, não corriam!


E isto não tem a ver com sorte ou azar. Tem a ver com competência!


Competência que faltou na construção do plantel, com um plantel desequilibrado, com demasiadas posições sem uma alternativa sequer. Na gestão do plantel - com jogadores esquecidos e ostracizados que, assim, não podem ter nem condição física nem psicológica – desvalorizando qualitativa e financeiramente uma enorme quantidade de jogadores. Desvalorização que se estendeu aos chamados titulares, onde David Luiz, já cedido, Fábio Coentrão ou Cardozo valem hoje - o primeiro já valeu - bem menos que no fim da época passada. Na gestão da equipa, praticamente reduzida onze jogadores, sem qualquer rotatividade, que literalmente rebentou no último terço da época. Que, mesmo poupada - com uma segunda equipa nos últimos quatro ou cinco jogos do campeonato a perder jogos e pontos com os últimos classificados – chegaria de rastos a esta eliminatória com o Braga.


Basta ouvir Jorge Jesus para percebermos que dificilmente ele terá todas as competências que hoje são requeridas a um treinador de topo: um treinador que só sabe de futebol nem de futebol sabe! Mas, mesmo que ele as tivesse, bastaria ouvi-lo para percebermos que nunca as conseguiria comunicar… E basta ainda ouvi-lo – mais pavão que os pavões de S. Bento - para compreender as suas competências de team building: não é por acaso que não tem no seu currículo duas épocas consecutivas de sucesso, seja isso lá o que, no seu caso, for. Competência que faltou à administração na renegociação do contrato de Jesus, no caso Roberto – nos valores inacreditáveis do negócio e na permissividade no processo de desestabilização que introduziu na equipa -, ou na responsabilização de toda a estrutura pela irregularidade da equipa e pela desvalorização óbvia de todos os jogadores.


Ver imagem em tamanho realCompetência que faltou na definição de funções de Rui Costa: ninguém sabe o que faz nem quais são as suas responsabilidades. Sabemos apenas que, para adquirir competências, não basta ter sido um grande jogador, ter o Benfica no coração, e estar no coração dos benfiquistas!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...