Por Eduardo Louro
Pedro Passos Coelho e Francisco Louçã protagonizaram o melhor dos debates televisivos desta pré-campanha: cordato, educado, sem crispação e com verdadeiro debate de ideias, de muitas ideias. Com Louçã regressado ao seu melhor e com Passos Coelho a deixar melhores perspectivas para o decisivo debate de sexta-feira com Sócrates.
A cereja no topo do bolo surgiria, no entanto, no pós debate: Passos, naquela flash interview à saída do estúdio, declarou-se indisponível para formar governo na condição de não ganhador deste pleito eleitoral. E mais, disse que o PSD tinha a obrigação de ganhar as eleições!
Isto é clareza! É saudável e indispensável clareza!
PPC já dissera que não governaria com Sócrates. Diz agora, concordando com a posição de Sócrates no que respeita à tradição portuguesa, que quem ganha as eleições deve formar governo. Mas diz ainda que tem a obrigação de ganhar as eleições. E assim deixa tudo claro, o que bem contrasta com Sócrates, que aposta em tudo menos na clareza.
Dir-se-á que PPC aposta no tudo ou nada. Sim! É verdade! A clareza também é isso.
Mas na verdade nem tem nada a perder nem poderia fazer de outra forma: PPC sabe que não tem partido desde que não vença as eleições. Portanto não valeria a pena poupar fichas, teria de as colocar todas na mesa!
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