quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O tipo do Fiesta branco a cair de podre

Por Eduardo Louro


 


Umas centenas, que tranquilamente apreciavam a candura de um mar tão tranquilo que nem parece gémeo do outro, que do outro lado do promontório faz as delícias de não sei quantos Mcnamaras, e aproveitavam os últimos raios de sol deste cinzento e nada solarengo 2014, e outras centenas, de miúdos, e miúdas que se limitavam a aquecer as gargantas de cerveja para que mais logo estivessem no ponto, para a passagem de ano, enchiam a marginal. Linda, como sempre.


De repente um Ford Fiesta branco, a cair de podre, atravessa-se na rua com pouco trânsito, já condicionado para as festividades de logo á noite. Do vidro sai um pirilampo azul, que é colocado sobre a capota e, do carro, sai de imediato um tipo corpulento que, depois de meter a chave à porta do carro, segue com ar duro em direcção ao carro que fizera parar com aquela atravessadela brusca e desajeitada. Do curtíssimo diálogo que se segue nada se percebe. O tipo corpulento regressa ao interior do seu Fiesta, a cair de podre, que mantém atravessado, mas agora com uma nesga por onde acaba por passar o veículo interceptado, que encosta mais à frente. Logo depois o velho Fiesta regressa à sua posição inicial de completo bloqueamento do trânsito, e dele volta a sair o tipo corpulento, que volta a fechar o carro com a chave e passa a dar indicações à fila de carros entretanto criada para desviarem para a rua á direita para, acto contínuo, regressar ao velho Fiesta branco a cair de podre e desaparecer engolido pelo ex-libris que é a Praça Souza Oliveira. Encostado à direita continuava o carro tido por interceptado, e lá dentro o homem que poderia – sabe-se lá – explicar alguma coisa desta história esquizofrénica que por momentos, poucos é certo, trouxe um cheirinho recambolesco de Hill Street Blues ao fim de ano da Nazaré!


Bom 2015 para todos!

Pronto. António Costa já foi a Évora...

Por Eduardo Louro



 


Já todos podem ficar descansados, António Costa visitou finalmente Sócrates na prisão... Tinha passado o Natal bem perto, mas guardou para o último dia do ano... Afinal havia um site de apostas e tudo...


Calado, sem dizer palavra, disse que veio, sim, mas ... obrigado!


 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ora aí está ela... De novo.

Por Eduardo Louro



 


Repetindo, embora, o resultado do jogo de despedida para Natal, foi bem melhor – pior seria difícil – esta exibição de regresso do Benfica. Teve alguns bons apontamentos, não muito constantes, é certo, e criou muitas – mais de uma dezena – oportunidades claras de golo.


Jorge Jesus apresentou – e muito bem, nesta altura do calendário outra coisa não faria sentido – uma equipa com os jogadores mais utilizados nesta fase da época, em que continuam de baixa muitos dos principais jogadores do plantel. De fora só ficou Gaitan (entrou para a segunda parte), porque Enzo, claro, já não conta, já está em Valência. E confirmou-se que não passou de boato aquela notícia do sucesso da clonagem no laboratório de Jesus. Não há hoje dúvida nenhuma que o processo falhou, e Pizzi não é mais a opção que pareceu tão óbvia naquele jogo de despedida da Champions. Hoje Jesus até o colocou na posição que era a iniciai de Enzo, o que poderá deixar a ideia que tudo terá de começar de novo. E de início. Por isso voltou a insistir em Talisca, que voltou a mostrar que não é aquela a sua praia. E depois em Samaris…


Mas não há volta a dar: desta vez não há Manel! E como o modelo é inalterável … desconfio bem que este Janeiro vai ser diferente dos anteriores…


Por agora o que conta é a Taça da Liga, onde, agora que já é uma competição que conta, o Benfica tem muito a defender. Por isso, depois do Sporting, ontem - no tal jogo do Bruno de Carvalho –, e do Porto hoje – em Vila do Conde, à conta de um penalti descaradíssimo (o Casimiro agarrou na bola e passeou com ela debaixo do braço pela grande área fora) que, no último minuto, o árbitro portista Rui Costa não quis ver - terem ganho, foi importante para o Benfica começar também a ganhar.    


 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A demonstração que faltava...

Por Eduardo Louro


 


 (foto retirada do blogue Sporting até morrer)


 


Desconfiávamos que o jogo de futebol que estava marcado para hoje, em Guimarães, seria muito mais que um jogo de futebol. E não nos enganamos!


Sabíamos que o Sporting iria entrar em campo com uma equipa maioritariamente constituída pelos Messis que o presidente Bruno de Carvalho contratara no início desta época, e que o treinador Marco Silva teimava em ignorar, sabotando as competências futebolísticos do querido líder. Os dados estavam lançados para, mais que perceber a teoria da sabotagem construída pelo presidente do Sporting e dada a conhecer ao mundo por essa iminência verde chamada José Eduardo, assistir à sua demonstração.


Assim foi, e este jogo de Guimarães confirmou em absoluto a tese da maior conspiração de sempre no futebol nacional. A partir dele bem pode Marco Silva limpar as mãos à parede com a acção judicial movida contra o José Eduardo. E em vez de ficar à espera da indemnização, o melhor é ir-se preparando para pagar!


Vejamos: Com os jogadores do presidente, o Sporting ganha por 2-0 ao mesmo adversário que, com os jogadores escolhidos pelo infiltrado Marco Silva, lhe tinha imposto a maior derrota da época. Uma goleada que, como se sabe, seria a gota de água que faria transbordar o copo de Bruno de Carvalho, rapidamente transformado num tsunami!


Mas o jogo foi mais longe na exposição das debilidades do treinador e das competências do presidente. Com os jogadores do treinador, o Sporting tem sofrido golos atrás de golos, e com eles cedido muitos pontos, a partir de bolas paradas. Pois o jogo fez questão de mostrar a toda a gente que, com os jogadores do presidente, cantos e livres não metem medo a ninguém. Só cantos foram 17! 17 cantos e mais uns tantos livres na sequência das 30 faltas que a equipa cometeu… Golos, nada. Nem sombras…


Coisa idêntica se passa com os auto-golos. Os jogadores do treinador marcaram na própria baliza uma série de golos, também eles a custarem pontos. Como se viu, com os jogadores do presidente nada disso … Os cortes saem todos certinhos, a rasar a barra, ou a tirar tinta ao poste, mas para o lado de dentro das redes… nada.


E com os golos? Os jogadores do treinador falham oportunidades de golos umas atrás das outras e, claro, isso custa pontos. Com os jogadores do presidente é outra coisa: 4 remates à baliza, dois golos. Nem mais!


É pois claro e óbvio – entra mesmo pelos olhos dentro – que, com os jogadores do presidente, em vez de 10 pontos de atraso para o primeiro, o Sporting estaria com 10 pontos de avanço para o segundo classificado do campeonato. Não só estaria nos oitavos da champions, como teria os cofres cheios dos milhões da liga milionária…


E, claro, teria agora os tubarões da Europa às portas de Alvalade, todos em fila – Real Madrid, Barcelona, os dois Manchesters, Arsenal, Chelsea, Bayern Munique, só lá faltariam os russos, mas sabemos por quê – com os cheques das cláusulas de rescisão na mão. A 45 milhões cada um, a coisa andaria à volta dos 500 milhões de euros!


Pronto. Está tudo explicado. Alguém agora tem dúvidas que Marco Silva é o rosto de um polvo que asfixia o SCP? Um diabo pintado de anjo


Que seria dos sportinguistas sem gente como esse José Eduardo?

150 anos!

 Por Eduardo Louro



 


Não é para todos... É só para Instituições. Parabéns ao Diário de Notícias! 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Curiosidades ... Ou mais que isso?

Por Eduardo Louro



 


Em todas as últimas privatizações, todas as administrações das empresas objecto de privatização estiveram invariavelmente de acordo com o modelo de privatização escolhido pelo governo. Em todas as últimas privatizações, as administrações das empresas objecto de privatização asseguraram a sua continuidade na gestão das empresas privatizadas...


 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Em francês, o melhor do mundo é alemão!

 Por Eduardo Louro



 


Afinal o francês L´Equipe segue as ordens do francês Platini. Desde que a FIFA passou também a a atrbuir o prémio, e a designá-lo para o melhor do mundo, a escolha tem praticamente sido a mesma.


Não tem grande jeito, dois melhores do mundo... Mas quando se deixa um francês daqueles de mão estendida, com todo o mundo a ver... o melhor que pode acontecer é isso!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Lapalissadas

Por Eduardo Louro


Por que é que toda a gente percebe que estar morto é o contrário de estar vivo, e depois há tanta gente com dificuldade em perceber que, estar preso, é exactamente o contrário de estar em liberdade?


Se calhar é porque lhe falta  a dimensão axiomática de uma resposta tonta de uma socialite qualquer... Se for isso, pode falar-se com a mesma.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Espiral de disparate

Por Eduardo Louro



 


De Poiares Maduro já ouvimos tudo... Na maior parte das vezes, disparates...


Se calhar é por isso hoje já não se liga nada ao que diz aquele que foi um homem respeitado e prestigiado que chegou ao governo para substituir Relvas. E por isso ele pode continuar, hirto e firme, na sua espiral do disparate. Para negar o óbvio, e até natural, neste estado de coisas - o governo sempre mandou na RTP, e quando criou o tal Conselho Geral (e "independente") da RTP continuou a mandar, só que por interposta(s) pessoa(s) -, Poiares Maduro diz que o Bloco de Esquerda tem mais influência no órgão que criou para mandar na RTP que o governo.


Só que começa a ficar muito difícil alimentar a espiral... A fasquia do disparate está agora muito alta mesmo!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Medonho

Por Eduardo Louro


 


 


Os primeiros dez minutos foram medonhos… Os últimos dez foram de puro terror!


Os primeiros dez deixaram-nos em choque. Sem nada que o fizesse esperar, o último do campeonato - mais que último, ultimíssimo - que ainda não conseguiu ganhar um jogo que fosse, entrou a mandar no jogo. E a rematar. Mal, mas também não se pode pedir muito a esta equipa do Gil Vicente. Foram 10 minutos assim. O Benfica, sem Enzo, não funcionava. No seu lugar estava, estranhamente, Talisca. Estranhamente porque – dizia-se – o trabalho de laboratório de Jorge Jesus tinha produzido em Pizzi um clone do argentino. O último jogo da champions, na semana passada, na Luz com os alemães das aspirinas, tinha servido para apresentar esse último sucesso de laboratório. A seguir, no Porto, com Enzo, Pizzi ainda entrou para os últimos minutos e na passada quinta-feira, quando Jesus resolveu ao intervalo dar descanso ao internacional argentino e perder o apuramento para os quartos da Taça, foi ao novo clone que recorreu.


A coisa não correu bem, como se sabe, mas daí a ser razão para deitar tudo fora… Não dá para perceber!


Passados que foram esses primeiros 10 minutos medonhos, as coisas começaram a compor-se. Sem nunca jogar bem, mas com o jogo controlado, o Benfica chegou ao golo por volta da meia hora de jogo. Um golo irregular, obtido numa recarga de Gaitan a um remate do Maxi, em fora de jogo, ao poste.


Pensou-se na altura que era o costume: o mais difícil estava feito, a partir dali viria uma enxurrada de golos que trataria de cobrir de ridículo as habituais reclamações dos nossos adversários. Quando se ganha por quatro ou cinco o que é que importa um golo em fora de jogo?


Não foi nada disso. Os primeiros minutos da segunda parte encarregaram-se de matar essa ideia. E quando, à hora de jogo, a primeira substituição é para fazer entrar o Tiago ou o Bebé – ou lá o que é – ninguém queria acreditar. Era claro que o pior ainda estaria para vir, e que não havia forma nenhuma de fugir das habituais provocações dos adversários. Desta vez, se conseguisse segurar o golito em off-side, seria mesmo uma vitória com o selo da arbitragem, também ela má, como o jogo, de um João Capela realmente muito mau!


E lá vieram os 10 minutos finais que aterrorizaram toda a gente. Até Jorge Jesus que, no fim e depois de alguns minutos para se recompor, veio pedir a união e o apoio dos adeptos… Mas desconfio que também ajudaria se ele explicasse por que é que, à primeira dificuldade, desiste das apostas que faz crer que trabalhou… Ou o que é que viu, e continua a ver, no tal Bebé … É que não basta mudar o nome às coisas!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Solstício de Inverno

Por Eduardo Louro


 


 


Aí está de novo o dia mais pequeno do ano. Um dia de sol, de sol de pouca dura, porque pouco dura o dia…


Aproveitem-nos – ao dia e ao sol!


A partir daqui vai ser sempre a crescer. Os dias irão crescer todos os dias, e com dias maiores é também maior a probabilidade de mais sol… Se calhar, para o astral, é melhor dizer assim do que simplesmente dizer que começou o Inverno!

Virtudes, atitudes, acção política …

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Transcrevo com as devidas reservas:


“… Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso á roda fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho que enredar-me no trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.


“Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção.


“Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre …”


António de Oliveira Salazar, 7 de Janeiro 1949


Salazar, o mais votado no programa televisivo ”Os Grandes Portugueses” que decorreu na RTP1, entre 2006 e 2007, anda muito presente no pensamento de muitos, e inúmeras biografias têm sido publicadas. Sinais de 40 anos de uma democracia progressivamente debilitada pela incapacidade dos sucessivos governos e forte expressão de elites cujas virtudes, atitudes e acção politica não dignificam os princípios democráticos da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.


As ditaduras que prevaleciam no sec. XX, nomeadamente na Europa, com Stalin, Hitler, Mussolini, Franco e Salazar, justificavam o centralismo do poder em princípios orientadores que dessem o sentido às respectivas sociedades. Por cá a pedagogia centrava-se em “Deus, Pátria e Família”, valores administrados de forma distorcida e exacerbada na orientação dos governados, para esconder as políticas protecionistas de outros interesses, corrupções e outras vergonhas.


Ler Salazar de 1949, faz-me lembrar, em tempos bem mais próximos, entrevistas de Armando Vara, Dias Loureiro ou Duarte Lima - não citando outros por prudência -quando estavam no exercício de cargos da governação politica, cheios de virtudes, aparentemente formatadas por excelso bom senso e esmerada educação.


Com o processo democrático, à trilogia “Deus, Pátria e Família”, sobrepôs-se a “Liberdade”, mas esta foi servida de forma desregrada, sem manual de instruções, e o próprio conceito iluminista do sec. XVIII, de liberdade como ”a obediência às leis que cada um estabeleceu para si próprio” tem servido para todos os atropelos. Quanto à “Igualdade”, estamos longe de cumprir com os seus princípios subjacentes: “de igualdade perante a lei (isonomia)”, “de igualdade no acesso ao poder (isocracia)” e “igualdade no acesso à palavra ou liberdade de expressão (isegoria)”. E quanto à “Fraternidade”, tal como a “Moral”, fundadas no respeito pela dignidade e igualdade de direitos, nunca passaram de conceitos bafientos de sacristia, quando na prática as elites no poder e lobbies económicos tudo fazem para, em benefício de poucos, tirarem os recursos a muitos.


Salazar deixou o país com 866 toneladas de ouro, mas o povo era pobre, emigrado e triste. Não culpemos o actual regime democrático, mas sim a irresponsabilidade dos que não zelaram pela aplicação dos seus “princípios”, que deixa o país com reduzidos recursos, apenas 382 toneladas de ouro e uma dívida insustentável. Mas o país está melhor – diz Passos Coelho – só que o povo volta a ser pobre, emigrado, e agora também deprimido e envelhecido. E depois admiram-se que Salazar seja lembrado, ou que votem nele, como aconteceu no concurso televisivo de 2006 a 2007.


Na democracia temos direitos, mas também o dever de participar no sistema político para que este proteja os nossos direitos e liberdades. Em época de Natal faço aqui o meu exercício de “liberdade”. Questiono o meu posicionamento perante “Deus”, procurando um sentido, um caminho. Foge-me a “Pátria”, tão endividada e perdida nos trilhos da Europa e do mundo global. Dou enfase à “Família”, bastião de proximidade e segurança.


Há um ano denunciei aqui a intenção do “Espirito de Natal” de emigrar. Sinto-o distante, talvez mais desiludido, mais pragmático e mercantil. Valha-nos o Papa Francisco com o seu vigor ecuménico e a coragem de questionar e romper alguns dogmas do catolicismo, além do empenho em restaurar as virtudes necessárias à humanização das políticas e das sociedades. Refere no seu programa pastoral “a política tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”.


Feliz Natal!


 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O que de relevante já ficou da greve da TAP

Por Eduardo Louro



 


A greve da TAP - evidentemente impopular, e evidentemente só possível de levar em frente por uma corporação que disfruta de condições profissionais muito acima da média - põe mais uma vez a nu a falta de competência deste governo cheio de gente impreparada. E de má fé!


Nem sequer vale a pena ir procurar razões políticas, que são tantas. A começar na falta de transparência, no timing político, ou na degradante trapalhada que arranjaram à volta das versões, em inglês e em português... Basta ter visto hoje o ministro Pires de Lima garantir, com a sua palavra, que está agora disposto, na condição de a greve ser cancelada, a acolher as propostas dos trabalhadores da TAP para o caderno de encargos da privatização.


É que, evidentemente e como toda gente percebe, na primeira vez que se falasse na agenda para a privatização de uma empresa como a TAP, a primeira coisa que tinha de ser conhecida era exactemente o respectivo caderno de encargos. Que ninguém de bom senso consegue admitir que seja possível desenhar sem, numa empresa como a TAP, envolver os seus trabalhadores... 


Claro que o governo tem o caderno de encargos da privatização concluído. Pretendeu sempre mantê-lo escondido, longe da discussão e sem o envolvimento de quem quer que seja. Mas, escudado no mais que provável ponto de não retorno da greve, decide arriscar e fazer de conta. Fazer de conta que se lembrou do que só agora percebeu que deveria ter feito.


É esta demonstração de incompetência, de inépcia, e de falta de senso, de boa-fé, e de capacidade política o que, para já, de mais relevante fica desta greve. Ao pé disto, o resto são fait divers!

É dos livros...

Por Eduardo Louro 



 


Prometeu o título, para o qual - garantia - partia na pole position. À chegada ao Natal ... o costume!


Já culpou e humilhou os jogadores... Passou a disparar para o treinador e, claro, virou-se para o rival - é cada vez mais claro que só há um rival. Mandá-los para a 2ª divisão é que era... Com eles na segunda até poderia continuar sem ganhar nada, mas eles também não. E isso basta-lhe!


Azar... "insuficiência de factualidade". Na verdade deveria dizer-se ausência de factualidade, mas a conclusão é a mesma: não tem ponta por onde se lhe pegue!


Então ... saia um plebiscito. E venha daí uma assembleia geral para plesbicitar a gestão... Uma gigantesca vaga de fundo de laboratório. Em ambiente controlado!


É dos livros... Vem logo na introdução de qualquer manual do populismo e por aí começam todos os projectos de poder.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A prioridade é o campeonato...

Por Eduardo Louro


 



... Mas também não era preciso tanto!


Depois de perder em Braga, num jogo que acabou com o mesmo desfecho e na única derrota no campeonato, o Benfica saltou fora da Taça. Desta vez na Luz, onde o Braga só uma vez tinha ganho, já lá vão 60 anos... Este também é um recorde de Jesus, que uma vez, então treinador do Braga, numa visita à Luz e após mais uma derrota disse que, ganhar na Luz, só na playstation.


O jogo não foi muito diferente do do campeonato, em Braga. O Benfica jogou bem, marcou primeiro e foi imensamente superior. Do outro lado um guarda redes, que nem sequer foi o mesmo, que defendeu tudo. E três remates... dois golos, em duas inacreditáveis ofertas. Primeiro de André Almeida, depois do Ola John, que ainda não conseguiu perceber o objectivo do jogo!


Por isso, porque o Braga não foi nenhuma surpresa, Jorge Jesus também tem culpas no cartório. Especialmente quando, ao intervalo, tirou Enzo Perez. Porque perdeu o mais influente e decisivo jogador da equipa - e que, por castigo, nem sequer pode jogar o próximo jogo do campeonato - e porque Pizzi nunca se encontrou. Porque facilitou, e pior que facilitar, transmitiu uma ideia de facilitismo!


É futebol? Se calhar é... E no ano que aí vem já só há campeonato. E Taça da Liga... É pouco, muito pouco para tanto jogador... Estão a perceber?

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (VIII)...

Por Eduardo Louro



 


Finalmente alguém que sabe alguma coisa... Álvaro Sobrinho sabe mesmo muito, mas diz pouco. E sabe, como poucos, o que deve dizer... Apenas o que quer, e pouco, sempre. Com grande jogo de cintura, sempre de menos para mais, rompeu com o tom deprimente das anteriores audições...


Por mim estou esclarecido: o homem é esperto. Muito esperto! 


 


 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Porta aviões ao fundo!

Por Eduardo Louro



 


Ao fim de oito anos - oito - o Ministério Público não encontrou nada que, na compra dos submarinos, lhe permitisse encontrar por cá, sequer, as outras faces da moeda que, na Alemanha, levou a que onze pessoas fossem condenadas por corrupção. E mandou arquivar tudo, por falta de provas, mas ainda com a singular lata de lavar as mãos da forma mais abjecta possível: "não foram encontradas provas, mas os crimes, a terem existido, já teriam prescrito"!


Não se pedia muito. Pedia-se apenas que conseguissem encontrar os que receberam aquilo que os alemães pagaram. E tiveram oito anos para isso!


Mas nem isso... Houve corrupção, os alemães corromperam, mas em Portugal não se sabe quem foi corrompido. Os alemães pagaram, mas em Portugal não se sabe a quem... Mesmo que todos os dias surjam uns cavalheiros na Assembleia da República a dizer que receberam uns milhões... Mas que não sabem por quê!


Não são dois submarinos... É o porta aviões que vai ao fundo!

Evocar habilidades

Por Eduardo Louro



 


Começam a ser demasiados os equívocos que António Costa lança. Começa a parecer que o novo líder socialista se está a especializar nas artes da pesca, a começar pelo lançamento da rede...


Ontem, no jantar de Natal com o Grupo Parlamentar do PS, lançou a rede ao bloco central. Melhor dizendo - voltou a lançar a rede para aquele lado!


Hoje veio desmentir que o tivesse feito. Que, quando ontem evocou o bloco central de 1983-85, não pretendia recuperar essa fórmula, mas apenas "evocar o exemplo da liderança de Mário Soares". Ora, António Costa não está apenas a recuperar uma fórmula política, está a repetir a mais gasta formulação política do regime, que é justamente fazer de nós parvos. 


António Costa tem tido inúmeras ocasiões para evocar todos os exemplos de Mário Soares. E tem-nas aproveitado. Ainda há apenas uma semana, por ocasião dos seus 90 anos, teve mais uma oportunidade que - e muito bem - não desperdiçou.


Então para quê, completamente a despropósito, voltar ontem a fazê-lo?  Não faz qualquer sentido. E muito menos sentido faz, nesta altura em que o antigo e carismático líder do PS está até voltado para outro lado, ir procurar ao quadro da única experiência de Bloco Central as melhores razões para evocar Mário Soares. Nesta altura, António Costa não precisa nada do bloco central para evocar Soares. Poderá é precisar de Soares para evocar o bloco central!


Do que não precisa mesmo é de nos tratar por parvos. Pode dar as voltas que quiser, do rotundo não do congresso a coligações com a direita, para o nim da semana passada a Passos Coelho, já com um depois das eleições a gente fala com vista privilegiada para os braços de Rui Rio. Mas sem truques. Nem outras habilidades circenses...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (VII)...

Por Eduardo Louro



 


Eles não sabem ... Não sabem por que recebem dinheiro. Não sabem português... Não sabem que intervir é fazer alguma coisa, nem que seja apenas receber comissões. E que interver é verbo que não intervém na língua portuguesa... Não sabem mesmo nada. Nem de nada!


Vá lá... alguns pedem desculpa...

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (VI)...

Por Eduardo Louro



 


Continua a saga dos Espírito Santo, que de nada sabem. De nada são responsáveis, para nada tinham competência... Os contabilistas sim, esses é que sabem de tudo ...


Estranho grupo este ... mandado por contabilistas. Não admira nada que o fim tenha sido este. Não podia ter sido outro!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Quando o menos mau é ser mentiroso...

Por Eduardo Louro



 


Depois de, sem grande sucesso, se ocupar da menina que lhe falou das senhoras avantajadas com que os deputados se ocupariam na Assembleia da República, Marcelo virou-se para Ricciardi. Não teve aí maior sucesso... Antes pelo contrário. Ser chamado de mentiroso ainda é o menos. Nem foi a primeira vez, nem grande surpresa... Ficarmos de saber quem lhe pagava as férias - de luxo - é que é de mais!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Levados ao colo

Por Eduardo Louro


 


 


Não se cansaram de fazer correr por aí que este era o dia das bruxas do Benfica. O dia de todos os fantasmas, dos papões e do lobo mau. A 14 de Dezembro de não sei quando, o Porto ganhara ao Benfica por não sei quantos. Tudo isto não sei quantas vezes…


Também a 14 de Dezembro, há 28 anos, diziam, acontecera qualquer coisa em Alvalade, não sei bem o quê… De tudo isto se fizeram os jornais e os programas de rádio e televisão durante a semana. “Assalto ao primeiro lugar” – com quatro palavrinhas apenas se enchiam as capas dos jornais. Tinha chegado a hora de colocar o implacável Porto de Lopetegui no lugar que é seu por direito divino: o primeiro!


Nada disto assustou ninguém. Desta vez ninguém teve medo… Não havia papão, nem lobo mau!


A começar, como tinha que ser, por Jorge Jesus. Muitas vezes dado a invenções, como bem sabemos. Lima tinha de jogar, porque Talisca tinha de jogar, e já se percebeu que Talisca é Talisca, transportador de jogo e desequilibrador quando o Lima lá anda, a abrir espaços por onde ele possa entrar. A partir daí já se sabe: Gaitan, Enzo e Salvio são de confiança… Só faltava que o Samaris confirmasse a sua evolução na adaptação às exigências que Jorge Jesus lhe colocou. Confirmou, e pronto… Lá foi o Benfica levado ao colo para a parte de cima do jogo. Onde esteve sempre, á excepção dos últimos 10 minutos quando, depois da saída por lesão do capitão Luisão, o Benfica se deixou encostar lá atrás e permitiu ao Porto duas oportunidades de golo. Duas!


O Benfica ganhou um jogo que não podia ter deixado de ganhar. Foi mais equipa, muito mais adulta e, quando chegou a altura própria, com as melhores individualidades. Ganhou com indiscutível mérito, reconhecido por toda a gente. Excepto o Sr Lopetegui...  Mas quando o discurso do treinador do Porto é o que é (orgulhoso da exibição, e que a jogar assim o título fica mais perto) isso é irrelevante!

A verdade e a mentira na polémica da privatização da TAP

Por Eduardo Louro



 


Aí está uma nova polémica. Desta vez é a guerra aberta entre António Costa e o PS, por uma lado, e Passos Coelho, o governo e os partidos da coligação, por outro, à volta da leitura do Memorando da Troika, no que respeita à privatização da TAP.


Entre os vários links que o Quinta Emenda disponibiliza ao longo da sua margem direita, encontra-se o Memorando da Troika, logo a seguir ao Futebolês. Trata-se da tradução portuguesa da versão original, justamente aquela que António Costa reclama para a sua verdade. E  com toda a razão, como pode confirmar-se:


No capítulo "Privatizações"(3.31), na página 14, diz que  "... para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga), energia (GALP,EDP, e REN), comunicações (Correios de Portugal), e seguros (Caixa Seguros)... O plano tem como objectivo uma antecipação de receitas de cerca de 5,5 mil milhões de euros até ao final do programa, apenas com alienação parcial prevista para todas as empresas de maior dimensão. O Governo compromete‐se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação acelerada da totalidade das acções na EDP e na REN, e tem a expectativa que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como da TAP, até ao final de 2011". 


O que António Costa diz é rigorosamente o que está escrito na tradução portuguesa. O porta voz do PSD, Marco António Costa, veio defender -se com o original em inglês, sugerindo erros de tradução e dizendo que é esse que conta. 


O original em inglês - curiosamente ali é o ponto 3.30 do capítulo relativo às privatizações -  diz que "... The existing plan,elaborated through 2013, covers transport (Aeroportos de Portugal, TAP, and freight branchof CP), energy (GALP, EDP, and REN), communications (Correios de Portugal), and insurance (Caixa Seguros)... The plan targets front-loaded proceeds of about €[5.5] billion through the end of the program, with only partial divestment envisaged for all large firms. The Government commits to go even further, by pursuing a rapid full divestment of public sector shares in EDP and REN, and is hopeful that market conditions will permit sale of these two companies, as well as of TAP, by the end of the 2011".


O documento de tradução para português começa logo com uma nota que avisa e esclarece que, em caso de divergência, é original em inglês que vale. Como se vê, não há qualquer divergência. O que está traduzido para português corresponde exactamente ao que está escrito em inglês, pelo que se conclui, com grande faciidade, que o argumento porta voz do PSD não é mais do que aquilo a que já nos habituou. 


Ontem à noite, dizia-me um colega e amigo - que muito respeito, muito entendido nestas matérias, mas também algo vulnerável às teses deste governo - que o governo tinha razão. Que no original havia um "as well as of TAP" a seguir à referência á privatização total da EDP e da REN. Expressão que, a ser assim, colocaria a TAP no mesmo saco da REN e da EDP.


Não é assim. A verdade é que a expressão não se refere à privatização total mas tão só, como se lê perfeitamente quer em inglês quer em português, ao timing das respectivas operações de privatização: na espectativa de condições de mercado para as realizar até ao fim de 2011. Permanecem intocáveis, e prevalecem, os dois pilares do capítulo: "receitas de cerca de 5,5 mil milhões de euros até ao final do programa, apenas com alienação parcial prevista para todas as empresas de maior dimensão"!


Não há lugar a qualquer dúvida. António Costa tem razão. Infelizmente, como é habitual, o governo e a maioria não deixam fugir uma oportunidade para lançar a confusão, estando-se verdadeiramente nas tintas para a verdade. Como diz o outro, não lidam maravilhosamente com a verdade


 


 


 


 

Jogos de sorte e azar

Por Eduardo Louro


 


O futebol não é um jogo de sorte e azar… Não era, até surgir este Manchester United de Van Gaal, onde não cabe um jogador como Falcão. Ou cabe, para entrar nos últimos cinco minutos, já com o resultado da lotaria conhecido…


Até há seis jornadas atrás, este colosso mundial do futebol às mãos do holandês, arrastava-se pelos relvados ingleses, a que esta época ficou confinado, ameaçando repetir a classificação do ano passado, ali pelo meio da tabela. De repente, em Londres saiu-lhe a taluda: levando um monumental banho de bola do Arsenal, consegue ganhar por 3-1. E nunca mais parou. Nem de levar banhos de bola, nem de ganhar!


Hoje, nos Teatro dos Sonhos e frente ao Liverpool, a saga prosseguiu. Foi três vezes à baliza dos rapazes da cidade dos Beatles e fez três golos: um logo a abrir, como convém, outro a fechar a primeira parte, como é dos livros, e em fora de jogo descaradíssimo, e o último à entrada do quarto de hora final. Pelo meio, os coitados jogadores do Liverpool encontravam sempre pela frente mais uma perna. Quando se livravam dessa perna incómoda surgia-lhes um De Gea intransponível, a defender tudo… E quando o guarda-redes espanhol – em grande forma – não fazia tudo, lá estava o poste para fazer o resto…


Já lá vão seis jogos… De sorte para Van Gaal e azar para todos os outros que lhe surgiram pela frente!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sócrates, pois claro...

Por Eduardo Louro



 


De repente, assim do nada, ao passar os olhos pelos jornais de hoje, descobri o enigma da semana e passei a estar em condições de dar uma ajuda ao Bruno de Carvalho. Ou á Liga, que é agora quem deve uma explicação ao presidente da agremiação do Campo Grande ...


A questão pesava no ar: quem é que impediu que o Belenenses utilizasse na Luz os jogadores Miguel Rosa e Deyverson?


Já se sabia que o Benfica não tinha nada a ver com isso e que a decisão viera da admnistração da SAD de Belém. Mas como e porquê, se o presidente - Rui Pedro Soares, estão a ver? - é portista e até dragão de ouro?


Pronto, já levantei a ponta do véu... Sócrates, não há dúvida nenhuma...


Foi Sócrates, acusado pelo actual companheiro da ex-mulher de ser benfiquista, que não resistiu ao pedido que o Barbas e o Máximo do táxi lá foram fazer-lhe a Évora e, desta feita, em vez de o mandar comprar a TVI, explicou ao Rui Pedro Soares que aqueles dois, que segundo o lagarto das sondagens - que de Estatística deve saber alguma coisa - representam 83% dos golos do Belenenses, não podiam jogar contra o Benfica.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ondas

Por Eduardo Louro


 


PS sobe nas sondagens mesmo após detenção de Sócrates


Aí estão as primeira sondagens após a detenção de Sócrates, e a confirmação da vantagem do PS: 38% das intenções de voto, contra 33 da actual maioria. 


Isto quererá dizer algumas coisas. A primeira é que Passos Coelho não é Mcnamara, e não consegue surfar a onda gigante de populismo a que se lançou. A segunda é que António Costa, continuando em boa onda, soube evitar que Sócrates se tornasse num caso de política. E a alternativa é, agora, ser caso de polícia!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Propagandistas

Por Eduardo Louro


 



 


Já passaram dois dias depois do Banco de Portugal ter mostrado ao país a aldrabice dos números do emprego e ainda não apareceu ninguém do governo a dizer o que quer que seja. Nem Paulo Portas... Nem Pires de Lima... Nem Passos Coelho, que não está cá e, de lá, só fala para dar mais uns recados à comissão de inquérito do BES... Nem nenhum dos inúmeros papagaios destacados para o comentário nas televisões, que por aí andam só por ver andar os outros...


Mas alguém haveria de aparecer ... É que a semana está mesmo a correr mal para a propaganda que Passos Coelho anda a espalhar pelo país fora. Ainda mal tinha acabado de vender banha da cobra do mexilhão e já a OCDE desmentia tudo... 

Generosidades

Por Eduardo Louro



 


Não deixa de ser engraçado: as pessoas que estão a desfilar perante os deputados que constituem a Comissão de Inquérito ao BES foram as que, há quatro anos, pagaram para que nós fossemos reeleger o actual Presidente da República.  No total deram à campanha de Cavaco perto de 300 mil euros... Cada um deu o máximo permitido por lei: 25.560 euros. À excepção do homem da KPMG, o da auditoria. que se ficou pelos 5 mil euros.


O hoje mais célebre exemplar da generosidade nacional -  o empresário José Guilherme que, tanto quanto julgo saber, não tenciona passar por lá - arranjou maneira de, à sua conta - evidentemente sem nunca violar o tecto permitido pela lei - também entrar com 100 mil euros. Coisa irrelevane, à luz dos 14 milhões da prenda que, mais tarde, viria a oferecer a Ricardo Salgado. 


Por enquanto Cavaco não tem nada para dizer: deve manter sob reserva tudo o que é reservado. Daqui por 6 meses, talvez um ano, Cavaco haverá de dizer qualquer coisa sobre isto...


Sei lá... Que o Espírito Santo é uma coisa, e a Santíssima Trindade outra...Mais que outra coisa, é um mistério... Ou mesmo que, naquele tempo, Ricardo Salgado era um respeitável e virtuoso chefe de família... da família dona disto tudo. Ou - quem sabe? - não virá dizer que bem avisou. Que, se forem ver bem ao discurso de tomada de posse, Sócrates não passava lá de figura de retórica... Aquela carga de porrada toda, era, afinal, para os generosos Donos Disto Tudo!

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (V)...

Por Eduardo Louro



 


Afinal, na Comporta brincavam aos pobrezinhos, mas em casa faziam bolos para restaurantes. De luxo, certamente...


As coisas que a gente fica a saber com esta telenovela...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Exercício de precisão

Por Eduardo Louro



(Foto do SOL)


 


Nem sei o que mais me impressiona: se a precisão dos números que esta gente apresenta para a economia paralela - 26,81% do PIB - se a forma como contrariam o êxito fiscal do governo.


Não importa, fico impressionado com ambos. Identificar com esta precisão uma coisa que, por definição, não tem registos, é obra. Nada de á volta dos 27%. Nem mesmo 26,8%. Exactamente 26,81%!


Mas, que dizer da certeza garantida que a economia paralela está a crescer quando o governo se gaba do desempenho da máquina fiscal? A receita fiscal está a aumentar - e de tal forma que até já faz parte dos pressupostos orçamentais, designadamente na inovadora anunciada solução para a devolução da sobretaxa de IRS - porque, garante o governo, está a ganhar a batalha da evasão fiscal.


Então, com cada vez menos gente no país, quanto mais vêm para dentro do sistema mais ficam lá fora? 


Expliquem lá isso melhor... Ou, se for caso diso, chamem os bois pelos nomes. Tanto preciosismo de um lado, e tão pouco do outro, é que não!


 

Arrepiante!

Por Eduardo Louro



 


O discurso de Malala, hoje em Oslo ao receber o prémio Nobel da Paz, foi arrepiante... Arrepia - acho mesmo que assusta - aqule discurso numa menina, paquistanesa, de 17 anos. É um Nobel. O mais jovem Nobel de sempre, mas não deixa de ser uma menina... 


 


 


 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

"A melhor equipa"

Por Eduardo Louro


 


 


Quando Jorge Jesus, sem recorrer aos sofismas que alguns mestres do cinismo tratam por tu, em vez de dizer que ia colocar em campo a melhor equipa para defrontar o Leverkusen, veio dizer que ia dar oportunidade a quatro ou cinco jogadores que não têm jogado, todos tememos o pior. Era a champions, não era a Taça da Liga!


Quando se conheceu a lista dos convocados, não havia muita volta a dar: apenas lá estava o André Almeida, o pau para toda a obra que as sucessivas ondas de lesões que se abateram sobre a equipa transformaram em titular indiscutível. Que, ainda por cima, vinha de um jogo pouco mais que miserável. Ele que, nunca brilhando a alto nível, também nunca joga mal, tinha mesmo jogado mal contra o Belenenses… Foi o capitão, um grande capitão!


Afinal, esta equipa do Benfica – em cujo onze inicial, mesmo assim, não coube qualquer dos miúdos de que se fala – esteve bem melhor que as outras que Jorge Jesus apresentou nesta inglória campanha. Individual e colectivamente a equipa esteve a grande nível. Passados que foram os primeiros 5 minutos, com a equipa alemã a impor a sua entrada habitual, feita de grande intensidade e pressão, o Benfica tomou conta do jogo. Foi melhor, chegou a ser brilhante e criou três ou quatro oportunidades de golo, que especialmente Lima tratou de falhar.


Na segunda parte foi diferente. A equipa alemã voltou a fazer a entrada habitual, e o Benfica, porque não é possível que jogadores sem ritmo de jogo joguem àquele ritmo, perdeu qualidade de passe e de decisão, demorou mais tempo a reagir.


Mas reagiu, com a entrada – finalmente – do Nelson Oliveira, que aproveitou muito bem o quarto de hora a que teve direito. E consolidou essa reacção com a entrada do outro dos nossos miúdos – João Teixeira – que também não quis desperdiçar um único dos cerca de 10 minutos que lhe calharam, acabando por cima, com mais uma sucessão de oportunidades de golo. Sempre falhadas, porque, lá está: é preciso jogar. Sem jogar, os reflexos, a capacidade de reacção e a confiança não são os mesmos. E os golos tornam-se produto de luxo!


Podia ter sido outra a porta de saída da Europa. Acabou por ser esta, que permite, apesar de tudo, algum optimismo aos benfiquistas. Os centrais estiveram muito bem, melhor que muitas vezes a dupla titular. O Pizzi disfarçou-se de Enzo Perez, e deixou a ideia que poderá lá chegar. Não atinge o nível do internacional argentino, evidentemente, mas vê-se que cumpre bem naquelas funções. O Christante voltou a confirmar que tem muita qualidade, e o miúdo João Teixeira disse-nos que não se percebe o seu desaparecimento, depois da pré-época. O Nelson Oliveira confirmou a qualidade que todos lhe reconhecem, e que, tal como o Rui Fonte, tem condições para ser uma aposta séria. E o Olá John é desconcertante… Para os laterais adversários, mas mais ainda para os adeptos. Mesmo quando está motivado e feliz, e parte tudo o que lhe apareça pela frente, falta-lhe sempre aquele bocadinho… Que faz a diferença que sempre anuncia mas que raramente acaba por conseguir fazer!

Reestruturação da dívida? Credo...que horror! (I)

Por Eduardo Louro



(foto do Expresso)


 


"Tem de criar-se na Europa uma corrente de opinião pública para pressionar a suavização do pagamento" - António Carrapatoso, perigoso esquerdista conhecido pela sua forte oposição ao governo! 


 


 

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (IV)...

Por Eduardo Louro


 


Ricardo Salgado, depois de por lá já ter passado tanta gente, está finalmente no Parlamento. Só agora chegou a vez de quem mais tem a ver com aquilo... E, ao que começou por dizer, está ali para lavar a honra, porque passou seis meses a ser acusado de tudo sem de nada se poder defender... Não está ali para ajudar ao que quer que seja no apuramento de responsabilidades. Não, está ali porque quer, no legítimo direito de defender a sua honra e a da família!


O resto advinha-se: não tem nada a ver com nada, ninguém tirou dinheiro nenhum.. Não ocultou contas... foi o contabilista.  Tipo dado a essas coisas de manipular contas... Com a complacência do supervisor. Angola só é problema porque ficou no banco mau. Não tivesse sido isso e aí estaria a garantia do estado angolano a tapar o buraco... E por aí diante...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Tampas da adolescência

Por Eduardo Louro



 


Ontem, na comemoração dos 90 anos de Mário Soares, António Costa lançou a rede Jorge Sampaio num excesso de entusiasmo, no calor do fervor que o aniversariante cada vez mais suscita.


António Costa é, porventura a grande distância, o mais inteligente, hábil e arguto líder político da actualidade, não é fácil que se deixe trair por excessos emocionais! 


Esta arrastar da asa a Jorge Sampaio, ontem, assim de repente, sem mais nem menos, faz-nos lembrar aqueles impulsos da adolescência (pelo menos do meu tempo) em que, de repente, nos mandávamos de cabeça para uma arrebatada declaração de amor, sem minimamente avaliar as circunstâncias e menos ainda as probabilidades de êxito. Valia que as consequências de uma humilhante tampa eram pouco menos que inócuas!


Quer isto dizer que as coisas não colam? Que o mais inteligente, hábil e arguto líder político não pode, por um excesso de entusiasmo qualquer, cair num momento de adolescência?


Pelos vistos pode. Seja porque nem sempre consiga resistir aos ambientes de mais aconchegante íntimidade ou porque simplesmente, com toda a frieza e racionalidade, ache que esses são os momentos próprios para mostrar e potenciar o seu lado afectivo. 


Há sempre outra hipótese: a irrepremível tentação de repetir os erros do passado. Qualquer coisa de genético na família socialista!


Valha-nos a juventude de Jorge Sampaio, que lhe permite manter a lucidez de resolver tudo com uma dessas tampas da adolescência. Sem consequências!

sábado, 6 de dezembro de 2014

Regresso ao passado? Não, bofetada de luva branca!

Por Eduardo Louro



 


Começa a ganhar forma um movimento para convencer Ramalho Eanes a candiatar-se à Presidência da República. E vêm-nos de imediato à cabeça  duas ideias.


A primeira é do domínio das curiosidades, e tem a ver com a inédita hipótese de, em Portugal - e se calhar noutra qualquer outra democracia do mundo - alguém fazer quatro mandatos, e passar 20 anos na presidência. Clinton teve essa hipótese, mas deixou que uma estagiária a matasse. Soares também tentou, mas sem hipóteses nenhumas. E Putin não faz parte deste filme...


A segunda sugere-nos uma questão de fundo: não seria um regresso ao passado, andar para trás 40 anos?


Mesmo não olhando (à partida) com grande entusiasmo para o movimento  - compreendo-o, e merece-me alguma simpatia, mas também não me seduz por aí além - acho que não. Não é andar para trás 40 anos porque Eanes já lá não está, andou também ele para a frente. Eanes já não é aquele militar que passou os primeiros 10 anos da democracia em Belém sem que ninguém lhe conhecesse a personalidade, quanto mais o pensamento. Já não é aquela figura esfíngica e misteriosa, vazia de pensamento político, que chegou à chefia do Estado, como diz a gíria popular, sem saber ler nem escrever. Apenas porque esteve no sítio certo na hora certa. Nem o homem hesitante e híbrido que tão depressa lançou como deixou matar - ou matou mesmo? - o PRD, a primeira tentativa de pedrada no charco da partidocracia já então instalada.


O charco evoluiu para pântano, para o grande pantanal em que se tornou o regime. Eanes não evoluiu menos. Estudou, ganhou solidez e adquiriu estatura política. Não fica, nesse aspecto, nada atrás do que por aí vegeta na classe política. E tem a enorme vantagem de ser respeitado, de merecer os respeito de todos os portugueses. Menos um - mas esse já não conta para muito...


É esse o seu maior activo. De entre os ditos presidenciáveis ninguém se lhe compara... O regresso de Ramalho Eanes ao topo da esfera política do país, não é certamente a melhor das notícias. Mas não é nenhum passo atrás, é a bofetada, por enquanto de luva branca, que os cidadãos têm para dar às sucessivas gerações de políticos que nos trouxeram até aqui! 

O autocarro azul para o derbi

Por Eduardo Louro



Com Gaitan menos vezes inspirado, Salvio com pouco discernimento, Enzo em sub rendimento, Talisca a continuar desaparecido e Jonas com um pouco disso tudo, não parecia haver forma  de ultrapassar o autocarro com que o Belenses de Vidigal se apresentou para o derbi de hoje na Luz.


Com o golo de Lima - entrado ao intervalo, conseguiu finalmente o golo que fugia há meses -, já perto do meio da segunda parte, o maior autocarro que esta época tinhamos visto no relvado da Luz abanou, e a resistência azul quebrou-se. Surgiram mais dois golos - um de penalti (depois de na primeira parte ter ficado outro por marcar), por empurrão claro a Enzo Perez, que o próprio cobrou, e outro de cabeça, por Salvio, num momento sublime, mais do que mera inspiração, de Gaitan - e outros tantos poderiam ainda ter aparecido.


Acabou por acabar bem. Mas nem sempre tudo está bem quando acaba bem... Ah... o Miguel Rosa e o outro não jogaram. E parece que, por isso, o Belenenses perdeu...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

À solta...

Por Eduardo Louro



 


O anterior primeiro-ministro está preso. O actual anda à solta. Completamente à solta, e sem travões no descaramento. Não há quem o segure, com o cheiro a eleições no ar, é sempre a abrir, sem ponta de vergonha e com o maior dos desplantes. A última é que a desigualdade social diminuiu!


Ninguém imaginaria que o despudor chegasse a tanto. Sem vergonha, e convencido que uma mentira muitas vezes repetida passa a ser verdade, começou a dar gás a esse atentado à seriedade. Ontem foi directamente ao assunto, sem rodeios, e para não deixar passar muito tempo, hoje voltou à carga: "não foi o mexilhão que se lixou"... É preciso ter lata! 


 


 

Mais um "done" para o checklist

Por Eduardo Louro



 


Lá vai o governo, de vento em popa, com o seu ímpeto reformista... Arrumou hoje - dia histórico, segundo Paulo Portas - com mais uma, a do IRS!


Começaram por entregar o assunto a uma comissão de especialistas, que é sempre a melhor forma que o governo encontra para deixar tudo na mesma. Os peritos dessa comissão entregaram, já lá vão uns meses, a dita proposta de Reforma do iRS, que o governo depois propagandeou. Começou por chutá-la para fora do Orçamento, andou para trás e para a frente e, no final, porque para o governo, que nada reforma, tudo é reforma (basta-lhe alterar uma alínea de um artigo de uma lei qualquer para passar logo a ser uma reforma), já se tratava de uma reforma à reforma do IRS.  Fez de conta que andou à procura consensos com o PS e, no fim, deitou tudo fora - as propostas do PS, mas também as da tal comissão (se foi paga, foram mais uns milhares deitados ao lixo, se não foi - como a do IRC - foi dado o mesmo caminho ás boas vontades que ainda se dispõem a colaborar com esta gente), deixando tudo na mesma.


Com uma excepção: o coeficiente familiar. Que bastou a Paulo Portas, como sempre a leste do sentido do ridículo, para declarar mais um dia histórico para Portugal. Imagine-se o que seria para Paulo Portas o dia em que apresentasse a reforma do Estado que lhe foi incumbida. Certamente mais um feriado nacional!


 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A guinada à esquerda de Costa

Por Eduardo Louro


 


 


À falta de PODEMOS – fenómeno impossível em Portugal, com uma sociedade civil amorfa e em estado de anestesia permanente, como sempre se desconfiou e como desde Setembro de 2012 toda a gente ficou a saber – e com o Bloco, por implosão, e o PC, por História e por crença, definitivamente encostados à parede da não solução, arrumados no cantinho do protesto, abre-se ao Livre, de Rui Tavares, uma janela de oportunidade única. Em boa verdade essas condições não lhe abriram a janela toda, deixaram-na apenas entreaberta para que António Costa pudesse meter a mão para lha deixar escancarada.


Parece-me que pouca gente está a perceber isto, e que são ainda menos os que estão a perceber a dimensão dessa janela que se está a abrir. Devo no entanto reconhecer que não está a ser ignorado por boa parte da direita. Nota-se isso na onda de solidariedade que os sectores bem pensantes da direita estenderam a Francisco Assis. E nas anunciadas perspectivas de volte face das sondagens, na própria presunção hoje revelada por Rui Rio que, com a prisão de Sócrates e com a chamada viragem à esquerda de António Costa no Congresso, o PS deixa de estar em condições de ganhar as eleições. Diz Rui Rio que, se há umas semanas se poderia falar de maioria absoluta para o PS, hoje se fala na vitória do PSD.


Esta é a perspectiva que convém à direita, a ideia que no fundo nada mudou, que tudo continua na mesma, que alternativa e alternância são a mesma coisa. Que as eleições se irão continuar a decidir ao centro, nessa enorme franja eleitoral que ora vota PS ora PSD. E que o balanceamento de Costa para a esquerda empurra essa franja do PS directamente para os braços do PSD.


Ora, isso era assim no passado. Antes de Passos Coelho ter dizimado a classe média. As classes médias portuguesas poderão não ser de sair à rua, como os espanhóis ou os brasileiros, mas não são estúpidas. Nem masoquistas. Têm memória curta, bem sabemos, mas o que, desta vez, a direita lhes fez é muito difícil de esquecer.


António Costa também sabe que é assim. Que não há eleitorado seu que fuja para a direita por ele se encostar à esquerda. Tão bem como sabe que, nessa mesma franja, há eleitorado que ainda não perdoou todo o passado ao PS, que o co-responsabiliza pela situação do país, e que espera por qualquer coisa nova. Que, à falta de melhor, poderia até ser o partido de Marinho e Pinto…


Com o Bloco e o PC fora de combate – porque os portugueses sabem que têm de encontrar uma solução governativa – o Livre é o coelho que António Costa tira da cartola. Ninguém sabe quanto é que o partido do Rui Tavares vale. Vale pouco certamente, mas poderá vir a valer muito…


O que se sabe é que o Livre, a fazer lembrar o apelo de Cunhal aos comunistas em 1986 – “votem no homem” (Mário Soares) “com a mão direita e tapem-lhe a fotografia com a mão esquerda” –, vai ser o voto no PS dos que nunca votariam na mãozinha. Mas que votariam Bloco, ou Marinho e Pinto, ou branco… Ou que nem votariam!


António Costa escancarou esta a janela de oportunidade a Rui Tavares. Espera que a partir de agora as mulheres e os homens do Livre façam o resto. E que por lá entre uma gigantesca lufada de ar fresco…


Que não dê em pneumonias... Para isso já basta Sócrates!

Saia um habeas co(r)pus para a mesa do canto, faxavor...

Por Eduardo Louro



 


Por cada habeas corpus abatido ou novo habeas corpus se levantará... 


1.326 euros? É capaz de haver publicidade mais barata, mas não é a mesma coisa...

"Prende-se para calar"?

Por Eduardo Louro



 


Sócrates, na sua de todo previsível guerra de guerrilha, faz lembrar aquela anedota do marido que pergunta á mulher o que foi fazer á esteticista e que, depois de ela lhe responder que era para ficar mais bonita, a volta a questionar para lhe perguntar: então por que não ficaste?


Prende-se para calar? Então - recorrendo á famosa frase que o rei Juan Carlos usou, há justamente 7 anos atrás, para Hugo Chavez: por qué no te callas?


Ah! Afinal  está preso por outras razões... Bem me parecia!


 


 

O ano de todas as expectativas*

Convidado: Clarisse Louro


 


Está a chegar ao fim este que, depois de um longo e duro período de dificuldades e privações, era o ano de todas as expectativas.


Fosse para mera expiação dos nossos pecados, como muitas das nossas elites políticas sugeriam, fosse como convicta estratégia de salvação do país, para trás teríamos deixado três anos de degredo e privação a que chamaram austeridade. E, tivéssemos expiado todos os nossos pecados ou salvo o país, esperava-se que neste ano os portugueses pudessem abrir as janelas e deixar entrar os primeiros raios de sol.


Os que nos governam sabiam disso. Era a libertação, o novo 1640, os impostos a baixar, o milagre económico, os ganhos de competitividade, o turismo, as exportações …


Era o desemprego a cair, a cair… E a economia a crescer ao ritmo alucinante de 0,0% ao trimestre. Não era apenas a credibilidade recuperada, era a credibilidade do país nos máximos de sempre. E por isso as taxas de juros caem, caem …


As janelas estavam bem abertas, de par em par. O raio de/do sol é que teimava em não entrar… E alguém descobriu porquê: afinal era apenas o país que estava melhor. O país estava melhor, os portugueses, não. Ainda não!


Andávamos nisto, percebendo que afinal tanto sofrimento, tantas dificuldades e tantas privações não tinham dado em nada. Que estes três anos não foram afinal mais que apenas mais três anos perdidos. Que nenhuma alteração estrutural tinha ocorrida na economia e na sociedade portuguesa que permitisse a entrada do sol. Que apenas tínhamos empobrecido muito: perdemos salários, serviços do Estado, emprego, empresas… Perdemos nosso parco património, que já só tem valor para a famigerada Autoridade Tributária, a quem pagamos muito mais IMI. E muito mais IRS!


Andávamos nisto quando descobrimos que uma só família rebentou com um grande banco e, criminosamente, estourou com milhares de milhões de euros da economia, asfixiou centenas de pequenas empresas e destruiu ainda uma das maiores empresas do país, e uma referência internacional no mundo das telecomunicações. E que, governo e entidades de regulação e supervisão bancária e financeira, não só permitiram que tudo isto acontecesse como, com conivências múltiplas, entre as quais a do próprio Presidente da República, enganaram ainda milhares de cidadãos no aumento de capital do Banco que a seguir extinguiriam.


Que o primeiro-ministro em funções, durante muito tempo recebeu mensalmente dinheiro, sem saber ou sem se lembrar, de uma empresa, através de uma fundação, com ligações a fundos europeus, onde tinha a função de “abrir portas” (palavras do patrão, que lhe não estava a chamar porteiro). Viria mais tarde a lembrar-se que esse dinheiro se referia ao pagamento de despesas, e o que pareceria mais um caso de fraude fiscal acabou por servir como justificação, calando tudo e todos.


E que dois antigos ministros, e figurões do regime, eram condenados a prisão, no chamado processo face oculta. Pouco depois era a operação labirinto que levava à prisão uns quantos altos funcionários do Estado, e amigos e sócios de ministros, suspeitos de corrupção na corrupção aberta de um Estado que decide fazer negócios com vistos de residência. Logo de seguida, sem dar sequer para respirar, na operação marquês, é preso o anterior primeiro-ministro, suspeito de corrupção, de branqueamento de capitais e de fraude fiscal. Não ficaria por aqui – nem o ano ainda acabou – e Duarte Lima, uma das figuras – mais uma – do cavaquismo, era condenado a 10 anos de prisão…


E foi isto, este ano … O ano de quem tanto esperávamos acabou afinal por nos levar tudo. Já não há raio de sol!


 


*Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ímpeto reformista

Por Eduardo Louro



 


A ministra das finanças garantia ontem em Bruxelas, para Europa ouvir, que o governo não perdera, nem abrandara nem abrandaria, o seu ímpeto reformista. Se alguem tivesse dúvidas desse ímpeto, hoje tê-las-ia perdido. É tal que passou até a reformar as reformas!


Hoje o governo apresentou a reforma da reforma do IRS que apresentara há poucas semanas com o orçamento. Já reforma o que anunciou como reforma. Isto é que é ímpeto reformista!


Na verdade não reforma coisa nenhuma, deixa tudo na mesma, só que em pior... Mas anuncia  reformas como ninguém. E cá com um ímpeto...

Lapsos na matriz ideológica

Por Eduardo Louro


 


 


Confesso que, quando foi conhecida a notícia, pensei que a decisão da RTP de negociar os direitos de transmissão dos jogos de futebol da Liga dos Campeões tivesse sido partilhada com o governo. Por isso achei – e disso aqui dei nota – completamente disparatada aquela tirada do Presidente do Conselho de Administração da RTP (CA da RTP), Alberto da Ponte, quando disse tratar-se de uma decisão editorial com a qual nada teria a ver. Não era, nem obviamente podia ser!


Percebeu-se logo a seguir que o governo estava contra essa negociação. E não foi sequer pela tutela, foi pelo ministro Marques Guedes, o da pasta política do governo. Só depois se chegaram à frente outros ministros, entre os quais Poiares Maduro, o da tutela, e só depois surgiu o tal Conselho Geral Independente da RTP, a bacia em que, depois das trapalhadas do costume, Passos Coelho quer lavar as mãos. Que, Conselho será certamente… Geral será ou não, mas nem aquece nem arrefece…Independente é que toda a gente vê que não!


Poucos prediriam, no entanto, que viesse a acabar numa guerra aberta que culminasse na destituição CA da RTP. E que no meio dessa guerra viéssemos a saber que, afinal, ainda a 31 de Outubro, há apenas um mês, o governo teria incluído no contrato de concessão uma cláusula que prevê que a grelha da RTP1 inclua a "transmissão de eventos que sejam objecto de interesse generalizado do público", designadamente jogos de futebol da Liga dos Campeões, "devendo a concessionária posicionar-se no sentido de adquirir os respectivos direitos televisivos (…) desde que tal aquisição se enquadra nos seus limites orçamentais”.


Mais do que dizer que o CA da RTP estaria legitimado para efectuar esse negócio – até porque sempre vincou que tinha cabimento orçamental, o que o governo nunca contestou – isto parece querer dizer muitas outras coisas. Uma delas é, claramente, que o governo está a assumir as dores das televisões privadas. Não há outra explicação: há um mês o governo entendia que a RTP deveria negociar a transmissão dos jogos. A única alteração foi os concorrentes privados queixarem-se disso!


Não é por acaso que o governo não usa qualquer argumento económico, orçamental ou estratégico, para se fixar em “irreparáveis quebras de confiança”. Que a grande acusação é o CA da RTP não ter informado antecipadamente. Não será também por acaso que só se fala nos 18 milhões (que afinal são 15) da compra, sem que ninguém fale dos proveitos e na margem de contribuição do negócio.


A ideia que fica é que o governo, incompetente como é, só se lembrou da sua matriz ideológica quando os privados, para mamar, choraram!


 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"Não lhes faço o favor de ficar calado"

Por Eduardo Louro


Jornal de Notícias - Edição de 02 de Dezembro de 2014


 


José Sócrates deixou passar o congresso do PS e começou a disparar. Vai certamente continuar assim - está-lhe na massa do sangue - justificando ele próprio a prisão preventiva. Se preso é assim, como seria em liberdade? Com ou sem lugar cativo na televisão, tanto faria!


Na carta enviada à RTP que veio hoje a público, Sócrates confirma que o apartamento de Paris onde morou não é dele. Que é do amigo Engº Santos Silva - como se isso fosse grande novidade - que o comprou para alugar, restaurar e vender, que é o que está a fazer agora. Mas não diz quando é que o amigo o comprou, não vá dar-se o caso de ter sido justamente quando Sócrates tinha acabado de chegar à cidade luz. Também clarifica as vendas da mãe ao amigo, e garante que foram pelo preço justo. Mas nada diz sobre o procurador de ambos, comprador amigo e vendendora mãe, ser o mesmo. E, certamente por mero acaso, ser o advogado que trabalhava nas empresas do amigo, também arguído e também preso...


É Sócrates igual a ele próprio. Sempre com a verdade bem longe, e capaz como ninguém de acreditar nas próprias mentiras. Trapalhão e manipulador...


"Não lhes faço o favor de ficar calado" - garante. Seria certamente a ele próprio que faria esse favor... Aconteça o que acontecer na Justiça, onde até poderão faltar provas porque - e muito bem - há formalidades que têm que ser absolutamente cumpridas (são muitos os processos onde, por exemplo, escutas telefónicas não deixam dúvida nenhuma mas, por este ou aquele pormenor, não podem ser usadas como prova), Sócrates terá imensa dificuldade em ser inocentado pela opinião pública. Quanto mais falar, na linha do que é esta carta, mais perde na opinião pública. Sem que nada ganhe na Justiça... 


Mas... é isso... Está-lhe na massa do sangue!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Bicho de 7 cabeças

Por Eduardo Louro



 


O Bloco de Esquerda encontrou a saída para o empate do congresso. Nada que por aqui se não tivesse previsto... À liderança bicéfala tirou uma cabeça, acrescentou-lhe cinco e nomeou uma porta-voz.


Sempre me pareceu que queriam fazer do Bloco um bicho de sete cabeças!

1º de Dezembro

Por Eduardo Louro



 


Há poucos ... poucos anos, o dia de hoje era feriado. O que comemorava o 1º de Dezembro de 1640, o dia da Restauração. Alguém que quis ir além da troika acabou com ele... Alguém que, ironicamente, viria a invocar a data justamente na hora da despedida daqueles que haviam venerado... Que em 17 de Maio passado invocou em vão o 1ºde Dezembro de 1640!


Diz-se por aí que vai voltar... O feriado, está bem de ver!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...