Por Eduardo Louro
José Sócrates deixou passar o congresso do PS e começou a disparar. Vai certamente continuar assim - está-lhe na massa do sangue - justificando ele próprio a prisão preventiva. Se preso é assim, como seria em liberdade? Com ou sem lugar cativo na televisão, tanto faria!
Na carta enviada à RTP que veio hoje a público, Sócrates confirma que o apartamento de Paris onde morou não é dele. Que é do amigo Engº Santos Silva - como se isso fosse grande novidade - que o comprou para alugar, restaurar e vender, que é o que está a fazer agora. Mas não diz quando é que o amigo o comprou, não vá dar-se o caso de ter sido justamente quando Sócrates tinha acabado de chegar à cidade luz. Também clarifica as vendas da mãe ao amigo, e garante que foram pelo preço justo. Mas nada diz sobre o procurador de ambos, comprador amigo e vendendora mãe, ser o mesmo. E, certamente por mero acaso, ser o advogado que trabalhava nas empresas do amigo, também arguído e também preso...
É Sócrates igual a ele próprio. Sempre com a verdade bem longe, e capaz como ninguém de acreditar nas próprias mentiras. Trapalhão e manipulador...
"Não lhes faço o favor de ficar calado" - garante. Seria certamente a ele próprio que faria esse favor... Aconteça o que acontecer na Justiça, onde até poderão faltar provas porque - e muito bem - há formalidades que têm que ser absolutamente cumpridas (são muitos os processos onde, por exemplo, escutas telefónicas não deixam dúvida nenhuma mas, por este ou aquele pormenor, não podem ser usadas como prova), Sócrates terá imensa dificuldade em ser inocentado pela opinião pública. Quanto mais falar, na linha do que é esta carta, mais perde na opinião pública. Sem que nada ganhe na Justiça...
Mas... é isso... Está-lhe na massa do sangue!
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