quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Já não há paciência para este cavalheiro… Os trabalhadores ganham de mais, os empresários são ignorantes. Só ele, que não tem vergonha – nem por onde ela passe -, que passou pelos sítios menos recomendáveis deste mundo, que governa sem ter de se sujeitar ao mísero ordenado de um ministro, que anda por aí a vender tudo o que mexe, que acumula e mistura interesses privados e públicos é abençoado pela inteligência e clarividência que lhe permitem ver o que mais ninguém vê. Que vê um milagre económico em Portugal, que acha que o equilíbrio das contas externas é uma obra ímpar deste governo de excelência, e não o resultado de uma economia destruída, sem consumo e sem investimento. Que vê reformas sobre reformas levadas a cabo por este governo de acção e de convicções inabaláveis…


É preciso quem o mande calar porque, por ele, não se cala. Nem se enxerga…

Nó e notícias

Suspeitas de corrupção. Presidência do Conselho de Ministros alvo de buscas  da PJ


Estão a decorrer buscas da Polícia Judiciária nas instalações da Presidência do Conselho de Ministros. As notícias dizem que em causa estão suspeitas de corrupção por parte do Secretário Geral deste órgão central no funcionamento do governo, que alegadamente terá recebido um milhão de euros de luvas num negócio de equipamento informático levado a cabo sem concurso público.


Claro que buscas são buscas, e suspeitas são suspeitas. Estão ambas longe de ser acusações. E mesmo se, e quando, aí chegarem ficam ainda longe da condenação, e dentro do princípio da presunção da inocência.


Mas ... caramba. No estado em que as coisas estão, e logo no dia seguinte a ter-se ficado a saber que as empresas do marido da ministra que toma conta dos fundos europeus estavam a recebê-los, e de uma deputada do partido do governo ter exigido que essa informação fosse retirada de uma acta e apagada a respectiva gravação, é caso para dizer que o nó da gravata de António Costa está a ficar demasiado apertado.


Já ouvi por aí dizer que as buscas, e ainda mais em dia de reunião de Conselho de Ministros, têm uma boa notícia - que a Justiça funciona. Triste, e lamentável notícia, essa que essas vozes nos dão. Então mas já chegamos ao ponto de achar que a regra básica da separação de poderes, num estado de democrático, e de Direito, é notícia?

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Creio que nunca se falou tanto em adaptação como nos últimos tempos, a propósito de jogadores adaptados.


A adaptação é um processo de convergência com uma nova realidade, de ajustamento físico e mental a um novo meio envolvente. Todos nós, perante uma mudança das condições que nos envolvem, entramos em processos de adaptação. Se mudamos de emprego, temos certamente um processo de adaptação pela frente. Se mudamos de casa não podemos fugir à adaptação a um novo local, a novos vizinhos e até a novas rotinas.


Depois desses múltiplos processos de adaptação passamos a estar adaptados. Adaptados ao novo emprego, à nova casa, aos novos vizinhos…


Os jogadores de futebol também passam por processos de mudança deste tipo, e até com uma frequência bem superior à dos comuns mortais que não fazem de uma bola forma de vida. A mobilidade profissional de um jogador – como de qualquer outro profissional – de futebol é incomparavelmente superior à de qualquer outra actividade.


E no entanto, em futebolês, um jogador adaptado não é um jogador que acabou de passar por um processo de adaptação a um novo clube, a um novo treinador ou a novos colegas. Um jogador adaptado é tão simplesmente um jogador reconvertido. Um jogador de meio campo adaptado a defesa central, um defesa central adaptado a lateral ou um defesa central adaptado a trinco ou a pivô defensivo. Mas o que está mesmo na moda é adaptar alas a defesas laterais!


Estas adaptações resultam de circunstâncias muito diversas. Umas vezes de uma simples coincidência, ou de um acaso, outras de insuficiências de planeamento, outras ainda de insuperáveis dificuldades financeiras que obrigam quem não tem cão a caçar com gato e, finalmente, outras de razões que ninguém consegue entender. E, quando assim é, chamamos-lhe teimosia!


Basta lembrarmo-nos do que Vítor Pereira fez na época passada com o Maicon a lateral direito. Ninguém percebeu. Só podia ser teimosia…


Mas é o Benfica o campeão das adaptações. Sem recuar muito no tempo – e para não ir à mais extraordinária (no sentido de rara, mas também de invulgar eficácia) que me vem à memória quando, há 40 anos atrás, Hagan transformou um dos mais velozes extremos direitos de sempre, Nené, num ponta de lança que, sem sujar os calções, andou mais de uma década a marcar golos de toda a maneira e feitio – lembramo-nos do Miguel, que o Chalana, do dia para a noite, pegando num ala direito mediano, transformou num lateral direito do melhor que chegou a haver por esse mundo fora. E, no Benfica, é Jorge Jesus o mestre das adaptações!


Tudo começou com Coentrão, um rapaz que jogava lá à frente, quando jogava. Porque na maioria das vezes não jogava. Andava mesmo perdido, de Saragoça para Vila do Conde, sem se adaptar nem servir em lado nenhum. De repente, sem lateral esquerdo – uma velha maldição deixada no Benfica, não por Bella Gutman, mas por Lello, esse brasileiro que era uma espécie de Maxi (também ele adaptado, ainda antes da era Jesus) da esquerda e que partiu sem ninguém perceber porquê – o mestre da táctica lança-o a lateral esquerdo. Foi um sucesso e rendeu logo 30 milhões de euros, que o Jorge Jesus transformou num crédito pessoal inesgotável. Ao ponto de nunca mais querer outra vida que fazer adaptações!


Desatou a comprar avançados, à dúzia, só para ter motivo para os adaptar às outras posições de que, assim, com aquela política de aquisições, a equipa ficava carenciada. O mais badalado foi Melgarejo, ou a Melga para facilitar as coisas, um jovem avançado com inegáveis potencialidades que Jesus teimou fazer lateral esquerdo. Nesta altura do campeonato já dá para ver que ainda não conseguiu fazer dele um lateral esquerdo. Mas já conseguiu fazer dele um jogador medíocre, que nada acrescenta à equipa: aquela ala esquerda, com Nolito e Melga, é verdadeiramente assustadora!


Com a inesperada partida de Witsel e Javi Garcia o Jesus esfregou as mãos: aí estavam mais duas oportunidades para o seu dedo milagroso. Matic iria fazer de Javi Garcia, numa adaptação esperada mas, para poder ir mais além, decidiu esquecer-se que Carlos Martins existe e adaptar o ainda inadaptado Enzo Perez a Witsel.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Foi a contra gosto que o primeiro-ministro recuou na TSU. Não foi por ter reconhecido o erro, e para o corrigir, que a medida foi parar ao caixote do lixo. Foi simplesmente porque foi obrigado a isso, a contra gosto. E amuado, como se viu!


Passos Coelho amuou, em particular com os empresários. Uns ingratos, acha convictamente. Daí que ontem, no almoço com banqueiros no Estoril – em mais uma penosa deslocação – lhes tenha deixado uma ameaça (a tal lição para o futuro que, em tom ameaçador, não quis concretizar) e uma acusação de cobardia. Foi por cobardia, acha ele, que muitos empresários se colocaram conta a medida. Porque tiveram medo dos seus trabalhadores!


O homem está perdido, não percebe nada do que à sua volta se passa. Mas nem tudo lhe corre mal: a privatização da Caixa Geral de Depósitos, que ainda há poucos dias, no debate quinzenal na Assembleia da República e interpelado por Seguro, era tabu – apesar de toda a gente saber que tinha sido assunto tratado com a troika – aí está, a fazer o seu caminho. Sem que ele tivesse de dizer uma única palavra…


Ainda há coisas que funcionam… Não são as que dependem da acção do governo, mas há sempre muita gente disponível para dar uma mãozinha!


Mãozinha é, de resto, coisa que não falta a este governo. Há sempre uma mãozinha para meter em tudo. Veja-se o rato que a montanha das fundações pariu. Quantas mãozinhas não andaram por ali?


Penoso. Cada vez mais penosos os últimos dias dos governos. De todos!

Cruel, dizem eles...

Capa Jornal A Bola


Por que será que é só nos jornais espanhóis que se escreve, com todas as letras, que Portugal tem jogadores mas não tem treinador?


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O INE divulgou hoje os dados oficiais relativos ao primeiro semestre. O défice – sempre o centro do problema – é ainda superior às piores expectativas que por aí têm circulado (mas ao nível do que por aqui fomos avançando) fixando-se nos 5,6 mil milhões de euros, qualquer coisa como 6,8% do PIB. Os 5%, para que a troika permitiu que resvalasse, são uma miragem… Mesmo com medidas extraordinárias, mesmo transformando a privatização da ANA numa concessão, para que a receita possa abater ao défice em vez de abater directamente na dívida pública!


E, no entanto, continuam a fazer tudo na mesma … À espera que as mesmas medidas, nas mesmas condições, produzam outros resultados e não os mesmos. Mais teimosos que a realidade!

terça-feira, 27 de setembro de 2022

"É o futebol"


A selecção nacional de futebol voltou a falhar. Voltava a bastar-lhe um empate, em casa. Mas voltou a perder!


Chegou a este último jogo de apuramento para a fase final da Liga das Nações com dois registos históricos - um favorável, e outro desfavorável. A favor, quando o empate bastava, a história de empates nos largos últimos anos com a Espanha. Contra, a história das derrotas, nas duas últimas vezes, nas mesmíssimas circunstâncias - com a França, para esta mesma competição; e com a Sérvia, na fase de apuramento para o mundial que aí vem.  


Repetiu-se o fado, sempre mais virado para o lado desgraçado da história.


De Fernando Santos, e de Cristiano Ronaldo, até porque já nem se sabe bem onde começa um e acaba o outro, nem vale a pena dizer nada. Sem condição física nem psicológica, sem treinos nem jogos, e à beira dos 38 anos, ambos entendem que pode jogar dois jogos inteirinhos em 3 dias. E fica tudo dito, até porque Fernando Santos diz que tudo "é futebol". Em Praga, Cristiano Ronaldo não jogara nada, mas ... "é o futebol". Hoje, falhou desastradamente três ou quatro oportunidades de golo. Que  "normalmente não falha", no dizer de Fernando Santos. E que também isso é "o futebol".


Fale-se então de Luís Henrique, o seleccionador espanhol. Que escalou uma equipa de segunda linha, retirando-lhe sete dos titulares no último jogo, no sábado, com a Suíça, para entreter o jogo. Que teria de ganhar, em Braga, para seguir para a final a quatro a disputar no próximo ano.


Manteve o jogo entretido e entretendo-se com a bola. Ao intervalo fez entrar Busquets, para o entreter melhor. E um quarto de hora depois lançou os putos maravilha que lá tinha sentadinhos no banco. Quatro, ao todo: os consagrados Pedri e Gavi, e os debutantes Yeremi Pino e Nico Williams. E todos com menos de 20 anos!


E foi o bom e o bonito. Acabaram com a brincadeira, passaram a asfixiar e, com requintes de malvadez, marcaram o golo a dois minutos dos 90.


E foi isto. E isto é que é futebol: enquanto o seleccionador espanhol substituía os piores pelos melhores para a estocada final, o de cá fazia exactamente o contrário. O resto é um equipamento horrível e mais uma braçadeira de capitão para o chão!

Ficção, ou nem tanto...

Do taxista ao treinador: todos têm conselhos para Luís Montenegro -  Portugal - SÁBADO


Não é quando for vice-primeiro ministro de Ventura que Luís Montenegro perceberá o que anda a fazer. Será seis meses depois de ter tomado posse, quando for corrido a pontapé desse governo e for disputar eleições antecipadas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

A moda italiana

Itália: partido pós-fascista de Giorgia Meloni vence eleições na Itália |  Mundo | G1


Sem surpresa - todas as sondagens, há muito, o davam por certo - o partido de extrema-direita "Irmãos de Itália" ganhou a eleições italianas, e Giorgia Meloni, a discípula de Steve Bannon, será a primeira mulher a chefiar um governo em Itália.


Ainda não são conhecidos os resultados finais oficiais, mas deverão desviar-se muito dos apontados 26% ao partido da seguidora de Mussolini que, somados aos 8,9%, de Matteo Salvini - da Liga, antes Liga do Norte, até aqui o principal rosto da extrema direita italiana -, e aos 8% da Força Itália, de Silvio Berlusconi, garantem a maioria absoluta e a governação à extrema direita, e mais uma dor de cabeça para a Europa.


Depois da Hungria e da Polónia, agora a Suécia e a Itália. Depois, provavelmente, a França. E eventualmente a Espanha ... neste processo de normalização da extrema-direita há muito em curso, que culmina no rótulo de "centro-direita" que todos os media colaram a este resultado eleitoral em Itália.


Na maioria dos jornais e televisões em Portugal (ainda não vi o que vai pela Europa e pelo mundo) a notícia é que o "centro-direita" ganhou em Itália. Alguns - poucos - lá introduzem a expressão "extrema" para classificar a solução vencedora como coligação de centro e extrema-direita. Não nos dizem onde encontram o centro na tríade Meloni, Salvini e Berlusconi, e apressam-se a revelarem-nos uma Giorgia Meloni inteligente, capaz, moderada e tolerante. Quando nem um só desses atributos nos salta à vista.


A globalização, a descrença nas instituições e a desilusão com os políticos que as dirigem, lavraram o campo para a extrema-direita. A guerra e a inflação fertilizaram-no, e agora é vê-la crescer.


No passado não se soube, ou não se quis, mondá-la. Isolá-la. Agora normaliza-se a partir de Itália. E sabe-se do potencial da moda italiana!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A semana passada teve dois pontos altos: a reunião do Conselho de Estado, uma mega reunião de oito horas animada pelo desfile de carros alegóricos, e a cimeira entre os partidos da coligação, que haveria de resolver a crise política que Paulo Portas trouxera pelo braço.


Aqui se fez eco do que de relevante saiu desta última, ficando todos a perceber que, com a decisão de apresentarem listas conjuntas para as autárquicas, a crise política estava definitivamente ultrapassada, como o próprio Presidente da República fez questão de anunciar pouco antes do início da reunião do Conselho de Estado.


Tenho de reconhecer que, ao contrário do que maciçamente fez a Comunicação Social, não dei qualquer relevo ao que de realmente importante saiu dessa reunião de reconciliação dos partidos da coligação. Preferi, certamente com algum sectarismo, salientar que o PSD e o CDS ultrapassaram todas as divisões, e resolveram e puseram-se de acordo sobre todos os graves problemas do país, logo que acordaram em concorrer às próximas autárquicas com listas conjuntas. Em vez de, como toda a Comunicação Social, salientar a decisão de criar o CCC. Isso mesmo: o Conselho de Coordenação da Coligação, um órgão que ninguém percebe para que serve, até porque percebemos que o que precisa de coordenação é o governo, e não exactamente a coligação.


Entretanto esperamos pelo anúncio da primeira reunião do CCC. Será na próxima segunda-feira, para … discutir as autárquicas! Está hoje anunciado em tudo o que é Comunicação Social


Engraçado, não é?

Há 10 anos

 



Hoje os mitos caem muito depressa. Depressa de mais!


A fotografia correu mundo e virou símbolo. Um símbolo forte, capaz - quem sabe - de concorrer com o cravo vermelho a sair do cano da espingarda…


O imediatismo da sociedade que construímos, a cultura do sucesso fácil, dos Big Brothers, Casas dos Segredos e afins, trataram da sua rápida destruição…


Somos especialistas em revoluções românticas. Mas, mesmo assim, eu sempre tive alguma dificuldade em ver ali o que quer que fosse de revolução… Nem sequer romantismo! Parecia-me mais outras coisas…

domingo, 25 de setembro de 2022

É assim mesmo!


A selecção ganhou, e goleou (4-0) a da Chéquia, em Praga. O resultado é excelente, a que acresceu a surpreendente derrota da Espanha, em Saragoça, com a Suíça.


Cristiano Ronaldo foi titular, "arrastou-se pelo campo" o jogo todo e ... foi penoso de ver. Falhou remates, e até cometeu um penálti, daqueles sem ponta para se lhe pegar. Para Fernando Santos foi uma boa exibição. Falhar, acontece - é futebol. Mas esforçou-se e serviu a equipa. E se não fossem os espaços por ele criados, os outros não teriam marcado.


É assim mesmo!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Cada saída do primeiro-ministro está transformada num calvário, e é já penoso vê-lo cada vez mais sozinho no meio de cada vez mais seguranças.


Há dias escrevia aqui que o governo estava em prisão domiciliária, sem poder ausentar-se dos ministérios. E que, para se deslocar pelo país a fazer de conta que existia, teria de mandar construir túneis e bunkers.


Sem tempo – nem recursos – para isso, o primeiro-ministro optou por, nas suas deslocações, trocar as voltas a toda a gente – entrando pelas portas dos fundos que todos os edifícios têm – e por reforçar os meios de segurança. Ontem, no ISCSP, onde Passos Coelho se deslocou para participar na homenagem a Adriano Moreira, os seguranças não tiveram mãos a medir, chegando ao cúmulo de ameaças sobre um operador de câmara da TVI. Para identificar (?) um miúdo que tinha apupado o chefe do governo viu-se um autêntico batalhão de polícia…


Hoje, numa deslocação para um almoço com empresários em Cascais, as mesmas cenas: segurança reforçada, a trocar as voltas aos jornalistas e a empurrá-los para bem longe do chefe do governo. E apupos da população…


É penoso, o constrangedor paralelo entre os ambientes interiores, onde Passos Coelho discursa – e até se esforça por citar Camões - e os cá de fora, da rua, quando entra e sai!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O vice-chanceler alemão e ministro da economia, Philipp Toesler – um tipo de ar asiático, que de vez em quando diz umas coisas que nos chateiam – encontrou-se hoje com o seu homólogo português - o nosso Álvaro – em Berlim, na abertura da primeira edição do Portugal Plus - uma espécie de bolsa de contactos promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã – e aproveitou para declarar "exemplar para a Europa e para o mundo" a aplicação do programa de ajustamento financeiro em Portugal.


Disse coisas extraordinárias, como: "Apesar de todas as dificuldades, Portugal tem conseguido implementar a consolidação orçamental e as reformas estruturais, um caminho muito difícil, mas que está a ser traçado de forma exemplar para a Europa e para o mundo". Ou "Portugal está a percorrer um caminho extraordinário, e chegou o momento de lhe dar vida económica".


Ouvir, nesta precisa altura, coisas destas do número dois alemão - parceiro de coligação de Merkel – leva qualquer um a, mais que abrir a boca de espanto, começar a coçar na cabeça à procura de explicações.


Como é que, numa altura em que toda a gente percebeu – incluindo a troika, evidentemente, que até teve da dar mais tempo para atingir a meta do défice – que tudo falhou, que falhou o programa, como toda a gente anunciara que falharia, e falhou a sua execução, somos um exemplo para a “Europa e para o mundo”?


Como é que, depois de toda a gente e por todo o lado ter dito que o programa mataria a economia nacional, como matou, é, precisamente agora, que “chegou o momento de lhe dar vida económica”?


Terá isto alguma coisa a ver com a expressão de revolta que os portugueses finalmente conseguiram mostrar ao mundo?


Ou terá o homem simplesmente sido atacado pelo vírus do Álvaro?


Que, como se sabe, é uma bactéria que inverte a realidade para depois a projectar sob a forma de pastéis de nata: bem parecida, doce e quente. E com canela!


Parece-me bem que é isso. O homem foi contagiado e, sob o efeito do vírus do Álvaro, está em Marte. E nem é sequer por a Comissão Europeia ter ainda ontem lembrado, de Bruxelas, que havia lá uma tranche para chegar no início de Outubro… Que só chegará se tudo for cumprido bem direitinho…

sábado, 24 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Os ministros, todos sem excepção, são vaiados sempre que saem ao contacto público. Tem sido evidente que passaram a fugir a esse contacto, procurando portas e travessas que os levem aos seus protegidos e bunkerizados destinos sem esse incómodo de enfrentar a população.


Os mais recentes casos vêm precisamente do fim-de-semana. A ministra Assunção Cristas, que há poucos dias escapara a um ovo em Santarém, tinha em Aveiro muita gente à sua espera em protesto. Mas tinha também muita polícia capaz de a encaminhar tranquilamente para o interior do auditório – onde encerraria um seminário alusivo aos 50 anos da PAC – vazio!


Miguel Macedo, o ministro da Administração Interna, deslocou-se a Campia - Vouzela – para inaugurar um edifício do destacamento local dos bombeiros. E lá estava a multidão em protesto… Miguel Macedo, com um estranho sentido de oportunidade, achou por bem dizer que os portugueses são cigarras, em vez de formigas!


Gasolina na fogueira: para quem tem o pelouro dos incêndios não é lá muito abonatório…


O governo está definitivamente de relações cortadas com a população e, a partir de agora, ou todos os seus membros permanecem bloqueados nos seus ministérios – um governo em regime de prisão domiciliária – sem de lá poderem sair, ou passam a mandar construir túneis e bunkers por todo o país – o sector da construção e o emprego agradecem – para que possam manter actos protocolares que lhes alimentam a sensação de estarem vivos. E ministros!


Mas não será certamente fácil de perceber que se possa governar assim.  

O adeus de Roger Federer

Roger Federer: A despedida de um «Rei»


Roger Federer colocou ponto final na sua extraordinária carreira, que fez dele um dos maiores tenistas da História e, acima de tudo, um exemplo de desportivismo.


Fez do seu maior rival - Rafael Nadal - o seu maior amigo, e isso diz tudo. De ambos. Há quem diga que diz também tudo do ténis, como modalidade que continua a demonstrar que a competição, ao mais alto nível, não é só compatível com urbanidade e cavalheirismo como é também um espaço de relação, de afectividade e de sentimentos.


Quis que a sua despedida acontecesse ao lado do seu amigo e rival maior, e assim foi. Em Londres, ontem, na quinta edição Laver Cup, o torneio de ténis masculino entre equipas da Europa e do resto do mundo. Perdeu, mas o resultado é o que menos interssa. E acabou em lágrimas. Pela despedida, não pela derrota. 


Federer ficará como, se não o maior, o mais elegante tenista de sempre. Mas ficará também como intérprete maior do papel de uma grande estrela!

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


É um novo clássico: o Benfica domina de alto a baixo, as oportunidades de golo sucedem-se, umas atrás das outras ao ritmo das bolas aos postes ou para as nuvens; depois entra em acção o guarda-redes, que defende tudo o que lhe aparece pela frente; e o árbitro, chame-se Xistra ou Hugo Miguel, que faz o resto. O resultado, já se sabe: ou permite a aproximação do Porto ou permite-lhe a fuga.


A história repetiu-se, e é já um clássico. No primeiro quarto de hora do jogo de Coimbra o Benfica podia e devia ter construído o resultado. Aos 4 minutos já Cardozo e Rodrigo – os dois pontas de lança – tinham cada um rematado a sua bola ao poste…


Na primeira vez que a Académica consegue sair da sua área, Xistra tem oportunidade de assinalar um penálti, mesmo que as coisas se tenham passado fora da área. Sem perceberem como, os estudantes estavam a ganhar!


Recolheram aos aposentos, que dizer à sua grande área, e aí valia tudo: até atrasos com os pés, em aflição, para o guarda-redes, que agarrava a bola como se nada fosse com ele. Nem tudo podia valer: um defesa a fazer de guarda-redes tinha mesmo de dar penálti, a única maneira que o Cardozo conhece de marcar golos.


Só que pouco depois a Académica volta a conseguir chegar à área do Benfica. E já se percebeu: o Xistra voltou a ter oportunidade de inventar outro penálti. Desta vez é dentro da área, mas é dentro da área que o Garay corta a bola. Nada mais que isso!


Lá valeu o Lima que, com um belo golo, deixou empatado um jogo que Xistra quis que ficasse assim. Mas, atenção: a equipa de Jorge Jesus foi quase tão incompetente como Carlos Xistra!

Outono, das folhas douradas e da ternura.

Prognóstico do Outono/2022 – CEMTEC/MS-Semagro


Acabou o Verão. Viva o Outono!


O Inverno já está aí à espreita. Desta vez com piores olhos, verdadeiramente assustadores. Até lá, atés às tormentas do Inverno, desta vez ainda mais tormentosas, desfrutemos do Outono. Mesmo sabendo o que está escondido por trás da sua ternura de sempre!


 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Depois de uma ausência mais prolongada que o esperado o futebolês regressa, para ficar mais umas semanas. Não regressou com o início das competições da nova época mas, talvez por isso, regressa com uma novidade. De que, provavelmente, muitos dos leitores ainda não deram conta…


Mas vamos por partes. O futebolês é uma língua viva, aberta à dinâmica da comunicação e, muito provavelmente, gerida e administrada por um Conselho de Sábios, sempre atento a necessidades de renovação. Uma coisa assim parecida com o Acordo Ortográfico, só que menos polémica!


Presumo que este Conselho de Sábios tenha trabalhado arduamente durante este defeso que, por culpa do Campeonato da Europa, até foi mais curto que o habitual. Mais exigente ainda, por isso.


Mas valeu a pena, e aí está: Esquema Táctico!


Mas – perguntarão aqueles que ainda não deram por esta expressão na boca dos novos especialistas com que as televisões nos brindaram para esta nova época - o que é isso?


Pois, é nem mais nem menos, que um neologismo para bola parada! Os sábios devem ter achado que era tempo de mandar a bola parada para o baú das velharias, lá bem para o fundo, onde acaba por ir parar tudo o que não consegue resistir aos implacáveis caprichos da moda.


A partir do início desta época desportiva os comentadores – e todos aqueles que de qualquer forma lidam com esta preciosa linguagem – dividem-se em duas categorias: os prá frentex, que elogiarão os esquemas tácticos de Jorge Jesus, e os botas-de-elástico, que continuarão a enfatizar a forma com Jesus trabalha as bolas paradas. Claro que isto é uma forma de expressão, porque, na realidade, os esquemas tácticos ou as bola paradas de Jesus, são chão que já deu uvas: viu-se uma novidade logo no jogo inaugural da liga, com o Braga – de belo desenho, sem dúvida, mas também de grande complexidade, realmente mais esquema táctico que bola parada – mas nem resultou nem se voltou a ver repetida.


Confesso que estou com alguma expectativa em perceber como passarão a ser classificados os penaltis e os livres directos, os que resultam em golo. Antes pertenciam inequivocamente à categoria dos golos de bola parada. Se passarem a ser golos de esquema táctico não bate lá muito certo…


Muitas vezes são golos de esquemas, mas de outros, como o da imagem!


Subsiste outro pequeno problema: é que o esquema táctico conflitua facilmente com o sistema táctico. Nada que um curto período de adaptação não resolva, responderá certamente o Conselho de Sábios, com o apoio de todos os prá frentex


Há sempre resposta para tudo, mesmo que disparatada!

Política e pantominice

Reunião sobre novo aeroporto: Costa leva Pedro Nuno Santos, Montenegro  junta o "vice" do PSD - CNN Portugal


Depois de ter dito que a questão do novo aeroporto tem vindo a ser tratada com o PSD, que tudo seria decidido entre ele e Luís Montenegro, e que o ministro Pedro Nuno Santos se limitaria a executar o que viesse a ser decidido, o primeiro ministro anunciou, há dias, que estava marcada já para amanhã uma reunião entre ambos. Entretanto Luís Montenegro fez saber das condições que tinha colocado, entre elas que a avaliação ambiental teria que ser feita por entidades independentes, e que teria de ficar muito bem esclarecido quais os custos e prazos de cada uma das diferentes opções.


Tudo normal. Era o que faltava era não fizesse exigências de independência e de transparência ...


Hoje, na véspera da dita reunião, Luís Montenegro surgiu nas televisões a confirmá-la. E a forma que encontrou de a confirmar foi a de acusar o governo de incapacidade e incompetência do governo para resolver o problema e de, por isso, precisar da ajuda do PSD. Que, como partido responsável, vai colaborar na decisão, mas não vai decidir por ninguém.


Das duas uma: ou isto está a começar tão bem que já se sabe como vai acabar; ou, decididamente, neste país a política nunca passará de pantominice.


Inclino-me mais para a segunda, confesso.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Oito horas depois soube-se o que já se soubera três ou quatro horas antes: que não há crise e o povo é sereno! E - já que recorri ao saudoso Pinheiro de Azevedo, nada como continuar a evocá-lo – que é só fumaça


Uma fumaça bem tóxica, que deixa isto com um ar cada vez mais irrespirável…


O poder mediático decidiu que o problema era a taxa social única (TSU). Recuasse-se, ou fizesse-se lá o que se fizesse com o disparate da TSU, e tudo ficaria resolvido. Induzidos por esse movimento, ficamos a conhecer as posições de cada um dos conselheiros sobre a matéria, que não divergia da posição do país.


Havia ainda a questão da crise política, bem à vista de todos e iniludível. Que os partidos da coligação acabaram por resolver com … a apresentação de listas conjuntas às autárquicas. Ultrapassada portanto. Como o Presidente anunciara três ou quatro horas antes do início do Conselho de Estado, desvalorizando-o e esvaziando-o.


Sem crise política para resolver, o Conselho de Estado atirou-se à TSU, como se sabia. O governo, por sua vez, apenas não anunciara já o recuo nesta medida para imputar a decisão ao Conselho de Estado, numa lógica de antes uma derrota que um recuoSó fumaça, evidentemente!


Que agora permite ao governo regressar à concertação social para negociar os aumentos no IRS pela via de reformulação dos escalões e criar uma sobretaxa sobre metade do subsídio de Natal, com o poder mediático, em coro, a dizer que é a alternativa à medida da TSU. Como esta já o tinha sido relativamente à decisão do Tribunal Constitucional, quando está mais que explicado que nada têm a ver umas com as outras. Mas mantém a fumaça viva …

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Previsível mesmo no mais imprevisível

Análise: Putin dobra a aposta e torna a guerra mais perigosa e imprevisível  | Mundo | Valor Econômico


Após praticamente 7 meses de guerra, e numa altura em que acumula reveses,  Putin surgiu hoje num discurso previsível. Depois de anunciado para ontem, e depois adiado - sem outra razão aparente que não o dar espaço aos líderes fantoches das ditas Repúblicas da região do Donbass de anunciarem previamente os referendos, já para o final da semana, para acelerar a integração de facto -, o discurso de Putin acentua a escalada da guerra, expressão que utiliza pela primeira vez, e a que dificilmente poderia fugir, depois de anunciar a mobilização parcial que, pela legislação que fizera publicar na véspera, é o eufemismo de mobilização geral.


Não é surpresa. Com derrotas sucessivas no terreno, em debandada de boa parte do território antes ocupado, e com as perdas sofridas, em homens e equipamentos, mais um passo na mobilização forçada, que evidentemente alargará aos novos territórios imediatamente a seguir aos referendos, era esperada. 


Não seria de todo inesperado que, neste contexto de insucesso militar, lançasse, agora ele próprio, a ameaça de uso do armamento nuclear. Fê-lo de forma expressa: "Temos meios mais poderosos que a NATO. Se necessário utilizaremos tudo o que temos à disposição". E isso é bem mais preocupante que os anteriores recados anteriormente enviados por Medveded.


Pode haver quem veja nesta ameaça a fanfarronice do "agarrem-me se não vou-me a eles". Não partilho dessa visão, e receio que a ameaça nuclear, tida desde a primeira hora por distante, esteja mais próxima e seja agora real. Putin já perdeu o suficiente para entrar em pânico. Se um louco é perigoso, um louco em pânico é capaz de tudo!


Mas, no fim, nem isto é surpreendente ...


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A Comissão Política Nacional do PSD reuniu e emitiu um comunicado, cuja única relevância era convidar o CDS para uma reunião. O CDS respondeu de pronto e a reunião ocorreu ao início da noite, mas sem Passos Coelho e Paulo Portas. Terminou há pouco também com a emissão de um comunicado, cuja única relevância é dar conta que os dois partidos vão estudar a constituição de listas conjuntas para as próximas autárquicas.


Quer dizer: quando no ar está uma das mais graves crises políticas da nossa História, nas actuais circunstância do país, de consequências imprevisíveis, aberta pelos desvarios da governação e pela irresponsabilidade dos líderes da coligação; quando os dois partidos da coligação andam numa roda-viva a retirar e a limpar as facas, tudo se resolve com as listas conjuntas para as autárquicas.


Mas será possível que esta gente não dê mesmo mais que isto? Então, depois do que assistiram no sábado e da sondagem hoje publicada – que dá 24 e 7% das intenções de voto respectivamente para o PSD e o CDS, igualando no conjunto as do PS, que nem sequer está a subir – esta gente não usa a cabeça, nem que seja por uma única vez?


Com esta gente o fundo é sempre mais abaixo…

terça-feira, 20 de setembro de 2022

O mundo fechado da governação

                Tribunal de Contas arrasa ex-ministro Álvaro Santos Pereira - Exclusivos -  Correio da ManhãAntónio Costa e Silva: "Qualificação das pessoas pode mudar muita coisa"


É ideia feita que "classe política" está esgotada, e em sérios riscos de esgotar o regime. A cada vez que os chefes de governo não conseguem recrutar fora das paredes do seu partido, a cada vez que não conseguem captar gente capaz da sociedade civil, essa ideia cresce.


A vitalidade dos governos, e do regime, mede-se muito pela captação de quadros que venham de fora do espartilho político-partidário. 


Acontece que sempre - ou quase sempre - que os governos conseguem trazer alguém de fora, a regra é que, com poucas excepções e por períodos muitos curtos, eles falhem. Flagrantemente, acabando muitas vezes por engrossar o anedotário nacional. 


Saudei aqui, há muitos anos, a chegada do Álvaro Santos Pereira, pela mão de Passos Coelho. E acabou no que acabou - em personagem central da anedota nacional. Voltei a saudar, há poucos meses, e para a mesma pasta, a chegada de António Costa Silva, alguém com pensamento estruturado, com ideias para o país, com prestígio pessoal e carreira feita.


Se não me engano muito, e pesem embora as diferenças de personalidade, Costa Silva vai pelo mesmo caminho. O percurso poderá estar menos carregado de ridículo, mas a (in)consequência é a mesma!


Depois de muito prometer, o homem que  deu a cara pelo PRR, a que deu corpo, chegou ao governo. Aí chegado, foi atacado pelo estranho vírus do poder que transforma quadros de reconhecido mérito em políticos erráticos, e autênticos cata-ventos.


O próprio PRR não tem, há muito, nada a ver com o que desenhara. Já não tinha quando iniciou funções, o que já não era muito abonatório. Sem o vírus, ao perceber que toda a concepção do PRR estava subvertida e desvirtuada, já não teria aceitado entrar para o governo.


Mas aceitou, e iniciou funções, logo na tomada de posse, com o anúncio da necessidade do famoso "Windfall tax", o tal imposto sobre os lucros excessivos das empresas, obtidos através de condições excepcionais de mercado que beneficiam uns poucos e prejudicam todos os muitos outros. Como o chefe do governo não achou muita piada à coisa - hoje, curiosamente, defendida em muitos países, e pela Comissão Europeia - Costa e Silva deu logo o dito por não dito. Não tinha sido aquilo que queria dizer... Mas foi, e sabe tão bem que foi, como sabe que o PRR que está em execução não tem nada a ver com o que programou.


Disse-o, como desenhara o PRR, antes de apanhar o vírus, na posse de todas as suas faculdades. Antes de perder a primeira - a coragem. E a segunda - a lucidez.


A partir daí o ministro da economia desapareceu. Reapareceu agora - e mais valia ter continuado desaparecido - com umas medidas desgarradas e com a espatafúrdica ideia da descida transversal da taxa de IRC. Que, para além de ineficaz - as pequenas empresas não apresentam lucros tributáveis, as grandes dispõem de recursos infindáveis de planeamento fiscal para o mitigarem, e os investidores internacionais tratam do assunto quando negoceiam o investimento - ainda choca violentamente de frente com as suas ideias de partida.


Temos aí outro teste ao sistema, com o anunciado recrutamento de Fernando  Araújo para essa espécie de CEO do Serviço Nacional de Saúde. A ideia é a mesma - trazer gente capaz de fora. A fórmula é nova - uma estrutura fora do governo. Mas - e isso é fundamental - também o processo é novo. Fernando  Araújo não correu a aceitar o cargo. Já esteve lá, no lado de dentro do governo, e sabe "o que a casa gasta". Daí a demora de todo este tempo a aceitar um cargo que ainda pode recusar. Mas que já lhe não pode ser recusado. 


Que aproveite esta circunstância única para deixar todos os pontos nos "ís", e abrir uma última janela neste mundo fechado da governação!


 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

E fez Rafa muito bem...

Conheça os heróis da seleção (parte 3)


O Rafa renunciou à selecção. Bateu com a porta, e fez ele muito bem!


De Rafa diz-se sempre que faz tudo bem, mas que falha nas decisões. Pois nesta não falhou. Na hora certa, puxou da luva branca e ... toma lá. 


Ouviu-se um estrondo. Ainda não sei se foi da porta, se foi da chapada. Mas lá que se ouviu, ouviu.


Ponto final. O Fernando Santos agora que brinque com outros. Com Rafa já brincou tudo, não brinca mais. Não sei se não vai haver mais alguém a dizer ao gestor da empresa que faz de seleccionador nacional para brincar com outra coisa.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Hoje: reunião da Comissão Política Nacional do PSD, para o contra-ataque ao parceiro de coligação;


Amanhã: reunião do Conselho de Ministros, onde se não sabe quem olha de frente para quem, ou mesmo quem tapará a cara;


Sexta, de manhã: debate quinzenal na Assembleia da República, onde se prevê que não seja fácil distinguir maioria e oposição;


Sexta, à tarde: reunião do Conselho de Estado.


Uma semana quente, sem dúvida!

domingo, 18 de setembro de 2022

De gala


No regresso à Luz, depois da noite de gala de Turim, o Benfica prosseguiu a sua caminhada totalmente vitoriosa, e a rota das grandes exibições, com um futebol de alto quilate, assombroso e de grande espectáculo.


Neste final de tarde de fim de Verão assistiu-se, na Luz, a mais uma exibição de gala do Benfica. Hoje sim, contra um adversário fraco. O Marítimo tem sido nestas primeiras sete jornadas a equipa mais fraca do campeonato. Hoje sim, podem desvalorizar a vitória do Benfica!


Mas não o farão, porque isso seria desvalorizar a do Braga, pelo mesmo resultado, contra este mesmo adversário. E a do Porto, com o mesmo número 5 de golos marcados, mas com um sofrido. Mas também não o podem fazer pela dimensão da qualidade da exibição benfiquista. E porque os 5-0 desta vitória, só são cinco porque o guarda-redes do Marítimo fez sete defesas que impediram outros tantos golos. E António Silva (mais uma enorme exibição, a respirar classe), naquele remate fantástico ao poste, Otamendi, João Mário, Gonçalo Ramos e Rafa, não conseguiram acertar na baliza em situações de golo cantado.


Foram 5, mas podiam bem ter sido 15!


O Marítimo entrou na Luz como entram - e têm entrado - todos os adversário: com dois autocarros à frente da baliza do Miguel Silva, duas linhas de cinco jogadores. Não era fácil furar aquelas duas barreiras, e durante a primeira metade do primeiro tempo o Benfica não preencheu todos os requisitos para fazer mexer o autocarro. Faltou mais velocidade, faltou rematar de longe e faltou chegada à linha de fundo. 


Não faltaram mudanças de flanco, sempre dos pés de Enzo, e não faltou paciência. Foi esse o maior mérito da equipa do Benfica: paciência para circular a bola sem precipitações, sem falhar passes e sem deixar o adversário tomar fôlego e ganhar confiança. Pelo contrário, à medida que os minutos passavam, os jogadores do Marítimo iam perdendo oxigénio e confiança.


A velocidade que faltava ao jogo do Benfica começou a aparecer na segunda metade da primeira parte. A partir daí as oportunidades de golo começaram a desenhar-se em catadupa. Só deu num golo, de Rafa, já perto da meia hora, mas foram criadas condições e oportunidades para mais três ou quatro.


Logo no início da segunda parte chegou o segundo, e primeiro de Gonçalo Ramos. E depois foi continuar com a exibição bem lá em cima, numa avalanche e oportunidades, mas sem golos. Ou negados pelo guarda-redes maritimista, ou pelos deuses!


Acabaram por chegar atrasados, talvez por terem precisado de tempo para se aproximarem da perfeição. Só isso pode explicar o crescendo de qualidade dos últimos três golos. O terceiro, e segundo de Gonçalo Ramos, num espectacular toque de calcanhar, demorou quase 20 minutos. O quarto, de Neres, mais outro tanto. E por fim, então já perfeito, seis minutos depois, o golo de Draxler. Já bastava ser o primeiro do alemão com o manto sagrado, mas tinha ainda de ser o mais espectacular. Que bonito que foi!


 

sábado, 17 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Numa semana com lotação esgotada acabo por escolher para tema da semana aquilo que, pretendendo sê-lo, acabou quase por passar despercebido: o anúncio da candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto.


E não é porque Menezes tenha tentado, com tão extemporâneo quanto despropositado anúncio, lançar um tema que abafasse toda a farta asneirada do governo. Quis deixar passar essa ideia mas, na realidade, ele não quis mais nada que não fosse aproveitar a fragilidade do líder para fazer passar a sua velha e mais que batida aspiração.


Não sei se ele sabe que a gente sabe que nunca consegue ser levado a sério. Não sei se sabe que não tem estatuto – por muito que lho dêem no nosso provinciano espaço mediático ou mesmo que seja conselheiro de Estado, estatuto que Dias Loureiro se encarregou de deixar pelas ruas da amargura - para marcar a agenda política nacional. Não sei se ele sabe que a gente sabe que tem sérios problemas de coluna. Porventura não atribui importância nenhuma a ter sido o primeiro a apoiar a medida da TSU logo que anunciada por Passos Coelho para, logo que viu que os ventos não sopravam naquela direcção, ser o primeiro da área da maioria a dizer que o governo teria de recuar na medida. Sem deixar passar a oportunidade para dar mais um sinal das confusões que traz na cabeça, ao complementar que o governo deve procurar no IRS ou noutros impostos “os 2,8 mil milhões de euros indispensáveis para a consolidação orçamental” (sic), revelando-se como o único português que não percebeu que a célebre medida de Passos e Gaspar não tem especial impacto no défice: em rigor, dos 2,8 mil milhões de euros, apenas 500 milhões têm impacto orçamental.


O assunto não foi sequer notícia. Não teve qualquer repercussão, para além do entusiasmo de um ou outro aparelhista do PSD Porto e de um ou outro portista (disse portista, não disse portuense), para quem o único problema da cidade e da região é o FCP não festejar os seus títulos nas varandas do Município.


Se assim é, então porque é este o tema da semana?


Pela simples razão que estávamos todos à espera da tal clarificação – embora também não esperássemos clarificação nenhuma, apenas mais uma forma descarada de violação da lei em proveito das nomenklaturas partidárias - da lei da limitação dos mandatos. A lei impede a candidatura de titulares do cargo depois de três mandatos. Menezes está-se nas tintas e impõe unilateralmente a interpretação que acrescenta à lei três palavrinhas apenas: no mesmo município!


PS e PSD, caladinhos, agradecem… 

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Luto nacional

Governo aprova três dias de luto nacional - Notícias - A Embaixada -  Embaixada de Portugal em Moçambique


Três dias de luto nacional pela Rainha de Inglaterra?


Por que carga de água?


Bom... se as televisões portuguesas vão em duas semanas sem falar de outra coisa, se calhar ainda é pouco. Mesmo assim gostaria de saber que outros países, à excepção daqueles que obedeciam à soberania da rainha, decretaram idêntico luto. 


Isabel II reinou muitos anos. Ainda assim não tantos que tenha sido ela a assinar aquele telegrama de 11 de Janeiro de 1890. Que, curiosamente, é sempre esquecido, ao contrário da mais antiga aliança do mundo. Há muito mais tempo - mais de 500 anos antes - mas sempre lembrada.


Que raio de memória selectiva...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A chuva engrossou e Paulo Portas deixou de conseguir passar entre os pingos sem se molhar. Paulo Portas morreu agarrado a Passos Coelho!


Deste não se lhe conhecem mais vidas mas, de Portas, sabemos que tem mais que um gato… E que, vergonha, não será o seu principal atributo!

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Disse-se e escreveu-se por todo o lado nestes últimos dias – e também aqui - que o governo quebrou o consenso que existia em Portugal.


Ficou hoje provado o contrário: que o governo provocou afinal o maior consenso alguma vez verificado na sociedade portuguesa!


E no entanto não há aqui qualquer contradição. O governo quebrou consensos nas superstruturas político-institucionais, mas gerou verdadeiro consenso na sociedade civil. O governo abriu brechas no campo do jogo político, dinamitou pontes das negociatas que fazem com as nossas vidas mas, sem nunca o perceber – como nada parece perceber do que se passa à sua volta -, provocou o reforço do maior dos pilares da democracia e aquele que mais temíamos estar fortemente degradado e prestes a cair.   


O governo, este governo, conseguiu em pouco mais de ano congregar o repúdio e a revolta do país e o máximo denominador comum da mobilização dos portugueses. Que se uniram no maior e mais genuíno protesto cívico da História da democracia portuguesa!


Uma jornada de protesto memorável, de norte a sul do país, que juntou portugueses de todas as idades, de todas as condições sociais, trabalhadores e empresários. Sem necessidade de nenhuma organização tutelar, de qualquer máquina que aluga autocarros para encher de pessoas a despejar numa qualquer Praça da capital. Com a participação de milhares de debutantes em acontecimentos desta natureza: milhares de cidadãos, de jovens a idosos, que pela primeira vez na vida integraram uma manifestação!


O movimento surgiu nas redes sociais, e por lá se ia percebendo que iria ganhar dimensão. Mas sabe-se como é: por lá é fácil pôr um like, ou aderir mas, chegada a hora, o sofá ou a praia – e como foi quente este dia – falam mais alto e ninguém mais se lembra de um compromisso que, sabe, também ninguém leva muito a sério. Também isto este governo conseguiu quebrar: a participação em qualquer dos locais de convocatória nada, mas mesmo nada, teve a ver com os vou registados!


Neste dia quente de final de Verão, que cheirou a Primavera, quando a classe política, e os que a seguram e alimentam, não se farta de dizer que Portugal não é a Grécia, enquanto para lá nos empurra todos os dias, os portugueses vieram dizer mais: Que Portugal não é a Grécia  nem deixarão que seja!


É comum dizer-se que estas coisas não têm consequências, que tudo acaba quando cada um regressa a casa. Não é bem assim e, desta feita, não será mesmo assim!


Hoje muita gente recuperou algum do orgulho perdido em ser português. E isso tem um valor inestimável: é o primeiro passo para percebermos que podemos ganhar muita coisa. Resgatar o orgulho no colectivo que somos é o primeiro passo resgatar a nossa dignidade. Para, depois, não mais a deixar roubar!


Que se lixe a troika. Queremos as nossas vidas …. Eles vão perceber isto…

É oficial: a Juventus é uma equipa fraca!


É oficial: esta Juventus é a mais fraquinha dos últimos 3500 anos!


E o Benfica continua a não ser verdadeiramente testado.


Saindo da ficção para a realidade: o Benfica foi a Turim presentar os italianos com um recital de futebol, naquela que terá sido a melhor a exibição da época e, numa superior demonstração urbi et orbi de classe e categoria, reduziu a Juventus à dimensão da vulgaridade.  


Percebeu-se logo no arranque do jogo que o Benfica sabia o que queria fazer em Turim, no Juventus Stadium. Percebeu-se que ia para jogar o seu futebol, sem medo de coisa nenhuma, e portanto sem razões para abdicar da sua identidade. E percebeu-se ainda que teria um apoio massivo nas bancadas, bem preenchidas de adeptos benfiquistas (falou-se em 14 mil), vindos certamente de todo o lado. E que foram, também eles, fantásticos. Mas também se percebeu logo que a Juventus entrava com uma agressividade fora do comum, que claramente surpreendia os jogadores do Benfica.


O primeiro contratempo surgiu logo aos 4 minutos: uma falta despropositada de João Mário, a meio do meio campo defensivo, provocou um livre lateral, bem cobrado pelo Paredes (um jogadorzito!), mas mal defendido (anda a frio?) que acabou com Milik (outro jogadorzeco!) a marcar, ao primeiro remate. Como tanta vez acontece.


Foi um soco no estômago. A equipa cambaleou, ficou meio abananada e, com superioridade no meio campo, sempre com grande agressividade na disputa da bola, e moralizada com o golo, a Juventus levou o jogo para 10 minutos de grande dificuldade para o Benfica. Não acertou qualquer remate na baliza, mas não é por isso que se poderá negar que criou uma ou duas oportunidades para marcar.


Foi mais ou esse o tempo que o Benfica demorou a equilibrar-se. A partir daí passou gradualmente a comandar o jogo, e a empurrar a Juventus para a sua área. À meia hora da primeira parte já o jogo era do Benfica. Já tinha mais remates, mais cantos e mais posse de bola. A juventus continuava com um único remate enquadrado, o do golo!


Depois foi o poste a negar o golo - que seria um grande golo - a Rafa. E o penálti sobre Gonçalo Ramos - que o árbitro alemão com uma ligeira costela italiana, nas pequenas mas também nas grandes coisas - não quis ver (teve se ser o VAR a obrigá-lo) - que João Mário transformou no já mais que justificado empate. No festejo voltou a ver um cartão amarelo. Não foi por despir a camisola, mas também não se percebeu por que foi. Se calhar vai ter de deixar de festejar os golos que marca. 


O melhor estaria reservado para a segunda parte. A superioridade do Benfica foi-se acentuando e a exibição foi ganhando brilho, com os jogadores - todos -, e a equipa, no seu todo, a espalharem magia e classe pelo relvado. Mas a desperdiçarem oportunidades de golo, umas atrás das outras.


O próprio golo da vitória,  aos 10 minutos da segunda parte, é o exemplo vivo dessa onda de desperdício. Só à terceira, a bola, então rematada por Neres, acabou por entrar na baliza de Perin. Que foi, seguido de Bonucci, o melhor jogador da Juventus. 


A partir daí, do golo da reviravolta, o ritmo das situações de golo do Benfica aumentou ainda mais. No quarto de hora que se seguiu ao golo, até aos 70 minutos - um quarto de hora de sonho - o Benfica criou cinco oportunidades para marcar!


A perder, e a levar um banho de futebol que deixava desesperados os tiffosi da Juve, Allegri tentou tudo no jogo das substituições. Lançou o nosso Di Maria, que mexeu com o jogo, mas não o alterou. Voltou a mexer na equipa, e voltou a não o alterar. 


E o jogo acabou precisamente com a última oportunidade do Benfica, em cima do quarto e último minuto da compensação. E com a quarta vitória tangencial consecutiva, quando poderia ter terminado em goleada. 


Claro que a Juve também teve uma bola no poste. Mas essa foi um corte do fantástico António Silva para não dar canto. E poderia até ter empatado quando, a três minutos dos 90, o central brasileiro Bremer, num grande cruzamento de Di Maria, dominou no peito e, frente a Vlachodimos, atirou por cima. Seria de uma injustiça gritante, mas esses são os riscos que uma equipa absolutamente dominadora acaba por correr quando, desperdiçando uma goleada, prolonga um resultado na diferença mínima.


 


 


 


 


 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Acredito que Pedro Passos Coelho tenha gostado de se ver na televisão. Com o grau de inconsciência de que voltou a dar prova, é bem possível que esteja satisfeito com a sua prestação e convencido de se safou bem.


Se assim for, também aí está errado!


É certo que a tarefa era bem difícil. Depois do erro tremendo da TSU não era fácil minimizar danos: pela dimensão do próprio erro mas, fundamentalmente, porque era requerida uma inteligência política que claramente não está ao seu alcance.


A entrevista apenas piorou os cenários que já estavam traçados. E confirmou um primeiro-ministro sem ideias, sem preparação técnica e política para a função, que lança medidas sopradas por advisers sem qualquer filtragem – técnica, política ou de simples bom senso – e sem percepção das respectivas consequências.


A tentativa de justificação da medida da TSU chegou a atingir o ridículo: Vítor Gaspar tinha lançado aquela ideia inacreditável de controlar uma conta na qual as empresas guardariam os valores da TSU retirados às famílias; pois, Passos Coelho juntou-lhe agora a repercussão nos preços. Como funcionaria isso? Através das entidades reguladoras - respondeu com convicção -, as mesmas que tem deixado à rédea solta nos combustíveis e na energia… Para rir, se não fosse dramático!


Não explicou, mas também não lhe perguntaram, por que é que ainda há poucas semanas, no Pontal, tudo corria bem. E passou para o discurso da ameaça: para o eterno ou eu ou o caos


Sobre a privatização da RTP, depois de tudo o que tem feito correr, teve o desplante – não pode ser outra a expressão – de referir que está à espera das propostas dos advisers. Mau, francamente mau!


Mas a entrevista tem uma novidade: ou apanhou Paulo Portas ou abriu-lhe a porta com que ele vai bater!


Ah! Seguro também chamou as televisões à hora do telejornal, pouco antes da entrevista. Lamentável e também com o seu tesourinho deprimente: um imposto sobre as PPP!


Que desgraça…

Jean-Luc Godard (1930-2022)

Jean-Luc Godard morre após suicídio assistido: 'Ele não estava doente,  apenas esgotado' - TNH1


 


Morreu uma lenda do cinema. 

António Costa e a piscina

António Costa na TVI: "Nos últimos 20 anos inflação nunca ultrapassou os 2%  e nos últimos 5 foi em média de 0,8%" - Polígrafo


No final da sua entrevista de ontem a José Alberto Carvalho e Pedro Guerreiro, na TVI e na CNN P,  António Costa não escondia um ar triunfal. Tinha-lhe corrido bem, mais uma vez. Desarmara os entrevistadores, e acabara mesmo a aplicar o seu manhoso "killer intint" manhoso a Pedro Guerreiro, atirando-lhe que não havia truques.


Mas há. E voltou a haver. E mesmo que tenha ficado convencido que "cortou rabos e orelhas" (perdoem-me os dois lados das touradas, mas é a expressão que me parece melhor traduzir a situação), não conseguiu convencer ninguém do contrário.


O ponto central da entrevista, e da sua argumentação, foi, como não podia deixar de ser, o das pensões. Até porque é aí, nesse espectro social, que estão os votos. Que tem bem agarrados, e não quer perder.


O truque, com a meia pensão em Outubro, e o resto em aumentos no próximo ano, para perfazer a dita reposição das perdas com a inflação, era uma medida de de política de finanças públicas. Ou mesmo exclusivamente orçamental, distribuindo o "extraordinário aumento das pensões" - anunciado ainda há menos de três meses para a casa dos 8% - pelos orçamentos deste ano, com grande folga, e do próximo. E anulando-lhe o efeito para os anos futuros.


Descoberto o truque, António Costa arranjou outro. E veio ontem dizer que o truque não era truque. Que não era uma habilidade orçamental, mas sim uma questão de responsabilidade, e uma inatacável medida de sustentabilidade da Segurança Social. Até pode ser verdade que a aplicação da lei em vigor para a actualização das pensões implicasse, como afirmou, reduzir para metade - de 26 para 13 anos - a garantia de pensões futuras. Mas, sem que isso esteja documentado - e não está - deixa de ser credível e passa a ser visto como mais um truque.


Sério e credível teria sido se, desde o primeiro anúncio, tivesse dito que aquela era a forma possível para responder à "extraordinária" inflação deste ano, e que, em vez de incumprir a lei, teria de a alterar. Sério e credível teria sido dizer que, mesmo que "extraordinária", os efeitos desta inflação perduram no futuro, ao contrário da actualização futura das pensões. Que a inflação até poderá regressar aos níveis anteriores, mas os preços que ditou permanecem. E que o patamar em que permanecem já não é o mesmo em que ficam as pensões.


Despediu-se dos entrevistadores em ar de vitória, com um sorriso de orelha a orelha. Mas isso foi apenas mais um truque. É como o Taremi, por mais voltas que dê, já não consegue convencer ninguém que não esteja sempre a "mandar-se para a piscina".


 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Portugal tem, de há muitos anos a esta parte, nas encruzilhadas que tem encontrado pela frente, escolhido sempre os piores dos caminhos. O último governo havia-nos deixado já sem grandes alternativas para chegarmos a algum lado. Este acaba de nos levar ao beco sem saída…


Tem uma saída, mas é para o abismo!


O PSD de Pedro Passos Coelho ganhou as eleições - há apenas 15 meses – sustentado em três pilares: o desastre da governação de Sócrates, o princípio inabalável da alternância de poder em Portugal e o compromisso de verdade que assumiu com os portugueses.


Não há aqui qualquer novidade. Sempre foi assim em democracia em Portugal: só o PS e o PSD podem ganhar eleições, invariavelmente governaram mal e, terminando ou mesmo renovando o mandato, ou interrompendo-o a meio, trocaram de cadeira!


O actual governo foi bem recebido pelos portugueses. Sócrates tinha encharcado o país de mentiras, golpes, arrogância, casos e mais casos – todos ainda por resolver – e, portanto, tudo o que viesse não poderia ser pior, pensava-se. Era um governo curto – uma ideia errada mas popular – e composto por gente, na sua maioria, vinda de fora da política. E jovem!


O programa da troika estava aí, mas o que se conhecia dele não era motivo de grande alarme, correspondia mesmo a prioridades há muito identificadas na sociedade portuguesa. Que os partidos do regime nunca tinham querido enfrentar e a que, agora, estavam obrigados por imposição externa.


Mais do que o consenso extrapolável da massiva expressão eleitoral (85%) dos três partidos que se haviam comprometido com o programa, era o consenso social de que era obrigatório mudar de vida. Passos Coelho tinha dito que conhecia bem a situação do país, que para cumprir os objectivos do programa bastaria cortar as gorduras do Estado. Acabar com privilégios injustificáveis e com ineficiências irracionais!


Como seria possível não existir um amplo consenso à volta disto?


Foi todo este precioso capital que, em apenas um ano, destruindo o país a um ritmo avassalador, Passos Coelho, Vítor Gaspar, Relvas, António Borges e companhia queimou. Começou por perder o apoio popular, passou a perder o dos parceiros sociais, destruiu o conforto do apoio factual do maior partido da oposição – ao PS, valha o que valer, e na realidade vale muito pouco um partido sem rumo e sem liderança, não é já legítimo, depois de tudo o que foram as irresponsáveis decisões do governo, com nexo causal directo no descalabro a que se chegou, exigir que se sinta agarrado, não ao programa da troika, mas ao que com ele o governo fez -, rompeu com o apoio dentro do próprio partido e, por fim, destruiu mesmo a coligação.


As últimas medidas, para além de completamente despidas de qualquer racionalidade, representam a mais violenta rotura com os princípios do Estado de Direito. Para além da mais completa insensibilidade social, de uma incompetência técnica nunca vista, conseguiram fazer o pleno na contestação e isolar ainda mais o governo. A absurda decisão de agravar os rendimentos do trabalho em mais 7%, retirando-lhe 2,8 milhões de euros dos quais transfere 2,3 para as empresas, com a falácia de que contribuiria para o combate ao desemprego, não obteve sequer acolhimento nas organizações patronais – com quem não foi discutida, nem sequer apresentada – nem das empresas, que dela directamente beneficiam, nem do CDS, nem - pasme-se - sequer foi imposta pela troika, foi a gota de água. O copo transbordou: Paulo Portas, sem ainda ter falado – o que se compreende - tem vindo a dizer tudo através de Bagão Felix; o Presidente, sem falar – o que já não se compreende, mas é habitual – disse mais que tudo através de Manuela Ferreira Leite!


Diz-se, num lugar-comum do léxico democrático, que em democracia há sempre soluções. Devolve-se a palavra ao eleitorado e resolvem-se os problemas. Não é assim, infelizmente, em Portugal!


Tão bem como se sabe que a alternativa é o PS, se sabe que este PS não tem capacidade de o ser. O beco não tem mesmo saída!


A única forma de lá sair é recuar. Iniciar o percurso em marcha atrás, de imediato. E só pode ser o Presidente da República a comandar essa manobra que, não tenho dúvidas, não vai lá com uma simples remodelação do governo. É obrigatório afastar toda a incompetência que nos enfiou neste beco!


Cavaco Silva e Passos Coelho, evidentemente, têm a última oportunidade de fazer alguma coisa de útil pelo país!


 

Danielle

Tempestade Danielle | Vêm aí chuva forte | Câmara Municipal de Cascais


A Danielle trouxe-nos a desejada Dª Chuvinha, que tanta falta nos faz. Mas parece que a coisa só se resolve se a Vanda, a Valéria, a Vanessa, a Vânia, a Vera, a Verónica, a Virgínia, ou a Vivian não atrasarem muito a chegada da Zaida, da Zara e da Zélia! 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O tom sisudo e de duro, que não bate certo com um corpo com assinalável défice de robustez, dá o mote para tudo o que não bate certo com Vítor Gaspar.


Foi durante muito tempo – é verdade que parece que está no governo há muito mais tempo do que efectivamente está – o melhor ministro deste governo para a opinião pública. E no entanto cedo se percebeu ao que vinha. Mas tudo lhe foi perdoado!


Foi apresentado como um técnico mais que competente, brilhante. Os portugueses acreditaram e, no entanto, percebem que erra tudo. Erra as previsões, erra as contas… Só não erra o alvo, que é sempre o mesmo!


Tinha feito carreira em Bruxelas e era, por isso, uma enorme mais-valia para o governo português, às mãos da União Europeia - quer dizer da Alemanha. Houve até aquele episódio dos segredinhos com o ministro das finanças alemão… E no entanto esteve sempre do outro lado, sempre para além da troika. Entre defender os interesses do país ou os da troika, nunca hesitou por estes últimos, sempre mais papista que o Papa!


É hoje o ministro que está mais debaixo de fogo – o Relvas já só é ministro fora do país, cá dentro já não é! E no entanto continua como o mais poderoso do governo (como se sabe António Borges não é ministro e Miguel Relvas não está no governo) …


Ontem houve gente a recebê-lo às portas da SIC. Não sei se o assustaram, mas talvez tenha finalmente começado a perceber – ele que, pelo que se tem visto, tem tanta dificuldade em perceber a realidade - que as coisas mudaram. Que talvez não seja impunemente que faz regressar o país a um estado de miséria de que já não há memória viva.


Hoje, no Parlamento, na reunião com os deputados da maioria, despachou um deputado do CDS – o jovem João Almeida – com um simples e seco “isso é um disparate”. Já não é apenas no parceiro da coligação que se começam a ouvir vozes de protesto. Elas vêm também do PSD, a diferença é que no CDS vêm de dentro da bancada parlamentar!


Não quero dizer que ofender um deputado do CDS tenha mais consequências que ofender um país inteiro, mas quer me parecer que poderá ser assim. É que com Vítor Gaspar nada bate certo!

domingo, 11 de setembro de 2022

Vuelta 2022 - Fim


Ao 21º dia de corrida - de calendário foram mais três - terminou a Vuelta, em Madrid, em plena Cibeles, com a vitória ao sprint - como tem que ser - do colombiano Molano, da equipa de João Almeida que, surpreendentemente, bateu o melhor sprinter da prova - Pedersen, o incontestado camisola verde - e Ackermann, o sprinter da sua própria equipa, ambos superiormente trazidos para o sprint final pelo português Ivo Oliveira. Afinal também há colombianos dotados para o sprint, e capazes de bater os melhores especialistas!


Quando, à sexta jornada, Evenepoel vestiu a roja, escrevi aqui que estaria encerrando o ciclo de mudanças diárias na liderança. Até aí a camisola vermelha tinha mudado de corpo em todos os dias, e escrevi então que "a partir de hoje vai certamente ser diferente". Que o jovem belga deixara "claro que agora é para segurar". Não imaginava então que a segurasse até ao fim, e que seria o grande vencedor desta Vuelta. Nem eu, nem quase ninguém!


Evenepoel é um jovem, com apenas 22 anos - não é por falta de jovens valores que o ciclismo terá o futuro em causa; vimos no Tour, e voltamos a ver na Vuelta, uma classificação geral praticamente decalcada da classificação da juventude - e não dispunha de equipa para lhe garantir tamanho sucesso. A Quick-Step Alpha Vinyl está muito longe do poderio da concorrência. E não é fácil vencer uma competição de três semanas sem a protecção de uma equipa forte, e especialmente preparada para isso.


É certo que o abandono de Roglic, que tentava a quarta vitória consecutiva - as três conseguidas já eram feito único -, e que mostrava ser o único adversário capaz de o desafiar, facilitou-lhe as coisas. E é ainda certo que a forma como a corrida se desenrolou a partir desse abandono, mas também já antes, permitiu-lhe aproveitar o trabalho das equipas adversárias, sem que precisasse muito da ajuda da sua. Mas não lhe bastou ser apenas inteligente a capitalizar essas condições. Teve que ter pernas, força e determinação para se aguentar sempre no meio do trabalho das equipas adversárias. E não só teve, como teve sempre resposta para os ataques dos adversários e ainda para tomar, ele próprio, iniciativas de ataque.


E foi tão afirmativo, tão convincente em cada vez que o fez, que, na decisiva etapa de ontem, de alta montanha e aquela que tudo decidiria (nova vitória de Carapaz, que assegurou o prémio da montanha, "herdado" pelo abandono de Jay Vine), não foi sequer atacado por Enric Mas - novamente segundo - vencido e convencido. Pelo contrário, o que se viu ao longo de toda a etapa, foi quase uma aliança táctica entre os dois. Luís Almeida que o diga!


Que ontem voltou a fazer uma etapa notável, confirmando a ideia que poderia ter feito muito melhor. Se tivesse entrado melhor na primeira semana ... e se o seu estatuto de líder tivesse sido levado a sério. Ontem tinha o quinto lugar para conquistar, e conquistou-o com categoria, à custa de Carlos Rodriguez. Outro fantástico jovem que, diminuído pela queda, dois dias antes, prosseguiu com bravura. Não conseguiu resistir aos ataques de João Almeida, apesar do forte apoio da sua equipa (Ineos) e acabou ainda ultrapassado por Arensman (mais um dos que aproveitaram os ataques de João Almeida). Por 12 segundos, caindo para sétimo.


O pódio, depois de Evenepoel e Mas, acabou completado com Ayuso. Outro jovem - apenas 19 anos - de grande valor. Mas mau companheiro, tanto quanto deu para perceber. Ontem demonstrou-o mais uma vez. João Almeida,  que até parece um tipo com bom feitio, terá de o tolerar como colega de equipa, mas não o quer certamente para amigo!


Amigos ficarão certamente os dois primeiros. Andaram sempre juntos, e sempre na melhor das harmonias, sem zangas. Os dois minutos de vantagem de Evenepoel sobre Enric Mas não são mais que os que o belga ganhou ao espanhol no contra-relógio!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Aí está! Não há limites para o saque nem para a falta de vergonha!


A redução dos escalões do IRS, que até hoje era apenas isso e não mais que isso é, a partir de hoje, mais um aumento deste imposto sempre à mão. Vítor Gaspar – e o seu secretário de Estado que há apenas duas semanas garantia estar apenas a simplificar o IRS – ainda não pormenorizou este agravamento fiscal. Para já sabemos apenas que se irá juntar à fatia de 7 pontos percentuais do rendimento que a contribuição para a segurança social vai levar. E a mais um corte nas pensões!


É assim que estão convencidos que a economia passará a crescer. Estão verdadeiramente convencidos que as mesmas medidas aplicadas nas mesmas condições produzem resultados diferentes!


Ah! Mas também serão tributados os rendimentos de capital. E os imóveis de luxo, acima de 1 milhão de euros…


A troika acabou por aceitar corrigir o défice, dando uma folga de meio ponto – de 4,5 para 5% -para este ano, uma folga maior no próximo – de 3 para 4,5%. Mais tempo, portanto. Que durante tanto tempo nem era preciso nem o governo queria…

sábado, 10 de setembro de 2022

Chip, em vez de cântaro!


Na visita a Famalicão, na sexta jornada, o Benfica prosseguiu a marcha vitoriosa deste início de época, com a terceira vitória consecutiva pela margem mínima. A quarta, em seis jornadas. 


Ao contrário do que possa parecer, isto pode até ser bom pronúncio. Não gosto - confesso que gosto mais de goleadas - mas não é raro que coisas assim acabem bem. Tenho aqui falado, a propósito desses últimos jogos, na "estória" da asa do cântaro, que alguma vez lá fica. Hoje não entra na história do jogo.


Que tem no resultado a mesma diferença mínima, mas só isso de paralelo com a história desses jogos. Tudo o resto foi diferente. Mesmo o escasso 1-0,  é diferente do 3-2 e do 2-1 desses jogos. É - lá está - mais parecido com 0 1-0 de Leiria, sobre o Casa Pia. Mesmo jogando bem melhor.


Outra diferença neste jogo em relação aos anteriores está na arbitragem, que desta vez não foi entregue aos habilidosos do costume. Nuno Almeida também erra - e hoje voltou a errar em matéria disciplinar (apenas puxou do amarelo por duas vezes, e já depois dos 90 minutos, na compensação, e pelo vermelho, já com o jogo terminado, muito depois de o ter perdoado a jogadores do Famalicão), e deixou por assinalar um claro penálti sobre Draxler, aos 36 minutos - mas não é provocador. Não deixa a ideia de errar propositadamente, como sistematicamente fazem Tiago Martins, Soares Dias e Fábio Veríssimo, todos encomendados de enfiada logo nas cinco jornadas iniciais.


Posto isto, e sem que  tenha realizado uma exibição de encher o olho, nem isso por esta altura seria expectável, nem repetido as goleadas das últimas épocas em Famalicão (lá está, como elas correram mal ...), o Benfica mandou sempre no jogo. E nem o acerto defensivo do adversário, nem aquela pressão alta inicial, mais ou menos comum a todos os opositores nestes jogos, nem a inspiração do guarda-redes, deixavam no ar a ideia de um jogo muito problemático.


Com três alterações na equipa - as duas forçadas pelas expulsões de Fábio Veríssimo no último jogo, com a estreia de Draxler, no lugar de João Mário, e Musa, no de Gonçalo Ramos, e a já rotineira rotação entre Bah e Gilberto - a primeira parte não foi muito rica. Nem em futebol, nem em oportunidades de golo.


O Famalicão apostou muito em tapar o jogos de flancos do Benfica, juntando os alas aos defesas laterais. Com Draxler, na esquerda, pouco em jogo e bastante apagado, foi pelo corredor direito que o Benfica criou mais desequilíbrios. Sempre que os conseguiu, no entanto, o eixo central da defesa e o guarda-redes do Famalicão resolviam o problema. Neres teve a primeira oportunidade, mas o guarda-redes Luiz Júnior defendeu bem. Depois foi Grimaldo, com o mesmo resultado. E finalmente, a melhor jogada da primeira parte, em que foi cometido o tal penálti que Nuno Almeida não terá visto (ou terá tido medo de assinalar?), mas que o VAR não pôde deixar de ver, acabou por ser concluída com o remate de Enzo para um golo cantado, que Luiz Júnior desviou miraculosamente com a ponta do pé.


Uma defesa que - quem diria? - ficaria a rivalizar com a de Vlachodimos, a 5 segundos do intervalo, no único remate do Famalicão. Mas sabe-se como tantas vezes o primeiro remate do adversário dá em golo. Ora aí está outra das diferenças deste jogo para os últimos.


Ao intervalo Roger Schemidt substituiu Draxler por ... Diogo Gonçalves. É triste, mas é verdade. E resultou. O Benfica passou a ter duas asas e, então sim, entrou com tudo. Voltou a valer Luiz Júnior, a negar o golo a Neres e a Musa, mas cheirava a golo. E Schemidt preparava mais três substituições. Estavam já Rodrigo Pinho - a outra estreia na equipa - Chiquinho(!) e Bah junto à lateral quando Rafa, assistido por Grimaldo e a concluir mais uma boa jogada daquela enxurrada que estava a ser o início da segunda parte, desviou finalmente a bola para dentro da baliza.


Cumpria-se, mesmo à entrada do segundo quarto de hora, o que estava escrito nas estrelas do jogo. As substituições fizeram-se à mesma. E bem!


Não tanto pelo que trouxeram ao jogo - na realidade não tiveram o impacto da primeira, ao intervalo - mas pelo que isso diz da convicção do treinador. O golo, alterando tudo, não alterava nada!


Muda apenas o chip. De modo avalanche para, de novo, modo controlo. E foi nesse regresso ao modo controlo, em absoluta segurança, que o jogo se passou a desenrolar. Até ao fim. Sem cântaro à vista, mesmo com um resultado curto. Curto na expressão, e curto para tanta superioridade! 


Pobrezinho, mas honesto. E sem as "ofertas" que engordaram resultados em Alvalade e no Dragão...


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Por muito que a comunicação social, e em especial as televisões, continue a confundir as coisas, as bombas que o primeiro-ministro despejou sobre o país ao início da noite de sexta-feira - antes de nos aconchegarmos no sofá para assistir à transmissão do jogo de futebol da selecção, e de ele partir para o concerto comemorativo dos 50 anos de carreira de Paulo de Carvalho – tinham a mira apontada exclusivamente para o orçamento do próximo ano. Como aqui de referiu, de fora ficava o descalabro das contas deste ano!


A troika terminará manhã a sua quinta visita de avaliação, o que dará a Vítor Gaspar oportunidade de fazer prova de vida. Desta não poderá fugir. Até porque o desempenho de Passos Coelho não podia ter sido pior, e é agora preciso outra cara!


O ministro das finanças, desaparecido há longas semanas sem ter deixado saudades, virá amanhã dar-nos conta do Relatório da troika e já sabemos que, lado a lado com mais um longo rol de aldrabices, virão as más notícias que ainda faltavam para este ano.


Vem aí mais. Esperemos por amanhã!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...