Por Eduardo Louro
Dominique Strauss Kahn (DSK) teve azar: numa altura em que a sua primeira preocupação devia ainda ser Portugal tinha logo de viajar para os Estados Unidos! Tivesse ele vindo para Portugal e poderia perfeitamente dar larga às suas – pelos vistos famosas e conhecidas - taras sexuais sem que nada se passasse.
Não seria, evidentemente, detido. A senhora não teria apresentado queixa. Nem isso lhe passaria pela cabeça, mas, se passasse, toda a gente facilmente a convenceria a mudar de ideias: contavam-lhe, por exemplo, este caso, ou ainda este, e rapidamente a senhora percebia que não ganhava nada com o assunto. Que seria ela a sair mal! Ninguém iria acreditar que não fora ela a leviana que, com um sexagenário rico (numa suite de dois mil euros por noite, só podia!) e poderoso (só podia, com o que temos ouvido do FMI e sendo o homem que tinha salvo Portugal - coisa que, como bem se percebe, só está ao alcance de gente com muito poder) ali à mão, se mandara ao homem, coitado!
Não só nunca teria visto o seu futuro político ir por água abaixo, como veria mesmo a sua candidatura presidencial do próximo ano sair daqui reforçada … Com os portugueses em geral a renderem-lhe homenagem (este é que é dos nossos, macho latino danado!) e os políticos, em coro, a dizer que aquilo são coisas do foro privado! E ainda valeria uns bons milhares de votos portugueses em França. Que sempre dão jeito!
Bom, mas como DSK não soube escolher, fica pelo menos uma lição para todos os tarados sexuais com aspirações políticas: se sabem que não conseguem resistir a uma empregada de quarto de hotel, a um inesperado cruzamento com um rabo de saia num corredor, ou a um encontro com uma fêmea desprevenida no elevador não se deixem enganar – escolham Portugal!
Este episodio também servirá para Socrates justificar a sua recente disponibilidade em Governar com o FMI. Parece que já o estou a ouvir dizer agora, depois do afastamento de DSK, o mundo voltou a mudar e assim já está disponível para continuar a mentir. E milhões de portugueses aplaudirão na forma de voto...
ResponderEliminarSim, Paulo: o mundo irá mudar. E lá teremos mais um culpado - depois dos que chumbaram o PEc 4 - agora será o DSK que, quando tudo corria tão bem, fica preso. E pronto, lá se vai o estado social de Sócrates...
EliminarBem sei que a conjuntura actual pedia um post assim, mas não posso deixar de o considerar demagógico.
ResponderEliminarNão é verdade que assim seja. Não é verdade que a Justiça portuguesa dê cobertura aos abusadores sexuais. O que tem vindo a público são casos pontuais de Magistrados ineptos que muito têm chocado e envergonhado a classe.
A comunicação social só publicita as más decisões...porque as boas não são notícia, são o dever cumprido, ou talvez por outros motivos que todos imaginamos quais... De qualquer modo, não se pode considarar a regra uma decisão isolada que é conhecida contra centenas de milhares de outras que fazem a diferença e a justiça do caso concreto e que permanecem no anonimato, tal como a competência dos seus autores. Mas é importante recordar que o desconhecimento é diferente da inexistência. E os bons magistrados, em regra, não são conhecidos do grande público...mas existem.
Claro que sim. Que os bons magistrados existem. Mas os maus também, e são esses os mais responsáveis por se não conhecerem os bons...
EliminarDe qualquer modo "a moral da história" do post passa para lá dessa dimensão da Justiça e centra-se bem mais na nossa cultura, nos hábitos e mentalidades que estão bem entranhados naquilo que é a cultura popular portuguesa.
Creio que toda a gente se lembra da institucionalização da figura do macho lusitano criada a partir do julgamento do processo que envolveu aquelas duas turistas que foram violadas, quando o tribunal achou que a culpa era delas por andarem de mini-saia a provocar os pobres diabos, que não tiveram por onde resistir... Foi a Justiça a ir ao encontro da "sensibilidade" do povo. Sim, do povo, pá!