domingo, 22 de maio de 2011

AÍ ESTÁ A CAMPANHA ELEITORAL!

Por Eduardo Louro


 


Arranca hoje oficialmente a campanha eleitoral!


Até parece que não temos estado em campanha eleitoral – em boa verdade em Portugal está-se permanentemente em campanha eleitoral – com debates televisivos e tudo. Fiz um esforço para entender o que é que muda com a abertura oficial e, depois de passar em revista debates, comícios, arruadas, piqueniques, mercados e feiras, encontrei na campanha oficial  uma única coisa nova: os tempos de antena! Essa coisa a que ninguém liga, que ninguém ouve nem vê, que vive como parasita da campanha oficial, que não serve para nada mas que custa uma pipa de massa!


Ora aí está o único valor acrescentado da campanha eleitoral oficial: uma coisa que não serve para nada mas custa dinheiro, e muito!


Estava eu, empurrado por aquele meu esforço para perceber estas coisas, mergulhado na desilusão deste resultado quando, de repente, descobri que, afinal, algo de novo nascia com a campanha oficial: os outdoors do PS!


Isso mesmo, os outdoors que o PS tinha prometido não usar nesta campanha e que representam uma das maiores fatias deestes orçamentos! Isto sim, isto é que é campanha eleitoral a sério! Se toda a gente diz que as campanhas eleitorais servem para prometer o que se não vai fazer, o PS mostra que não, que também servem precisamente para o inverso: fazer o que prometeu não fazer!


Estava todo este meu processo reflexivo a correr tão bem quando, de repente, alguém vem estragar tudo. Tinha de ser!


Então não é que o Vieira da Silva – o senhor campanha do PS – vem logo dizer que “o PS comprometeu-se – e vai cumprir – no sentido de fazer uma campanha com redução substancial de custos”. Já não bastava o “comprometeu-se e vai cumprir” – coisa verdadeiramente maldita em campanha eleitoral – como ainda a “redução substancial de custos”… Mas, depois, vem a cereja para o topo do bolo. As palavras são ainda de Vieira da Silva: “… faz toda a diferença encher o país de outdoors ou colocar um outdoor por círculo eleitoral”…


Vejam bem: um – um único – outdoor por círculo eleitoral! E valia pena quebrar uma promessa, que era bem mais que uma promessa eleitoral –  essas esquecem-se facilmente porque há 4 anos para as cumprir - era uma promessa de campanha, escrutinável em apenas duas semanas?


Eu acho que não. Que não havia necessidade, tanto mais que os outdoors são para o PS como a boca para o peixe: olhem para aquele, lá em cima, dos 150 mil empregos!


 


 

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