quarta-feira, 19 de novembro de 2014

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (II)...

Por Eduardo Louro


 



 


Maria Luís Albuquerque tem uma relação complicada com o parlamento. De cada vez que lá é chamada a uma comissão qualquer, seja comissão especializada, seja comissão de inquérito, a senhora descola da verdade, contradiz o que antes dissera, joga com as palavras e percorre novos caminhos de semântica. Tem sido sempre assim. Quem não se lembra dos swaps?


Ouvida hoje na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES, Maria Luís Albuquerque desdisse o que antes dissera. Quem garantira que os portugueses não seriam, em situação alguma, chamados a pagar a factura do BES, disse agora que "a procissão ainda vai no adro". E que não corremos apenas sérios riscos de pagar o que vier a caber à CGD (claro que pagamos tudo em comissões e coisas que tais, o que couber à Caixa e o que couber aos outros). Que corremos também o risco - e esse é ainda muito maior - de ser chamados a pagar tudo o que aí vier de toda litigância esperada, alguma já anunciada. Porque "vivermos, felizmente, num estado de Direito", concluiu a ministra...


E não parou de meter os pés pelas mãos. Na decisão da resolução, com que nada teve a ver, mas que aprovou. No plano de recapitalzação pública que Vítor Bento lhe apresentou, que sempre negou, transformando-o numa simples reunião para “clarificação das novas regras europeias (de capitalização de bancos pelos Estados), porque por vezes as regras europeias mudam e as pessoas podem não ter conhecimento”. E que agora, na comissão, em mais um exercício de semântica ao nível do do tempo verbal de Crato, diz que Vítor Bento não lhe pediu a recapitalização - perguntou-lhe se seria possível!

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