segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Carácter e inteligência

Por Eduardo Louro


 



Não sei se Miguel Macedo era um dos melhores ministros deste governo. Acredito que sim, e pelo que se conhece de todos os outros, é muito provável que sim. Não tenho grandes dúvidas que, de todo o governo, só dois ministros se aproveitam.


Miguel Macedo é um deles. O outro - e não sei se será uma questão de apelidos - é Paulo Macedo, ministro da saúde. Talvez pela forma como se soube preservar, e não tanto pelas facilidades da pasta - a administração interna não é uma pasta fácil, o ministro é que teve certamente o mérito de o fazer parecer -, Miguel Macedo esteve menos exposto e, por isso, menos sujeito a desgaste. As condições climatéricas, ajudando a fazer deste ano um dos mais tranquílos em matéria de incêndios, ajudaram-no bastante. Mas também não esquecemos que o ano passado foi sujeito a um dos mais difíceis de sempre. Nunca os incêndios tinham sido tão dramáticos, nem nunca tinham provocado tantas vítimas mortais entre os bombeiros. E nem assim Miguel Macedo saiu muito chamuscado pelas chamas...


Tem que ter, evidentemente, competência e carácter, atributos que hoje poucos reconhecerão à generalidade dos membros do executivo. E por isso, ao contrário de muitos dos seus colegas em circunstâncias de responsabilidades directas muito mais graves, não só reconheceu que não poderia continuar em funções depois do que foi conhecido no processo dos vistos dourados, como não se dispôs a fazer o frete ao primeiro-ministro, que queria mantê-lo a todo o custo, metendo-o no saco dos Cratos, das Teixeiras da Cruz e de outros que tais.


Mas Miguel Macedo não deixou deixou nesta sua demissão apenas uma nota de carácter. Deixou ainda uma de inteligência e de sentido de oportunidade política, tornando-se porventura no único ministro deste governo com futuro político asseguardo. A médio, ou mesmo a curto prazo!

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