O discurso do Pontal de Pedro Passos Coelho, de hoje, teve quase tudo menos o que deveria ter. A começar pelo mais importante: honestidade intelectual. Mas também coerência e rigor!
Dir-me-ão que não é isso que se espera no Pontal e, por muito que me custe, terei de concordar. Pois, mas faltou-lhe também o que, no Pontal, mais se espera: entusiasmo, mobilização e festa!
O momento político era propício a uma grande festa, mas ela não apareceu.
No resto, no que realmente importa, uma enorme falta de honestidade intelectual e uma incorrigível propensão para a manipulação – muitas vezes chocante - da realidade. Só isso explica que os principais riscos que o país actualmente corre sejam a evolução da economia europeia, a execução orçamental e o Tribunal Constitucional. Se a evocação do primeiro serve apenas para aligeirar responsabilidades, e a do segundo para valorizar o óbvio, já a do terceiro não passa de mais uma inaceitável pressão sobre o Tribunal Constitucional. Que apenas confirma que Passos Coelho vive aterrorizado com a elementar obrigação de cumprir a Constituição!
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