A redução dos impostos em Portugal ganhou novo fôlego e entrou decididamente na agenda política. O governo já tinha aberto o caminho, e o PSD, naturalmente, cavalgou-o.
É clara a oportunidade. Já o seria pelo calendário eleitoral, e sabe-se como as eleições são sempre a oportunidade para falar de redução de impostos. É a poção mágica que logo se desfaz depois do papelinho depositado na urna. Todos a prometem. Os que sabem que nunca terão oportunidade de a concretizar, e por isso a podem elevar à máxima exponência, e os que sabem que, depois, encontrarão sempre argumentos para a remeter para o baú das memórias, ou dos tesourinhos mais deprimentes. Mas é-o, também e a gora, pela conjuntura das finanças públicas, que não exactamente pela situação económica do país. Quando a carga fiscal atinge máximos históricos, muito à boleia da inflação, batendo mesmo os recordes de 2013, e superando a dos dinamarqueses ou suecos que, como se sabe, dela têm as contrapartidas que cada vez mais falham aos portugueses.
Ninguém fala claramente de uma reforma fiscal, nem da alteração do paradigma fiscal português. Esse decorrerá sempre do paradigma económico, que não se prevê de alteração fácil. Esse, que deixa mais de metade dos contribuintes sem rendimentos para pagar impostos, não entra na agenda política.
Mas é o que temos!
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