quinta-feira, 3 de agosto de 2023

"Mais papista que o Papa"

Oeiras censura cartaz que lembra as vítimas de abusos da Igreja Católica,  autora fala em “ilegalidade” - Expresso


Com o Papa Francisco por cá, e com Jornada Mundial da Juventude "on fire", houve quem se lembrasse de mandar afixar cartazes a lembrar que  “mais de 4800 crianças foram abusadas pela Igreja Católica em Portugal" em três outdoors localizados na Alameda, em Lisboa, em Loures e em Algés.


Não terá sido uma ideia absolutamente original, ou genial. Nem seria para avivar a memória do Papa. Toda a gente sabia que o Papa não estava esquecido disso. E ninguém de boa fé - qualificação que não precisa de fé, mas apenas de equilíbrio e bom senso - acreditará que o Papa se incomode mais com os cartazes do que com os actos e comportamentos que eles denunciam. Não foi pelos cartazes, que ainda não existiam, que o Papa trazia, como não poderia deixar de ser, o tema na sua agenda.


Já o tinha abordado sem rodeios, e "sem dó nem piedade". E o seu encontro pessoal com treze das vítimas desses abusos, ontem ao fim da tarde, há muito que estava agendado, mesmo que não constasse da agenda tornada pública.


Ainda assim a autarquia de Oeiras lembrou-se de censurar o que estava instalado no seu território (Algés), cobrindo-o de preto. Como se, quando o Papa é Francisco, fizesse sentido "ser mais papista que o Papa".


E como não faz, percebemos que os cartazes, afinal, não pretendiam avivar a memória do Papa, mas apenas a dos muitos "mais papistas que o Papa".

1 comentário:

  1. Consta que a Câmara Municipal de Oeiras falou em legalidade... Porque de legalidades percebe o seu presidente...

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