segunda-feira, 12 de julho de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A União Europeia (EU) reagiu à notação da Moody`s à dívida portuguesa de forma concertada - ao que pareceu – com as instituições nacionais. A reacção vale o que vale – que não é muito – e em particular a de Durão Barroso valeu pouco. Valeram bem mais as alemãs e valeu, essa sim porque foi bem para além da simples declaração formal, a do BCE ao declarar que deixará de condicionar a sua actividade pelas notações de rating.


Esta é uma decisão relevante e que há muito se impunha. O BCE, bem como os restantes organismos europeus, conhecem – têm toda a obrigação disso – as economias europeias e as condições financeiras dos estados membros. Nem o famoso caso grego serve para o pôr em causa. Os gregos não enganaram a União Europeia, esta é que quis deixar-se enganar! Já vinha dos tempos da integração no euro: a UE sabia perfeitamente que a Grécia não cumpria os critérios de adesão!


Não precisa, por isso, dos serviços das agências de rating e faz muito bem em dispensá-los. Percebe-se mal, de resto, a intervenção das agências de rating nas dívidas públicas, mas isso é outra história.


Esta é uma decisão eficaz e com todo o sentido: de oportunidade e de princípio. Já a anunciada criação de uma agência de rating europeia – prevista lá para o Outono mas que António José Seguro pateticamente reclama para já – não faz qualquer sentido. Se as agências americanas não estão acima de suspeição, a resposta tem que ser dada através dos dispensa dos seus serviços, nunca substituí-las por outras criadas com todo o ar de quem procura favorecimento (a agência chinesa foi criada num cenário que nada tem a ver com o que actualmente vive a Europa).


Outra coisa seria o lançamento não de uma, mas duas ou mesmo três novas agências que alarguem a oferta e confrontem o oligopólio americano com uma concorrência séria. Porque, para além de todas as suspeitas, há os factos: estas empresas, ligadas aos interesses financeiros americanos, tiveram uma participação escandalosa na crise financeira mundial de 2008 que ainda hoje asfixia milhões de pessoas por esse mundo fora. E isto não pode continuar como se não tivesse acontecido!


 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...