quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sem tino e sem destino*

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O país está ainda em choque com a violência de que foi palco a Academia do Sporting, em Alcochete que, em boa verdade, chocou muita gente mas terá surpreendido muito pouca.


E não, não me refiro apenas ao universo do futebol, aí não há sequer razão nenhuma para surpresas. Refiro-me a todos os que se preocupam com o país, e que se apercebem da degradação das instituições e, de uma forma geral, da nossa vida colectiva.


Um país que assiste de braços cruzados a uma dolorosa e humilhante intervenção externa, a pelo menos uma década de escândalos na banca e nas elites políticas e empresariais, incluindo um antigo primeiro-ministro e vários ministros de vários governos, a revelações praticamente diárias de mais e mais corrupção, mas que reage sistematicamente com violência a um mau resultado do seu clube de futebol, mais que sem tino, é um país sem destino.


Repare-se como, aqui ao lado, em Espanha, com múltiplos escândalos de corrupção, mas ainda longe do que se tem passado por cá, se está a assistir à acelerada dissolução da estrutura de poder das últimas décadas. As sondagens desta semana revelam que o PP e o PSOE, que sempre asseguraram o poder nos 40 e poucos anos da democracia espanhola, já não representam, cada um, mais de 19% das intenções de voto. Abaixo do Podemos, e já muito longe do Ciudadanos, à beira dos 30%.


E como, por cá, os partidos que nos têm governado, passam incólumes por entre os pingos da chuva, mantendo intacto o seu fiel eleitorado, como adeptos de futebol, o que lhes permite protegerem-se transversalmente uns aos outros. E se alguma vez assim não acontece, o prevaricador é acusado de falta de lealdade. Como aconteceu no debate parlamentar da semana passada, sem que ninguém ousasse sequer achar estranho!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

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