
A década de 60 terá sido das mais gloriosas – deixem-me chamar-lhe assim - do século passado, com uma rara concentração de factos e acontecimentos históricos decisivos. Se tivéssemos que escolher um ano para príncipe dessa década, provavelmente 1968 seria o escolhido: Martin Luther King e Robert Kennedy, depois do seu irmão, o presidente John Kennedy, cinco anos antes, foram assassinados; Nixon foi eleito presidente da América, onde o protesto contra a guerra no Vietname rompia com o “establishment” e abria portas a novas formas de activismo político, que atravessaria o Atlântico para se instalar e ganhar forma de revolução nas ruas empedradas de Paris.
Tudo começou na universidade, como então acontecia por todo o lado, ou não fossem os estudantes de 60 a vanguarda revolucionária do Ocidente, mas depressa atravessou a sociedade e chegou às fábricas, atropelando todas as estruturas orgânicas. Revolução tão curta mas tão profunda, que proibia que se proibisse e proclamava o realismo de exigir o impossível, nunca se vira. Nem nunca mais se viu!
Foi há 50 anos, o Maio de 68. Durou menos de um mês, a 30 de Maio De Gaule anunciou eleições para Junho, e tudo voltou ao seu lugar. Mas – não tenham dúvidas - nada ficou na mesma. Mesmo que De Gaule tenha voltado a ganhar nas eleições de 23 de Junho…
Tudo voltou ao seu lugar, mas o lugar que cada um encontrou de volta já não era, nem nunca mais foi, o mesmo.
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
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