
Quatro meses depois da renúncia do segundo advogado de Sócrates, Pedro Delille - que já sucedera a João Araújo, entretanto falecido - o julgamento do Processo Marquês arrasta-se a uma velocidade inversamente proporcional às dos principais crimes a caminho da prescrição.
Sócrates nunca teve, nem seguiu, uma estratégia de defesa. Só e apenas uma estratégia de dilação que lhe permitisse fugir ao julgamento. E, nisso, tem contado com a colaboração de todo o sistema judicial, sem excepção.
Se ao longo destes 12 anos, na investigação do Ministério Público, nas trapalhadas da Instrução, o sistema sempre facilitou, aquele seco "acabou a brincadeira" que, de copo cheio, a juíza Susana Seca dirigiu a Pedro Delille, no dia 30 de Outubro do ano passado, foi tudo o que Sócrates precisava. A tampa saltou ... mas para as mãos da estratégia de Sócrates.
A partir daí só piorou.
Sócrates contratou o advogado José Preto. Pediu cinco meses e meio para tomar conhecimento do processo mas, "tinha acabado a brincadeira". A juíza deu-lhe dez dias, e por isso recorreu para a Relação de Lisboa, recurso ainda em curso. Afinal parece que não "tinha acabado a brincadeira". Entretanto esteve internado no hospital, e por esse motivo requereu a suspensão do julgamento. "Tinha acabado a brincadeira", a juíza recusou, e o advogado renunciou.
E Sócrates contratou a advogada Sara Leitão Moreira. E repetiu-se tudo. Não "tinha acabado a brincadeira". Tinha começado!
Não havia quem quisesse "defender" Sócrates, que também não queria ter quem o defendesse. Advogados, só oficiosos. E foram sendo nomeados, para logo renunciarem. Os "dez dias" para consultar o processo mantêm-se como "jurisprudência". Teimosamente, porque "palavra de juiz não volta atrás". E os advogados oficiosos são tarde - apenas recebem no final do processo - e mal pagos.
Nunca deve ter passado pela cabeça de Sócrates que fosse tão fácil!
Terá sido Sócrates que fez a lei à sua medida.
ResponderEliminarNão. Não seria capaz de ser tão perfeito ...
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