
No congresso deste fim de semana, em Viseu, o PS não encontrou nem o divã - e não havia melhor escolha para o armar - para a catarse do desastre que o atingiu, nem o chão que lhe vem fugindo. Sem exorcizar todos os demónios, e sem chão firme para pisar, por mais animadoras que sejam as sondagens, e por mais sedutora que seja a boleia de Seguro, o deserto é longo e agreste.
Diz-se por aí que o Congresso não entusiasmou. Que foi morno. Não é disso que as televisões gostam. Gostariam de ver o sofá num corrupio, numa espécie de casa dos segredos (que não sei bem o que é, mas imagino o que seja). Pela primeira vez, em muitos anos, um congresso do PS não abriu os telejornais.
Hoje o PS já não tempo, nem talvez ganhe muito com isso, para discutir o passado. Pela primeira vez descartável no processo da decisão política, e sem saber bem com que PSD terá que lidar, o PS está perante a sempre difícil tarefa de enfrentar o desconhecido. O que, não sendo confortável para ninguém, é extraordinariamente incómodo para os partidos. E em especial para um partido velho!
Por isso, dificilmente este XXV Congresso do PS poderia ser muito diferente do que realmente foi.
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