Confesso que me senti claramente em contramão quando aqui defendi que o cancelamento da conferência da rapaziada da Nova Portugalidade e do Jaime Nogueria Pinto - a que juntei o do livro do José António Saraiva, mas esse não é, agora, para aqui chamado - não era um acto de censura.
Recordo que na altura escrevi que ali não havia debate. "Há - ou pode haver - outra coisa qualquer. Que poderá ter desencadeado outra coisa qualquer, eventualmente cheia de coisas condenáveis, mas que não é censura. Arranjem-lhe outro nome, censura é outra coisa"!
São hoje claras as coisas que ali havia. Está hoje claro e provado que se tratou de mais uma campanha de publicidade da mesma extrema direita de sempre, para dar a conhecer um novo nome, a sugerir mais uma organização, como os rapazes da Nova Portugalidade deixaram demonstrado nas redes sociais através das mensagens de parabéns pelo sucesso que trocaram entre si. E é hoje ainda mais claro como, sempre que a oportunidade lhe surge, Jaime Nogueira Pinto deixa que o pé lhe fuja para o chinelo.
A mensagem que o Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova enviou aos docentes, funcionários e alunos esclarece o resto. Inclusive o papel de Jaime Nogueira Pinto, que depois de concordar com a decisão foi a correr para televisões e jornais denunciar o vil acto de censura!
Não me regozijo por, tendo estado em contramão, estar afinal no sentido certo. Mas não posso deixar de salientar a forma como o politicamente correcto tomou conta do debate público à esquerda, torvando-lhe o sentido crítico. Não sei se é fruto da época, se é simplesmente fruta da época...
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