segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Vuelta 2024 - "Fiesta em Portugal"


Créditos: Luis Angel Gomez/SprintCyclingAgency


Aí está a 79ª edição da Vuelta. Aqui está, porque este ano começou em Lisboa, e andou por aqui. Tão por aqui que me passou, ontem, à porta.


Foram três etapas em Portugal, e foi o melhor ciclismo do mundo a passar por cá, em festa. Por todo o lado. Começou no sábado em Lisboa, no prólogo, num contra-relógio de 12 quilómetros, até Oeiras. Passou ontem por aqui, na segunda etapa, de Cascais a Ourém, e acabou hoje em Castelo Branco, na terceira, com partida da Lousã. Ambas com mais de 190 quilómetros.


A caravana parte hoje de Portugal para amanhã prosseguir com a quarta etapa, na Estremadura, com partida de Plasencia (província de Cáceres) e chegada ao Pico de las Villuercas, o pico mais alto da Serra de Guadalupe. Já uma etapa de alta montanha, onde certamente começarão construir-se as primeiras definições do que será esta Vuelta.


Van Aert sai de Portugal de vermelho, depois do terceiro lugar no contra-relógio, e do segundo em Ourém (que lhe valeram o primeiro lugar da geral, e da vitória de hoje em Castelo Branco, a primeira numa grande competição em dois anos, um longo e estranho jejum para o ciclista belga.


O norte-americano Brandon McNulty, colega de João Almeida (10º no prólogo onde, para os favoritos, apenas perdeu para Roglic, por dois segundos) na UAE Team Emirates venceu o contra-relógio. O australiano Kaden Groves (Alpecin-Deceuninck) ganhou em Ourém.


A Vuelta é, das três maiores Voltas do ciclismo mundial, sempre a mais aberta à competição. Este ano, sem qualquer dos três monstros do ciclismo actual - Pogacar, Vingegard e Evenepoel - sê-lo-á mais ainda. Candidatos há muitos, apostas há para todos os gostos, mas ninguém poderá apontar, neste momento, o principal favorito.


Seria um uma surpresa enorme que o vencedor em Madrid não saísse deste grupo de principais candidatos: Sepp Kuss, o americano da Visma, e vencedor no ano passado; João Almeida, o melhor do ano a seguir aos três monstros; Adam Yates, o britânico e seu colega da UAE; Roglic, o esloveno da Red Bull, à procura da sua quarta vitória na Vuelta (três vitórias consecutivas 2019, 2020 e 2021, os seus anos de ouro); o seu colega de equipa, o colombiano Daniel Martinez; Ben O’Connor, o australiano da AG2R; Richard Carapaz, o equatoriano colega de Rui Costa na Education First; Carlos Rodriguez, o espanhol da Ineos; Mikel Landa, também espanhol da Soudal Quick-Step; ou Lennert van Eetvelt, o jovem belga que é apontado como uma estrela em rápida ascensão.


Se nada de anormal acontecer ao longo destas três semanas a nenhum destes 10 ciclistas apostaria que este será o top ten. Claro que nem todos têm a mesma probabilidade de ganhar, uns têm bem mais que outros.


João Almeida estará certamente entre os que têm as maiores. Tem uma boa equipa, e a vantagem de nela não estar Ayuso. Adam Yates também tem aspirações, mas não só não tem o comportamento do jovem espanhol, como deve a João Almeida a vitória na Volta à Suíça. Mas não se sabe o que o brilhante Tour que fez lhe pesa nas pernas nesta altura.


Sep Kuss é entre os candidatos o que tem obrigação de estar mais fresco. Não esteve no Tour, e isso poderá contar. E conta também com uma boa equipa.


Roglic é uma incógnita. Praticamente não participou no Tour, que cedo abandonou por queda. Depois, também, da queda no País Basco. Se as primeiras montanhas lhe não saírem bem poderá ficar obrigado a trabalhar para Daniel Martinez, que agradecerá.


Carapaz terminou o Tour em grande estilo, e as montanhas desta Vuelta são ao seu jeito.


Mikel Landa e Carlos Rodriguez são espanhóis. E em Espanha isso conta.


Depois destes dias de festa do ciclismo, esta Vuelta seria mesmo a "fiesta" de Portugal se fosse a da primeira vitória do João Almeida. Que isto não lhe pese sobre os ombros. Nas pernas e na cabeça sabemos que não!

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