O euro continua em perda e as dificuldades de financiamento continuam a aumentar, em especial para a Grécia, Espanha e Portugal. As notações de rating continuam em queda livre, tendo mesmo a da Grécia caído para o nível mais baixo: lixo. Espanha e Portugal pagam agora taxas de juro inimagináveis há apenas três ou quatro meses e começam a enfrentar sérias dificuldades na colocação de dívida!
Em Portugal discute-se se não seria preferível chamar já o FMI. Há os que defendem que solicitar já essa intervenção permitiria o acesso a melhores condições de financiamento – a Grécia, por essa via, tem já taxas de juro mais baixas que as de Portugal! Vêem ainda nessa intervenção a oportunidade para endurecer as medidas de austeridade e, nela, o caminho mais rápido para a consolidação orçamental e para o saneamento das finanças públicas. Os que lhe opõem não apresentam outros argumentos que não sejam os que se prendem com a imagem do país, isto é, preocupam-se apenas em proteger a imagem do fidalgo arruinado.
Desgraçadamente é isto que se discute. Uns com a obsessão da imagem, uma obsessão infelizmente profundamente enraizada na sociedade portuguesa, e responsável por tanta da nossa miséria humana (ainda esta semana era noticiado que muitos portugueses preferem começar a cortar pelos medicamentos e pela alimentação antes de abdicar de telemóveis, canais de tv por cabo e mesmo de automóveis). Outros porque preferem trocar a verdade da realidade pela de manuais desactualizados.
Por que é que a chamada pressão dos mercados, que supostamente abrandaria com o anúncio de medidas de austeridade, de medidas de excepção suficientemente capazes de impor os sacrifícios exigidos como se os mercados fossem monstros vorazes ávidos de sangue (e de suor e de lágrimas), afinal não abrandou?
Porque, logo depois do anúncio dessas medidas, os mercados concluíram que elas não só impediam o crescimento como iriam alimentar uma espiral de retracção económica de consequências ainda mais gravosas. Perceberam que elas não resolviam os problemas, que os agravavam!
Coisa que, cegos pelo medo, governantes e elites não vêem. Ou fingem não ver, por falta de coragem para enfrentar a realidade. E preferem continuar a pensar e agir exclusivamente na lógica de alimentar o tal monstro voraz – oferecer-lhe em sacrifício cada vez mais inocentes – ignorando uma realidade circular em que se é preso por ter cão e por não o ter: se não são duros nas medidas não estão a enfrentar eficazmente os problemas; mas se o são estão a liquidar a economia e, com isso, sem qualquer possibilidade de resolver os mesmíssimos problemas.
E assim lá continuamos, nós e uma Europa cada vez mais anã (já não apenas um mas dois anões), a afundar-nos cada vez mais, assobiando para o ar enquanto vamos inventando novas medidas que achamos que acalmam os mercados!
Sem comentários:
Enviar um comentário