terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nem sempre o diabo está atrás da porta

Por Eduardo Louro


 


 


Às vezes é assim. Às vezes a sorte espreita, nem sempre o diabo está atrás da porta…


A selecção nacional hoje ganhou na Dinamarca, com um golo caído do céu – dos pés de Quaresma e da cabeça de Cristiano Ronaldo (pelo menos foi ele a fazer a festa) – nos últimos segundos dos cinco minutos de compensação, um jogo que esteve longe de ser bonito. Mas que não deixou de ser interessante, pelo menos do ponto de vista de análise.


Quer dizer: não foi bonito de ver, mas foi interessante de analisar!


A selecção nacional, em fase de assimilação de um novo esquema táctico – Fernando Santos abandonou o estafado 4x3x3 de Paulo Bento e acredita, como muito boa gente, que 4x4x2 em losango é o sistema táctico que mais se adequa à realidade actual do futebol português, que não tem pontas de lança – revelou grande anarquia durante o jogo. Temos que entender isso com alguma naturalidade, porque não é fácil alterar o sistema de jogo de uma selecção em tão pouco tempo.


A selecção deixou esticar o jogo, os sectores ficaram mais distantes uns dos outros, e a equipa teve grandes dificuldades em ligar o jogo e, assim, impor a superior capacidade técnica dos jogadores portugueses. Foi assim que o jogo acabou por cair para o lado que mais favorecia os dinamarqueses, obrigando a equipa nacional a jogar com as armas do adversário, em vez das suas. Foi sempre assim, e foi tanto assim que a Dinamarca teve sempre muito mais bola, ultrapassando em muito os 60% durante toda a primeira parte, e fixando – se, no final, lá bem perto.


Afinal, quando tudo parecia que iria dar certo, as contas saíram furadas aos nórdicos, que acabaram por morrer com os ferros com que têm matado! A selecção, agora de Fernando Santos – homem de fé, como é sabido –, acabou, quase que por milagre, por resolver o jogo nos últimos momentos, exactamente como a Dinamarca fizera nos dois jogos anteriores. Foi assim que ganhou à Arménia e foi assim que evitou no passado sábado a derrota com a Albânia. A tal!


Se esta exibição de hoje, muito abaixo da de sábado, contra a França, não permite grandes euforias, o resultado deixa a qualificação totalmente em aberto. Se chegou a parecer que a qualificação era uma questão de determinismo, agora é só uma questão de ser jogada!


 

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